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Em que lugar Ana Marcela está entre as maiores das águas abertas?

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19/07/2019 14h04

(texto originalmente publicado no site Esportístico (www.esportistico.com.br))

Ana Marcela Cunha, mais uma vez, fez história.

Ao vencer os 25 km no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, realizado na Coreia do Sul, a brasileira tornou-se, no feminino, a primeira tetracampeã da história da competição nas provas de águas abertas.

Seu saldo ao final do Mundial: ouros nas provas de 5 km e 25 km, além de ter terminado os 10 km na quinta posição e ter garantido vaga nos Jogos Olímpicos do ano que vem.

É a primeira vez, na história de qualquer esporte, que uma brasileira conquista dois ouros individuais em um mesmo Mundial.

Ana Marcela Cunha durante os 25 km (foto: Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br)

A lista de feitos de Ana Marcela é interminável.

Entre eles, está o fato de a brasileira ser a maior medalhista em águas abertas na história da competição, com 11 pódios.

(se contabilizarmos ambos os sexos, ela fica atrás do alemão Thomas Lurz, com 13)

Juntando com o extinto Mundial de Águas Abertas, exclusivo da modalidade, que foi disputado entre 2000 e 2010, Ana Marcela tem 12 medalhas e fica atrás, no feminino, somente da holandesa Edith van Dijk, com 15.

Além disso, em Mundiais de Esportes Aquáticos, ela é a única a conquistar quatro medalhas de ouro em uma mesma prova, no feminino, nos 25 km (2011, 2015, 2017 e 2019).

(no masculino, o único a alcançar o feito é, novamente, Thomas Lurz nos 5 km)

Pelo quinto Mundial de Esportes Aquáticos consecutivo ela conquista uma medalha, algo igualado por somente outros dois nadadores na história do Campeonato – o grego Spyridon Gianniotis e, adivinhem, Thomas Lurz.

 

Ana Marcela e seus dois ouros do Mundial da Coreia do Sul (foto: Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br)

No entanto, apesar de estar na elite mundial desde 2006, ela ainda não conseguiu a tão sonhada medalha olímpica.

Por isso, será que ela pode ser considerada a maior nadadora de águas abertas da história?

Ou a medalha olímpica seria fundamental para isso?

Apenas para efeito de curiosidade, fiz um rápido levantamento.

Coletei todos os resultados das principais competições de águas abertas em nível mundial, a saber:

– Jogos Olímpicos (2008 até o presente)
– Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos (1991 até o presente)
– Campeonato Mundial de Águas Abertas (disputado de 2000 a 2010)
– Circuito Mundial de maratona aquática (2007 até o presente)

Para registro de conquistas, Ana Marcela possui 11 medalhas em Mundiais de Esportes Aquáticos (5 ouros, 2 pratas e 4 bronzes), uma em Mundiais de Águas Abertas (bronze) e quatro conquistas do Circuito Mundial, além de um vice e três terceiros lugares.

Elaborei um critério simples para classificar as nadadoras.

A princípio, foram atribuídos 3 pontos para a vencedora, 2 pontos para a segunda colocada e 1 ponto para a terceira, em cada prova disputada. Considerei somente provas individuais, então as medalhas conquistadas nas provas de equipes/revezamentos não entram na conta.

No caso do Circuito Mundial, essa pontuação foi atribuída para as três primeiras colocadas ao final de cada temporada.

Obviamente, para elaborar um ranking das melhores, a principal competição, Jogos Olímpicos, e a principal prova, 10km, devem ter um peso maior.

Por isso, a prova de 10km olímpica rende quatro vezes mais, ou seja, 12, 9 e 6 pontos para as medalhistas, respectivamente.

A prova de 10km em Campeonatos Mundiais rende duas vezes mais, ou seja, 6, 3 e 2 pontos.

As outras provas (5km e 25km em Mundiais e o Circuito Mundial) rendem a pontuação padrão, ou seja, 3, 2 e 1 pontos.

Ou seja, para uma nadadora alcançar a pontuação equivalente à de uma vitória olímpica em um Campeonato Mundial, ela precisa ser perfeita: vencer os 5km, 10km e 25km.

Algo razoável, pois é preciso refletir a devida importância de uma medalha olímpica no ranking.

Elaborados os critérios, as 10 primeiras colocadas são as seguintes:

Pos. Atleta                                       Pontos
1.     Larisa Ilchenko (RUS)           49
2.     Ana Marcela Cunha (BRA)  43
3.     Angela Maurer (ALE)           40
3.     Edith van Dijk (HOL)           40
5.     Britta Kamrau (ALE)             29
6.     Poliana Okimoto (BRA)        25
6.     Viola Valli (ITA)                      25
8.     Martina Grimaldi (ITA)         21
9.     Keri-Anne Payne (GBR)         20
10.   Rachele Bruni (ITA)                19
10.   Sharon Rouwendaal (HOL)   19

A russa Larisa Ilchenko é realmente tida por muitos como a maior nadadora de águas abertas da história. Ela foi a primeira campeã olímpica da modalidade, em 2008, e em Mundiais tem um retrospecto praticamente impecável em provas individuais: 9 medalhas, sendo 8 de ouro.

Larisa Ilchenko, lenda das águas abertas (foto: reprodução/openwaterswimming.com)

Mas Ana Marcela não está muito longe. Por um lado, pode-se argumentar que a brasileira se beneficiou de competir várias vezes (e ganhar) o Circuito Mundial, algo que Ilchenko só teve oportunidade de fazer no final de sua carreira. Mas a russa esteve em seu auge em uma época em que todos os anos disputava um Campeonato Mundial, seja de Águas Abertas, seja de Esportes Aquáticos, o que Ana Marcela só pôde fazer no início de sua trajetória.

É interessante notar que as últimas campeãs olímpicas, a húngara Eva Risztov e a holandesa Sharon van Rouwendaal, não aparecem em colocações tão destacadas.

Justo. Afinal, além do ouro olímpico, Rouwendaal possui somente duas medalhas individuais em Mundiais.

Ristov, nem isso.

Compare com Ana Marcela, que tem 12, e Poliana Okimoto, que possui cinco e um bronze olímpico, e que também está, pelo ranking, entre as maiores de todos os tempos.

Poliana Okimoto também está entre as maiores de todos os tempos (foto: Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br)

No masculino, o alemão Thomas Lurz é considerado por unanimidade o maior de todos os tempos das águas abertas, com incríveis 20 medalhas em Mundiais (12 de ouro), e jamais foi campeão olímpico – tem uma prata e um bronze.

Um ouro olímpico é importante, mas não é tudo.

Logo, as colocações parecem justas.

E uma medalha de ouro olímpica, ou uma prata, levaria a brasileira para o topo do ranking.

Aguardemos pelos próximos capítulos.

Por Daniel Takata

Sobre o Autor

Daniel Takata
Redator da Revista Swim Channel. Tem colaborado com os principais veículos impressos e eletrônicos sobre natação e vem comentando competições no SporTV.

Guilherme Freitas
Jornalista da Revista Swim Channel e correspondente internacional de imprensa da FINA (Federação internacional de Natação), formado pela FMU e pós-graduado em Globalização pela Escola de Sociologia e Política.

Patrick Winkler
Editor- Chefe da Revista Swim Channel, Colunista da Radio Bradesco Esportes FM. Graduado em administração de empresas na Universidade Mackenzie, e pós-graduado em Gestão do Esporte pelo Instituto Trevisan.

Mayra Siqueira
Repórter da Revista Swim Channel e jornalista esportiva da Rádio CBN. É correspondente da FINA (Federação internacional de Natação) no Brasil e é colunista de natação para o Blog Esporte Fino, da Carta Capital.

Sobre o Blog

A Swim Channel é uma editora formada por nadadores que escreve exclusivamente sobre natação sendo eleita a melhor revista do segmento no mundo inteiro no ano de 2012. Através deste Blog, consegue fomentar noticias diárias aumentando o alcance do conteúdo editorial. Acompanhe entrevistas com atletas e personalidades, cobertura dos principais eventos, análises das diversas áreas relacionadas a nossa modalidade.

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