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Arquivo : 100m livre

100m livre é o destaque no Arena Pro Swim Series de Indianápolis
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Tem início amanhã em Indianápolis a segunda etapa do Arena Pro Swim Series 2017. O evento, que vai ser realizado no Indiana University Natatorium (mesma piscina do Campeonato Mundial Júnior em agosto), terá a presença de vários astros da modalidade e seleções estrangeiras como Itália, Argentina, China e Japão. E por falar em estrelas aquáticas, uma das provas imperdíveis será os 100m livre masculino.

A prova nobre da natação reunirá diversos atletas de renome internacional. O anfitrião Nathan Adrian tem o melhor tempo do balizamento com 47s72 e é o único americano balizado entre os oito melhores. No top 8 estão três brasileiros: Marcelo Chierighini, João de Lucca e Matheus Santana. Além deles Bruno Fratus estará na prova com o 13º tempo. Luca Dotto, Federico Grabich, Duncan Scott, Vladimir Morozov, Simonas Bilis, Josh Schneider, Cullen Jones, Tom Shields e Filippo Magnini são outros destaques. Como muitos nadadores estiveram parados ou estão em fase pesada de treinamento a expectativa não é de ver tempos muito baixos, mas com tanta gente boa na água a prova será realmente bem interessante de ser acompanhada.

Finalista olímpico no Rio-2016 Chierighini tem o 7º melhor tempo do balizamento – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Outro destaque será a presença de Adam Peaty. O atual campeão olímpico e mundial dos 100m peito fez uma temporada perfeita ano passado. Bateu o recorde mundial da prova duas vezes (na eliminatória e final) nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e ajudou o revezamento britânico 4x100m medley a levar a medalha de prata com monstruosos 56s59 de parcial. Peaty começou 2017 com tudo, nadando para 58s94 no EuroMeet de Luxemburgo, vencendo com dois de vantagem para o vice-campeão do evento. Uma mostra de que ele continua sobrando na prova e que deve dar bastante trabalho para os locais Cody Miller, Joshua Prenot e Kevin Cordes, além do brasileiro Felipe Lima que também estará em ação.

No feminino o destaque fica por conta dos duelos que a canadense Penny Oleksiak terá em sua campanha em Indianápolis. A campeã olímpica dos 100m livre no Rio-2016 vai encarar nesta prova a italiana Federica Pellegrini contra quem também deverá cravar um duelo interessante nos 200m livre. Já nos 100m borboleta sua principal adversária será a americana Kelsi Worrell, campeã olímpica com o 4x100m medley no Rio-2016. Um bom teste para a jovem canadense de 17 anos.

Adam Peaty será uma das atrações em Indianápolis – Foto: Alessandro Koizumi/Swim Channel

Além dos 100m livre o quarteto brasileiro disputará também os 50m livre. Matheus Santana nadará ainda os 100m borboleta e João de Lucca os 200m livre. Felipe Lima nada três provas: os 50m livre e os 100m e 200m peito. Entre as mulheres, Maria Paula Heitmann vai nadar quatro vezes: 100m, 200m e 400m livre e 100m borboleta. O Arena Pro Swim Series de Indianápolis será transmitido pelo site da USA Swimming e o balizamento pode ser conferido clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Juventude ousada nos 100m livre
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Klye Chalmers, australiano de 18 anos, Caeleb Dressel, americano de 19 anos, e Duncan Scott, britânico de 19 anos, têm algumas semelhanças. São jovens, velocistas, tem a pele clara e tem o inglês como língua materna. Além dessas características outra coisa os uniu nesta terça-feira: o trio foi o mais rápido nas eliminatórias do 100m livre.

As atenções estavam voltadas para nomes consagrados como Zetao Ning, Nathan Adrian ou Federico Grabich, os medalhistas no último Campeonato Mundial de Kazan. Porém, todos tropeçaram ou estiveram longe da melhor forma. Ning, que surpreendeu o mundo ano passado, fez apenas o 14º com 48s57 e Adrian passou raspando com o 16ºtempo (48s58). Pior foi o argentino Grabich que com 48s78 nem avançou para a semifinal, assim como Jeremy Stravious, Tae Hwan Park e Filippo Magnini.

Dressell já tem um ouro nestes Jogos – Foto: Steven Branscombe

Dressell já tem um ouro nestes Jogos – Foto: Steven Branscombe

Se os mais veteranos patinaram, foi a molecada que chamou a responsabilidade e tomou a dianteira na prova nobre da natação mundial. Na quinta série da eliminatória Duncan Scott se garantiu na semifinal com um bom 48s01. Duas séries depois foi a vez de Dressell e Chalmers duelarem braçada a braçada pela vitória que ficou com o australiano: 47s90, melhor tempo da eliminatória. Dressell também pode comemorar, pois os 47s91 é o melhor tempo de sua carreira.

Além do jovem trio outros nadadores mais jovens e estreantes olímpicos se classificaram entre os 16 melhores: os canadenses Santo Condorelli e Yuri Kisil e o alemão Damien Wierling, todos com menos de 22 anos e disputando a primeira Olimpíada. Porém, o principal favorito também tem 22 anos e continua sendo o grande favorito, o australiano Cameron McEvoy que passou com o quarto tempo: 48s12.

O jovem britânico Duncan Scott – Foto: British Swimming

O jovem britânico Duncan Scott – Foto: British Swimming

Os brasileiros não tiveram boas participações nesta prova e também na etapa como um todo. Marcelo Chierighini que foi muito bem nas duas vezes que caiu na água para o 4x100m livre não fez uma boa prova, mas passou em 13º lugar com 48s53. Nicolas Nilo foi muito mal e com 49s05 nem passou perto de avançar tendo terminado na 28ª posição.

Logo mais a partir das 22h começam as finais do quarto dia olímpico e veremos realmente se essa garotada veio apenas para aprontar com os medalhões ou para marcar território e mostrar ao mundo que a prova mais tradicional da natação pode ter novos donos.

O australiano Kyle Chalmers – Foto: Reprodução

O australiano Kyle Chalmers – Foto: Reprodução

Por Guilherme Freitas

A equipe Swim Channel na cobertura dos Jogos Rio 2016 é patrocinada pela Mormaii, a maior marca de esportes aquáticos do Brasil


Cameron McEvoy ameaça recorde mundial de Cesar Cielo
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Uma das provas mais aguardadas da seletiva australiana registrou um dos melhores tempos da história. Nos 100m livre masculino Cameron McEvoy venceu a prova com o expressivo tempo de 47s04, nada mais, nada menos, que a melhor marca da história sem auxílio dos trajes tecnológicos. O tempo do australiano é ainda o terceiro mais veloz da história apenas atrás dos dois únicos homens a completarem a distância abaixo dos 47 segundos: Alain Bernard com 46s94 e Cesar Cielo, que detém desde o Campeonato Mundial de Roma o recorde mundial com 46s91.

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Cameron McEvoy – Foto: Reprodução/Internet

McEvoy dominou a prova de ponta a ponta, tendo uma saída perfeita e abrindo muita distância aos demais no decorrer da prova (assista ao vídeo abaixo). O resultado além de colocá-lo como favorito a medalha de ouro nos Jogos do Rio-2016 lhe deixa a apenas 13 centésimos do recorde mundial de Cielo. Em tempo, o jovem Kyle Chalmers superou o recorde mundial júnior que pertencia a Matheus Santana desde 2014 ao nadar para 48s03. Uma motivação a mais para os velocistas brasileiros que disputam a partir de sexta o Troféu Maria Lenk.

Por Guilherme Freitas


Magnussen fora do Mundial: em quem você aposta nos 100m livre?
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James Magnussen, o atual bicampeão mundial dos 100m livre, está fora do Campeonato Mundial de Kazan. O australiano não conseguiu se recuperar de uma lesão no ombro esquerdo que o vem incomodando há algum tempo e que o deixou de fora do Grand Prix de Camberra, disputado este mês. O problema é sério, pois afeta a rotação do ombro e consequentemente sua potência de braçada. Visando uma recuperação mais rápida o velocista deverá fazer ainda em junho uma cirurgia no local. Não haverá tempo suficiente para estar apto para Kazan, mas para os Jogos Olímpicos do Rio-2016 sim. E é nisso que Magnussen aposta.

O australiano é o melhor nadador de 100m livre da atualidade. São dois títulos mundiais em Xangai-2011 e Barcelona-2013, uma medalha de prata nas Olimpíadas de Londres-2012 e o melhor tempo da história sem trajes tecnológicos (47s10). Além disso, desde 2011 ele termina a temporada como líder do ranking mundial na prova nobre da natação. Magnussen era cotado como um dos maiores (senão o maior) favoritos a medalha de ouro em Kazan. Mas como ficará a prova com sua ausência? Quem seriam os outros nadadores contados para subir no pódio?

Magnussen vai em busca do 5º ano na liderança dos 100m livre: Foto: Pierre-Philippe Marcou/Getty Images

O australiano James Magnussen esta fora do Mundial de Kazan: Foto: Pierre-Philippe Marcou/Getty Images

Sem o atual dono do título mundial, muitos nomes surgem como favoritos a vitória. Um deles, além do atual retrospecto, terá a vantagem de nadar em casa. Vladimir Morozov é o líder do ranking mundial em 2015 e o único a nadar a prova abaixo dos 48 segundos. Em abril, durante o Campeonato Russo, ele nadou para 47s98 e se animou com o resultado pois crê que tem potencial para nadar mais rápido em agosto.

Se o russo passa por um bom momento, o mesmo não se pode dizer de Nathan Adrian. O atual campeão olímpico não conseguiu repetir o mesmo desempenho nas duas últimas temporadas. Em 2013 levou o bronze no Mundial de Barcelona e ano passado não conseguiu nadar a prova em nenhum momento para 47 segundos, mesmo ficando entre os cinco mais rápidos. Este ano seu melhor tempo foi 48s85. Porém, nunca podemos duvidar do que um campeão olímpico pode fazer.

O russo Vladimir Morozov - Foto: AFP/Getty Images

O russo Vladimir Morozov lidera o ranking mundial em 2015 – Foto: AFP/Getty Images

Se os australianos não terão seu míssil nas águas de Kazan, a responsabilidade de manter o título em poder dos aussies será de Cameron McEvoy. O nadador de 21 anos é o segundo homem mais rápido da temporada com 48s06 e bateu Magnussen nos dois últimos Campeonatos Australianos. McEvoy vem mostrando cada vez mais consistência na prova nobre e será também “o cara” do revezamento do país que tentará garantir uma medalha no 4x100m livre.

O Brasil também tem suas chances de emplacar um ou dois finalistas em Kazan. Pelos resultados das seletivas as vagas seriam de Bruno Fratus e Cesar Cielo, porém, a dupla deverá abrir mão de nadá-la. Cielo vai se concentrar na busca pelo tetracampeonato nos 50m livre e Fratus vai encarar a dupla missão de tentar a vitória nos 50m livre nos Jogos Pan-Americanos e no Mundial. Dessa forma os representantes deverão ser os mesmos do Pan: Matheus Santana e Marcelo Chierighini. O jovem Matheus disputará seu primeiro Mundial absoluto, mas tem na bagagem o título olímpico da juventude e o recorde mundial júnior. Já Chierighini tem no currículo a experiência da final em Barcelona dois anos atrás e tentará repetir o feito mais uma vez.

O brasileiro vai se aproximando dos 47 segundos - Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Matheus Santana é o atual recordista mundial júnior dos 100m livre – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Vale citar outros bons velocistas que podem garantir uma medalha em Kazan: o chinês Zetao Ning (que nadou para 47s65 ano passado), o italiano Marco Orsi (que vem se aproximando da casa dos 47) e a dupla francesa Jéremy Stravius e Fabien Gilot, que também fazem parte do poderoso revezamento francês 4x100m livre. Mesmo sem o míssil James Magnussen, os 100 livre prometem ser uma das provas mais eletrizantes e disputadas deste Mundial. Após esse texto lhe pergunto: em quem você aposta?

Por Guilherme Freitas


Para manter a tradição na prova nobre
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Natação brasileira e 100m livre e uma combinação que tem tudo a ver. Afinal, nesta prova foram conquistadas medalhas importantes da história do país. Em Olimpíadas Manoel dos Santos, Gustavo Borges (duas vezes) e Cesar Cielo já subiram ao pódio, assim como o revezamento 4x100m livre. Em Mundiais de piscina longa o Brasil também soma conquistas com o 4x100m e com Gustavo e Cielo. Em Mundiais de curta são 11 medalhas entre provas individuais e revezamentos. E até em competições de base como Mundiais Júnior e Olimpíadas da Juventude o Brasil já foi ao pódio. Tradição que se renova a cada geração.

Com Gustavo Borges e Fernando Scherer o Brasil celebrou diversas conquistas na prova nobre da natação, assim como os feitos de Cesar Cielo e tem tudo para continuar vibrando com os jovens que vem por ai. Matheus Santana, campeão olímpico da juventude e recordista mundial júnior, já é uma realidade e em agosto vai debutar entre os grandes disputando seu primeiro Mundial absoluto. Porém, há outro jovem velocista brasileiro com ótimos resultados recentes e que se coloca como herdeiro dessa tradição nacional. Seu nome: Felipe Ribeiro de Souza.

Felipe vibra com o resultado no Sul-Americano Juvenil - Foto: Satiro Sodré

Felipe vibra com o resultado no Sul-Americano Juvenil – Foto: Satiro Sodré

Nascido em Santos, o nadador da Unisanta teve um ótimo desempenho no ano passado. Durante o Campeonato Brasileiro Juvenil ele conseguiu pela primeira vez nadar os 100m livre abaixo dos 50 segundos ao fazer 49s93. E este ano ele teve uma grande melhora. No Maria Lenk novamente nadou abaixo dos 50 segundos, porém foi no Campeonato Sul-Americano Juvenil de Lima que ele brilhou. Na final da prova ele venceu os 100m livre com um tempo espetacular: 49s16, mais de 1 segundo abaixo do recorde de campeonato que era de Henrique Rodrigues.

Aos 17 anos de idade Felipe vem mostrando uma ótima evolução desde 2014. Em agosto ele nadará a grande competição internacional de sua temporada: o Campeonato Mundial Júnior, em Cingapura. E ele tem boas chances de conseguir mais uma medalha para o Brasil na prova nobre. Atualmente é o 2º colocado no ranking mundial dos nadadores com a idade permitida para disputar o Mundial. A sua frente apenas o australiano Klye Chalmers com 48s69. Será sua segunda participação em Mundiais Júniors já que ele esteve na última edição em Dubai-2013.

Felipe espera chegar aos 48 segundos no Mundial de Cingapura - Foto: Satiro Sodré

Felipe espera chegar aos 48 segundos no Mundial de Cingapura – Foto: Satiro Sodré

Competir em Cingapura será uma experiência valiosa para o desenvolvimento de Felipe. Seu grande objetivo lá será nadar pela primeira vez na casa dos 48 segundos e conseguir uma medalha. Caso consiga realizar esses feitos poderá se colocar como possível nome para integrar as seleções brasileiras absolutas dos próximos anos e seguir com a tradição brasileira nos 100m livre.

Por Guilherme Freitas


Quatro anos liderando o ranking mundial
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No tênis masculino é comum que ao fim da temporada os primeiros colocados do ranking mundial ganhem um troféu simbólico pela posição de número 1 que ocupem. Grandes nomes da modalidade, incluindo o brasileiro Gustavo Kuerten, já tiveram a honra de ganhar este prêmio. Na natação não existe uma premiação similar, mas caso existisse ninguém teria mais prêmios como número 1 na mesma prova e há tantos anos de forma consecutiva como James Magnussen.

O míssil australiano termina uma temporada como líder do ranking mundial nos 100m livre desde 2011, ano em que de fato apareceu para o circuito internacional. Em 2010 ele já havia disputado competições importantes como o Commonwealth Games e o Pan-Pacífico, mas só ganhou medalhas com o revezamento 4x100m livre. Em 2011 ele colocou seu nome entre os melhores da atualidade ao vencer a prova nobre da natação no Mundial de Xangai com expressivos 47s49, marca que lhe garantiu o número 1 naquele ano.

Magnussen vai em busca do 5º ano na liderança dos 100m livre: Foto: Pierre-Philippe Marcou/Getty Images

Magnussen vai em busca do 5º ano na liderança dos 100m livre: Foto: Pierre-Philippe Marcou/Getty Images

Na temporada seguinte Magnussen assombrou o planeta ao cravar 47s10 no Campeonato Australiano, ficando a apenas 19 centésimos do recorde mundial de Cesar Cielo. Muitos acreditavam que o velocista poderia bater a marca nos Jogos Olímpicos de Londres, mas ele acabou perdendo a medalha de ouro na batida de mão contra o americano Nathan Adrian. Porém, a marca feita em Adelaide lhe garantiu pelo segundo ano a liderança no ranking mundial dos 100m livre.

Em 2013, Magnussen voltou a ser campeão mundial na prova nobre da natação em Barcelona e terminou pelo terceiro ano consecutivo como melhor nadador da distância. Porém, a marca que lhe deu a liderança no ranking foi feita novamente em Adelaide, no campeonato nacional: 47s53. Por fim, no ano passado lá estava mais uma vez o australiano fechando a temporada na frente de todo mundo com 47s59, feitos no BHP Billiton Aquatic Super Series no começo do ano. Magnussen começou 2015 na frente e até o momento detém a melhor marca mundial: 48s43 conquistados no BHP Billiton.

Em Londres-2012, Adrian levou a melhor sobre Magnussen... - Foto de Lee Jin-man/AP

Magnussen foi o mais rápido em 2012, mas perdeu o ouro olímpico para Adrian – Foto: Lee Jin-man/AP

O australiano é considerado por muitos como o nadador mais eficiente da atualidade nesta prova. Ele divide muito bem suas passagens e consegue ter uma segunda parcial muito forte. Além disso, ninguém nadou mais vezes abaixo da casa dos 48 segundos do que Magnussen. Foram 17 vezes e todas sem vestir um traje tecnológico. Do lado negativo pesa o fato de cometer erros na hora H como na final olímpica em 2012 e no duelo contra o compatriota Cameron McEvoy na final do Campeonato Australiano do ano passado.

Terminar pelo quinto ano seguido como líder do ranking mundial só o tempo dirá, mas que James Magnussen é o grande favorito para conseguir esse feito, isso não temos dúvidas.

Por Guilherme Freitas


Felipe França, três vezes! Brasil, Brasil, Brasil no pódio
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Uma noite inspirada em Doha para os atletas brasileiros, e três medalhas de ouro colocaram o país na ponta do quadro de medalhas, empatado com a Espanha (ou Mireia Belmonte, que conquistou sozinha as três). Mas os olhos se viraram para o destaque da noite, um atleta em específico.

Felipe França: noite de herói - Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Felipe França: noite de herói – Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Felipe França teve altos. E baixos. Um leve alto outra vez, antes de quase desaparecer do cenário da natação… e voltar novamente, contratado pelo Corinthians recentemente, ele visivelmente perdeu peso, manteve sua técnica impecável do estilo de peito, e ainda a melhorou. Os resultados começaram a aparecer.

França conquistou a primeira medalha de ouro individual do Brasil no Mundial de Doha, batendo o recorde do campeonato dos 100m peito: 56s29. E ainda mais importante: em uma prova olímpica. O britânico Adam Peaty teve que se contentar com a prata, com 56s35, e Giacomo Dortona com o bronze (56s78).

A filipina de França é arrasadora, e sem dúvida sua maior arma para a vitória. No entanto, é o que seria sua desvantagem na piscina longa. O foco para 2016 não pode ser perdido pelo brasileiro.

“Dream Team”

A primeira medalha do dia, na verdade, veio com grande estilo e pulverizando recorde mundial: o quarteto fantástico dos quatro estilos brasileiro fez bonito. Guilherme Guido de costas (23s42), Felipe França no peito (25s33), Nicholas Santos no borboleta (21s68) e Cesar Cielo para fechar com 20s08 no livre. Tempo final de 1min30s51, novo recorde mundial, desbancando França e Estados Unidos, que completaram o pódio.

No duelo Cielo x Manaudou, no entanto, mísera vantagem para o francês: sua parcial foi de 20s04, quatro centésimos abaixo de Cesão.

Mulheres inéditas

O terceiro ouro do dia veio em outro revezamento, com uma marca importante para a natação feminina brasileira. Apesar do pouco prestígio, o revezamento misto cada vez se populariza mais entre as competições, e foi a vez do Brasil usar uma boa estratégia e, nas costas de Larissa Oliveira, de apenas 21 anos.

Etiene Medeiros, França, Nicholas Santos e Larissa Oliveira: inédito - Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Etiene Medeiros, França, Nicholas Santos e Larissa Oliveira: inédito – Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Etiene Medeiros abriu com um tempo espetacular: 25s83 fortíssimos nos 50m costas. Apenas 13 centésimos acima do recorde mundial. Primeira vez que ela rompeu a barreira dos 26s, e o que a credencia com força para sua prova individual. Infelizmente o tempo não pode ser homologado como recorde sul-americano, por se tratar de abertura de revezamento misto. Felipe França foi sensacional outra vez e, com 25s45, alcançou os rivais que tiveram seus revezamentos iniciados por homens. Nicholas Santos foi buscar os adversários que faltavam e, com a parcial de 21s81, entregou na frente para Larissa Oliveira fechar. A paulista cravou 24s17 fortíssimos e assegurou o terceiro ouro da seleção com 1m37s26, a apenas nove centésimos do recorde mundial.

Técnicos pulando, cronômetros quase sendo atirados ao chão, e muitos sorrisos nos rostos principalmente das duas garotas: tornaram-se as primeiras brasileiras a conquistarem uma medalha em um mundial. Daiane Becker, que nadou as eliminatórias do 4×50 medley misto, também recebeu a medalha.

Outras medalhas, medalhas, medalhas!

Nada de Kosuke Hagino. O atual campeão mundial de piscina longa da prova unificou seus títulos, e Daiya Seto venceu os 400m medley com folgas, com o tempo de 3m36s33, o primeiro ouro do Japão no Mundial. Hagino ficou com a prata, com 4m01s17.

A lituana Ruta Meilutyte fez um ótimo duelo com Alia Atkinson nos 50m peito e acabou vencendo com 28s84 contra 28s91 da jamaicana. Ficou um gosto de quero mais, pois apenas quatro centésimos a separaram do recorde mundial. Que pode ver nos 100m peito.

Katinka Hosszu levou sua primeira medalha de ouro, e bateu o recorde mundial nos 100m costas: 55s03. Uma marca praticamente inacreditável para uma nadadora especialista em provas longas como 400m medley e 800m livre. Prata para a australiana Emily Seebohm (55s31), enquanto Etiene encerra em sétimo lugar, com 57s72. No masculino, Guilherme Guido acabou piorando sua marca da semifinal e acabou em quinto, com 50s21. Caso repetisse seu 50s12, teria ficado na terceira posição, mas assim é a natação: centésimos por vezes são crueis. O australiano Mitchell Larkin venceu com 49s57, atacando o final de prova.

Chad Le Clos garantiu seu segundo ouro – com recorde mundial! – nos 100m borboleta: 48s44. Liderou toda a prova e não deu oportunidades para seus adversários. Tom Shields levou a prata com 48s99, e bronze para Tommaso D’Orsogna, 49s60. Marcos Macedo reconheceu que errou uma das viradas, e acabou em 8º lugar com 50s47. Ryan Lochte nadou a prova, embora poucos tenham percebido. Apagado, ficou à frente apenas do brasileiro, em 7º lugar.

Para fechar com chave de ouro, o terceiro ouro da atleta da competição até aqui: Mireia Belmonte derrotou sua rival húngara mais uma vez. E nesta, com mais propriedade do que nunca. Nos 800m livre, ficou longe do seu próprio recorde abaixo dos 8 minutos, mas com com 8min03s41, bateu recorde de campeonato. A prata teve uma briga de centésimos, vencida por Carlin com 8m08s16 contra van Rouwendaal, um centésimo acima. Katinka Hosszu cansou e praticamente desistiu da prova, fechando na nona colocação geral com 8m20s71.

No revezamento 4x200m livre masculino, a jovem geração brasileira temrinou em sexto lugar, com recorde sul-americano para João de Lucca, que abriu para um espetacular 1min41s85. Gustavo Godoy, Fernando Ernesto e Gabriel Ogawa completaram o time. Os Estados Unidos venceram a prova de forma emocionante e levaram o primeiro ouro do país na competição.

Semifinais

São dois brasileiros classificados para as finais da terceira etapa. Daynara de Paula estabeleceu novo recorde sul-americano nos 50m borboleta, com25s54, rompendo a barreira dos 26s; e Cesar Cielo, com um bem administrado 20s80, está na decisão dos 50m livre com a melhor marca, contra 20s88 de Vladmir Morozov e 20s93 de Florent Manaudou.

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano nos 100m livre com 52s75, mas terminou na 10ª colocação na semifinal e não se classificou.

Por Mayra Siqueira


A prova nobre
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Os 100m livre é considerado a prova nobre da natação mundial. Disputada desde 1896 nos Jogos Olímpicos (com exceção da edição de 1900) e que já coroou como campeões mundiais e olímpico Duke Kahanamoku, Johnny Weissmuller, Mark Spitz, Matt Biondi, Alexander Popov, Pieter van den Hoogenband, Filippo Magnini e Cesar Cielo. A prova é sempre a mais aguardada pelo público dos grandes eventos internacionais, similar a disputa dos 100m rasos no atletismo.

No Campeonato Mundial de piscina curta, que começa daqui a três semanas em Doha, no Catar, a prova dos 100m livre tem tudo para ser realmente nobre, com a presença de grandes velocistas da atualidade. A prova seria ainda mais nobre caso Vladimir Morozov, atual campeão mundial da distância na piscina curta, disputasse a distância. Ele abriu mão para tentar uma medalha nos 100m medley. Danila Izotov será um dos representantes russos no evento e durante o campeonato nacional, que terminou anteontem, ele cravou a quarta marca mundial da distância na piscina de 25 metros: 46s49. Um tempo que lhe coloca com boas chances de pódio em Doha.

Cesar Cielo é um dos favoritos ao ouro em Doha - Foto: Satiro Sodré

Cesar Cielo tem boas chances também nos 100m livre – Foto: Satiro Sodré

Além dos russos, há outros atletas bem cotados. Um deles é Cesar Cielo, campeão mundial da distância em Dubai-2010. O brasileiro é um dos favoritos e tem o melhor tempo da temporada (46s08). Há alguns meses moldou seus treinamentos para a distância de 25 metros, aperfeiçoando suas saídas e viradas para voltar a ser coroado como campeão mundial na curta. E inovou seu programa de treino, nadando eventos de categoria masters nos Estados Unidos em piscina de 25 metros.

Florent Manaudou é outro que chegará a Doha com a pecha de favorito. O francês, que ano passado quase bateu o recorde mundial na prova com 45s04, chegará forte em Doha (com o terceiro tempo do ano) de olho em uma medalha que falta em seu vitorioso currículo: o ouro no Mundial de curta. Os americanos vêm com uma dupla forte: Jimmy Feigen e Conor Dwyer, ambos medalhistas olímpicos e mundiais. Segundo nadador mais rápido do mundo nos 100m livre na piscina longa, o australiano Cameron McEvoy é outro nome para se prestar atenção. Semana passada, no campeonato australiano de curta, ele cravou a sexta melhor marca mundial: 46s85.

Florent Manaudou (foto: Josep Lago/AFP)

Florent Manaudou busca uma medalha inédita – Foto: Josep Lago/AFP

O polonês Konrad Czerniak, o alemão Steffen Deibler e o australiano Tommaso D’Orsogna também estão no top 10 dos 100m livre na curta e deverão disputar a prova. E ainda tem o sul-africano Chad Le Clos, segundo melhor tempo em 2014. Especialista nas provas de borboleta, mas que pode se arriscar aqui como uma forma de desafiar os grandes velocistas. De fato, os 100m livre no Mundial de Doha será uma prova mais do que nobre.

Por Guilherme Freitas


Matheus Santana: campeão olímpico júnior e novo recorde mundial
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“Quero fazer 47s nos Jogos Olímpicos da Juventude”. Matheus Santana disse isso depois de deixar a piscina com um novo recorde mundial junior no 100m livre, no Brasileiro Sênio de Inverno. Era o sexto tempo do mundo: 48s35, feito por um nadador de 18 anos.

Ele fala e age como um jovem tranquilo, que não sofre maior pressão que tirar boas notas na escola e passar de ano. Ou talvez com preocupações como ser aprovado no vestibular ao final do ano. Difícil crer que, nas costas do atleta que há pouco tempo alcançou a maioridade, está o peso de ser um dos principais nomes para a futura geração olímpica brasileira. Para alguns, levando até mesmo a alcunha de “Novo Cielo”.

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Matheus Santana fez história em Nanquim – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Carioca, integrante da equipe de natação do Unisanta, Matheus não demonstra a tensão da responsabilidade que já assumiu para si com a pouca idade. Levou duas medalhas de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude, no revezamento 4x100m livre misto, e no 50m livre, com 22s43. Considerava-se satisfeitíssimo. Mas ele sabia, com toda a sua tranquilidade e confiança peculiar, que ele estava ali para algo mais.

Nas eliminatórias, conseguiu se poupar e nadar para 49s30, sua quinta melhor marca até então. Raia 4, o líder da decisão. Novamente um novo duelo contra o chinês Hexin Yu, vencedor da prova mais rápida da natação. O chinês largou melhor e começou com tudo, mas Matheus o alcançou ainda na virada e depois fez o que se tornou sua característica: voltou muito forte e deixou seus adversários para trás. Encerrou o 100m livre com a marca 48s25, melhorando em dez centésimos seu recorde mundial júnior. Um resultado expressivo, que lhe coloca na quinta colocação no ranking mundial. Depois de duas pratas, veio o ouro.

O brasileiro vai se aproximando dos 47 segundos - Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

O brasileiro vai se aproximando dos 47 segundos – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Depois de ficar fora do Mundial Júnior do ano passado por ter descoberto que tem diabetes, Matheus mostrou o quanto já sabe lidar com o problema, e começou o ano de 2014 batendo 49s baixo. Num duelo eletrizante com ninguém menos que Cesar Cielo, baixou para a casa dos 48s no Troféu Maria Lenk. Derrubou ainda mais sua marca no Brasileiro de Inverno, pouco depois, batendo dois recordes mundiais juniores quase que consecutivamente. No revezamento que disputou na China já tinha nadado para a casa dos 47s. Técnica, força, final de prova, juventude, muitos sonhos, mas, acima de tudo, a serenidade.

Até onde Matheus Santana pode chegar nessa grande fase que vive? O quanto o segundo mais bem rankeado nadador brasileiro no 100m livre pode contribuir para um revezamento 4×100 livre arrasador no Rio-2016? Cielo, Bruno Fratus, Marcelo Chierighini como colegas.

O brasileiro não aguentou a emoção do hino nacional - Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

O brasileiro não aguentou a emoção do hino nacional – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Só com o tempo, e seu tradicional esforço e trabalho. Enquanto isso, Matheus dorme com os 46s91 de Cielo em seus sonhos.

Os Jogos Olímpicos da Juventude é um evento transmitido pelo canal Sportv e tem como comentarista Daniel Takata – redator Swim Channel.

Por Mayra Siqueira


A recuperação de Ryan Lochte
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Ontem a noite tivemos uma das provas mais aguardadas do Campeonato Americano: a final dos 100m livre masculino. Na piscina em Irvine, estavam grandes nomes da natação dos Estados Unidos, entre eles campeões olímpicos como Michael Phelps, Ryan Lochte, Nathan Adrian, Anthony Ervin, Conor Dwyer e Matt Grevers. Eram nada mais, nada menos do que 47 medalhas olímpicas somando os currículos dos participantes. A prova não foi boa, com tempos pouco expressivos internacionalmente. Porém, pelo menos um nadador saiu da água com motivos para comemorar: Ryan Lochte.

No final do ano passado ele sofreu uma série lesão no joelho, que o deixou meses sem poder treinar e competir. No início deste ano ele resolveu nadar os Grand Prixs de Orlando e Mesa, mas o retorno foi precipitado e ele voltou a sentir dores no local da lesão. Mais uma vez ficou um tempo inativo para poder chegar em melhor forma no Campeonato Nacional. Há três semanas atrás, Lochte deu sinais de recuperação ao disputou cinco provas no Grand Slam Bulldogs e colher bons resultados.

Ryan Lochte é uma das estrelas confirmadas para a edição 2013 do Duel in The Pool - Foto: Clive Rose/Getty Images

Ryan Lochte vai nadar seis provas em Irvine – Foto: Clive Rose/Getty Images

Em sua primeira prova no Campeonato Americano, ele passou a final dos 100m livre por pouco. Terminou as eliminatórias com o oitavo tempo, apenas seis centésimos a frente de Ryan Shane, o nono colocado. Nadando na raia 8, Lochte fez uma prova equilibrada. Passou em sexto os primeiros 50 metros (23s39), mas teve a segunda melhor volta (25s57) e bateu na segunda colocação com 48s96, que lhe dá direito a nadar a prova nobre da natação no Pan-Pacífico e no Mundial de Kazan ano que vem.

O tempo não foi dos melhores, apenas o 30º do mundo em 2014, mas vencer adversários fortíssimos dá mais moral para Lochte que ainda terá pela frente mais outras cinco provas: os 200m livre, os 200m medley, os 100m borboleta e os 100m e 200m costas. Hoje ele nadou as eliminatórias dos 200m livre e dos 200m costas, avançando para as duas finais.

Se para Nathan Adrian (que mais uma vez bateu na trave e ainda não conseguiu nadar para 47 este ano) e para Michael Phelps (que com o sétimo lugar amargou sua pior posição desde 2005) o resultado ficou aquém das expectativas, para Ryan Lochte foi um bom começo. Veremos o que ele será capaz de fazer até o fim da competição e daqui a algumas semanas no Pan-Pacífico.

Lochte dá mostras de que esta recuperado da lesão no joelho - Foto de Clive Rose

Lochte dá mostras de que esta recuperado da lesão no joelho – Foto de Clive Rose/Getty Images

Por Guilherme Freitas