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Arquivo : águas abertas

Vai começar a temporada 2017 do XTERRA Brazil
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Tem início neste domingo na Ponta do Mutá, em Barra Grande (BA), a versão nacional do maior circuito de esportes outdoor do mundo: o XTERRA Brazil. Organizado pela X3M Sports Business o evento reúne oito modalidades de diversos segmentos do triathlon ao endurance e do mountain bike ao night run. Uma dessas modalidades é a natação em águas abertas. O circuito Swim Challenge terá em 2017 seis etapas e tem a primeira parada é neste fim de semana nas águas do litoral baiano.

As 11h30 do domingo todos os nadadores largarão para as duas provas em águas abertas que terão as distâncias de 1,5 km e 3 km. O circuito montado na Ponta do Mutá terá uma dinâmica simples. Os atletas terão que contornar quatro boias ao longo do trajeto até atingir o ponto de chegada. Quem nadar a prova mais curta dará uma volta e quem optar pela longa terá que dar duas voltas. Os cinco melhores atletas no ranking geral, de ambos os sexos, além de troféus especiais ganharão desconto na inscrição para a próxima etapa. Os nadadores PCD (portadores com deficiência) também serão contemplados com premiação especial.

Mapa do percurso do XTERRA Camp Bahia – Foto: Reprodução

Após Camp Bahia, o circuito XTERRA Brazil Swim Challenge segue com a etapa internacional em Ilhabela nos dias 13 e 14 de maio. Em sequência haverá uma etapa nas águas da Amazônia em julho em data ainda a ser definida. Até o fim do ano haverá mais três etapas: Costa Verde, em Mangaratiba nos dias 12 e 13 de agosto, Camp Juiz de Fora em 11 e 12 de novembro e em Paraty nos dias 2 e 3 de dezembro. Para conferir o calendário completo e mais informações dos eventos visite o site oficial do XTERRA Brazil clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Arthur Pedroza e Catarina Ganzeli vencem na Ilha do Mel
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No último fim de semana aconteceu na paradisíaca Ilha do Mel, mais uma etapa do Circuito Correr e Nadar. Foram realizadas cinco provas de águas abertas em opostas distâncias: 600m, 1,5 km, 4 km, 10 km e 20 km. Um evento bastante disputado e que reuniu centenas de nadadores principalmente das regiões sul e sudeste do país. No sábado além dos adversários, os atletas tiveram que lutar contra as condições climáticas. Chuva, ventos e água gelada foram obstáculos enfrentados pelos nadadores que completaram a prova em um tempo bem acima do normal devido a forte correnteza do mar.

Entre os homens a disputa foi extremamente intensa e decidida na reta final. O experiente Arthur Pedroza, atleta da Resende Águas Abertas, venceu na chegada Carlos Henrique Rosa da Navegantes. Ao fim da desgastante prova vitória de Arthur: 5h32min24s contra 5h32min43s de Carlos. O pódio ainda teve a presença de Sergio Milani da Perdão Team/Trieste Natação que nadou para 5h51min17s. Outro destaque da prova foi Adherbal de Oliveira. O recordista sul-americano da travessia da Canal da Mancha que chegou na sétima posição geral.

Pódio das provas de 20 km - Foto: Arthur Pedroza/Facebook

Pódio das provas de 20 km – Foto: Reprodução/Facebook

Na prova feminina a vitória ficou com Catarina Ganzeli. A atleta da Unisanta, que pretende disputar este ano todas as etapa do circuito de Grand Prix da Fina, completou os 20 km em 6h24min53s. A atleta afirmou que esta foi uma prova bem complicada principalmente pelas adversidades do sábado na Ilha do Mel. Em segundo lugar chegou Thais Santana da Elo Academia com 6h25min57s e na terceira posição veio Patricia Farias de França da equipe Navegantes que concluiu a prova em 6h26min59s. Patrícia vem se preparando para nadar a tradicional Travessia Capri-Nápoles. Nos 10 km os campeões foram Leonel Formiga do Grêmio Náutico União no masculino e Marcela Garcia da Elo Academia no feminino.

No domingo o tempo melhorou e os atletas que encararam as distâncias de 600m, 1,5 km e 4 km tiveram menos problemas. Abriu um pouco de sol e o mar ficou menos mexido, deixando a situação para os atletas bem melhor em relação ao dia anterior. Nas provas de 4 km os vencedores foram James Roberto Zoschke da Cassio Ricci/Gowyll e Isabela de Souza da Joinville Natação GT. No 1,5 km Mariana Marucco do Clube Curitibano e Magnun Ruiz da Elo Academia levaram a melhor e nos 600m os campeões foram Lyessa Fernandes da RDA Natação e Diego Dunzer da OMMAR Incorp. Os resultados completos das travessias da Ilha do Mel estão disponíveis no site do Correr e Nadar e podem ser conferidos aqui.

Por Guilherme Freitas


Heróis do Canal da Mancha participam de bate-bapo em São Paulo
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Amanhã acontece no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, um encontro com grandes nomes das águas abertas do Brasil. Oito dos 33 brasileiros que já conseguiram atravessar a nado o Canal da Mancha segundo a Organização do Canal da Mancha estarão presentes a partir das 18h30 para um bate-papo aberto ao público. Organizada pela Associação 14 Bis, entidade criada recentemente e responsável pela organização da tradicional Maratona Aquática 14 Bis, o evento pretende enaltecer os feitos desses atletas, além de ajudar na divulgação e popularização da modalidade.

Considerada como uma das provas em águas abertas mais difíceis e desafiantes do mundo devido as águas frias que separam a Inglaterra da França e pela força da correnteza que pode fazer a empreitada durar muito mais do que o planejado, a travessia do Canal da Mancha é uma das mais nobres (senão a mais) do planeta, além da enorme concorrência para realizar a prova. No evento os atletas contarão um pouco de suas experiências pessoais. Revelações, curiosidades e técnicas para cumprir o desafio serão compartilhados entre os presentes, uma forma aprender um pouco mais e uma forma de incentivo para quem sonha em um dia atravessar o estreito de 33 km de percurso.

O recordista sul-americano Adherbal de Oliveira – Foto: Desafio 7 Mares/Facebook

Neste bate-bapo estarão presentes oito nadadores: Ana Mesquita, a quinta brasileira a completar o feito e autora do livro A Travessura do Canal da Mancha, Igor de Souza, o único brasileiro a fazer o percurso em ida e volta em 1997, Percival Milani, 9º brasileiro a completar a prova e autor do livro A Travessia do Canal da Mancha, Marta Izo, que concluiu a travessia na modalidade solo em 2006 e em revezamento ida e volta em 2011, Harry Finger, 18º brasileiro a completar a prova, Samir Barel, conquistador da Tríplice Coroa das Águas Abertas, Adherbal de Oliveira, atual recordista sul-americano da travessia e Marcelo Teixeira, último brasileiro a completar o Canal em 2016.

O Sesc Bom Retiro fica localizado na Alameda Nothmann, nº 185, no Bairro do Bom Retiro e próximo a estação da Luz do metrô. O bate-papo acontecerá no Teatro da unidade das 18h30 as 20h.

Por Guilherme Freitas

Ricardo Ratto entra para o Hall da Fama das águas abertas
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No próximo sábado, dia 22 de abril, acontece em Londres a premiação da classe 2017 dos homenageados pelo Hall da Fama do International Marathon Swimming Hall of Fame (IMSHOF). Esta honraria é diferente do tradicional prêmio oferecido pela International Swimming Hall of Fame (ISHOF) e desde 1965 congratula nomes importantes de todas as modalidades aquáticas. Com sede nos Estados Unidos, a edição 2017 do ISHOF acontecerá em agosto. Nesta premiação das águas abertas serão ao todo dez personalidades da modalidade indicadas pela instituição, entre eles um brasileiro: Ricardo Ratto.

Ratto tem uma sólida carreira nas águas abertas. Técnico de natação desde a década de 1990 ele atuou como dirigente da CBDA entre 1995 e 2006, período quando a modalidade começou a se transformar em esporte olímpico e ganhar novos adeptos. Em 1999 tornou-se árbitro internacional da Fina e participou nesta função dos Jogos Olímpicos de Londres-2012 e de outros sete campeonatos mundiais da entidade. Uma das principais referências das águas abertas da América do Sul, Ratto é atualmente coordenador técnico de natação e águas abertas do clube Vasco da Gama.

Abilio Couto, Águas abertas, Hall da Fama, Igor de Souza, IMSHOF, Ricardo Ratto

Quem também será homenageado este ano pelo Hall da Fama será o nadador e contribuidor americano de águas abertas Steve Munatones que será aclamado como vencedor do Prêmio Poseidon. Criador do site Open Water Swimming e grande referência internacional da modalidade, Munatones sofreu um ataque cardíaco em 2016 que quase o matou. Recuperado e de volta a ativa e agora recebe mais uma justa homenagem pelos serviços em prol da natação em águas abertas. Entre outros homenageados destaque para a Organização da travessia do Canal de Gilbratar e o nadador irlandês Stephen Redmond que completou com sucesso todas as travessias do Sete Mares. Para ver a lista completa de todos os premiados clique aqui.

Além de Ricardo Ratto, o Brasil tem outros dois membros no Hall da Fama das águas abertas. Em 2001 Abílio Couto entrou para o seleto grupo de homenageados de forma póstuma já que havia falecido três anos antes. Ele foi o primeiro brasileiro a concluir a travessia do Canal da Mancha em 1958 e realizou ao longo da carreira diversas outras provas pelo mundo. Em 2004 foi a vez de Igor de Souza, primeiro brasileiro a concluir a travessia do Canal da Mancha em ida e volta e tricampeão da Travessia de Manhattan, ser homenageado pelo Hall da Fama.

Por Guilherme Freitas


Sul-Americano Juvenil tem início em Cali
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Tem início hoje mais uma edição do Campeonato Sul-Americano Juvenil de Esportes Aquáticos, uma das competições mais tradicionais do continente e que já ajudou a revelar grandes nadadores. Sediado desta vez em Cali, na Colômbia, o evento contará com a presença de 900 atletas de 15 países. Devido a todo imbróglio envolvendo a situação financeira e jurídica da CBDA, a presença da seleção brasileira esteve ameaçada. Após receber um suporte e apoio do COB os nadadores brasileiros foram tranquilizados e viajaram para a Colômbia durante o feriado de Páscoa.

Mesmo com uma equipe recheada de nadadores que chegam pela primeira vez a uma seleção de base, o país é novamente o grande favorito para terminar a frente no quadro de medalhas e somatória de pontos na natação. Em Cali a seleção terá 47 nadadores divididos em duas categorias: o Juvenil A com nadadores de 14 e 15 anos de idade e o Juvenil B para atletas de 16 a 18 anos. Acompanham os atletas outros quatro técnicos e mais quatro profissionais da comissão técnica. As provas serão disputadas no Complexo de Piscinas Hernando Botero Byrne, mesmo local dos Jogos Pan-Americanos de 1971.

Nadadores brasileiros posam antes de embarcar para Cali – Foto: Reprodução

Antes de definir a equipe oficial (clique aqui para ver a lista com todos os convocados) a CBDA havia selecionado atletas com experiência internacional e passagens pela seleção de base como Maria Paula Heitmann, Rafaela Raurich, Maria Luiza Pessanha e Caio Pumputis, que pediram a desconvocação visando o Troféu Maria Lenk, que tem início daqui a duas semanas e será a seletiva brasileira para o Campeonato Mundial Júnior que será realizado em agosto, na cidade de Indianápolis nos Estados Unidos.

Nas águas abertas o Brasil vai com 12 nadadores divididos em três categorias. Os nadadores de 14 e 15 anos nadam a prova de 5 km, os atletas de 16 e 17 anos competirão nos 7,5 km e o grupo de nadadores de 18 e 19 anos disputam a maratona aquática de 10 km. O destaque é a presença da nadadora olímpica Gabrielle Roncatto que nadará a prova de 10 km no Lago Calima. As datas do Sul-Americano Juvenil são diferente para as duas modalidades. A natação começa hoje e termina no dia 23, quando tem início as travessias em águas abertas que vão até dia 30 de abril.

por Guilherme Freitas


Circuito Litoral faz sua estreia no calendário de eventos
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A partir de 2017 os nadadores de águas abertas terão mais uma opção de circuito para poder participar. Trata-se do Circuito Litoral, uma competição que faz sua estreia este ano no calendário de eventos e dá mais uma oportunidade para os atletas se manterem em atividade. Disputado no litoral norte do estado de São Paulo, o campeonato terá ao todo três etapas nesta temporada e oferece pontos para os atletas que serão premiados no fim do certame.

O circuito começa dia 30 de abril em Caraguatatuba na Praia Martin de Sá. No dia 3 de junho ocorre a segunda etapa na Praia do Perequê em Ilhabela e dia 17 de setembro, a Praia do Cruzeiro em Ubatuba encerra a temporada. As provas de águas abertas terão sempre a distância de 1 km, 2,5 km e 5 km.​ O Circuito Litoral também oferece provas de corridas de rua aos participantes nas seguintes distâncias: 5 km, 10 km e 21 km.

Vista da praia Martim de Sá – Foto: Gianni D’Angelo

Poderão participar das provas de águas abertas nadadores a partir de 13 anos de idade de ambos o sexos. Também há uma categoria especial para atletas PCD (pessoas com deficiência) e todos que forem encarar as travessias de 5 km nadarão em uma categoria absoluta que oferecerá premiação especial aos cinco melhores colocados. Todos os demais participantes receberão medalhas de participação e um kit do evento.

As inscrições para a primeira etapa do Circuito Litoral podem ser feitas através do site da SWIM CHANNEL neste endereço aqui e terminam no dia 26 de abril. No momento está vigorando o 2º lote com inscrição no valor de R$ 90,00 para quem for nadar uma prova e R$ 72,00 para quem nadar duas ou três travessias. Idosos e atletas com deficiência e idosos têm 50% de desconto.

Por Guilherme Freitas


Entrevista com Igor de Souza
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Igor de Souza é uma referência e um dos maiores nadadores do Brasil nas águas abertas. Tricampeão da tradicional Volta de Manhattan e com outras dezenas de famosas travessias concluídas no currículo, ele tem como maior feito em sua carreira atravessar o Canal da Mancha três vezes. A primeira foi em 1996 quando partiu da Inglaterra e chegou a costa francesa em 11h06min. No ano seguinte ele voltou para as águas gélidas do Canal e tornou-se o primeiro brasileiro a completar o percurso em ida e volta. Um pioneiro que hoje auxilia nadadores a atravessar o Canal e tem em sua agenda compromissos marcados até 2019!

Atualmente diretor do Circuito Maratona Aquática, o mais antigo evento por etapas de águas abertas do país e que tem inscrições para a etapa do Guarujá abertas na SWIM CHANNEL, e gerente de marketing esportivo da Speedo Brasil, Igor contou nesta entrevista um pouco mais sobre sua carreira, os métodos de treinamento para cruzar o Canal da Mancha e outros momentos marcantes de suas braçadas pelo mundo. Leia abaixo.

O nadador Igor de Souza – Foto: Tuca Vieira

SWIM CHANNEL: Conte um pouco sobre sua carreira de nadador. Que clubes você representou quando nadava?

Igor de Souza: Meu primeiro clube foi o Clube Atlético Aramaçan em Santo André. De lá fui para o SERC Santa Maria de São Caetano do Sul e depois para a equipe da Pirelli de Santo André. Também treinei um período na Hebraica e depois no Paineiras do Morumby. Outro local por onde passei foi o IARA Clube de São Bernardo Campo, além de treinar em vários locais fora do país, como EUA, Austrália e Itália.

SC: Qual foi a sua primeira experiência nas águas abertas e porque decidiu nadar apenas essas provas mais longas?

Igor: Minha estreia em provas de águas abertas foi em 1974 aos 11 anos, na Represa Billings. A prova se chamava Travessia São Paulo à Nado e era um dos maiores eventos esportivos de São Paulo, patrocinado pelo Jornal A Gazeta que também organizava a São Silvestre e a Corrida de Ciclismo 9 de Julho. Era uma prova internacional, que tinha como convidados os atuais campeões mundiais dos 1500m livre masculino e 800m livre feminino. A distância era de 1,5 km. A decisão de nadar maratonas aquáticas veio evoluindo, sempre estive entre os melhores nadadores de 1500m livre do país, mas a nível internacional era mero coadjuvante. Nas provas de águas abertas que eram realizadas no Brasil vencia a maioria com certa facilidade. Fui convidado pelo então Diretor de Águas Abertas da CBDA, Sr. Abílio Couto, a participar do Campeonato Mundial da Modalidade que ocorreu na Itália, terminei na quarta colocação. Sempre treinei muito e vi nas maratonas aquáticas um esporte em que eu poderia ir melhor, além de sempre ter gostado de nadar no mar.

Igor atravessou três vezes o Canal da Mancha – Foto: Reprodução/Speedo

SC: Sobre o Canal da Mancha como surgiu a ideia faze-lo ida e volta? Como foi essa preparação para encarar o desafio?

Igor: Quando cruzei o Canal da Mancha pela primeira vez fui com a intenção de estabelecer um novo recorde para a prova, apesar de ter sido o mais rápido do ano, meu tempo foi muito acima do imaginado e descobri que cruzar o canal da mancha é a grande conquista, pois fazer um bom tempo na prova não depende apenas de sua condição física, depende das condições climáticas e de muita sorte. Depois do Canal, fui disputar as outras etapas do circuito mundial e conversando com vários atletas que já haviam cruzado o canal aprendi que buscar um bom tempo de cruze no canal exige fatores que não posso controlar, mas fazer a prova ida e volta, são 90% de condicionamento físico e apenas 10% das condições climáticas. Eu queria me provar, eu precisava saber do meu limite. A preparação basicamente foi a mesma que tive para me preparar para nadar o circuito mundial, inclusive, nadei as etapas do circuito antes do canal, pois dependia de bons resultados no circuito para poder fazer caixa e pagar as despesas da prova do canal. A única diferença dos outros anos de preparação foi minha preocupação de não aguentar o frio ou de “apagar” durante a prova. Para isto fiz alguns trabalhos diferenciados físicos e mentais. Para me manter focado o tempo todo, me aprofundei no taoísmo, uma filosofia chinesa que ajuda na concentração. Trabalhei minha mente para fixar que a prova era ida e volta e não que seriam duas provas, a de ida e depois a de volta, em tudo o que fazia no treino e fora dele tinha na minha cabeça que era ida e volta, por exemplo, iniciava os treinos com 800m, dividia mentalmente em 400m de ida e 400m de volta e assim por diante. Para não “apagar” na prova, pois poderia nadar até pouco mais de 24h, fiz três treinos de 24 horas nadando, no melhor deles nadei 112,8 km, melhor marca do mundo na época. Também nadei algumas vezes sozinho na represa Billings, inciando os treinos por volta das 21h e terminando somente ao amanhecer. Com todo este trabalho me senti muito bem durante toda a prova e muitos me perguntam se foi a prova mais difícil que nadei e digo que não foi, nadei provas menores em que terminei muito mais desgastado. Acho que a razão foi o medo, não tinha medo do canal, não tinha medo de morrer, mas tinha muito receio de não conseguir e por esta razão treinei excessivamente e respeitei muito o canal durante toda a prova.

Igor com Gustavo Borges em evento da Speedo – Foto: Igor Andrade

SC: Outra prova que você ganhou é a Volta de Manhattan. Na sua opinião qual dessas conquistas foi mais especial?

Igor: A prova de Manhattan é uma conquista diferente do Canal da Mancha. No canal sua disputa principal é com você mesmo. Já em Manhattan era como as demais provas do circuito mundial, era uma competição. Manhattan era uma prova de grande domínio de americanos e australianos. Vencê-la te ajuda a inflar o ego, a mostrar que esta tão bem preparado como os melhores do mundo, já o canal te eleva o espírito, te alimenta a autoconfiança e te dá a sensação de gratidão pelo anos de trabalho.

SC: Além das funções de diretor e coordenador técnico você também acompanha nadadores que pretendem travessar o Canal da Mancha. Como está trabalho atualmente? Há atletas visando concluir a prova este ainda ano?

Igor: Há 16 anos levo atletas para o Canal da Mancha, já acompanhei 92 nadadores. E a cada ano vem aumentando a procura por este desafio, já tenho reservas para atletas até 2019. O clima mundial ajudou a tornar o canal um pouco mais acessível. Em 1996 quando cruzei pela primeira vez a temperatura oscilava em torno dos 11ºC, atualmente a média do canal fica em 13,8ºC, são quase 3 graus a mais, mas igualmente muito perigoso, as metodologias de treinamento, suplementação e auxílio médico também evoluíram muito, mas mesmo com tudo isto a média hoje de sucessos no canal não chega a 20%.

SC: O que esta achando do Circuito Maratona Aquática deste ano até o momento? E quais são as expectativas para as próximas etapas?

Igor: Estou surpreso com o volume de atletas praticantes, com a crise que assola o país, imaginava que teríamos uma queda nos participantes e para nossa surpresa vem se mantendo o volume de inscrições. Além da crise econômica, este é um ano complicado para realização de eventos, pois ocorreu as eleições municipais e com ela muda-se todas a máquina administrativa. Então é como começar do zero, mas mesmo assim estamos tendo um numero maior de cidades interessadas do que o número de etapas disponíveis.

Por Guilherme Freitas


CBDA: lições para o futuro
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Abril de 2010. Os principais nadadores do país se preparam para a disputa do Troféu Maria Lenk, na Unisanta, em Santos. Precisam nadar bem, pois o torneio é seletiva para o Campeonato Pan-Pacífico, principal competição internacional do ano. Ou, ao menos, os atletas imaginam que seja.

Na realidade, até alguns dias antes do Maria Lenk os critérios para a formação da seleção brasileira não haviam sido anunciados pela CBDA. Havia duas possibilidades. A primeira seria que apenas o Maria Lenk serviria como seletiva, e assim os nadadores deveriam chegar ao torneio muito bem preparados, para brigar por convocação. A segunda seria que competições do segundo semestre de 2009 também seriam consideradas, como o Finkel e o Open. Nesse caso, os nadadores que já haviam obtido bons resultados teriam suas convocações praticamente garantidas, pelo fato que em 2009 ainda eram permitidos os trajes tecnológicos, barrados em 2010, e obviamente os tempos provavelmente seriam bem melhores que os que seriam obtidos no Maria Lenk. Estes nadadores, então, não precisariam chegar à competição na melhor forma e poderiam visar toda a preparação diretamente para o Pan-Pacífico.

Uma semana antes do Maria Lenk, o critério foi anunciado. E foi considerada justamente a segunda possibilidade. Compreensivelmente, pouquíssimos atletas melhoraram suas marcas de 2009, e a seleção foi formada basicamente pelos resultados do ano anterior.

Uma chuva de críticas inundou a CBDA, inclusive da imprensa internacional. Tanto por anunciar o critério tão em cima da hora, quanto por considerar um critério esdrúxulo, que considerava tempos de competições diferentes que, pelo fato dos trajes, eram incomparáveis. “O ruim foi a demora para divulgar esses critérios. Eu, por exemplo, fiz uma preparação para chegar aqui (Maria Lenk) com condições de fazer um bom tempo. Se soubesse disso antes, teria dado prioridade ao Pan-Pacífico, em agosto”, disse Nicholas dos Santos, em uma das inúmeras reclamações.

A CBDA já vinha sendo criticada há algum tempo, pela falta de planejamento e desorganização. Assuntos como a falta de clareza no repasse aos atletas dos recursos provenientes dos Correios e as diversas assembleias marcadas para o tardio mês de março em vários anos para aprovar o calendário do ano vigente, afetando planejamento de clube e atletas, eram assuntos recorrentes e debatidos. Parecia que, àquela altura, a administração da entidade, que claramente estava com prazo de validade vencido havia alguns anos, havia chegado ao fundo do poço. Apenas parecia.

Na época, aventou-se timidamente até um boicote dos nadadores ao Troféu Maria Lenk e ao Pan-Pacífico, lembrando o que fez a equipe brasileira de tênis em 2004, que se recusou a jogar a Copa Davis em protesto contra a administração, levando o Brasil à terceira divisão e ocasionando a queda do então presidente da CBT Nelson Nastás.

Como sabemos, nada disso ocorreu e a diretoria da CBDA continuou à frente da entidade por quase sete anos, dificultando toda e qualquer ação de oposição. E sem melhoras.

O fundo do poço chegou de verdade semana passada, com a prisão do presidente de 1988 a 2017, Coaracy Nunes Filho, do superintendente Ricardo de Moura, do diretor financeiro Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga e do coordenador de polo aquático Ricardo Cabral, detidos na Operação Águas Claras, acusados de formar um esquema de desvios de recursos públicos repassados ao órgão. Para mais detalhes acerca da operação, confira aqui.

Coaracy Nunes é preso (foto: reprodução/SporTV)

É um fim melancólico para uma administração que ficou quase 30 anos no poder e que só fez se perder nos últimos (muitos) anos. À parte das prisões, o mau uso do dinheiro público e a falta de planejamento têm sido uma constante. Temos visto muitos casos em que gestões que se perpetuam no poder terminam de maneira trágica, quando não escandalosa. Quem sabe se houvesse tido uma movimentação maior contra aquele critério de 2010, que representava apenas o estopim para tantos outros absurdos, as coisas não pudessem ter sido diferentes ao menos nos últimos anos?

Na realidade, o anúncio daquele critério só denunciava a falta de gestão e planejamento que todos sabiam que existiam, mas deixavam que empurrassem com a barriga. Além dos exemplos já citados, há muitos outros: utilização de tabela de índice técnico desatualizada (em 2015 ainda utilizavam tabela de 2011, sendo que a FINA a atualiza todos os anos); cancelamento dos campeonatos brasileiros de inverno em 2016, tirando a oportunidade de muitos atletas infantis, juvenis e juniores alcançarem os objetivos pelos quais tinham planejado; a imposição de uma comissão de atletas escolhida pela própria entidade, ferindo a Lei Pelé; grandes competições com medalhistas olímpicos sem o menor interesse e muitas vezes sem até conhecimento do público por divulgação pífia da CBDA; sistema de resultados on-line totalmente não intuitivo e difícil de manusear; e muitos outros.

Um temor que a comunidade aquática teve por muitos anos era que os Correios, apoiador da CBDA desde 1991, viesse a não renovar seu contrato de patrocínio. Um temor que jamais deveria existir. Após tanto tempo, a entidade se acomodou. Jamais se preocupou em ter outras fontes, e sequer em formar reserva de emergência quando o patrocínio, que uma hora chegaria ao fim, terminasse.

Correios: patrocínio por um fio (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Agora, após o escândalo, os Correios ameaçam rescindir o contrato. Os atletas foram às redes sociais para pedir que o patrocínio continue. Sabem que, sem os Correios, a situação será dificílima. Se houvesse um mínimo de planejamento nos anos anteriores, a CBDA teria como segurar as pontas.

Hoje, a situação é caótica. A seleção brasileira juvenil de natação não pôde ir ao Multinations na Europa e não se sabe como a seleção brasileira será formada para o Mundial de Esportes Aquáticos em julho, na Hungria. E essa é só uma parte dos problemas.

É a consequência de uma política que afeta não só a CBDA, mas todo o esporte nacional. O Fisc Esporte (Relatório Sistêmico de Fiscalização da Função Desporto e Lazer), diagnóstico traçado pelo Tribunal de Contas da União publicado em dezembro último, traz a razão de recursos públicos e privados dentro do esporte: de 2010 a 2014, menos de 2% do montante corresponde a patrocínios privados.

E toda essa situação gera um círculo vicioso. O esporte precisa de dinheiro, mas gere mal seus recursos. Empresas privadas, dessa forma, não querem ligar seus nomes às confederações esportivas, que passam a depender cada vez mais do dinheiro público. E quando ele não vem, o que agora é uma ameaça real no tocante à verba dos Correios, maior empresa estatal de serviços do país, o que vemos é o caos.

Que sirva de lição. Quem sabe da próxima vez que uma diretoria da entidade se mostrar tão desinteressada nos interesses dos atletas, como aconteceu tantas vezes nos últimos anos, que a comunidade se levante e faça algo na prática para mudar a situação. Como não ocorreu em 2010 e em tantas outras ocasiões.

Por Daniel Takata


Swim Channel TV: Circuito Maratona Aquática
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Listamos aqui neste vídeo especial um pouco das principais características e curiosidades de um dos maiores e mais antigos campeonatos de águas abertas da América Latina: o Circuito Maratona Aquática, organizado pela Associação Aquática e que reúne mais de 2 mil atletas por etapa nas águas do estado de São Paulo. Lembrando que as inscrições para a quinta etapa que acontece dia 6 de maio no Guarujá, estão abertas e podem ser feitas neste link. Assista ao vídeo abaixo e confira a lista completa! E não se esqueça de curtir o vídeo e assinar o nosso canal no Youtube!

Roteiro: Patrick Winkler e Guilherme Freitas

Produção, Edição e Finalização: Thiago Tognozzi e Klaus Bernhoeft


Vem ai a 5ª etapa do Circuito Maratona Aquática
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No dia 6 de maio a Praia do Guaiúba, no Guarujá, estará tomada por milhares de nadadores que irão disputar a 5ª etapa do Circuito Maratona Aquática. Considerado como campeonato de águas abertas mais tradicional do país e disputado há mais de 20 anos, este circuito reúne uma média de 2 a 3 mil atletas de diferentes categorias técnicas e faixas etárias. Com dez etapas e mais uma especial, o evento garante estabilidade ao nadador que pode manter-se em atividade durante toda a temporada e traçar um planejamento a longo prazo no começo do ano. Números que o fazem ser um dos maiores eventos de toda a América Latina.

Essa credibilidade foi construída através dos anos e da confiança entre os organizadores, clubes e atletas. Diversas agremiações, entre clubes, academias, universidades, grupos de nadadores master, consultorias e associações nadam o circuito em condições de igualdade. Isso faz com que a competição seja bastante competitiva e com bom nível técnico. Na etapa do Guarujá haverá três distâncias em disputa: a curta com 1 km, a média com 2 km e a longa que terá 4 km de percurso.

Nadadora preparadas para largada - Foto: Marcelo Sousa

Nadadora preparadas para largada – Foto: Marcelo Sousa

Até o momento já tivemos quatro etapas realizadas: em Caraguatatuba, no Wet’n Wild, em Ilhabela e em São Sebastião. Outras cidades do litoral e do interior paulista serão sedes de outras etapas desta temporada. O evento vem cumprindo com a expectativa inicial de um aumento de participantes e até o momento mais de 500 equipes já se inscreveram para disputar o circuito.

Além das tradicionais etapas acontecerá no dia 6 de agosto, a chamada Etapa Tríade que trata-se de um desafio especial ao longo do fim de semana com três provas em dois dias. No sábado de manhã acontece uma prova de 5 km. No sábado à tarde tem outra travessia de 2 km e no domingo de manhã a prova final de 3 km. Ao todo são 10 km nadados durante o fim de semana e a soma de pontos nas três provas determina o vencedor.

O circuito Maratona Aquática tem a direção técnica de Igor de Souza, também diretor técnico da CBDA e veterano nadador de águas abertas com diversas provas concluídas como o Canal da Mancha e a Travessia de Manhattan. A partir desta etapa do Guarujá as inscrições para o evento podem ser feitas através da página da SWIM CHANNEL. Para se inscrever nas travessias de 1 km, 2 km ou 4 km clique aqui.

Por Guilherme Freitas