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Arquivo : Brasil

100m livre é o destaque no Arena Pro Swim Series de Indianápolis
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Tem início amanhã em Indianápolis a segunda etapa do Arena Pro Swim Series 2017. O evento, que vai ser realizado no Indiana University Natatorium (mesma piscina do Campeonato Mundial Júnior em agosto), terá a presença de vários astros da modalidade e seleções estrangeiras como Itália, Argentina, China e Japão. E por falar em estrelas aquáticas, uma das provas imperdíveis será os 100m livre masculino.

A prova nobre da natação reunirá diversos atletas de renome internacional. O anfitrião Nathan Adrian tem o melhor tempo do balizamento com 47s72 e é o único americano balizado entre os oito melhores. No top 8 estão três brasileiros: Marcelo Chierighini, João de Lucca e Matheus Santana. Além deles Bruno Fratus estará na prova com o 13º tempo. Luca Dotto, Federico Grabich, Duncan Scott, Vladimir Morozov, Simonas Bilis, Josh Schneider, Cullen Jones, Tom Shields e Filippo Magnini são outros destaques. Como muitos nadadores estiveram parados ou estão em fase pesada de treinamento a expectativa não é de ver tempos muito baixos, mas com tanta gente boa na água a prova será realmente bem interessante de ser acompanhada.

Finalista olímpico no Rio-2016 Chierighini tem o 7º melhor tempo do balizamento – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Outro destaque será a presença de Adam Peaty. O atual campeão olímpico e mundial dos 100m peito fez uma temporada perfeita ano passado. Bateu o recorde mundial da prova duas vezes (na eliminatória e final) nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e ajudou o revezamento britânico 4x100m medley a levar a medalha de prata com monstruosos 56s59 de parcial. Peaty começou 2017 com tudo, nadando para 58s94 no EuroMeet de Luxemburgo, vencendo com dois de vantagem para o vice-campeão do evento. Uma mostra de que ele continua sobrando na prova e que deve dar bastante trabalho para os locais Cody Miller, Joshua Prenot e Kevin Cordes, além do brasileiro Felipe Lima que também estará em ação.

No feminino o destaque fica por conta dos duelos que a canadense Penny Oleksiak terá em sua campanha em Indianápolis. A campeã olímpica dos 100m livre no Rio-2016 vai encarar nesta prova a italiana Federica Pellegrini contra quem também deverá cravar um duelo interessante nos 200m livre. Já nos 100m borboleta sua principal adversária será a americana Kelsi Worrell, campeã olímpica com o 4x100m medley no Rio-2016. Um bom teste para a jovem canadense de 17 anos.

Adam Peaty será uma das atrações em Indianápolis – Foto: Alessandro Koizumi/Swim Channel

Além dos 100m livre o quarteto brasileiro disputará também os 50m livre. Matheus Santana nadará ainda os 100m borboleta e João de Lucca os 200m livre. Felipe Lima nada três provas: os 50m livre e os 100m e 200m peito. Entre as mulheres, Maria Paula Heitmann vai nadar quatro vezes: 100m, 200m e 400m livre e 100m borboleta. O Arena Pro Swim Series de Indianápolis será transmitido pelo site da USA Swimming e o balizamento pode ser conferido clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


4x100m livre: dois quase pódios com gosto de medalha
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Brasil no revezamento 4x100m livre. Duas chances de medalhas. E dois quase pódios. Foi isso que aconteceu em Kazan e Cingapura, com as equipes absoluta e júnior. Duas bolas na trave que por muito pouco não foram dois gols. Mas engana-se quem acha que iremos lamentar o resultado. Por mais que a medalha não tenha vindo, a análise mostra que o país caminha para subir novamente no pódio desta nobre prova.

Em Kazan, durante o Campeonato Mundial Absoluto, o Brasil chegou a final e terminou em quarto lugar. Mesmo sem a presença de Estados Unidos e Austrália, que falharam nas eliminatórias, o quarteto brasileiro nadou muito bem e durante todo o tempo esteve na briga por um lugar no pódio. A medalha escapou justamente na última parcial quando o italiano Filippo Magnini foi quase 1 segundo mais veloz que João de Lucca e tirou a diferença para alçar a Azurra a medalha de bronze. Embora os parciais brasileiros tenham sido equilibrados com todos na casa dos 48s e nadando sempre no pelotão da frente, os medalhistas tiveram atletas em sua grande maioria para 47s. E isso fez a diferença no final.

O quarteto do 4x100m livre foi ouro no Pan e 4º no Mundal - Foto: Satiro Sodre/SSPress

O quarteto do 4x100m livre foi ouro no Pan e 4º no Mundal – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Na prova em Cingapura, válida pelo Mundial Júnior, novamente o Brasil bateu na trave ao terminar em quarto lugar. Porém, diferentemente do time absoluto o país só esteve na luta pelo pódio no primeiro parcial quando Felipe Ribeiro abriu na frente com 49s37. Depois a equipe caiu de rendimento, chegando a ficar em quinto lugar, e teve que fazer uma prova de recuperação para chegar em quarto, apenas 34 centésimos distantes da Itália que teve um time mais equilibrado com três atletas para 49s e um para 50s. E embora o Brasil tenha tido as melhores trocas entre todos os revezamentos, teve apenas um nadador para 48s, outro para 49s e dois para 50s.

Como podemos ver nos dois casos do revezamento os medalhistas subiram ao pódio por terem equipes com parciais próximos. No caso do absoluto o Brasil também teve esse equilibro entre os nadadores, porém, para lutar por pódio pelo menos dois ou três deles deveriam nadar para 47s como fizeram França, Rússia e Itália. Na versão júnior a mesma coisa. Austrália, Estados Unidos e Itália foram medalhistas porque tiveram três atletas na casa de 48s e 49s, enquanto o Brasil apenas dois.

O 4x100m livre em Cingapura foi 4º colocado - Foto: Satiro Sodre/SSPress

O 4x100m livre em Cingapura foi 4º colocado – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Esses detalhes são trabalhos que serão aperfeiçoados com o passar do tempo e que já vem colhendo resultados ano após ano. Em Kazan o quarteto fez o melhor tempo desde o histórico 4x100m livre de Roma-2009 no auge dos trajes tecnológicos e em Cingapura a equipe fez o melhor tempo de sua história em Mundiais Júniors, quase quatro segundos abaixo do time medalhista de bronze em Monterrey-2008. Bons resultados que mostram que o Brasil, medalhista olímpico, mundial e mundial júnior no 4x100m livre, poderá voltar aos bons tempos em uma questão de tempo.

Por Guilherme Freitas


Comparando laranja com laranja
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Ao término do Campeonato Mundial de Kazan, a cobertura jornalística demonstrou resultados não satisfatórios no que se refere a performance da seleção brasileira de natação. Diversos pontos foram levantados: o país não ganhou medalha de ouro, Cesar Cielo abandonou o evento, atleta brasileiro ainda valoriza os Jogos Pan-Americanos. Pior do que isso, grande maioria de internautas também julgam como fracasso o resultado do Brasil em Kazan e na programação para os Jogos do Rio de Janeiro 2016.

Sendo sincero, eu li e escutei grandes absurdos na ultima semana, artigos que beiravam ignorância. Para uma análise critica, antes de mais nada, é necessário analisar todas as medalhas conquistadas nas piscinas de Kazan. O quadro de medalhas nunca esteve tão diversificado e não existe uma hegemonia suprema, confira:

Ryan Lochte, a única medalha de ouro no masculino dos EUA - Foto: Divulgação

Ryan Lochte, a única medalha de ouro no masculino dos EUA – Foto: Divulgação

Estados Unidos: o time norte-americanos fez uma apresentação vergonhosa. No masculino, apenas uma única medalha de ouro individual, a do veterano Ryan Lochte nos 200m medley.  Para piorar, no revezamento 4x100m livre, sequer classificaram para a final. No feminino, a situação não foi melhor e infelizmente vivenciamos a queda de rendimento da sempre simpática Missy Franklin. O que salvou os EUA literalmente, foram os resultados individuais de Katie Ledecky que conquistou cinco medalhas de ouro.

Resumo da cobertura jornalista dos norte-americanos: Estados Unidos vencem o quadro de medalhas, a performance não foi a esperada, mas Katie Ledecky faz historia em Kazan e ainda Michael Phelps em Campeonato Norte-americano escabele as três melhores marcas do mundo nas provas de 100m e 200m borboleta e 200m medley.

Mack Horton, a decepção australiana em Kazan - Foto: Reprodução

Mack Horton, a decepção australiana em Kazan – Foto: Reprodução

Austrália: O país teve uma apresentação medíocre da maior estrela do último ano: Mack Horton. O nadador de longa distância chegou a ser cotado como favorito a medalha de ouro nos 400m, 800m e 1500m livre e no evento acabou chegando apenas a uma única final. Para piorar, o revezamento 4x100m livre , considerado melhor do mundo, não chegou entre os 12 primeiros colocados, ou seja, não conseguiu sequer a vaga olímpica. Inadmissível.

Resumo da cobertura jornalística dos australianos: Emily Seebohm é a nova rainha mundial dos 100m e 200m costas, destronando Missy Franklin. O jovem Mitchell Larkin, vence os 100m e 200m costas no masculino e é favorito para os Jogos do Rio de Janeiro em 2016.

Daiya Seto (foto: Murad Sezer/Reuters)

Daiya Seto, a única medalha do masculino do Japão em Kazan – Foto: Murad Sezer/Reuters

Japão: considerado por muitos como um exemplo a ser seguido. A natação japonesa foi vergonhosa, entre os homens. Das 48 medalhas em disputa na piscinas , conquistaram apenas uma: ouro nos 400m medley com Daiya Seto. Mesmo com a ausência de Kosuke Hagino, a performance japonesa foi deprimente.

Eu não falo japonês, mas converso em inglês com alguns nadadores do sol nascente. Resumo da cobertura jornalística dos japoneses: Daiya Seto supera mal rendimento e torna-se bicampeão mundial dos 400m medley, Kanoko Watanabe, mantem a tradição japonês no nado peito e vence os 200 metros.

Nicholas, Fratus, Thiago e Etiene, os medalhistas em Kazan - Fotos: Satiro Sodré/SS Press

Nicholas, Fratus, Thiago e Etiene, os medalhistas em Kazan – Fotos: Satiro Sodré/SS Press

Brasil: nossos nadadores fizeram uma apresentação espetacular no Pan-Americano de Toronto. Todos sabem disso e em apenas um semana de intervalo, tiveram que representar o país em Kazan. Não importa a periodização, mesmo sendo focada no mundial da Fina, é quase desumano sair de um evento de cinco dias de eliminatórias e finais em Toronto, viajar para casa e depois viajar para a Rússia para mais oito dias de competição. A jornada pesou nos ombros dos nadadores. Mesmo assim, o Brasil foi bem. Comparando novamente laranja com laranja. Sabemos a qualidade de Leonardo de Deus, Felipe França, João de Lucca e Etiene Medeiros e era nítido que não mantiveram o rendimento. Basta comparar os tempos de Toronto com Kazan e teríamos os resultados desejados. Mesmo assim o Brasileiro precisa ser positivo.

Cobertura de mídia desejada para o Brasil

Thiago Pereira: após se tornar o maio vencedor da historia em Jogos Pan-Americanos, aos 30 anos de idade, o veterano conquista sua melhor posição em campeonatos mundiais em toda sua carreira. Prata na sua melhor prova, os 200m medley.

Bruno Fratus: depois de uma “bola na trave” no revezamento 4x100m livre, o velocista conquista sua primeira medalha em campeonato mundial e mantem a tradição brasileira em provas de velocidade. Bronze nos 50m livre.

Nicholas Santos: o veterano de 35 anos faz historia em Kazan ao se tornar o nadador mais velho a conquistar uma medalha em campeonatos mundiais. O atleta é exemplo na longevidade da natação em alta performance.

Etiene Medeiros: a nadadora passa a ser a primeira medalhista em campeonato mundial na natação nacional. Superando seu próprio recorde sul-americano, para conquistar a honrada medalha de prata.

Minha mensagem é para paramos de sermos negativos. Basta! Precisamos olhar e valorizar os pontos positivos. Não estou falando para “maquiar” qualquer resultado, mas quem entende de natação sabe que fizemos uma apresentação respeitável em 2015 e que as lideranças do Head Coach masculino Alberto Pinto e do Head Coach feminino Fernando Vanzella, são dignas de admiração e respeito.

Ao analisar os três países mais estáveis no mundo na natação (EUA, Japão e Austrália) e comparar laranja com laranja, identificamos que seus resultados são uma “onda senoidal”. O Brasil teve uma apresentação admirável em 2015 e está prestes a fazer o que pode oferecer: seu melhor resultado na natação numa edição de Jogos Olímpicos.

Por Patrick Winkler


A zebra que abriu o caminho: allez les Bleus!
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Destaques para um evento como um Mundial de Esportes Aquáticos são difíceis de se escolher. Sempre há o recorde mundial, a desclassificação controversa, um desempenho incrível, e outros que deixam a desejar. Na estreia da natação em Kazan, é impossível não deixar o queixo cair alguns centímetros diante da única manchete possível: Estados Unidos e Austrália fora de uma final de Mundial no revezamento 4x100m livre. Se parar para pensar a última vez em que isso aconteceu, vai demorar um pouco para se lembrar. Nunca, desde o primeiro título americano em 1973, as duas seleções assistiram a prova das arquibancadas.

Um erro de estratégia, alguns atletas poupados, um pesado desfalque para os australianos sem James Magnussen, e China e Polônia agarraram as vagas que se abriram entre os oito melhores times do mundo no conjunto da prova.
O tempo de 3min16s01 foi o pior dos americanos desde o Mundial de 1998. Chocante pelas parciais individuais: Jimmy Feigner, constante na casa dos 48s, para 49s21; Anthony Ervin como âncora para 49s69, Matt Grevers com 48s67 e Conor Dwyer para 48s44. A 11ª colocação para eles, e 13º com os australianos (3m16s34).

O time francês venceu o 4x100m livre - Foto: Tim Binning

O time francês venceu o 4x100m livre – Foto: Tim Binning

Na final, foi o momento de crescimento dos franceses, que contaram com o reforço de Florent Manaudou, além de Fabien Gilot nadando para expressivos 47s08, e abocanharam o ouro. Um show de Vladimir Morozov, com a melhor marca individual da prova sendo o único a nadar abaixo dos 47s (46s95, com 21s71 na passagem), para liderar os donos da casa, apoiados pela torcida, à prata. E o bronze ficou para os italianos, recente pedra no sapato dos brasileiros, que não tiveram nenhum atleta abaixo de 48s. Um grupo regular, mas sem um destaque individual – e sem a presença de Cesar Cielo, que admitiu que a má fase o tirou da prova.

Os atletas do Brasil se incomodaram bastante em perder o pódio, e todos reconheceram que era possível melhorar um pouco de cada parcial. João de Lucca (que fechou para 48s40), salientou a união e conexão do time, e foi apoiado pelos colegas. Bruno Fratus (48s05) foi sincero: “Não vou mentir, não estou feliz com o quarto lugar. Acho que o tempo de 3m13s está aquém da nossa capacidade, podemos nadar bem rápido que isso. Mas estou animado com o que está pra vir. Estou orgulhosos de como eles competiram, parecemos quatro irmãos nadando juntos, tomando porrada juntos, celebrando juntos”.

Matheus Santana, Bruno Fratus e João de Lucca em ação - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Matheus Santana, Bruno Fratus e João de Lucca em ação – Foto: Satiro Sodre/SSPress

“A gente está chateado porque foi muito próximo da medalha, está ali, a gente quase consegue sentir, pegar. Dói no coração. Mas foi um passo a mais. A maior competição das nossas vidas será no Rio, e quarto lugar no Mundial não é pouca coisa. Estamos no caminho certo, mas não adianta melhorar e não chegar lá e fazer”, complementou Marcelo Chierighini (48s54, abrindo o revezamento). O caçula Matheus Santana (48s20) foi além: “o time tem qualidade pra nadar pra 47s, não é fácil, temos que estar 100% afinados na troca, da melhor forma possível. Mas com essa união e empenho que temos tido, vai ficar fácil”.

Cesar Cielo não fez falta. Ao menos nas próprias palavras do nadador, ele não teria muito o que acrescentar na situação. Sofre com um problema no ombro, uma lesão revelada apenas neste domingo pelo atleta, além de uma grande dificuldade para encaixar a velocidade. Preocupa para os seus 50m borboleta, prova na qual se classificou raspando, com o último tempo da final. Ser tricampeão, ele descarta. O discurso e Cesão foca no bronze. E, ainda assim, há muito o que trabalhar.

PICTURE TAKEN WITH AN UNDERWATER CAMERA -  US Katie Ledecky competes in the women's 400m freestyle final swimming event at the 2015 FINA World Championships in Kazan on August 2, 2015.  AFP PHOTO / FRANCOIS XAVIER MARITFRANCOIS XAVIER MARIT/AFP/Getty Images

Katie Ledecky durante os 400m livre – Foto: Francois Xavier/AFP/Getty Images

As isoladas mulheres donas do mundo

Katie Ledecky, a quatro segundos da vice-campeã da prova, nada como se estivesse sozinha na piscina: o primeiro ouro (e recorde de campeonato) veio nos 400m livre, com 3m59s13. Mesmo cansando no final de prova. A Dama de Ferro, Katinka Hosszu, segue sua fama de superar as adversárias em diversas provas, de forma incansável: recorde europeu batido duas vezes nos 200m medley. E Sarah Sjostrom, único recorde mundial da etapa, nos 100m borboleta, aparece tão isolada que não precisa se preocupar em nada além de superar sua própria marca na final de segunda-feira. Por enquanto, impressionantes e imbatíveis 55s74.

E apenas para selar o dia de conquistas expressivas femininas, Bronte Campbell, no revezamento campeão da Austrália, emplacou 51s77. Marca que fala por si só.

Por Mayra Siqueira

A equipe Swim Channel no Mundial de Kazan é patrocinada pela Finis, a melhor tecnologia para natação.


E o 4x100m livre feminino?
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No começo do ano Alexandre Pussieldi, editor do Blog do Coach e colunista da SWIM CHANNEL, publicou em seu blog uma série especial sobre as chances do revezamento brasileiro masculino 4x100m livre brigar por uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. De fato, a equipe masculina brasileira está entre os cotados para subir no pódio e por nadar em casa terá uma motivação a mais por buscar a tão sonhada medalha. Mas e o 4x100m livre feminino? Como esta a situação da equipe?

Em 2014, o revezamento brasileiro terminou a temporada na 14ª colocação do ranking mundial com o tempo de 3min42s20 conquistado durante o Campeonato Pan-Pacífico de Gold Coast. Em 2013 a equipe nacional foi melhor. Durante o Mundial de Barcelona nadou para 3min41s05, terminando em 11º lugar e estabelecendo o atual recorde sul-americano da prova. Terminou o ano na mesma 11ª colocação no ranking internacional. Este ano o revezamento feminino vai para o Mundial de Kazan para tentar a classificação direta para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Segundo o regulamento olímpico, as 12 melhores equipes classificadas no Campeonato Mundial garantem vaga automática para as Olimpíadas. Se conseguir repetir o desempenho de Barcelona vai atingir o objetivo.

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano em 2014 - Foto: Satiro Sodré

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano em 2014 – Foto: Satiro Sodré

E pelos resultados registrados no Torneio Open e no Campeonato Brasileiro Sênior de Verão, que foram disputados simultaneamente no fim da temporada passada, são boas as chances do Brasil conseguir atingir este objetivo no Mundial de Kazan. Nos dois eventos realizados na piscina do Botafogo foram feitos os quatro melhores tempos nos 100m livre na temporada, com direito a recorde sul-americano individual.

As marcas foram de Larissa Oliveira (54s61), Graciele Herrmann (54s76), Daiene Becker (55s35) e Alessandra Marchioro (55s69). Larissa, inclusive, bateu o recorde continental da prova com este resultado. A soma destes tempos do quarteto é de 3min40s41, mais de meio segundo abaixo do recorde sul-americano. O tempo não muda o Brasil de posição em relação aos rankings mundiais de 2013 e 2014, mas deixa a equipe brasileira mais perto de outras seleções que também estarão em Kazan de olho na vaga direta para o Rio-2016.

Em Barcelona o 4x100m livre bateu o recorde sul-americano - Foto: Satiro Sodré

Em Barcelona o 4x100m livre bateu o recorde sul-americano – Foto: Satiro Sodré

Além das quatro velocistas há outras duas nadadoras na casa dos 55 segundos: Daynara de Paula (55s80) e Manuela Lyrio (55s94). Uma das revelações da natação feminina, Gabriele Roncatto terminou 2014 no sétimo posto do ranking nacional (56s00) e se coloca entre possíveis selecionáveis, assim como a campeã mundial de curta Etiene Medeiros que ano passado nadou para 56s04. O revezamento 4x100m livre feminino dificilmente subirá ao pódio olímpico, porém, após estar ausente em Londres-2012 retornar a uma Olimpíada será um grande resultado da natação feminina. E um bom desempenho no Mundial de Kazan será essencial para pode estar no Rio ano que vem.

Por Guilherme Freitas


Seleções começam a convocar equipes para o Mundial de curta
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Ainda faltam dois meses, mas as principais potências da natação internacional já começaram anunciar suas equipes para o Campeonato Mundial de piscina curta, que acontece durante os dias 3 e 7 de dezembro em Doha, no Catar. O Brasil foi um dos primeiros países a convocar seus atletas para o evento no último dia 22 de setembro. Cesar Cielo, Felipe França, Leonardo de Deus e Etiene Medeiros são alguns dos nomes que estarão em ação no Catar. Esta semana outras seleções também começaram a definir seus times.

Os Estados Unidos anunciaram ontem sua equipe que disputará o evento em Doha. O time americano vai para o Mundial com 37 nadadores que disputarão todas as provas. O maior destaque é sem dúvida Ryan Lochte, que deverá nadar seis provas individuais e integrar alguns revezamentos. Lochte é o maior medalhista da história dos Mundiais de curta com 30 pódios conquistados em cinco edições. A forte equipe americana ainda conta com nomes como Tyler Clary, Natalie Coughlin, Cullen Jones, Breeja Larson, Conor Dwyer, Elizabeth Beisel e Matt Greevers. Destaque também para Darian Townsend, sul-africano e agora naturalizado americano que integrará o revezamento 4x100m livre.

Ryan Lochte é uma das estrelas confirmadas para a edição 2013 do Duel in The Pool - Foto: Clive Rose/Getty Images

Ryan Lochte disputará seu sexto Mundial de curta – Foto: Clive Rose/Getty Images

A seleção britânica também foi convocada esta semana e terá 12 nadadores. Grandes destaques da temporada 2014, Francesca Halsall e Adam Peaty farão parte do “Team GB”. A velocista conseguiu cravar durante o Commonweath Games a melhor marca da história nos 50m livre sem trajes: 23s96, tempo que foi igualado pela australiana Cate Campbell no Pan Pacífico. Já o jovem peitista de 19 anos bateu o recorde mundial nos 50m peito (26s62) durante o Campeonato Europeu e agora tentará em Doha unificar as marcas mundiais.

Muitas seleções ainda não anunciaram oficialmente suas equipes para o Mundial de curta, o que farão no decorrer das próximas semanas. Porém, alguns atletas já afirmaram que disputarão o evento no Oriente Médio e estão usando as etapas da Copa do Mundo de piscina curta como uma forma de treinamento também. Caso dos húngaros Katinka Hosszu e Daniel Gyurta, do sul-africano Chad Le Clos, da espanhola Mireia Belmonte e da jamaicana Alia Atikson.

A velocista Francesca Halsall está convocada pela seleção britânica - Foto: Orage.co.uk

A velocista Francesca Halsall está convocada pela seleção britânica – Foto: Orage.co.uk

Ao longo deste mês de outubro outras grandes seleções como Japão, China, Austrália e as da Europa divulgarão suas equipes para o evento. Pelo fato de não termos este ano uma Olimpíada ou um Mundial de longa e da Fina oferecer uma premiação maior em relação aos anos anteriores, muitos nadadores estão interessados em competir em Doha. Tudo indica que teremos um forte Mundial de curta para fechar com chave de ouro o ano aquático de 2014.

Por Guilherme Freitas


Leo de Deus: entre os melhores e de olho em voos mais altos
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O Brasil começou bem sua participação no Campeonato Pan Pacífico 2014. Logo no primeiro dia de disputas veio a primeira medalha do país, uma prata com Leonardo de Deus nos 200m borboleta. Com 1min55s28 o brasileiro registrou o melhor tempo de sua carreira e cravou a sexta melhor marca da temporada. Até ai nenhuma surpresa, afinal desde 2011 o nadador sul-matogrossense está entre os melhores do mundo nesta prova.

Naquele ano ele apresentou seu cartão de visitas ao fazer o melhor tempo das eliminatórias do Campeonato Mundial de Xangai com 1min55s55. Porém, parou nas semifinais. Meses depois foi campeão pan-americano, no ano seguinte semifinalista olímpico e ano passado finalista no Mundial de Barcelona. Uma franca evolução que se confirmou hoje com sua performance no Pan Pacífico.

Leo de Deus tem a sexta melhor marca do ano - Foto: Satiro Sodré

Leo de Deus tem a sexta melhor marca do ano – Foto: Satiro Sodré

Tanto nas eliminatórias, quanto na final, o brasileiro foi extremamente regular. Leo manteve um ritmo e estratégia muito similares e nadou forte durante todo o percurso. Nas eliminatórias ele conseguiu o segundo tempo: 1min55s33, com parciais de 25s90, 29s22, 29s57 e 30s64. Na final melhorou o tempo geral para 1min55s28 e teve parciais muito parecidas: 25s96, 29s23, 29s78 e 30s31. Também foram fundamentais para a conquista da medalha os fundamentos (viradas e ondulações submersas), que estão bem melhores e consistentes.

Essa estratégia permitiu que o brasileiro não fosse tão pressionado pelos adversários que estavam atrás e o possibilitou apertar o líder Daya Seto durante toda a prova. O resultado, além de bastante significativo, também lhe dá mais confiança para os próximos anos. Na final ele chegou a frente do americano Tyler Clary e nas eliminatórias conseguiu ser mais veloz que o medalhista olímpico Takeshi Matsuda.

O brasileiro conquistou a primeira medalha do país  no Pan Pac - Foto: Satiro Sodré

O brasileiro conquistou a primeira medalha do país no Pan Pac – Foto: Satiro Sodré

Com a sexta melhor marca do ano, o brasileiro mostra que tem chances de brigar por medalhas no Campeonato Mundial de Kazan no ano que vem e se candidatar como um dos cotados para subir ao pódio nos Jogos do Rio-2016. Agora o próximo passo de Leo de Deus será nadar esta prova na casa de 1min54s.

E curiosamente, o segundo colocado no ranking nacional dos 200m borboleta, Luiz Altamir, também está em ação no outro lado do mundo. Mas não no Pan Pacífico, e sim na Olimpíada da Juventude em Nanquim, na China. Ele já ganhou uma medalha de prata com o revezamento 4x100m livre misto e amanhã pode voltar ao pódio na sua especialidade. Balizado com o terceiro melhor tempo, Altamir tem boas chances de garantir mais uma medalha. Como podemos ver o Brasil esta muito bem representado nos 200m borboleta.

Por Guilherme Freitas


Brasil fazendo história nas águas abertas
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A natação brasileira em águas abertas teve mais um dia glorioso para sua história. Na sexta etapa da Copa do Mundo de 10 km da Fina, disputada em Lag. Megantic, no Canadá, a bandeira do Brasil tremulou mais alto no pódio. Na prova feminina Ana Marcela Cunha venceu mais uma vez e praticamente garantiu o título. No masculino um resultado muito especial: a primeira vitória de Allan do Carmo no circuito mundial. De quebra ambos lideram o circuito.

Allan do Carmo já acumulava 13 pódios, mas nunca havia conseguido vencer uma maratona na Copa do Mundo. Eram três pratas e dez bronzes. Agora pode adicionar o ouro ao seu currículo. Em 2h22min30s o brasileiro venceu a etapa e conseguiu abrir vantagem na liderança do ranking mundial. Tem 83 pontos contra 58 do vice-líder, o alemão Thomas Lurz. Se conseguir chegar novamente ao pódio na próxima etapa praticamente garantirá o inédito título para as águas abertas do Brasil.

Allan do Carmo venceu pela primeira vez na Copa do Mundo - Foto: Giovana Moreira/Instagram CBDA

Allan do Carmo venceu pela primeira vez na Copa do Mundo – Foto: Giovana Moreira/Instagram CBDA

Disputada desde 2007, a Copa do Mundo nunca teve um brasileiro triunfando na categoria masculina. Allan havia sido vice-campeão em 2009 e agora esta muito perto de conseguir o tão sonhado campeonato. “Estou muito feliz por ter conquisto, enfim essa medalha. Já tinha chegado perto algumas vezes e venho buscando isso há muito tempo. Esse ouro é muito expressivo para mim, veio na hora certa e nos mostra que estamos no caminho certo”, disse o nadador ao site da CBDA ao fim da prova.

Outros cinco nadadores brasileiros também nadaram a etapa de Lag. Megantic. Samuel de Bona por muito pouco não subiu ao pódio, chegando na quarta colocação. Luis Gustavo Barros foi o 8º, Diogo Villarinho o 9º e Fernando Ponte terminou na 16ª posição.

Ana Marcela já é tricampeã da Copa do Mundo - Foto: Divulgação/Facebook

Ana Marcela já é tricampeã da Copa do Mundo – Foto: Divulgação/Facebook

Ana Marcela venceu pela quarta vez uma etapa da Copa do Mundo neste ano e disparou ainda mais na liderança do circuito. Tem 114 pontos, 58 a mais do que a vice-líder Poliana Okimoto e 62 que a terceira colocada, a americana Christine Jennings. Matematicamente já assegurou seu tricampeonato na competição (havia sido campeã em 2010 e 2012), mas só será declarada campeã na última etapa. Pelo regulamento da Copa do Mundo o vencedor geral da temporada precisa pelo menos largar na etapa final, que acontece em Hong Kong no dia 18 de outubro. Conhecemos bem Ana Marcela e sabemos que ela não vai só querer largar. Vai tentar ganhar mais uma vez!

Por Guilherme Freitas


Brasil vai bem em Shantou, mas título fica com estrangeiros
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A etapa chinesa de Shantou definiu ontem os campeões da temporada 2013 da Copa do Mundo de Águas Abertas da Fina. Na penúltima perna do circuito, Thomas Lurz e Emily Brunemann garantiram matematicamente os títulos de rei e rainha das águas abertas, respectivamente. Lurz venceu a etapa e chegou a 92 pontos, já a americana chegou na segunda colocação e agora tem 104 pontos. Ambos tem 22 pontos de vantagem para o segundo colocado, e como o vencedor da última etapa só pode marcar 20 pontos as taças estão garantidas. O título da temporada pode ter ficado com Alemanha e Estados Unidos, mas o dia em Shantou foi do Brasil com três atletas no pódio nas duas provas.

O pódio da prova feminina – Foto: Giovana Moreira/CBDA

Após a brilhante campanha no Campeonato Mundial de Barcelona, Poliana Okimoto venceu a sua primeira prova nesta Copa do Mundo. A brasileira fez uma boa prova e provou que está no caminho certo para os Jogos do Rio-2016. Brunemann ficou com a prata seguida por Ana Marcela Cunha, que sonhava com o tricampeonato da Copa do Mundo. Porém, a situação de Ana Marcela era difícil, pois ela teria que tirar uma grande vantagem em relação a americana e ainda disputar a etapa de Hong Kong atrás de Brunemann na classificação. A brasileira Betina Lorscheittter também disputou a prova e ficou na 12ª colocação.

Premiação masculina em Shantou – Foto: Giovana Moreira/CBDA

Na prova masculina por pouco o Brasil não colocou dois nadadores no pódio. Considerado por muitos como o maior nadador de águas abertas de todos os tempos, Lurz não deu chance aos rivais e venceu pela segunda vez na temporada. Allan do Carmo chegou na segunda colocação e a prata teve sabor de vitória. Com esse resultado ele superou o francês Romain Beraud, terceiro colocado, com quem disputa o vice-campeonato do circuito. Samuel de Bona e Diogo Villarinho foram bem e quase conseguiram chegar no pódio. Samuel foi o quarto e Diogo o quinto. Além deles Victor Colonese ficou em 10º lugar e Luis Rogério Arapiraca em 18º.

Em disputa agora apenas o vice-campeonato da temporada. No feminino Ana Marcela tem dois pontos de vantagem para a italiana Martina Grimaldi: 82 a 80. Já no masculino a diferença é a mesma. Dois pontos separam Allan de Beraud: o francês tem 68 contra 66 do brasileiro. No próximo sábado, dia 5 de outubro, as águas de Hong Kong nos reservam ainda muitas disputas emocionantes nesta Copa do Mundo.

Confira o resultado completo das provas clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


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