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Sul-Americano Juvenil tem início em Cali
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Tem início hoje mais uma edição do Campeonato Sul-Americano Juvenil de Esportes Aquáticos, uma das competições mais tradicionais do continente e que já ajudou a revelar grandes nadadores. Sediado desta vez em Cali, na Colômbia, o evento contará com a presença de 900 atletas de 15 países. Devido a todo imbróglio envolvendo a situação financeira e jurídica da CBDA, a presença da seleção brasileira esteve ameaçada. Após receber um suporte e apoio do COB os nadadores brasileiros foram tranquilizados e viajaram para a Colômbia durante o feriado de Páscoa.

Mesmo com uma equipe recheada de nadadores que chegam pela primeira vez a uma seleção de base, o país é novamente o grande favorito para terminar a frente no quadro de medalhas e somatória de pontos na natação. Em Cali a seleção terá 47 nadadores divididos em duas categorias: o Juvenil A com nadadores de 14 e 15 anos de idade e o Juvenil B para atletas de 16 a 18 anos. Acompanham os atletas outros quatro técnicos e mais quatro profissionais da comissão técnica. As provas serão disputadas no Complexo de Piscinas Hernando Botero Byrne, mesmo local dos Jogos Pan-Americanos de 1971.

Nadadores brasileiros posam antes de embarcar para Cali – Foto: Reprodução

Antes de definir a equipe oficial (clique aqui para ver a lista com todos os convocados) a CBDA havia selecionado atletas com experiência internacional e passagens pela seleção de base como Maria Paula Heitmann, Rafaela Raurich, Maria Luiza Pessanha e Caio Pumputis, que pediram a desconvocação visando o Troféu Maria Lenk, que tem início daqui a duas semanas e será a seletiva brasileira para o Campeonato Mundial Júnior que será realizado em agosto, na cidade de Indianápolis nos Estados Unidos.

Nas águas abertas o Brasil vai com 12 nadadores divididos em três categorias. Os nadadores de 14 e 15 anos nadam a prova de 5 km, os atletas de 16 e 17 anos competirão nos 7,5 km e o grupo de nadadores de 18 e 19 anos disputam a maratona aquática de 10 km. O destaque é a presença da nadadora olímpica Gabrielle Roncatto que nadará a prova de 10 km no Lago Calima. As datas do Sul-Americano Juvenil são diferente para as duas modalidades. A natação começa hoje e termina no dia 23, quando tem início as travessias em águas abertas que vão até dia 30 de abril.

por Guilherme Freitas


CBDA: lições para o futuro
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Abril de 2010. Os principais nadadores do país se preparam para a disputa do Troféu Maria Lenk, na Unisanta, em Santos. Precisam nadar bem, pois o torneio é seletiva para o Campeonato Pan-Pacífico, principal competição internacional do ano. Ou, ao menos, os atletas imaginam que seja.

Na realidade, até alguns dias antes do Maria Lenk os critérios para a formação da seleção brasileira não haviam sido anunciados pela CBDA. Havia duas possibilidades. A primeira seria que apenas o Maria Lenk serviria como seletiva, e assim os nadadores deveriam chegar ao torneio muito bem preparados, para brigar por convocação. A segunda seria que competições do segundo semestre de 2009 também seriam consideradas, como o Finkel e o Open. Nesse caso, os nadadores que já haviam obtido bons resultados teriam suas convocações praticamente garantidas, pelo fato que em 2009 ainda eram permitidos os trajes tecnológicos, barrados em 2010, e obviamente os tempos provavelmente seriam bem melhores que os que seriam obtidos no Maria Lenk. Estes nadadores, então, não precisariam chegar à competição na melhor forma e poderiam visar toda a preparação diretamente para o Pan-Pacífico.

Uma semana antes do Maria Lenk, o critério foi anunciado. E foi considerada justamente a segunda possibilidade. Compreensivelmente, pouquíssimos atletas melhoraram suas marcas de 2009, e a seleção foi formada basicamente pelos resultados do ano anterior.

Uma chuva de críticas inundou a CBDA, inclusive da imprensa internacional. Tanto por anunciar o critério tão em cima da hora, quanto por considerar um critério esdrúxulo, que considerava tempos de competições diferentes que, pelo fato dos trajes, eram incomparáveis. “O ruim foi a demora para divulgar esses critérios. Eu, por exemplo, fiz uma preparação para chegar aqui (Maria Lenk) com condições de fazer um bom tempo. Se soubesse disso antes, teria dado prioridade ao Pan-Pacífico, em agosto”, disse Nicholas dos Santos, em uma das inúmeras reclamações.

A CBDA já vinha sendo criticada há algum tempo, pela falta de planejamento e desorganização. Assuntos como a falta de clareza no repasse aos atletas dos recursos provenientes dos Correios e as diversas assembleias marcadas para o tardio mês de março em vários anos para aprovar o calendário do ano vigente, afetando planejamento de clube e atletas, eram assuntos recorrentes e debatidos. Parecia que, àquela altura, a administração da entidade, que claramente estava com prazo de validade vencido havia alguns anos, havia chegado ao fundo do poço. Apenas parecia.

Na época, aventou-se timidamente até um boicote dos nadadores ao Troféu Maria Lenk e ao Pan-Pacífico, lembrando o que fez a equipe brasileira de tênis em 2004, que se recusou a jogar a Copa Davis em protesto contra a administração, levando o Brasil à terceira divisão e ocasionando a queda do então presidente da CBT Nelson Nastás.

Como sabemos, nada disso ocorreu e a diretoria da CBDA continuou à frente da entidade por quase sete anos, dificultando toda e qualquer ação de oposição. E sem melhoras.

O fundo do poço chegou de verdade semana passada, com a prisão do presidente de 1988 a 2017, Coaracy Nunes Filho, do superintendente Ricardo de Moura, do diretor financeiro Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga e do coordenador de polo aquático Ricardo Cabral, detidos na Operação Águas Claras, acusados de formar um esquema de desvios de recursos públicos repassados ao órgão. Para mais detalhes acerca da operação, confira aqui.

Coaracy Nunes é preso (foto: reprodução/SporTV)

É um fim melancólico para uma administração que ficou quase 30 anos no poder e que só fez se perder nos últimos (muitos) anos. À parte das prisões, o mau uso do dinheiro público e a falta de planejamento têm sido uma constante. Temos visto muitos casos em que gestões que se perpetuam no poder terminam de maneira trágica, quando não escandalosa. Quem sabe se houvesse tido uma movimentação maior contra aquele critério de 2010, que representava apenas o estopim para tantos outros absurdos, as coisas não pudessem ter sido diferentes ao menos nos últimos anos?

Na realidade, o anúncio daquele critério só denunciava a falta de gestão e planejamento que todos sabiam que existiam, mas deixavam que empurrassem com a barriga. Além dos exemplos já citados, há muitos outros: utilização de tabela de índice técnico desatualizada (em 2015 ainda utilizavam tabela de 2011, sendo que a FINA a atualiza todos os anos); cancelamento dos campeonatos brasileiros de inverno em 2016, tirando a oportunidade de muitos atletas infantis, juvenis e juniores alcançarem os objetivos pelos quais tinham planejado; a imposição de uma comissão de atletas escolhida pela própria entidade, ferindo a Lei Pelé; grandes competições com medalhistas olímpicos sem o menor interesse e muitas vezes sem até conhecimento do público por divulgação pífia da CBDA; sistema de resultados on-line totalmente não intuitivo e difícil de manusear; e muitos outros.

Um temor que a comunidade aquática teve por muitos anos era que os Correios, apoiador da CBDA desde 1991, viesse a não renovar seu contrato de patrocínio. Um temor que jamais deveria existir. Após tanto tempo, a entidade se acomodou. Jamais se preocupou em ter outras fontes, e sequer em formar reserva de emergência quando o patrocínio, que uma hora chegaria ao fim, terminasse.

Correios: patrocínio por um fio (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Agora, após o escândalo, os Correios ameaçam rescindir o contrato. Os atletas foram às redes sociais para pedir que o patrocínio continue. Sabem que, sem os Correios, a situação será dificílima. Se houvesse um mínimo de planejamento nos anos anteriores, a CBDA teria como segurar as pontas.

Hoje, a situação é caótica. A seleção brasileira juvenil de natação não pôde ir ao Multinations na Europa e não se sabe como a seleção brasileira será formada para o Mundial de Esportes Aquáticos em julho, na Hungria. E essa é só uma parte dos problemas.

É a consequência de uma política que afeta não só a CBDA, mas todo o esporte nacional. O Fisc Esporte (Relatório Sistêmico de Fiscalização da Função Desporto e Lazer), diagnóstico traçado pelo Tribunal de Contas da União publicado em dezembro último, traz a razão de recursos públicos e privados dentro do esporte: de 2010 a 2014, menos de 2% do montante corresponde a patrocínios privados.

E toda essa situação gera um círculo vicioso. O esporte precisa de dinheiro, mas gere mal seus recursos. Empresas privadas, dessa forma, não querem ligar seus nomes às confederações esportivas, que passam a depender cada vez mais do dinheiro público. E quando ele não vem, o que agora é uma ameaça real no tocante à verba dos Correios, maior empresa estatal de serviços do país, o que vemos é o caos.

Que sirva de lição. Quem sabe da próxima vez que uma diretoria da entidade se mostrar tão desinteressada nos interesses dos atletas, como aconteceu tantas vezes nos últimos anos, que a comunidade se levante e faça algo na prática para mudar a situação. Como não ocorreu em 2010 e em tantas outras ocasiões.

Por Daniel Takata


Ana Marcela Cunha e Diogo Villarinho vencem em Porto Belo
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Foi dada a largada para a temporada 2017 de águas abertas da CBDA com a realização da primeira etapa do Campeonato Brasileiro e da Copa Brasil no litoral de Santa Catarina. Os participantes tiveram que contornar a nado a ilha de Porto Belo em uma meia maratona de 5 km de distância. Foi o pontapé inicial dos circuitos nacionais que ainda tem calendário indefinido e não tem estimativa de quantas etapas serão realizadas ao longo da temporada. Em Porto Belo a vitória na prova principal ficou com dois atletas da seleção brasileira.

A prova feminina foi bastante acirrada com sete segundos separando a primeira da quinta colocada. Após ter sido a melhor brasileira na maratona de Abu Dhabi válida pela Copa do Mundo da Fina, Ana Marcela Cunha triunfou em Porto Belo ao concluir a meia maratona em 1h00min53s. A atleta da Unisanta assumiu a liderança logo no início e depois apenas administrou a vantagem para começar o circuito 2017 com vitória. O pódio ainda teve duas atletas do Grêmio Náutico União: Betina Lorscheitter (1h00min55s) e Viviane Jungblut (1h00min57s). O destaque ficou por conta de Joanna Maranhão, que disputou sua primeira prova oficial de águas abertas e terminou na quarta colocação com 1h00min59s.

Ana Marcela foi campeã no feminino – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Entre os homens quem levou a melhor foi Diogo Villarinho. Após um 2016 complicado, foi diagnosticado com câncer na tireoide, se recuperou, mas não conseguiu uma vaga para os Jogos do Rio-2016, o nadador do Minas TC teve um forte sprint final depois cruzar a última boia e arrancou para a vitória em 57min29s. Diogo também nadou em Abu Dhabi e afirmou que a vitória em Porto Belo lhe dá confiança para o resto da temporada. O pódio ainda teve os nadadores Fernando Ponte e Victor Colonese, separados por apenas um segundo: 57min36s contra 57min37s.

Na Copa Brasil, que ao contrário do Campeonato Brasileiro é dividida por faixas etárias, a vitória no geral ficou com Luiz Lima. O veterano nadador dos Gladiadores, que se prepara para disputar os Jogos Mundiais Masters na Nova Zelândia, conclui a prova em 1h01min44s. Entre as mulheres a mais rápida nos 5 km foi Alessandra Pereira, atleta do São Bento que nadou em 1h09min04s. Para conferir os resultados do Campeonato clique aqui e para checar os da Copa Brasil veja aqui.

Diogo Villarinho começa 2017 com vitória – Foto: Satiro Sodré/SSPress

A próxima etapa do Campeonato Brasileiro e da Copa Brasil já foram definidas e serão Foz de Iguaçu, no Paraná, nos dias 11 a 13 de maio. Pelo campeonato a prova terá 10 km de distância e será a seletiva nacional para o Campeonato Mundial de Budapeste. Pelos critérios definidos pela CBDA serão convocados entre quatro e oito nadadores para integrar a equipe que nadará na Hungria no mês de julho.

Por Guilherme Freitas


CBDA cancela Assembleia Geral
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O próximo sábado, 18 de março de 2017, seria um dia importante para o futuro dos esportes aquáticos do Brasil. Nesta data estava previsto para acontecer no Rio de Janeiro a Assembleia Geral Ordinária da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos que entre outras coisas apresentaria relatórios, assuntos de orçamento e definiria finalmente o calendário nacional oficial. Porém, alegando seguir uma razão da decisão do Juiz Leonardo de Castro Gomes a entidade cancelou a Assembleia.

Desde o fim dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 a CBDA vive um inferno astral. Denúncias de corrupção na entidade, afastamento de dirigentes e fraudes em contratos de licitações foram alguns dos imbróglios que a instituição enfrentou após conquistar apenas uma medalha olímpica.

Logomarca da CBDA – Foto: Reprodução

Devido uma ação impetrada pelos atletas Joanna Maranhão, Camila Pedrosa e Rodrigo Modena contra a gestão de gestão de Coaracy Nunes alegando práticas antidemocráticas e ilegais para a nomeação de membros da Comissão de Atletas, a Justiça determinou que a eleição fosse suspensa até que este caso se resolvesse. Por ordem judicial a CBDA deve realizar uma eleição para a escolha dos representantes da Comissão Nacional de Atletas seguindo o que diz a Lei Pelé. Dessa forma a eleição que estava marcada para o próximo sábado segue suspensa.

Estão concorrendo ao pleito na CBDA Sérgio Silva (presidente da Federação de Desportos Aquáticos da Bahia) pela situação e Miguel Carlos Cagnoni (ex-presidente da Federação Aquática Paulista) pela oposição. Marcelo Amim (presidente da Federação Aquática de Santa Catarina) e Luiz Fernando Coelho (presidente da Federação Aquática de Pernambuco) serão os respectivos candidatos a vice-presidentes.

Sérgio Silva (a esq.) e Miguel Cagnoni (a dir.) são os candidatos – Foto: Reprodução

Antes da determinação da Justiça suspendendo a eleição, a chapa de oposição havia entrado com uma ação de impugnação da chapa rival alegando que seus adversários descumpriram obrigações legais e estatutárias de suas federações estaduais ao não prestar contas anuais de recursos públicos recebidos até o ano passado. Dias depois a situação conseguiu suspender a ação.

Até que a situação referente aos membros da Comissão Nacional de Atletas não seja resolvida a eleição para presidência da CBDA seguirá suspensa e indefinida. Da mesma forma que a Assembleia Geral, que ainda não tem data ou local para ser realizada. Enquanto isso os campeonatos nacionais seguem sem definição e toda a comunidade aquática aguarda para o fim desta situação que prejudica justamente os atletas da natação, águas abertas, pólo aquático, saltos ornamentais e nado sincronizado.

Por Guilherme Freitas


Viajando para não ficar parado
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A natação brasileira passa por um momento turbulento atualmente com indefinição política da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e menos dinheiro disponível em caixa para realização de campeonatos. Enquanto a CBDA não divulga seu calendário oficial de competições para a temporada 2017, os atletas de elite precisam se virar para competir e manter-se em atividade visando a temporada que terá um Campeonato Mundial pelo caminho em agosto.

O grupo de nadadores que vive e treina nos Estados Unidos já caiu na água para disputar medalhas este ano. Bruno Fratus, Marcelo Chierighini, Matheus Santana, João de Lucca e Felipe Lima estiveram em ação no Arena Pro Swim Series de Indianápolis no último fim de semana contra medalhistas olímpicos no Rio-2016 como Adam Peaty e Nathan Adrian. Em janeiro, Matheus já havia ido a Suíça nadar uma competição com a equipe do SwimMAC.

Joanna Maranhão nada em Madri nesta semana – Foto: Satiro Sodré/SSPress

No próximo fim de semana Joanna Maranhão disputará sua primeira competição em 2017. Estreando pela Unisanta, a nadadora participará do Open Absoluto de Madri onde nadará cinco provas. No final de março os brasileiros vão invadir o Paraguai para disputar o Campeonato nacional em Assunção. A equipe do Pinheiros já confirmou que levará alguns atletas, mas ainda não definiu um número exato.

Os nadadores de águas abertas também estão cruzando o mundo para competir. Cincos atletas da seleção viajaram para Abu Dhabi para nadar a segunda etapa da Copa do Mundo da Fina de 10 km: Poliana Okimoto, Ana Marcela Cunha, Allan do Carmo, Betina Lorscheitter e Diogo Villarinho. Enquanto o futuro da natação brasileira segue indefinido os nadadores sabem que não podem ficar parados e precisam competir. Nem que para isso tenham que sair do país.

Por Guilherme Freitas


Torneio Open e como não se montar uma seleção brasileira
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Chegou ao fim ontem o Torneio Open/Campeonato Brasileiro Sênior de natação, em Palhoça-SC, em piscina de 50 metros. O campeonato foi a primeira de duas seletivas para o Campeonato Mundial que ocorrerá no ano que vem, em Budapeste, na Hungria. A última seletiva será o Troféu Maria Lenk no ano que vem.

Em termos de resultados de nível internacional, foi a competição nacional absoluta mais fraca dos últimos anos. Com a ausência de Cesar Cielo, Thiago Pereira e Poliana Okimoto, não tivemos a presença de nenhum medalhista olímpico, algo que não ocorria em uma competição nacional absoluta desde o Troféu José Finkel de 2011. Ressaca olímpica mostrada até por nadadores que não disputaram a Olimpíada. O Minas Tênis Clube, por exemplo, deixou a critério de seus atletas disputarem ou não a competição. E apenas metade da seleção brasileira que disputará o Mundial de Curta no mês que vem, em Windsor, no Canadá, marcou presença em Palhoça.

Destaques

Alguns nadadores se superaram e mostraram marcas interessantes. 48s60 de Gabriel Silva Santos nos 100m livre é sua melhor marca pessoal. Mostrou muita evolução esse ano, foi convocado para o revezamento 4x100m livre olímpico e mostra que veio para ficar. Leonardo de Deus, com 1min56s21 nos 200m borboleta, fez marca até melhor que na Olimpíada. Etiene Medeiros, melhor nadadora do país no feminino e finalista olímpica dos 50m livre, venceu a prova com 24s98 e também fez boa marca ao vencer os 50m costas com 27s79, nono melhor tempo do mundo no ano.

Mas o maior destaque foi, sem dúvida, Brandonn Almeida. Após um desempenho ruim na Olimpíada do Rio, finalmente conseguiu colocar em prática tudo que treinou no último ano. Seu 4min12s49 nos 400m medley melhorou seu 4min14s e teria sido finalista olímpico. Com 3min49s46 nos 400m livre, superou o único recorde sul-americano da competição. Outras duas vitórias vieram, nos 200m costas e 200m medley, ambas com melhores marcas pessoais.

 

Brandonn Almeida - Foto: Satiro Sodré/SSPress.

Brandonn Almeida – Foto: Satiro Sodré/SSPress.

Quem também se recuperou foi Thiago Simon. Após um ano sem nadar bem, após a vitória no Pan de Toronto de 2015, teve bom desempenho no Troféu José Finkel, em setembro, e agora com 2min10s78 chegou perto de sua melhor marca nos 200m peito e, de acordo com a CBDA, fez a melhor marca técnica da competição.

O famigerado índice técnico

Melhor marca técnica? Como o tempo de Simon, que lhe daria a 13ª colocação olímpica, é uma melhor marca técnica que a do eventual finalista Brandonn Almeida? Para a CBDA, é isso que ocorre. E mais: para a CBDA, a marca de Brandonn é pior também que os 100m peito de Pedro Cardona, que com 1min00s46 nos 100m peito ficaria na 23ª posição no Rio de Janeiro.

E onde queremos chegar com isso? Simples. É esse o critério que a CBDA utilizará para convocar a seleção brasileira para o Mundial de Budapeste. Os oito atletas com melhores índices técnicos em provas olímpicas individuais (ou seja, excluem-se 50m borboleta, costas e peito, 800m livre feminino e 1500m livre masculino) do Open e do Troféu Maria Lenk do ano que vem serão convocados. O problema é que o tal índice técnico é baseado em uma tabela elaborada pela FINA, calculada por uma fórmula que avalia o seguinte: quanto mais próximo do recorde mundial ao final do ano anterior (no caso, 2015), melhor o índice. E, como recordes de diferentes provas não necessariamente apresentam o mesmo nível de dificuldade, tal critério tem diversos inconvenientes.

Por exemplo: imagine que uma nadadora, digamos Maria, complete os 800m livre feminino em 8min15s96, e um nadador, digamos José, termine os 200m peito masculino em 2min09s20. Pela tabela da FINA, a convocação da CBDA daria preferência a José, que teria 950 pontos, enquanto a Maria receberia 949. Se ele se colocasse na oitava posição ao fim das seletivas no ranking dos índices técnicos, ela estaria fora do Mundial.

Mas adivinhem: com 8min15s96, Maria teria conquistado a prata olímpica em 2016, e no mínimo o segundo lugar em qualquer competição internacional da história. Com 2min09s20, José não teria chegado à final olímpica no ano passado, e no máximo a um sexto lugar em mundiais e olimpíadas nos últimos cinco anos.

Parece óbvio que Maria teria que ser convocada em detrimento a José. Esse é só um exemplo das inúmeras inconsistências geradas pelo critério utilizado pela CBDA. Como o já citado Pedro Cardona à frente de Brandonn Almeida. A tabela de pontuação da FINA é cheia de falhas, e a CBDA, sem conseguir detectar isso em suas análises, pode cometer injustiças ao convocar a seleção.

No momento, os oito atletas com melhores índices técnicos, em provas olímpicas, e que formariam a seleção brasileira seriam:

1º Thiago Simon 200m peito 2min10s78 915 pontos (ficaria em 12º na Olimpíada)
2º Pedro Cardona 100m peito 1min00s46 904 pontos (ficaria em 23º na Olimpíada)
3º Brandonn Almeida 400m medley 4min12s49 901 pontos (ficaria em 7º na Olimpíada)
4º Gabriel Silva Santos 100m livre 48s60 899 pontos (ficaria em 17º na Olimpíada)
5º Felipe França 100m peito 1min00s65 896 pontos (ficaria em 24º na Olimpíada)
6º Leonardo de Deus 200m borboleta 1min56s21 884 pontos (ficaria em 11º na Olimpíada)
7º Guilherme Guido 100m costas 54s30 875 pontos (ficaria em 21º na Olimpíada)
8º Manuella Lyrio 200m livre 1min58s25 872 pontos (ficaria em 25º na Olimpíada)
(fonte: Best Swimming)

Thiago Simon - Foto: Satiro Sodré/SSPress.

Thiago Simon – Foto: Satiro Sodré/SSPress.

Um critério alternativo, baseado nas distribuições dos 100 melhores tempos da história de cada prova até o final de 2015, alteraria drasticamente a ordem, e refletiria melhor os eventuais desempenhos dos nadadores nos Jogos Olímpicos. Brandonn Almeida seria o primeiro disparado. Etiene Medeiros, que não entrou na lista acima, passa a figurar entre os melhores:

1º Brandonn Almeida (4min12s49 nos 400m medley, ficaria em 7º na Olimpíada)
2º Leonardo de Deus (1min56s21 nos 200m borboleta, ficaria em 11º na Olimpíada)
3º Etiene Medeiros (24s98 nos 50m livre, ficaria em 16º na Olimpíada)
4º Thiago Simon (2min10s78 nos 200m peito, ficaria em 12º na Olimpíada)
5º Pedro Cardona (1min00s46 nos 100m peito, ficaria em 23º na Olimpíada)
6º Gabriel Silva Santos (48s60 nos 100m livre, ficaria em 17º na Olimpíada)

Talvez o critério mude, pois a convocação de apenas oito atletas se dá pelas restrições financeiras. Seria a menor seleção brasileira de natação em um Campeonato Mundial desde 1991. 2017 é ano de eleição na CBDA e uma eventual nova diretoria pode alterar os critérios. O fato é que o que foi escolhido está longe de ser adequado.

Falha grave da CBDA, que ao que parece não se deu ao trabalho de analisar o critério escolhido e optou pelo mais fácil. E menos justo.

Por Daniel Takata


Open começa sendo seletiva para Mundial, mas sem índices
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Tem início amanhã, a partir das 9h, o último Campeonato Brasileiro absoluto da temporada: o Torneio Open, evento que desde 2005 encerra a temporada aquática do Brasil e desta vez será seletiva para dois Campeonatos Mundiais: o Absoluto e o Júnior, que acontecem ano que vem respectivamente em Budapeste e Indianápolis. Serão centenas de nadadores de 42 clubes em ação na piscina do Parque Aquático da Unisul, em Palhoça, mesmo palco da edição do ano passado.

O Torneio Open terá a presença de algumas estrelas da natação nacional e de jovens que buscam firmar-se neste próximo ciclo olímpico. Finalistas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e já convocados para o Mundial de piscina curta de Windsor, Etiene Medeiros e Felipe França estrarão em ação em Palhoça lutando por medalhas e vagas no Mundial de longa do ano que vem. Etiene nadará apenas provas de 50 metros: os 50m costas, borboleta e livre, já França encara seus tradicionais 50m, 100m e 200m peito. Bruno Fratus, João Luiz Júnior e Marcelo Chierighini, também finalistas no Rio de Janeiro, são outros destaques.

 

Vista da piscina da Unisul - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Vista da piscina da Unisul – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Entre os jovens que buscam se firmar nas próximas seleções destaque para a dupla gaúcha Viviane Jungblut e Fernando Scheffer que estão classificados para seu primeiro campeonato mundial de piscina curta. A competição também contará com outras promessas como Felipe de Souza, que disputará o NCAA ano que vem nos Estados Unidos, Rafaela Raurich, destaque no Troféu Chico Piscina e que busca vaga no Mundial Júnior e Ana Giulia Zortea, que também irá para a natação americana no futuro.

Esta edição porém, terá alguns desfalques a começar pelos dois últimos medalhistas olímpicos do Brasil. Cesar Cielo ainda esta inativo, mas já anunciou que deve retornar as competições no ano que vem. Thiago Pereira preferiu seguir com seus treinamentos nos Estados Unidos visando o Troféu Maria Lenk de 2017 e abriu mão do Open. Após um circuito recheado de medalhas na Copa do Mundo, Felipe Lima também não disputa o Open para se concentrar 100% no Mundial de curta onde pretende subir ao pódio nos 50m e 100m peito. Estratégia similar a de Nicholas Santos que quer voltar de Windsor com uma nova medalha nos 50m borboleta.

 

Felipe França: largada para a glória (foto: Satiro Sodré)

Felipe França disputará três provas em Palhoça – Foto: Satiro Sodré

Porém, uma decisão polêmica da CBDA pode acabar ofuscando os resultados na piscina. Um boletim divulgado ontem afirma que devido as dificuldades financeiras da entidade, apenas os oitos melhores índices técnicos em provas olímpicas serão convocados para os Mundiais absoluto e júnior independentemente de sexo ou categoria. Ou seja, existe a possibilidade da seleção absoluta ter apenas homens ou não conseguir formar um time de revezamento. De qualquer forma os atletas nadarão sem ter índices como parâmetros. Se quiserem estar nos Mundiais ano que vem devem nadar mais rápido que os adversários.

Por Guilherme Freitas


CBDA conhece seus candidatos a presidente
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Após um conturbado segundo semestre recheado com denúncias e liminares, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) já sabe quem serão os candidatos à sucessão do atual presidente Coaracy Nunes Filho que deixará o comando da entidade ano que vem após 29 anos no comando da entidade. Pela primeira vez desde a eleição de Coaracy, em 1988, teremos uma disputa entre duas chapas. Nas outras vezes ele sempre foi eleito por aclamação.

A grande surpresa é a chapa de situação. Há algum tempo Ricardo de Moura vinha sendo anunciado como candidato e se comportava como tal viajando pelo país para divulgar seus projetos. Porém, as denúncias de fraude e desvio de recursos acabaram afetando seu planejamento. Assim como Coaracy ele foi afastado de suas funções pelo Ministério Público Federal de São Paulo e só retornou ao posto na semana passada.

Com todo este desgaste Moura deixou o posto de candidato da situação que agora será ocupado pelo presidente da Federação Baiana de Desportos Aquáticos, Sérgio Silva. Incialmente ele seria o vice de Moura, mas com todo o desgaste foi alçado ao posto de candidato à presidência. O presidente da Federação Aquática de Santa Catarina, Marcelo Amim será o vice.

 

Sérgio Silva (a esq.) e Miguel Cagnoni (a dir.) são os candidatos - Foto: Reprodução

Sérgio Silva (a esq.) e Miguel Cagnoni (a dir.) são os candidatos – Foto: Reprodução

Já a oposição, que havia registrado sua candidatura na semana passada, terá como candidato Miguel Carlos Cagnoni. Presidente da Federação Aquática Paulista desde 1994, Cagnoni já havia lançado sua vontade de concorrer ao cargo há muito tempo e iniciado sua campanha que conta com o apoio de algumas federações e membros da comunidade aquática oposicionistas da atual direção da CBDA. No posto de vice-presidente teremos Luiz Fernando Coelho, presidente da Federação Aquática Pernambucana.

Agora com as chapas e candidatos definidos é necessário esperar a Assembleia da CBDA que definirá as atividades para 2017. De acordo com o estatuto, a eleição precisa acontecer até o primeiro trimestre do ano que vem.

Por Guilherme Freitas


Coaracy Nunes volta a presidência da CBDA
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Uma decisão da segunda instância da Justiça Federal de São Paulo recolocou hoje Coaracy Nunes Filho novamente à frente da presidência da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). O desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Nery da Costa Júnior expediu uma liminar suspendendo o afastamento de Coaracy e dos demais dirigentes afastados por suspeita de desvio de dinheiro público e fraude em licitação. Para o desembargador “não existe prova de que os atos tenham sido irregulares ou praticados com dolo”.

Coaracy Nunes e Ricardo de Moura estão de volta a CBDA - Foto: Satiro Sodre/SSPress.

Coaracy Nunes e Ricardo de Moura estão de volta a CBDA – Foto: Satiro Sodre/SSPress.

O Ministério Público Federal considerou a medida “atípica” devido a rapidez com que foi analisada e afirmou que vai recorrer da decisão. A CBDA realiza na tarde desta sexta-feira uma coletiva com o advogado da entidade, Marcelo Franklin, que comenta um pouco mais sobre este o processo. Ainda nesta semana o candidato de oposição a presidência da Confederação, Miguel Carlos Cagnoni, oficializou a sua chapa para a eleição que acontecerá no ano que vem.

Por Guilherme Freitas


CBDA anuncia paralisação das atividades aquáticas
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Através de comunicado divulgado hoje para a imprensa, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) anunciou que todas as atividades das cinco modalidades dos esportes aquáticos no país estão paradas por tempo indeterminado. A entidade alega que o motivo dessa paralisação se deve ao pedido do Ministério Público Federal, que foi acatado pela Justiça Federal em São Paulo, pelo afastamento do presidente Coaracy Nunes Filho e outros três dirigentes da CBDA. Dessa forma as competições estão suspensas, assim como possíveis renovações de contratos de patrocínio.

O próximo campeonato de natação a ser organizado pela CBDA é o Torneio Open e Troféu Daltely Guimarães (Campeonato Brasileiro Sênior) que são disputados de forma simultânea. Os eventos estão marcados para os dias 20 a 23 de novembro em Palhoça (SC). Confira abaixo na integra a nota da entidade:

 

Logomarca da CBDA - Foto: Reprodução

Logomarca da CBDA – Foto: Reprodução

 

Alerta à comunidade dos Esportes Aquáticos do Brasil

Acima de tudo, a verdade. Antes de tudo, o esporte.

Sob a acusação de irregularidades em um convênio firmado entre a CBDA e o Ministério dos Esportes, em 2014, o Ministério Público de São Paulo pediu o afastamento do presidente da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos, além de três outros dirigentes. O pedido foi acatado pela Justiça Federal em São Paulo. Nada ainda foi apurado e em nenhum momento foi permitido que a CBDA prestasse esclarecimentos. O inquérito foi todo conduzido à revelia da CBDA. Com esta medida os cincos esportes aquáticos envolvidos pararam. E tudo isso, justo no momento em que eram estudadas as possíveis renovações de contratos de patrocínio.

Sob ordem judicial, estão com dificuldades de movimentação as contas bancárias, cessados os pagamentos, suspensos os eventos. Até segunda ordem, por questões financeiras, não irão acontecer os Campeonatos Nacionais dirigidos pela CBDA nos cinco esportes aquáticos. Não irão receber seus salários os funcionários.

Se existe algum tipo de irregularidade, é muito importante que tudo seja esclarecido e seja dado amplo direito de defesa. Se não existir nenhum dolo, que as coisas continuem, após a devida retratação dos que acusaram sem razão. Diante do esporte, isso é secundário. Mas, pelo bem do Brasil e de quem se dedica às modalidades, que se dê continuidade aos processos e rotina de uma das mais vitoriosas confederações brasileiras.

Não é justo que cinco esportes olímpicos sejam punidos por qualquer que seja a questão – política, burocrática ou judicial. É incalculável a perda e o retrocesso que isso representa, pois não é saudável que atletas, técnicos, organizadores e promotores sejam impedidos de exercer suas atividades por uma acusação que pode não ser verdadeira.

Espera-se que a justiça, sempre atenta, mas nem sempre tão rápida, consiga entender a gravidade do momento e que, sensibilizada pela questão, decida o quanto antes como dar sequencia aos campeonatos de esportes aquáticos de agora em diante. Porque o esporte precisa. E ele tem que continuar.

Por Guilherme Freitas