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Arquivo : Igor de Souza

Heróis do Canal da Mancha participam de bate-bapo em São Paulo
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Amanhã acontece no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, um encontro com grandes nomes das águas abertas do Brasil. Oito dos 33 brasileiros que já conseguiram atravessar a nado o Canal da Mancha segundo a Organização do Canal da Mancha estarão presentes a partir das 18h30 para um bate-papo aberto ao público. Organizada pela Associação 14 Bis, entidade criada recentemente e responsável pela organização da tradicional Maratona Aquática 14 Bis, o evento pretende enaltecer os feitos desses atletas, além de ajudar na divulgação e popularização da modalidade.

Considerada como uma das provas em águas abertas mais difíceis e desafiantes do mundo devido as águas frias que separam a Inglaterra da França e pela força da correnteza que pode fazer a empreitada durar muito mais do que o planejado, a travessia do Canal da Mancha é uma das mais nobres (senão a mais) do planeta, além da enorme concorrência para realizar a prova. No evento os atletas contarão um pouco de suas experiências pessoais. Revelações, curiosidades e técnicas para cumprir o desafio serão compartilhados entre os presentes, uma forma aprender um pouco mais e uma forma de incentivo para quem sonha em um dia atravessar o estreito de 33 km de percurso.

O recordista sul-americano Adherbal de Oliveira – Foto: Desafio 7 Mares/Facebook

Neste bate-bapo estarão presentes oito nadadores: Ana Mesquita, a quinta brasileira a completar o feito e autora do livro A Travessura do Canal da Mancha, Igor de Souza, o único brasileiro a fazer o percurso em ida e volta em 1997, Percival Milani, 9º brasileiro a completar a prova e autor do livro A Travessia do Canal da Mancha, Marta Izo, que concluiu a travessia na modalidade solo em 2006 e em revezamento ida e volta em 2011, Harry Finger, 18º brasileiro a completar a prova, Samir Barel, conquistador da Tríplice Coroa das Águas Abertas, Adherbal de Oliveira, atual recordista sul-americano da travessia e Marcelo Teixeira, último brasileiro a completar o Canal em 2016.

O Sesc Bom Retiro fica localizado na Alameda Nothmann, nº 185, no Bairro do Bom Retiro e próximo a estação da Luz do metrô. O bate-papo acontecerá no Teatro da unidade das 18h30 as 20h.

Por Guilherme Freitas

Ricardo Ratto entra para o Hall da Fama das águas abertas
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No próximo sábado, dia 22 de abril, acontece em Londres a premiação da classe 2017 dos homenageados pelo Hall da Fama do International Marathon Swimming Hall of Fame (IMSHOF). Esta honraria é diferente do tradicional prêmio oferecido pela International Swimming Hall of Fame (ISHOF) e desde 1965 congratula nomes importantes de todas as modalidades aquáticas. Com sede nos Estados Unidos, a edição 2017 do ISHOF acontecerá em agosto. Nesta premiação das águas abertas serão ao todo dez personalidades da modalidade indicadas pela instituição, entre eles um brasileiro: Ricardo Ratto.

Ratto tem uma sólida carreira nas águas abertas. Técnico de natação desde a década de 1990 ele atuou como dirigente da CBDA entre 1995 e 2006, período quando a modalidade começou a se transformar em esporte olímpico e ganhar novos adeptos. Em 1999 tornou-se árbitro internacional da Fina e participou nesta função dos Jogos Olímpicos de Londres-2012 e de outros sete campeonatos mundiais da entidade. Uma das principais referências das águas abertas da América do Sul, Ratto é atualmente coordenador técnico de natação e águas abertas do clube Vasco da Gama.

Abilio Couto, Águas abertas, Hall da Fama, Igor de Souza, IMSHOF, Ricardo Ratto

Quem também será homenageado este ano pelo Hall da Fama será o nadador e contribuidor americano de águas abertas Steve Munatones que será aclamado como vencedor do Prêmio Poseidon. Criador do site Open Water Swimming e grande referência internacional da modalidade, Munatones sofreu um ataque cardíaco em 2016 que quase o matou. Recuperado e de volta a ativa e agora recebe mais uma justa homenagem pelos serviços em prol da natação em águas abertas. Entre outros homenageados destaque para a Organização da travessia do Canal de Gilbratar e o nadador irlandês Stephen Redmond que completou com sucesso todas as travessias do Sete Mares. Para ver a lista completa de todos os premiados clique aqui.

Além de Ricardo Ratto, o Brasil tem outros dois membros no Hall da Fama das águas abertas. Em 2001 Abílio Couto entrou para o seleto grupo de homenageados de forma póstuma já que havia falecido três anos antes. Ele foi o primeiro brasileiro a concluir a travessia do Canal da Mancha em 1958 e realizou ao longo da carreira diversas outras provas pelo mundo. Em 2004 foi a vez de Igor de Souza, primeiro brasileiro a concluir a travessia do Canal da Mancha em ida e volta e tricampeão da Travessia de Manhattan, ser homenageado pelo Hall da Fama.

Por Guilherme Freitas


Entrevista com Igor de Souza
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Igor de Souza é uma referência e um dos maiores nadadores do Brasil nas águas abertas. Tricampeão da tradicional Volta de Manhattan e com outras dezenas de famosas travessias concluídas no currículo, ele tem como maior feito em sua carreira atravessar o Canal da Mancha três vezes. A primeira foi em 1996 quando partiu da Inglaterra e chegou a costa francesa em 11h06min. No ano seguinte ele voltou para as águas gélidas do Canal e tornou-se o primeiro brasileiro a completar o percurso em ida e volta. Um pioneiro que hoje auxilia nadadores a atravessar o Canal e tem em sua agenda compromissos marcados até 2019!

Atualmente diretor do Circuito Maratona Aquática, o mais antigo evento por etapas de águas abertas do país e que tem inscrições para a etapa do Guarujá abertas na SWIM CHANNEL, e gerente de marketing esportivo da Speedo Brasil, Igor contou nesta entrevista um pouco mais sobre sua carreira, os métodos de treinamento para cruzar o Canal da Mancha e outros momentos marcantes de suas braçadas pelo mundo. Leia abaixo.

O nadador Igor de Souza – Foto: Tuca Vieira

SWIM CHANNEL: Conte um pouco sobre sua carreira de nadador. Que clubes você representou quando nadava?

Igor de Souza: Meu primeiro clube foi o Clube Atlético Aramaçan em Santo André. De lá fui para o SERC Santa Maria de São Caetano do Sul e depois para a equipe da Pirelli de Santo André. Também treinei um período na Hebraica e depois no Paineiras do Morumby. Outro local por onde passei foi o IARA Clube de São Bernardo Campo, além de treinar em vários locais fora do país, como EUA, Austrália e Itália.

SC: Qual foi a sua primeira experiência nas águas abertas e porque decidiu nadar apenas essas provas mais longas?

Igor: Minha estreia em provas de águas abertas foi em 1974 aos 11 anos, na Represa Billings. A prova se chamava Travessia São Paulo à Nado e era um dos maiores eventos esportivos de São Paulo, patrocinado pelo Jornal A Gazeta que também organizava a São Silvestre e a Corrida de Ciclismo 9 de Julho. Era uma prova internacional, que tinha como convidados os atuais campeões mundiais dos 1500m livre masculino e 800m livre feminino. A distância era de 1,5 km. A decisão de nadar maratonas aquáticas veio evoluindo, sempre estive entre os melhores nadadores de 1500m livre do país, mas a nível internacional era mero coadjuvante. Nas provas de águas abertas que eram realizadas no Brasil vencia a maioria com certa facilidade. Fui convidado pelo então Diretor de Águas Abertas da CBDA, Sr. Abílio Couto, a participar do Campeonato Mundial da Modalidade que ocorreu na Itália, terminei na quarta colocação. Sempre treinei muito e vi nas maratonas aquáticas um esporte em que eu poderia ir melhor, além de sempre ter gostado de nadar no mar.

Igor atravessou três vezes o Canal da Mancha – Foto: Reprodução/Speedo

SC: Sobre o Canal da Mancha como surgiu a ideia faze-lo ida e volta? Como foi essa preparação para encarar o desafio?

Igor: Quando cruzei o Canal da Mancha pela primeira vez fui com a intenção de estabelecer um novo recorde para a prova, apesar de ter sido o mais rápido do ano, meu tempo foi muito acima do imaginado e descobri que cruzar o canal da mancha é a grande conquista, pois fazer um bom tempo na prova não depende apenas de sua condição física, depende das condições climáticas e de muita sorte. Depois do Canal, fui disputar as outras etapas do circuito mundial e conversando com vários atletas que já haviam cruzado o canal aprendi que buscar um bom tempo de cruze no canal exige fatores que não posso controlar, mas fazer a prova ida e volta, são 90% de condicionamento físico e apenas 10% das condições climáticas. Eu queria me provar, eu precisava saber do meu limite. A preparação basicamente foi a mesma que tive para me preparar para nadar o circuito mundial, inclusive, nadei as etapas do circuito antes do canal, pois dependia de bons resultados no circuito para poder fazer caixa e pagar as despesas da prova do canal. A única diferença dos outros anos de preparação foi minha preocupação de não aguentar o frio ou de “apagar” durante a prova. Para isto fiz alguns trabalhos diferenciados físicos e mentais. Para me manter focado o tempo todo, me aprofundei no taoísmo, uma filosofia chinesa que ajuda na concentração. Trabalhei minha mente para fixar que a prova era ida e volta e não que seriam duas provas, a de ida e depois a de volta, em tudo o que fazia no treino e fora dele tinha na minha cabeça que era ida e volta, por exemplo, iniciava os treinos com 800m, dividia mentalmente em 400m de ida e 400m de volta e assim por diante. Para não “apagar” na prova, pois poderia nadar até pouco mais de 24h, fiz três treinos de 24 horas nadando, no melhor deles nadei 112,8 km, melhor marca do mundo na época. Também nadei algumas vezes sozinho na represa Billings, inciando os treinos por volta das 21h e terminando somente ao amanhecer. Com todo este trabalho me senti muito bem durante toda a prova e muitos me perguntam se foi a prova mais difícil que nadei e digo que não foi, nadei provas menores em que terminei muito mais desgastado. Acho que a razão foi o medo, não tinha medo do canal, não tinha medo de morrer, mas tinha muito receio de não conseguir e por esta razão treinei excessivamente e respeitei muito o canal durante toda a prova.

Igor com Gustavo Borges em evento da Speedo – Foto: Igor Andrade

SC: Outra prova que você ganhou é a Volta de Manhattan. Na sua opinião qual dessas conquistas foi mais especial?

Igor: A prova de Manhattan é uma conquista diferente do Canal da Mancha. No canal sua disputa principal é com você mesmo. Já em Manhattan era como as demais provas do circuito mundial, era uma competição. Manhattan era uma prova de grande domínio de americanos e australianos. Vencê-la te ajuda a inflar o ego, a mostrar que esta tão bem preparado como os melhores do mundo, já o canal te eleva o espírito, te alimenta a autoconfiança e te dá a sensação de gratidão pelo anos de trabalho.

SC: Além das funções de diretor e coordenador técnico você também acompanha nadadores que pretendem travessar o Canal da Mancha. Como está trabalho atualmente? Há atletas visando concluir a prova este ainda ano?

Igor: Há 16 anos levo atletas para o Canal da Mancha, já acompanhei 92 nadadores. E a cada ano vem aumentando a procura por este desafio, já tenho reservas para atletas até 2019. O clima mundial ajudou a tornar o canal um pouco mais acessível. Em 1996 quando cruzei pela primeira vez a temperatura oscilava em torno dos 11ºC, atualmente a média do canal fica em 13,8ºC, são quase 3 graus a mais, mas igualmente muito perigoso, as metodologias de treinamento, suplementação e auxílio médico também evoluíram muito, mas mesmo com tudo isto a média hoje de sucessos no canal não chega a 20%.

SC: O que esta achando do Circuito Maratona Aquática deste ano até o momento? E quais são as expectativas para as próximas etapas?

Igor: Estou surpreso com o volume de atletas praticantes, com a crise que assola o país, imaginava que teríamos uma queda nos participantes e para nossa surpresa vem se mantendo o volume de inscrições. Além da crise econômica, este é um ano complicado para realização de eventos, pois ocorreu as eleições municipais e com ela muda-se todas a máquina administrativa. Então é como começar do zero, mas mesmo assim estamos tendo um numero maior de cidades interessadas do que o número de etapas disponíveis.

Por Guilherme Freitas


Swim Channel TV: Circuito Maratona Aquática
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Listamos aqui neste vídeo especial um pouco das principais características e curiosidades de um dos maiores e mais antigos campeonatos de águas abertas da América Latina: o Circuito Maratona Aquática, organizado pela Associação Aquática e que reúne mais de 2 mil atletas por etapa nas águas do estado de São Paulo. Lembrando que as inscrições para a quinta etapa que acontece dia 6 de maio no Guarujá, estão abertas e podem ser feitas neste link. Assista ao vídeo abaixo e confira a lista completa! E não se esqueça de curtir o vídeo e assinar o nosso canal no Youtube!

Roteiro: Patrick Winkler e Guilherme Freitas

Produção, Edição e Finalização: Thiago Tognozzi e Klaus Bernhoeft


Vem ai a 5ª etapa do Circuito Maratona Aquática
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No dia 6 de maio a Praia do Guaiúba, no Guarujá, estará tomada por milhares de nadadores que irão disputar a 5ª etapa do Circuito Maratona Aquática. Considerado como campeonato de águas abertas mais tradicional do país e disputado há mais de 20 anos, este circuito reúne uma média de 2 a 3 mil atletas de diferentes categorias técnicas e faixas etárias. Com dez etapas e mais uma especial, o evento garante estabilidade ao nadador que pode manter-se em atividade durante toda a temporada e traçar um planejamento a longo prazo no começo do ano. Números que o fazem ser um dos maiores eventos de toda a América Latina.

Essa credibilidade foi construída através dos anos e da confiança entre os organizadores, clubes e atletas. Diversas agremiações, entre clubes, academias, universidades, grupos de nadadores master, consultorias e associações nadam o circuito em condições de igualdade. Isso faz com que a competição seja bastante competitiva e com bom nível técnico. Na etapa do Guarujá haverá três distâncias em disputa: a curta com 1 km, a média com 2 km e a longa que terá 4 km de percurso.

Nadadora preparadas para largada - Foto: Marcelo Sousa

Nadadora preparadas para largada – Foto: Marcelo Sousa

Até o momento já tivemos quatro etapas realizadas: em Caraguatatuba, no Wet’n Wild, em Ilhabela e em São Sebastião. Outras cidades do litoral e do interior paulista serão sedes de outras etapas desta temporada. O evento vem cumprindo com a expectativa inicial de um aumento de participantes e até o momento mais de 500 equipes já se inscreveram para disputar o circuito.

Além das tradicionais etapas acontecerá no dia 6 de agosto, a chamada Etapa Tríade que trata-se de um desafio especial ao longo do fim de semana com três provas em dois dias. No sábado de manhã acontece uma prova de 5 km. No sábado à tarde tem outra travessia de 2 km e no domingo de manhã a prova final de 3 km. Ao todo são 10 km nadados durante o fim de semana e a soma de pontos nas três provas determina o vencedor.

O circuito Maratona Aquática tem a direção técnica de Igor de Souza, também diretor técnico da CBDA e veterano nadador de águas abertas com diversas provas concluídas como o Canal da Mancha e a Travessia de Manhattan. A partir desta etapa do Guarujá as inscrições para o evento podem ser feitas através da página da SWIM CHANNEL. Para se inscrever nas travessias de 1 km, 2 km ou 4 km clique aqui.

Por Guilherme Freitas


Vai começar o Circuito Maratona Aquática
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O mais antigo e tradicional circuito de águas abertas do Brasil terá sua largada para 2017 neste fim de semana. A cidade de Caraguatatuba, no litoral norte paulista, será o palco de abertura do Circuito Maratona Aquática com três provas: a curta de 1 km, a média com 2 km e a longa que terá 4 km de percurso. Disputado anualmente no estado de São Paulo ao longo de dez etapas, o evento costuma reunir em média de 2 a 3 mil de nadadores por etapa ao longo da temporada que faz dele um dos maiores campeonatos de águas abertas da América Latina.

Altamente competitivo, o circuito reúne nadadores de diferentes níveis técnicos e de diversas agremiações, entre clubes, academias, universidades, grupos de nadadores master, consultorias e associações. Este ano o circuito passará por cidades do litoral como Caraguatatuba, Ilhabela, Ubatuba, Guarujá e São Sebastião e do interior como Rifaina, Araraquara e Vinhedo, palco da etapa mais popular do calendário que acontece no lago ao lado do parque aquático Wet’n Wild e que será a segunda etapa da temporada. Uma etapa na Raia da USP, em São Paulo, ainda depende de confirmação e pode acontecer no segundo semestre.

A expectativa para a temporada 2017 segundo a organização do evento é alta e espera-se ver mais atletas caindo na água. “Apesar da crise econômica que vem assolando o país, nossa perspectiva é de um aumento entre 8 e 10% no número de participantes para esta temporada, já que tivemos um aumento na procura de interessados”, afirma Igor de Souza, Diretor Geral do Circuito Maratona Aquática. Até o momento mais de 500 equipes já se inscreveram para disputar o circuito.

Vista aérea da Praia Martin de Sá - Foto: Reprodução/Litoral Virtual/Zé Mario

Vista aérea da Praia Martin de Sá – Foto: Reprodução/Litoral Virtual/Zé Mario

Além das tradicionais dez etapas acontecerá no dia 6 de agosto, no meio da temporada, a chamada Etapa Tríade. “Trata-se de um desafio especial ao longo do fim de semana, sendo três provas em dois dias. Na sábado de manhã acontece uma prova de 5 km, sábado à tarde mais uma travessia de 2 km e no domingo de manhã a prova final de 3 km. Ao todo são 10 km nadados durante o fim de semana e a soma de pontos nestas três provas determina o vencedor”, conta Igor.

As inscrições para a etapa inaugural na Praia Martin de Sá, em Caraguatatuba, poderão ser feitas até o dia das travessias e ao longo do ano serão divulgadas maiores informações das próximas etapas. Para maiores informações sobre o evento e o circuito acesse o site oficial do circuito clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Dupla conquista para o Brasil no Canal da Mancha
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No último final de semana tivemos uma triste notícia. O triatleta britânico Nick Thomas acabou falecendo enquanto tentava atravessar a nado o Canal da Mancha. Atleta experiente e com participações em Ironmans, ele teve um mal súbito durante o percurso e não resistiu. Uma tragédia que com certeza choca o mundo do esporte, porém, a semana do Canal não foi apenas de tristeza. Dois brasileiros estiveram no estreito que separa a França da Inglaterra e concluíram com êxito a famosa travessia.

Felipe Putz e Marcelo Teixeira conseguiram completar a mítica travessia e se juntaram a uma seleta lista de nadadores que já conseguiram desbravar os cerca de 33 km da travessia. Felipe nadou primeiro, no dia 24 de agosto. Saindo de Dover na costa inglesa, ele concluiu o percurso em 13h52min. “Nado provas de águas abertas há quase dez anos. Já participei quatro vezes da Travessia 14 bis e em 2010 fiz o percurso em ida e volta totalizando 48km em 16h17min. Isso ajudou na preparação para o Canal da Mancha. Estava há um ano treinando para esta prova, onde cheguei a nadar mais de 2100 km”, conta o nadador que é treinado por Felipe Domingues e Anderson Silva.

Felipe ainda revelou a SWIM CHANNEL que pretende voltar ao Canal para fazer a travessia de ida e volta ano que vem “Estou treinando para isso e também agora estou atrás de um patrocinador para viabilizar a travessia do ano que vem já que os custos são bem elevados”, finaliza.

Marcelo posa com Igor de Souza e a esposa Iara - Foto: Arquivo pessoal

Marcelo posa com Igor de Souza e a esposa Iara – Foto: Arquivo pessoal

Dois dias depois, em 26 de agosto, foi a vez de Marcelo encarar as águas do Canal. Ele também largou da Inglaterra e chegou a costa francesa após 14h35min de travessia. Além da temperatura da água e do longo trajeto, Marcelo teve outro desafio durante a prova: águas vivas. “Contei mais de 300 águas vivas durante a travessia e por muita sorte não foi queimado, porém, fiquei com muita dor no pescoço de tanto olhar para frente buscando desviar delas”, revela o nadador que também sofreu com a forte correnteza do local.

“Peguei uma correnteza fortíssima que corre paralelo a França e depois de já ter nadado umas 12 horas, fiquei parado nela tentando rompe-la. Foi ai que meu técnico me alertou para nadar mais rápido pois a corrente estava mudado e me levando para alto mar. Nadei pela minha vida e consegui entrar numa área bem mais calma”. O nadador contou que esta foi sua segunda tentativa de cruzar o Canal. “Em setembro de 2014 tentei fazer a prova pela primeira vez, mas após 7h30 de prova passei mal e vomitei muito. Infelizmente tive que abandonar a prova”, comenta.

Vídeo com momentos da travessia de Felipe – Crédito: Sea Leopard Charter

Ambos contaram com o auxílio de Igor de Souza, um dos maiores especialistas no mundo quando se fala em Canal da Mancha. “Ele é uma referência mundial para quem pensa em fazer a travessia. Entende muito e sinceramente fica muito difícil atravessar sem ele, que compreende como poucos detalhes importantes como correnteza, tempo e suplementação, além de ser um grande amigo”, conta Felipe. “Ele é uma pessoa que eu aprendi a gostar e admirar demais, sendo fundamental para o sucesso da prova junto com a Iara Rosane, minha esposa”, completa Marcelo que é treinado por Igor.

Com o desafio já concluído a dupla espera apenas pela ratificação dos resultados que deverá ser feita nos próximos dias. Felipe e Marcelo tornaram-se respectivamente os 32º e 33º brasileiros a cruzarem as águas do Canal da Mancha, se juntando a ícones das águas abertas do Brasil como Abílio Couto, Igor de Souza e Dailza Ribeiro. Um feito que com certeza engrandece a natação do país em águas abertas, será eternamente inesquecível para a dupla de nadadores e motivará outros atletas a concluírem esse grande desafio!

Por Guilherme Freitas


Samir Barel disputa a tradicional maratona aquática de Nova York
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Dentre todas as provas de águas abertas do mundo, existem algumas que chamam a atenção pelo desafio, dificuldade ou charme. Uma delas traz todas estas características de uma só vez: a Maratona Aquática de Nova York.

Essa é uma prova de 28,5 milhas (cerca de 46km) ao redor da Ilha de Manhattan. A distância é o primeiro desafio para os atletas, que iniciam o percurso no Battery Park, perto do distrito financeiro da ilha, vão em direção ao East River, entrando pelo estreito canal que leva até o Rio Hudson, onde descem a favor da corrente até a chegada de volta ao Battery Park. As dificuldades da prova estão nas correntes que variam conforme a maré que vem do oceano e a temperatura da água, que varia em torno de 16 a 20 graus. O charme fica por conta da visão não tradicional dos vários pontos turísticos de Nova York, vistos pelo ponto de vista da água. Dali, prédios como a ONU, Empire State Building, Rockefeller Center e atrações como o Porta Aviões Intrepid são vistos pelo nadador como referências do seu percurso e fonte de inspiração para as milhares de braçadas ao redor da ilha!

O nadador Samir Barel - Foto: Divulgação

O nadador Samir Barel – Foto: Divulgação

A prova já foi realizada por três brasileiros: Igor de Souza, que inclusive já a venceu por duas vezes, Dailza Damas e eu mesma, Giuliana Braga, que no ano passado fiz o percurso em 7 horas e 58 minutos e consegui a 11ª colocação de um total de 42 atletas. Para qualquer pessoa que decida encarar o desafio, a preparação é longa e exaustiva, mas é importante ressaltar que é necessária a aprovação do atleta, que deve comprovar sua capacidade de concluir a distância e aguentar a água gelada.

Meu mentor para a prova foi o próprio Igor de Souza, que hoje é o mais experiente técnico para esse tipo de desafio, tendo sido um dos maiores nomes da natação de águas abertas do Brasil e integrante do Hall da Fama da Natação de Águas Abertas. Ele também treina Samir Barel, que neste ano chega para a disputa da prova com grandes chances de uma ótima colocação, já que tem sido presença constante em etapas do Mundial de Águas Abertas, onde adquire experiência para os grandes desafios.

Vista da ilha de Manhattan - Foto: Cameron Davidson/Corbis

Vista da ilha de Manhattan – Foto: Cameron Davidson/Corbis

Entre os 18 atletas aprovados para a prova de 2014, Samir chegou a Nova York na última terça-feira e vem se habituando à temperatura da água. Neste ano os concorrentes serão divididos em três “ondas” de ritmo em datas distintas, divisão possivelmente realizada após as dificuldades de corrente do ano passado, quando o atraso na largada prejudicou dezenas de atletas que foram surpreendidos por uma forte corrente contra na entrada do East River. Samir faz parte dos mais rápidos, que cairão na água neste sábado, 14 de junho.

Samir busca uma das três provas da chamada Tríplice Coroa, que compreende a conquista de Nova York, Canal da Mancha e Canal de Catalina e foi realizada apenas por 83 pessoas no mundo todo. O Canal da Mancha também já está no calendário do atleta para 2015. E para quem pensa que ele para na Tríplice Coroa, esse é apenas o início do grande projeto de conquistar os maiores desafios de águas abertas do planeta, projeto esse que tem o apoio da Lei de Incentivo ao Esporte do Brasil.

Giuliana Braga durante a disputa da Maratona de Nova York - Foto: arquivo pessoal

Giuliana Braga durante a disputa da Maratona de Nova York – Foto: arquivo pessoal

Então neste sábado, já que não teremos jogo do Brasil na Copa, vale o apoio aos esportes aquáticos e a forte torcida por esse brasileiro que poderá entrar para a história da prova e de nosso país, como um dos poucos a conquistar Nova York a nado!

Por Giuliana Braga


Travessia do Canal da Mancha em ida e volta: o sonho de Tiago Sato
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Atravessar o Canal da Mancha é um dos feitos que todo atleta de águas abertas sonha em realizar. Poucos conseguem. Agora o que dizer de quem faz a travessia de ida e volta do Canal da Mancha? Apenas 19 nadadores ao longo da história conseguiram concluir essa travessia dupla. Um deles foi o brasileiro Igor de Souza, em 1997. Mas existe outro candidato brasileiro disposto a repetir o feito de Igor em um futuro próximo. Seu nome: Tiago Sato.

O nadador Tiago Sato - Foto: Henry Macário

O nadador Tiago Sato  pouco antes de cair na água do Canal – Foto: Henry Macário

Experiente nadador de águas abertas, Sato já fez a travessia do Canal da Mancha em 2010. Hoje aos 32 anos de idade disse a SWIM CHANNEL que planejava fazer o trajeto de ida e volta antes mesmo de fazer a primeira travessia. E agora ele tem a ajuda de um expert em seus treinamentos: o próprio Igor de Souza. “Achei essencial contratá-lo para me acompanhar. O projeto é caro e não queria me decepcionar, muito menos decepcionar as pessoas que compraram minha ideia e colocaram sua fé na realização da aventura. E o Igor foi a pessoa que encontrei mais bem preparada para me acompanhar, afirma Sato que esta treinando duro para conseguir realizar este sonho. Como a procura para atravessar a nado o Canal da Mancha é alta, ele prevê que conseguirá realizar o feito somente em 2016, justamente no ano olímpico.

O nadador, porém já sabe dos obstáculos que terá pela frente devido a travessia que realizou há quatro anos. “A ida já dura. O é tempo ruim durante boa parte da prova e o frio não passa de jeito nenhum. Superar isso fazendo a ida e a volta ia ser sensacional. E ainda por cima, tive vários contratempos da vez anterior. Devido as péssimas condições climáticas tive que remarcar a data, ficar algumas semanas a mais na Europa e por muito pouco não pude nadar. Por isso entrei muito tranquilo para concluir a travessia do Canal da Mancha”, lembra o atleta que fez sua travessia tendo o auxílio e apoio da equipe de Marcelo Collet, outro brasileiro que atravessou o Canal um dia antes de Sato.

Sato durante sua travessia no Canal da Mancha em 2010 - Foto: Henry Macário

Sato durante sua travessia no Canal da Mancha em 2010 – Foto: Henry Macário

Para ganhar mais experiência em longas provas de águas abertas, Sato nadou entre 2012 e 2013 algumas etapas do Grand Prix da Fina, circuito de grandes distâncias organizado pela Federação Internacional de Natação. Na temporada passada foi o melhor brasileiro do circuito. “Meu objetivo ao disputar o Grand Prix era ganhar mais confiança e experiência nadando ao lado dos melhores nadadores desse tipo de prova. É uma estratégia para conseguir fazer a travessia ida e volta no Canal da Mancha”.

Além de fazer a travessia ida e volta no Canal da Mancha, Sato também divide suas atenções com o projeto social Jacanoá (http://www.jacanoa.com.br/wp/), que visa atender a comunidade que vive próximo ao lago Paranoá, em Brasília, através de aulas de natação, buscando melhorar a qualidade de vida, desenvolver a consciência ecológica, prevenir acidentes por afogamento e promover a integração e inclusão social.

Por Guilherme Freitas


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