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Caeleb Dressel: o maior velocista da história em piscina de jardas
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Terminou no último sábado a Divisão 1 masculina do NCAA, o campeonato americano universitário, que consagrou pelo terceiro ano consecutivo a Universidade do Texas. Novamente a equipe comandada pelo técnico Eddie Reese foi campeã superando a Universidade da Califórnia. Porém, o tricampeonato dos texanos foi ofuscado por uma atuação impressionante de Caeleb Dressel. O nadador da Universidade da Flórida ganhou o prêmio de melhor atleta da competição após esmagar recordes e firmar-se como o melhor velocista de todos os tempos em piscina de jardas.

O show de Dressel nas finais começou no segundo dia de competições nos 50 livre onde nadou para 18s23 duas vezes. Primeiro na abertura do revezamento 4×50 livre da Flórida e em seguida na prova individual. O tempo é apenas três centésimos mais lento do que a melhor marca da história na prova, que coincidentemente também é dele tendo sido estabelecida no NCAA do ano passado. Agora Dressel detém dez das dez melhores marcas de todos os tempos. Um feito incrível.

Caeleb Dressel: o nome do NCAA – Foto: Peter H. Bick

No dia seguinte o nadador teve pela frente seu mais duro obstáculo: superar o campeão olímpico nos 100 borboleta. Tido como favorito antes do início do NCAA, Joseph Schooling não conseguiu frear o ímpeto de Dressel que com 43s58 venceu não só a final como também estabeleceu a melhor marca da história na prova. Mas a performance apoteótica estava por vir nos 100 livre. O velocista era de longe o favorito a vitória, porém, pouca gente imaginava que ele não só superaria o recorde do evento como estraçalharia a marca ao concluir a final dos 100 livre com 40s00 (veja a performance abaixo).

O tempo de Dressel é tão forte que foi quase meio segundo mais veloz do que a marca que lhe deu o título no NCAA do ano passado quando ele nadou para 40s46. O grande destaque foram suas fortíssimas parciais de 19s01 na ida e 20s99 na volta que renderam um elogio de Nathan Adrian que chamou de incrível a atuação do companheiro de seleção americana e afirmou que ele esta rompendo limites antes tidos como inimagináveis. A superioridade foi tamanha que o vice-campeão Michael Chadwick chegou quase um segundo atrás de Dressel (40s95).

A natação em jardas é um outro mundo em comparação com a natação na piscina de metros. Como em jardas a ela é menor, os nadadores fazem mais viradas e consequentemente ganham mais impulsão ao longo da prova que colabora para tempos bem mais baixos do que na piscina curta, por exemplo. Porém, apenas para efeito de comparação segundo a tabela de conversão de tempos da revista Swimming World, a marca de Dressel equivaleria a 44s43 na piscina curta e 45s81 na piscina longa, marcas muito abaixo dos atuais recorde mundiais.

Caeleb Dressel já vinha aparecendo no cenário internacional desde 2013, quando sagrou-se campeão mundial júnior nos 100m livre. Em 2015 terminou a temporada como o quinto nadador mais veloz nos 50m livre e ano passado ganhou duas medalhas de ouro com o time americano nos revezamentos 4x100m medley e 4x100m livre, além de ter sido sexto colocado nos 100m livre. Uma antiga promessa que tornou-se uma realidade e que já almeja voos mais altos para buscar estar entre os maiores velocistas de todos os tempos.

Por Guilherme Freitas


Um diamante chamado Murilo Sartori
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No começo do mês aconteceu na cidade de Aracaju o Campeonato Brasileiro Infantil de Verão, competição que reuniu os melhores nadadores das categorias infantil 1 e 2. Um evento muito forte que registrou 11 recordes nacionais de categoria e 13 novas marcas de campeonato. Entre todos os bons atletas presentes a piscina do Parque Aquático Zé Peixe um deles se sobressaiu pelos resultados bastante expressivos: Murilo Sartori.

 

Há algum tempo o jovem nadador da Natação Americana vem chamando a atenção de muita gente da comunidade aquática graças a sua incrível evolução que resultam em históricas performances e quebras de recordes. Sartori vem superando marcas desde o petiz quando surgiu de vez para o cenário nacional durante o Sudeste Mirim Petiz de Verão. Na ocasião superou três recordes paulistas. Ano passado, na categoria infantil 1, enfileirou medalhas de ouro e prêmios de índice técnico em Campeonatos Paulista, Brasileiro, Troféu Kim Mollo e Troféu Chico Piscina.

Murilo Sartori - Foto: Liliane Yoshino/FAP

Murilo Sartori – Foto: Liliane Yoshino/FAP

Neste ano ele esta ainda melhor. Antes do Brasileiro de Verão em Aracaju ele já havia superado recordes estaduais e brasileiros. Na piscina curta estabeleceu recordes paulistas dos 100m ao 1500m livre, mostrando uma diversidade impressionante para nadar provas tão distintas. Na piscina longa também havia brilhado no Campeonato Paulista de Inverno e também no Troféu Chico Piscina. A performance magnífica no Brasileiro Infantil foi a cereja do bolo de Sartori. O jovem nadador terminou a competição com quatro vitórias (100m, 200m e 400m livre e 200m medley), três novos recordes de campeonato (todos nas provas de livre batendo inclusive marcas de Felipe Souza Ribeiro e Brandonn Almeida) e premiado como atleta mais eficiente e dos melhores índices técnicos. Atingiu ainda a histórica marca de tornar-se o primeiro nadador latino-americano a romper a barreira dos 52 segundos nos 100m livre: marcou 51s92 na prova.

 

Sartori chama atenção pela sua técnica e estilo de nado, bastante elogiado por muitos técnicos. As divisões de parciais sempre constantes mostram que ele sabe muito bem administrar suas provas. E a performance nos 400m livre em Aracaju mostra também que o jovem nadador treinado por Fabio Cremonez, é um dos maiores talentos surgidos nos últimos anos. Seu tempo de 4min01s70 lhe daria o título de campeão brasileiro nas categorias juvenil 1 e juvenil 2. Uma mostra que tende a evoluir nas próximas temporadas.

Sartori e seu técnico Fabio Cremonez - Foto: Liliane Yoshino/FAP

Sartori e seu técnico Fabio Cremonez – Foto: Liliane Yoshino/FAP

Em 2017 Sartori passa a competir na categoria juvenil 1 e provavelmente também estará em ação nos campeonatos nacionais absolutos com as grandes estrelas da natação brasileira. Com 15 anos de idade ele estará elegível para disputar uma vaga na seleção brasileira que vai ao Campeonato Mundial Júnior de Indianápolis (a competição masculina será para atletas de 15 a 18 anos) e se continuar nadando neste nível fatalmente deverá estar nas seleções dos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018 e do Campeonato Mundial Júnior de 2019.

 

Murilo Sartori é um diamante que vem sendo muito bem lapidado. Ainda é cedo para criar grandes expectativas, mas graças aos ótimos resultados recentes e a constante evolução a tendência normal é vê-lo no futuro integrando a seleção principal como aconteceu vários outros nadadores que brilharam nas categorias de base.

Por Guilherme Freitas


O que é o Golden Goggle Awards?
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Na última segunda-feira o luxuoso salão do New York Marriott Marquis, na Times Squares em Nova York, sediou a festa de premiação do tradicional Golden Goggle Awards, evento promovido pela USA Swimming e que premia anualmente os melhores atletas da natação americana. Com vídeos emocionantes ao longo da apresentação, discursos de grandes ídolos do passado e um jantar de gala, esta cerimônia é considerada o Oscar da natação dos Estados Unidos. Mas o que é o Golden Goggle Awards?

O prêmio foi criado em 2004 pela USA Swimming visando valorizar seus atletas e ajudar na promoção da modalidade no país. Anualmente são premiados os melhores atletas, performances e técnicos que recebem troféus banhados em ouro no formato de óculos de natação em uma cerimônia de gala e transmissão ao vivo. Mas além de todo esse caráter festivo, o Golden Goggle Awards também tem uma nobre missão. O evento visa arrecadar fundos para a Fundação Americana de Natação, que tem como objetivo ajudar a massificar a prática do esporte buscando salvar vidas, além de formar novos atletas e cidadãos. Doações e a venda de ingressos para a cerimônia são outras formas de arrecadação da Fundação em prol da natação local.

Phelps e Ledecky, os melhores de 2016 - Foto: Jeff Zelevansky/Getty Images

Phelps e Ledecky, os melhores de 2016 – Foto: Jeff Zelevansky/Getty Images

Na edição de 2016 do prêmio o tema principal não poderia deixar de ser outro: os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além da importância do evento, a campanha dos americanos no Olympic Aquatic Stadium no Parque Olímpico foi impecável: 33 medalhas, sendo 16 de ouro, oito de prata e nove de bronze, além de três novos recordes mundiais superados. A melhor campanha olímpica de todos os tempos. O palco do teatro foi decorado em tons verde e amarelo, alusivos ao Brasil e toda a equipe olímpica americana foi apresentada aos presentes ao som de samba.

Foram entregues ao todo nove prêmios durante a noite. Os principais ficaram com os nadadores que mais conquistaram medalhas no Rio-2016. No masculino Michael Phelps, que deixou o Rio de Janeiro com seis medalhas, ganhou na categoria de melhor nadador do ano e confirmou oficialmente sua aposentadoria das piscinas. Na categoria feminina o prêmio ficou com Katie Ledecky, que na Olimpíada destruiu recordes e se firmou como a melhor fundista de todos os tempos ao faturar cinco medalhas. Outras premiações de destaque foram para Simone Manuel (melhor performance feminina pelos 100m livre), Michael Phelps (melhor performance masculina pelos 200m borboleta) e Anthony Ervin (prêmio de perseverança pela vitória nos 50m livre).

Anthony Ervin um dos premiados da noite – Foto: Jeff Zelevansky/Getty Images

Anthony Ervin um dos premiados da noite – Foto: Jeff Zelevansky/Getty Images

Nem todos, porém, foram convidados para a grande noite de festa. Envolvidos na confusão do falso assalto em um posto no Rio de Janeiro os nadadores Ryan Lochte, Jimmy Feigen, Gunnar Bentz e Jack Conger ficaram de fora. Suspensos pela USA Swimming eles não podem participar de nenhum evento promovido pela federação americana e nem tiveram seus nomes citados ao longo do prêmio.

Assista abaixo a todas as premiações da noite:

Por Guilherme Freitas


Invasão brasileira nos Estados Unidos
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Nas últimas semanas foram anunciadas algumas transferências de jovens nadadores brasileiros para as principais universidades dos Estados Unidos. Além da oportunidade única de estudar em uma grande instituição estes atletas também estarão treinando e competindo contra campeões olímpicos da natação americana como Katie Ledecky, Caeleb Dressel e Ryan Murphy. São jovens promessas que futuramente estarão integrando a seleção e que poderão contribuir em muito para a natação brasileira.

A Florida State University receberá em 2017 duas novidades para suas equipes. O time masculino ganhará o reforço de Felipe Ribeiro, de 18 anos de idade e atleta da Unisanta. Medalhista de bronze nos 100m livre no Campeonato Mundial Júnior de Cingapura-2015, Felipe chega para compor o time de velocistas da Florida States e tentar fazer a equipe voltar a ser campeã do NCAA. O último título no masculino foi em 1984 e na edição passada a equipe foi a terceira colocada.

Felipe Souza Ribeiro nadará pela Florida State - Foto: Satiro Sodré/SSPress.

Felipe Souza Ribeiro nadará pela Florida State – Foto: Satiro Sodré/SSPress.

No feminino a novidade é Ana Giulia Zortea, de 16 anos e que no Brasil representa o Flamengo. Entre 2015 e 2016 a jovem nadadora teve ótimos desempenhos, conquistando uma medalha de ouro no Torneio Open e chegando a seleção brasileira absoluta. Ana chega para reforça o time do sul dos Estados Unidos que não levanta a taça desde 2010. A dupla fará companhia a Manuella Andrade que já representava a equipe.

Outra equipe que terá novidades made in Brazil será Indiana. A equipe do Centro-Oeste americano, que busca seu primeiro título na versão feminina do NCAA, contará a partir de 2017 com a revelação Maria Paula Heitmann, 17 anos, do Minas Tênis Clube. A atleta chegou a ficar muito próxima dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, mas ficou em quinto lugar no geral dos 200m livre e não conseguiu uma vaga para compor o revezamento. Em Indiana, Maria Paula vai se reencontrar com o companheiro de Minas Vinícius Lanza, que fez ano passado sua estreia no campeonato nacional universitário.

Maria Paula Heitmann representará a Universidade de Indiana -Foto: Satiro Sodre/SSPress

Maria Paula Heitmann representará a Universidade de Indiana -Foto: Satiro Sodre/SSPress

Por fim, Michigan também anunciou que terá um brasileiro em sua equipe. Na verdade, trata-se de um sobrenome bastante conhecido por lá. Luiz Gustavo Borges, filho de Gustavo Borges, nadará pela Universidade onde o pai fez história sendo campeão dez vezes do NCAA, ajudando a equipe a vencer o certame em 1995 e integrando o Hall da Fama da instituição. Aos 17 anos, Luiz Gustavo é velocista, disputa as provas de 50m e 100m livre e no Brasil representa o Pinheiros. Além de todos esses nadadores citados o NCAA de 2017 ainda terá a presença do atleta Thomaz Martins, da Arizona State University e do técnico Arthur Albiero, da Universidade de Louisville.

Por Guilherme Freitas


Estudos primeiro, dinheiro depois
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Katie Ledecky foi uma das grandes sensações dos Jogos Olímpicos do Rio-2016. A jovem de 19 anos conquistou a admiração do público que compareceu ao Estádio Aquático Olímpico e gravou seu nome na história ao conquistar cinco medalhas, sendo quatro delas de ouro e bater dois recordes mundiais. Um feito que lhe daria oportunidade de ganhar muito dinheiro com novos patrocinadores que com certeza adorariam vincular suas imagens a atleta. Porém, ela recusou algumas ofertas para se dedicar a um sonho antigo: estudar.

Nos Estados Unidos atletas universitários contam com estrutura de ponta para seguir no esporte de alto rendimento, em contrapartida são proibidos de receber dinheiro via patrocínio e devem se dedicar apenas as aulas e aos treinamentos. Em muitos casos talentos do esporte acabam ganhando bolsas de estudos para cursar renomadas universidades e ao mesmo tempo seguir treinando em alto nível, uma realidade de diversas modalidades que fazem os Estados Unidos serem a maior potência esportiva do mundo mesclando educação e esporte.

Ledecky irá estudar em Stanford – Foto: Reprodução

Ledecky irá estudar em Stanford – Foto: Reprodução

Ledecky sempre afirmou que gostaria de participar e vivenciar o ambiente da natação universitária americana. Esta semana em uma entrevista para uma rádio ela reforçou este desejo ao afirmar que “não teve dúvida nenhuma em escolher a natação universitária do que a profissional”. A nadadora foi aceita ano passado pela Universidade de Stanford, mas resolveu adiar sua matrícula para se dedicar aos Jogos do Rio-2016. Agora poderá começar suas aulas após as férias de verão e nadar o próximo NCAA pela tradicional equipe da instituição.

Segundo Bob Dorfman, especialista em marketing esportivo, a nadadora poderia fechar patrocínios com grandes empresas e lucrar até US$ 5 milhões por ano. Ledecky é jovem e sabe que poderá ganhar ainda muito dinheiro no futuro quando for se profissionalizar, mas no momento ela quer viver o sonho de uma experiência única. Para a fenomenal atleta americana o dinheiro pode esperar.

Por Guilherme Freitas


As caras novas e a expectativa americana
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Michael Phelps pode ter roubado a cena do USA Olympic Trials – a seletiva olímpica norte-americana, mas outros fatos chamaram a atenção no megaevento do país. A competição se encerrou neste domingo, em Omaha, nos Estados Unidos.

Dos 45 atletas que compõem a seleção americana, 30 participam pela primeira vez. É uma massiva renovação de um grupo acostumado a ver veteranos e grandes nomes subindo nos pódios internacionais. A média de idade é de 23 anos, mesmo com a presença de “trintões”, como Michael Phelps, Ryan Lochte e Antonhy Ervin. São 35 atletas com 25 anos ou menos. Entre eles, as estrelas da natação feminina, Katie Ledecky (19 anos) e Missy Franklin (21), ambas a caminho da segunda participação olímpica.

Seleção dos 45 atletas americanos

Seleção dos 45 atletas americanos

Porém, por mais bem-vinda que seja a renovação de um grupo forte como o americano, o que chamou a atenção foi a queda de grandes estrelas em suas provas – atletas que já conquistaram medalhas de ouro, mas que, neste edição, se viram superados por novatos.

Matt Grevers e Natalie Coughlin foram nomes que ventilaram a palavra “aposentadoria” durante a seletiva, mas acabaram sem confirmá-la. O campeão olímpico dos 100m costas foi superado por Ryan Murphy e David Plummer. Já Natalie, aos 33 anos e alguns recordes colecionados para o time americano, falhou em todas as suas tentativas e acabou desistindo até de disputar os 50m livre no último dia.

As eliminações dos “tiozões” começou logo de cara: nos 400m medley masculino, o atual campeão olímpico Ryan Lochte foi desbancado por Chase Kalizs (22), e Jay Litherland (20). Porém, garantiu sua vaga para os 200m medley e o revezamento 4x200m livre.

Não que seja realmente algo “estranho” à história americana, que costuma renovar com frequência o seu time nacional. O que pesou negativamente foi a ausência de tempos marcantes. Com exceção de dois novos recordes nacionais – 100m peito de Kevin Cordes e 200m do estilo com Josh Prenot -, não houve nenhum tempo mais expressivo (além da sempre envolvente Ledecky) ou até recorde mundial.

Das 26 provas disputadas, 16 tiveram marcas melhores que a seletiva de 2012. Das dez que pioraram as marcas, as quatro masculinas e 3 femininas envolvem ídolos e xodós da torcida americana: os 200m borboleta de Phelps, os 200m e 400m medley dele e de Lochte, e os 100m costas de Grevers. Entre as mulheres, três provas de Missy mostraram piora em 2016: 200m livre e 100m e 200m costas.

EUA no mundo

A seletiva colocou três provas no top 10 do ranking mundial de 2016: os 400m livre de Ledecky, 100m peito feminino de Lilly King, e 100m costas de Plummer. Michael Phelps, que venceu suas três provas (100m e 200m borboleta e 200m medley), não gostou muito dos tempos que alcançou, e também não conseguiu a liderança da lista de melhores marcas do planeta em nenhuma delas.

Michael Phelps mostra o numero de vezes que é olímpico - Foto: Reprodução

Michael Phelps mostra o numero de vezes que é olímpico – Foto: Reprodução

Antes dos trials, os australianos lideravam nove provas após as suas próprias seletivas. Apenas o 100m costas de Plummer superou os rivais do hemisfério sul.

Na mídia local, as manchetes não enganam: “Phelps e Ledecky carregam as esperanças americanas”. A líder mundial em todas as suas principais provas e o atleta mais premiado da história olímpica continuam sendo baluartes do esporte no país.

Em Londres-2012 os EUA levaram 31 medalhas, sendo 16 de ouro. Diante do que foi visto na seletiva, é improvável que uma diferença tão grande dos rivais seja vista no Estádio Aquático do Rio-2016.

Por Mayra Siqueira


50m livre no Rio-2016: uma disputa intensa…nos Estados Unidos
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Mês passado foi disputado em Florianópolis o Torneio Open, que também foi a primeira seletiva olímpica da natação brasileira para os Jogos Olímpicos do Rio-2016. Nenhuma prova registrou mais índices do que os 50m livre masculino. Ao todo, cinco atletas nadaram abaixo de 22s27, o tempo exigido: Bruno Fratus, Ítalo Duarte, Marcelo Chierighini, Matheus Santana e Henrique Martins. Do quinteto apenas Fratus (que fez 21s37 na abertura do 4x50m livre) nadou abaixo dos 22 segundos. Cesar Cielo também nadou a prova na casa dos 21 segundos em 2015, mas como não nadou no Open jogará suas fichas na prova final no Troféu Maria Lenk. Mas não é só no Brasil que a disputa por vagas na prova mais rápida esta bastante acirrada. Uma batalha intensa também acontece nos Estados Unidos.

O país acumula quatro títulos olímpicos nesta prova, mas que não a vence desde Atenas-2004. O site americano Swim Swam fez um grande levantamento de possíveis candidatos para nadar as provas masculinas no Rio de Janeiro. Se em algumas, como nos 200m medley (com Michael Phelps e Ryan Lochte) e 100m borboleta (com Phelps e Tom Shields) apostar em dois nomes é barbada, em outras há disputas equilibradas. E uma delas é os 50m livre.

Anthony Ervin e Nathan Adrian - Foto: Getty Images

Anthony Ervin e Nathan Adrian – Foto: Getty Images

Se hoje Bruno Fratus vem se consolidando como o principal nadador do país nos 50m livre, podemos dizer o mesmo de Nathan Adrian nos Estados Unidos. No Campeonato Mundial de Kazan, Adrian foi vice-campeão com um tempo muito forte na semifinal: 21s37, marca igualada por Fratus em dezembro e recorde nacional americano. Na final o velocista também marcou um tempo expressivo: 21s52. É o “cara” na distância.

Se Adrian é o favorito absoluto para obter uma vaga nesta prova no Rio-2016, a disputa pelo segundo posto esta totalmente em aberto. Ano passado os Estados Unidos tiveram outros quatro nadadores abaixo dos 22 segundos: Caeleb Dressel (21s53), Josh Schneider (21s80) Cullen Jones (21s87) e Anthony Ervin (21s98). E todos eles estão credenciados e com chances de conseguir um lugar no Team USA.

O jovem velocista Caeleb Dressel - Foto: Soobum Im/USA TODAY Sports

O jovem velocista Caeleb Dressel – Foto: Soobum Im/USA TODAY Sports

Ervin e Jones são os veteranos que procuram se recuperar de uma temporada apagada. Em 2015 Ervin não conseguiu chegar a final no Mundial de Kazan e Jones não passou de um 5º lugar nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Por outro lado, seus outros dois adversários estão na curva ascendente. Schneider foi campeão pan-americano e na etapa de Moscou da Copa do Mundo fez o melhor tempo da vida. Já o jovem Dressel foi a grande surpresa da temporada ao nadar para 21s53 no Campeonato Americano, tempo que lhe daria a medalha de bronze em Kazan elhe credencia como favorito para obter esta segunda vaga na seletiva americana.

Além deles o Swim Swam ainda cita outras duas jovens promessas da americanas como candidatos vaga: Michael Chadwick, de 20 anos, que tem 22s03 e o superstar Michael Andrew, de 16 anos, com 22s34 que tentarão obter vaga para suas primeiras Olimpíadas. Como podemos ver a disputa por uma vaga na prova mais rápida esta intensa e promete ser eletrizante em Omaha, quando a natação americana faz sua seletiva para o Rio-2016 entre o fim de junho e início de julho. Ainda é cedo para cravar nomes, mas fica a pergunta a você leitor: aposta em quem?

Guilherme Freitas


Golden Goggle: os melhores americanos do ano
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Foi um ano atípico e um pouco negativo para a natação norte-americana, se pegarmos como base o desempenho de equipe no Mundial de Kazan. Mas alguns nomes foram os destaques e, como sempre, chamaram a atenção de todo o planeta aquático. A federação do esporte no país, a USA Swimming, já começou a lançar os nomes dos candidatos ao título do Golden Goggles Awards de 2015, ou os “óculos de ouro” da natação dos Estados Unidos.

São oito categorias: Melhor Performance do ano, técnico do ano, troféu perseverança, melhor revezamento, melhor desempenho masculino, melhor desempenho feminino, melhor atleta masculino, melhor atleta feminino.

As categorias divulgadas até aqui foram as de principais atletas, do masculino e feminino, com Ryan Lochte, Michael Phelps e Jordan Wilimovsky; e Haley Anderson, Missy Franklin e Katie Ledecky – a última, inclusive, candidata incontestável para melhor prova/desempenho em três (de quatro) opções (200m, 800 e 1500m livre), ao lado dos 5km de Haley Anderson.

Confira uma breve análise da temporada dos atletas nomeados e deixe seu palpite de voto!

Masculino:

Michael Phelps em San Antonio: comemoração como há muito não se via (foto: AP)

Michael Phelps em San Antonio: comemoração como há muito não se via (foto: AP)

Michael Phelps: O pouco que pode pesar contra a estrela da natação mundial é o fato de não ter integrado o grupo que decepcionou em Kazan, graças à punição que ainda cumpria por ter sido pego dirigindo embriagado. Phelps derrubou queixos pelo mundo outra vez ao dominar o torneio Phillips 66 National em San Antonio, em que fez as melhores marcas do mundo de 2015 em três provas: 100m e 200m borboleta, e 200m medley. Teria elevado o desempenho norte-americano na Rússia para outro patamar. Só nas provas de borboleta ele fez o seu melhor tempo desde a era dos trajes tecnológicos, com 1m52s94 nos 200m e 50s45, e, no medley, seu melhor tempo desde os Jogos Olímpicos de Londres, com 1m54s75.

Ryan Lochte: O alento da natação masculina no Mundial, Lochte, outra vez, foi responsável pelo primeiro ouro  dos homens nos 200m medley, seu quarto consecutivo na prova (1m55s81), além de integrar os revezamentos campeões 4x100m livre misto e o 4x100m medley, e o vice 4x200m livre. Atingiu a marca de 27 medalhas em mundiais, sendo 18 de ouro.

Jordan Wilimovsky: Ponto para as águas abertas, que ganham um candidato representante na prova olímpica dos 10km. Campeão por alguns segundos em Kazan, e com vaga garantida para os Jogos do Rio-2016, ele levou o primeiro título do percurso para os americanos dos últimos 10 anos.

Feminino:

A Rainha do fundo: o incrível ano de Katie Ledecky

A Rainha do fundo: o incrível ano de Katie Ledecky

Katie Ledecky: Cinco ouros, quatro individuais, três recordes mundiais. A primeira atleta da história a vencer, em um mesmo Mundial, os 200m, 400m, 800m e 1500m livre. Na prova mais longa, abriu 15 segundos da medalhista de prata, e 10s da segunda colocada nos 800m. Recordes pulverizados, e a recuperação e, consequentemente, a liderança para o ouro nos 4x200m livre. Com 18 anos, ela soma nove medalhas de Mundiais, todas douradas. Barcelona viu nascer uma estrela, e ela agora se consolida no cenário aquático do planeta.

Missy Franklin: Perto do que já fez, a temporada de Missy não foi tão expressiva. Mas foi uma das três unicas a conquistar cinco medalhas em Kazan, com medalha de prata nos 200m costas, bronze nos 200m livre, ouro no 4x200m livre e 4×100 livre misto, além do terceiro lugar no 4x100m livre. Tornou-se uma das maiores medalhistas de todos os tempos em mundiais para o seu país, com 16, sendo 11 de ouro.

Haley Anderson: Com o ouro dos 5km nas águas abertas em Kazan, trouxe a primeira vitória para os Estados Unidos no Mundial, defendendo o seu título de 2013. Também conseguiu a vaga olímpica nos 10km com a nona colocação.

Para o troféu “perseverança”, que premia os atletas que superaram adversidades e conseguiram bons resultados após um período ruim, os nomeados foram Kevin Cordes, Connor Jaeger, e Allison Schmitt. Entre os “coaches”, os candidatos revelados são Bob Bowman, Bruce Gemmell, Dave Kelsheimer, David Marsh, e Catherine Vogt.

Por Mayra Siqueira


Mundial Júnior pode apresentar o “futuro” Michael Phelps
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Começa na próxima terça-feira, dia 25 de agosto, a quinta edição do Campeonato Mundial Júnior em Cingapura. Ao todo, serão centenas de nadadores disputando a competição que surgiu em 2006 com o intuito de revelar futuros campeões, mas também iniciar promessas ao cenário internacional. Desde a primeira edição no Rio de Janeiro grandes nomes apareceram e tornaram-se protagonistas nas piscinas como Tyler Clary, Mireia Belmonte, Camille Muffat, Danila Izotov, Kosuke Hagino e Mack Horton.

Mas nem só os medalhistas são os destaques. Por se tratar de uma competição que reúne atletas em formação, é comum nadadores que nem disputaram medalhas apareçam no futuro. Prova dessa afirmação é o atual campeão olímpico e mundial dos 50m livre. O francês Florent Manaudou fez uma participação discreta no Mundial de Monterrey-2008 e na época era mais conhecido por ser o irmão mais novo de Laure Manaudou do que um candidato a medalhas. Após a experiência no México ele evoluiu para quatro anos depois atingir a glória olímpica.

Michael Andrew assinou este ano um contrato com a Adidas - Foto: Adidas Swimming

Michael Andrew assinou este ano um contrato com a Adidas – Foto: Adidas Swimming

Porém, alguns chegam badalados a este evento. Caso mais recente de Ruta Meilutyte em 2013 que na época do Mundial já havia conseguido obter destaque nos eventos absolutos. Este ano em Cingapura teremos nadadores nesta situação como o brasileiro Brandonn Pierry (campeão pan-americanos nos 400m medley), o russo Anton Chupkov (finalista nos 200m peito no Mundial de Kazan) e o australiano Kyle Chalmers (prata com o revezamento 4x100m medley em Kazan). Existe um caso bastante interessante, um nome já conhecido mundialmente, mas que nunca havia encarado uma grande competição de nível internacional. Trata-se de Michael Andrew.

O americano de 16 anos de idade já é bastante conhecido no mundo da natação. Em 2013, aos 14 anos, assinou seu primeiro contrato publicitário e tornou-se o nadador americano profissional mais jovem da história. Com o passar dos anos evoluiu e se firmou como uma das maiores promessas da natação dos Estados Unidos. Desde o início de sua carreira ele é comparado com seu xará Michael Phelps. A comparação entre os dois é devido a algumas semelhanças, como a versatilidade. Em Grand Prix americanos é comum ver Andrew nadar diversas provas, às vezes em um intervalo curto de tempo. E normalmente ele consegue nadá-las bem, sempre passando pelas eliminatórias e indo disputar alguma das finais (nos GPs americanos as finais vão de A a D). Além disso, ele também dominou várias categorias de acesso com recordes, igual a Phelps.

Andrew nadará oito provas individuais - Foto: Adidas Swimming

Andrew nadará oito provas individuais – Foto: Adidas Swimming

No último mês ele encarou um trabalho duplo. Primeiro nadou o Campeonato Nacional Júnior, que foi seletiva para o Mundial de Cingapura. Obteve cinco medalhas de ouro e bateu três recordes de campeonato. Semanas depois caiu na água para o Campeonato Nacional Absoluto, que não contou a com a seleção principal que estava em Kazan. Enquanto Phelps assumia a liderança do ranking mundial e debulhava os tempos feitos na Rússia, o adolescente esteve em várias finais B superando diversos nadadores mais velhos e experientes.

Em Cingapura o jovem Andrew será o nadador americano com mais provas a disputar, oito ao todo: 50m e 100m costas, 50m e 100m borboleta, 50m e 100m peito, 100m livre e 200m medley, além dos possíveis revezamentos. Será sua primeira experiência a nível mundial e quem sabe uma apresentação de gala para se credenciar a estar nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.

Por Guilherme Freitas


Reece Whitley: esperança do nado peito americano
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Negro, 15 anos de idade, 2,03m de altura, taxado como grande promessa e com diversos títulos conquistados ao longo de sua curta carreira esportiva. Quem lê apenas essas informações imagina que se trata de um promissor jogador de basquete que esta a caminho de um dia chegar a badalada NBA. De fato poderia ser isso mesmo, mas o breve perfil citado no começo deste texto não é de um futuro pivô e sim de um nadador. Reece Whitley para ser mais preciso.

Nascido no dia 3 de janeiro de 2000, na região da Philadelphia, Whitley é um talento precoce e uma das grandes revelações da natação americana. Aos 12 anos de idade ele já conseguia nadar os 100 peito abaixo do minuto na piscina de jardas e na faixa etária 13-14 anos acumulou vitórias e recordes nacionais nas provas do estilo. Porém, seu maior feito aconteceu este ano durante o Arena Pro Swim Series de Charlotte, no mês de maio.

O jovem nadador Reece Whitley - Foto: Philly.com

O jovem nadador Reece Whitley – Foto: Philly.com

O jovem estabeleceu um novo recorde americano nos 200m peito na faixa etária 15-16 anos com 2min12s92, nada mais, nada menos do que 1s75 abaixo do antigo recorde. No mesmo campeonato ele nadou os 100m peito para 1min01s86. Em ambas as provas esta no top 10 da natação americana em 2015 e devido a esses resultados recentes é tido por muitos especialistas como o futuro do nado peito nos Estados Unidos.

Este ano ele tem um grande objetivo: vencer o Campeonato Nacional e obter um lugar na equipe americana que disputará em agosto o Campeonato Mundial Júnior de Cingapura. Seria sua primeira disputa de nível mundial. Uma reportagem do site Philly.com cita uma declaração de Brendan Hanson, um dos melhores peitistas da história, dizendo que Whitley é a grande revelação que o país estava esperando.

Reece Whitley é a esperança do peito americano - Foto: Bryan Flaherty/The Washington Post

Reece Whitley é a esperança do peito americano – Foto: Bryan Flaherty/The Washington Post

Uma evolução do jovem peitista também seria ótima para o revezamento 4x100m medley dos Estados Unidos. O estilo é o mais fraco da equipe e é onde os americanos levam desvantagem em relação a outras seleções de primeira linha. Whitley ainda é muito jovem, mas os resultados que vem alcançando o credenciam a condição de ser o número 1 do nado peito americano e peça-vital para os revezamentos no futuro.

Por Guilherme Freitas