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Cesar Cielo no Pinheiros: ele voltou
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A natação brasileira esta vivendo uma nova realidade. Com corte de patrocínios e menos dinheiro em caixa, os clubes e atletas ainda estão se adaptando ao tempo de vacas magras. Essa crise financeira do esporte deixou muitos nadadores renomados sem contratados renovados e alguns sem clubes, casos de Thiago Pereira e Bruno Fratus que foram finalistas no Rio-2016. Cesar Cielo estava nesta mesma situação até a noite de ontem, dia 2 de fevereiro, quando de acordo com o Blog do Coach acertou seu retorno ao Esporte Clube Pinheiros após seis anos.

Cielo chegou ao clube da capital em 2003 vindo do Clube de Campo de Piracicaba. Em seu início de trajetória no clube teve a oportunidade de treinar com seu grande ídolo Gustavo Borges e iniciar sua vitoriosa parceria com o técnico Alberto Pinto, o Albertinho. Aos poucos foi evoluindo, superando recordes e chegando a seleção brasileira principal. Ficou no clube até 2010 quando se transferiu para o Flamengo e também se dedicar ao projeto PRO16.

Cielo recebeu uma placa ao bater o recorde mundial em 2009 – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Cielo recebeu uma placa ao bater o recorde mundial em 2009 – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foi no Pinheiros que Cielo conquistou os melhores resultados de sua carreira. Em 2008, nos Jogos de Pequim, conquistou o título olímpico nos 50m livre e a medalha de bronze nos 100m livre. No ano seguinte conquistou os títulos mundiais nos 50m e 100m livre em Roma. E no fim do mesmo ano bateria na piscina do Pinheiros o recorde mundial nos 50 livre com 20s91, marca que vigora até hoje, em uma prova eletrizante que fez a piscina do clube explodir em êxtase.

Além da longa relação os dois têm outra coisa em comum: a Adidas. A marca de material esportivo é patrocinadora de ambos (esta com Cielo desde 2013 e com o Pinheiros desde o ano passado) e pode ter tido peso e influência na negociação, afinal é vantajoso comercialmente para a marca ter dois gigantes da natação brasileira juntos novamente.

Cielo e Pinheiros são patrocinados pela Adidas – Foto: Reprodução

Cielo e Pinheiros são patrocinados pela Adidas – Foto: Reprodução

Este ano o Pinheiros decidiu apostar na nova geração visando os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e dispensou alguns atletas mais veteranos de seu plantel. Porém, a presença de Cielo, que terá 33 anos na próxima Olimpíada, é tratada pelo clube uma oportunidade para estimular e inspirar os mais jovens que passarão a conviver com o maior nadador brasileiro de todos os tempos.

Por Guilherme Freitas


Um diamante chamado Murilo Sartori
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No começo do mês aconteceu na cidade de Aracaju o Campeonato Brasileiro Infantil de Verão, competição que reuniu os melhores nadadores das categorias infantil 1 e 2. Um evento muito forte que registrou 11 recordes nacionais de categoria e 13 novas marcas de campeonato. Entre todos os bons atletas presentes a piscina do Parque Aquático Zé Peixe um deles se sobressaiu pelos resultados bastante expressivos: Murilo Sartori.

 

Há algum tempo o jovem nadador da Natação Americana vem chamando a atenção de muita gente da comunidade aquática graças a sua incrível evolução que resultam em históricas performances e quebras de recordes. Sartori vem superando marcas desde o petiz quando surgiu de vez para o cenário nacional durante o Sudeste Mirim Petiz de Verão. Na ocasião superou três recordes paulistas. Ano passado, na categoria infantil 1, enfileirou medalhas de ouro e prêmios de índice técnico em Campeonatos Paulista, Brasileiro, Troféu Kim Mollo e Troféu Chico Piscina.

Murilo Sartori - Foto: Liliane Yoshino/FAP

Murilo Sartori – Foto: Liliane Yoshino/FAP

Neste ano ele esta ainda melhor. Antes do Brasileiro de Verão em Aracaju ele já havia superado recordes estaduais e brasileiros. Na piscina curta estabeleceu recordes paulistas dos 100m ao 1500m livre, mostrando uma diversidade impressionante para nadar provas tão distintas. Na piscina longa também havia brilhado no Campeonato Paulista de Inverno e também no Troféu Chico Piscina. A performance magnífica no Brasileiro Infantil foi a cereja do bolo de Sartori. O jovem nadador terminou a competição com quatro vitórias (100m, 200m e 400m livre e 200m medley), três novos recordes de campeonato (todos nas provas de livre batendo inclusive marcas de Felipe Souza Ribeiro e Brandonn Almeida) e premiado como atleta mais eficiente e dos melhores índices técnicos. Atingiu ainda a histórica marca de tornar-se o primeiro nadador latino-americano a romper a barreira dos 52 segundos nos 100m livre: marcou 51s92 na prova.

 

Sartori chama atenção pela sua técnica e estilo de nado, bastante elogiado por muitos técnicos. As divisões de parciais sempre constantes mostram que ele sabe muito bem administrar suas provas. E a performance nos 400m livre em Aracaju mostra também que o jovem nadador treinado por Fabio Cremonez, é um dos maiores talentos surgidos nos últimos anos. Seu tempo de 4min01s70 lhe daria o título de campeão brasileiro nas categorias juvenil 1 e juvenil 2. Uma mostra que tende a evoluir nas próximas temporadas.

Sartori e seu técnico Fabio Cremonez - Foto: Liliane Yoshino/FAP

Sartori e seu técnico Fabio Cremonez – Foto: Liliane Yoshino/FAP

Em 2017 Sartori passa a competir na categoria juvenil 1 e provavelmente também estará em ação nos campeonatos nacionais absolutos com as grandes estrelas da natação brasileira. Com 15 anos de idade ele estará elegível para disputar uma vaga na seleção brasileira que vai ao Campeonato Mundial Júnior de Indianápolis (a competição masculina será para atletas de 15 a 18 anos) e se continuar nadando neste nível fatalmente deverá estar nas seleções dos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018 e do Campeonato Mundial Júnior de 2019.

 

Murilo Sartori é um diamante que vem sendo muito bem lapidado. Ainda é cedo para criar grandes expectativas, mas graças aos ótimos resultados recentes e a constante evolução a tendência normal é vê-lo no futuro integrando a seleção principal como aconteceu vários outros nadadores que brilharam nas categorias de base.

Por Guilherme Freitas


Brasil fica sem medalhas no Rio-2016
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Pela primeira vez desde os Jogos de Atenas em 2004 a natação brasileira não passava em branco em edições olímpicas. Entre a edição na histórica cidade grega em 2004 e o Rio-2016 foram quatro medalhas conquistadas em Pequim-2008 e Londres-2012 com a dupla Cesar Cielo e Thiago Pereira. Desta vez competindo em casa, a seleção não conseguiu subir ao pódio durante a torcida que lotou as arquibancadas do Estádio Aquático Olímpico nos oito dias de competição.

Havia expectativa de pódio em alguns eventos, mas os melhores resultados foram dois quintos lugares. Um deles veio nos 100m peito masculino, com João Luiz Gomes Júnior que completou a prova nesta colocação, duas a frente de seu compatriota Felipe França. Após uma aguerrida seletiva, que teve quatro nadadores abaixo do índice exigido, o Brasil colocou seus dois atletas na final. Mas a medalha não veio. Havia esperanças com revezamento 4x100m livre, que pela primeira vez desde o bronze em Sydney-2000 chegava a uma final. Porém, o quarteto Marcelo Chierighini, Nicolas Oliveira, Gabriel Silva e João de Lucca não foi páreo para Estados Unidos, França, Austrália e Rússia, terminando em quinto lugar.

Marcelo Chierighini foi a final em todas as suas provas - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Marcelo Chierighini foi a final em todas as suas provas – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Outra expectativa de medalha estava nos 200m medley, talvez a melhor chance. Embalado pelos bons resultados após a prata em Londres (três medalhas nos Mundiais de 2013 e 2015 e o recorde de pódios nos Jogos Pan-Americanos), Thiago Pereira chegou motivado para fazer história em casa. Mas ele não nadava por uma medalha, nadava apenas pela medalha de ouro. Seu objetivo era ser campeão olímpico. Por isso teve um ritmo intenso nos primeiros 150 metros acompanhando Michael Phelps, mas o cansaço pela estratégia ousada bateu e ele ficou apenas em sétimo lugar.

Uma posição melhor ficou Bruno Fratus. O velocista também chegou cotado para ganhar uma medalha. Depois do quarto lugar em Londres vinha empilhando bons tempos nos 50m livre, onde chegou a nadar para 21s37. Foi campeão do Pan Pacífico de Gold Coast, vice no Pan-Americano de Toronto e bronze no Mundial de Kazan. Mas algumas lesões e a queda de rendimento entre o fim de 2015 e este ano custaram o lugar no pódio. Outro velocista que também chegou a finalíssima foi Marcelo Chierighini nos 100m livre. Ele foi o brasileiro que mais nadou no Rio-2016 com sete quedas na água (empatado com Etiene Medeiros) e nos 100m livre ficou em oitavo, após levantar a torcida na semifinal.

Etiene Medeiros, a única final feminina do Brasil - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Etiene Medeiros, a única final feminina do Brasil – Foto: Satiro Sodré/SSPress

No último dia de finais duas esperanças. Etiene Medeiros conquistava a primeira final feminina desde Pequim-2008 nos 50m livre. Após um início ruim nos 100m costas e uma melhora nos 100m livre ela repetiu o desempenho histórico de Flavia Delaroli em Atenas-2004: oitavo lugar. Já o revezamento 4x100m medley masculino (Guilherme Guido, João Luiz Gomes Júnior, Henrique Martins e Marcelo Chierighini) encerrou o jejum de 36 anos sem ir a final e terminou em sexto.

Ao todo foram oito finais (novo recorde), sete no masculino e uma no feminino. Também foram 16 semifinais atingidas, três recordes sul-americanos quebrados, com Manuella Lyrio nos 200m livre, Etiene Medeiros nos 50m livre, Felipe França nos 100m peito e o revezamento 4x200m livre feminino e um recorde brasileiro nos 200m costas com Leonardo de Deus. A campanha também teve muitos nadadores longe de seus melhores tempos e que nos últimos meses vinham fazendo seus melhores tempos pessoais como Guilherme Guido e Larissa Oliveira.

João Gomes Júnior foi 5º nos 100m peito - Foto: Vitor Silva/SSPress

João Gomes Júnior foi 5º nos 100m peito – Foto: Vitor Silva/SSPress

Pouco antes das finais da última etapa o Coordenador Técnico da CBDA, Ricardo de Moura, concedeu uma entrevista para a imprensa brasileira, onde reconheceu que o desempenho apresentado na piscina não foi satisfatório, que esperava sim subir ao pódio e que é preciso mudar a cultura esportiva no país. Prometeu mudanças, mas não entrou a fundo em detalhes e nem exemplificou que tipo de medidas serão tomadas.

Houve resultados positivos como os citados acima, mas por poucos nadadores. No fim ficou a sensação de que o Brasil poderia ter ido bem melhor. Alguns atletas pioraram demais suas marcas e outros se repetissem seus melhores tempos entrariam em finais ou semifinais. Após a campanha no Rio-2016 a natação brasileira fica de mãos vazias e a luz amarela já pode ser acesa. Um novo ciclo olímpico terá início a partir de agora e mudanças precisarão ser tomadas.

Manuella Lyrio não foi a final, mas teve uma ótima performance - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Manuella Lyrio não foi a final, mas teve uma ótima performance – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Por Guilherme Freitas

A equipe Swim Channel na cobertura dos Jogos Rio 2016 é patrocinada pela Mormaii, a maior marca de esportes aquáticos do Brasil


Guido: ‘Uma vez na final, todos têm chance’
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Hoje ele tem o décimo tempo das duas últimas temporadas. Em 2008, era um jovem que, amigo de longa data de César Cielo, viu o companheiro fazer história e admitiu sentir-se deslumbrado com o que é um evento do tamanho da Olimpíada. Guilherme Guido, aos 29 anos e mais maduro, sabe da sua capacidade de chegar a uma final dos Jogos do Rio nos 100m costas – mesmo com a forte rivalidade dos americanos, últimos a conseguirem a classificação pela seletiva do país.

O nadador paulista domina a prova no cenário sul-americano há algum tempo, e renovou em 2015 o seu recorde continental: 53s09. A marca tem condições de lhe garantir um lugar entre os 8 melhores dos Jogos, mas seria necessário nadar na casa dos 52s para sonhar com o pódio. E Guido está longe de não acreditar neste sonho.

Guido no Troféu Maria Lenk 2015 - Foto: Site oficial Guilherme Guido

Guido no Troféu Maria Lenk 2015 – Foto: Site oficial Guilherme Guido

Confira o bate-papo com o atleta:

Swim Channel: Você foi um dos raros atletas brasileiros a conseguir figurar no top 10 do mundo neste ano na sua prova, e já tem uma longa experiência na carreira, um veterano da seleção. Por que 2016 pode ser o seu ano?

Guilherme Guido: Estou em uma progressão bem grande na minha prova. Depois de seis anos, baixei meu tempo e bati o meu próprio recorde sul-americano. Acredito que quanto mais vezes eu nadar para 53s baixo, mais perto dos 52s eu estou. Por essa razão acredito que 2016 possa ser o ano em que quebro essa barreira e consequentemente entraria para a final olímpica!

SC: Imagino que você tenha acompanhado as seletivas americanas, com o atual campeão Matt Grevers fora dos 100m costas, e três nadadores pra casa dos 52s. Te surpreendeu?

GG: Não me surpreendeu, pois historicamente sabemos que o US Trials é sempre muito forte, inclusive sendo mais forte que a Olimpíada. Acompanhei a prova e estava acreditando na quebra do recorde mundial vindo de Ryan Murphy. Não aconteceu, e acho difícil acontecer no Rio.

SC: Como você vê o cenário dos 100m costas no mundo hoje? Ao mesmo tempo que tivemos atletas batendo na trave do recorde mundial, ele continua intocado.

GG: O recorde é bem forte e quem o detém é nada mais, nada menos que Aaron Peirsol (51s94, feito em 2009). Creio que o pódio olímpico dos 100m costas vai ser na casa dos 52s baixo. Final olímpica dando raia das pontas com 53s10.

Guido sonha com pódio olímpico - Foto: Site oficial Guilherme Guido

Guido sonha com pódio olímpico – Foto: Site oficial Guilherme Guido

SC: Como você vê as chances do revezamento de estilo do Brasil?

GG: Acredito que vamos chegar na nossa melhor forma, mas não posso garantir o desempenho dos outros integrantes. Estamos em casa e com a torcida a nosso favor, isso vai ajudar muito o nosso time na hora de nadar uma final!

SC: Você tem o sonho de conquistar uma medalha individual? Acredita que será possível?

GG: Sim, quando comecei a nadar meu sonho era chegar a uma Olimpíada e consegui atingi-lo em 2008. Errei um pouco e me deslumbrei com esse sonho, ficando admirado com a estrutura de um evento deste porte. Hoje, tenho mais experiência e tenho convicção de que posso chegar a uma final olímpica. Estando na final, quem errar menos sobe ao pódio. Da raia 1 à raia 8 todos têm chance.

SC: Sei que você é grande amigo do Cesar Cielo, moraram juntos por um período, se conhecem desde a infância… Como você vê essa seleção brasileira renovada e, no papel, a mais forte da história, mas sem seu único campeão olímpico?

GG: O Cesar fez muito para o nosso esporte, sempre foi um grande ídolo e ajudou muito a natação a crescer, me fez acreditar que tudo isso é, sim, possível. O difícil não é chegar, e sim se manter no topo, e ele se manteve por 8 anos! Uma pena ele não estar presente nesses Jogos, mas tenho certeza que estamos indo com a melhor delegação que o Brasil poderia formar. Vamos fazer historia!

Por Mayra Siqueira


Chegou a hora! Vai começar o Maria Lenk!
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Tem início amanhã no Estádio Olímpico Aquático mais uma edição do Troféu Maria Lenk, o principal campeonato da natação brasileira. Porém, desta vez a competição não será só um campeonato nacional que contabiliza pontos para os clubes e sim a última seletiva para o Jogos Olímpicos que acontecerão daqui a quatro meses nesta mesma piscina, que também será evento-teste dos Jogos e contará com a presença de atletas estrangeiros.

No Torneio Open, disputado em Palhoça no fim do ano passado, 26 nadadores conseguiram nadar abaixo dos índices exigidos pela CBDA e a tendência no Maria Lenk é que esse número aumente. Há atletas próximos de atingir as tão sonhadas marcas e a dança das cadeiras em algumas provas também gerará superação por parte dos nadadores. O forte ritmo de outras seletivas pelo mundo, como na França, Austrália, Reino Unido e Japão, também dão mostras que no Maria Lenk também assistiremos a grandes performances.

Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 13 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Vista do Estádio Nacional Olímpico – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Os 50m livre masculino prometem ser uma das provas mais aguardadas do programa. Tudo devido a situação do campeão olímpico e mundial Cesar Cielo, que ainda não conseguiu atingir o índice e não tem vaga na seleção brasileira. Cielo, que teve muitos problemas de lesão em 2015, precisará superar o índice de 22s27 e Ítalo Duarte, que no Open nadou para 22s08 e no momento tem a segunda vaga.

Além dos cinquentinha, os 100m e 200m livre também prometem fortes emoções. Além das vagas na prova individual, está em jogo um lugar nos revezamentos. O 4x100m livre masculino tem quase uma dezena de candidatos a vaga na equipe que brigará por medalha e no Maria Lenk terão a companhia dos medalhistas pan-americanos Federico Gabrich e Santo Condoreli, que aumentarão o nível técnico da disputa. Já no feminino o 4x200m livre é o mais esperado. Último revezamento feminino a chegar em uma final olímpica, em Atenas-2004, o equipe tem boas chances de repetir o feito no Rio-2016 e chegar novamente a uma final.

Os rituais de Cielo se tornaram famosos

Cesar Cielo esta na luta pelo índice olímpico nos 50m livre – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Chances de recordes sul-americanos, índices olímpicos alcançados, o primeiro teste da nova piscina olímpica e possíveis despedidas da natação de alto rendimento serão outros atrativos do Troféu Maria Lenk. Confira abaixo a programação completa do evento que contará com transmissão ao vivo das finais no Sportv.

1ª etapa, sexta-feira, dia 15/04: 400m medley masculino, 100m borboleta feminino, 400m livre masculino, 400m medley feminino e 100m peito masculino.

2ª etapa, sábado, dia 16/04: 100m costas feminino, 200m livre masculino, 100m peito feminino, 100m costas masculino e 400m livre feminino.

3ª etapa, domingo, dia 17/04: 200m livre feminino, 200m borboleta masculino e 200m medley feminino.

Joanna Maranhão (foto: Satiro Sodré/ SSPress/CBDA)

Joanna Maranhão busca um lugar na equipe do 4x200m livre – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

4ª etapa, segunda-feira, dia 18/04: 100m livre masculino, 200m borboleta feminino e 200m peito masculino.

5ª etapa, terça-feira, dia 19/04: 100m livre feminino, 200m costas masculino, 200m peito feminino e 200m medley masculino.

6ª etapa, quarta-feira, dia 20/04: 50m livre masculino, 50m livre feminino, 100m borboleta masculino, 200m costas feminino, 1500m livre masculino e 800m livre feminino.

Por Guilherme Freitas


Semana cheia para a natação master
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A temporada 2015 da natação brasileira esta chegando ao fim com diversos campeonatos estaduais e nacionais de categoria, últimas provas de circuitos de águas abertas e o Torneio Open, primeira seletiva olímpica, esta se aproximando. No último final de semana tivemos um momento histórico no Campeonato Gaúcho com o primeiro revezamento 360+ da América Latina formado por Eduardo Jaeger (92 anos), Anton Karl Biederman (91 anos), Ione Angelo (86 anos) e Nora Ronai (91 anos). Essa história você por ler na Best Swimming aqui. O calendário da natação master nacional também esta terminando e no próximo fim de semana haverá diversas competições simultaneamente em várias piscinas do país e listamos algumas delas neste artigo.

Em águas paulistas teremos duas competições. Na piscina do Círculo Militar, na capital, acontece a sexta e última etapa do Circuito Paulista Master de Natação que encerra a temporada da APMN (Associação Paulista Master de Natação) e premia os melhores atletas da temporada. No interior do estado, mais precisamente na cidade de Campinas, será disputada a última etapa do Circuito Unami de Natação Master. Esse evento é realizado mensalmente em cidades do interior paulista e a caberá a piscina do Tênis Clube Campinas a honra de encerrar mais uma temporada.

Vista da piscina da Vila Olímpica Parahyba, em João Pessoa - Foto: Alice Kohler/CBDA

Vista da piscina da Vila Olímpica Parahyba, em João Pessoa – Foto: Alice Kohler/CBDA

Também chega ao fim o Meeting Paranaense Master, que terá sua 4ª etapa no próximo sábado com a disputa do Troféu Anilda Kunsler Schmitz, na piscina curta do Complexo Esportivo Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu. Outro circuito que chega ao fim é o Circuito ABRAMN, promovido pela Associação Brasiliense Master de Natação e que será realizado no Conjunto Aquático Cláudio Coutinho em Brasília.

Além do encerramento desses circuitos teremos mais três campeonatos de verão. Em Minas Gerais o destaque é o Campeonato Mineiro Master de Verão na piscina do Jaraguá Country Club, na capital Belo Horizonte. Em João Pessoa ocorre o Campeonato Paraibano de Natação Master na piscina da Vila Olímpica Parayhba e em Recife, no Parque Aquático do Náutico, acontece o XIX Campeonato Pernambucano Master.

Um fim de semana e tanto para a natação master brasileira!

Por Guilherme Freitas

 


Nadando a caça do índice olímpico
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A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) divulgou esta semana os critérios e a tabela de índices técnicos de convocação para a seleção brasileira que irá disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no ano que vem. O selecionado só será definido após o Troféu Maria Lenk 2016, mas somando todos os resultados dos brasileiros este ano até o presente momento, já tivemos 42 atletas nadando este ano abaixo dos índices exigidos pela Federação Internacional de Natação (Fina).

No masculino o Brasil teria representantes em todas as provas. Os 50m livre é a prova que mais registrou tempos abaixo do índice A: sete no total. Os 400m livre, 200m costas e 200m borboleta são as provas onde apenas um nadador chegou a marca. No feminino são apenas nove índices nas provas de 50m e 200m livre, 100m costas, 100m borboleta e 200m e 400m medley. Nas demais algumas atletas estão próximas do índice e em outro casos muito distantes.

O nadador comemorou bastante o resultado nos 1500m livre - Foto: Satiro Sodré

Brandonn Almeida – Foto: Satiro Sodré

Como esperado, o Brasil se destaca nas provas de velocidade. Os tempos registrados em 2015 por velocistas (50m livre e provas de 100m estilo) representam a maioria das marcas abaixo do índice olímpico. Porém, a natação de fundo também tem presença na lista. Ausente em Jogos Olímpicos desde 2000, são boas as chances do Brasil voltar a estar nas Olimpíadas ano que vem. E até com dois atletas, já que nessa temporada Brandonn Almeida e Lucas Kanieski nadaram mais rápido do que os índices exigidos.

Vale destacar que o número poderia ser maior afinal em algumas provas alguns nadadores ficaram a centésimos desses tempos estipulados pela Fina. Exemplo nos 200m borboleta, onde Kaio Marcio de Almeida está a dois centésimos e Joanna Maranhão a cinco centésimos do tempo qualificatório para o Rio-2016. Larissa Oliveira nos 100m livre, Pedro Cardona nos 100m peito, Thiago Pereira nos 100m borboleta e nos 200m peito e Thiago Simon nos 200m medley também estão perto.

Lembrando que mesmo tendo sido mais rápidos que os índices olímpicos este ano, os brasileiros precisam confirmar esses tempos nas duas seletivas para o Rio-2016. A primeira será o Torneio Open, nos dias 16 a 19 de dezembro, em Palhoça (SC), e a segunda no Troféu Maria Lenk (que também será o evento teste olímpico), nos dias 15 a 20 de abril, na piscina do Parque Olímpico no Rio Janeiro (RJ).

Leo de Deus tem a sexta melhor marca do ano - Foto: Satiro Sodré

Leonardo de Deus – Foto: Satiro Sodré

Confira aqui quem já nadou esse ano abaixo dos índices olímpicos para o Rio-2016:

Masculino

50m livre: Bruno Fratus (21s55), Cesar Cielo (21s84), Italo Duarte (22s14), Matheus Santana (22s22), Alan Vitória (22s23), Henrique Martins (22s24) e Nicolas Santos (22s27)

100m livre: Marcelo Chierighini (48s27), Matheus Santana (48s52), Pedro Spajari (48s87), Henrique Martins (48s92) e Cesar Cielo (48s97)

200m livre: João de Lucca (1min46s42) e Nicolas Oliveira (1min47s41)

400m livre: Leonardo de Deus (3min49s62)

1500m livre: Brandonn Almeida (15min11s70) e Lucas Kanieski (15min14s18)

100 costas: Guilherme Guido (53s12) e Daniel Orzechowski (54s13)

200 costas: Leonardo de Deus (1min57s73)

100 peito: Felipe França (59s21), Felipe Lima (59s78) e João Luiz Junior (1min00s27)

200 peito: Thiago Simon (2min09s82), Felipe França (2min11s56) e Andrea Mickosz (2min11s65)

100m borboleta: Henrique Martins (52s32) e Arthur Mendes (52s33)

200m borboleta: Leonardo de Deus (1min55s01)

200m medley: Thiago Pereira (1min56s65) e Henrique Rodrigues (1min57s06)

400m medley: Thiago Pereira (4min13s94) e Brandonn Almeida (4min14s47)

Etiene Medeiros: feito inédito (foto: Satiro Sodré)

Etiene Medeiros – Foto: Satiro Sodré

Feminino

50m livre: Etiene Medeiros (24s55) e Graciele Herrmann (24s94)

200m livre: Manuella Lyrio (1min58s03) e Larissa Oliveira (1min58s53)

100m costas: Etiene Medeiros (59s61)

100m borboleta: Daynara de Paula (58s56) e Daiene Dias (58s74)

200m medley: Joanna Maranhão (2min12s39)

400m medley: Joanna Maranhão (4min38s07)

Por Guilherme Freitas


O quanto vale o Pan-Americano?
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O tema é polêmico. É chato. Há os defensores e os críticos com unhas e dentes. Mas é muito simplista e leviano decretar que o valor das conquistas brasileiras nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, têm pouca expressão. E vale explicar o porquê.

Etiene Medeiros fez história, conquistou a primeira medalha de ouro da natação feminina brasileira, venceu a 12 vezes medalhista olímpica Natalie Coughlin na prova individual, sorriu com o mascote e medalha de ouro no pódio. Além de tudo isso falar por si só, lembremos que a atual campeã e recordista mundial dos 50m costas em curta baixou a barreira do minuto na prova de 100m do estilo e fez o sétimo melhor tempo do ano: 59s61. “Eu sabia que para ganhar a prova teria que nadar para 59s. Mas na hora eu só consegui ver o 1, de primeiro lugar, no placar. Até agora não sei se eu ri, se eu chorei, o que aconteceu comigo ali na hora!”, disse a nadadora. Mas, para não encerrar ainda sobre a melhor atleta do país nas piscinas hoje em dia, vale lembrar seu papel fundamental nos dois bronzes dos revezamentos 4×100 medley e livre, e a prata nos 50m livre. Com 24s55, a pernambucana deixa para trás especialistas como Gracielle Herrmann, oitava melhor marca do planeta em 2015, também credenciada para uma final Mundial e, quem sabe, olímpica.

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré)

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré)

Aos 28 anos de idade, Joanna Maranhão quebrou um recorde que durava 11 anos, da época em que ela foi finalista olímpica. Baixou quase todas suas outras marcas nesse Pan, e vive uma fase de levantar qualquer torcedor da arquibancada para aplaudi-la. Foram dois segundos de quebra: 4m38s07 nos 400m medley, e a autossuperação apareceu outra vez no caminho da também pernambucana.

Recordes sul-americanos em todos os revezamentos femininos. Um deles por 3 segundos, nos 4x100m livre, lado a lado com a americana campeã olímpica Alisson Schmitt, de igual pra igual. “Não esperava tão bem nadar os 100m livre. Quando eu a vi ao meu lado, todos torcendo, pensei ‘não vou deixar ela abrir!'”, disse Daynara de Paula, que fez parte dos 3m37s39 ao lado de Larissa Oliveira, Gracielle e Etiene, uma marca que daria a sexta colocação no Mundial de Barcelona de 2013 para esse mesmo grupo. A vaga olímpica é uma realidade para os três revezamentos femininos, e uma final é um sonho realizável nos dois de estilo livre.

Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro, Joanna Maranhã e, Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré)

Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro, Joanna Maranhã e, Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré)

Tudo isso falando apenas da natação feminina, que tanto carecia de crescimento nos últimos anos.

Entre os peitistas, o sucesso e o esforço continuam dando frutos. Felipe França caiu na água para, com tranquilidade, nadar duas vezes abaixo de um minuto nos 100m peito. Fez, na final, o terceiro tempo do mundo, com 59s21. Não importa a cor da medalha pan-americana. França é realidade de pódio para uma prova olímpica.

Henrique Rodrigues bateu o maior medalhista pan-americano da história, medalhista olímpico, e também fez a terceira melhor marca do ano nos 200m medley: 1m57s06.

João de Lucca, o rei das jardas americanas, reverteu para a piscina longa o seu talento: nono tempo do mundo de 2015, com recorde sul-americano nos 200m livre, com 1m46s47.

Bruno Fratus nadou abaixo dos 22s no 50m livre (21s91), algo que o tricampeão e recordista mundial Cesar Cielo só fez uma vez em 2015.

Leo de Deus, com 1m55s01, além do bicampeonato pan-americano, fez o sexto  melhor tempo da temporada nos 200m borboleta.

Brandonn Almeida, nadador ainda de categoria Junior, não só conquistou um ouro (graças à desclassificação de Thiago Pereira) aos 18 anos, como fez o 16º tempo do ano nos 400m medley, além de uma prova espetacular nos 1500m livre, no tradicional “se tivessem mais alguns metros, ele alcançava os rivais”. Não só isso. O jovem do Corinthians é destaque em todos os campeonatos que disputa desde a categoria Petiz, ou seja, desde seus 11 anos. Sempre baixando seus tempos.

E três revezamentos alucinantes, com destaque para o 4x100m livre e medley.

Brandonn Almeida (foto: Satiro Sodré)

Brandonn Almeida (foto: Satiro Sodré)

Eu sequer preciso mencionar Thiago Pereira, que se tornou o maior medalhista do torneio de todos os tempos, com 23 medalhas. O Pan e suas medalhas podem não ter grande relevância no cenário esportivo mundial, mas o que importa avaliar são os resultados dos atletas no ranking mundial, além dos rivais (vários olímpicos) superados. Isso é um credenciamento de grandes posições nos campeonatos subsequentes. Diante do desempenho em ascensão de uma delegação que hoje é reconhecida internacionalmente e que chama a atenção do mundo, não é preciso focar em Thiago ou em Cielo. O Brasil, hoje, já se tornou mais do que eles na natação.

Por Mayra Siqueira


Nova Joanna: ‘Imagino Hosszu e Mireia do lado’
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De volta às piscinas  – e aos bloco de competição -, Joanna Maranhão mudou muita coisa em sua vida para ser outra vez a referência da natação feminina nacional nas provas de medley. E foram tantas alterações para uma nova mentalidade e maturidade, que mudanças antes consideradas impossíveis entraram em ação na rotina da recifense.

A começar pela cidade: pernambucana de raiz, criação, e coração, Joanna agora enfrenta o caos paulistano para treinar no Esporte Clube Pinheiros de… bicicleta! “Por incrível que pareça, eu estou adorando. Vim consciente de todas as influências que São Paulo tem. Quando fui morar em Minas, fui levada por aquela coisa acomodada do mineiro, para minha carreira não foi tão bom. Aqui eu nem trouxe ainda meu carro, faço tudo de bike. Vou ao mercado de bike, vou malhar de bike, ao treino, ao salão… só uso taxi e ônibus quando preciso. Não estou me deixando ser sugada pela coisa gigantesca que é São Paulo”, disse à Swim Channel.

"Eu voltei". Joanna conquista índices para Kazan com estilo no Open do RJ - Foto: Satiro Sodre

“Eu voltei”. Joanna conquista índices para Kazan com estilo no Open do RJ – Foto: Satiro Sodre

A mudança foi tomada para encarar a carreira que decidiu retomar quando o prazer em tocar a água voltou, e os problemas e resoluções pessoais se acalmaram. A faculdade se encaminhou, a ONG Infância Livre, para denunciar casos de pedofilia, da qual é presidente, já está bem administrada. Restou o resgate à paixão. Pequenas competições no (re)início, culminando em um Open de Natação em dezembro do ano passado, com índices para o Mundial de Kazan nos 200m e 400m medley – depois de apenas cinco meses de treinamento. “Eu estava muito feliz, muito plena na hora. Queria o momento de subir no bloco mais que tudo. Não tinha dúvidas de que as marcas seriam boas e abaixo dos índices, mas não sabia quão baixas. Eu estava presa às marcas do passado, mas meu corpo estava evoluído. Agora não mais”, completou.

A nova rotina é melhor do que ela, que sempre treinou sozinha em uma disputa diária com o cronômetro, poderia esperar. No dia a dia no Pinheiros, treina com André Ferreira, o Amendoim, na elite do clube paulista, ao lado de grandes nomes e novos potenciais da natação nacional, como Guilherme Guido, Larissa Oliveira e Gabriel Ogawa. A energia dos colegas, para ela, é o que faz a diferença. Todos sabem treinar e não precisam de pequenas orientações de dia a dia. Mas, comparar-se e competir com o colega da raia ao lado? Nem pensar! Isso não é Joanna.

Equipe do Pinheiros que participou dos treinamentos em altitde em Sierra Nevada - Espanha - Foto: Reprodução Instagram

Equipe do Pinheiros que participou dos treinamentos em Sierra Nevada – Espanha – Foto: Reprodução Instagram

“A Georgina Bardach (medalhista olímpica argentina) sempre foi minha referência nas competições. Eu queria ganhar dela, não tinha mais interesse em apenas ganhar um Brasileiro. Quando ela se desmotivou, perdi essa referência. Então, hoje, o que eu procuro fazer no treino é visualizar a Katinka Hosszu e a Mireia Belmonte ao meu lado. Então eu penso: ‘se eu não fizer a ondulação direito aqui e agora, ela vai me passar’. É uma coisa meio louca, mas tenho que me colocar num patamar alto, não tenho mais nada a perder. Já vivi de tudo, conquistas, glórias, decepções, tudo de forma extrema. Quero mais é curtir mesmo”.

A concorrência no Brasil segue abaixo do esperado. Mesmo fora do cenário nacional por quase um ano, Joanna deu um banho nas adversárias em suas provas. Mas a nova geração tem em Júlia Gerotto (21 anos) e Giovanna Diamante (17 anos) os grandes potenciais para as provas de meio fundo e fundo, deficiências da natação brasileira há bastante tempo. “Com o tempo e a experiência, eu já não me estresso mais com as pequenas coisas. Me sinto abençoada. Aos 27 anos, treino melhor que aos 17. O treino de Sierra Nevada (com a seleção brasileira nas últimas semanas) foi o meu 14º de altitude, e foi o melhor de todos. Nunca consegui imprimir tanta qualidade, voltei muito mais forte e mais seca, melhorei coisas que antes não consegui de jeito nenhum, como o trabalho submerso”.

E, para pôr em prática? “Estou louca pra competir de novo! Esse ano eu vou nadar tudo o que deixarem. Por mim, estarei em Jogos Militares, Pan-Americano, em Kazan.. tudo!”. Uma nova-velha Joanna Maranhão.

Por Mayra Siqueira


Kaio Márcio: ‘2016 penso em disputar medalha’
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Ele ficou um tempo sumido do mapa. Alguns até podem ter imaginado que ele se aposentou, apesar de ter mantido silêncio sobre o assunto. Mas, como muitos atletas profissionais fazem, ele apenas tirou um período de “férias” prolongadas das piscinas. Depois de Londres-2012, Kaio Márcio buscou um tempo para si próprio, resolveu questões pessoais, tirou a rotina puxada de treinos da sua realidade, e aproveitou para ter uma vida “normal”. Mas o objetivo estava sempre ali: de uma Olimpíada à outra. Ele parou sabendo que ia voltar para disputar mais uma vez o principal torneio poliesportivo do mundo em sua própria casa.

Kaio Márcio largou a água, mas voltou: 2016 é para pódio – Foto: Satiro Sodré/SS Press

“Dei um tempo para realmente seguir o que estava no meu coração. E era nadar as Olimpíadas de 2016 aqui, no Brasil. Eu já tive experiência de nadar em casa (Pan-Americano de 2007), e foi algo único. Então sei que Rio-2016 vai ser algo único também. Por toda a minha vida fui nadador e atleta, seria um presente nadar e estar aqui, e por isso eu decidi voltar”, afirmou o atleta à Swim Channel.

Pra isso, mudança de ares e de rotina. Kaio acertou com o Minas tênis Clube no fim de janeiro, já está morando em Belo Horizonte, e se aliando a um grande nome profissional: treina com Scott Volkers, técnico australiano que estava comandando Cesar Cielo no ano passado e que tem vasta experiência em atletas do estilo do paraibano.

“Eu já tinha na minha mente que nos próximos dois anos eu ia me dedicar à natação. Eu sabia que o Scott estava no Minas, e acho ele fora de série comparado com o que temos no Brasil. Ele treinou a Susan O’Neill, recordista mundial e campeã olímpica nos 200m borboleta. Uma referência muito boa pra mim no meu estilo e nas minhas provas”, disse Kaio, que elogiou a estrutura do clube e as facilidades de morar perto do local e conseguir resolver tudo o que envolve sua preparação de forma simples e rápida.

A pedra no sapato do nadador não esmoreceu suas ambições. No segundo semestre do ano passado, ele descobriu uma lesão no ombro: tinha apenas 10% do tendão. Precisaria operar, se tivesse pretensões olímpicas. E a descoberta foi por acaso, ao realizar um exame, já que não sentia dores no local. Optou por tirar o problema da frente e operar rapidamente, para ter tempo de disputar o Mundial de Kazan e seguir seu ritmo para 2016.

Agora, segue uma preparação intensa para recuperar a massa magra que perdeu nos dois meses pós-cirúrgicos, com musculação e fisioterapia diariamente. Na piscina, já está treinando de forma praticamente normal, com apenas uma dobra semanal, que quer ampliar para quatro até o final de fevereiro. Borboleta, por enquanto, nem pensar. A parte aeróbica está bem trabalhada apenas no crawl e nos outros estilos. Sua especialidade só voltará à rotina de treinos no final de fevereiro, segundo seu planejamento, para que possa, em abril, disputar o Maria Lenk e conseguir a vaga para a Rússia.

“Quero Kazan. O índice de 1m56s9 não é muito difícil, mas, para mim, hoje, é difícil, já que não estou nadando borboleta. Depende na verdade da minha recuperação”, ponderou, antes de acrescentar sua motivação maior: “Em 2016 eu não penso em participar, penso em disputar medalha. Estou treinando pra isso. Vim pra cá e estou focado pra isso”.

O foco será os 200m borboleta, sua especialidade, mas ele não descarta os 100m e 50m do estilo - Foto: Satiro Sodré/SS Press

O foco será os 200m borboleta, sua especialidade, mas ele não descarta os 100m e 50m do estilo – Foto: Satiro Sodré/SS Press

E apesar da boa concorrência nacional, com nomes como Leo de Deus e Luiz Altamir em disputa, Kaio Márcio garante: tem muito o que focar ainda em mesmo antes de pensar nos rivais. O percurso é trabalhoso, mas não muito longo. O primeiro passo para tudo isso, o Maria Lenk, está logo ali. Em breve suas asas de borboleta vão voltar a bater e levantar voo.

Por Mayra Siqueira