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4x200m livre feminino: disputa em aberto
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Ainda faltam dois meses para o Torneio Open, competição que vai acontecer em Palhoça e será a primeira seletiva olímpica da natação brasileira. Será lá que o time dos Jogos do Rio-2016 começará a ser formado. Algumas provas prometem muitas disputas, inclusive as dos revezamentos já qualificados para os Jogos. Porém, seja no 4x200m livre feminino que a disputa promete ser muito equilibrada e bastante competitiva.

Há 11 anos o 4x200m livre feminino formado por Joanna Maranhão, Monique Ferreira, Paula Baracho e Mariana Brochado fazia história e terminava a final olímpica da prova na sétima colocação com um novo recorde sul-americano: 8min05s29. O tempo passou e o recorde persistiu por mais de uma década até que no Troféu Maria Lenk deste ano, a equipe feminina do Pinheiros (Manuella Lyrio, Gabrielle Roncatto, Joanna Maranhão e Larissa Oliveira) bateu a marca com 8min03s22. No Mundial de Kazan o revezamento (com Jessica Cavalheiro no lugar de Gabrielle Roncatto) melhorou ainda mais o recorde com 7min57s15 e garantiu vaga nos Jogos do Rio de Janeiro.

Maria Paula Heitmann -  Foto: Satiro Sodre/SSPress

Maria Paula Heitmann – Foto: Satiro Sodre/SSPress

A vaga esta garantida, mas quem vai nadar ainda não. E a batalha pelas quatro vagas promete ser bastante acirrada. Além das cinco citadas acima podemos colocar mais duas atletas nessa lista de pretendentes ao time olímpico: as jovens revelações Maria Paula Heitmann e Rafaela Raurich.

No Troféu Chico Piscina em Mococa, Maria Paula deu show. Venceu a prova individual com excelentes 2min00s71, melhor tempo de sua vida e novo recorde de campeonato. O tempo não é uma surpresa, pois a nadadora de 16 anos vem crescendo há um certo tempo, mas o fato de fazer esse resultado sem descansar mostra que Maria Paula pode chegar muito bem no Torneio Open. Já Rafaela Raurich, de 15 anos de idade, também vem crescendo e evoluindo. No Campeonato Mundial Junior de Cingapura ela foi finalista e na semifinal mandou 2min01s40. Também pode muito bem chegar até o Maria Lenk 2016 com possibilidade de lutar por uma vaga no revezamento.

Rafaela Raurich - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Rafaela Raurich – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Até a disputa do Open as duas deverão disputar o Campeonato Brasileiro Juvenil (Troféu Carlos Campos Sobrinho) em João Pessoa, no mês de novembro, como uma espécie de aquecimento para a primeira seletiva olímpica para o Rio-2016. Sem dúvida a disputa por uma vaga nesse 4x200m livre promete ser eletrizante até a última seletiva.

Por Guilherme Freitas


O quanto vale o Pan-Americano?
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O tema é polêmico. É chato. Há os defensores e os críticos com unhas e dentes. Mas é muito simplista e leviano decretar que o valor das conquistas brasileiras nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, têm pouca expressão. E vale explicar o porquê.

Etiene Medeiros fez história, conquistou a primeira medalha de ouro da natação feminina brasileira, venceu a 12 vezes medalhista olímpica Natalie Coughlin na prova individual, sorriu com o mascote e medalha de ouro no pódio. Além de tudo isso falar por si só, lembremos que a atual campeã e recordista mundial dos 50m costas em curta baixou a barreira do minuto na prova de 100m do estilo e fez o sétimo melhor tempo do ano: 59s61. “Eu sabia que para ganhar a prova teria que nadar para 59s. Mas na hora eu só consegui ver o 1, de primeiro lugar, no placar. Até agora não sei se eu ri, se eu chorei, o que aconteceu comigo ali na hora!”, disse a nadadora. Mas, para não encerrar ainda sobre a melhor atleta do país nas piscinas hoje em dia, vale lembrar seu papel fundamental nos dois bronzes dos revezamentos 4×100 medley e livre, e a prata nos 50m livre. Com 24s55, a pernambucana deixa para trás especialistas como Gracielle Herrmann, oitava melhor marca do planeta em 2015, também credenciada para uma final Mundial e, quem sabe, olímpica.

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré)

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré)

Aos 28 anos de idade, Joanna Maranhão quebrou um recorde que durava 11 anos, da época em que ela foi finalista olímpica. Baixou quase todas suas outras marcas nesse Pan, e vive uma fase de levantar qualquer torcedor da arquibancada para aplaudi-la. Foram dois segundos de quebra: 4m38s07 nos 400m medley, e a autossuperação apareceu outra vez no caminho da também pernambucana.

Recordes sul-americanos em todos os revezamentos femininos. Um deles por 3 segundos, nos 4x100m livre, lado a lado com a americana campeã olímpica Alisson Schmitt, de igual pra igual. “Não esperava tão bem nadar os 100m livre. Quando eu a vi ao meu lado, todos torcendo, pensei ‘não vou deixar ela abrir!'”, disse Daynara de Paula, que fez parte dos 3m37s39 ao lado de Larissa Oliveira, Gracielle e Etiene, uma marca que daria a sexta colocação no Mundial de Barcelona de 2013 para esse mesmo grupo. A vaga olímpica é uma realidade para os três revezamentos femininos, e uma final é um sonho realizável nos dois de estilo livre.

Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro, Joanna Maranhã e, Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré)

Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro, Joanna Maranhã e, Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré)

Tudo isso falando apenas da natação feminina, que tanto carecia de crescimento nos últimos anos.

Entre os peitistas, o sucesso e o esforço continuam dando frutos. Felipe França caiu na água para, com tranquilidade, nadar duas vezes abaixo de um minuto nos 100m peito. Fez, na final, o terceiro tempo do mundo, com 59s21. Não importa a cor da medalha pan-americana. França é realidade de pódio para uma prova olímpica.

Henrique Rodrigues bateu o maior medalhista pan-americano da história, medalhista olímpico, e também fez a terceira melhor marca do ano nos 200m medley: 1m57s06.

João de Lucca, o rei das jardas americanas, reverteu para a piscina longa o seu talento: nono tempo do mundo de 2015, com recorde sul-americano nos 200m livre, com 1m46s47.

Bruno Fratus nadou abaixo dos 22s no 50m livre (21s91), algo que o tricampeão e recordista mundial Cesar Cielo só fez uma vez em 2015.

Leo de Deus, com 1m55s01, além do bicampeonato pan-americano, fez o sexto  melhor tempo da temporada nos 200m borboleta.

Brandonn Almeida, nadador ainda de categoria Junior, não só conquistou um ouro (graças à desclassificação de Thiago Pereira) aos 18 anos, como fez o 16º tempo do ano nos 400m medley, além de uma prova espetacular nos 1500m livre, no tradicional “se tivessem mais alguns metros, ele alcançava os rivais”. Não só isso. O jovem do Corinthians é destaque em todos os campeonatos que disputa desde a categoria Petiz, ou seja, desde seus 11 anos. Sempre baixando seus tempos.

E três revezamentos alucinantes, com destaque para o 4x100m livre e medley.

Brandonn Almeida (foto: Satiro Sodré)

Brandonn Almeida (foto: Satiro Sodré)

Eu sequer preciso mencionar Thiago Pereira, que se tornou o maior medalhista do torneio de todos os tempos, com 23 medalhas. O Pan e suas medalhas podem não ter grande relevância no cenário esportivo mundial, mas o que importa avaliar são os resultados dos atletas no ranking mundial, além dos rivais (vários olímpicos) superados. Isso é um credenciamento de grandes posições nos campeonatos subsequentes. Diante do desempenho em ascensão de uma delegação que hoje é reconhecida internacionalmente e que chama a atenção do mundo, não é preciso focar em Thiago ou em Cielo. O Brasil, hoje, já se tornou mais do que eles na natação.

Por Mayra Siqueira


O fim da geração ‘menor de idade’ de Londres
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Na última quinta-feira, quando soprava dezoito velinhas sobre seu bolo de aniversário, Ruta Meilutyte colocava fim a uma era de “novinhas” aquáticas. Se ela e outras companheiras surpreenderam o mundo nos Jogos Olímpicos de 2012 desbancando veteranas, agora elas são as experientes e rivais a serem batidas para o esperado evento do Rio no próximo ano.

Aos 15 anos, a lituana venceu os 100m peito e se tornou a segunda atleta mais jovem da natação a conquistar um ouro olímpico – perdeu para a japonesa Kyoko Iwasaki, que venceu os 200m peito da Olimpíada de Barcelona em 1992 aos 14 anos.

No mesmo evento, a chinesa Ye Shiwen já havia assombrado o planeta ao vencer os 400m medley com um arrasador final de prova. Aos 16. Entre as americanas, a já bem conhecida “Phelps de saias”, Missy Franklin, abocanhou aos 17 anos cinco medalhas olímpicas, sendo quatro de ouro, na sua primeira participação nos Jogos.

Sem óculos, de maiô simples, e tamanho infantil: Kyoko Iwasaki foi campeã olímpica aos 14 anos - Foto: Reprodução YouTube

Sem óculos, de maiô simples, e tamanho infantil: Kyoko Iwasaki foi campeã olímpica aos 14 anos – Foto: Reprodução YouTube

Dois dias antes do aniversário de Ruta encerrar a geração “menor de idade” de Londres, Katie Ledecky, a mais jovem integrante da seleção norte-americana e medalhista de ouro dos 800m livre em Londres, também recebeu os parabéns e completou 18 anos.

Hoje experientes no cenário mundial, confira o que fizeram de 2012 pra cá – e o que esperar dos já não tão novos fenômenos da natação:

Missy Franfklin – 19 anos (completa 20 em maio)

Missy Franklin é referência da natação feminina norte-americana

Missy Franklin é referência da natação feminina norte-americana

Talvez mais famosa que sua conterrânea Ledecky, Missy já tinha mais atenção da mídia em 2012 – até por ser dois anos mais velha. Mas os primeiros passos foram parecidos. A jovem de Pasadena, Califórnia, ficou popular depois do vídeo ao som do hit “Call Me Maybe”, com a seleção norte-americana, que tornou-se um viral na época. Parece quase um pecado atribuir popularidade para uma estrela esportiva por um desempenho em um vídeo amador, mas a verdade é que a simpatia de Missy fez o mundo vê-la com olhares nem sempre dispensados a atletas fenomenais, mas pouco carismáticos, como Michael Phelps.

Franklin debutou internacionalmente na seletiva americana de 2008, aos 13 anos. Nada de muito espetacular, mas em 2010 ela conseguiu vaga no time para o Pan Pacífico, quando sua carreira realmente deslanchou. Em Londres, desnecessário dizer: tornou-se uma estrela feminina das piscinas, selando seu bom momento em Barcelona-2013, com seis ouros em sete provas (200m livre, 100m e 200m costas, 400m medley e 4x100m medley e livre, e 4×200 livre, além de um quarto lugar no 100m livre).

Assim como optou Ledecky, Missy escolheu permanecer amadora (isso é, rejeitando qualquer tipo de contrato de patrocínio) até este ano, para poder disputar o NCAA, o fortíssimo campeonato norte-americano universitário.

Com uma lesão nas costas, Franklin teve uma temporada abaixo da média em 2014. Ainda assim bateu a terceira melhor marca da história americana no 100m costas no campeonato nacional, vencendo também os 200m do estilo e 100m livre, e terminando com a prata nos 200m livre, atrás de Katie. No Pan Pacífico, nadou quatro provas individuais e três revezamentos, e levou apenas um bronze sozinha, nos 100m costas, além de ouro no 4x200m livre e prata nos 4×100 livre e medley.

Ye Shiwen – 19 anos

Ye Shiwen, dona do fim de prova mais impressionante de todos os tempos nos 400m medley - Foto: Martin Bureau/AFP

Ye Shiwen, dona do fim de prova mais impressionante de todos os tempos nos 400m medley – Foto: Martin Bureau/AFP

Ela venceu os 400m em Londres com um fim de prova mais rápido que o campeão masculino da prova, Ryan Lochte. “Só” isso. Levantou suspeitas – e acusações – de uso de doping para justificar seu desempenho espantoso. Negou veementemente. E seguiu com poucos holofotes por parte do mundo aquático ocidental desde então.

Ye Shiwen foi escolhida ao final de 2014 a nadadora asiática do ano pelo portal especializado Swim Swam, com a explicação de que, realmente, não teve assim uma temporada espetacular, mas ainda está muito à frente das principais nadadoras asiáticas. Venceu os 200m e 400m medley nos Jogos Asiáticos, e com uma distância considerável de suas rivais, se mantendo no top 10 do mundo do ano nas provas. A menos de um segundo da líder Katinka Hosszu nos 200m, em quarto lugar na lista e, ainda mais expressivo, líder nos 400m com os 4m30s84 que bateu no Campeonato Chinês, tempo feito com uma dor de estômago que a tirou da prova mais curta na ocasião. Relevantes marcas internacionais.

Katie Ledecky – 18 anos

Katie Ledecky é hoje a maior nadadora americana, aos olhos do especialistas - Foto: Lluis Gene/AFP/Getty Images

Katie Ledecky é hoje a maior nadadora americana, aos olhos do especialistas – Foto: Lluis Gene/AFP/Getty Images

Três recordes mundiais nas três provas de fundo da natação. A nona nadadora na história, mas a primeira desde Janet Evans (1988-2006), a conquistar o feito.

Ledecky está destinada a grandes conquistas desde o início de sua adolescência, assim veem os que tiveram contato com a jovem nas primeiras braçadas. Até as seletivas pré-olímpicas de 2012, Katie não havia disputado uma grande competição. Pode-se considerar, sim, que era uma quase desconhecida do mundo quando pisou no parque aquático londrino, três anos atrás. O foco estava na dona da casa, recordista mundial e favorita, Rebecca Adlington. Que viu seu reinado cair com a batida de mão da menina de 15 anos, seis segundos à sua frente. E 21 segundos abaixo do que a americana fazia um ano antes.

Isso é apenas uma “reprise” do que foi o surgimento de Ladecky no cenário internacional. Mas o que a atleta é, e o seu gigante potencial, apareceriam de verdade para o mundo nas duas temporadas subsequentes. Antes de ter permissão de dirigir em seu país, ela já somava dois recordes mundiais, quatro títulos mundiais e o ouro olímpico. No Pan Pacífico do ano passado, foram cinco vitórias: 200m, 400m, 800m, 1500m e 4x200m livre. A primeira atleta a conquistar quatro provas individuais no evento.

Do alto de sua precoce maturidade, Katie prega o que todo veterano, eventualmente, aprende: “Quando você está atrás do bloco, você põe em prática o que você treinou. É claro que você sabe o que você vai fazer em cada prova”. Parece simples, mas muitos demoram a aprender. E a pequena joia é guardada com todo o cuidado pela comissão técnica  norte-americana.

Ruta Meilutyte – 18 anos

Lágrimas e sorriso infantil: a 'menina' Ruta Meilutite, é, aos olhos do seu treinador e rivais, uma mulher formada

Lágrimas e sorriso infantil: a ‘menina’ Ruta Meilutite, é, aos olhos do seu treinador e rivais, uma mulher formada

Ela nada com adultas, com mente equivalente. Apesar da idade, o sucesso precoce fez com que a jovial lituana que fez história em Londres aprendesse a pensar como suas concorrentes. Talvez ironicamente, ela se sente melhor entre as mais velhas. Quando pisava em um evento junior, até então de sua categoria, Ruta era uma estrela. Autógrafos, fotos, rostos virando em sua direção, olhas furtivos e ansiosos no balizamento. Mas entre os profissionais, ela é apenas mais uma.

Meilutyte abocanhou desde Londres todos os títulos mais relevantes possíveis no cenário internacional, nos 50m e 100m peito: foi campeã mundial de longa e de curta – no absoluto e na categoria junior-, campeã europeia nas duas piscinas, campeã dos Jogos Olímpicos da Juventude, e campeã europeia junior. Ainda possui os recordes mundiais de 50m na longa e 100m peito nas duas piscinas (dividindo o de curta com a jamaicana Alia Atkinson).

A maturidade se vê na forma como ela encara a “pressão”. Quer vencer os 100m peito no Rio novamente por uma questão de orgulho – orgulho de manter seu título, e para repetir o orgulho de seus conterrâneos com mais uma expressiva marca para o pequeno país. “A pressão existe porque todos ali querem me ver nadar bem outra vez. Não tem como ver como algo negativo”.

***

A atleta mais jovem a conquistar um ouro na história dos Jogos Olímpicos foi a americana Marjorie Gestring dos Saltos Ornamentais, que venceu Berlim, em 1936, aos 13 anos. Entre outros eventos internacionais, a nadadora mais jovem a conquistar uma medalha foi a dinamarquesa Inge Sorensen, bronze nos 200m peito com apenas 12 anos.

Por Mayra Siqueira


E o 4x100m livre feminino?
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No começo do ano Alexandre Pussieldi, editor do Blog do Coach e colunista da SWIM CHANNEL, publicou em seu blog uma série especial sobre as chances do revezamento brasileiro masculino 4x100m livre brigar por uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. De fato, a equipe masculina brasileira está entre os cotados para subir no pódio e por nadar em casa terá uma motivação a mais por buscar a tão sonhada medalha. Mas e o 4x100m livre feminino? Como esta a situação da equipe?

Em 2014, o revezamento brasileiro terminou a temporada na 14ª colocação do ranking mundial com o tempo de 3min42s20 conquistado durante o Campeonato Pan-Pacífico de Gold Coast. Em 2013 a equipe nacional foi melhor. Durante o Mundial de Barcelona nadou para 3min41s05, terminando em 11º lugar e estabelecendo o atual recorde sul-americano da prova. Terminou o ano na mesma 11ª colocação no ranking internacional. Este ano o revezamento feminino vai para o Mundial de Kazan para tentar a classificação direta para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Segundo o regulamento olímpico, as 12 melhores equipes classificadas no Campeonato Mundial garantem vaga automática para as Olimpíadas. Se conseguir repetir o desempenho de Barcelona vai atingir o objetivo.

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano em 2014 - Foto: Satiro Sodré

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano em 2014 – Foto: Satiro Sodré

E pelos resultados registrados no Torneio Open e no Campeonato Brasileiro Sênior de Verão, que foram disputados simultaneamente no fim da temporada passada, são boas as chances do Brasil conseguir atingir este objetivo no Mundial de Kazan. Nos dois eventos realizados na piscina do Botafogo foram feitos os quatro melhores tempos nos 100m livre na temporada, com direito a recorde sul-americano individual.

As marcas foram de Larissa Oliveira (54s61), Graciele Herrmann (54s76), Daiene Becker (55s35) e Alessandra Marchioro (55s69). Larissa, inclusive, bateu o recorde continental da prova com este resultado. A soma destes tempos do quarteto é de 3min40s41, mais de meio segundo abaixo do recorde sul-americano. O tempo não muda o Brasil de posição em relação aos rankings mundiais de 2013 e 2014, mas deixa a equipe brasileira mais perto de outras seleções que também estarão em Kazan de olho na vaga direta para o Rio-2016.

Em Barcelona o 4x100m livre bateu o recorde sul-americano - Foto: Satiro Sodré

Em Barcelona o 4x100m livre bateu o recorde sul-americano – Foto: Satiro Sodré

Além das quatro velocistas há outras duas nadadoras na casa dos 55 segundos: Daynara de Paula (55s80) e Manuela Lyrio (55s94). Uma das revelações da natação feminina, Gabriele Roncatto terminou 2014 no sétimo posto do ranking nacional (56s00) e se coloca entre possíveis selecionáveis, assim como a campeã mundial de curta Etiene Medeiros que ano passado nadou para 56s04. O revezamento 4x100m livre feminino dificilmente subirá ao pódio olímpico, porém, após estar ausente em Londres-2012 retornar a uma Olimpíada será um grande resultado da natação feminina. E um bom desempenho no Mundial de Kazan será essencial para pode estar no Rio ano que vem.

Por Guilherme Freitas


Etiene: “Esse mundial foi uma coisa inexplicável”
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“Gente, eu sonhei em ser medalhista mundial, sonhei tanta coisa… mas quando a gente é pequena, não sabe o quanto vai trabalhar pra isso acontecer”.

Ela está longe de ser “pequena”. Seus sonhos são altos, mas no chão. Por mais contraditório que possa parecer, Etiene Medeiros tem a perfeita noção de realidade de alguém que sonhou em chegar – e bateu na porta – no ponto mais alto do esporte.

O sorriso da recordista mundial - Foto: Satiro Sodre/SSPress

O sorriso da recordista mundial – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Sorriso tímido enquanto empurrava o carrinho do aeroporto com a sua volumosa bagagem, a nadadora de 23 anos mistura de forma harmoniosa o lado infantil com a maturidade campeã. Estufou o peito e encarou a multidão de jornalistas e câmeras com seriedade e respostas bem elaboradas. Falou ao microfone da TV Globo ao vivo no Jornal Nacional. Sorriu e mostrou as medalhas para as fotos. Mas não hesitou em largar tudo isso e ir, saltitante feito criança, ao encontro do seu treinador e quase “pai” do esporte, Fernando Vanzella.

“Ainda não caiu a ficha dela. Aos poucos ela vai sentir, e vamos sentir dela também. O que posso falar é que ela tem uma inteligência emocional muito grande e vai lidar bem com tudo isso aí”, disse Vanzella, antes de Etiene aparecer e abraçá-lo com carinho e cumplicidade de treinador e atleta.

O feito histórico da nadadora foi absorvido. “Mundial não tem esse nome em vão. Entre provas olímpicas e não olímpicas, isso não define nada. Sou medalhista mundial, campeã, e recordista. Mas tem muita coisa pra acontecer, muito trabalho. Mas foi tudo muito expressivo”, ponderou.

Para Etiene, Vanzella é como um 'pai' aquático - Foto: Reprodução Instagram

Para Etiene, Vanzella é como um ‘pai’ aquático – Foto: Reprodução Instagram

O clima do grupo foi o discurso que se repetiu, como forma de maturidade pra essa seleção. Palavras do próprio César Cielo. Mas foram os olhos de Etiene que brilharam: “Esse Mundial foi uma coisa inexplicável. Todo mundo acompanhou de quarta a domingo. Foi muito motivante e eletrizante, e uma ótima bagagem para a natação brasileira. Vamos ganhar muito com isso. Pela alegria. Na final, lembrei que não estava ali para uma batalha, para a forca. Eu estava ali para algo que eu escolhi. Com alegria”.

Para a parte prática: Etiene, como a maioria dos brasileiros, tem o Open no Rio de Janeiro na próxima semana, para fechar o calendário do ano. É a primeira seletiva para Panamericano e Mundial de Kazan para 2015. O disco dela muda radicalmente: o foco voltará a ser a prova dos 100m costas. Vanzella reconhece que ela ainda sente muito cansaço na volta da prova, nos 50m finais. O nervoso a tirou da final no Pan Pacífico, mas em Doha ela ficou pela primeira vez entre as oito melhores na prova em uma grande competição. Para Kazan, o objetivo é igual.

Outras provas olímpicas também devem ser trabalhadas para seu “cardápio”, como os 100m borboleta e os 50m livre. “Não existe só costas”, declarou a pernambucana. “Eu gosto muito de nadar velocidade, 50m livre é uma prova bastante disputada, e no revezamento 4x50m livre eu fiz um resultado muito expressivo (parcial de 23s58). Tem muitas provas em que posso brigar. Preciso pôr em prática”.

E se encarar a “fama” faz parte do pacote de uma campeã, ela vai ter que aprender… “Estou feliz, é muita coisa. Tenho que começar a me acostumar se quiser objetivos maiores na natação, né?”. Está no caminho.

Por Mayra Siqueira


O fenômeno Katie Ledecky
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O bom treinador sabe que uma prova cheia de erros é uma prova com excelente potencial para melhora. Talvez por esse pensamento Bruce Gemmel não considerou os 400m livre de Katie Ledecky, um estonteante novo recorde mundial, em 3min58s86, uma “prova perfeita”. A própria nadadora deixou a piscina em Irvine, Estados Unidos, neste final de semana, pelo Campeonato Americano, satisfeita e só sorrisos, apreciando os detalhes de uma metragem bem nadada. Mas Gemmel quer ainda muito mais de sua jovem pupila de apenas 17 anos.

Ledecky entrou para um hall de atletas extremamente restrito. Com a marca dos 400m, se tornou a nona nadadora na história – e a primeira desde Janet Evans (1988-2006) – a ter recordes mundiais nas três provas de fundo da natação. Os 800m (8min11s00) e 1500m (15min34s23) já têm o nome da americana gravados.

Katie Ledecky comemora novo recorde mundial - Foto: Getty Images

Katie Ledecky comemora novo recorde mundial – Foto: Getty Images

A jovem nadadora ainda é a única, desde Federica Pellegrini, a nadar a prova abaixo dos 4 minutos – e a única na era sem os trajes tecnológicos. Uma diferença importante, já que a marca anterior da italiana era de 3min59s15 feitos no Mundial de Roma, em 2009. Comparadas suas parciais, é perceptível a diferença de estratégia das nadadoras, e da influência dos trajes de borracha no final de prova:

Katie teve as seguintes parciais: 57s74; 1m57s72; 2m58s40; 3m58s86.
Mais equilibrada, Federica fez em 2009: 58s66; 1m59s42; 2m59s93; 3m59s15.

A italiana não fez uma só passagem acima de um minuto, enquanto os 100m finais para 1min0010, tendo uma pequena queda no final de prova. Algo que foi lembrado pelo seu próprio treinador: os trajes colaboravam para evitar a fadiga nas metragens finais. Ledecky afirmou, ao deixar a piscina, que não estava mentalizando o recorde, saltou tranquila e pensando apenas em nadar o seu melhor. A sua distância para o restante das nadadoras da prova mostra a sua supremacia: somente a passagem dos 200m, em 1min57s72, já seria suficiente para classificá-la pela seleção norte-americana para o Pan Pacífico na prova. Hoje, o segundo melhor tempo da temporada é da espanhola Mireia Belmonte, cinco segundos acima: 4min03s84.

Apenas para comparação do momento de Ledecky com as conquistas do Mundial de 2009: na ocasião, 43 recordes mundiais caíram, dos quais 19 ainda permanecem. Desde os 3min59s89 de Ledecky no Mundial de Barcelona no ano passado, nenhuma mulher nadou abaixo dos 4min01s sem os trajes. Os números falam por si só. Ledecky está, certamente, em outro patamar da natação mundial. E estará preparada para derrubar suas próprias marcas na Austrália no final do mês.

Assista à prova de 400m de Ledecky:

Por Mayra Siqueira


Herdeira de Fabíola, Etiene sonha com a quebra da barreira do minuto
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A invisível barreira do minuto na prova dos 100m costas não é mais um fantasma para Etiene Medeiros. Ela sempre teve boas marcas na prova, mas nunca teve a facilidade de nadar com a perfeição que a metragem exigia. Os 50m do estilo sempre saíram com a naturalidade de velocista, e que se tornou o objetivo já parcialmente conquistado pela pernambucana.

Etiene Medeiros tem 1min00s77 como melhor marca

Etiene Medeiros tem 1min00s77 como melhor marca – Foto: Satiro Sodré

“Agora eu já incorporei os 100 metros. Não posso nem pensar nos 50m até o Pan Pacífico. Isso fica para depois, para o Finkel. Agora eu estou tendo um feeling maior para essa prova. Estou conseguindo nadar os 100 metros no tempo certo”, disse a nadadora à Swim Channel.

Etiene é a melhor chance de medalha no feminino para o Brasil no torneio que acontece no fim de agosto, na Austrália. E o objetivo está bem traçado por ela e pelo treinador Fernando Vanzella: baixar da casa do minuto na prova. No Troféu Maria Lenk, em abril, Etiene nadou para seu melhor tempo da carreira: 1min00s77. Se conseguir baixar a marcar para 59s, entra para o top 10 de melhores tempos de 2014. E, hoje, a melhor marca é da australiana Emily Seebohm, a única abaixo dos 59s, com 58s92 feitos no Campeonato Australiano.

“Tenho que pôr o pé no freio, porque acho que às vezes eu extrapolo um pouco. Fico na empolgação e expectativa. Mas estou querendo muito”, disse a atleta.

No Pan Pacífico, Etiene também nadará os 100m borboleta, prova que reincorporou ao seu “cardápio” aquático recentemente, e na qual vem se destacando, e os 50m livre. Fácil para quem tem velocidade por natureza. E provas olímpicas, para quem pode estar com ideias novas ampliar o seu leque para o Rio-2016.

A preparação de três semanas em altitude e os bons resultados no Circuito Mare Nostrum selam a grande fase preparatória de Etiene para sua principal competição do ano. Ela viaja com a seleção brasileira no próximo dia 10 de agosto, e inicia a fase de polimento e descanso já em terras australianas.

Etiene viaja para a Austrália no dia 10 de agosto - Foto: Satiro Sodré

Etiene viaja para a Austrália no dia 10 de agosto – Foto: Satiro Sodré

Hoje, aos 23 anos, Etiene já é uma veterana da seleção brasileira. A herdeira e substitua de Fabíola Molina, e a esperança de uma nova geração, cada vez mais madura.

“No início me deu um pouquinho de medo de ser substituta de uma das maiores nadadoras do Brasil. Mas essas viagens preparatórias dão muita segurança e experiência. Hoje eu tenho mais liberdade com as mais novas, e sempre queremos ajudar e fazer com que todas evoluam. A natação feminina precisa disso”, completou Etiene.

Bons ventos sopram para as brasileiras. Daqui até Gold Coast.

Por Mayra Siqueira


O adeus de Tatiana Lemos
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O Torneio Open começou ontem em Porto Alegre e encerrará a temporada da natação brasileira. A competição que vale vaga em campeonatos de 2014 será especial para pelo menos uma atleta: Tatiana Lemos. Aos 35 anos de idade, a velocista deixará as piscinas logo após o evento. Após refletir bastante a nadadora decidiu colocar um ponto final na sua carreira competitiva para focar em novos objetivos e desafios.

Tatiana apareceu para o cenário nacional nos anos 90 e assim como suas amigas Fabiola Molina, Michelle Lenhardt e Flávia Delaroli, deixa as piscinas para dar espaço a nova geração da natação feminina. Natação feminina que elas tanto ajudaram a evoluir e desenvolver com seus feitos dentro e fora d’água. Na seleção brasileira principal desde 1997 e com muitas medalhas e recordes conquistados, Tatiana acumula participações nos maiores eventos da natação internacional, como duas Olimpíadas, quatro Campeonatos Mundiais de piscina longa e quatro Jogos Pan-Americanos.

A SWIM CHANNEL conversou com Tatiana que fala um pouco mais da sua carreira e de seus planos para o futuro. Confira abaixo:

Tatiana Lemos

Tatiana Lemos encara o último desafio da carreira – Foto: Satiro Sodré

SWIM CHANNEL: O Open será sua última competição na natação competitiva. O que esta esperando desta competição?
Tatiana Lemos: O Open é minha despedida da Seleção Brasileira e dos principais campeonatos da natação brasileira. Mas tenho um projeto de competir ano que vem defendendo minha cidade que é Brasília. Ainda quero nadar uma competição na cidade. Isso é um projeto antigo meu. Em relação ao Open, o que eu mais espero aqui é aproveitar o momento e me divertir na competição. Estou treinada e pronta pra competir bem, porém, quero aproveitar muito o momento, a energia, as sensações, enfim, é um momento especial pra mim e que também ficará marcado na minha memória e isso está sendo mais importante agora que os próprios resultados aqui.

SC: Como foi a sua programação neste seu último ano de carreira? Você alterou algo na rotina de treinamentos?
Tatiana: Minha programação nesse último ano foi bem diversificada. Comecei treinando em Brasília com o Fábio Costa e depois do meio do ano resolvi experimentar um treinamento diferente e acabei escolhendo o Grêmio Náutico União aqui em Porto Alegre pra fazer isso. Tudo começou com um training camp de duas semanas e gostei tanto que acabei pedindo pra voltar de novo e depois de algumas conversas com meu técnico de Brasília e com o Fred Guariglia do GNU decidi que faria o programa do Fred, que é bem específico para velocistas, até o final do ano. A equipe do GNU me recebeu de braços abertos, tanto os técnicos como os atletas e isso foi muito bacana também.

Com Monique Ferreira, Michelle Lenhardt e Gabriella Silva durante treino nos Jogos Olímpicos de Pequim - Foto: Satiro Sodré

Com Monique Ferreira, Michelle Lenhardt e Gabriella Silva na Olimpíada de Pequim – Foto: Satiro Sodré

SC: Você já planejava deixar as piscinas agora ou pensava em esticar um pouco mais, até 2016, tendo em vista que você ainda esta entre as melhores velocistas do Brasil?
Tatiana: Na verdade, tive um início de ano bem difícil e foi quando comecei a pensar se estava na hora de parar ou se ainda queria continuar nadando. Mas ainda tinha meus motivos pra nadar e fui buscar as melhores condições pra fazer uma boa temporada. A ideia de parar veio me acompanhando durante o ano, mas só tomei a decisão mesmo depois do Finkel (que foi uma competição bem difícil inclusive, pois fiquei com febre por três dias, e no dia dos 100m livre ainda tive uma contratura nas costas no aquecimento da prova e fui da piscina direto para o hospital). O fato de eu ainda estar entre as principais velocistas do Brasil, me fez pensar sim em nadar até os Jogos do Rio, porém, estava cada vez mais difícil me imaginar nessa rotina puxada de atleta por mais dois anos e meio. Comecei a sentir que era hora de me retirar do esporte enquanto eu ainda estava feliz e competitiva. Sempre quis parar quando estivesse num momento bom e eu passei por algumas dificuldades há dois anos atrás que me tiraram a alegria de nadar e de competir e eu queria muito resgatá-las. E esse ano eu consegui resgatar essa alegria e voltar a me sentir bem e a sorrir nos treinos e nas competições e isso foi decisivo pra que eu parasse agora. Estou de bem comigo e com a minha natação!

SC: Você competiu contra diversas nadadoras brasileiras de várias gerações ao longo destes anos. Como você analisa a evolução da natação feminina durante a sua carreira?
Tatiana: É muito legal nadar até mais velha e perceber tantas mudanças e ver tantas coisas acontecerem na natação brasileira e mundial. Acho que a geração que esta vindo agora é muito boa e está tendo oportunidades que a minha geração, por exemplo, não teve. Hoje fazemos análise biomecânica, filmagens, a ciência faz parte do dia a dia dos treinos e a mentalidade das atletas é outra. Os clubes são mais profissionais, os atletas, em geral, são mais valorizados e isso é muito bom para o esporte. Fico feliz te ter feito parte desse esquema também, porém o que a geração de hoje tem desde os 14, 15 anos de idade, a minha foi ter depois dos 25, 30 anos. Ou seja, elas têm a capacidade de se desenvolver mais e melhor desde jovens e isso fará muita diferença na carreira delas. E acho que o fato das nadadoras “mais experientes” como eu, Flávia Delaroli, Fabiola Molina e Michelle Lenhardt terem parado, mais ou menos na mesma época, fez com que as mais novas percebessem que agora é a vez delas, que elas é que vão levar a natação brasileira feminina de agora em diante. E acho isso uma responsabilidade boa e fico feliz de saber que contribui nesse papel servindo a seleção brasileira desde 1997.

O revezamento 4x100m medley no Mundial de Roma -Foto: Satiro Sodré

O revezamento 4x100m medley no Mundial de Roma, um dos momentos marcantes da carreira de Tatiana Lemos -Foto: Satiro Sodré

SC: Após deixar as piscinas quais são seus novos planos e projetos? Vai continuar trabalhando com esporte ou competindo em campeonatos de master?
Tatiana: Essa pergunta é boa, rs. Tenho muitos planos, mas nada decidido ainda. Vou dar uma pausa para pensar exatamente o que quero fazer com calma e sem a cabeça estar na natação. Sou formada em Educação Física e quero trabalhar na minha área, amo esportes e ficarei sempre perto, seja qual for o esporte. Agora competir no master não está nos meus planos não. Minha carreira na natação foi essa aqui e sou muito grata e feliz por ela, e não consigo me ver competindo na natação mais. Mas provavelmente competirei em outros esportes, pois, como disse, amo esportes e não me afastarei deles pessoalmente e nem profissionalmente.

SC: Qual é o momento mais marcante da sua carreira, pode ser uma medalha, prova…qual foi o momento que você jamais vai esquecer?
Tatiana: Essa pergunta é muito difícil porque foram tantos momentos marcantes e escolher apenas um é injusto. Então vou citar alguns em ordem cronológica. A primeira vez que bati o recorde sul-americano dos 100m livre na longa em 1999 foi muito marcante, pois nunca imaginei que um dia seria a nadadora mais rápida da história do Brasil e da América do Sul. Em 2003 perdi esse recorde e fui recuperá-lo de novo em 2008 e ele é meu até hoje. Bati algumas vezes meu próprio recorde nesses anos, mas a última delas foi no Open de 2009. Outro momento foram os Jogos Olímpicos de Pequim, a minha segunda Olimpíada, onde bati o recorde sul-americano em todas as vezes que caí na água e em todas as provas que nadei (100m livre nos duas vezes; abrindo o 4x100m e na prova individual, no 4x100m livre e 4x100m medley) e também pelo crescimento e amadurecimento que tive como atleta nesse ano todo. Foi um ano muito especial e que mudou minha carreira e minha forma de pensar como atleta. E por fim, classificar pra final no Campeonato Mundial de Roma em 2009 com o 4x100m medley (Fabíola Molina, Carolina Mussi, Gabriela Silva e eu) com recorde sul-americano que dura até hoje. Foi uma prova muito especial e de muita superação de nós quatro!

Por Guilherme Freitas


Fabiola Molina – Todo fim é um novo começo.
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Uma das principais atletas da natação feminina de todos os tempos anunciou oficialmente sua aposentadoria e agora segue a passos largos sua carreira como empresária.

Fabiola Molina possui uma série de feitos marcantes em sua trajetória, foi integrante da seleção brasileira desde 1991, participou de 3 Olimpiadas, sendo a última em Londres, quando foi a nadadora mais veterana dentre todas as competidoras daquela edição dos jogos, e ainda possui mais de 50 títulos brasileiros e 4 medalhas em jogos Pan-americanos.

Quando a nadadora se aposentar das piscinas terá 38 anos de idade, e não será uma despedida qualquer. As festividades estão marcadas para o dia 30/11/2013, em São José dos Campos, cidade natal da atleta e pela qual ela decidiu dar suas últimas braçadas como profissional.

O evento acontecerá na piscina da Associação Esportiva São José e contará com a presença de grandes estrelas da natação brasileira e mundial. Dentre os convidados internacionais estão as americanas Jessica Hardy, recordista e campeã mundial,  Kim Vandenberg, campeã olímpica e vice campeã mundial, entre outros.

Os brasileiros obviamente também estarão presentes e será um time de peso: Poliana Okimoto, Joanna Maranhão, Daynara de Paula, Tatiana Lemos de Lima, Tatiane Sakemi, Etiene Mederios, Carolina Mussi, Jessica Cavalheiro, Thiago Pereira, Diogo Yabe, Nicholas Santos, Guilherme Guido, Nicolas Oliveira, Leonardo de Deus, Henrique Barbosa, Daniel Orzechowski, João Luis Gomes Jr, Samuel Acioli, Lucas Kanieski, Fernando Silva e Ricardo Oliveira foram convidados e a maioria deverá estar presente no esperado dia.

Os atletas participarão de uma competição que foge totalmente daquilo que estão acostumados nas provas oficiais. O formato foi proposto pelo marido da nadadora, Diogo Yabe, e serão 8 provas no total, todas de revezamento e com formação mista.

Abaixo segue listagem das provas:

1º 4 x 50 borboleta

2º 5 x 50 livre (4 atletas da DAEC mais um atleta convidado)

3º 4 x 50 costas

4º 5 x 50 medley (atletas da equipe Atleta Cidadão mais um atleta convidado)

5º 4 x 50 peito

6º 4 x 50 livre (revezamento família)

7º 4 x 50 livre

8º 4 x 50 medley invertido, com Fabíola Molina fechando com o nado de costas.

O encerramento da carreira profissional da nadadora dará início a um novo desafio para  a atleta, a consolidação de sua carreira como empresária. Em 2004, Fabiola; juntamente com sua família, criou a marca “Fabiola Molina”, confecção de swim wear especializada em sunquínis, maiôs, sungas e biquínis.

Até então Fabiola vinha conciliando suas funções como empresária da marca e suas obrigações como atleta. Desde o inicio a nadadora tem o incondicional apoio da família, que participa ativamente do negócio. Principalmente na figura de sua mãe, Sra Kelce Molina, grande responsável pela operação da marca e pelo crescimento da mesma até aqui.

O fim da carreira profissional de Fabiola nas piscinas coincide propositalmente com o momento de maior expansão de sua marca. Na última sexta feira foi inaugurada em São José dos Campos uma nova fábrica, que possibilitará um incremento considerável na produção da empresa, e também uma concept store, que abrigará além de uma loja com toda a linha de produtos Fabiola Molina, uma galeria com um memorial dos feitos da nadadora.

Trata-se de um passo muito importante, com estes investimentos a empresa deve aumentar ainda mais suas exportações (hoje são mais de 20 países que recebem as peças da marca) e também expandir sua presença no varejo esportivo nacional, buscando um ingresso mais forte nas grandes redes, possibilitando que os produtos da marca cheguem para um número cada vez maior de consumidores.

Se pensamos em tudo o que a Fabiola construiu até aqui, não será surpresa em pouco tempo presenciarmos mais um ciclo vitorioso em sua carreira. Desta vez como empresária e com grandes feitos nos negócios.

Confira também o boletim Swim Channel sobre a aposentadoria de Fabiola das piscinas:

Por Sávio Bertolani


Um breve perfil de Rebeca Gusmão
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Na semana passada o mundo aquático foi sacudido por uma triste notícia. A ex-velocista Rebeca Gusmão estava internada na UTI de um hospital em Brasília e seu estado de saúde era considerado grave. O mais impressionante era o motivo da internação: intoxicação em decorrência de uma tentativa de envenenamento. Rebeca havia tentado o suicídio pela segunda vez este ano, mas a notícia da primeira tentativa não veio a público. De fato um acontecimento trágico, afinal a ex-nadadora foi uma das principais atletas do país na década passada.

Natural de Brasília, Rebeca despontou para o cenário nacional muito jovem. Aos 15 anos de idade já integrava a seleção brasileira principal e disputava seu primeiro Pan-Americano em Winnipeg-1999. Na ocasião, saiu do Canadá com a medalha de bronze no 4x100m livre, medalha que se repetiu em Santo Domingo-2003. E este era apenas o início de sua carreira internacional. Entre 2000 e 2006 disputou sete Campeonatos Mundiais entre piscina curta e longa, conseguindo uma quinta posição em Xangai-2006 nos 50m livre. E nos Jogos Olímpicos de Atenas terminou os 50m livre na 11ª posição e os 100m livre na 20ª. Neste período ainda foi multimedalhista sul-americana, 4ª colocada no Pan-Pacífico de 2006 e recordista sul-americana nos 50m e 100m livre e dos 50m peito.

Nesse período Rebeca protagonizou muitos duelos contra outra jovem velocista, a mineira Flávia Delaroli. A rivalidade sadia entre as duas contribuiu muito para a evolução da natação feminina e as duas se revezavam no lugar mais alto do pódio nas competições nacionais, como Troféu Brasil e Troféu José Finkel. Em Atenas, Flávia foi finalista e Rebeca chegou a semifinal, algo inédito ao Brasil na natação feminina. Na época havia a comparação de que Rebeca x Flávia era uma versão feminina de Gustavo Borges x Fernando Scherer. Rebeca estava em grande fase e para a Olimpíada de Pequim-2008 era cotada como uma das grandes favoritas para estar na disputa da final dos 50m livre. Mas um caso de doping acabou interrompendo sua trajetória nas piscinas.

Rebeca Gusmão no Pan de 2007 – Foto de Satiro Sodré

Durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007, Rebeca conquistou as medalhas de ouro nos 50m e nos 100m livre, sendo a primeira mulher brasileira a obter tal feito, além de ser prata com o 4x100m livre e bronze com 4x100m medley. O resultado a colocava no panteão das grandes atletas mulheres do Brasil em todas as modalidades e até hoje nenhuma nadadora conseguiu a medalha de ouro em Pan-Americanos. Em Guadalajara-2011, Graciele Herrman, Daynara de Paula e Joanna Maranhão chegaram perto ficando com a prata (Será que vamos quebrar este paradigma em 2015?).

Porém, no fim daquele ano foi anunciado que o exame antidoping da atleta colhido no Pan havia dado positivo para o uso de esteroides anabolizantes. A Fina (Federação Internacional de Natação) resolveu suspender a nadadora por dois anos, mas Rebeca recorreu e tentou uma reviravolta no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Porém, como já havia sido pega pelo uso de testosterona exógena em 2006, o tribunal cassou suas medalhas e resultados no Pan e a baniu do esporte.

Após a exclusão ela tentou a sorte em outras modalidades como o futebol feminino e campeonatos de supino e levantamento de peso. Se arriscou até na política e concorreu ao cargo de Deputada Federal pelo PC do B em 2010 pelo Distrito Federal, mas não foi eleita. Após essas experiências, assumiu o cargo de gerente de esportes e lazer de Brasília e hoje é diretora de Apoio ao Atleta da Subsecretaria de Esporte do Distrito Federal.

Rebeca durante o Finkel de 2007 – Foto de Satiro Sodré

Porém, em entrevista ao Jornal Extra em 2011, afirmou que estava feliz, mas lamentava não poder nadar nunca mais: “Hoje estaria no ápice da minha carreira. Sinto falta dos treinos, da rotina e dos meus sonhos que foram destruídos”.

Ela nunca digeriu muito bem o banimento e sentia muita tristeza por não poder fazer o que mais amava: entrar em uma piscina para competir. Recuperada e de alta do hospital, ela publicou uma mensagem agradecendo as orações e preocupações da família, amigos e fãs. Esperamos que Rebeca deixe os problemas e os fantasmas do passado para trás e que volte a ter a alegria de viver.

Por Guilherme Freitas


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