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Arquivo : natação master

A história do Mundial Master
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Em julho os olhos da comunidade aquática se voltarão para Budapeste, capital da Hungria, que será palco da 17ª edição do Campeonato Mundial de Desportos Aquáticos da Fina. Assim que Katie Ledecky, Katinka Hosszu e companhia deixarem a piscina entrarão em ação milhares de nadadores master com diferentes trajetórias nas piscinas. Existem ex-atletas olímpicos, nadadores de ponta que jamais chegaram a nadar um Mundial pela sua seleção e aqueles que descobriram o prazer da natação já em uma idade mais avançada. Mas como começou tudo isso?

Em 1978 aconteceu em Toronto, no Canadá, uma competição chamada Age Group Competition que reuniu nadadores masters de vários países. A princípio era apenas uma competição amistosa e sem intenção de tornar-se um grande evento mundial. Porém, cinco depois foi criada a Federação Internacional Master de Natação que estipulou regras e decidiu alavancar a modalidade master. Em 1984 o então presidente da Fina Robert Helmick, propôs ao Bureau da entidade que a natação master (e posteriormente as demais modalidades) fosse oficializada pela Federação Internacional. Dois anos depois acontecia em Tóquio o primeiro mundial da categoria.

Mundial master será em agosto - Foto: Daniel Quek

Mundial master será em agosto – Foto: Daniel Quek

A nova competição da Fina ocorreu durante os dias 12 e 16 de julho em 1986. Entre centenas de nadadores haviam nomes consagrados e que continuavam levando a natação como estilo de vida. Entre eles James Montgomery, campeão olímpico dos 100m livre em Montreal-1976 que faturou cinco medalhas de ouro nas provas de nado livre. Quem também pendurou cinco medalhas de ouro no pescoço foi Maria Lenk, que conquistou duas medalhas no estilo que ajudou a criar: o nado borboleta.

Além dela o Brasil esteve representado com dezenas de nadadores, entre eles Romulo Arantes que ainda era jovem, tinha 29 anos na época, e venceu com sobras as provas de 50m, 100m e 200m costas e o atual candidato a presidência da CBDA, Miguel Carlos Cagnoni que teve como melhor resultado o sétimo lugar nos 800m livre na categoria 40-44 anos. Ao todo a delegação brasileira subiu 53 vezes ao pódio, sendo 20 medalhas de ouro, 18 de prata e 15 de bronze.

Maria Lenk ganhou cinco medalhas no primeiro Mundial Master - Foto: Reprodução

Maria Lenk ganhou cinco medalhas no primeiro Mundial Master – Foto: Reprodução

Desde então o Campeonato Mundial Master passou a ser realizado sempre de dois em dois anos, inclusive sendo disputado em 1990 no Rio de Janeiro. Em 2015 ele foi integrado a programação do Mundial de Esportes Aquáticos e é disputado após o término das provas de natação da categoria absoluta, uma forma de integrar os atletas masters ao ambiente de um grande evento internacional e motivar também os nadadores de hoje que no futuro serão masters.

Por Guilherme Freitas


Muitos recordes na Copa Brasil Masters
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No último fim de semana a piscina do Tênis Clube de Campinas foi a casa da natação master. Por lá estavam centenas de nadadores de clubes e equipes de todo o país para a disputa da 23ª edição da Copa Brasil Masters de Natação. O evento, organizado pelo Associação Brasileira Master de Natação (ABMN) e em piscina curta, registrou 43 novos recordes, entre brasileiros, sul-americanos e mundiais.

Na abertura do revezamento 4x50m medley misto categoria 100+, Rodrigo Triviño nadou abaixo do recorde mundial com expressivos 24s58. O tempo é 23 centésimos mais rápido em relação a antiga marca feita pelo americano Derya Buyukuncu em 2009 (clique aqui e assista o vídeo da prova). Atleta da equipe TNT Masters, Triviño ainda ganhou outras três medalhas de ouro nos 100m livre, 50m borboleta e revezamento 4x50m livre categoria 30+.

O novo revezamento 4x100m medley recordista - Foto: Paulo Rezende

O novo revezamento 4x100m medley recordista – Foto: Paulo Rezende

O outro recorde mundial veio com o revezamento 4x100m medley categoria 320+ formado por José Orlando Loro, Paulo Motta, Antonio Carlos Orselli e José Eugenio Ferraz que registrou o feito em uma tomada de tempo. Outros destaques foram as nadadoras Sophie Monginet da Academia Acquamondo e Aroma Martorell do Clube Paineiras dpo Morumby que bateram três recordes sul-americanos cada uma.

Ao todo foram três equipes campeãs na Copa Brasil. Na categoria para equipes grandes a taça ficou com a Okuda Swim Team, nas equipes médias a vencedora foi a Lira Tênis Clube e nas equipes pequenas o GRES Acadêmicos do Salgueiro foi o campeão. O próximo campeonato nacional da ABMN será o Torneio Aberto Brasil Masters que vai acontecer dias 17 e 18 de setembro, na cidade de Ribeirão Preto. Confira todos os resultados da Copa Brasil clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Semana cheia para a natação master
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A temporada 2015 da natação brasileira esta chegando ao fim com diversos campeonatos estaduais e nacionais de categoria, últimas provas de circuitos de águas abertas e o Torneio Open, primeira seletiva olímpica, esta se aproximando. No último final de semana tivemos um momento histórico no Campeonato Gaúcho com o primeiro revezamento 360+ da América Latina formado por Eduardo Jaeger (92 anos), Anton Karl Biederman (91 anos), Ione Angelo (86 anos) e Nora Ronai (91 anos). Essa história você por ler na Best Swimming aqui. O calendário da natação master nacional também esta terminando e no próximo fim de semana haverá diversas competições simultaneamente em várias piscinas do país e listamos algumas delas neste artigo.

Em águas paulistas teremos duas competições. Na piscina do Círculo Militar, na capital, acontece a sexta e última etapa do Circuito Paulista Master de Natação que encerra a temporada da APMN (Associação Paulista Master de Natação) e premia os melhores atletas da temporada. No interior do estado, mais precisamente na cidade de Campinas, será disputada a última etapa do Circuito Unami de Natação Master. Esse evento é realizado mensalmente em cidades do interior paulista e a caberá a piscina do Tênis Clube Campinas a honra de encerrar mais uma temporada.

Vista da piscina da Vila Olímpica Parahyba, em João Pessoa - Foto: Alice Kohler/CBDA

Vista da piscina da Vila Olímpica Parahyba, em João Pessoa – Foto: Alice Kohler/CBDA

Também chega ao fim o Meeting Paranaense Master, que terá sua 4ª etapa no próximo sábado com a disputa do Troféu Anilda Kunsler Schmitz, na piscina curta do Complexo Esportivo Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu. Outro circuito que chega ao fim é o Circuito ABRAMN, promovido pela Associação Brasiliense Master de Natação e que será realizado no Conjunto Aquático Cláudio Coutinho em Brasília.

Além do encerramento desses circuitos teremos mais três campeonatos de verão. Em Minas Gerais o destaque é o Campeonato Mineiro Master de Verão na piscina do Jaraguá Country Club, na capital Belo Horizonte. Em João Pessoa ocorre o Campeonato Paraibano de Natação Master na piscina da Vila Olímpica Parayhba e em Recife, no Parque Aquático do Náutico, acontece o XIX Campeonato Pernambucano Master.

Um fim de semana e tanto para a natação master brasileira!

Por Guilherme Freitas

 


Nadando 1500 metros aos 100 anos de idade
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Na semana passada as atenções no Japão estavam voltadas para a capital Tóquio. Era lá que as grandes estrelas nipônicas estavam em ação na disputa do Campeonato Japonês de Natação que também definiu a seleção do país para o Campeonato Mundial de Kazan. Dias antes de Kosuke Hagino, Daiya Seto e companhia caírem na água Mieko Kagaoka fazia história. Ou melhor, dona Mieko Nagaoka.

Afinal ela não é uma nadadora qualquer. É uma nadadora de 100 anos de idade! A senhora Mieko estava disputando na pequena cidade de Matsuyama, a 700 km de distância de Tóquio, um campeonato para nadadores masters de piscina curta. E engana-se caso você pensa que ela nadou apenas 50 ou 100 metros de algum estilo. Ela nadou 1500 metros. Isso mesmo, 1500 metros!

A nadadora Mieko Nagaoka de 100 anos de idade - Foto: Kyodo/Japan Times

A nadadora Mieko Nagaoka de 100 anos de idade – Foto: Kyodo/Japan Times

A senhora Mieko optou por nadar o percurso no nado costas e concluiu a missão em 1h15min. Ela nadou a distância sozinha e com o resultado tornou-se a primeira centenária a nadar a prova de 1500m livre em piscina curta, entrando para o Guiness Book, o livro dos recordes. Agora resta a Fina validar o resultado e torná-la recordista mundial masters da distância.

A experiência da senhora Mieko nas piscinas é recente. Ela começou a nadar aos 82 anos de idade como terapia para seus joelhos, mas gostou tanto da modalidade que passou a nadar mais vezes durante a semana e disputar competições masters. Além desse feito incrível aos 100 anos de idade ela tem outros recordes nacionais e mundiais em categorias de diversas faixas etárias.

Dona Mieko também espera nadar no meio do ano no Campeonato Mundial Master de Kazan.  Ela lançou recentemente um livro sobre a experiência de nadar com uma idade avançada e afirma que ainda quer nadar por muitos anos. Sem dúvida nenhuma uma inspiração para os outros atletas.

Por Guilherme Freitas


O fim de uma história de longevidade e perseverança
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O mundo perdeu um ícone esportivo nesta semana. Talvez você nem o conhecesse, é bem verdade – o nome dele não é tão famoso. Mas ele criou um marco que deve demorar a ser batido na natação master mundial.

Jaring Timmerman, até então o mais velho nadador em atividade do planeta, faleceu na última quarta-feira, em sua cidade, em Winnipeg, no Canadá. Seu grande feito foi muito mais do que algum recorde invencível nas piscinas, mas sim um recorde relevante de vida. Chegou aos 105 anos, e criou uma nova categoria na natação master: de 105 a 109 anos. Nunca ninguém foi tão longe praticando o esporte aquático.

Jaring Timmerman, o eterno - Foto: Winninpeg Free Press

Jaring Timmerman, o eterno – Foto: Winninpeg Free Press

Timmerman é o emblema da longevidade e perseverança, e partiu deixando quatro recordes mundiais na sua antiga categoria (100-104 anos). Mas difere dos “vovôs” aquáticos que, insatisfeitos em largar a natação após a vida profissional, acabam se dedicando a ela depois da aposentadoria. Não, o canadense é daqueles que começou tarde. Bem tarde. Aos 78 anos ele iniciou sua vida competitiva de verdade, e desde então arrebatou 23 recordes canadenses, sete entre 85-89 anos, quatro entre 90-94, oito entre 95-99, e além dos quatro da sua última categoria. Tornou-se o primeiro nadador a completar os 100m costas após a os 100 anos de vida.

Derrubando barreiras por toda a terceira idade, Jaring tentou aprender sozinho o nado de peito, que acabou deixando de lado, e seguia os dois treinos semanais graças às caronas de seus três filhos ao local da prática. Lembrado como um simpático velhinho, Timmerman gostava de cumprimentar todas as pessoas com quem cruzava nas ruas ou dividia recintos.

O educado “vovô” era uma referência para a nova geração. Nas piscinas canadenses, jovens de 12 e 13 anos pediam que autografasse suas camisetas. Ele caiu pela última vez na piscina de forma competitiva em janeiro. “Acho que estou ficando velho”, brincou. Nadou os 50m livre batendo isoladamente o recorde mundial com o tempo de 2min52s48, além de 3min09s55 nos 50m costas. Usando sua conhecida braçada dupla, sua filha contou que ele calculou girar os braços 27 vezes. Ele se empolgou e precisou de apenas 26 – e acabou batendo a cabeça na parede para registrar nova marca. Mas o esforço foi demais para um corpo ativo, porém cansado. Jaring inaugurou e, por ora, fechou uma nova categoria da natação master mundial.

Confira aqui um dos últimos registros em vídeo de Jaring Timmerman.

Por Mayra Siqueira


Mundial Master, sucesso absoluto
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A oportunidade tão sonhada de muitos atletas – que foram ou não profissionais – de se intitularem “campeões do mundo”. Desde 1986 o Mundial Master de Esportes Aquáticos recebe grande quantidade de pessoas, de todos o tipos. Desde os ex-olímpicos, campeões e medalhistas mundiais, até o atleta amador que deseja aproveitar o ensejo de competir e conhecer lugares novos.

Parc jean Drapeau, em Montreal, recebeu a 15ª edição do Mundial Master da FINA

Parc jean Drapeau, em Montreal, recebeu a 15ª edição do Mundial Master da FINA

Em 2014, Montreal, no Canadá, foi palco de uma edição do Mundial que recebeu 9 mil atletas entre 25 e 97 anos, que forraram os pontos turísticos da cidade. Em 1976, o reduto francês do país recebeu os Jogos Olímpicos, e, desde então, a aura esportiva permanece no local. De população solícita, entre um “bonjour” e outro “hello”, o Parc Jean Drapeau viu recordes mundiais caírem e alguns olímpicos participarem das atividades debaixo de um forte sol do agradável verão canadense.

Os sorrisos mal mostraram as rugas dos rostos cortados pela idade. “O mundo é meu limite”, disse a doce neozelandesa Katherine Johnstone, a mais velha da competição. Com 97 anos, disputou solitária suas provas na categoria 95-99 anos, o que em nada as tornaram menos emocionantes. A superação pessoal de ser um atleta master é o que faz a competição valer a pena – e o um dos eventos mais lucrativos para os cofres da entidade mundial.

Evento recebeu 9 mil atletas entre 25 e 97 anos - Foto: Getty Images

Evento recebeu 9 mil atletas entre 25 e 97 anos – Foto: Getty Images

Foram poucos medalhistas olímpicos a presenciarem o torneio em Montreal, mas a histórica costarriquenha Claudia Poll bateu cartão. Detentora do até hoje único ouro do país nos Jogos, nos 200m livre de Atlanta em 1996, Poll foi prata nos 100m livre o Canadá, ainda conseguindo manter a prova na casa do 1min00s aos 41 anos de idade.

Marcus Mattioli bateu mais um recorde mundial - Foto: Arquivo Pessoal

Marcus Mattioli bateu mais um recorde mundial – Foto: Arquivo Pessoal

Os brasileiros, como sempre, disputaram em peso, cada um representando seu clube, cidade, estado ou região. Foram mais de setenta medalhas para os atletas do país, com os destaques de sempre: Marcus Mattioli levou cinco medalhas, três de ouro e duas de prata, e mais um recorde mundial para o currículo (o 53º de suas contas); outro recorde mundial com o forte revezamento 4×50 livre 120+, e um pódio totalmente brasileiro no 100m livre 25+ masculino. Uma chuva de recordes sul-americanos, especialmente nos revezamentos.

Revezamento masculino 120+ bateu recorde mundial do 4x50 livre com 1min34s15 - Foto: Arquivo Pessoal

Revezamento masculino 120+ bateu recorde mundial do 4×50 livre com 1min34s15 – Foto: Arquivo Pessoal

Mas poucas coisas representaram mais o espírito da natação master do que as sete medalhas de ouro de Nora Rónai. Aos 90 anos, dona Nora se tornou a primeira nadadora da categoria a completar a difícil prova dos 200m borboleta, em 8min22s22. O sorriso da simpática ítalo-brasileira resume o sentimento de quem participa de uma disputa como essa: o sonho é possível.

A próxima oportunidade está logo ali. Para que possa se unificar com o Mundial Absoluto a partir das edições seguintes, o Mundial Master acontecerá novamente em Kazan, na Rússia, já no próximo ano. Quem ficou na dúvida se seria interessante participar, confira cada medalha em peitos estufados de orgulho de cada bonito registro da edição de Montreal, para ter certeza de que, sim, vale a pena. Até a Rússia!

Por Mayra Siqueira


A cara da seleção master brasileira
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“Acho que aquela mosquinha azul me mordeu de novo”. Uma das maiores celebridades da natação master brasileira – e mundial -, Marcus Mattioli representa aquele velho roteiro que muitos conhecem: de nadadores que fizeram da piscina a sua vida por muitos anos, mas que, com o cansaço da rotina e a pressão, acabaram encerrando uma carreira vencedora… por algum tempo. De alguma forma, a saudade bateu, e recolocou o medalhista olímpico e pan-americano no esporte, agora, aos 53 anos, como master. Uma decisão bastante acertada.

“Desde que decidi voltar, em 2006, eu perdi os 30kg que ganhei e bati 52 recordes mundiais, e não quero parar tão cedo. Hoje minha maior terapia é nadar, e quando eu não nado, fico agoniado. O que segura minha cabeça é a natação, é um bem incomensurável que ela traz”, declarou o multicampeão à Swim Channel.

Nas suas contas, são 26 medalhas em Mundiais - Foto: Arquivo Pessoal

Nas suas contas, são 26 medalhas em Mundiais – Foto: Arquivo Pessoal

Mattioli foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, no revezamento 4x200m livre, ao lado de Djan Madruga, Jorge Fernandes e Cyro Delgado. Entre indas e vindas, deixou passar outras duas Olimpíadas  sem disputar, e desistiu de vez da natação em 1989. Quando seu filho mais velho, Rafael, começou a nadar e competir pelo Minas Tênis Clube, Mattioli percebeu que não seria simples manter a vida sedentária na tarefa de pai de atleta.

“Eu ficava muito nervoso vendo ele nadar. Já com 16 anos sem praticar esportes, eu estava vendo a hora que iria enfartar. Foi na mesma época que o Pradinho (Ricardo Prado) operou e colocou seis pontes de safena. Aí eu pensei: ‘se ele precisou disso, eu vou precisar de umas dez!’ Acabei tentando corrida, mas tive uma lesão logo na primeira tentativa, da qual nunca me recuperei, e não consegui mais correr.”

Mattiolli no Campeonato Brasileiro de 1977 - Foto: Arquivo Pessoal

Mattioli no Campeonato Brasileiro de 1977 – Foto: Arquivo Pessoal

Mattioli então voltou intensamente aos treinos de natação, inclusive raia a raia com seu filho, e com Thiago Pereira, na época nadador do Minas TC. “Cheguei a disputar um Campeonato Brasileiro ao lado do meu filho, nos 200m borboleta. Foi a maior emoção da minha vida, e fomos muito aplaudidos”.

O resultado da dedicação? Hoje, nas contas dele, são 26 medalhas de Mundiais master, sendo 22 de ouro, 52 recordes mundiais batidos, além de ter sido eleito duas vezes o melhor nadador master do ano pela conceituada revista Swimming World, em 2007 e 2011. Feito que, até então, entre os brasileiros, somente Maria Lenk havia conseguido.

O segredo, segundo ele, é a paixão pelo que faz e a dedicação nos treinos. Raramente ele treina muito mais que 4 mil metros. “Tive um talento muito grande para nadar, mas meu maior talento sempre foi para treinar. Não é nenhum sacrifício treinar forte, muito pelo contrário. Não sinto falta de um técnico ou equipe. Dificilmente eu faço um treino do qual eu não saio cansado, exausto. Uma hora depois eu fico depredado, fico acabado pelo resto do dia. A intensidade, mais que metragem, faz a diferença para mim.”

Mattioli encabeça um grupo de brasileiros que vai a Montreal dentro de uma semana, para disputar o Mundial Master, que conta com mais de 9 mil inscritos, entre nadadores de 25 a 97 anos nesta edição. Ele tem os melhores tempos em todas as seis provas individuais que irá disputar: 200m, 400m, e 800m livre, 100m e 200m borboleta, além da travessia. “Em algumas provas eu lidero com alguma folga, em outras é diferença de milésimos. A disputa vai ser muito grande, com alguns nomes novos e outros com quem já travo braçadas há um bom tempo. Mas tive uma boa preparação, nadei muito bem nas últimas competições, estou com boa expectativa. Quem sabe bater outro recorde mundial?” Pode contabilizar: a coleção de medalhas vai aumentar.

Por Mayra Siqueira


Último dia para se inscrever no Brasileiro Master
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Termina amanhã o prazo para a inscrição na 53ª edição do Campeonato Brasileiro de Natação Master, que será disputado na piscina de 50 metros do Parque Aquático da Universidade Estadual do Pará, em Belém, durante os dias 1º e 4 de maio. Organizado pela Associação Brasileira Masters de Natação (ABMN), o evento vai reunir centenas de nadadores masters de diversas regiões do país e de diversas gerações da natação nacional. O local foi sede em 2002 dos Jogos Sul-Americanos do ODESUR e em 2012 recebeu o Campeonato Sul-Americano de Esportes Aquáticos da Consanat.

A competição terá ao todo 39 provas: 50m, 100m, 200m, 400m e 1500m nado livre (M/F); 50m, 100m e 200m peito (M/F), borboleta (M/F) e costas (M/F); 200m e 400m medley (M/F), além dos revezamentos 4x50m livre e medley e 4x200m livre (M/F). Os revezamentos também terão uma versão mista, mesclando nadadores e nadadoras.

Vista da piscina onde será disputado o Brasileiro Master - Foto: Satiro Sodré

Vista da piscina onde será disputado o Brasileiro Master – Foto: Satiro Sodré

Todo o atleta master tem o mesmo sentimento quando embarca para este tipo de evento. É uma grande oportunidade para continuar fazendo aquilo que ele mais gosta: nadar. E claro, trata-se de mais uma chance de poder reencontrar velhos amigos de piscina para por o papo em dia ou rivais de longa data para relembrar grandes disputas o passado.

Como não poderia deixar de acontecer o Brasileiro Master vai reunir grandes nomes das diversas gerações da natação brasileira. Entre campeões e recordistas do passado é certa a presença de estrelas, como o medalhista olímpico Marcus Mattioli que continua quebrando recordes mundiais e que em Belém deverá nadar diversas provas individuais além dos revezamentos.

As inscrições para o 53º Campeonato Brasileiro de Natação Master podem ser feitas neste site: https://www.abmn.org.br/eventos.php?id=312. Corra que ainda dá tempo de se inscrever!

Por Guilherme Freitas


83 anos de idade e 11 km nadados em águas abertas!
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Tem início hoje em Santiago os Jogos Sul-Americanos do ODESUR, competição que abordamos ontem aqui no Blog SWIM CHANNEL/UOL. A cerimônia de abertura será realizada hoje à noite no Estádio Nacional e algumas modalidades, incluindo a natação, começam a ser disputadas nesta sexta-feira. Seguindo nesse clima sul-americano, apresentamos aqui uma história curiosa e de superação que teve pouco destaque na mídia e que aconteceu na semana passada.

É a história de um nadador de 83 anos que decidiu encarar um desafio: nadar 11 km da Argentina até o Uruguai, atravessando a nado o Rio Uruguai que separa os dois países. O uruguaio Daniel Durán del Campo é o nome deste veterano atleta de 83 anos que encarou esta missão visando arrecadar fundos para o Clube Remeros de Paysandú, equipe onde treina e que o apoiou nesta aventura.

O nadador Daniel Durán del Campo conclui a travessia - Foto: Reprodução

O nadador Daniel Durán del Campo conclui a travessia – Foto: Reprodução

Engenheiro agrônomo e nadador da Liga Nacional de Natação Master do Uruguai, del Campo coleciona diversas medalhas em competições nacionais e internacionais. Partindo da cidade argentina de Colón, ele concluiu a travessia em surpreendentes 2h53min até chegar a cidade uruguaia de Paysandú, local onde vive. O resultado foi uma grande surpresa para seu staff que previa que ele cruzasse a distância em cerca de 5 horas.

“Foi tudo muito rápido, nem ele mesmo esperava esse tempo. Mas correu tudo bem porque o tempo ajudou e o clima agradável não foi um problema para ele”, conta Javier Perg membro do staff de del Campo. Muito bem treinado e focado em seu objetivo, o veterano atleta parou apenas uma vez se hidratar e comer alguns pedaços de frutas.

Atravessar 11 km a nado em águas abertas não é para qualquer um e é um feito que merece respeito. Ainda mais se tratando de um nadador de 83 anos de idade! Esta é mais uma grande história que a natação e as águas abertas nos proporcionam e nos mostram que não há limites para aqueles que estão sempre dispostas a encarar grandes desafios.

Por Guilherme Freitas


Março, um mês recheado de eventos
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O terceiro mês do ano esta chegando e com ele muitos eventos de natação e águas abertas. Agora podemos dizer que de fato a temporada 2014 começou! As águas abertas serão o carro chefe dos eventos em março, com muitas competições por todo o país. Um dos maiores destaques é o Desafio Rei e Rainha do Mar, evento que atrai a cada ano novos participantes. No dia 16 a etapa inaugural do circuito terá largada na Praia Leblon e chegada no Arpoador, um cenário de tirar o fôlego de tanta beleza. Haverá disputas de maratonas aquáticas (1 km, 2 km e 3,5 km), Stand Up Paddle, Beach Biathlon e Beach Run. Ainda é possível fazer inscrições para o evento e os interessados podem clicar aqui.

Outra prova bem atrativa que ocorre em março é a 1ª etapa do Circuito Maratour 2014. A Travessia de Rio das Pedras foi assunto de uma matéria especial na edição 15 da SWIM CHANNEL (clique aqui para adquirir a edição) e é uma prova única do Brasil, pois combina o esporte com shows, atividades recreativas e passeios, além de estadia num belo resort do Club Med. No litoral sul também estão marcados muitas travessias, com destaque para a Travessia da Enseada (dias 8 e 9 em São Francisco do Sul), Travessia de Penha (dias 15 e 16 em Penha) e Travessia do Peri (dias 29 e 30 em Florianópolis). O Campeonato Brasileiro de Águas Abertas, organizado pela CBDA, terá sua 2ª etapa sendo disputada na cidade de São Bernardo do Campo, no dia 9, que será seletiva para o Mundial Junior de maratonas. Também destacamos a 3ª etapa do Circuito Paulista em Ilhabela, nos dias 22 e 23, além do início do Campeonato Baiano, com largada confirmada para o dia 23 em Salvador.

O Desafio Rei e Rainha do Mar é uma das atrações do mês de março - Foto: Satiro Sodré

O Desafio Rei e Rainha do Mar é uma das atrações do mês de março – Foto: Satiro Sodré

Os atletas masters também terão um mês bastante movimentado e com muitos eventos. No fim do mês acontece em Campinas o Torneio Mais Mais de Natação, evento para nadadores com mais de 50 anos de idade e que já abordamos no blog (clique aqui para ler). No dia 15 ocorre em Brasília a 16ª edição do Campeonato de Longa – 1500m livre, evento exclusivo para fundistas e que vale pontos para o circuito brasiliense de 2014. Também começam os circuitos estaduais, com disputas em São Paulo (dia 16 na piscina do Paineiras), Rio de Janeiro (dias 9 e 10 na piscina do Olaria) e na Bahia (dia 29 na piscina do Colégio Salesiano Dom Bosco).

No cenário internacional o destaque são os Jogos Sul-Americanos. Durante os dias 7 e 10 de março ocorrerão no reformado Parque Aquático Nacional de Santiago, no Chile, as provas de natação. O Brasil é o grande favorito para liderar o quadro de medalhas da modalidade e terá algumas de suas estrelas como Thiago Pereira, Felipe Lima, Bruno Fratus e Nicholas Santos. Os campeões mundiais Cesar Cielo e Felipe França serão os desfalques. As provas de maratona aquática serão disputadas na cidade de Viña del Mar, no dia 16 (com a prova de 10 km) e dia 17 (prova de 3 km por equipe) e terão a participação de dois medalhistas do Mundial de Barcelona: Ana Marcela Cunha e Allan do Carmo.

Prepare ai a sua agenda. Em março bons eventos é o que não irá faltar!

Por Guilherme Freitas