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Campeões olímpicos em ação no NCAA
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Uma semana depois do término das provas femininas do NCAA agora é a vez dos homens caírem na água a partir de hoje na piscina do Natatorium da Universidade de Indiana para disputar o título da temporada 2017. Há muita rivalidade pela disputa do título já que há dois anos a Universidade do Texas de Eddie Reese derrota a Universidade da Califórnia, que nesta vez busca dar o troca. Um trio de nadadores que se conhece desde a juventude e que brilhou no Rio-2016 é que será a atração máxima durante o principal campeonato universitário dos Estados Unidos.

Caeleb Dressel, Joseph Schooling e Ryan Murphy. Nos Jogos do Rio-2016 os três chegaram ao Olympic Aquatic Stadium como jovens promessas e candidatos a brilhar em Olimpíadas futuras. Porém, não precisaram esperar muito e na mesma Olimpíada já se tornaram campeões olímpicos. Dressel integrou o revezamento 4x100m livre, Schooling bateu Phelps na final dos 100m borboleta e Murphy levou três ouros nos 100m e 200m costas e 4x100m medley e ainda bateu o recorde mundial abrindo o revezamento medley. Curiosamente eles estudaram e nadaram juntos na conceituada Bolles Swimming Schoolm, na Flórida, antes de trilharem seus próprios destinos.

O trio Schooling, Murphy e Dressel – Foto: Andy Ringgold / Aringo Photos

Dressel, que representa a Universidade da Flórida, brilhou na pré-temporada universitária com tempos expressivos principalmente em parciais de revezamento em piscina de jardas. Hoje ele detém nove das dez melhores marcas da história dos 50 livre e muitos acreditam que pode superar seu recorde de 18s20 feitos no NCAA de 2016. Se Dressel é o rei da velocidade Schooling e Murphy deverão ser os “homens a serem batidos” no nado borboleta e costas respectivamente. Campeão em 2016, Schooling busca o bicampeonato nos 100 borboleta em seu último ano na Universidade do Texas e terá como um dos principais adversários Caeleb Dressel. Já Murphy busca repetir a dobradinha do ano passado nos 100 e 200 costas e finalmente ajudar a Universidade da Califórnia a vencer o torneio. e na edição passada do NCAA foi eleitos os melhores do evento.

Em Indianápolis o Brasil marcará presença com dois atletas, os mineiros Vinicius Lanza e Rodrigo Correia. Lanza, que disputará pela segunda vez o NCAA e nadará em casa na Universidade de Indiana, é quem tem as melhores chances de disputar finais e quem sabe buscar medalhas. Ele esta balizado com o 5º tempo nos 200 medley e o 7º nos 100 e 200 borboleta. Já Correia estreia no NCAA pela Universidade de Georgia Tech e vai nadar os 100 costas (14º tempo do balizamento), 100 livre (47º tempo) e 200 medley (56º tempo). Em toda a história o Brasil soma 39 medalhas de ouro na Divisão 1 do NCAA, incluindo pódios de medalhistas olímpicos como Cesar Cielo, Gustavo Borges e Ricardo Prado.

O brasileiro Vinicius Lanza. nada três provas no NCAA – Foto: Satiro Sodre/SSPress

O NCAA começa hoje e termina no próximo sábado dia 25 de março. A competição já teve seu start list divulgado (clique aqui) e os resultados em tempo real serão disponibilizados aqui.

Por Guilherme Freitas


O retorno de Cesar Cielo
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Depois de quase um ano sem competir finalmente Cesar Cielo caiu na água. O maior nadador brasileiro de todos os tempos inicia em 2017 uma nova fase em sua carreira buscando recuperação e afirmação. A ausência dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 ficou para trás e o velocista fez no Torneio Regional da 1ª Região da Federação Aquática Paulista seu primeiro evento após o fatídico Troféu Maria Lenk do ano passado. De volta a piscina do Esporte Clube Pinheiros desde quando superou o recorde mundial, Cielo nadou duas vezes no último sábado.

A primeira prova foi os 50m livre. Ano passado no Maria Lenk ele havia nadado duas vezes na casa dos 21 segundos: 21s99 na eliminatória e 21s91 na final. No sábado marcou 22s44, um tempo alto para os padrões Cielo e que é apenas o 15º do ranking mundial até o momento. Porém, segundo um estudo do Coach Alex Pussieldi a estreia de Cielo na temporada é bem similar aos tempos obtidos em suas primeiras provas no ano desde 2010. Apenas para efeito de comparação caso ele tivesse feito este tempo no Arena Pro Swim Series de Indianápolis no início do mês, Cielo terminaria em quarto lugar apenas 21 centésimos atrás de Bruno Fratus que levou o bronze na ocasião. A tarde ele voltou para nadar os 50m borboleta onde marcou 23s75, sexto melhor tempo do mundo em 2017.

Cesar Cielo voltou a nadar na piscina do Pinheiros – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Em seu período de ausência das piscinas, o nadador sumiu dos holofotes. Aproveitou para descansar, passar mais tempo com a família e tirar as lições da não-classificação olímpica. Não concedeu entrevistas e recusou o convite para carregar a tocha olímpica antes do Rio-2016. Houve quem apostasse que Cielo iria se aposentar, mas o nadador resolveu voltar aos treinamentos e tentar algo mais nas piscinas. Em entrevista ao Globo Esporte ele afirmou que não tem planos para esticar demais a carreira e que nadará temporada por temporada, além de ser uma espécie de mentor para a nova geração de nadadores.

Cielo confirmou que estará presente no Troféu Maria Lenk no início de maio no Rio de Janeiro, porém, ainda há dúvidas sobre quais provas ele nadará. Inicialmente ele afirmou que nadaria apenas os 50m borboleta, porém, se nadar só esta prova não terá chances de ir ao Campeonato Mundial de Budapeste já que um dos requisitos para integrar a seleção é participar de provas olímpicas. Como resultado dos 50m livre no Torneio Regional foi positivo é bem possível que ele nade também a distância no Maria Lenk. E quem sabe desse grão em grão Cielo consiga uma vaga para Budapeste-2017.

Por Guilherme Freitas


Swim Channel TV: Alimentação para quem treina na hora do almoço
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Muita gente treina durante o horário do almoço porque este é o único horário disponível para poder cair na água durante o agitado dia a dia ao longo da semana. Apresentamos aqui algumas sugestões de cardápio do nutricionista Renê Leite visando melhorar o seu desempenho. Alimente-se bem e bons treinos! Assista o programa abaixo, não se esqueça de curtir o vídeo e assinar o nosso canal no Youtube!

Dicas de nutrição: Renê Leite

Roteiro: Patrick Winkler e Guilherme Freitas

Produção, Edição e Finalização: Thiago Tognozzi e Klaus Bernhoeft


Finis patrocina o Encontro de Técnicos
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Mais uma vez a Finis será uma das patrocinadoras do principal evento de profissionais da modalidade, o Encontro Nacional de Técnicos de Natação que chega a sua 12ª edição neste fim de semana na cidade de São Paulo. Considerada como uma das principais marcas do mundo em produtos voltados para natação a empresa, a marca americana é popular entre os atletas tendo no seu rol de patrocinados o campeão olímpico dos 50m livre Anthony Ervin e a campeã pan-americana dos 50m livre Arianna Vanderpool-Wallace. Seus acessórios são procurados por atletas principalmente pela diversidade e funcionalidade, pois atendem a diferentes necessidades técnicas dos nadadores e podem variar de formato e tamanho para se adaptar aos estilos de nado.

A Finis será mais uma patrocinadora do evento – Foto: Finis Swimming

O que mais atrai os técnicos de natação são a linha de cronômetros e os acessórios eletrônicos, além das mochilas que por serem volumosas são ótimas para quem carrega diversos materiais de treinamento no dia a dia. Além do encontro a empresa também apoia outro evento voltado para profissionais de natação que é a clínica internacional da Asca (American Swimming Coach Association) no Brasil que ocorre anualmente no Rio de Janeiro.

A Finis também estará presente no encontro com uma loja física e os participantes do evento poderão adquirir produtos da marca com descontos. Entre os acessórios disponíveis estarão modelos de cronômetro, mochila, palmar, entre outros. O Encontro Nacional de Técnicos será realizado nos dias 11 e 12 de março, no auditório da Academia Competition, na Rua Cincinato Braga, número 520, próximo a Avenida Paulista em São Paulo.

Por Guilherme Freitas


Mirco Cevalles será o homenageado do Encontro de Técnicos
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A 12ª edição do Encontro Nacional de Técnicos de Natação acontecerá na cidade de São Paulo no próximo fim de semana. O evento, que mais uma vez abordará a natação de base como já contamos aqui, apresentará palestras e debates com especialistas da área técnica, esportiva, jurídica e da nutrição. E como já se tornou tradição todo ano alguma pessoa com história na natação é homenageada. Este ano o condecorado será Mirco Cevalles.

Técnico de natação desde 1979, Mirco já atuou em alguns grandes clubes do país como Esporte Clube Pinheiros, Minas Tênis Clube e Grêmio Náutico União, além de várias academias no estado de São Paulo trabalhando com nadadores de diversos níveis técnicos. Em 2016 integrou a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro tendo como destaque o resultado de seu nadador João Gomes Júnior, quinto colocado nos 100m peito.

O técnico Mirco Cevalles – Foto: Satiro Sodré/SSPress

“Dentro e fora das piscinas sua maior bandeira sempre foi mais que os resultados, já que muitos de seus atletas além de títulos têm muitas conquistas fora da natação. Ele nunca abriu mão de seus princípios mesmo que isso lhe custasse o emprego. Mirco é um ser humano com sensibilidade ímpar e capaz de extrair o que o que há de melhor nas pessoas”, conta Alexandre Indiani, um dos organizadores e idealizadores do Encontro Nacional de Técnicos e que foi treinado por Mirco.

O Encontro Nacional de Técnicos será realizado nos dias 11 e 12 de março, no auditório da Academia Competition, na Rua Cincinato Braga, número 520, próximo a Avenida Paulista em São Paulo. Para mais detalhes sobre a programação e inscrição acesse o site oficial clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Viajando para não ficar parado
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A natação brasileira passa por um momento turbulento atualmente com indefinição política da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e menos dinheiro disponível em caixa para realização de campeonatos. Enquanto a CBDA não divulga seu calendário oficial de competições para a temporada 2017, os atletas de elite precisam se virar para competir e manter-se em atividade visando a temporada que terá um Campeonato Mundial pelo caminho em agosto.

O grupo de nadadores que vive e treina nos Estados Unidos já caiu na água para disputar medalhas este ano. Bruno Fratus, Marcelo Chierighini, Matheus Santana, João de Lucca e Felipe Lima estiveram em ação no Arena Pro Swim Series de Indianápolis no último fim de semana contra medalhistas olímpicos no Rio-2016 como Adam Peaty e Nathan Adrian. Em janeiro, Matheus já havia ido a Suíça nadar uma competição com a equipe do SwimMAC.

Joanna Maranhão nada em Madri nesta semana – Foto: Satiro Sodré/SSPress

No próximo fim de semana Joanna Maranhão disputará sua primeira competição em 2017. Estreando pela Unisanta, a nadadora participará do Open Absoluto de Madri onde nadará cinco provas. No final de março os brasileiros vão invadir o Paraguai para disputar o Campeonato nacional em Assunção. A equipe do Pinheiros já confirmou que levará alguns atletas, mas ainda não definiu um número exato.

Os nadadores de águas abertas também estão cruzando o mundo para competir. Cincos atletas da seleção viajaram para Abu Dhabi para nadar a segunda etapa da Copa do Mundo da Fina de 10 km: Poliana Okimoto, Ana Marcela Cunha, Allan do Carmo, Betina Lorscheitter e Diogo Villarinho. Enquanto o futuro da natação brasileira segue indefinido os nadadores sabem que não podem ficar parados e precisam competir. Nem que para isso tenham que sair do país.

Por Guilherme Freitas


100m livre é o destaque no Arena Pro Swim Series de Indianápolis
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Tem início amanhã em Indianápolis a segunda etapa do Arena Pro Swim Series 2017. O evento, que vai ser realizado no Indiana University Natatorium (mesma piscina do Campeonato Mundial Júnior em agosto), terá a presença de vários astros da modalidade e seleções estrangeiras como Itália, Argentina, China e Japão. E por falar em estrelas aquáticas, uma das provas imperdíveis será os 100m livre masculino.

A prova nobre da natação reunirá diversos atletas de renome internacional. O anfitrião Nathan Adrian tem o melhor tempo do balizamento com 47s72 e é o único americano balizado entre os oito melhores. No top 8 estão três brasileiros: Marcelo Chierighini, João de Lucca e Matheus Santana. Além deles Bruno Fratus estará na prova com o 13º tempo. Luca Dotto, Federico Grabich, Duncan Scott, Vladimir Morozov, Simonas Bilis, Josh Schneider, Cullen Jones, Tom Shields e Filippo Magnini são outros destaques. Como muitos nadadores estiveram parados ou estão em fase pesada de treinamento a expectativa não é de ver tempos muito baixos, mas com tanta gente boa na água a prova será realmente bem interessante de ser acompanhada.

Finalista olímpico no Rio-2016 Chierighini tem o 7º melhor tempo do balizamento – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Outro destaque será a presença de Adam Peaty. O atual campeão olímpico e mundial dos 100m peito fez uma temporada perfeita ano passado. Bateu o recorde mundial da prova duas vezes (na eliminatória e final) nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e ajudou o revezamento britânico 4x100m medley a levar a medalha de prata com monstruosos 56s59 de parcial. Peaty começou 2017 com tudo, nadando para 58s94 no EuroMeet de Luxemburgo, vencendo com dois de vantagem para o vice-campeão do evento. Uma mostra de que ele continua sobrando na prova e que deve dar bastante trabalho para os locais Cody Miller, Joshua Prenot e Kevin Cordes, além do brasileiro Felipe Lima que também estará em ação.

No feminino o destaque fica por conta dos duelos que a canadense Penny Oleksiak terá em sua campanha em Indianápolis. A campeã olímpica dos 100m livre no Rio-2016 vai encarar nesta prova a italiana Federica Pellegrini contra quem também deverá cravar um duelo interessante nos 200m livre. Já nos 100m borboleta sua principal adversária será a americana Kelsi Worrell, campeã olímpica com o 4x100m medley no Rio-2016. Um bom teste para a jovem canadense de 17 anos.

Adam Peaty será uma das atrações em Indianápolis – Foto: Alessandro Koizumi/Swim Channel

Além dos 100m livre o quarteto brasileiro disputará também os 50m livre. Matheus Santana nadará ainda os 100m borboleta e João de Lucca os 200m livre. Felipe Lima nada três provas: os 50m livre e os 100m e 200m peito. Entre as mulheres, Maria Paula Heitmann vai nadar quatro vezes: 100m, 200m e 400m livre e 100m borboleta. O Arena Pro Swim Series de Indianápolis será transmitido pelo site da USA Swimming e o balizamento pode ser conferido clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Qual o segredo de Katie Ledecky?
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O que fazer quando você sai de uma Olimpíada com cinco medalhas, sendo quatro de ouro, dois recordes mundiais e aos 19 anos é considerada a maior fundista de todos os tempos?

Muitos tirariam longas férias para arejar cabeça e corpo após árduos quatro anos de treinamentos.

Mas não Katie Ledecky.

Katie Ledecky (Foto: Francois Xavier Marit/Getty Images)

A americana que se consagrou nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro ingressou na Universidade de Stanford após a Olimpíada e não quis saber de descanso.

Resultado: nas competições universitárias, em piscinas de jardas, superou o recorde americano das 1650 jardas livre, em novembro, e na semana passada melhorou a marca nacional nas 500 jardas livre, que já era dela. E impressionou, como de costume: o tempo de 4min25s15 é cinco segundos mais rápido que o de qualquer outra nadadora, e ela tem as nove melhores marcas da história da prova.

O NCAA, principal competição universitária americana, tem suas provas femininas de natação em duas semanas. Esperem mais um show da nadadora, com a promessa de uma batalha épica nas 200 jardas com Simone Manuel, campeã olímpica dos 100m livre, contra quem já vem tendo grandes duelos – o que é um feito e tanto para Ledecky, já que as 200 jardas é praticamente uma prova de velocidade, que exige grande explosão, qualidade que ela vem aprimorando.

A maior da história?

Por tudo que já fez, muitos dizem que Katie Ledecky já é a maior nadadora de todos os tempos.

Talvez a afirmação soe exagerada no momento. Talvez a americana ainda precise de algumas conquistas para se firmar como o maior nome da natação feminina da história.

Mas, a julgar pela lista feita pelo jornalista John Lohn no livro They Ruled The Pool: The 100 Greatest Swimmers Of All Time, ela já está muito perto do topo. Lançada em 2013, a publicação coloca, na seguinte ordem, os dez maiores nomes da história: Michael Phelps, Mark Spitz, Tracy Caulkins, Krisztina Egerszegi, Janet Evans, Dawn Fraser, Johnny Weissmuller, Ian Thorpe, Matt Biondi e Shane Gould.

A maioria concorda que os feitos de Ledecky já superam os de Evans, considerada por muito tempo a maior nadadora de longas distâncias da história. Então, na pior das hipóteses, ela só está atrás de Caulkins e Egerszegi entre as mulheres.

Não é para menos. Já são seis medalhas olímpicas, sendo cinco de ouro, aos 19 anos. 13 recordes mundiais batidos. Nove das dez melhores marcas da história dos 400m livre, e os 12 tempos mais rápidos dos 800m livre. Nessa última prova, baixou o recorde mundial em quase dez segundos em quatro anos – para efeito de comparação, foram necessários 30 anos, de 1978 a 2008, para que uma melhora em nível semelhante, de dez segundos e meio, fosse observada. Muitos consideram seu tempo de 8min04s79 um dos mais impressionantes da história.

Katie Ledecky e um de seus quatro ouros olímpicos em 2016 (foto: USA Today Sports)

Muitos perguntam: qual é o segredo de Katie Ledecky?

Michael Phelps, o maior nadador da história, tem flexibilidade acima da média, grande envergadura, centro de massa de seu corpo ideal para a natação pés grandes – enfim, o corpo perfeito para um nadador.

Não é o que ocorre com Ledecky.

Quando o Comitê Olímpico dos Estados Unidos a fez passar por uma bateria de testes físicos logo após os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, nos quais ela venceu os 800m livre, os resultados, segundo seu treinador Bruce Gemmel, não foram dignos de nota. Gemmel ainda diz que, quando ela começou a nadar, não tinha uma puxada de braçada forte, não tinha um bom ritmo de pernada e não tinha grande sensibilidade na água.

Como ela chegou então onde chegou?

Disciplina, determinação e foco obviamente tiveram papéis fundamentais em sua trajetória. Mas uma técnica de nado livre desenvolvida especialmente de acordo com seu biotipo é responsável por tanta eficiência.

Uma técnica de nado perfeita para suas características

Yuri Suguiyama, seu técnico dos 10 aos 15 anos em Washington, no clube Nation’s Capital, achava o estilo de nado de sua jovem pupila OK, mas nada demais. Ela nadava como uma fundista clássica, braçadas simétricas, respiração bilateral, pernada ritmada com dois movimentos para cada ciclo de braçadas.

Ele percebeu então que, apesar de ela não ter grande envergadura ou flexibilidade, tinha uma qualidade marcante: uma enorme força nos quadris.

“Assistindo ao vídeo dos 200m livre de Michael Phelps no Mundial de Melbourne, em 2007, notei que sua pernada era constante o tempo inteiro. E suas braçadas não eram simétricas. Ele nadava meio “mancando”. Braçada esquerda mais curta, braçada direita mais longa. Respirando o tempo inteiro apenas para um único lado. Pensei, ‘Katie pode fazer isso.’ Podia aproveitar a fúria que ela tinha ao nadar,” diz Suguiyama para essa reportagem.

Katie Ledecky, aos nove anos, pede autógrafo a Michael Phelps (foto: arquivo pessoal/Katie Ledecky)

Para incorporar tal técnica, é preciso ter muita força nos quadris. Uma força que muitos nadadores têm, mas poucas nadadoras possuem.

“Descobrimos que é uma técnica que se aproveita muito da força dos quadris, e com eles consigo um ritmo e uma rotação muito boa do meu corpo. E tenho muita força nos quadris,” diz Ledecky. “Essa técnica me faz aproveitar muito bem essa característica.”

O clichê de que Ledecky nada como um homem é justificado em sua técnica de nado.

Veja o vídeo abaixo com comentários de Suguiyama e Gemmel sobre a técnica da nadadora (em inglês).

Esse é o aspecto técnico. Mas existe outro tão importante destacado por Gemmel.

“Não existe fórmula mágica. Ela não tem uma envergadura grande. Não tem uma excepcional flexibilidade nos pés. Assim como Michael (Phelps), seu grande diferencial está na cabeça. E no coração. O apetite pela competição, o ódio de perder, o desejo pelo desafio. E não apenas o desafio na competição, mas também nos treinamentos.”

Ledecky mostra também um interesse acima da média na evolução de sua natação. Estuda de maneira dedicada suas análises biomecânicas, através de dados e vídeos. É uma obcecada em melhorar o aproveitamento de suas braçadas. Tem os números em sua cabeça de quantas braçadas precisa executar por distância e coloca em prática todos os dias.

Certa vez, um site listou 40 dicas para nadar como Katie Ledecky. Seu treinador Bruce Gemmel compartilhou a matéria no Twitter e acrescentou: “Dica número 41: trabalhe duro. Muito duro.”

Por Daniel Takata


Paltrinieri debutará nas águas abertas
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Migrar das piscinas para as águas abertas é algo comum no universo aquático. Existem diversos exemplos de grandes campeões na piscina como os medalhistas olímpicos Oussama Mellouli, Eva Risztov, David Davies e Poliana Okimoto que passaram a disputar provas em águas abertas depois de colecionarem medalhas em competições de natação. E mais um atleta vencedor pretende fazer esse caminho: o atual campeão olímpico dos 1500m livre Gregorio Paltrinieri.

A estreia do italiano em águas abertas já tem data e local para acontecer. Será no dia 26 de março em Eilat, Israel. Paltrinieri vai nadar a prova dos 10 km válida pela primeira etapa da Copa LEN de águas abertas, o circuito de travessias da Liga Europeia de Natação. “Já tinha em mente nadar uma prova assim há muito tempo. Desde criança sempre fui um apaixonado pelo mar e estou animado para encarar este novo desafio. Acredito estar preparada e que este é o momento certo”, disse o nadador ao jornal italiano Corriere della Sera.

Paltrinieri é o atual campeão olímpico dos 1500m livre – Foto: Reprodução

Paltrinieri também escolheu debutar nesta etapa da Copa LEN devido a proximidade da maratona com o início do Campeonato Italiano absoluto de natação, que tem início dia 4 de abril em Riccione. Atual campeão olímpico e mundial dos 1500m livre, o italiano não vai mudar de vez para as águas abertas e abandonar a natação em piscina. Segundo seu técnico Stefano Morini o objetivo é conciliar as duas funções.

“Vamos ver como ele se sairá neste ciclo olímpico nadando tanto em piscina, quanto em águas abertas. Devido sua base de treinamento ele tem capacidade de suportar o ritmo e a distância de uma maratona aquática. Inicialmente seu objetivo é nadar esta prova na Universíade de Taipei em agosto, mas ainda é muito cedo para traçar algum plano visando Tóquio-2020”, conta Morini. O nadador na mesma entrevista afirmou que o Europeu de águas abertas e Copa do Mundo da Fina em 2018 deverão ser os primeiros grandes testes a nível internacional.

Paltrinieri é hoje o melhor fundista do mundo – Foto: Getty Images

Com vários casos de sucesso entre nadadores que deixaram a piscina para se dedicar as águas abertas não seria surpresa ver Gregorio Paltrinieri fazendo o trabalho duplo na próxima Olimpíada. E quem sabe engrossando a lista de campeões nas duas modalidades.

Por Guilherme Freitas


Manaudou pode retornar um dia a natação? Phelps crê que sim
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A natação é um esporte de idas e vindas. É comum nadadores despontarem ainda muito jovens ao estrelato e decidirem se aposentar das piscinas precocemente. Já cansamos de ver histórias assim. Ian Thorpe e Anthony Ervin  são alguns exemplos de atletas que muito novos já eram grandes campeões e se aposentaram para seguir outros caminhos com menos de 25 anos. O caso mais recente é o de Florent Manaudou.

Campeão olímpico em Londres-2012 aos 21 anos, o gigante francês de 2m de altura anunciou após a última Olimpíada no Rio-2016 sua precoce aposentadoria das piscinas aos 25 anos para concretizar um sonho de juventude: jogar handebol. Atuar no esporte de quadra em alto nível era um desejo antigo do francês que praticou a modalidade durante a adolescência. Hoje ele está treinando com a equipe Aix en Provence e sonha com a possibilidade de estrear profissionalmente na liga francesa.

Manaudou deixou a natação para se dedicar ao handebol – Foto: Anne-Christine Poujoulat/AFP

Por ainda ser jovem (terá 29 anos em Tóquio-2020) e caso não tenha sucesso nas quadras será possível um retorno de Manaudou as piscinas? É uma pergunta difícil de responder, mas Michael Phelps que já passou por esta situação afirmou em entrevista a um jornal francês que o ex-velocista tem potencial para retornar. “Tudo é possível. Nós vimos como ele é talentoso e muito rápido. Se ele decidir voltar a natação de alto nível e fazer os sacrifícios necessários, acredito que ele será capaz”, disse o multicampeão olímpico que se aposentou pela primeira vez aos 27 anos, mas retornou as piscinas apenas 18 meses depois.

Manaudou abriu mão de fazer história nas piscinas. Em 2015, quando foi campeão mundial em Kazan com 21s19, tornou-se o homem mais rápido do mundo a nadar os 50m livre sem auxílio de trajes. Não repetiu o desempenho Rio de Janeiro, mas poderia neste ciclo olímpico tentar se aproximar do recorde mundial de Cesar Cielo. O francês até nadou amistosamente um evento no fim do ano passado, mas sem ambições de competir. Repetirá a trajetória da irmã que se aposentou aos 22 anos para chegar novamente anos depois e chegar as Jogos Olímpicos? Ainda faltam três anos e meio para Tóquio-2020 e quem sabe nesse meio de caminho Florent Manaudou não volte a nadar e confirme as palavras de Phelps.

Por Guilherme Freitas