Swim Channel

Arquivo : natação

Troféu Maria Lenk: 18 verdades, 1 mentira
Comentários Comente

swimchannel

Parque Aquático Maria Lenk (foto: reprodução/Rio2016)

Na semana que vem, será disputado o Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro, última seletiva para o Campeonato Mundial de esportes aquáticos e o Campeonato Mundial Júnior. Na onda da brincadeira “9 verdades, 1 mentira”, fazemos aqui nossa versão: “18 verdades, 1 mentira” sobre a competição, que até a edição de 2006 se chamava Troféu Brasil. Um agradecimento especial a Renato Cordani, pela ajuda na obtenção de algumas informações. Consegue adivinhar qual é a falsa?

Obs.: para os levantamentos realizados, foi considerado que, quando determinado atleta terminava a prova atrás somente de nadadores estrangeiros, ele não venceu a prova. Apesar de ser considerado o campeão brasileiro, não foi o campeão da prova na competição.

1 – Na primeira edição do Troféu Brasil, disputado em 1962 em Porto Alegre, o vencedor dos 200m borboleta, Luiz Simi, completou a distância em 2min40s04. O tempo não seria suficiente para alcançar a final B do último Troféu Maria Lenk… nos 200m peito feminino. Outros tempos…

2 – No Troféu Brasil de 1978, Djan Madruga obteve o incrível feito de 12 medalhas de ouro, sendo nove individuais e três em revezamentos. As únicas provas do programa que não venceu foram os 100m costas e os 100m e 200m peito – na época as provas de 50m livre, 50m borboleta, 50m costas, 50m peito e 800m livre não constavam no programa de provas masculino. O feito nunca pôde ser repetido, pois o regulamento foi alterado, limitando o número de provas por atleta, que variou ao longo dos anos. Hoje, são permitidas quatro provas individuais por nadador, mais os quatro revezamentos.

3 – Fenômenos da natação brasileira na década de 80, Ricardo Prado e Patricia Amorim venceram suas primeiras provas em Troféu Brasil em idades tenras: Ricardo tinha 14 ao vencer os 400m medley em 1979, e Patricia, 13, quando conquistou o ouro nos 200m livre em 1983. Em janeiro de 1986, Georgiana Magalhães venceu os 100m peito. Não temos sua idade exata, mas, pelas suas participações em brasileiros de categoria, na ocasião ela tinha no máximo 14 anos e um mês de idade. Desde então não vemos vencedores tão novos (Poliana Okimoto venceu aos 14 anos e sete meses em 1997) e parece improvável que, no cenário atual, testemunhemos tal feito novamente.

Ricardo Prado, 14 anos em 1979 (foto: Arquivo Folha)

4 – Na edição de 1982, Jorge Fernandes teve um desempenho memorável, talvez o mais marcante dos anos 80 na competição, ao vencer os 100m e 200m livre com 51s21 e 1min51s33. Os resultados assombraram a comunidade e estavam muito à frente de seu tempo no país. Tanto que duraram como recordes nacionais por quase uma década. Nos 200m, seu tempo lhe daria a medalha de bronze olímpica dois anos antes.

5 – No Troféu de 1988, Cristiano Michelena teve um desempenho memorável e conquistou sete medalhas de ouro (100m, 200m, 400m, 800m e 1500m livre e revezamentos 4x100m e 4x200m livre). Após a limitação do número de provas por atleta, citada no número 3, o feito de Cristiano ficou por anos sendo o melhor de um atleta na competição. Foi superado em 2007, ano em que Thiago Pereira obteve sete ouros e uma prata.

6 – A rivalidade entre Fernando Scherer e Gustavo Borges era grande na década de 90 nas provas de velocidade do nado livre. No entanto, apesar de Gustavo ter tido mais conquistas internacionais, no Troféu Brasil quem dava as cartas era Xuxa: entre 1992 e 1998, venceu os 50m e 100m livre por sete vezes consecutivas.

7 – O Flamengo, graças principalmente à fortíssima equipe da década de 80 (campeã oito vezes consecutivas entre 1980 e 1987), chegou a 12 títulos em 2002, e parecia que não perderia a liderança em conquistas por muito tempo. Mas o Pinheiros não perdeu tempo e repetiu o feito do rival: oito títulos consecutivos de 2003 a 2010, completando 13 títulos e tornando-se a equipe mais vencedora do torneio. Com as vitórias em 2015 e 2016, hoje totaliza 15 títulos.

8 – A última medalha de Gustavo Borges no Troféu veio no revezamento 4x100m livre em 2004. Curiosamente, nadando na mesma equipe pelo Pinheiros, estava Cesar Cielo, que conquistava sua primeira medalha na história da competição. Praticamente uma passagem de bastão.

Cesar Cielo e Gustavo Borges (foto: Satiro Sodré/SSPress)

9 – O Parque Aquático Maria Lenk foi inaugurado há dez anos para os Jogos Pan-Americanos de 2007. No mesmo ano, Maria Lenk morreu, e o Troféu Brasil passou a levar seu nome. A partir de então, parecia que o melhor complexo aquático do país seria local cativo para a principal competição nacional. Mas o torneio foi disputado lá somente quatro vezes até hoje.

10 – Em 2009, a competição viu o único recorde mundial de sua história: ao completar os 50m peito em 26s89 nas eliminatórias da prova, Felipe França superou a marca global que pertencia ao sul-africano Cameron van der Burgh.

11- Em 2009, Gabriella Silva nadou os 50m livre e terminou na quarta posição, a menos de um décimo da medalha de bronze… nadando borboleta! E nadando contra fortes adversárias: seis das outras sete competidoras haviam representado o Brasil em Jogos Olímpicos, cinco delas no ano anterior. Além da própria Gabriella, claro.

Gabriella Silva (foto: Satiro Sodré/SSPress)

12 – Thiago Pereira, com 13 vitórias nos 400m medley entre 2003 e 2015, é quem mais venceu consecutivamente uma prova na história do torneio. Em número de vitórias, no entanto, Fabiola Molina é imbatível: 44 títulos individuais entre 1992 e 2012.

13 – Joanna Maranhão e Thiago Pereira são os únicos a vencerem provas individuais em todos os estilos na história da competição. Joanna venceu pela primeira vez em cada estilo nas seguintes ocasiões: 2002 (200m peito), 2003 (200m medley), 2008 (200m costas e 200m borboleta) e 2010 (400m livre). Thiago, por sua vez, ganhou em 2003 (400m medley), 2005 (200m peito), 2007 (200m costas), 2008 (400m livre) e 2013 (100m borbleta).

14 – A partir da década de 90, tornou-se comum clubes trazerem atletas estrangeiros para ajudarem nas pontuações, principalmente no feminino. Diversas atletas que subiram ao pódio em Olimpíadas nadaram a competição, como Inge de Bruijn, Yana Klochkova, Mireia Belmonte, Katinka Hosszu, Rebecca Soni, Laure Manaudou, Kirsty Coventry e Therese Alshammar. No entanto, somente dois atletas que conquistaram medalhas olímpicas em provas individuais masculinas nadaram o Troféu: o austríaco Markus Rogan em 2010 e o tunisiano Oussama Mellouli, em 2011.

15 – Por falar em estrangeiros, faz algum tempo que uma edição de Troféu não é vencida somente por nadadores brasileiros. Muito tempo. A última vez que isso ocorreu foi em 1996.

16 – Em 2014, foi disputada pela primeira e única vez uma prova de águas abertas dentro da programação da competição. Os 5 km foram disputados na raia da USP, e foram vencidos por Poliana Okimoto e Luiz Rogério Arapiraca.

17 – Os medalhistas olímpicos Thiago Pereira e Cesar Cielo são os maiores nomes da natação do país deste século. Mas, enquanto Thiago superou cinco recordes sul-americanos individuais na competição, Cesar obteve somente um, nos 100m livre em 2009.

18 – Este ano, dois atletas têm a chance de defenderem as maiores hegemonias da competição na atualidade. Leonardo de Deus nos 200m borboleta e 200m costas e a argentina Julia Sebastian nos 200m peito dominam suas provas desde 2012, e podem conquistar hexacampeonatos em 2017.

Leonardo de Deus (foto: Satiro Sodré)

19 – O programa de provas como é disputado hoje, com todas as provas presentes em Campeonatos Mundiais mais o revezamento 4x50m livre, se mantém desde 2002 (com uma exceção para 2016, edição na qual foram disputadas apenas provas olímpicas e sem revezamentos). Os 800m livre masculino e 1500 livre feminino eram disputados na competição na década de 80, mas foram removidos do programa, e voltaram em 2002. As provas de 50m borboleta, 50m costas e 50m peito e o 4x50m livre foram acrescentadas em 1999.

Por Daniel Takata


Treinos que gostaríamos de fazer (ou não)
Comentários Comente

swimchannel

Ian Thorpe (foto: Ian Waldie/Reuters)

Confiram abaixo algumas séries que Ian Thorpe fazia em seus treinos preparatórios para os Jogos Olímpicos de Sydney (fonte: Swim It Up!):

– 12x100m braço a cada 1m00, mantendo 57-58s.
– 5x100m perna (com prancha) a cada 4min00s. Todos abaixo de 1min01s.
– 7x200m a cada 5min00s. Média de 1min51s. Último para menos de 1min50s.
– 5x(4x400m):
4 a cada 4min50s para baixo de 4min40s
4 a cada 4min40s para baixo de 4min30s
4 a cada 4min30s para baixo de 4min20s
4 a cada 4min20s para baixo de 4min10s
4 a cada 4min10s mantendo 4min02s

Seriezinha de base de Michael Phelps, toda de crawl, descrita em seu livro Sem Limites: a incansável busca pelo prazer de vencer:

1x800m, 2x700m, 3x600m, 4x500m, 5x400m, 6x300m, 7x200m, 8x100m.
Total (só da série): 12 mil metros.

Consta que americano Tom Dolan, ex-recordista mundial e bicampeão olímpico dos 400m medley, chegou a treinar 30 mil metros em um único dia, divididos em três períodos. O mais impressionante é que Dolan, companheiro de Gustavo Borges na Universidade de Michigan, era asmático e tinha menor capacidade de respiração em relação a uma pessoa normal. Sua história de superação será assunto de um post em breve.

Ryan Lochte certa vez declarou para a revista da FINA que o treino mais pesado que já fez foi 100x100m. Com aquecimento e soltura, o treino totalizou 13.400m. “Levamos uma semana para nos recuperarmos, e obviamente não tivemos uma semana de folga, e sim de treinos normais.” O problema não foi a série, afinal uma série de 100x100m não é novidade no mundo da natação. Mas sim que a série era toda de crawl, na piscina longa, a cada 1min10s!

No Brasil, Poliana Okimoto tem algumas séries de matar. E, assim como Lochte, não esquece uma série de 100x100m. Que na verdade foi executada duas vezes, no mesmo dia, de manhã e à tarde, em uma véspera de Natal. Ela também já chegou a fazer 200x100m em uma única sessão, mas diz que fazer 100x100m duas vezes naquele dia foi o pior treino de sua vida (veja mais detalhes nessa entrevista).

Poliana Okimoto (foto: Satiro Sodré)

Em entrevista para a Swim Channel nº 8, antes dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, Cesar Cielo citou algumas de suas séries inesquecíveis.

“Teve uma série em Auburn, nossa, eu passei o dia vendo estrelinha de tontura! Foram 30x100m perna na longa a cada 1min30s! Foi engraçado porque o técnico apareceu e falou assim: “pessoal, é só fazer o intervalo.” Eu pensei, “esse cara tá muito louco, como assim ‘só fazer o intervalo’?” Eu tenho que segurar uma intensidade forte para fazer 1min22s, 1min23s. Eu sou cheio de ficar fazendo conta na cabeça, então chegou no 13º, comecei a ver estrelinha, começou a dar tontura, e pensei, “meu Deus, eu não tô nem na metade ainda!” Chegou no 17º eu perdi o intervalo, ele me passou para a raia que estava fazendo a cada 1min40s, e foi uma série que depois que acabou fiquei meia hora boiando na piscina. Foi complicado, essa doeu bastante mesmo!”

“Tem uma aqui no Brasil que é um desafio que o Albertinho passa para mim e para o Nicolas (Oliveira). A gente faz tiros de 50m a cada 2 minutos simulando a volta dos 100m livre, tentando nadar entre 24s4 e 25s0. A gente faz quantos conseguir até a hora que o tempo subir o tempo acima do planejado. Então quando eu faço 25s0, ele dá um minuto a mais de intervalo e a gente tenta de novo, se não conseguir a série acaba. Não tem um número determinado de tiros de 50m. Teve uma vez que eu fiz quatro para 24s, e falei: “Albertinho, acho que não dá pra fazer mais”. Ele disse “pô, mas você fez, tem que ir pra mais um!” Eu falei que não ia dar, ele falou para eu fazer. Aí eu tentei um quinto tiro, mas já foi pra 26s e alguma coisa, o lactato aquele dia subiu de um jeito que eu fiquei, nossa, fiquei quase que 30 minutos deitado com a perna pra cima, lactato bombando. Entrei na piscina de gelo, mas não adiantou nada. Fiquei meia hora pra poder ficar em pé de novo, foi uma série muito difícil mesmo.”

E aí, vai encarar?

Por Daniel Takata


Swim Channel TV: Cinco curiosidades sobre Maria Lenk
Comentários Comente

swimchannel

Daqui duas semanas começará no Parque Aquático Maria Lenk, o Troféu Maria Lenk. Tanto o campeonato, que antes se chamava Troféu Brasil, como o complexo aquático receberam este nome em homenagem a pioneira da natação brasileira. Maria Lenk teve uma vida inteira dedicada ao esporte e a natação, vindo a falecer logo após um treino aos 92 anos de idade. Além das conquistas dentro da piscina também fez muito pela educação física no país. Listamos aqui algumas curiosidades sobre essa personalidade e o porque de sua importância para a natação brasileira. E não se esqueça de curtir o vídeo e assinar o nosso canal no Youtube!

Roteiro: Patrick Winkler e Guilherme Freitas

Produção, Edição e Finalização: Thiago Tognozzi e Klaus Bernhoeft


Adam Peaty: hegemonia cada vez maior no nado peito
Comentários Comente

swimchannel

Teve início ontem em Sheffield o Campeonato Britânico de natação, mais um evento de alto nível neste mês de abril e também seletiva nacional para o Mundial de Budapeste. A competição, que vai até domingo, já registrou bons resultados como os 3min44s74 de James Guy nos 400m livre (4º melhor tempo do ano) e os 4min34s12 de Hannah Miller nos 400m medley (2ª melhor marca do ranking mundial). Mas mesmo estes bons desempenhos não chegam nem próximo do dono da melhor performance até o momento que atende pelo nome de Adam Peaty.

Na atualidade não existe ninguém capaz de nadar no mesmo nível do inglês nas provas de 50m e 100m peito. Ontem ele mostrou mais uma vez que é absoluto nos 100m peito. Nas eliminatórias já mandou 58s86 e passou para a final com uma vantagem de quase dois segundos para o segundo melhor tempo. Na finalíssima não tomou conhecimento dos adversários e só tinha o relógio como adversário. Fez 57s79, a quarta melhor performance de todos os tempos (assista a prova abaixo).

Com esse resultado Peaty agora detém as oito melhores marcas da história da prova. Ele é o único atleta que já conseguiu romper a barreira dos 58 segundos, conseguindo esta façanha em quatro oportunidades. Também é o único a nadar a parcial de peito no revezamento 4x100m medley na casa dos 56 segundos, feito que conquistou na final olímpica nos Jogos do Rio-2016 quando os britânicos ficaram com a medalha de prata. Assim como Katie Ledecky nas provas de fundo, Adam Peaty esta em outro nível e quem for nadar contra ele já entra na água para disputar a medalha de prata.

Após a etapa o nadador concedeu uma entrevista a Federação Britânica e afirmou que ainda há muito trabalho pela frente e que espera melhorar ainda mais suas futuras performances nos 100m peito para tentar baixar seu recorde mundial que é de 57s13. Neste campeonato o nadador optou por não nadar os 200m peito para se concentrar na velocidade.

Adam Peaty é hoje o melhor nadador de peito da atualidade – Foto: Alessandro Koizumi/Swim Channel

Nos 50m peito, disputados nesta terça-feira ele mais uma vez mostrou sua superioridade. Atual campeão e recordista mundial da distância, Peaty nadou nas eliminatórias para 26s62, melhor tempo da temporada e apenas 20 centésimos acima de sua melhor marca. Números que foram atualizados horas depois na final. Ele permanece como líder do ranking mundial, mas com um tempo melhor: 26s48, apenas seis centésimos acima de seu recorde mundial. O jovem britânico de 22 anos segue fazendo história e levando o nado peito para outro patamar.

Por Guilherme Freitas


Mamães maravilha
Comentários Comente

swimchannel

Tudo indicava ser mais um dia corriqueiro na vida de Andy Grant, um ex-nadador da Universidade de Stanford.

Pois aquele dia de junho de 2014 tornou-se inesquecível para ele, por uma frase de sua esposa: “estou grávida!”

Passada a surpresa e a empolgação inicial da notícia, sentou-se com ela para planejar o futuro. Afinal, a gravidez prometia uma reviravolta na carreira profissional dela.

Isso porque ela simplesmente era uma nadadora campeã olímpica e recordista mundial. Seu nome: Dana Vollmer.

Dana Vollmer em Londres-2012 (foto: Matt Slocum/AP)

A americana vinha dos anos mais bem-sucedidos de sua carreira. Conquistara o ouro olímpico nos 100m borboleta com recorde mundial em 2012. Em 2013, manteve-se entre as melhores do mundo, com duas medalhas no Mundial de Barcelona.

Por isso, seu nome era um dos cotados para estar novamente brigando por medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Grant queria saber dela o que pretendia fazer após o nascimento do bebê. Iria ela trabalhar naquilo que estudara na faculdade, antropologia? Ou se manteria ligada à natação de alguma forma fora da piscina?

Foi quando Grant ouviu: “quem disse que quero deixar as piscinas?”

Em um primeiro momento, ele achou que sua esposa não tinha avaliado bem o momento pelo qual estava passando. Afinal, já era uma nadadora consagrada, com todas as conquistas que um esportista pode sonhar. E iriam ter um filho. Continuar a ser uma nadadora profissional?

“Sim, é isso que eu quero”, disse ela. “Quero nadar a próxima Olimpíada. Mas, para isso, precisarei de um apoio enorme. Você será importantíssimo para mim nessa jornada. E aí, rola?”

Grant percebeu que o que estava em jogo não eram apenas medalhas e recordes, que ela já acumulava aos montes. Mas sim aquele incomparável sentimento de realização no esporte que ama.

E imediatamente se prontificou a estar ao lado da esposa, qualquer que fosse sua decisão.

O resto é uma história conhecida. O pequeno Arlen Grant nasceu em fevereiro de 2015. Aos poucos Vollmer voltou aos treinamentos e classificou-se para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Lá, conquistou o bronze nos 100m borboleta, além de mais duas medalhas em revezamentos: ouro no 4x100m medley e prata no 4x100m livre.

Ao contrário do pequeno Boomer, filho de Michael Phelps, que tanto sucesso fez no Rio, Arlen não estava nas arquibancadas. Ficou com o pai na California e conversava com a mãe todos os dias pelo aplicativo Facetime.

Vollmer deixou o Brasil com a missão cumprida. Era um dos retornos mais bem sucedidos da história da natação após uma gravidez.

Após tal sucesso, Vollmer teve novamente uma conversa com Grant semelhante àquela de junho de 2014, dessa vez em novembro de 2016. Estava grávida novamente. E seus objetivos continuavam os mesmos.

Por isso, não foi surpresa vê-la nadar na semana passada os 50m livre no Grand Prix de Mesa, no Arizona.

Em situação normal, ela já seria uma das grandes atrações da competição, afinal trata-se de uma campeã olímpica. Mas atraiu ainda mais holofotes dessa vez. Não é todo dia que vemos uma grávida de seis meses completar os 50m livre em 27s59.

Dana Vollmer, grávida de seis meses, após sua prova no GP de Mesa (foto: Yahoo Sports)

A situação inusitada até ofuscou alguns bons resultados obtidos por outros nadadores, como as performances de Katie Ledecky nos 200m, 400m e 800m livre, as três provas em que é campeã olímpica (1min56s31, 4min01s01 e 8min15s44 – nas duas últimas provas, tempos que apenas ela nadou mais rápido nos Jogos Olímpicos do ano passado), Chase Kalisz nos 400m medley (4min11s01), 200m borboleta (1min55s82) e 200m medley (1min57s71), a campeã olímpica Simone Manuel nos 50m (24s66) e 100m livre (53s66) e Nathan Adrian nos 100m livre (48s18).

O recado de Vollmer ao nadar em Mesa foi claro: ela estará de volta para brigar por medalhas em 2020, nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Apesar de ser mais comum em outros esportes, é raríssimo ver nadadoras retornarem à natação profissional após darem à luz. O nível de dedicação, com treinos de madrugada e comprometimento integral, faz com que estes sejam casos isolados. É preciso contar com muito apoio do parceiro e um planejamento minuncioso das vidas pessoal e profissional.

Ser mãe não é fácil. Ser nadadora olímpica não é fácil. A intersecção é para pouquíssimas.

Nos últimos anos, vimos alguns casos de nadadoras que retornaram da gravidez e voltaram entre as melhores do mundo.

A mais famosa é Dara Torres, que teve sua filha Tessa em 2006 e dois anos depois conquistou três medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim, aos 41 anos.

A holandesa Marleen Veldhuis conquistou a medalha de bronze nos 50m livre na Olimpíada de 2012 após ter tido sua filha Hannah em 2010.

A sueca Therese Alshammar deu à luz a Fred em 2013 e em 2016 voltou para competir sua sexta Olimpíada.

A australiana Hayley Lewis, medalhista olímpica nos 400m e 800m livre em 1992, teve seu filho em 1998, obteve classificação para os Jogos Olímpicos de 2000 e foi medalhista mundial nas águas abertas na prova de 5km em 2001.

No Brasil, o caso mais notável é o de Piedade Coutinho. Disputou os Jogos Olímpicos de 1936 e conquistou um excepcional quinto lugar nos 400m livre. No início da década de 40, deixou as piscinas para ter seu filho. Em 1943, voltou à natação.

Piedade Coutinho (foto: O Globo Sportivo)

Se o fato já é raro nos dias de hoje, imaginem há mais de 70 anos uma mulher romper valores que incompatibilizavam os papeis de mãe, esposa e dona-de-casa com a prática do esporte. Não só isso, Piedade voltou a ser finalista olímpica em 1948, e em 1951 foi a primeira medalhista pan-americana na história da nataçao feminina do país.

Ela merece todas as reverências. Assim como todas as mulheres que ousaram conciliar o papel de mãe com o de nadadora, e alçaram altos vôos. “Fiz pelo meu filho”, todas elas diriam.

Uma menção especial a Tanya Dangakalova. Nunca ouviu falar dela? Pois deveria.

Além de ter conquistado a primeira medalha de ouro olímpica da história da natação búlgara, ao vencer os 100m peito em 1988, ela é a única nadadora a vencer uma prova individual em Jogos Olímpicos após ter tido um filho, o que ocorreu um ano antes.

Ficou na história não só seu feito inédito, como sua emoção após a prova ao não conseguir sequer falar com a imprensa, por derrotar a favoritíssima alemã-oriental Sikle Horner, então recordista mundial. Veja abaixo o vídeo da prova.

Dana Vollmer busca repetir o feito de Dangakalova em 2020. Se estiver em Tóquio, será a primeira nadadora a disputar uma Olimpíada após duas gravidezes em dois ciclos olímpicos. Mas, se chegar lá, irá buscar o ouro, como a búlgara fez em 1988.

E aí, rola?

Por Daniel Takata


Sem precisar provar mais nada. E ainda provando
Comentários Comente

swimchannel

Já vimos esse filme antes. E não foram poucas vezes.

A sueca Sarah Sjostrom e o chinês Xu Jiayu talvez sequer jamais tenham se falado, apesar de frequentarem as mesmas grandes competições internacionais.

Mas têm histórias até certo ponto semelhantes de voltas por cima, e que tiveram um efeito libertador em suas carreiras.

E que muitos desejam repetir.

A prodígio que virou estrela

Em 2009, Sjostrom surpreendeu o mundo ao vencer os 100m borboleta no Mundial de Roma, superando o recorde mundial. Tinha apenas 15 anos.

Não estava preparada para aquele sucesso. Pressionada todas as vezes que competia, não alcançou seus objetivos nos anos seguintes. No Mundial seguinte, em Xangai, terminou na quarta posição em três provas. Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, mais um quarto lugar.

A partir de então, passou a trabalhar com um psicólogo e mudou a forma de encarar a natação. Resultado: um ciclo olímpico seguinte primoroso, recordes mundiais nos 50m e 100m borboleta, títulos mundiais em 2013 e 2015 e grandes performances também em provas de livre.

Sarah Sjostrom (foto: Gian Mattia D’Alberto/LaPresse)

Na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, a consagração definitiva: ouro com recorde mundial nos 100m borboleta, além de uma prata nos 200m livre e um bronze nos 100m.

De 1980 a 2000 a Suécia havia conquistado medalhas na natação em todos os Jogos Olímpicos, mas desde então não subiu ao pódio nenhuma vez.

O desempenho de Sjostrom no Rio colocou novamente em destaque um país de tradição no esporte, que já teve lendas como Arne Borg, Anders Holmertz, Lars Frolander e Therese Alshammar.

Rápida maturidade

A trajetória de Xu Jiayu guarda algumas semelhanças com a da sueca, apesar de ser mais curta.

Em 2012, aos 17 anos, disputou sua primeira Olimpíada. Com a política chinesa de fazer seus nadadores competirem o mínimo de provas possível para maximizar seus desempenhos naquela competição, nadou somente os 200m costas. Não se classificou para a semifinal.

No ano anterior, havia conquistado sua primeira medalha em campeonato nacional absoluto, um bronze nos 100m costas. Filho de uma ex-nadadora, teve ascensão meteórica. Em 2013, já foi finalista dos 200m costas no Mundial de Barcelona.

Em 2014, o assombro. Com 52s34 no Campeonato Chinês, terminou o ano na liderança do ranking mundial dos 100m costas.

Chegou ao Mundial de Kazan em 2015 sob grande expectativa. Era tratado como provável estrela entre os chineses. Não correspondeu e terminou sem medalhas.

Xu Jiayu (foto: Lintao Zhang/Getty Images AsiaPac)

“O resultado do ano anterior gerou uma grande pressão sobre mim, que eu não soube administrar,” disse ele algum tempo depois. “A pressão que ele sentiu foi tanta que ele pensou em largar a natação”, confidenciou sua irmã para essa reportagem.

Qualquer semelhança com a Sarah Sjostrom de 2012 não é mera coincidência.

Jiayu teve o apoio incondicional da família, voltou a se dedicar como nunca e o resultado veio: medalha de prata nos 100m costas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, superando nadadores mais cotados nas apostas como o americano David Plummer, o australiano Mitch Larkin e o francês Camille Lacourt.

Após a prova, foi fotografado na piscina de apoio do complexo aquático em lágrimas.

Sem pressão

Além da semelhança de terem sucumbido à pressão, aprendido a lição e dado a volta por cima, Sjostrom e Jiayu continuam trilhando caminhos parecidos. Cada um à sua maneira.

Após as conquistas olímpicas, parecem ter se libertado. Não sentem mais o peso de precisarem de uma grande conquista. Não precisam provar mais nada. E, com isso, conseguem provar ainda mais.

Nadando o Campeonato Sueco essa semana, Sjostrom venceu os 50m livre em 23s83, apenas um décimo acima do recorde mundial. Também venceu os 100m livre com 52s54, melhor marca pessoal. Em ambas as provas, com esses tempos, teria conquistado a medalha de ouro no Rio de Janeiro.

Nos 100m borboleta, sua melhor prova, com 56s26 não chegou perto de seu recorde mundial. Mas agora ela tem nove dos dez melhores tempos da história.

Jiayu não mostrou tanta versatilidade no Campeonato Chinês, mas foi ainda mais impressionante: com 51s86 nos 100m costas, ficou a somente um centésimo do recorde mundial do americano Ryan Murphy. E também teria vencido a prova na última Olimpíada.

Assista abaixo a impressionante prova.

Fiquemos no aguardo do que esses nadadores farão no Campeonato Mundial, em Budapeste, no mês de julho.

Uma coisa é certa: ressaca olímpica para eles, nem pensar.

Serão os australianos os próximos a darem voltas por cima?

Tudo que sonha o australiano Cameron McEvoy é replicar as voltas por cima de Sjostrom e Jiayu.

No ano passado, chegou ao Rio como favorito absoluto ao ouro nos 100m livre após quase bater o recorde mundial de Cesar Cielo na seletiva olímpica de seu país.

Na final olímpica, piorou seu tempo em mais de um segundo e viu seu compatriota Kyle Chalmers vencer a prova com um tempo mais de meio segundo acima daquele que McEvoy havia feito meses antes.

Ficou na fossa, mas essa semana no Campeonato Australiano derrotou o campeão olímpico com 47s91 contra 48s20. Pode ser o início de uma reerguida que, inspirada nas de Sjostrom e Jiayu, culmine com sucesso olímpico em 2020.

Assim como sua compatriota Emily Seebohm, favorita absoluta ao ouro nos 100m costas no Rio e que terminou sem medalha. Ela já tinha uma prata em 2012, mas queria mesmo o ouro em 2016. No Campeonato Australiano, voltou a nadar abaixo de 59 segundos e se coloca novamente entre as melhores do mundo.

Mas terá trabalho para defender seu título mundial em Budapeste, em julho, conquistado em 2015. Além de Sjostrom e Jiayu, uma outra nadadora raspou no recorde mundial este ano. Foi a canadense Kylie Masse, bronze no Rio de Janeiro, que no Campeonato Canadense ficou a um décimo do recorde mundial dos 100m costas, com 58s21.

Kylie Masse (foto: Jean Levac/Postmedia News)

Masse parece ser um caso em que, após ter alcançado o objetivo de sua vida, no caso a medalha olímpica, não sente agora nenhum peso nos ombros e nada sem a pressão de ter que chegar a uma grande conquista.

E, com isso, os bons resultados vêm naturalmente. Como nos casos de Sjostrom e Jiayu.

E, quem sabe, poderemos ver essa leveza também em Cameron McEvoy e Emily Seebohm após 2020.

Por Daniel Takata


Xu Jiayu fica a um centésimo do recorde mundial
Comentários Comente

swimchannel

O mundo da natação de alto rendimento está a mil. Diversos campeonatos nacionais estão acontecendo neste momento ou terminaram recentemente. Entre diversos nadadores que estão fazendo belas performances temos Sarah Sjöstrom que quase bateu um recorde mundial na Suécia, Cameron McEvoy liderando a velocidade mundial na Austrália e a expectativa para os nadadores japoneses que começam a nadar amanhã. Porém, o campeonato que mais vem registrando marcas expressivas é o Campeonato Chinês que começou segunda-feira na cidade de Quindao.

A performance mais impressionante até o momento veio com o vice-campeão olímpico dos 100m costas. Xu Jiayu teve uma performance sensacional em Quindao ao vencer a prova com 51s86, apenas um centésimo acima do recorde mundial feito por Ryan Murphy na abertura do revezamento 4x100m medley no Rio-2016. Com esse resultado Jiayu não só estabelece um novo recorde asiático como deixa para trás Aaron Peirsol, que além de Murphy era até então o outro homem há ter nadado a distância abaixo dos 52 segundos.

Xu Jiayu quase bateu o recorde de Ryan Murphy – Foto: Reprodução

Quem também vem fazendo uma boa campanha é a estrela Sun Yang. O gigante chinês começou bem a temporada levando duas medalhas de ouro nos três primeiros dias de evento. Nos 400m livre venceu com 3min42s16 e nos 200m livre o resultado foi ainda melhor com 1min44s91, tempo bem próximo do que lhe deu a medalha de ouro olímpica ano passado no Rio de Janeiro. As marcas nas duas distâncias são as melhores do mundo em 2017 até o momento.

Além de Jiayu e Yang outros nadadores chineses também conseguiram resultados expressivos no Campeonato nacional. A medalhista olímpica de bronze nos 100m costas, Fu Yuanhui, melhorou seu recorde chinês ao cravar 58s72 na prova e tornar-se a terceira mulher em 2017 a nadar a prova abaixo dos 59 segundos. Nos 100m peito masculino Yan Zibei marcou 58s92 nas eliminatórias, nos 400m livre feminino Bingjie Li nadou para 4min02s52 e nos 200m medley feminino Ye Shiwen venceu com 2min11s66.

O Campeonato Chinês termina na próxima quarta-feira, dia 19 de abril. Para ver os resultados clique aqui. Pelo desempenho dos nadadores chineses até o momento pode-se se esperar uma delegação bastante competitiva e disposta a melhorar a fraca performance no Rio-2016 quando o país conquistou apenas seis medalhas. O Mundial de Budapeste-2017 promete!

Por Guilherme Freitas


Kosuke Hagino fecha com a Nike
Comentários Comente

swimchannel

Começa amanhã em Nagoya o Campeonato Japonês de natação que será seletiva para o Mundial de Budapeste. E antes mesmo dos atletas caírem na água já surgiram as primeiras notícias diretamente da terra do sol nascente. Segundo a imprensa japonesa a gigante de materiais esportivos Nike anunciou que fechou um contrato de patrocínio com o principal nadador japonês da atualidade: Kosuke Hagino.

Campeão olímpicos nos 400m medley, vice-campeão nos 200m medley e medalha de bronze com o revezamento 4x200m livre, Hagino foi um dos atletas mais condecorados dos Jogos Olímpicos Rio-2016. O jovem atleta assumiu o posto de grande ídolo da natação local após a aposentadoria de Kosuke Kitajima e é cotado como um dos nomes para conquistar múltiplas medalhas no Mundial em agosto.

Hagino nadará cinco provas no Campeonato Japonês – Foto: Reprodução

Hagino recentemente se tornou nadador profissional depois de concluir os estudos na Universidade de Tóquio e em janeiro o atleta já havia assinado um contrato com a marca japonesa de pneus Bridgestone. Com a Nike ainda não foram confirmadas e divulgadas informações sobre clausuras e duração do contrato, mas imaginasse que ele utilizará acessórios da marca americana nos grande eventos. Dessa forma, Hagino passa a ser a primeira estrela de nível mundial a vestir Nike na natação competitiva internacional.

Até 2016 Hagino sempre utilizou materiais da marca Mizuno que é uma das patrocinadoras oficiais da seleção japonesa de esportes aquáticos. No Campeonato Japonês ele esta inscrito para nadar quatro provas: 200m e 400m medley e 200m e 400m livre, além dos revezamentos de sua equipe. Para conferir o balizamento e detalhes do evento clique aqui.

Por Guilherme Freitas


Sarah Sjöstrom se aproxima de recorde mundial
Comentários Comente

swimchannel

Este mês de abril esta sendo bastante intenso e recheado de competições pelo mundo. Canadá, Austrália, China, Holanda e Suécia realizam ou realizaram eventos nos últimos dias que são válidos como seletivas ou torneios para conseguir índice para o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos em Budapeste. Já tivemos resultados bem expressivos como os 21s55 de Cameron McEvoy nos 50m livre e os 3min42s16 de Sun Yang nos 400m livre. Mas ninguém vem sendo mais implacável neste início de temporada do que Sarah Sjöstrom.

Depois de uma bela temporada em 2016, quando conquistou três medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e melhorou seu recorde mundial nos 100m borboleta, a sueca começou 2017 com tudo. Disputando o Aberto de Estocolmo, a velocista conquistou quatro medalhas de ouro com tempos bem fortes em todas as provas. O melhor desempenho veio nos 50m livre onde Sjöstrom ficou a míseros 10 centésimos de bater o recorde mundial que ainda pertence a alemã Brita Steffen feitos no Mundial de Roma-2009 na era dos trajes tecnológicos.

A sueca ficou a 10 centésimos do recorde mundial – Foto: Gian Mattia D’Alberto/Lapresse

Em Estocolmo Sjöstrom não deu chances a campeão olímpica Pernille Blume e venceu com 23s83, superando também o recorde nacional que era de Therese Alshammar desde 2009. Plume chegou num distante segundo lugar com 24s15. Outro resultado expressivo veio nos 100m livre com novo recorde sueco: 52s54, marca que a coloca também no topo do ranking mundial em 2017 a frente das irmãs Campbell que também já nadaram este ano abaixo dos 53 segundos. Ela ainda venceu os 50m e 100m borboleta com 24s96 e 56s26 respectivamente.

Extremamente veloz e cada vez mais constante, Sjöstrom renovou no começo do ano seu contrato de patrocínio com a Arena até os Jogos de Tóquio-2020. A sueca vive desde 2015 o melhor momento da carreira medalhando nos principais campeonatos internacionais e estabelecendo novos recordes ou marcas pessoais. Sem dúvida um nome para acompanharmos com atenção e ficar de olho daqui a três meses em Budapeste.

Por Guilherme Freitas


Cesar Cielo, o mentor
Comentários Comente

swimchannel

Cesar Cielo e Alberto Silva (foto: Ricardo Bufolin/ECP)

Maio de 2004. Gustavo Borges disputa sua última edição de Troféu Brasil (hoje Troféu Maria Lenk). Conquista sua última medalha, uma prata, no revezamento 4x100m livre, nadando pelo Pinheiros. Meses depois, competiria pela última vez nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Nadando na mesma equipe de Gustavo naquele Troféu, um jovem nadador conquistaria sua primeira medalha na história da competição. Nos anos seguintes, Cesar Cielo subiria muitas vezes ao pódio. Mas aquele revezamento foi simbólico. Foi como uma passagem de bastão, do maior nome da geração anterior para o futuro maior nome da geração seguinte da natação do país.

Por isso, a frase proferida por Cesar, hoje, em entrevista coletiva no Pinheiros para apresentação da equipe do clube para 2017, teve um quê de perplexidade: “estou treinando com o filho do Gustavo!”

Sim, o tempo passa. E Cesar se dá conta disso quando divide a piscina do Pinheiros com Luiz Gustavo Borges, filho do maior medalhista olímpico da natação do país e que mostra talento como velocista. E se lembra daquele Gustavo de 2004, que foi aos Jogos Olímpicos de Atenas menos para disputar medalhas e mais como um mentor e líder de uma jovem equipe na qual despontavam, entre outros, Thiago Pereira, Joanna Maranhão, Kaio Márcio de Almeida e Flavia Delaroli.

Não que nesse retorno de Cesar ao Pinheiros ele não queira brigar por lugares no pódio. Nisso ele não mudou em nada. “Voltei para dar o melhor de mim. Estou treinando muito bem, como não fazia há três ou quatro anos. Quero nadar bem o Troféu Maria Lenk, daqui um mês. Se ainda não for suficiente para eu me classificar para o Mundial de Budapeste, não vou me desesperar. Vou continuar trabalhando. Assinei com o clube por dois anos para ter esse tempo.” E completa: “aqui no Pinheiros a competitividade entre os atletas ajuda bastante. Estou adorando treinar e tomar pau nos treinos do Pedro Spajari e do Gabriel Santos”, disse o único medalhista de ouro olímpico da natação brasileira, referindo-se às duas jovens revelações do clube. E é aí que entra o Cesar dessa nova fase.

“Estou em uma fase de me redescobrir na piscina. Quero ir para o Mundial, mas não me pressiono tanto para isso”, afirmou, em uma declaração impensável há alguns anos. “Na verdade, aqui no Pinheiros quero nadar bem, mas também quero servir como um mentor, com minha experiência. Quero ajudar e ser útil nesse processo rumo aos Jogos Olímpicos de 2020, mesmo se eu não estiver lá.”

O tempo sabático que tirou após não ter se classificado para a Olimpíada do Rio de Janeiro o fez colocar as coisas em perspectiva. Percebeu que, mesmo fora da competição, ainda era um nome relevante. E que poderia contribuir muito para o esporte do país.

“Antes eu vinha para o treino no sábado e queria ir embora logo para casa. Agora sou sócio do clube, venho de sábado e domingo, curto com meu filho e minha esposa. É legal ver as pessoas no clube e saber que sou uma referência. Quero usar isso como retorno para a natação.”

Nadadores olímpicos do Pinheiros e o recém-inaugurado quadro de recordes da piscina (foto: Ricardo Bufolin/ECP)

Hoje, Cesar teve a placa do recorde mundial dos 50m livre, que bateu na piscina do Pinheiros em 2009, reinaugurada. E os nadadores olímpicos do clube, entre os quais João Gomes Júnior, Manuella Lyrio, Guilherme Guido, Larissa Oliveira e Luiz Altamir Melo, participaram da inauguração do quadro de recordes da piscina.

Exatamente na mesma piscina em que, em 2004, em um evento comemorativo, Gustavo Borges fez sua despedida da natação. E em que hoje Cesar treina com o filho do ídolo.

Uma medalha olímpica já estava na mente daquele Cesar Cielo de 2004. Mas não imaginava as voltas que a vida daria e que fariam dele hoje um líder.

Para ele, um feito tão recompensador como subir no alto do pódio.

Por Daniel Takata