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Arquivo : Thiago Pereira

Top 10 – Thiago Pereira
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Ontem a noite durante a cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico, Thiago Pereira anunciou oficialmente sua aposentadoria das piscinas sendo aplaudido de pé por todos os presentes ao Teatro Bradesco. Medalhista olímpico, maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos entre todas as modalidades, campeão mundial em piscina curta e dono de mais de 700 medalhas ao longo da carreira, o nadador de 31 anos estava sem clube desde o fim do ano passado e optou por encerrar sua vitoriosa carreira. Sobre seus feitos publicamos um texto especial que você pode ler clicando aqui.

Nesta matéria, um misto de nostalgia e admiração, listamos dez provas simbólicas, históricas e inesquecíveis do nadador ao longo desses anos de glória alcançadas nas piscinas. Aproveite e relembre conosco essas provas:

Thiago surgiu para o mundo em 2004 - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Thiago surgiu para o mundo em 2004 – Foto: Satiro Sodré/SSPress

200m medley – Campeonato Sul-Americano de Maldonado, Uruguai. 2004.

Este foi o cartão de visitas de Thiago Pereira para o mundo. Na 37ª edição do campeonato continental o jovem nadador de 18 anos estabelecia um novo recorde sul-americano para a prova com 2min00s19 e de quebra atingia o índice olímpico para os Jogos de Atenas-2004. Com este resultado Thiago passou a ser apontado pela mídia internacional como uma grande promessa e possível candidato a subir no pódio olímpico meses depois.

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200m medley – Jogos Olímpicos de Atenas, Grécia. 2004.

Esta foi a primeira das seis finais olímpicas que Thiago disputou ao longo da carreira. O fato marcante aqui nem se deve ao quinto lugar conquistado e sim pelo que a prova representou para a história dos 200m medley. Foi a primeira vez que o quarteto Thiago Pereira, Michael Phelps, Ryan Lochte e Laszlo Cseh nadou junto uma final de grande competição internacional. O top four ou quarteto fantástico, como foram apelidados, dominaram por anos as provas de medley sempre protagonizando inesquecíveis duelos.

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200m medley – Campeonato Mundial de piscina curta de Indianápolis, EUA. 2004.

Depois da espetacular temporada em piscina longa, Thiago fez uma campanha histórica em sua primeira participação em Mundiais de curta. Foram quatro medalhas conquistadas no total, sendo uma delas de ouro em sua principal prova: os 200m medley. Com 1min55s78 ele não só bateu o recorde sul-americano como também superou Ryan Lochte pela primeira vez na carreira. A partir desta prova Thiago ratificava que seria um dos melhores nadadores de sua geração.

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400m medley – Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, Brasil. 2007.

A primeira das oito medalhas do Pan do Rio de Janeiro veio nos 400m medley, prova que abria a natação do principal evento para as modalidades esportivas naquele ano. Thiago não deu chance para os adversários e chegou a nadar em determinados momentos muito próximo ao então recorde mundial de Michael Phelps, obtidos no Mundial de Melbourne quatro meses antes. Fechou a prova com 4min14s11, novo recorde sul-americano e que lhe deixava naquele instante entre os cinco melhores colocados no ranking mundial.

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200m medley – Copa do Mundo de piscina curta etapa de Berlim, Alemanha. 2007.

Pela primeira e única vez em sua carreira Thiago conseguiu bater um recorde mundial. Foi na tradicional piscina curta de Berlim durante o circuito da Copa do Mundo da Fina. Dominante, o brasileiro nadou contra o relógio e cravou 1min53s14. Porém, a nova marca mundial durou pouco, já que no mês seguinte o húngaro Cseh nadou 15 centésimos mais rápido no Europeu de curta. Thiago ainda brilhou nesta etapa com resultados fortíssimos nos 100m medley (52s42) e 400m medley (4min00s63) que durante certo tempo também foram recordes de todo o continente americano.

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200m medley – Campeonato Mundial de Roma, Itália, 2009.

Esta é a melhor performance de Thiago Pereira nos 200m medley em todos os tempos, porém, sem ter uma medalha no pescoço. Na grande final, que não tinha Phelps, o brasileiro estava cotadíssimo para finalmente ganhar uma debutar no pódio dos Mundiais de longa. Mas, mesmo fazendo a melhor prova de sua vida ele acabou perdendo a medalha de bronze por apenas 19 centésimos para o americano Eric Shanteau na batida de mão. Para comprovar que este foi seu melhor 200m medley o tempo de 1min55s55 é até hoje recorde sul-americano.

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400m medley – Jogos Olímpicos de Londres, Inglaterra, 2012.

Esta foi a prova da vida de Thiago Pereira. O brasileiro chegava a sua terceira Olimpíada pressionado por nunca ter subido ao pódio nos Jogos ou no Mundial de longa. Para muitos, era sua última oportunidade de finalmente conquistar a tão sonhada medalha num evento de ponta. Nos 400m medley ele teria pela frente os velhos conhecidos Ryan Lochte e Michael Phelps, além dos jovens em ascensão Kosuke Hagino e Chad Le Clos. Em uma prova onde nadou na base do tudo ou nada, fazendo a melhor parcial de peito de todos os tempos até então, conseguindo segurar a pressão de Hagino e Phelps no final, fechando em segundo lugar com 4min08s86, igualando seu recorde sul-americano da era dos trajes tecnológicos e conquistando enfim a tão sonhada medalha de olímpica.

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200m medley – Campeonato Mundial de Barcelona, Espanha, 2013.

Dez anos depois de disputar seu primeiro Mundial de piscina longa, Thiago voltou a Barcelona visando conquistar uma inédita medalha em Mundiais de longa. Com menos pressão devido a prata olímpica, ele nadou mais tranquilo e teve um saldo positivo no evento ganhando duas medalhas de bronze nos 200m e 400m medley. A primeira veio na sua prova preferida, os 200m medley, chegando apenas um centésimo atrás de Kosuke Hagino depois do japonês dar um forte sprint final.

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Thiago Pereira comemora as 30 medalhas - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Thiago Pereira comemora as 30 medalhas – Foto: Satiro Sodre/SSPress

400m medley – Troféu Maria Lenk, São Paulo, Brasil. 2014.

Conquistar 12 títulos nacionais para um nadador é um feito e tanto, agora imagine ganhar 12 vezes a mesma prova em 12 anos seguidos! Algo para poucos e que Thiago Pereira conseguiu nos 400m medley no Troféu Maria Lenk. E no ano seguinte ele conseguiu ampliar a sequência para 13 títulos. Ao vencer a final com 4min15s45 ele de quebra comemorou ainda seu 30º título nacional no principal campeonato da natação brasileira. Mais um recorde para o currículo.

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200m medley – Jogos Pan-Americanos de Toronto, Canadá, 2015.

Já consagrado Thiago nadou os Jogos Pan-Americanos de Toronto de olho em um recorde especial: tornar-se o maior medalhista da história da competição superando o ginasta cubano Eric Lopéz que tinha 22. Thiago igualou o recorde no último dia ao ficar com a medalha de prata nos 200m medley perdendo o ouro na batida de mão para Henrique Rodrigues. Ele ainda ganharia o ouro com o revezamento 4x100m medley e chegaria as 23 medalhas tornando-se de vez o Mr. Pan.

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Por Guilherme Freitas


As idas e vindas de Thiago Pereira
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Thiago Pereira no Pan de 2007 (foto: Satiro Sodré)

Lá se vai Thiago Pereira. O anúncio de sua aposentadoria da natação competitiva, feito hoje no Prêmio Brasil Olímpico, é emblemático. Nunca alguém mereceu tal honraria. Pudera: não é todo dia que o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos sai de cena. E também não é sempre que um nadador medalhista olímpico individual brasileiro anuncia sua retirada – o último havia sido Fernando Scherer. Em março de 2007. Há exatos dez anos.

O anúncio de Thiago surpreendeu a muitos. Mesmo que tenha aparecido pouco nas piscinas desde a Olimpíada do Rio de Janeiro – competiu só uma vez, no Troféu José Finkel -, sua presença sempre pôde ser sentida no mundo da natação. Já há algum tempo ele conquistou aquele status de onipresente que só os grandes nomes possuem, mesmo quando ausentes.

Foi naquele 2007 que ele ficou famoso. Suas oito medalhas e seis ouros no Pan do Rio representaram a melhor performance de um atleta na história do evento – igualou os oito pódios da costa-riquenha Sylvia Poll em 1987 e os seis ouros do americano Frank Heckl de 1971. Mas seis ouros e oito medalhas, nunca ninguém havia conseguido. Foi celebrado por todo o país e viro astro do esporte nacional.

Mas já vinha pavimentando uma trajetória de sucesso. Foi duas vezes medalhista no Pan de 2003, mas foi em 2004 que ingressou entre os grandes – mais precisamente no Campeonato Sul-Americano de 2004, em Maldonado, em que se tornou o 12º nadador mais rápido da história dos 200m medley. No Troféu Brasil, baixou dos dois minutos pela primeira vez na prova, e nos 400m medley bateu o lendário recorde continental de Ricardo Prado, por ocasião da prata olímpica de 1984. Nos Jogos Olímpicos de Atenas, no primeiro embate contra Michael Phelps, Ryan Lochte e Laszlo Cseh, terminou na quinta posição nos 200m medley. Mas deu o troco em Lochte no Mundial de curta no mesmo ano, vencendo a prova. Tinha apenas 18 anos. Um 2004 inesquecível que pavimentou caminho para os anos seguintes.

Thiago Pereira ao lado de Oussama Mellouli e Ryan Lochte: campeão mundial de curta em 2004 (foto: Satiro Sodré)

Em 2005 ficou ausente dos grandes eventos, inclusive do Mundial de esportes aquáticos, por uma lesão. Mas, mesmo ausente, estava presente. A natação brasileira sabia que tinha uma joia para os próximos anos. Expectativa que se confirmou no Pan de 2007. Na Olimpíada de 2008, terminou os 200m e 400m medley novamente atrás de Phelps, Lochte e Cseh. Perdeu o posto de principal nadador do país para Cesar Cielo, vencedor dos 50m livre. E nos anos seguintes continou com a sina: nos Mundiais de 2009 e 2011, terminava sempre atrás dos rivais. Parecia que seu destino era terminar na quarta colocação.

Thiago incomodava-se, mas não se abalava. Sabia que, trabalhando duro, teria sua recompensa. Cesar assumira o papel de protagonista. Mas Thiago estava sempre lá. Jamais ausente, sempre presente. No Pan de 2011, conquistou novamente oito medalhas e seis ouros, enconstando nos recordes de maior medalhista brasileiro e maior medalhista da história do evento.

Mas olhos e mente estavam voltados aos Jogos Olímpicos de 2012. Em seu discurso hoje no Prêmio Brasil Olímpico, Thiago mencionou que na maioria das vezes o atleta não alcança seus sonhos. Certamente se referia aos vários quartos lugares já citados. É extremamente raro um nadador conquistar medalha em sua terceira Olimpíada após ter passado em branco as duas anteriores. Até então, apenas 13 nadadores haviam alcançado o feito.

Contra tudo e contra todos, Thiago chegou lá e coroou sua história de perseverança. Na primeira prova do programa, deu fim ao tabu: medalha de prata nos 400m medley, sua maior conquista, em uma prova primorosa. Ao invés de ser agressivo no início, como era de seu feitio, poupou-se, manteve-se em quinto lugar até os 200 metros e teve a melhor parcial de peito na história da prova. Assumiu a segunda posição e não largou mais. Deixou Michael Phelps fora do pódio. Sua carreira até então já era fantástica e se parasse de nadar antes de Londres, com 18 medalhas em Pans, campeão mundial de curta, campeão da Copa do Mundo (título conquistado em 2010) e recordista mundial (200m medley em piscina curta, em 2007), já estaria entre os maiores da história do país. Mas a medalha olímpica foi a coroação de sua trajetória.

Medalha de prata nos 400m medley nos Jogos Olímpicos de 2012 (foto: Satiro Sodré)

Medalha de prata nos 400m medley nos Jogos Olímpicos de 2012 (foto: Satiro Sodré)

As conquistas não pararam nos anos seguintes, incluindo medalhas em Mundiais de esportes aquáticos que ele nunca havia conseguido. Conquistou três, em 2013 e 2015. E, por justiça, deveria ter sido ouro nos 200m medley neste último, em que terminou na segunda posição atrás de Ryan Lochte, que executou movimento irregular na virada para o nado livre e não foi desclassificado. No Pan do mesmo ano, mais cinco medalhas, totalizando 23 na carreira e superando o ginasta cubano Erick López como o maior medalhista da história do evento – e também o nadador brasileiro Gustavo Borges como o esportista mais laureado do país.

Um ciclo olímpico que iniciou com uma prata nos Jogos de Londres, passou por medalhas inéditas em mundiais e o consagrou como “Mr. Pan”. Com a ausência de Cesar Cielo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ele era “o cara” da equipe, único medalhista olímpico da equipe brasileira. Presente, mais do que nunca. O fecho de ouro deveria vir com um pódio na Olimpíada brasileira. Infelizmente não foi o que aconteceu. A final dos 200m medley não foi tão forte quanto se esperava e com seu tempo usual brigaria pela prata. Mas errou na estratégia, foi muito agressivo no início da prova e sentiu no final. O acerto de 2012 não se repetiu em 2016.

Mas a falta da medalha em 2016 não maculou sua trajetória. Sua clínica de natação vem fazendo sucesso entre os jovens e é uma das mais concorridas do país. Neste ano fez parte de uma comitiva do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que foi a Tóquio, no Japão, para avaliar as estruturas a serem utilizadas pela delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de 2020. Sim, Thiago já trabalha pelo esporte nos bastidores, e não é de hoje. Em 2013 foi eleito vice-presidente da comissão de atletas da Federação Internacional de Natação (Fina). Também faz parte da comissão de atletas do COB e foi escolhido pelos próprios atletas olímpicos do país para a comissão de aletas da Organização Desportiva Pan-Americana (ODEPA).

Thiago Pereira a partir de agora está fora das piscinas. Mas não pensem que ouvirão falar menos o nome dele por causa disso. Seus feitos e conquistas deverão ser lembrados para sempre, e nós da Swim Channel fazemos nossa parte para preservar a memória esportiva da natação brasileira. E, além disso, Thiago deverá continuar nos holofotes como uma das vozes ativas do nosso esporte. Precisamos de um nome como ele para isso.

O momento é de despedida para Thiago. Mas não se preocupem. Ele sempre volta.

Por Daniel Takata


Thiago Pereira realiza seu terceiro Swim Camp
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Janeiro é um mês de férias escolares para muitas crianças e jovens. Enquanto alguns aproveitam para viajar ou se divertir, outros já estão treinando para a temporada 2017. Um grupo de promissores atletas e paratletas estão nesta semana em São Paulo participando da terceira edição do Thiago Pereira Swim Camp, uma grandiosa clínica de natação promovida pelo medalhista olímpico e seus parceiros.

O programa é ministrado ao longo de sete dias por profissionais de diversas áreas como técnica, biomecânica e nutrição que realizam atividades dentro e fora da piscina, palestras e apresentações técnicas. No final da clínica todos os participantes recebem um certificado e análises da técnica de nado. Este ano o camp terá uma grande novidade: o Troféu Thiago Pereira. A competição encerrará a edição 2017 da clínica e será dividida por categorias reunindo nadadores convencionais e paralímpicos. O troféu é aberto a nadadores de todas as idades, de pré-mirim a júnior, federados ou não, participação de clubes, academias, escolas, todos nadando os quatro nados em provas de 50 metros e a premiação daquele que tiver a melhor soma dos tempos.

Thiago concede entrevista para a imprensa – Foto: Patrick Winkler/Swim Channel

Thiago concede entrevista para a imprensa – Foto: Patrick Winkler/Swim Channel

As duas primeiras edições do Swim Camp aconteceram no Rio de Janeiro e desta vez o evento vem sendo realizado no moderno Centro de Treinamento Paralímpico, na cidade de São Paulo. O local é o mais moderno complexo esportivo do país, com 95 mil metros quadrados de área total e conta com seis piscinas com tecnologia da Myrtha Pools. A SWIM CHANNEL esteve presente no CT Paralímpico nesta terça-feira para conversar com Thiago e acompanhar o Swim Camp. O nadador concedeu algumas entrevistas para a imprensa e levou para os participantes da clínica algumas de suas medalhas, entre elas a prata olímpica de Londres-2012 e a primeira medalha de sua carreira conquistada em um evento regional da FARJ no de 1998 (veja na imagem abaixo). Todos os jovens atletas puderam tirar fotos com as medalhas e com Thiago.

Foto da primeira medalha da carreira de Thiago Pereira – Foto: Guilherme Freitas/Swim Channel

Foto da primeira medalha da carreira de Thiago Pereira – Foto: Guilherme Freitas/Swim Channel

A terceira edição do Thiago Pereira Swim Camp tem a coordenação do Coach Alexandre Pussieldi e conta com apoio de diversas empresas, entre elas a ProSwim que confeccionou todas os dois modelos de toucas do evento. Uma para os eventos da clínica e outra para ser utilizada especialmente no Troféu Thiago Pereira. Para mais detalhes e informações do evento clique aqui.

Por Guilherme Freitas


Embate de titãs nos 200m medley
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Poucas provas até o momento puderam contar em sua final com todos os medalhões ou atletas sempre apontados como favoritos. Até este quinto dia de competições no Estádio Aquático Olímpico, já assistimos falhas de Zetao Ning nos 100m livre, Daniel Gyurta nos 200m peito e Chad Le Clos nos 200m borboleta. Porém, este não é o caso dos 200m medley. Aqui, todos os grandes favoritos a medalha estarão na água.

E será sem dúvida nenhuma uma prova extremamente disputada e imprevisível. Podemos separar a disputa por dois grupos. O primeiro é do quarteto formado por Michael Phelps, Ryan Lochte, Kosuke Hagino e Thiago Pereira, que são apontados na maioria das apostas e palpites como os principais favoritos a subirem no pódio, principalmente pelos resultados obtidos neste ciclo olímpico.

Michael Phelps e Thiago Pereira estão na final - Foto: Vitor Silva/SSPress

Michael Phelps e Thiago Pereira estão na final – Foto: Vitor Silva/SSPress

No segundo grupo estão Shun Wang, Dan Wallace, Hiromasa Fujimori e Philip Heintz. Não estão no nível do primeiro quarteto citado aqui, mas tiveram resultados expressivos nos últimos anos. Wang levou o bronze nesta prova no Campeonato Mundial de Kazan e Wallace integrou os revezamentos britânicos medalhistas no 4x200m livre em Kazan e aqui no Rio.

Nas semifinais Michael Phelps (1min55s78) foi o mais rápido ao vencer uma eletrizante série contra Ryan Lochte (1min56s28) e Thiago Pereira (1min57s11). Em diversos momentos da provas eles estiveram lado a lado, mas acabaram tirando um pouco o pé do acelerador para guardar energia para amanhã. Na primeira série ninguém conseguiu acompanhar Kosuke Hagino (1min57s38) que também segurou no final quando viu que tinha vaga assegurada.

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Hagino vem nadando uma maratona de provas – Foto: Delly Carr

Amanhã na final a condição física pode ser um fator determinante. Com nove quedas na água até o momento (e duas medalhas conquistadas), Kosuke Hagino é de longe o mais cansado. E mesmo sendo um dos melhores da atualidade isso pode ser um fator preocupante para o japonês. Phelps é outro que já demonstra cansaço aqui no Rio de Janeiro. Assistimos a isso na final dos 200m borboleta anteontem, mas ele é Michael Phelps e pode tirar um coelho da cartola a qualquer momento.

Por outro lado, alguns nadadores chegam mais descansados. Thiago Pereira é o melhor exemplo, afinal nada apenas esta prova. Ryan Lochte também está quase “zero bala”, pois nadou até agora apenas as eliminatórias e finais do revezamento 4x200m livre.

Ryan Lochte - Foto de Clive Rose

Ryan Lochte – Foto de Clive Rose/Getty Images

A final poderia ter ainda Henrique Rodrigues, que acabou piorando seu tempo em relação as eliminatórias. Com 1min59s23 ele terminou apenas na nona colocação. Se tivesse repetido o desempenho da tarde estaria na final e podendo lutar por uma medalha.

Os quatro principais favoritos sabem que a luta entre eles por uma medalha promete ser intensa e imprevisível. Porém, não podem achar que a outra metade dos participantes irá se contentar em apenas participar e colocar no currículo que foi finalista olímpico. Pelo que vimos nas eliminatórias e nas semifinais qualquer erro pode custar muito caro na final de amanhã.

Por Guilherme Freitas

A equipe Swim Channel na cobertura dos Jogos Rio 2016 é patrocinada pela Mormaii, a maior marca de esportes aquáticos do Brasil


Vem ai o Thiago Pereira Swim Camp
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Campeão e recordista mundial na piscina curta, medalhista em Campeonato Mundial de piscina longa, maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos e vice-campeão olímpico. Esses são alguns dos feitos conquistados por Thiago Pereira ao longo de sua carreira, que agora poderá colocar no currículo a realização de sua primeira clínica de natação.

Será realizado entre os dias 4 e 7 de setembro de 2015, na sede do Marina Barra Clube, no Rio de Janeiro, a primeira edição do Thiago Pereira Swim Camp, uma clínica ministrada pelo nadador e que será voltada principalmente para jovens nadadores que se espelham na trajetória do grande ídolo das piscinas. “Estou super animado em poder passar um pouco do meu treinamento para a garotada e tenho certeza de que vai ser um sucesso”, afirma o nadador.

O nadador Thiago Pereira - Foto: Satiro Sodre/SSPress

O nadador Thiago Pereira – Foto: Satiro Sodre/SSPress

O evento de quatro dias vai acontecer em dois turnos, com clínicas, palestras, apresentações e avaliações em um sistema similar aos swim camps que acontecem na natação americana. A coordenação técnica será de um nome bastante conhecido da natação: Alexandre Pussieldi, o Coach, colunista da edição impressa da SWIM CHANNEL e que já realizou diversos eventos semelhantes nos Estados Unidos. O Swim Camp será aberto para nadadores das categorias pré-mirim a sênior que serão divididos em grupos por faixa etária e performance.

Após conquistar cinco medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Toronto e se consagrar como o maior medalhista da história, Thiago esta com a seleção brasileira que na próxima semana disputa o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan. Uma nova chance para ampliar ainda mais seus feitos e conquistas nas piscinas. Para mais informações sobre o Thiago Pereira Swim Camp, acesse o site oficial da clínica: thiagopereiraswimcamp.com.br

Por Guilherme Freitas


O quanto vale o Pan-Americano?
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O tema é polêmico. É chato. Há os defensores e os críticos com unhas e dentes. Mas é muito simplista e leviano decretar que o valor das conquistas brasileiras nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, têm pouca expressão. E vale explicar o porquê.

Etiene Medeiros fez história, conquistou a primeira medalha de ouro da natação feminina brasileira, venceu a 12 vezes medalhista olímpica Natalie Coughlin na prova individual, sorriu com o mascote e medalha de ouro no pódio. Além de tudo isso falar por si só, lembremos que a atual campeã e recordista mundial dos 50m costas em curta baixou a barreira do minuto na prova de 100m do estilo e fez o sétimo melhor tempo do ano: 59s61. “Eu sabia que para ganhar a prova teria que nadar para 59s. Mas na hora eu só consegui ver o 1, de primeiro lugar, no placar. Até agora não sei se eu ri, se eu chorei, o que aconteceu comigo ali na hora!”, disse a nadadora. Mas, para não encerrar ainda sobre a melhor atleta do país nas piscinas hoje em dia, vale lembrar seu papel fundamental nos dois bronzes dos revezamentos 4×100 medley e livre, e a prata nos 50m livre. Com 24s55, a pernambucana deixa para trás especialistas como Gracielle Herrmann, oitava melhor marca do planeta em 2015, também credenciada para uma final Mundial e, quem sabe, olímpica.

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré)

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré)

Aos 28 anos de idade, Joanna Maranhão quebrou um recorde que durava 11 anos, da época em que ela foi finalista olímpica. Baixou quase todas suas outras marcas nesse Pan, e vive uma fase de levantar qualquer torcedor da arquibancada para aplaudi-la. Foram dois segundos de quebra: 4m38s07 nos 400m medley, e a autossuperação apareceu outra vez no caminho da também pernambucana.

Recordes sul-americanos em todos os revezamentos femininos. Um deles por 3 segundos, nos 4x100m livre, lado a lado com a americana campeã olímpica Alisson Schmitt, de igual pra igual. “Não esperava tão bem nadar os 100m livre. Quando eu a vi ao meu lado, todos torcendo, pensei ‘não vou deixar ela abrir!'”, disse Daynara de Paula, que fez parte dos 3m37s39 ao lado de Larissa Oliveira, Gracielle e Etiene, uma marca que daria a sexta colocação no Mundial de Barcelona de 2013 para esse mesmo grupo. A vaga olímpica é uma realidade para os três revezamentos femininos, e uma final é um sonho realizável nos dois de estilo livre.

Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro, Joanna Maranhã e, Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré)

Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro, Joanna Maranhã e, Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré)

Tudo isso falando apenas da natação feminina, que tanto carecia de crescimento nos últimos anos.

Entre os peitistas, o sucesso e o esforço continuam dando frutos. Felipe França caiu na água para, com tranquilidade, nadar duas vezes abaixo de um minuto nos 100m peito. Fez, na final, o terceiro tempo do mundo, com 59s21. Não importa a cor da medalha pan-americana. França é realidade de pódio para uma prova olímpica.

Henrique Rodrigues bateu o maior medalhista pan-americano da história, medalhista olímpico, e também fez a terceira melhor marca do ano nos 200m medley: 1m57s06.

João de Lucca, o rei das jardas americanas, reverteu para a piscina longa o seu talento: nono tempo do mundo de 2015, com recorde sul-americano nos 200m livre, com 1m46s47.

Bruno Fratus nadou abaixo dos 22s no 50m livre (21s91), algo que o tricampeão e recordista mundial Cesar Cielo só fez uma vez em 2015.

Leo de Deus, com 1m55s01, além do bicampeonato pan-americano, fez o sexto  melhor tempo da temporada nos 200m borboleta.

Brandonn Almeida, nadador ainda de categoria Junior, não só conquistou um ouro (graças à desclassificação de Thiago Pereira) aos 18 anos, como fez o 16º tempo do ano nos 400m medley, além de uma prova espetacular nos 1500m livre, no tradicional “se tivessem mais alguns metros, ele alcançava os rivais”. Não só isso. O jovem do Corinthians é destaque em todos os campeonatos que disputa desde a categoria Petiz, ou seja, desde seus 11 anos. Sempre baixando seus tempos.

E três revezamentos alucinantes, com destaque para o 4x100m livre e medley.

Brandonn Almeida (foto: Satiro Sodré)

Brandonn Almeida (foto: Satiro Sodré)

Eu sequer preciso mencionar Thiago Pereira, que se tornou o maior medalhista do torneio de todos os tempos, com 23 medalhas. O Pan e suas medalhas podem não ter grande relevância no cenário esportivo mundial, mas o que importa avaliar são os resultados dos atletas no ranking mundial, além dos rivais (vários olímpicos) superados. Isso é um credenciamento de grandes posições nos campeonatos subsequentes. Diante do desempenho em ascensão de uma delegação que hoje é reconhecida internacionalmente e que chama a atenção do mundo, não é preciso focar em Thiago ou em Cielo. O Brasil, hoje, já se tornou mais do que eles na natação.

Por Mayra Siqueira


Uma semana para o início da natação no Pan
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Faltam exatos sete dias para o início das provas de natação dos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Mesmo com a ausência de grandes nomes da natação dos Estados Unidos e do brasileiro Cesar Cielo, este Pan promete reservar bons momentos e ser um aperitivo para o Campeonato Mundial de Kazan. Para já ir entrando no clima do Pan listamos abaixo sete feitos que a natação brasileira poderá atingir nas águas de Toronto. De recordes de medalhas a conquistas inéditas. Confira a lista a seguir:

Maior da história

Em Toronto Thiago Pereira poderá ratificar de vez o apelido de “Mister Pan”. Em três edições disputadas, o brasileiro subiu 18 vezes ao pódio e este ano caso conquiste mais cinco medalhas será o maior medalhista da história dos Jogos. E com mais duas medalhas ele também será o brasileiro com mais medalhas, deixando Gustavo Borges para trás.

Thiago pode se tornar o maior medalhista da história - Foto: Satiro Sodré

Thiago pode se tornar o maior medalhista da história – Foto: Satiro Sodré

Hegemonia na velocidade

O domínio da natação brasileira nos 50m livre começou em 1995, quando Fernando Scherer venceu a prova mais rápida da natação em Mar del Plata. Desde então o Brasil não perdeu mais. O próprio Scherer venceu novamente em 1999 e 2003 e Cesar Cielo foi bicampeão em 2007 e 2011. Este ano a responsabilidade de manter a hegemonia intacta será de Nicholas Santos e Bruno Fratus, vice-campeões em 2007 e 2011 respectivamente.

Três vezes tri

Apenas um brasileiro poderá se sagrar tricampeão pan-americano em Toronto, e não apenas em uma prova. Thiago Pereira é o atual bicampeão dos Jogos nos 200m costas, 200m medley e 400m medley. Ele nadará todos os eventos este ano e caso consiga vencer a menos uma igualará o desempenho de Fernando Scherer, o único nadador do Brasil que conseguiu ser tricampeão consecutivo em uma mesma prova.

Joanna Maranhão encerrou sua participação no Mundial de Barcelona - Foto: Satiro Sodré

Com mais três medalhas Joanna será a maior medalhista do Brasil – Foto: Satiro Sodré

Senhorita Pan

Se Thiago é o Mister Pan e persegue a marca de maior medalhista da história do Pan, Joanna Maranhão também pode fazer história em Toronto. Com mais três medalhas ela igualará Tatiana Lemos e se tornará a maior medalhista do Brasil nos Jogos. Tatiana tem oito medalhas e Joanna soma cinco. Em Toronto ela nadará quatro provas individuais, além do revezamento 4x200m livre, e pode até ultrapassar sua ex-companheira de seleção.

50 medalhas de ouro

A natação brasileira conquistou até hoje 151 medalhas na natação em Jogos Pan-Americanos. Destas, 42 foram de ouro. Caso consiga repetir o desempenho das últimas duas edições do Pan (quando ganhou dez medalhas de ouro) o Brasil vai superar o número de 50 medalhas douradas. Alguém arrisca um favorito para chegar a esta marca?

Samuel de Bona, Carlos Rogerio Arapicara. 54¼ Trofeu Maria Lenk de Maratonas Aquaticas na raia Olimpica da USP. 26 de abril de 2014, Sao Paulo, SP, Brasil. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Samuel de Bona, Carlos Rogerio Arapicara. 54¼ Trofeu Maria Lenk de Maratonas Aquaticas na raia Olimpica da USP. 26 de abril de 2014, Sao Paulo, SP, Brasil. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Possível recorde no feminino

As edições do Rio-2007 e Guadalajara-2011 do Pan foram as melhores da natação feminina do Brasil. Em ambos os eventos as nadadoras subiram sete vezes ao pódio. Em Toronto existe possibilidade de este número ser superado devido aos bons resultados recentes da equipe feminina e também a consistência dos revezamentos.

Será que sai o primeiro ouro?

Em 2013 e 2014 as águas abertas do Brasil chegaram ao topo do mundo com o título por equipe em Barcelona e as vitórias na Copa do Mundo de 10 km da Fina. Porém, o país nunca subiu no lugar mais alto do pódio em Jogos Pan-Americanos. Este ano as esperanças de ouro se concentram em Carolina Bilich, Samuel de Bona e Luiz Rogério Arapiraca que têm totais condições de vencerem suas respectivas provas.

Por Guilherme Freitas


A chance para ser o maior da história
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O Troféu Maria Lenk chegou ao fim definindo as equipes do Brasil para os principais campeonatos internacionais da temporada, mas há um problema devido a proximidade de datas entre o Mundial de Kazan e os Jogos Pan-Americanos de Toronto. Por isso, no fim desta semana haverá em São Paulo uma clínica com os nadadores e membros da comissão técnica da seleção brasileira, para discutir o calendário de preparação dos atletas. Um deles, porém, já deixou bem claro que vai encarar as duas competições.

Thiago Pereira tem como objetivo disputar os dois eventos. Ele pretende participar do Pan no Canadá e de lá viajar diretamente para a Rússia. Será uma viagem bastante desgastante pela longa distância entre os locais e também pelo pouco tempo disponível para fazer uma boa aclimatação. Mas Thiago esta motivado e confiante por um simples motivo: poder superar alguns recordes e se tornar o maior atleta de todos os tempos dos Jogos Pan-Americanos.

Em 2007 Thiago foi o grande nome do Pan no Rio - Foto: Satiro Sodré

Em 2007 Thiago foi o grande nome do Pan no Rio – Foto: Satiro Sodré

São três recordes que Thiago Pereira tem em mente quebrar em Toronto. O primeiro é o posto de maior medalhista da história do evento. O nadador soma 18 medalhas em três edições disputadas. Caso conquiste mais cinco pódios vai ultrapassar o ex-ginasta cubano Erick López Ríos que ganhou 22 medalhas entre 1991 e 2003. Ríos também detém o recorde de atleta com maior número de ouros: 18 ao todo. Thiago soma 12 medalhas douradas e caso repita a performance das duas últimas edições, quando venceu seis provas, vai igualar o cubano. O terceiro recorde é se tornar o atleta brasileiro mais vitorioso dos Jogos. O posto pertence a outro nadador: Gustavo Borges, que tem 19 medalhas ao longo da carreira. Com mais duas subidas ao pódio ele deixará para trás o grande ídolo.

Thiago já é o brasileiro com mais medalhas de ouro na história dos Jogos Pan-Americanos. São 12 no total e o número pode aumentar ainda mais neste ano. Se em sua estréia em Santo Domingo-2003 ele não ganhou nenhum ouro (levou uma prata e um bronze), no Rio de Janeiro-2007 e em Guadalajara-2011 ele fez as melhores campanhas de todos os tempos com seis medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze nas duas edições.

PAN GUADAJARA 2011/NATA‚ÌO

Em 2011 ele repetiu a performance e virou o Mister Pan – Foto: Satiro Sodré

O nadador conseguiu seis índices para integrar a equipe que vai ao Mundial de Kazan: 200m e 400m medley, 100m borboleta, 200m peito e vagas no 4x100m medley e 4x200m livre. Além disso, ele também poderá nadar os 100m costas no Pan por ter sido o segundo melhor atleta do país na distância. Thiago ainda vai definir quais provas competirá no Canadá, mas é muito provável que o apelido de “Mister Pan”, dado pelo locutores esportivos Álvaro José e Maurício Torres, se torne agora uma marca registrada pelo atleta que tem tudo para escrever seu nome na história dos Jogos Pan-Americanos.

Por Guilherme Freitas


Novos rumos: está 2016 logo ali
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A tendência da natação brasileira nos últimos anos estava sendo a inversa da história: a repatriação de nadadores que buscaram alternativas de treinamentos e melhor estrutura no exterior. Agora a situação parece estar se invertendo novamente. Cada qual por seu motivo específico, os atletas voltam a buscar no exterior oportunidades para cumprir seu planejamento para os Jogos Olímpicos de 2016.

Cesar Cielo revelou durante o Troféu José Finkel que vai passar mais um período nos Estados Unidos, outra vez para treinar com Scott Goodrich, seu técnico depois que deixou ele trabalho com Albertinho Silva após o bronze em Londres-2012. A conversa com a CBDA ajudou a definir a preparação do paulista para o Mundial de curta de dezembro, prioridade para o velocista na temporada de 2014.

“A grande diferença para os atletas mais maduros é que eles possam concluir seu próprio programa de trabalho. O Cielo chegou a me dizer queMinas Gerais é difícil pra ele, que não consegue ir ao supermercado ou ter uma vida normal. Ele preciso de concentração, e está indo buscar isso”, revelou Ricardo de Moura, supervisor técnico da confederação.

Cesar Cielo já tem uma antiga relação com as piscinas americanas

Cesar Cielo já tem uma antiga relação com as piscinas americanas

Já Thiago Pereira não dará continuidade ao seu trabalho com Albertinho por uma escolha do próprio treinador de deixar as bordas da piscina para se dedicar mais à CBDA. No momento sem um caminho definido, o carioca vai para os Estados Unidos, inicialmente para se aconselhar e buscar alternativas para traçar seu novo rumo com o americano Jon Urbancheck, que treinou Gustavo Borges no país.

“Com certeza ele vai me ajudar a encontrar alguém. A decisão é importante, pois preciso decidir meu trabalho nos dois anos finais para a Rio-2016, que são os anos mais importantes da minha vida. Tenho o apoio do COB, CBDA e do meu clube. Eles me ajudarão em tudo que eu precisar”, disse Thiago Pereira.

O foco de Thiago foi o Pan Pacífico, que acabou ajudando a revelar, no Troféu José Finkel no mês seguinte, que o atleta não estava completamente sanado de uma lesão que o incomoda há bastante tempo. O momento é de recuperação física plena para o nadador do SESI-SP, que já teve um desgaste muito grande no último ciclo olímpico.

Sem técnico, Thiago buscará alternativas também nos Estados Unidos - Foto: Satiro Sodré

Sem técnico, Thiago buscará alternativas também nos Estados Unidos – Foto: Satiro Sodré

“Com os campeonatos de 2014, que é um ano sem Mundial (de piscina longa), tivemos uma visão mais parecida do que teremos em 2016. E foi acima de nossas expectativas”, complementou Ricardo.

A CBDA promete ter um planejamento detalhado e completo de todos os esportes aquáticos para 2016 pronto ao final do mês de setembro. Os atletas de ponta da seleção brasileira estão tendo liberdade para buscar as melhores alternativas dentro dos seus objetivos. Nicholas Santos, que tenta o índice olímpico nos 100m borboleta, seguirá treinando com Albertinho Silva, mas em janeiro também irá para os Estados Unidos trabalhar com Brett Hawke, antigo técnico de Cielo e atual comandante de Bruno Fratus. O mesmo para Felipe Lima, deve se juntar à equipe do australiano em Auburn.

Os ventos (e águas) estão mudando para os nadadores brasileiros.

Por Mayra Siqueira


200m medley: o esquadrão de luxo mundial
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Desde que Michael Phelps entrou em cena, antes mesmo de se tornar a referência que é hoje no esporte, a prova do 200m medley mudou completamente de cara. Ela tem o nome e a marca do maior nadador do mundo de todos os tempos. Phelps teve uma década de glória, parou, voltou. Deu chance para que a situação mudasse um pouco de figura, e agora está com o tradicional comichão pelo ouro que sempre o motivou a ir mais longe que qualquer outro atleta das piscinas. E o palco agora internacional para testá-lo outra vez está montado, com os mesmos bons e velhos rivais de antes, em Gold Coast, Austrália, local do Pan Pacífico que começa nesta quarta-feira.

Lochte bateu Phelps na seletiva americana - Foto: AP

Lochte bateu Phelps na seletiva americana – Foto: AP

Thiago Pereira até chegou a acreditar que teria um pouco mais de paz na sua prova favorita, mas a concorrência que deixou de existir cedo para o brasileiro nas competições nacionais nunca foi simples no parâmetro mundial. Fazendo dupla, Ryan Lochte e Phelps detêm todas as melhores marcas do mundo no 200m medley até hoje no top 10, e são os únicos nadadores da história a nadar a prova abaixo do 1min55s. Juntos, fizeram isso 14 vezes. Hoje, quem se aproxima muito da marca é o japonês Kosuke Hagino que, claro, já está em Gold Coast. Ele tem o melhor tempo da temporada, com 1min55s38, feitos no Campeonato Japonês, terceiro melhor na era sem trajes tecnológicos. Durante a seletiva norte-americana, a rivalidade mostrou-se intacta: Lochte cravou o segundo tempo do ano, com 1min5650, e Phelps o terceiro, apenas cinco centésimos atrás. Trabalho duríssimo para Thiago, que nadou apenas para 1m57s98 em 2014, tempo feito no Maria Lenk. Na edição de 2010 do Pan Pacífico, o brasileiro ficou com a medalha de bronze.

Thiago Pereira, Lochte e Hagino no pódio de Barcelona-2013 - Foto: Getty Images

Thiago Pereira, Lochte e Hagino no pódio de Barcelona-2013 – Foto: Getty Images

Com uma volta curta ao passado, o pódio do Mundial de Barcelona em 2013 parece agora distante: Lochte vencia o 200m medley, com um tempo inclusive abaixo do 1m55s, seguido por Hagino e por Thiago. Sim, algo claramente estava faltando. A concorrência de sempre agora voltou, e a ameaça para o norte-americano mudou de dinâmica. Além dos velhos, especialmente de um velho conhecido de volta, a dificuldade apertou quando até outros nomes despontam para tentar arrancar seu trono, como o também japonês Daiya Seto, de 20 anos, na casa do 1min57s, ou de Conor Dwyer, conterrâneo que aparece logo depois, com o quinto tempo do ano.

A verdade é que os grandes nomes da prova estarão em Gold Coast, com exceção de Laszlo Cseh, da Hungria, que disputa o Campeonato Europeu. O que torna a briga ainda mais atrativa e disputada. Vale ficar de olho: o domingo, dia do 200m medley, promete recolocar, frente a frente, os maiores personagens da mais atraente prova da natação desde Phelps.

O Pan Pacífico começa nesta quinta-feira, com 275 nadadores de 13 países. A seleção brasileira tem 19 atletas, e não contará com a presença de César Cielo, que desistiu da competição para priorizar o Mundial de Curta de Doha.

Por Mayra Siqueira