Swim Channel

Arquivo : Troféu Maria Lenk

O retorno de Cesar Cielo
Comentários Comente

swimchannel

Depois de quase um ano sem competir finalmente Cesar Cielo caiu na água. O maior nadador brasileiro de todos os tempos inicia em 2017 uma nova fase em sua carreira buscando recuperação e afirmação. A ausência dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 ficou para trás e o velocista fez no Torneio Regional da 1ª Região da Federação Aquática Paulista seu primeiro evento após o fatídico Troféu Maria Lenk do ano passado. De volta a piscina do Esporte Clube Pinheiros desde quando superou o recorde mundial, Cielo nadou duas vezes no último sábado.

A primeira prova foi os 50m livre. Ano passado no Maria Lenk ele havia nadado duas vezes na casa dos 21 segundos: 21s99 na eliminatória e 21s91 na final. No sábado marcou 22s44, um tempo alto para os padrões Cielo e que é apenas o 15º do ranking mundial até o momento. Porém, segundo um estudo do Coach Alex Pussieldi a estreia de Cielo na temporada é bem similar aos tempos obtidos em suas primeiras provas no ano desde 2010. Apenas para efeito de comparação caso ele tivesse feito este tempo no Arena Pro Swim Series de Indianápolis no início do mês, Cielo terminaria em quarto lugar apenas 21 centésimos atrás de Bruno Fratus que levou o bronze na ocasião. A tarde ele voltou para nadar os 50m borboleta onde marcou 23s75, sexto melhor tempo do mundo em 2017.

Cesar Cielo voltou a nadar na piscina do Pinheiros – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Em seu período de ausência das piscinas, o nadador sumiu dos holofotes. Aproveitou para descansar, passar mais tempo com a família e tirar as lições da não-classificação olímpica. Não concedeu entrevistas e recusou o convite para carregar a tocha olímpica antes do Rio-2016. Houve quem apostasse que Cielo iria se aposentar, mas o nadador resolveu voltar aos treinamentos e tentar algo mais nas piscinas. Em entrevista ao Globo Esporte ele afirmou que não tem planos para esticar demais a carreira e que nadará temporada por temporada, além de ser uma espécie de mentor para a nova geração de nadadores.

Cielo confirmou que estará presente no Troféu Maria Lenk no início de maio no Rio de Janeiro, porém, ainda há dúvidas sobre quais provas ele nadará. Inicialmente ele afirmou que nadaria apenas os 50m borboleta, porém, se nadar só esta prova não terá chances de ir ao Campeonato Mundial de Budapeste já que um dos requisitos para integrar a seleção é participar de provas olímpicas. Como resultado dos 50m livre no Torneio Regional foi positivo é bem possível que ele nade também a distância no Maria Lenk. E quem sabe desse grão em grão Cielo consiga uma vaga para Budapeste-2017.

Por Guilherme Freitas


Quem disse que os 1500m livre não tem emoção?
Comentários Comente

swimchannel

O último dia do Troféu Maria Lenk foi sem dúvida nenhuma o mais tenso de todo o evento. Todas as atenções se voltaram para os 50m livre masculino e a tentativa de Cesar Cielo em alcançar o índice olímpico. A queda de energia que atrasou o início da competição em mais de uma hora só aumentou o frenesi em relação aos cinquentinha.  Após aprova mais rápida da natação, que confirmou Bruno Fratus e Ítalo Duarte nos Jogos, parecia que não havia nada mais importante no programa. Mas engana-se quem achou que o dia acabou ai.

Depois dos 50m livre e 200m costas feminino e dos 100m borboleta masculino vieram os 1500m livre masculino, a prova mais longa da natação. E pelo fato de ser uma prova extensa onde a estratégia é na maioria das vezes mais importante do que a técnica ou a explosão, é comum ouvir comentários como que este é o momento certo para ir ao banheiro ou comer um lanche. Quem seguiu esse “conselho” se deu mal, porque perdeu uma das melhores provas de 1500m livre dos últimos anos.

Miguel Valente comemora o índice olímpico - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Miguel Valente comemora o índice olímpico – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Atual campeão mundial júnior desta prova, Brandonn Almeida era o grande favorito para vencer e fazer o índice olímpico. O nadador do Corinthians adotou sua tradicional estratégia de começar devagar e ir crescendo aos poucos. Miguel Valente, que nadava duas raias ao lado de Brandonn, adotava a estratégia oposta. Começou muito forte e foi abrindo muito em relação aos demais nadadores. Na altura dos 750 metros, metade da prova, a disputa se resumia a apenas Miguel e Brandonn. Não pela vitória, mas pelo índice olímpico de 15min14s77. Miguel mantinha o forte ritmo que imprimia desde o início e Brandonn vinha crescendo para esperar a hora H de lançar seu forte final de prova.

Nos últimos 100 metros ambos foram com tudo em busca do índice. Enquanto Miguel lançava suas últimas forças para segurar a liderança, Brandonn apertava o botão do “turbo” e mais uma vez mostrava seu fortíssimo fim de prova (fechou com impressionantes 57s73). Restando pouquíssimos metros ambos ficaram praticamente lado a lado, levando a torcida no Estádio Olímpico Nacional a ficar de pé e fazer muito barulho. No fim vitória de Miguel com 14min14s40 contra 14min14s58 de Brandonn. Índice olímpico para os dois e bastante comemorado pelo público. Uma prova eletrizante, emocionante e decidida na batida de mão.

Brandonn Almeida durante os 1500m livre - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Brandonn Almeida durante os 1500m livre – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Depois de 16 anos o Brasil voltará a ter representantes na prova mais longa da natação mundial em Jogos Olímpicos. A última vez havia sido com Luiz Lima em Sidney-2000. E será também a primeira vez desde Seul-1988, quando Cristiano Michelena e David Castro nadaram, que serão dois atletas nos 1500m livre. Uma mostra de que o fundo brasileiro está em processo de evolução.

Assista abaixo a eletrizante final dos 1500m livre do Troféu Maria Lenk:

Por Guilherme Freitas


Uma barreira quebrada e um recorde sul-americano histórico
Comentários Comente

swimchannel

Larissa Oliveira foi o grande nome deste terceiro dia do Troféu Maria Lenk. A nadadora chegou a piscina do Estádio Olímpico Nacional sem nenhum índice olímpico atingido e pressionada para se garantir nos Jogos do Rio. No Torneio Open ela nadou acima de suas melhores marcas e não conseguiu repetir o bom desempenho do Pan e do Mundial . Devido seu histórico sua presença nos revezamentos 4x100m e 4x200m livre era praticamente certa. Porém, faltava o índice individual. Agora não falta mais.

Depois da bela performance de ontem nos 400m livre, onde estabeleceu o novo recorde brasileiro de 4min09s48, Manuella Lyrio era a grande favorita a vencer e até superar o recorde sul-americano nos 200m livre. Seria a grande adversária de Larissa, mas Manuella não foi bem pela manhã e terminou apenas com o nono tempo e um lugar na final B. Na prova principal Larissa adotou uma estratégia ousada, nadando forte do início ao fim e fechando com um ótimo fim de prova. O resultado foi 1min57s37, novo recorde continental e a primeira mulher do continente a nadar abaixo de 1min58s.

Larissa Oliveira celebra índice e recorde - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Larissa Oliveira celebra índice e recorde – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Na final B, Manuella também nadou muito forte, mas cansou no final e não conseguiu superar a marca de Larissa, finalizando com 1min58s62, tempo que é 19 centésimos acima do índice alcançado por ela no Open de Palhoça. As duas nadarão a prova individual nos Jogos Olímpicos e terão ainda a companhia de Jessica Cavalheiro (1min59s05) e Gabrielle Roncatto (1min59s22) no revezamento 4x200m livre. Um equipe forte e que promete brigar por um lugar na final.

Nos 200m borboleta masculino Leonardo de Deus ratificou sua vaga e favoritismo, vencendo a final com 1min55s54 sem nenhuma surpresa. Porém, o grande momento foi com Kaio Marcio de Almeida. Depois de anunciar sua aposentadoria das piscinas em 2013, ele retornou aos treinos no ano seguinte e desde então vem em constante evolução. Ficou a apenas cinco centésimos de ir ao Campeonato Mundial de Kazan e agora com 1min56s21 faz um tempo melhor do que em Londres-2012 e se classifica para disputar sua quarta Olimpíada.

Kaio Marcio vai para a quarta Olimpíada - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Kaio Marcio vai para a quarta Olimpíada – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Fechando o dia tivemos os 200m medley, onde não tivemos nenhum índice. Joanna Maranhão, que já havia obtido a marca no Open, venceu a prova com 2min14s37. Destaque para Nathália Almeida que com 2min15s24 ficou a quase um segundo do índice exigido e fez a melhor prova de sua vida. Amanhã no quarto dia de disputas no Maria Lenk os holofotes se voltam para os 100m livre masculino, onde saberemos quem serão os representantes na prova individual e o quarteto que chegará ao Rio-2016 cotado para subir ao pódio.

Guilherme Freitas


A eterna dança das cadeiras da emoção
Comentários Comente

swimchannel

A dança das cadeiras olímpica dos 100m peito masculino no Brasil iniciou um ciclo em 2004 que não terminou até hoje.

Naquele ano, Eduardo Fischer foi o único a alcançar o índice olímpico. Henrique Barbosa terminou, arrasado, a um mísero décimo de segundo da marca.

Em 2008, a oportunidade olímpica de Henrique chegou, e Fischer, mesmo com índice, teve que dar lugar a Felipe França, com melhor tempo. Naquela ocasião, Felipe Lima também fez índice e também ficou fora dos Jogos.

Joao Gomes estará no Rio-2016 - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Joao Gomes estará no Rio-2016 – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Em 2012, foi a vez de Lima chegar. Garantiu a segunda vaga olímpica, atrás de França, e à frente de Henrique Barbosa. E também de João Gomes Junior, que tinha o segundo tempo até a última seletiva.

Agora, como já virou tradição, aquele que se frustra quatro anos antes vem com tudo para a seletiva da Olimpíada seguinte.

 

João Gomes não só supera a decepção de 2012, como faz o segundo tempo do mundo (59s06 nas eliminatórias).

E isso não é pouca coisa: seletivas como a britânica (dos medalhistas mundiais Adam Peaty e Ross Murdoch), sul-africana (do campeão olímpico Cameron van der Burgh), australiana, francesa, chinesa e japonesa já aconteceram.

É uma melhora de quase um segundo de sua melhor marca anterior. Supera com sobras a não classificação de 2012 e a suspensão por doping em 2014 por um suplemento contaminado. Hoje, tudo isso faz parte do passado.

Felipe França vai para a terceira Olimpíada - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Felipe França vai para a terceira Olimpíada – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

França, com 59.36, garante sua terceira Olimpíada. Ele, que em todas as apostas era tido e havido com a primeira vaga indiscutível, tem um rival à altura dentro do país. Para brigar por medalha olímpica, João e França terão um ao outro como fator motivante.

O jovem Pedro Cardona, com 59.77 (tempo da eliminatória), mostrou evolução incrível. Ficou a pouco da vaga olímpica. Mas a tradição mostra que o derrotado de hoje voltará com tudo daqui quatro anos. No caso de Pedro, ninguém duvida disso.

E a prova foi tão forte que Felipe Lima, medalhista da prova no Mundial de 2013, terminou com o quarto tempo, fora da Olimpíada.

O pódio dos 100m peito com França, João e Cardona – Foto: Ricardo Sodré/ SSPress

O pódio dos 100m peito com França, João e Cardona – Foto: Ricardo Sodré/ SSPress

 

Até ofuscou o grande nível dos 100m borboleta feminino, primeira prova feminina da história do Brasil com três índices individuais. Se garantiram Daiene Dias (58.04) e Daynara de Paula (58.38).

Etiene Medeiros (58.42) nadou a eliminatória só para quebrar o gelo e, como se fosse coisa rotineira, fez mais um índice para sua coleção (já tem nos 50m e 100m livre, e tem grandes chances nos 100m costas amanhã).

Nos 400m medley, Joanna Maranhão, pela segunda vez na carreira, nada abaixo de 4:40 (4:38.66) e ratifica o índice. Assim como Brandonn Almeida no masculino, com 4:14.63, segunda melhor marca de sua vida. Luiz Altamir não repetiu o índice nos 400m livre mas será o representante. Miguel Valente, o vencedor com 3:51.62, saiu feliz com o tempo e considera ter boas perspectivas nos 1500m livre.

Mas o maior destaque mesmo foi os 100m peito. Cinco índices (além dos citados, Raphael Rodrigues, na quinta posição, também fez a marca) e três abaixo do minuto, único país do mundo a atingir tal feito em 2016.

O mais forte 100m peito do mundo.

Por Daniel Takata


Chegou a hora! Vai começar o Maria Lenk!
Comentários Comente

swimchannel

Tem início amanhã no Estádio Olímpico Aquático mais uma edição do Troféu Maria Lenk, o principal campeonato da natação brasileira. Porém, desta vez a competição não será só um campeonato nacional que contabiliza pontos para os clubes e sim a última seletiva para o Jogos Olímpicos que acontecerão daqui a quatro meses nesta mesma piscina, que também será evento-teste dos Jogos e contará com a presença de atletas estrangeiros.

No Torneio Open, disputado em Palhoça no fim do ano passado, 26 nadadores conseguiram nadar abaixo dos índices exigidos pela CBDA e a tendência no Maria Lenk é que esse número aumente. Há atletas próximos de atingir as tão sonhadas marcas e a dança das cadeiras em algumas provas também gerará superação por parte dos nadadores. O forte ritmo de outras seletivas pelo mundo, como na França, Austrália, Reino Unido e Japão, também dão mostras que no Maria Lenk também assistiremos a grandes performances.

Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 13 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Vista do Estádio Nacional Olímpico – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Os 50m livre masculino prometem ser uma das provas mais aguardadas do programa. Tudo devido a situação do campeão olímpico e mundial Cesar Cielo, que ainda não conseguiu atingir o índice e não tem vaga na seleção brasileira. Cielo, que teve muitos problemas de lesão em 2015, precisará superar o índice de 22s27 e Ítalo Duarte, que no Open nadou para 22s08 e no momento tem a segunda vaga.

Além dos cinquentinha, os 100m e 200m livre também prometem fortes emoções. Além das vagas na prova individual, está em jogo um lugar nos revezamentos. O 4x100m livre masculino tem quase uma dezena de candidatos a vaga na equipe que brigará por medalha e no Maria Lenk terão a companhia dos medalhistas pan-americanos Federico Gabrich e Santo Condoreli, que aumentarão o nível técnico da disputa. Já no feminino o 4x200m livre é o mais esperado. Último revezamento feminino a chegar em uma final olímpica, em Atenas-2004, o equipe tem boas chances de repetir o feito no Rio-2016 e chegar novamente a uma final.

Os rituais de Cielo se tornaram famosos

Cesar Cielo esta na luta pelo índice olímpico nos 50m livre – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Chances de recordes sul-americanos, índices olímpicos alcançados, o primeiro teste da nova piscina olímpica e possíveis despedidas da natação de alto rendimento serão outros atrativos do Troféu Maria Lenk. Confira abaixo a programação completa do evento que contará com transmissão ao vivo das finais no Sportv.

1ª etapa, sexta-feira, dia 15/04: 400m medley masculino, 100m borboleta feminino, 400m livre masculino, 400m medley feminino e 100m peito masculino.

2ª etapa, sábado, dia 16/04: 100m costas feminino, 200m livre masculino, 100m peito feminino, 100m costas masculino e 400m livre feminino.

3ª etapa, domingo, dia 17/04: 200m livre feminino, 200m borboleta masculino e 200m medley feminino.

Joanna Maranhão (foto: Satiro Sodré/ SSPress/CBDA)

Joanna Maranhão busca um lugar na equipe do 4x200m livre – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

4ª etapa, segunda-feira, dia 18/04: 100m livre masculino, 200m borboleta feminino e 200m peito masculino.

5ª etapa, terça-feira, dia 19/04: 100m livre feminino, 200m costas masculino, 200m peito feminino e 200m medley masculino.

6ª etapa, quarta-feira, dia 20/04: 50m livre masculino, 50m livre feminino, 100m borboleta masculino, 200m costas feminino, 1500m livre masculino e 800m livre feminino.

Por Guilherme Freitas


Hegemonia argentina
Comentários Comente

swimchannel

Quando se fala em hegemonia no Troféu Maria Lenk logo vem a mente o nome de Thiago Pereira. Afinal ele não sabe o que é perder os 400m medley desde 2003, quando foi campeão nacional absoluto pela primeira vez. Mas dessa vez não estamos falando sobre o versátil medalhista olímpico e sim de uma nadadora argentina: Julia Sebastian.

Desde 2012 ela esta invicta nos 200m peito. De quebra tornou-se a primeira mulher a vencer a mesma prova por quatro anos consecutivos e em todas as vezes que caiu na água diminuiu seu tempo. Sempre representando a Unisanta, ela fez sua estréia na competição em 2012 e na ocasião ganhou a medalha de ouro com 2min32s81. No ano seguinte ela venceu novamente com 2min31s79 e ano passado sagrou-se tricampeã com 2min28s53. Ontem venceu de novo desta vez com 2min28s38. E com esse resultado se coloca com chances de disputar uma medalha nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

Julia Sebastian domina desde 2012 os 200m peito no Maria Lenk - Foto: Satiro Sodré

Julia Sebastian domina desde 2012 os 200m peito no Maria Lenk – Foto: Satiro Sodré

Nos últimos anos Julia também conquistou outros dois resultados expressivos no Troféu José Finkel. Ano passado, na piscina curta, ela venceu a prova com novo recorde sul-americano: 2min22s32. E em 2013, na longa, ela bateu o recorde de campeonato com 2min28s99.

Os 200m peito feminino é uma das provas mais carentes da atual natação brasileira. Pamela Souza vem sendo a melhor nadadora do país na distância, mas ainda não rompeu a casa dos 2min30s. No retrospecto, Michele Schmidt foi a última nadadora do país a vencer a prova no Troféu Maria Lenk em 2010. E o recorde sul-americano de Carolina Mussi, de 2min27s42, feitos no Maria Lenk em 2009 ainda permanece intocável.

Por Guilherme Freitas


Uma questão de tempo
Comentários Comente

swimchannel

Um dos recordes mais antigos da natação nacional e sul-americana esta muito perto de cair. Trata-se da marca do revezamento 4x200m livre feminino. No dia 18 de agosto de 2004, o quarteto Joanna Maranhão, Monique Ferreira, Mariana Brochado e Paula Baracho nadou a final olímpica da prova em 8min05s29, tempo que permanece até hoje no livro dos recordes. Mas esse registro histórico esta com seus dias contados.

Os resultados das finais de hoje dos 200m livre no Troféu Maria Lenk mostram que a marca não deve passar de 2015. As quatro primeiras colocadas da prova foram Larissa Oliveira (1min58s53 – novo recorde sul-americano), Manuella Lyrio (1min58s74), Jessica Cavalheiro (2min00s46) e Rafaela Raurich (2min01s44), esta última cravou este tempo na final B. O tempo delas somado é de 7min59s17, mais de seis segundos abaixo do atual recorde sul-americano. Lembrando que o melhor tempo de Jessica é de 2min00s14 feito no Torneio Open do ano passado que melhoraria ainda mais a marca para 7min58s85.

Manuela Lyrio e Larissa Oliveira nadaram na casa de 1min58s - Foto: Satiro Sodré

Manuela Lyrio e Larissa Oliveira nadaram na casa de 1min58s – Foto: Satiro Sodré

Esse também provavelmente será o quarteto brasileiro no Campeonato Mundial de Kazan que terá a missão de classificar a equipe para os Jogos Olímpicos do Rio-2016. A definição final das representantes do revezamento para o Mundial na Rússia será apenas quarta-feira, quando acontece a disputa do 4x200m livre no Maria Lenk. Os tempos de abertura dos revezamentos também contam como tempo e algumas nadadoras poderão tentar melhor suas marcas para pegar um lugar no time.

E na quarta também poderemos ver o recorde cair durante a disputa do 4x200m livre. A equipe do Pinheiros conta com Larissa, Manuella e Gabriele Roncatto, três das cinco melhores colocadas na prova individual. E o trio ganha o reforço de Joanna Maranhão, que tem como melhor tempo na carreira 2min00s64. A curiosidade é que ela é a única nadadora em atividade que integrou o histórico 4x200m livre em Atenas. O time do Pinheiros tem tudo para nadar a prova abaixo dos 8min05s29, porém, caso não consiga superar esse tempo haverá outras duas oportunidades em 2015, no Mundial de Kazan ou nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Porém, uma coisa é certa: o recorde brasileiro e sul-americano do 4x200m livre feminino esta com seus dias contados.

Por Guilherme Freitas


A acirrada briga por um lugar nos revezamentos
Comentários Comente

swimchannel

O Troféu Maria Lenk, principal competição da natação brasileira, começa dentro de uma semana na piscina do Fluminense, na cidade do Rio de Janeiro. O campeonato terá 348 atletas e é marcado por ser a última seletiva para o Campeonato Mundial de Kazan. Além dos índices individuais para a Rússia também está em jogo vagas nos revezamentos. Hoje apresentamos aqui como esta a situação nos revezamentos das provas de livre: 4x100m e o 4x200m masculino e feminino. Confira abaixo:

O brasileiro vai se aproximando dos 47 segundos - Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Matheus Santana pode disputar seu primeiro Mundial com o 4x100m livre – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

4x100m livre masculino

Equipe até o momento: Bruno Fratus (48s57), Cesar Cielo (48s58), Marcelo Chierighini (49s06) e Matheus Santana (49s07).

Este é o revezamento mais badalado e também mais o concorrido da seleção. Com os resultados registrados no Open a equipe seria composta por um fortíssimo Fratus, Cielo, Chierighini e Matheus. O quarteto estará em ação no Maria Lenk e é esperado que todos nadem na casa dos 48 segundos para garantirem seus postos. Os experientes Nicolas Oliveira e João de Lucca são os outros nadadores mais próximos dos quatro e também têm boas chances de entrar na equipe que tentará em Kazan ratificar seu status de candidato a pódio no Rio-2016.

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano em 2014 - Foto: Satiro Sodré

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano no Open e lidera o 4x100m livre – Foto: Satiro Sodré

4x100m livre feminino

Equipe até o momento: Larissa Oliveira (54s61), Graciele Herrmann (54s76), Daiane Becker (55s35) e Alessandra Marchioro (55s69).

No Open Larissa bateu o recorde sul-americano na prova e se aproximou do índice individual para Kazan. É nome certo no revezamento, assim como Graciele que também nadou na casa dos 54 segundos na piscina do Botafogo. Com 55s35 Daiane esta muito perto de um lugar no time e Marchioro precisa abaixar seu tempo para também se garantir sem correr riscos. Daynara de Paula e Manuela Lyrio, ambas balizadas para o Maria Lenk com tempos abaixo dos 56 segundos, esperam entrar no revezamento.

Nicolas Nilo fechou o 4x100m livre - Foto: Satiro Sodré

Nicolas Oliveira não tem índice, mas deve estar no 4x200m livre – Foto: Satiro Sodré

4x200m livre masculino

Equipe até o momento: Thiago Pereira (1min48s35), João de Lucca (1min48s66), Luiz Altamir (1min49s16) e João Veras Amorim (1min49s82).

Nicolas Oliveira não nadou o Open em dezembro e por isso não tem vaga no revezamento. Porém, é muito provável que ele consiga atingir o índice individual no Maria Lenk (fez 1min46s98 no Pan Pacífico) e consequentemente um lugar na equipe. Thiago tentará nadar apenas o revezamento em Kazan e fez o melhor tempo no Open, mas optou por não nadar esta prova no Maria Lenk. João de Lucca é o outro cotado para atingir o índice individual e cravar uma vaga no revezamento. Pelos resultados recentes, Luiz Altamir é o favorito para pegar a quarta e última vaga, mas João Veras, Gustavo Godoy, Henrique Rodrigues e Fernando Ernesto também deverão disputá-la.

Jessica Cavalheiro pode ser a terceira nadadora com 1min59s no 4x200m livre- Foto: Satiro Sodré

Jessica Cavalheiro pode ser a terceira nadadora com 1min59s no 4x200m livre- Foto: Satiro Sodré

4x200m livre feminino

Equipe até o momento: Larissa Oliveira (1min59s73), Manuela Lyrio (1min59s99), Jessica Cavalheiro (2min00s14) e Gabriele Roncatto (2min02s16).

Únicas a nadar abaixo da casa dos 2 minutos Larissa e Manuela são nomes certos na equipe que irá para Kazan. Jessica se aproximou do 1min59s e está muito perto de garantir uma vaga também. Gabriele tem o quarto posto, mas não o quarto melhor tempo. Giovana Diamante (2min01s16), Julia Volkmann (2min01s86) e Carolina Bilich (2min01s99) já nadaram mais rápido que os 2min02s16 de Gabriele, mas precisam ratificar essa marca no Maria Lenk para garantir uma vaga em Kazan. Disputa bastante acirrada. Na Rússia a meta é bater o histórico recorde sul-americano em vigor desde Atenas-2004.

Por Guilherme Freitas


Maria Lenk definirá a seleção para o Mundial Júnior
Comentários Comente

swimchannel

Faltam 12 dias para o Troféu Maria Lenk, a principal competição nacional do calendário brasileiro. Os holofotes do evento estarão sob os atletas que procuraram garantir suas vagas no Campeonato Mundial de Kazan e nos Jogos Pan-Amricanos de Toronto, porém, também estarão em jogo vagas para outra competição de nível internacional: o Campeonato Mundial Júnior de Cingapura, que acontecerá em agosto.

Até o momento sete nadadores já têm índice para a competição. O maior destaque é Brandonn Pierry de Almeida, que recentemente defendeu a seleção principal em competições no exterior e tem boas chances de subir ao pódio em Cingapura. Aos 18 anos de idade ele já tem no currículo uma participação em Mundiais Juniors. Em 2013 esteve com a equipe que nadou em Dubai e ficou em 9º lugar nos 400m medley. Brandonn já tem índices nos 400m e 1500m livre, 400m medley e 200m costas.

Brandonn Pierry já tem quatro índices para o Mundial Júnior - Foto: Satiro Sodré

Brandonn Pierry já tem quatro índices para o Mundial Júnior – Foto: Satiro Sodré

Os outros seis nadadores com índice até o momento são Felipe Ribeiro de Souza (50m e 100m livre), Nathan Bighetti (200m costas), Vinicius Lanza (100m borboleta), Pedro Henrique Spajari (100m livre), Giovanny Neves Lima (200m borboleta) e Gabriele Roncatto, a única representante feminina, com quatro índices nos 100m, 200m e 400m livre e 200m medley. Como alguns atletas ficaram próximos do índice no Torneio Open do ano passado, a tendência é que no Maria Lenk novos nomes sejam adicionados a lista.

O Mundial Júnior foi disputado pela primeira vez em 2006 na cidade do Rio de Janeiro. Na época não havia garantias de que o evento ser realizado novamente, mas com o sucesso do campeonato a Fina o adicionou a seu calendário internacional. A competição também passou a ser uma vitrine internacional para futuros destaques da natação mundial. Nomes como Tyler Clary, Mireia Belmonte, Kosuke Hagino, Bront Campbell e Etiene Medeiros, todos medalhistas anos depois em Jogos Olímpicos ou Campeonatos Mundiais, passaram da condição de promessa para a de realidade.

O Brasil esteve presente em todos os Campeonatos Mundiais Júnior e já ganhou nove medalhas nas primeiras quatro edições. O Mundial Júnior deste ano será disputado em Cingapura, no OCBC Aquatic Centre, durante os dias 25 e 30 de agosto.

Por Guilherme Freitas


Os clubes campeões do Troféu Maria Lenk
Comentários Comente

swimchannel

Na próxima segunda-feira tem início a 54ª edição do Troféu Maria Lenk, principal competição nacional deste primeiro semestre e que será seletiva para o Pan-Pacífico de Gold Coast O tradicional campeonato foi criado em 1962 e recebeu o nome de Troféu Brasil. Desde então revelou ao mundo grande atletas, mas em 2007 foi rebatizado para Troféu Maria Lenk em homenagem ao maior nome da natação feminina do país. Esse ano teremos quase 40 clubes disputando o evento, porém, apenas oito conseguiram vencer o Troféu ao longo dos anos.

O Pinheiro tem 13 títulos no Maria Lenk, mas não vence desde 2010 - Foto: Satiro Sodré

O Pinheiro tem 13 títulos no Maria Lenk, mas não vence desde 2010 – Foto: Satiro Sodré

Pinheiros e Flamengo são os maiores campeões do evento com 13 títulos cada um. Curiosamente, boa parte dessas vitórias foi conquistada de forma consecutiva quando as equipes mantinham uma hegemonia nacional. O clube paulista foi campeão pela primeira vez em 1977, porém, o auge foi entre 2003 e 2010, quando os pinheirenses venceram oito campeonatos seguidos. O Flamengo também manteve um longo domínio nesta competição, mas nos anos 80. Entre 1980 e 1989 a equipe carioca arrematou nove das dez edições disputadas, oito delas de forma consecutiva.

Atual campeão da competição, o Minas Tênis Clube aparece em terceiro lugar na tabela dos campeões com nove títulos. O primeiro foi apenas em 1988, mas desde então o clube mineiro se firmou como uma das maiores forças da natação nacional é considerado o favorito para vencer a edição deste ano. Uma curiosidade é que em 1994 foram disputadas duas edições do Troféu Brasil e ambas foram vencidas pelo Minas. O Fluminense e o Botafogo têm cinco conquistas cada um, vencidas em sua maioria entre o fim dos anos 60 até a metade dos anos 70 quando a natação carioca era a mais forte do Brasil.

Com 13 títulos, o Flamengo é um dos maiores campeões - Foto: Satiro Sodré

Com 13 títulos, o Flamengo é um dos maiores campeões – Foto: Satiro Sodré

Outros clubes que já foram campeões são o Corinthians, o Vasco da Gama e o Paulistano. O Corinthians, que este ano também é apontado como um dos favoritos, levantou a taça três vezes na década de 60 e não vence a competição há 48 anos. O Vasco venceu seus três títulos entre 1999 e 2001, quando a direção do clube investiu muito dinheiro nas modalidades olímpicas e contratou as principais estrelas da natação nacional. Já o Paulistano venceu as duas primeiras edições do torneio.

Confira abaixo todos os clubes campeões do Troféu Maria Lenk:

Pinheiros com 13 títulos: (1977, 1979, 1993, 1995, 1998, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010)
Flamengo com 13 títulos: (1968, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1989, 1991, 2002 e 2012)
Minas Tênis Clube com 9 títulos: (1988, 1990, 1992, 1994, 1994, 1996, 1997, 2011 e 2013)
Botafogo com 5 títulos: (1967, 1971, 1972, 1973 e 1974)
Fluminense com 5 títulos: (1969, 1970, 1975, 1976 e 1978)
Corinthians com 3 títulos: (1964, 1965, 1966)
Vasco da Gama com 3 títulos: (1999, 2000 e 2001)
Paulistano com 2 títulos: (1962 e 1963)

O Minas TC é o atual campeão e tem 9 taças do Troféu Maria Lenk - Foto: Satiro Sodré

O Minas TC é o atual campeão e tem 9 taças do Troféu Maria Lenk – Foto: Satiro Sodré

Por Guilherme Freitas