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Entrevista com Igor de Souza

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13/04/2017 17h23

Igor de Souza é uma referência e um dos maiores nadadores do Brasil nas águas abertas. Tricampeão da tradicional Volta de Manhattan e com outras dezenas de famosas travessias concluídas no currículo, ele tem como maior feito em sua carreira atravessar o Canal da Mancha três vezes. A primeira foi em 1996 quando partiu da Inglaterra e chegou a costa francesa em 11h06min. No ano seguinte ele voltou para as águas gélidas do Canal e tornou-se o primeiro brasileiro a completar o percurso em ida e volta. Um pioneiro que hoje auxilia nadadores a atravessar o Canal e tem em sua agenda compromissos marcados até 2019!

Atualmente diretor do Circuito Maratona Aquática, o mais antigo evento por etapas de águas abertas do país e que tem inscrições para a etapa do Guarujá abertas na SWIM CHANNEL, e gerente de marketing esportivo da Speedo Brasil, Igor contou nesta entrevista um pouco mais sobre sua carreira, os métodos de treinamento para cruzar o Canal da Mancha e outros momentos marcantes de suas braçadas pelo mundo. Leia abaixo.

O nadador Igor de Souza – Foto: Tuca Vieira

SWIM CHANNEL: Conte um pouco sobre sua carreira de nadador. Que clubes você representou quando nadava?

Igor de Souza: Meu primeiro clube foi o Clube Atlético Aramaçan em Santo André. De lá fui para o SERC Santa Maria de São Caetano do Sul e depois para a equipe da Pirelli de Santo André. Também treinei um período na Hebraica e depois no Paineiras do Morumby. Outro local por onde passei foi o IARA Clube de São Bernardo Campo, além de treinar em vários locais fora do país, como EUA, Austrália e Itália.

SC: Qual foi a sua primeira experiência nas águas abertas e porque decidiu nadar apenas essas provas mais longas?

Igor: Minha estreia em provas de águas abertas foi em 1974 aos 11 anos, na Represa Billings. A prova se chamava Travessia São Paulo à Nado e era um dos maiores eventos esportivos de São Paulo, patrocinado pelo Jornal A Gazeta que também organizava a São Silvestre e a Corrida de Ciclismo 9 de Julho. Era uma prova internacional, que tinha como convidados os atuais campeões mundiais dos 1500m livre masculino e 800m livre feminino. A distância era de 1,5 km. A decisão de nadar maratonas aquáticas veio evoluindo, sempre estive entre os melhores nadadores de 1500m livre do país, mas a nível internacional era mero coadjuvante. Nas provas de águas abertas que eram realizadas no Brasil vencia a maioria com certa facilidade. Fui convidado pelo então Diretor de Águas Abertas da CBDA, Sr. Abílio Couto, a participar do Campeonato Mundial da Modalidade que ocorreu na Itália, terminei na quarta colocação. Sempre treinei muito e vi nas maratonas aquáticas um esporte em que eu poderia ir melhor, além de sempre ter gostado de nadar no mar.

Igor atravessou três vezes o Canal da Mancha – Foto: Reprodução/Speedo

SC: Sobre o Canal da Mancha como surgiu a ideia faze-lo ida e volta? Como foi essa preparação para encarar o desafio?

Igor: Quando cruzei o Canal da Mancha pela primeira vez fui com a intenção de estabelecer um novo recorde para a prova, apesar de ter sido o mais rápido do ano, meu tempo foi muito acima do imaginado e descobri que cruzar o canal da mancha é a grande conquista, pois fazer um bom tempo na prova não depende apenas de sua condição física, depende das condições climáticas e de muita sorte. Depois do Canal, fui disputar as outras etapas do circuito mundial e conversando com vários atletas que já haviam cruzado o canal aprendi que buscar um bom tempo de cruze no canal exige fatores que não posso controlar, mas fazer a prova ida e volta, são 90% de condicionamento físico e apenas 10% das condições climáticas. Eu queria me provar, eu precisava saber do meu limite. A preparação basicamente foi a mesma que tive para me preparar para nadar o circuito mundial, inclusive, nadei as etapas do circuito antes do canal, pois dependia de bons resultados no circuito para poder fazer caixa e pagar as despesas da prova do canal. A única diferença dos outros anos de preparação foi minha preocupação de não aguentar o frio ou de “apagar” durante a prova. Para isto fiz alguns trabalhos diferenciados físicos e mentais. Para me manter focado o tempo todo, me aprofundei no taoísmo, uma filosofia chinesa que ajuda na concentração. Trabalhei minha mente para fixar que a prova era ida e volta e não que seriam duas provas, a de ida e depois a de volta, em tudo o que fazia no treino e fora dele tinha na minha cabeça que era ida e volta, por exemplo, iniciava os treinos com 800m, dividia mentalmente em 400m de ida e 400m de volta e assim por diante. Para não “apagar” na prova, pois poderia nadar até pouco mais de 24h, fiz três treinos de 24 horas nadando, no melhor deles nadei 112,8 km, melhor marca do mundo na época. Também nadei algumas vezes sozinho na represa Billings, inciando os treinos por volta das 21h e terminando somente ao amanhecer. Com todo este trabalho me senti muito bem durante toda a prova e muitos me perguntam se foi a prova mais difícil que nadei e digo que não foi, nadei provas menores em que terminei muito mais desgastado. Acho que a razão foi o medo, não tinha medo do canal, não tinha medo de morrer, mas tinha muito receio de não conseguir e por esta razão treinei excessivamente e respeitei muito o canal durante toda a prova.

Igor com Gustavo Borges em evento da Speedo – Foto: Igor Andrade

SC: Outra prova que você ganhou é a Volta de Manhattan. Na sua opinião qual dessas conquistas foi mais especial?

Igor: A prova de Manhattan é uma conquista diferente do Canal da Mancha. No canal sua disputa principal é com você mesmo. Já em Manhattan era como as demais provas do circuito mundial, era uma competição. Manhattan era uma prova de grande domínio de americanos e australianos. Vencê-la te ajuda a inflar o ego, a mostrar que esta tão bem preparado como os melhores do mundo, já o canal te eleva o espírito, te alimenta a autoconfiança e te dá a sensação de gratidão pelo anos de trabalho.

SC: Além das funções de diretor e coordenador técnico você também acompanha nadadores que pretendem travessar o Canal da Mancha. Como está trabalho atualmente? Há atletas visando concluir a prova este ainda ano?

Igor: Há 16 anos levo atletas para o Canal da Mancha, já acompanhei 92 nadadores. E a cada ano vem aumentando a procura por este desafio, já tenho reservas para atletas até 2019. O clima mundial ajudou a tornar o canal um pouco mais acessível. Em 1996 quando cruzei pela primeira vez a temperatura oscilava em torno dos 11ºC, atualmente a média do canal fica em 13,8ºC, são quase 3 graus a mais, mas igualmente muito perigoso, as metodologias de treinamento, suplementação e auxílio médico também evoluíram muito, mas mesmo com tudo isto a média hoje de sucessos no canal não chega a 20%.

SC: O que esta achando do Circuito Maratona Aquática deste ano até o momento? E quais são as expectativas para as próximas etapas?

Igor: Estou surpreso com o volume de atletas praticantes, com a crise que assola o país, imaginava que teríamos uma queda nos participantes e para nossa surpresa vem se mantendo o volume de inscrições. Além da crise econômica, este é um ano complicado para realização de eventos, pois ocorreu as eleições municipais e com ela muda-se todas a máquina administrativa. Então é como começar do zero, mas mesmo assim estamos tendo um numero maior de cidades interessadas do que o número de etapas disponíveis.

Por Guilherme Freitas

Sobre o Autor

Daniel Takata
Redator da Revista Swim Channel. Tem colaborado com os principais veículos impressos e eletrônicos sobre natação e vem comentando competições no SporTV.

Guilherme Freitas
Jornalista da Revista Swim Channel e correspondente internacional de imprensa da FINA (Federação internacional de Natação), formado pela FMU e pós-graduado em Globalização pela Escola de Sociologia e Política.

Patrick Winkler
Editor- Chefe da Revista Swim Channel, Colunista da Radio Bradesco Esportes FM. Graduado em administração de empresas na Universidade Mackenzie, e pós-graduado em Gestão do Esporte pelo Instituto Trevisan.

Mayra Siqueira
Repórter da Revista Swim Channel e jornalista esportiva da Rádio CBN. É correspondente da FINA (Federação internacional de Natação) no Brasil e é colunista de natação para o Blog Esporte Fino, da Carta Capital.

Sobre o Blog

A Swim Channel é uma editora formada por nadadores que escreve exclusivamente sobre natação sendo eleita a melhor revista do segmento no mundo inteiro no ano de 2012. Através deste Blog, consegue fomentar noticias diárias aumentando o alcance do conteúdo editorial. Acompanhe entrevistas com atletas e personalidades, cobertura dos principais eventos, análises das diversas áreas relacionadas a nossa modalidade.

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