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Arquivo : Mundial de piscina curta

Convenção da Fina: oportunidade de expor sua marca
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Terminou ontem em Windsor a 13ª edição do Campeonato Mundial de piscina curta, evento que reuniu diversas estrelas da natação internacional, coroou Katinka Hosszu que subiu nove vezes ao pódio e assistiu ao Brasil conquistar três medalhas, sendo uma delas o ouro para Etiene Medeiros nos 50m costas. Além das emoções na piscina, Windsor-2016 ainda foi palco da Convenção da Fina e premiou os melhores atletas das modalidades aquáticas da temporada.

É normal que nos grandes eventos internacionais da entidade diversas marcas ligadas aos esportes aquáticos exponham seus produtos para o público e convidados. Em Windsor não foi diferente e durante a Convenção da Fina, realizada no luxuoso Caesar Park Hotel, aconteceu uma feira de exibição. Uma das marcas presentes ao encontro foi a Arena, que também foi uma das patrocinadoras oficiais do Mundial de curta. A empresa italiana montou um grande stand e apresentou para os presentes detalhes e novidades de seus produtos.

Stand da Arena na Convenção da Fina - Foto: Site da Fina

Stand da Arena na Convenção da Fina – Foto: Site da Fina

No stand da Arena os visitantes puderam conferir informações sobre as peças da marca, sobre a tecnologia presente nos trajes e acessórios, conhecer detalhes sobre novas coleções para a próxima temporada e comprar diversos produtos para treino ou competição. Ao longo do Mundial de Windsor alguns nadadores patrocinados pela Arena passaram pelo stand e conversaram com o público e convidados, entre eles os campeões olímpicos Gregorio Paltrinieri e Sharon van Rouwendaal.

Além do stand e da loja, a Arena fez uma ação conjunta com a Nikon onde o público presente podia tirar fotografias em um grande painel alusivo ao próximo grande evento da Fina: o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Budapeste-2017. A Arena ainda ofereceu uma premiação especial para os melhores atletas do evento que acabaram sendo a húngara Katinka Hosszu e o sul-africano Chad Le Clos, dois atletas patrocinados pela marca italiana.

Por Guilherme Freitas

Colaborou Alessandro Carracio


Último dia do Mundial de curta: bronze para Felipe Lima
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Último dia do Campeonato Mundial de piscina curta em Windsor, Canadá, com medalha para o Brasil, recorde para Katinka Hosszu, feito histórico para Tae-Hwan Park e supremacia americana no quadro de medalhas.

Felipe Lima e seu bronze (foto: Satiro Sodré)

Felipe Lima (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Grande demonstração de superação de Felipe Lima. Após ficar fora dos Jogos Olímpicos, e de ter um grande circuito da Copa do Mundo, não nadou bem os 100m peito, em uma prova em que se repetisse as marcas que fez algumas vezes esse ano teria chegado ao pódio. Muitos nadadores ficariam com o psicológico abalado, afetaria o lado físico e não se recuperariam dentro da competição. Pois Felipe conseguiu esquecer rapidamente aquela frustração para cair de cabeça nos 50m. Com uma boa saída e, sobretudo, uma grande virada, consegue finalmente encaixar o número de braçadas exato na segunda metade da prova, algo que não conseguira na eliminatória e na final, e com 25s98 faz sua melhor marca pessoal e conquista a medalha de bronze, a terceira medalha do Brasil na competição. À sua frente o sul-africano Cameron van der Burgh, com 25s64, e o esloveno Peter Stevens com 25s85. Está bem, se o russo Krihill Prigoda tivesse repetido seu tempo da semifinal de 25s95 teria ficado com o bronze no lugar de Felipe. Mas as conquistas se fazem nadando bem na hora certa, e foi isso que fez o brasileiro. Felipe França, campeão da prova em 2010 e 2014, não tem conseguido exibir seu melhor, principalmente nos fundamentos em que me ótimo, e termina em quinto com 26s13.

Tae-Hwan Park venceu com facilidade até supreendente os 1500m livre, com recorde de campeonato de 14min15s51. Surpreendente por dois motivos: por parecer estar mais veloz do que resistente, afinal bateu o recorde de campeonato nos 200m livre e sempre nadou melhor 200m e 400m do que 1500m; e por ter pela frente o campeão olímpico e recordista mundial na curta, o italiano Gregorio Paltrinieri, que foi a Windsor apenas para nadar essa prova. O equilíbrio foi até exatamente os 1100m, quando o coreano disparou, deixando o italiano seis segundos atrás no final. É a primeira vez que um homem vence os 200m, 400m e 1500m em um mundial de curta. Na longa, isso aconteceu uma vez, em 1975, com o americano Tim Shaw. E Park mostra que definitivamente está de volta, após uma Olimpíada frustrante.

Tae Hwan Park, quatro medalhas olímpicas - Foto: Sportal

Tae-Hwan Park (foto: Sportal)

E poderia ter feito ainda mais história ao nadar os 100m livre apenas 10 minutos após os 1500m. Se subisse no pódio seria o primeiro a medalhar dos 100m aos 1500m. Obviamente foi prejudicado pelo cansaço, mas ainda assim é o primeiro a chegar a finais das quatro provas. Com a vitória o lituano Simonas Bilis com 46s58, um centésimo à frente do japonês Shinri Shioura. Tempos fracos para pódio, tanto que o vencedor sequer medalharia na última edição, e seu tempo, apenas sexto no ranking mundial de 2016, é um segundo acima da melhor marca da temporada, do russo Vladimir Morozov.

Com um final de prova matador, a britânica Molly Renshaw vence os 200m peito feminino com 2min18s51, vencendo, a exemplo dos 100m livre masculino minutos antes, por apenas um centésimo. A prata foi para a canadense Kelsey Wog. As duas primeiras colocadas mostraram como é importante fazer uma prova equilibrada, chegando à frente da outra britânica, Chole Tutton, que passou na frente na primeira metade da prova e terminou na terceira posição, e da americana Lilly King, exímia velocista, líder somente nos primeiros 50 metros.

O polonês Radoslaw Kawecki sempre teve como principal arma seu nado submerso. É um nadador que consegue ficar 75 metros submerso sem respirar. O que explica sua incrível capacidade de se utilizar de ondulações submersas por quase 15 metros em cada uma das sete viradas dos 200m costas. Ele é um bom nadador em piscina de 50 metros (foi prata nos mundiais de 2013 e 2015), mas na curta ele é rei. Com 1min47s63 conquista o tricampeonato mundial da prova, mais de um segundo à frente do americano Jacob Pebley. O atual campeão mundial na longa, vice-campeão olímpico, recordista mundial na curta e atual líder do ranking mundial, o australiano Mitch Larkin, não está em grande forma, piora mais de três segundos sua melhor marca e termina na quarta posição.

Katinka Hosszu venceu as provas de medley em Barcelona

Katinka Hosszu (foto: divulgação)

Ao vencer os 100m borboleta, Katinka Hosszu completa uma coleção impressionante. Subir ao pódio de um mesmo mundial em provas como 50m costas, 100m borboleta, 200m livre e 400m medley é coisa para poucos. Na verdade, só para ela mesmo. Com 55s12, bate seu recorde húngaro, único batido por ela nessa competição, em sua última prova, derrotando a americana Kelsi Worrell, que também bateu o recorde de seu país, por apenas um décimo. Chega a nove medalhas em Windsor e agora é a nadadora com mais medalhas em uma edição, entre homens e mulheres. Com 22 medalhas, todas individuais, ainda não é a maior medalhista da história da competição, atrás das 38 de Ryan Lochte. Mas ela pode alcançar o americano em breve em termos de pódios individuais, pois ele tem 23.

A campeã olímpica em 2012 Ranomi Kromowidjojo, com saída espetacular como de costume, leva os 50m livre pela terceira vez após as vitórias em 2010 e 2014, com 23s60. A favorita era a dinamarquesa Jeanette Ottesen, mas teve uma virada muito ruim e com 24s00 fica apenas na quarta posição – tendo feito 23s58 na Copa do Mundo esse ano.

Nos revezamentos, o Canadá venceu o 4x50m livre feminino com 1min35s00 e fez o hino local tocar pela primeira, e única vez, na competição. No 4x100m livre masculino, vitória para a Rússia com 3min21s17, a quinta vitória do país em revezamentos masculinos, o quinto ouro de Vladimir Morozov, que sai como o homem mais premiado da competição, mesmo não nadando bem as provas individuais. E para fechar a competição vitória americana no 4x100m medley feminino com 3min47s89, com destaque para Kelsi Worrell, que nadou mesmo tendo tomado pontos no supercílio após um acidente na piscina de aquecimento.

Os Estados Unidos fecharam a competição na liderança do quadro de medalhas, com oito ouros, 14 pratas e sete bronzes. Por muito pouco Katinka Hosszu, com seus sete ouros e duas pratas, não levou, sozinha, a Hungria à liderança do quadro.

E assim termina a 13ª edição do Mundial de curta. Um tanto esvaziada por ser pós-olímpica, mas sempre com grandes desempenhos e feitos históricos. O evento retorna em 2018 em Hagzhou, na China.

Por Daniel Takata


Quinto dia do Mundial de curta: Etiene Medeiros, melhor do mundo
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Em um país em que a tradição internacional na natação é predominantemente masculina, era difícil imaginar que chegaria o dia em que o maior destaque do país em um campeonato mundial seria uma mulher. E estamos vivendo esse dia, após a quinta etapa de finais no Campeonato Mundial de piscina curta de Windsor.

Ao vencer os 50m costas com 25s82, Etiene Medeiros faz história novamente. Em 2014, foi a primeira mulher brasileira a subir em um pódio em um campeonato mundial de natação, e logo com a medalha de ouro e recorde mundial. Em 2015, em piscina longa, foi vice. Agora, pelo terceiro ano seguido, sobe ao pódio mundial da prova, mostrando grande superioridade. Fundamentos de saída, virada e ondulação perfeitos. É o segundo melhor tempo de sua vida, somente atrás do recorde mundial de 25s67 de 2014. Nem mesmo uma grande prova de Katinka Hosszu, que fez 25s99, muito comemorado, principalmente por ter sido sua terceira prova da noite, foi suficiente para ameaçar a brasileira.

Etiene encerra um ano inesquecível, que teve momentos tensos como o resultado adverso em exame antidoping por um remédio para asma. Foi absolvida e nadou a Olimpíada, alcançando uma celebrada final nos 50m livre no Rio de Janeiro. A vitória de hoje é uma motivação e tanto para os próximos anos, nos quais ela deve se concentrar primordialmente nos 50m livre.

Falando em Hosszu, o dia também foi dela. Vitoriosa nos 100m e 400m medley, o ouro nos 200m medley não foi surpresa. Talvez seu melhor resultado técnico até agora com seu 2min02s90, com superioridade flagrante: mais de dois segundos à frente da segunda colocada, melhores parciais da prova em todos os nados… Com as medalhas nos 50m costas e 200m medley, chega a oito medalhas e iguala seu recorde do Mundial de Doha-2014, compartilhado com Ryan Lochte em Istambul-2012 e Doha-2014. Se levar mais uma amanhã, nos 100m borboleta, chega a nove e se isola como recordista. Ainda nadará os 200m peito. É difícil, mas se subir ao pódio dessa, se tornará a primeira nadadora a conquistar medalhas em todos os estilos em um mundial.

 

Etiene Medeiros vai defender seu título mundial - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Etiene Medeiros – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Com a vitória nos 50m borboleta, Chad le Clos conquista a tríplice coroa no borboleta pelo segundo Mundial de curta consecutivo. É o primeiro homem a nadar abaixo dos 22 segundos desde sua vitória em Doha-2014. Com 21s98, se não tivesse respirado a primeira braçada após a virada talvez poderia ter batido seu recorde de campeonato de 21s95 e até ameaçado o recorde mundial de 21s80. Mas seus fundamentos são perfeitos para piscina de 25 metros. Em uma prova de 50m, virar junto dos adversários e estar uma braçada à frente após a parte submersa impressiona. Uma pena Nicholas Santos não ter entrado na final, pois com seu tempo da eliminatória de ontem, em que ele deu seus 100%, teria terminado na quarta posição.

Feito histórico também para o japonês Daiya Seto. Com a vitória nos 400m medley (3min59s24), conquista o tricampeonato consecutivo em piscina curta da prova, único a alcançar o feito na competição. E não só isso: como foi campeão mundial em piscina longa em 2013 e 2015, é campeão mundial da prova pelo quinto ano consecutivo. Algo semelhante só foi visto antes com Ryan Lochte, campeão dos 200m medley também em cinco mundiais consecutivos entre 2009 e 2013.

A jamaicana Alia Atkinson entrou mordida nos 100m peito contra a americana Lilly King para a revanche dos 50m. Manteve um ritmo fortíssimo até os 75 metros e cansou no final, permitindo a aproximação de King, mas a distância conseguida foi suficiente para garantir a vitória com 1min03s03 – um tanto distante do recorde mundial estabelecido na Copa do Mundo de 1min02s36, mas o bicampeonato mundial valeu.

Chad Le Clos comemora em Kazan (foto: Stefan Wermuth/Reuters)

Chad Le Clos (foto: Stefan Wermuth/Reuters)

Ao terminar a semifinal dos 100m borboleta na sexta posição com 57s10, Daiene Dias repetirá a final conseguida há dois anos em Doha. Como sua melhor marca é 56s87 e a terceira coloca hoje fez 56s68, ela saiu da prova até falando em brigar pelo pódio. Se ajustar os últimos 25 metros e a chegada, tem chances. Impressionou Katinka Hosszu, nadando 20 minutos após os 200m medley e quase quebrando seu recorde nacional, com 55s80.

Mais chances de pódio terão Felipe Lima e Felipe França nos 50m peito, classificados em segundo (26s08) e quarto (26s10), respectivamente. Lima errou a chegada e pode nadar para 25s, o que será necessário para bater o russo Krihil Prigoda que fez 25s95. França pode melhorar sua saída, que não foi tão boa como costuma. Há chance até de dobradinha, mas a concorrência é forte, como por exemplo do sul-africano Cameron van der Burgh.

Amanhã a competição termina, encerrando o ano olímpico. Ou, se você preferir, iniciando o próximo ciclo.

Por Daniel Takata


Quarto dia do Mundial de curta: Etiene em busca do bi
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Em uma sessão de finais e semifinais sem recordes mundiais nem marcas históricas, o destaque do quarto dia do Campeonato Mundial de piscina curta, ao menos para os brasileiros, foi a classificação de Etiene Medeiros na primeira posição para a final dos 50m costas.

Etiene não deu chances para o azar e, nadando na segunda semifinal da prova que defende o título, classificou-se em primeiro com 26s00. Na final de amanhã terá o desafio das duas nadadoras que completaram o pódio há dois anos, a australiana Emily Seebohm e a húngara Katinka Hosszu. Entra como favorita para a final de amanhã e deve nadar mais rápido amanhã, até porque nadou abaixo de 26 segundos abrindo o revezamento ontem.

Outra esperança brasileira de medalha, Nicholas Santos, infelizmente não terá essa chance. Com 22s82 na semifinal dos 50m borboleta, fica em 9º e fora da final. Com isso não poderá disputar o tira-teima com Chad le Clos – cada um venceu a prova uma vez nos dois últimos mundiais de curta. Uma prova irreconhecível, três décimos acima da eliminatória, na qual havia se classificado em primeiro. Reclamou pela saída ter sido demorada, o que o prejudicou em seu principal fundamento.

Michael Andrew - Foto: Federação de Natação de Cingapura

Michael Andrew – Foto: Adidas Swimming

Talvez o destaque negativo do dia vai para o russo Vladimir Morozov, de quem se esperava muito e não se obteve muita coisa. Tendo estabelecido o recorde mundial de 50s30 nos 100m medley na Copa do Mundo, e em todas as nove etapas tendo vencido, com pior tempo de 51s75, hoje viu o ouro ser ganho com 51s84. E ele ficou fora do pódio. Michael Andrew, há anos tido como o futuro da natação americana, aos 17 anos vence sua primeira prova absoluta internacional. Pódio completado por japoneses, Daiya Seto e Shinri Shioura, com Morozov nada menos em sexto lugar com irreconhecíveis 52s83. Para piorar, fez tempos mais rápidos na eliminatória e na semifinal. Ou seja, das 12 vezes que nadou no ano, fez o pior tempo justamente na final do Mundial. Ter nadado o revezamento 4x50m livre 15 minutos antes teve seu preço. E ainda teria os 50m livre.

Uma prova em que o russo entrou mordido, e que parecia que seria sua redenção. Mas após liderar 49 metros, foi surpreendido na última braçada pela surpresa Jesse Puts, da Holanda. E novamente Morozov faz um tempo que fez mais rápido na Copa do Mundo por várias vezes – em oito das nove etapas. Prova fraca, na qual o tempo do vencedor sequer daria pódio nos últimos três mundiais de curta. Mas foi o que menos importou para o holandês, que ficou surpreso com a vitória – mas não com o tempo, já que seu melhor é 21s05. Aliás esse foi o tempo de Morozov na semifinal, que lhe daria a vitória na final. Da próxima vez o russo pensará várias vezes antes de nadar várias finais em uma mesma etapa…

Quem não bobeia é Katinka Hosszu. Com habilidade impressionante nos fundamentos, mostra velocidade e vence os 100m medley com 57s24. Impressionante porque mostra domínio total nas viradas e ondulações com a explosão necessária para uma prova tão rápida, o que é de se chamar a atenção para uma nadadora especialista nso 400m medley, uma prova de fundo. A australiana Emily Seebohm e a jamaicana Alia Atkinson se aproveitaram da velocidade em suas especialidades, costas e peito, para completarem o pódio. Mas dominar vários estilos e fundamentos da prova, só mesmo Katinka Hosszu, não por acaso campeã e detentora do recorde mundial.

Katinka Hosszu: como sempre, a húngara marca presença no campeonato

Katinka Hosszu – Foto: Reprodução

Mas, fenomenal que é, Hosszu não foi páreo para as rivais nos 400m livre. Em provas como 100m e 400m medley, nos quais é absoluta, mesmo não estando em seu melhor ela consegue levar. Mas em outras provas pode faltar um pouco. Após uma temporada cheia, mostra sinais de cansaço, sem nenhuma melhor marca pessoal e por vezes nadando até pior que em competições menores esse ano. Foi o caso aqui. Com 3min59s89, piora seu tempo do Campeonato Húngaro em novembro e termina na quarta posição, perdendo o bronze no final com dificuldade para imprimir um forte final de prova para a japonesa Chihiro Igarashi. A americana Leah Smith levou seu segundo ouro, após a vitória nos 800m ontem, com 3min57s78. Após um grande ano, em que se firmou como o segundo nome da prova no mundo atrás apenas de Katie Ledecky, encerra a temporada de forma perfeita. Curiosidade: o tempo de Ledecky na Olimpíada, em piscina longa, venceria o de Smith em piscina curta, tanto nos 400m quanto nos 800m…

Nas outras provas, vitória para a dimanarquesa Jeanette Ottesen nos 50m borboleta com 24s92 e do japonês Junya Koga nos 50m costas com 22s74, além de dois ouros russos nos revezamentos do dia – 4x50m livre e 4x200m livre, ambos masculinos.

Por Daniel Takata


Terceiro dia do Mundial de curta: prata para o Brasil
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Esperamos até o terceiro dia para ver o que queríamos desde o início do Campeonato Mundial de piscina curta em Windsor, no Canadá: uma medalha para o Brasil e um recorde mundial individual. Além de história sendo feita mais uma vez por Katinka Hosszu.

O Brasil defendia o título do revezamento 4x50m medley misto, com a equipe praticamente igual à de dois anos atrás – Etiene Medeiros, Nicholas Santos e Larissa Oliveira são os mesmos nomes, com Felipe Lima no lugar de Felipe França. E as parciais foram muito parecidas: Etiene abriu para 25s93 no costas, apenas um décimo acima de 2014; Felipe para 25s46 no peito, um centésimo acima de França; Nicholas para 21s93, um décimo acima de seu tempo de dois anos atrás; e Larissa para 24s42 no livre, menos de três décimos acima de 2014. Prova com muita alternância, devido ao Brasil abrir com uma mulher no costas enquanto a maioria abriu com homens. No livre o Brasil liderava, mas foi ultrapassado pelos Estados Unidos, que fechava com Michael Chadwick. No final, prata muito comemorada com 1min37s74. Injeção de ânimo para Etiene e Nicholas, que brigarão pelo ouro nos 50m costas e borboleta, e de motivação para Felipe Lima, que não nadou bem os 100m peito mas teve a melhor parcial no revezamento e mostra que brigará por medalha nos 50m peito.

Com a medalha, o Brasil mantém a tradição: nas últimas oito edições da competição, em apenas uma o país saiu sem pódios.

Os medalhistas brasileiros - Foto: Reprodução

Os medalhistas brasileiros – Foto: Reprodução

Ontem vimos um recorde mundial no revezamento 4x50m medley feminino. Mas o primeiro recorde mundial individual veio de maneira espetacular. Com 48s08, Chad le Clos supera seu recorde dos 100m borboleta de 2014 de 48s44. A parcial de ida do sul-africano de 22s59 foi exatamente igual ao do antigo recorde, o que significa que ele melhorou nada menos quase três décimos só na segunda metade da prova. Impressionante. E vimos que ele estava com a barba por fazer e não raspou as axilas, o que pode ter sido a diferença para um possível e inacreditável 47s – que deve sair em breve. Com seu nado submerso, le Clos já pode ser considerado um dos maiores nadadores da história em piscina curta. Talvez o segundo, atrás do americano Ryan Lochte.

Outra que não se cansa de fazer história é a húngara Katinka Hosszu. Ao vencer os 200m costas, alcançou sua 18ª medalha e se tornou a maior medalhista, no feminino, na história da competição. No geral, ainda está um pouco longe de Ryan Lochte, que tem 38 pódios. Mas todas as 18 medalhas de Hosszu são individuais, contra 23 de Lochte – outro recorde que a Dama de Ferro pode buscar nessa competição. Nos 200m costas, ela nem era tão favorita, pois a ucraniana Daryna Zevina venceu cinco etapas na Copa do Mundo, contra quatro da húngara. No final, vitória para Hosszu com 2min00s79, uma marca que Zevina fez melhor duas vezes na Copa do Mundo – é a única na temporada a nadar abaixo de 2 minutos, mas hoje ficou muito longe com 2min02s24 com a prata. Hosszu ainda nadou os 800m livre mas apenas cumpriu tabela na 8ª posição. A vitória ficou com a americana Leah Smith com 8min10s17.

Chad Le Clos venceu os 100m borboleta em Glasgow - Foto: Getty Images/Mark Kolbe

O sul-africano Chad Le Clos – Foto: Getty Images/Mark Kolbe

Nas outras duas finais, quem brilhou nos Jogos Olímpicos não se deu bem. Nos 200m peito masculino, o medalhista presente, Josh Prenot, prata no Rio de Janeiro, terminou com o bronze. Marco Koch, o alemão que é adepto da hipnose como forma de concentração, entrou como favorito absoluto por ser o recordista mundial e por ter vencido os 100m peito ontem, mesmo sem essa última ser sua especialidade. Venceu sem dificuldades com 2min01s21, recorde de campeonato, subindo um degrau em relação à prata de 2014, mas não ficou satisfeito com o tempo – queria o recorde mundial de 2min00s44, que estabeleceu esse ano. De qualquer forma se recupera da decepção olímpica, em que chegou como campeão mundial e favorito e terminou fora do pódio.

Se nos 200m peito masculino o medalhista olímpico não subiu ao pódio, nos 100m livre masculino a australiana Brittany Elmslie negou a vitória para simplesmente as últimas duas campeãs olímpicas da prova: a holandesa Ranomi Kromowidjojo, ouro em 2012, e a canadense Penny Oleksiak, ganhadora em 2016. Após uma ótima saída de Kromowidjojo, Elsmlie teve um grande final de prova e venceu a holandesa nas últimas braçadas. Com 51s81, fica até longe do tempo líder do ranking mundial, da dinamarquesa Jeanette Ottesen (51s58), que decidiu se dedicar a outras provas nesse campeonato.

O terceiro dia foi sem dúvidas o mais empolgante até aqui. E o ritmo tem tudo para se manter nos três dias que restam.

Por Daniel Takata


Primeiro dia do mundial de curta: o peso do ouro olímpico
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Ninguém é campeão olímpico por acaso. Por mais clichê que a frase soe, o primeiro dia de finais do 13º Campeonato Mundial de Piscina Curta, em Windsor, no Canadá, foi uma tradução quase perfeita da sentença.

E o interessante é que, dos quatro campeões olímpicos que venceram provas individuais, três deles sequer subiram ao pódio em suas especialidades nos Jogos do Rio de Janeiro, este ano. Por pior que seja a fase, por mais que pareça que o auge já passou, jamais subestime um campeão olímpico.

Que o diga o sul-coreano Tae-Hwan Park. Com a vitória nos 400m livre com 3min34s59, em uma acirrada batalha contra o russo Alexander Krashykh e um final de prova fortíssimo, se recupera de uma frustrante Olimpíada, para a qual teve sua preparação prejudicada por ter sido suspenso por doping em 2014 e de ter recebido uma punição adicional de sua federação, ficando pendente sua participação olímpica até as vésperas do evento. Após os Jogos, fez excelentes tempos (incluindo um que lhe daria a prata olímpica nos 200m livre) e agora mostra que, oito anos após o ouro olímpico nos 400m livre em 2008, continua entre os grandes. E, após vencer Olimpíada, Mundial de longa, Jogos Asiáticos e Pan-Pacífico, conquista o único título que não tinha, o mundial de curta.

A italiana Federica Pellegrini também mostrou que a experiência de uma campeã olímpica faz a diferença. A húngara Katinka Hosszu desafiou o recorde mundial dos 200m livre na primeira metade da prova, mas Pellegrini, como de costume, não se desesperou ao se ver quase um segundo atrás. Já vimos a italiana passar muito atrás e não conseguir se recuperar, mas dessa vez conseguiu dosar de forma perfeita e ultrapassou a húngara nos últimos 50 metros. 1min51s73 é seu melhor tempo sem trajes tecnológicos (1min51s17 sendo seu recorde nacional de 2009). E, assim como Park, já havia conquistado todos os títulos possíveis na prova, exceto um mundial de curta. Agora não falta mais. Para Hosszu, sabor amargo por saber que foi com muita sede ao pote e que pagou o preço no final por iniciar muito forte. Após vencer os 200m livre em todas as nove etapas na Copa do Mundo, termina com 1min52s28, um pouco acima de seu melhor tempo na temporada de 1min52s08 na etapa de Berlim no circuito. Manuella Lyriochegou à final da prova e terminou na oitava posição com 1min55s51 (1min55s19), saindo satisfeita de sua primeira final em um Campeonato Mundial.

Federica Pellegrini - Foto: Reprodução

Federica Pellegrini – Foto: Reprodução

Mas, se nos 200m livre Hosszu não conseguiu superar a estratégia de uma especialista, o mesmo não se pode dizer dos 400m medley. Absoluta do início ao fim, a vitória com 4min21s67 veio com seis segundos de vantagem. Inclusive o tempo que lhe deu o ouro olímpico de 4min26s36, em piscina de 50 metros, seria suficiente para a vitória hoje – provavelmente uma das raras ocasiões, se não for a única, que o tempo da vitória olímpica na piscina longa daria o ouro nesse mundial de curta. O que demonstra sua enorme superioridade. Não ameaçou seu recorde mundial de 4min19s46, mas é seu melhor tempo na temporada. E, exatamente como Park nos 400m livre e Pellegrini nos 200m livre, Hosszu já havia conquistado tudo nos 400m medley, exceto um título mundial de curta. A vietnamita Ahn Vien Nguyen teria conquistado a primeira medalha da história de seu país na competição, mas foi desclassificada, deixando a prata para a americana Ella Astin. Decepção para a bronze olímpica na prova Mireia Belmonte. A espanhola havia derrotado Hosszu no Mundial de 2014. Hoje, terminou na quinta posição, 12 segundos acima do tempo de dois anos atrás. A vingança da húngara dessa vez nem teve graça.

E o vencedor olímpico dos 200m borboleta de 2012 Chad le Clos fez uma prova de contrastes. Uma aula de como se nadar e como não se nadar ao mesmo tempo. No geral não conseguiu calcular apropriadamente a aproximação nas bordas, o que resultou em entradas nas viradas ruins, algo mortal em piscina de 25 metros. No entanto suas ondulações submersas foram impressionantes e fizeram a diferença, especialmente nos últimos 25 metros. Virando na terceira posição, tirou a distância de maneira espetacular para o americano Tom Shields e o japonês Daiya Seto. Final de prova monstruoso. Resultado: ouro com 1min48s76, seu terceiro título mundial de curta na prova e sétimo nototal. Ficou apenas 20 centésimos acima de seu recorde mundial. Após a prova, disse que já está na hora do recorde cair (é de 2013), mas que a vitória valeu. É a terceira melhor marca da história. Se melhorar a entrada para as viradas, bate o recorde. Isso sem mencionar o fato de suas respiradas para o lado para olhar os adversários, algo que ele não parece conseguir, e nem querer, corrigir. Em piscina curta seu nado submerso compensa esse erro. Na longa, provavelmente foi responsável por deixá-lo fora do pódio na Olimpíada do Rio. Leonardo de Deus, com 1min52s65, termina na quinta posição com sua melhor marca pessoal (1min53s11 de 2014 era a anterior) e também sai satisfeito. É sua melhor colocação em mundiais.

Chad le Clos – Foto: Reprodução

Chad le Clos – Foto: Reprodução

E mesmo na única final individual que não contava com campeão olímpico, a medalha olímpica fez a diferença. Nos 200m medley masculino, o vencedor das últimas quatro Olimpíadas, Michael Phelps, se aposentou, e a vitória foi para o único medalhista olímpico da prova presente, o chinês Wang Shun, bronze no Rio de Janeiro. Terceiro na parcial de borboleta, liderou o restante da prova e foi levemente ameaçado somente no final pelo alemão Philip Heintz. 1min51s74 foi seu tempo, 11 centésimos acima de seu recorde nacional da etapa da Copa do Mundo de Berlim esse ano.

Vitória para os Estados Unidos no revezamento 4x100m livre feminino (destaque para a parcial de 51s04 de Kelsi Worrell), em uma prova que a equipe da casa, o Canadá, chegou na segunda posição e foi bizarramente desclassificada por suas atletas nadarem em uma ordem diferente da informada na inscrição. Em uma competição desse nível nos lembramos apenas de um caso semelhante, no Mundial de 2001 em piscina longa, no qual a equipe americana masculina foi desclassificada pelo mesmo motivo. No 4x100m livre masculino hoje, vitória para a Rússia, com destaque para a parcial de Vladimir Morozov de 45s42 – parcial nem tão impressionante, visto que ele já fez 45s57 na prova individual esse ano, mas fez a diferença na disputa contra a equipe francesa. Na terceira posição um raríssimo empate entre as equipes australiana e americana.

Amanhã grandes chances de medalha para o Brasil nos 100m peito. Felipe França passou com o segundo tempo da semifinal com 56s99, atrás dos 56s83 do alemão Marco Koch. Há dois anos, França venceu a prova e tem boa chance de buscar o bicampeonato, visto que o Koch fez a melhor marca pessoal hoje (tinha 57s01) e parece ter dado tudo, ao contrário do brasileiro que tem como melhor marca 56s25. Felipe Lima, por sua vez, com 57s71, saiu frustrado, principalmente porque seu melhor tempo esse ano é de 56s83, que o colocaria na briga por medalhas.

Por Daniel Takata


5 razões pelas quais você não pode perder o Mundial de curta
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Começa amanhã, 6 de dezembro, a 13ª edição do Campeonato Mundial em piscina de 25 metros, a chamada piscina curta, em Windsor, no Canadá. Na alternância estabelecida pela FINA de mundiais em piscina longa em anos ímpares e mundiais de piscina curta em anos pares, chegamos à edição que fecha o ano olímpico – ou, se preferir, a que inaugura o ciclo olímpico rumo a Tóquio-2020. E é assim que os nadadores presentes irão encarar o campeonato.

Certamente não será o mais forte Mundial de todos os tempos, e a ausência de estrelas é até praxe em um Mundial de curta pós-olímpico. Mas isso não significa que não veremos grandes nomes. Pelo contrário. E tenham certeza que os que estarão lá darão seu melhor, mesmo sabendo que o mais vale é piscina de 50 metros. Esperem grandes provas, fortes tempos e até recordes mundiais. O Brasil vai com uma equipe enxuta, de 13 nadadores, e pode brigar por medalhas. Não se interessou? Veja abaixo uma lista dos cinco motivos pelos quais você não pode deixar de acompanhar o Mundial de curta desse ano.

Vista do Centro Aquático Internacional de Windsor - Foto: Divulgação

Vista do Centro Aquático Internacional de Windsor – Foto: Divulgação

1. Transmissão ao vivo em horário nobre

O Brasil tem o privilégio de ter a grande maioria das principais competições internacionais televisionada – Olimpíadas, Mundiais, Pan-Pacífico, Copa do Mundo… isso sem contar os campeonatos domésticos. E não será diferente dessa vez. o SporTV irá transmitir eliminatórias e finais, a partir de amanhã. E o horário dessa vez ajuda. O fuso horário de Windsor fará com que as finais sejam transmitidas a partir das 21:30 no horário de Brasília.

2. Medalhistas olímpicos

Não vamos mentir que um Mundial de curta em ano olímpico é um tanto esvaziado. Mesmo assim, por diversos motivos – seja para se manterem em ritmo de competição, seja por causa dos generosos prêmios em dinheiro, ou simplesmente em busca da glória -, estrelas não faltarão. Serão dez campeões olímpicos presentes: Oussama Mellouli (Tunísia), Federica Pellegrini (Itália), Cameron van der Burgh (África do Sul), Ranomi Kromowidjojo (Holanda), Chad le Clos (África do Sul), Katinka Hosszu (Hungria), Lilly King (Estados Unidos), Mireia Belmonte (Espanha), Sharon van Rouwendall (Holanda) e Gregorio Paltrinieri (Itália), sendo os últimos cinco consagrados nos Jogos do Rio de Janeiro. Vários outros medalhistas olímpicos também marcarão presença, muitos deles ausentes no circuito da Copa do Mundo, realizado entre os meses de agosto e outubro. Será interessante avaliar como retornarão após o grande evento do ano.

Mireia Belmonte - Foto: Reprodução

Mireia Belmonte – Foto: Reprodução

3. Katinka Hosszu

Nos últimos anos, o nome da húngara Katinka Hosszu foi sinônimo de medalhas e recordes. Faltava a sonhada medalha olímpica, conquista que saiu esse ano com juros e correção monetária: três ouros e uma prata. Nem assim teve descanso: venceu pela quinta vez a Copa do Mundo em piscina curta, com números de vitórias, medalhas e provas nadadas impressionantes. E o objetivo é manter os números superlativos. Há dois anos, no Mundial de curta de Doha, saiu oito medalhas individuais (quatro ouros, três pratas e um bronze), recorde na história da competição. Dessa vez, está balizada em 12 provas. Dificilmente nadará todas, e ela sabe que Mundial é diferente de Copa do Mundo. Mas chegou a um nível em que consegue administrar o cansaço e se poupar para suas próximas provas mantendo excelência. Em dez provas está balizada com o primeiro ou o segundo tempo. É favorita no costas e no medley, suas prioridades. É forte candidata em provas de meio fundo de livre e borboleta. Terá o desafio de gente como Mireia Belmonte, Federica Pelllegrini, Boglarka Kapas (sua compatriota medalhista olímpica nos 800m livre) e outras, algo que não ocorreu na Copa do Mundo. Mas apostamos em um desempenho ainda melhor que o de 2014. A dama é mais de ferro do que nunca.

4. Brasileiros

O Brasil não igualará a campanha história de 2014, em que foi campeão no quadro de medalhas com dez medalhas, sendo sete de ouro. Até pela equipe reduzida, de somente 13 atletas, devido a restrições financeiras da CBDA. Mas o país tem tradição na competição, e das sete últimas edições não trouxe medalhas em somente uma. Dessa vez, alguns atletas aparecem com boas chances com os resultados obtidos no Troféu José Finkel, em setembro. Thiago Simon está com o segundo tempo nos 200m peito, atrás somente do alemão recordista mundial da prova Marco Koch. Etiene Medeiros tem o terceiro tempo dos 50m costas e é a atual recordista mundial e defensora do título obtido em 2014. Felipe Lima tem a segunda marca nos 50m peito, atrás do sul-africano Cameron van der Burgh, e exibiu grande fase na Copa do Mundo, tendo vencido a prova em seis etapas no circuito. Esses são os que estão balizados entre os três primeiros. De olho em Felipe França, atual campeão mundial de curta nos 50m e 100m peito, em Nicholas Santos, que já foi campeão mundial nos 50m borboleta em 2012 e prata em 2014, em Brandonn Almeida, que após um Open espetacular chega com o sexto tempo nos 400m medley, e Manuella Lyrio, quinto tempo nos 200m livre. A equipe é pequena e conta com ausências de destaques olímpicos como Thiago Pereira, Bruno Fratus, Marcelo Chierighini e João Gomes Junior. Mas tem tudo para dar continuidade à tradição de bons resultados do país no campeonato.

Nicholas Santos - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Nicholas Santos – Foto: Satiro Sodré/SSPress

5. Rivalidades

– Em 2014, Katinka Hosszu entrou com um programa de provas carregado, e logo no primeiro dia foi derrotada por Mireia Belmonte nos 200m borboleta e 400m medley. Apesar de se recuperar nas provas seguintes, Katinka tem até hoje aquelas derrotas engasgadas, e terá a chance de se vingar da espanhola.
– Nicholas Santos, por sua vez, tem um empate com Chad le Clos nos 50m borboleta: em 2012, venceu a prova e deixou o sul-africano com a prata, e em 2014 as posições se inverteram. O tira-teima será interessante.
– Outro que tem uma rivalidade com le Clos é o japonês Daiya Seto, que em 2014 foi derrotado por muito pouco nos 200m borboleta e esse ano chegou a derrotar o rival na Copa do Mundo.
– Recentemente Katinka Hosszu conseguiu “unificar” os recordes nacionais húngaros em piscina curta: ela é simplesmente a recordista de todas as provas individuais. É um incentivo e tanto para sua compatriota Boglarka Kapas, atual medalhista de bronze olímpica nos 800m livre. Em piscina longa ela é a melhor do país e uma das melhores do mundo, mas na curta conseguirá tirar a Dama de Ferro do trono?
– A jamaicana Alia Atkinson, após não nadar bem na Olimpíada, voltou com tudo na Copa do Mundo, com dois recordes mundiais nos 50m e 100m peito. É a favorita em suas provas, mas terá um desafio que não teve no circuito: a americana Lilly King, simplesmente a campeã olímpica dos 100m peito. King nada muito bem em piscina de 25 jardas nas competições universitárias americanas, ou seja, tem explosão e força nas viradas, características essenciais para piscina curta.

Por Daniel Takata


Juventude e experiência em Windsor
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A CBDA anunciou finalmente a convocação da seleção brasileira para o Campeonato Mundial de piscina curta, que acontecerá em Windsor (Canadá) nos dias 6 a 11 de dezembro. Ao todo serão 14 atletas, sendo cinco deles classificados por atingir os fortíssimos índices no Troféu José Finkel mês passado. Os demais 11 completam a lista devido aos índices técnicos. Uma seleção mais enxuta em relação a Doha-2014, quando o Brasil fez sua melhor campanha em Mundiais de curta e terminou como líder no quadro de medalhas. E também uma seleção que mescla experiência de atletas consagrados com a juventude de estreantes em grandes eventos internacionais.

Do grupo que irá ao Canadá temos quatro campeões mundiais individuais em piscina curta. Kaio Márcio de Almeida foi campeão mundial nos 50m borboleta no Mundial de Xangai em 2006. Seis anos depois Nicholas Santos venceu a mesma prova na disputa do Mundial de Istambul. Em Doha-2014 Etiene Medeiros fez história ao se tornar a primeira mulher brasileira a vencer uma prova em Campeonatos Mundiais de piscina. Felipe França é o mais medalhado do grupo, somando três vitórias individuais e mais três ouros em revezamentos. Além deles há ainda Larissa Oliveira, que integrou o revezamento 4x50m medley misto que foi medalha de ouro em Doha-2014.

Etiene Medeiros vai defender seu título mundial - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Etiene Medeiros vai defender seu título mundial – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Também completam o time da experiência nadadores com muitas conquistas internacionais e que chegarão a Windsor com chances de também conquistarem suas primeiras medalhas em Mundiais de curta. Atletas como Leonardo de Deus e Felipe Lima estão há anos na seleção principal, mas ainda não conseguiram subir ao pódio nesta competição. No Canadá chances da dupla ser medalhista nos 200m borboleta e 50m peito, respectivamente, são boas. Ainda há Brandonn Almeida, Manuella Lyrio, Daiene Dias, Thiago Simon e Lucas Kanieski que também acumulam experiência no selecionado nacional e vão em buscar de uma medalha inédita.

Haverá ainda duas estreias na seleção brasileira absoluta em competições de grande porte. Estreias de nadadores do Grêmio Náutico União e que fizeram ótimas campanhas no Finkel. Em 2013 Viviane Jungblut nadou o Mundial Júnior de Dubai e agora disputa seu primeiro Mundial absoluto. No Finkel foi um dos destaques batendo recordes nacionais nas provas de fundo. A grande surpresa dessa equipe é Fernando Scheffer que na seletiva para Windsor venceu os 200m livre e garantiu uma vaga ao ser um dos melhores índices técnicos do evento.

Viviane Jungblut faz sua estreia na seleção absoluta - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Viviane Jungblut faz sua estreia na seleção absoluta – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Ainda não foram divulgado se o Brasil nadará alguma prova de revezamento. Porém, pela escalação divulgada é possível montar uma equipe para o 4x200m livre, 4x50m e 4x100m medley masculino e 4x50m e 4x100m medley misto. A missão de montar e avaliar esses possíveis revezamentos ficará a cargo dos técnicos Alberto Silva, Fernando Vanzella, Carlos Matheus, Eduardo Santos e Sérgio Marques.

Por Guilherme Freitas


Felipe França, três vezes! Brasil, Brasil, Brasil no pódio
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Uma noite inspirada em Doha para os atletas brasileiros, e três medalhas de ouro colocaram o país na ponta do quadro de medalhas, empatado com a Espanha (ou Mireia Belmonte, que conquistou sozinha as três). Mas os olhos se viraram para o destaque da noite, um atleta em específico.

Felipe França: noite de herói - Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Felipe França: noite de herói – Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Felipe França teve altos. E baixos. Um leve alto outra vez, antes de quase desaparecer do cenário da natação… e voltar novamente, contratado pelo Corinthians recentemente, ele visivelmente perdeu peso, manteve sua técnica impecável do estilo de peito, e ainda a melhorou. Os resultados começaram a aparecer.

França conquistou a primeira medalha de ouro individual do Brasil no Mundial de Doha, batendo o recorde do campeonato dos 100m peito: 56s29. E ainda mais importante: em uma prova olímpica. O britânico Adam Peaty teve que se contentar com a prata, com 56s35, e Giacomo Dortona com o bronze (56s78).

A filipina de França é arrasadora, e sem dúvida sua maior arma para a vitória. No entanto, é o que seria sua desvantagem na piscina longa. O foco para 2016 não pode ser perdido pelo brasileiro.

“Dream Team”

A primeira medalha do dia, na verdade, veio com grande estilo e pulverizando recorde mundial: o quarteto fantástico dos quatro estilos brasileiro fez bonito. Guilherme Guido de costas (23s42), Felipe França no peito (25s33), Nicholas Santos no borboleta (21s68) e Cesar Cielo para fechar com 20s08 no livre. Tempo final de 1min30s51, novo recorde mundial, desbancando França e Estados Unidos, que completaram o pódio.

No duelo Cielo x Manaudou, no entanto, mísera vantagem para o francês: sua parcial foi de 20s04, quatro centésimos abaixo de Cesão.

Mulheres inéditas

O terceiro ouro do dia veio em outro revezamento, com uma marca importante para a natação feminina brasileira. Apesar do pouco prestígio, o revezamento misto cada vez se populariza mais entre as competições, e foi a vez do Brasil usar uma boa estratégia e, nas costas de Larissa Oliveira, de apenas 21 anos.

Etiene Medeiros, França, Nicholas Santos e Larissa Oliveira: inédito - Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Etiene Medeiros, França, Nicholas Santos e Larissa Oliveira: inédito – Foto: Satiro Sodré/SSPRESS

Etiene Medeiros abriu com um tempo espetacular: 25s83 fortíssimos nos 50m costas. Apenas 13 centésimos acima do recorde mundial. Primeira vez que ela rompeu a barreira dos 26s, e o que a credencia com força para sua prova individual. Infelizmente o tempo não pode ser homologado como recorde sul-americano, por se tratar de abertura de revezamento misto. Felipe França foi sensacional outra vez e, com 25s45, alcançou os rivais que tiveram seus revezamentos iniciados por homens. Nicholas Santos foi buscar os adversários que faltavam e, com a parcial de 21s81, entregou na frente para Larissa Oliveira fechar. A paulista cravou 24s17 fortíssimos e assegurou o terceiro ouro da seleção com 1m37s26, a apenas nove centésimos do recorde mundial.

Técnicos pulando, cronômetros quase sendo atirados ao chão, e muitos sorrisos nos rostos principalmente das duas garotas: tornaram-se as primeiras brasileiras a conquistarem uma medalha em um mundial. Daiane Becker, que nadou as eliminatórias do 4×50 medley misto, também recebeu a medalha.

Outras medalhas, medalhas, medalhas!

Nada de Kosuke Hagino. O atual campeão mundial de piscina longa da prova unificou seus títulos, e Daiya Seto venceu os 400m medley com folgas, com o tempo de 3m36s33, o primeiro ouro do Japão no Mundial. Hagino ficou com a prata, com 4m01s17.

A lituana Ruta Meilutyte fez um ótimo duelo com Alia Atkinson nos 50m peito e acabou vencendo com 28s84 contra 28s91 da jamaicana. Ficou um gosto de quero mais, pois apenas quatro centésimos a separaram do recorde mundial. Que pode ver nos 100m peito.

Katinka Hosszu levou sua primeira medalha de ouro, e bateu o recorde mundial nos 100m costas: 55s03. Uma marca praticamente inacreditável para uma nadadora especialista em provas longas como 400m medley e 800m livre. Prata para a australiana Emily Seebohm (55s31), enquanto Etiene encerra em sétimo lugar, com 57s72. No masculino, Guilherme Guido acabou piorando sua marca da semifinal e acabou em quinto, com 50s21. Caso repetisse seu 50s12, teria ficado na terceira posição, mas assim é a natação: centésimos por vezes são crueis. O australiano Mitchell Larkin venceu com 49s57, atacando o final de prova.

Chad Le Clos garantiu seu segundo ouro – com recorde mundial! – nos 100m borboleta: 48s44. Liderou toda a prova e não deu oportunidades para seus adversários. Tom Shields levou a prata com 48s99, e bronze para Tommaso D’Orsogna, 49s60. Marcos Macedo reconheceu que errou uma das viradas, e acabou em 8º lugar com 50s47. Ryan Lochte nadou a prova, embora poucos tenham percebido. Apagado, ficou à frente apenas do brasileiro, em 7º lugar.

Para fechar com chave de ouro, o terceiro ouro da atleta da competição até aqui: Mireia Belmonte derrotou sua rival húngara mais uma vez. E nesta, com mais propriedade do que nunca. Nos 800m livre, ficou longe do seu próprio recorde abaixo dos 8 minutos, mas com com 8min03s41, bateu recorde de campeonato. A prata teve uma briga de centésimos, vencida por Carlin com 8m08s16 contra van Rouwendaal, um centésimo acima. Katinka Hosszu cansou e praticamente desistiu da prova, fechando na nona colocação geral com 8m20s71.

No revezamento 4x200m livre masculino, a jovem geração brasileira temrinou em sexto lugar, com recorde sul-americano para João de Lucca, que abriu para um espetacular 1min41s85. Gustavo Godoy, Fernando Ernesto e Gabriel Ogawa completaram o time. Os Estados Unidos venceram a prova de forma emocionante e levaram o primeiro ouro do país na competição.

Semifinais

São dois brasileiros classificados para as finais da terceira etapa. Daynara de Paula estabeleceu novo recorde sul-americano nos 50m borboleta, com25s54, rompendo a barreira dos 26s; e Cesar Cielo, com um bem administrado 20s80, está na decisão dos 50m livre com a melhor marca, contra 20s88 de Vladmir Morozov e 20s93 de Florent Manaudou.

Larissa Oliveira bateu o recorde sul-americano nos 100m livre com 52s75, mas terminou na 10ª colocação na semifinal e não se classificou.

Por Mayra Siqueira


Mireia Belmonte: a Dama de Aço!
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Que dia! Quando nos surpreendemos com resultados, geralmente quer dizer que o mesmo de sempre não aconteceu. É sempre interessante observar o inesperado se desenhar diante dos nossos olhos. No primeiro dia do Mundial de Doha, algumas marcas importantes foram batidas e os brasileiros se saíram bem, mas o que levantou o apaixonado por natação da cadeira ou sofá foram dois duelos já salientados pela Swim Channel.

Neste espaço, vocês leram sobre as grandes disputas entre Katinka Hosszu e Mireia Belmonte, e não vale aqui repetir todas as provas e números que caíram com as duas na piscina. Sim, foi dito o equilíbrio entre as duas nos 200m borboleta, e a superioridade da Dama de Ferro nas provas de medley. Pois bem, o aço espanhol venceu o ferro húngaro! Duas vezes. Com recordes mundiais.

Mireia celebra: ela fez história

Mireia celebra: ela fez história

Mireia entrou em cena com a melhor marca nos 200m borboleta, mas tudo o que Katinka fez na temporada, inclusive sendo reconhecida pela FINA como melhor nadadora do ano, colocava o favoritismo ao seu lado. A húngara liderou a prova, passando forte e à frente da linha do recorde praticamente o tempo todo. Mas aquela “travada” que não estamos acostumados a ver na Dama de Ferro aconteceu. A espanhola cresceu ao final do percurso, e fez uma marca espantosa: baixou dos dois minutos pela primeira vez, batendo 1min59s61, novo recorde mundial. Shane Tsup, técnico e marido de Hosszu, fez caras de poucos amigos na comemoração de Belmonte.

Katinka retornou à piscina minutos depois, como já está acostumada em suas maratonas de provas. Na semi, passou com o terceiro tempo para a final dos 100m costas, e se preparou para mais uma decisão. Um novo embate com a rival nos 400m medley.

A prova dos quatro estilos parecia mais fácil, e terreno conhecido e no qual a húngara domina. Ou dominava. Até os 250m. Na virada para os últimos 50m do nado de peito, Mireia emparelhou e, partindo para o crawl, já estava à frente. Mais uma vez, a Dama de Ferro cansou. Com aproximadamente um corpo de vantagem, a espanhola abocanhou sua segunda medalha, com outro recorde mundial: 4min19s86, e fez seu treinador Fred Vergnoux vibrar com a pupila. A poucos metros, Shane Tsup atirava seus papéis no chão.

Rivalidade à parte, as conquistas de Mireia são ainda mais salientes pelo ineditismo de suas marcas. Nunca uma mulher havia baixado dos dois minutos nos 200m borboleta, ou dos 4min20s nos 400m medley. Provas absolutamente bem nadadas pela espanhola, e uma estratégia suicida e mal calculada da húngara. Louros para a jovem beldade.

Final  200m livre masculino

Chad Le Clos foi à Doha para brilhar. Já conquistou seu primeiro ouro, nos 200m livre, com 1min41s45, desbancando Ryan Lochte. O norte-americano, ainda assim, conquistou sua 31ª medalha em Mundiais de Curta, e a 78ª em torneios internacionais. Izotov apareceu com uma prova bem feita e discreta, e com um final fortíssimo levou a prata com 1min41s67. Lochte fica com o bronze 1min42s09.

Semifinal 50m peito feminino

Um centésimo! Ruta Meilutyte fez uma ótima prova outra vez, e ficou pertíssimo de bater o recorde mundial, com 28s81. Lado a lado estava Alia Atkinson, com 28s99. A decisão de quinta-feira será entre as duas.

Semifinal 100m costas masculino

Com uma prova de viradas fortíssimas, Guilherme Guido bateu 50s12 e brigará pelo pódio na final. Está com a segunda marca, atrás do australiano Mitchell Larkin, o único abaixo dos 50 segundos: 49s62. Guido foi bronze na prova na edição de Istambul-2012.

Semifinal 100m peito masculino

Felipe França fez uma prova consistente, e segurou nos 25m finais. Terminou sua série com 57s21, sexto tempo geral. O destaque foi para Adam Pety, que com 56s43 bateu o recorde britânico da prova e o de campeonato. Cameron van der Burgh também avançou à final na frente do brasileiro.

Semifinal 100m costas feminino

Quase não deu para Etiene Medeiros! A colocação assustou um pouco: quarta em sua série, mas encerrou com a sétima marca, e está na final. Pela segunda vez no dia a brasileira bateu o recorde sul-americano, agora com 57s13. Ela evoluiu na prova, mas tem poucas chances de brigar por medalha se não conseguir nadar para a casa dos 56s na decisão. Daria Zevina classificou-se em primeiro, com 56s23, seguida por Emily Seebohm (56s32) e Hosszu (56s65), cansada e se poupando para a final.

Semifinal 100m borboleta masculino

Uma surpresa brasileira: Marcos Macedo abaixou sua marca e acabou com o quarto tempo para a final, 50s03. Ele irá para a decisão atrás de Chad Le Clos, D’Orsogna, Shields, e ao lado de Losuke Hagino e Lochte. Nicholas Santos cansou no final da prova e terminou em 14º, com 50s79.

Revezamentos

Sem Cesar Cielo, que optou por não nadar a final após ajudar o Brasil a se classificar no revezamento, os nadadores acabaram com a oitava colocação. Não havia chances sem o principal atleta brasileiro. A França, impulsionada por um inspiradíssimo Florent Manaudou, venceu com novo recorde de campeonato. O rival de Cielo nadou para 44s80. Impressionante! Liderados por Morozov, que fez 45s51 e novo recorde de campeonato, a Rússia ficou com a prata, e os Estados Unidos com o bronze. O revezamento feminino da Holanda bateu o recorde mundial do 4x200m livre, com 7min32s85.

Por Mayra Siqueira