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Matthew Webb: o pioneiro do Canal da Mancha
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A travessia do Canal da Mancha é a prova mais nobre e famosa das águas abertas. Todo o nadador de águas abertas já ouviu falar pelo menos uma vez na vida nesta prova que anualmente leva dezenas de atletas as águas geladas do canal para tentar concluir a prova. Uma lista seleta de lendas e grandes nadadores já atravessaram o estreito que separa o norte da França do sul da Inglaterra. Mas para que essa prova chegasse a esse status de importância foi necessário haver um início. E hoje seria o aniversário deste pioneiro: o capitão Matthew Webb.

Nascido há exatos 169 anos, no dia 19 de janeiro de 1848, Webb entrou para a história do esporte a se tornar a primeira pessoa a realizar a travessia do Canal no Mancha a nado e sem auxílio nenhum de equipamentos. Durante toda sua vida ele foi um apaixonado pela natação e era famoso pela grande resistência de nadar grandes distâncias. Ainda na juventude ingressou na marinha britânica onde fez carreira até chegar ao posto de capitão. Em uma de suas missões pela marinha ele acabou ganhou projeção nacional quando tentou salvar a vida de um homem que se afogava nas águas do Oceano Atlântico e ganhou uma medalha pelo ato de bravura.

O capitão Matthew Webb – Foto: Reprodução

O capitão Matthew Webb – Foto: Reprodução

Ao ler em um jornal sobre uma tentativa frustrada da travessia no Canal da Mancha Webb resolveu encarar o desafio. Motivado treinou e se preparou por alguns anos para tentar registrar o feito. No dia 12 de agosto de 1875 ele fez sua primeira tentativa, mas os fortes ventos o obrigaram a recuar. Duas semanas depois, no dia 24 de agosto ele partiu de Dover a caminho de Calais. Sem nenhum auxílio técnico e vestindo apenas um maiô, Webb cobriu seu corpo com óleo para se proteger do frio e caiu nas gélidas águas do canal. Após 21h45min ele finalmente chegou a costa francesa e tornou-se o primeiro ser humano a atravessar a nado o Canal da Mancha.

Durante a prova Webb tomou café e cerveja, comeu bacon e óleo de fígado de bacalhau além de nadar em zigue-zague devido as correntes, o que aumentou em dezenas de quilômetros o percurso da prova. Após a travessia bem-sucedida ele foi saudado como um grande herói nacional e passou a viajar pelo mundo divulgado a natação e seu feito. Como já havia atravessado o Canal da Mancha passou a desafiar novas águas internacionais e realizar eventos de resistência e longas durações. Em 1883 ele tentou atravessar a nado o Rio Niágara, que fica abaixo das famosas cataratas, porém, no meio do caminho acabou entrando em um redemoinho e veio a falecer, fazendo aquilo que mais adorava.

Pintura mostra como teria sido o desembarque de Webb em Calais – Foto: Reprodução

Pintura mostra como teria sido o desembarque de Webb em Calais – Foto: Reprodução

O capitão Matthew Webb deixou um enorme legado para a natação em águas abertas, sendo eternizado no Hall da Fama das águas abertas em 1863 e no Hall da Fama da natação em 1865. Após seu sucesso muitos nadadores passaram a realizar a Travessia do Canal da Mancha e a adotar as águas abertas como estilo de vida. “Nada grandioso é fácil”. Essa é a frase que esta registrada em seu memorial na cidade Dawley. Uma afirmação perfeita para representar o que o feito de Webb significa.

Por Guilherme Freitas


A primeira piscina olímpica
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Há duas semanas o palco da natação dos Jogos Olímpicos deste ano foi apresentado ao público, aos atletas e ao mundo. O moderno Estádio Olímpico Aquático, localizado dentro do Parque Olímpico do Rio-2016 impressionou pela beleza, arquitetura e infraestrutura. Sem dúvida será uma das arenas que serão lembradas eternamente quando falarmos de natação olímpica no futuro. Mas você sabe qual foi a primeira piscina construída para a realização de uma edição olímpica? Depois de três disputas em águas abertas (em 1896 no mar, em 1900 em um rio e em 1904 em um lago), a organização dos Jogos de Londres-1908 resolveu construir uma piscina temporária para a disputa olímpica.

Os moldes da piscina dos Jogos de 1908 são surreais em comparação aos dias de hoje. A piscina de 100 metros de comprimento foi montada dentro do White City Stadium, porém, não foi o estádio que teve que ser adaptado (como aconteceu com a Kazan Arena no Mundial de Esportes Aquáticos do ano passado. A piscina foi colocada num canto do estádio, entre o gramado e as arquibancadas (veja na imagem abaixo). Algo impensável para os dias atuais já que parte do público não conseguiria assistir as provas devido a distância física e também prejudicaria os patrocinadores que perderiam visibilidade com placas de publicidade afastadas do campo de visão.

Público acompanha as provas de natação em 1908 - Foto: Getty Images

Público acompanha as provas de natação em 1908 – Foto: Getty Images

Grande potência na época dos Jogos, o Império Britânico detinha colônias na Ásia, África e América do mundo, o Reino Unido resolveu não economizar nos gastos para os Jogos. A começar pelo estádio White City onde estava sediada a piscina. Com capacidade para 68 mil pessoas (atingia 110 mil com acentos temporários) o local, construído na zona leste de Londres, custou 60 mil libras (algo em torno de 6,5 milhões de libra ou aproximadamente R$ 33 milhões atualmente) e ainda sediou outras modalidades como atletismo, futebol, hóquei na grama, saltos ornamentais, polo aquático e ciclismo.

Nesta Olimpíada aconteceram apenas seis provas, todas no masculino: 100m, 400m e 1500m livre, 100m costas, 200m peito e revezamento 4x200m livre. Os nadadores britânicos foram os grandes vencedores ao ganharem sete medalhas, sendo quatro de ouro. O atleta da casa, Henry Taylor foi o principal nome da Olimpíada ao conquistar três medalhas de ouro.

Nadadores largam para prova em 1908 - Foto: British Olympic Association

Nadadores largam para prova em 1908 – Foto: British Olympic Association

Um dos grandes templos do esporte britânico, o Whity City Stadium sobreviveu ao longo do século XX. Nele foram realizadas outros grandes eventos como os Jogos do Império Britânico em 1934, corridas de motocross e partidas de futebol do time do Queens Park Rangers. Em 1985 aconteceu a demolição do estádio e no local foi construído um novo complexo de prédios da emissora de TV BBC.

Por Guilherme Freitas


Alfréd “Hajós”: o primeiro campeão olímpico
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Daqui a 140 dias os principais nadadores do mundo caíram nas águas do Estádio Olímpico Nacional para disputar a 28ª edição da natação nos Jogos Olímpicos. Todos vão busca da glória máxima: a medalha de ouro. Desde a primeira edição dos Jogos, em 1896, os nomes dos heróis olímpicos são gravados na história para toda eternidade. Mas você sabe quem foi o primeiro atleta a conquistar essa tão valiosa honraria?

O primeiro nadador campeão olímpico atende pelo nome de Alfréd “Hajós” Guttmann. Nascido em Budapeste, no dia 1º de fevereiro de 1878, ele também esta na história de seu país por ter sido o primeiro medalhista de ouro da Hungria em uma Olimpíada. Aos 13 anos ele resolveu se dedicar a natação após ver o pai se afogar no Rio Danúbio e também adotou o apelido pelo qual ficou conhecido ao longo de sua carreira: Hajós, que significa marinheiro em húngaro. Cinco anos depois ele cursava arquitetura e disputou a primeira edição dos Jogos Olímpicos, que aconteceram em Atenas.

Alfréd “Hajós”: o primeiro campeão olímpico - Foto: Reprodução

Alfréd “Hajós”: o primeiro campeão olímpico – Foto: Reprodução

Na Olimpíada Hajós se inscreveu para disputar as três provas do programa: 100m, 500m e 1200m livre que aconteceram nas águas geladas do Mar Mediterrâneo no Porto de Zea. A primeira foi a dos 100m livre, por isso o famoso apelido de prova nobre, em que ele venceu com o tempo de 1min22s2. Minutos depois aconteceu a disputa dos 500m, mas Hajós não se recuperou a tempo de disputá-la e só voltou a água para encarar os 1200m livre vencendo também com 18min22s2. Com duas medalhas de ouro ele ganhou elogios do príncipe grego Constantine I e tornou-se o mais jovem medalhista daquele edição olímpica.

De volta a Hungria Hajós recebeu reconhecimento de seus conterrâneos pelo feito, menos pelo reitor da universidade onde ele estudava. Após conseguir com muito esforço uma licença para poder nadar em Atenas e faltar as aulas, o reitor teria dito que não se importava com as medalhas e sim com as faltas dele, exigindo  dedicação de Hajós nas próximas atividades escolares. Além de campeão olímpico Hajós foi campeão europeu nos 100m livre em 1895 e 1896. Apaixonado por futebol ele defendeu a seleção húngara de futebol e foi técnico da equipe no início do século XX.

Alfréd “Hajós”: o primeiro campeão olímpico - Foto: COI/Reprodução

Alfréd “Hajós” foi arquiteto de sucesso e jogador de futebol – Foto: COI/Reprodução

Hajós voltaria aos Jogos Olímpicos em 1924, quando disputou a competição de artes. Naquela época também eram julgados por uma comissão os melhores projetos arquitetônicos olímpicos e ele ganhou a medalha de prata com um projeto de estádio. Em sua carreira de arquiteto ele projetou diversas instalações esportivas na Hungria. Um dos mais famosos é o Complexo Aquático Nacional, que hoje leva seu nome e foi palco de vários campeonatos internacionais de esportes aquáticos. Em 1966 ele entrou de forma póstuma para o Hall da Fama da Natação. Hajós faleceu em Budapeste, no dia 12 de novembro 1955. O ponto final de uma carreira pioneira e uma vida de muitas glórias.

Por Guilherme Freitas


Maria Lenk vai virar museu
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A pioneira da natação brasileira agora terá um museu. Não será um museu físico como o de Pelé, outro grande nome do esporte nacional, tem em Santos. Maria Lenk terá um museu online, que estará aberto 24 horas por dia e disponível para pessoas de todo o mundo. O site será chamado de Museu Maria Lenk e terá diversos acervos digitalizados entre fotos, vídeos, recortes de reportagens de jornais e objetos pessoais da nadadora que faleceu em 2007 aos 92 anos de idade, pouco antes dos Jogos Pan-Americanos.

Maria Lenk tinha o costume de registrar diversas notícias sobre si que eram publicadas na imprensa escrita. Ela recortava as reportagens e as guardava em um fichário especial. A grande maioria deste acervo registra o auge da carreira de Maria dentro das piscinas, entre 1932 e 1945. Foi nesse período que ela tornou-se a primeira mulher brasileira a disputar uma Olimpíada em 1932 e quando bateu os recordes mundiais dos 200m e 400m peito.

Maria Lenk em 2007 - Foto: Satiro Sodré

Maria Lenk em 2007 – Foto: Satiro Sodré

Todos esses registros foram mantidos pela pioneira da natação nacional, porém, com o passar dos anos ela passou para Lamartine da Costa a responsabilidade de cuidar do acervo. O professor de estudos olímpicos armazenou toda esta relíquia na biblioteca Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. Porém, ano passado a universidade foi descredenciada pelo MEC (Ministério da Educação) e acervo de Maria Lenk teve que deixar o local. A ideia de digitalizar todo esse material surgiu após o COI (Comitê Olímpico Inetrnacional) criar um programa que visa preservar a história dos esportes olímpicos através da internet ou museus.

Em conversa com Ricardo de Moura, coordenador técnico da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Lamartine então levou a ideia a frente e teve apoio da CBDA. O museu virtual deverá estar finalizado até o final do ano. Há a idéia de no futuro expor todo esse acervo histórico fisicamente. Uma justa homenagem a centenária e pioneira Maria Lenk.

Por Guilherme Freitas


Maria Lenk: 100 anos
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Há exatos 100 anos nascia na cidade de São Paulo, Maria Emma Hulga Lenk Zigler, ou simplesmente Maria Lenk. A pioneira da natação nacional, que faleceu aos 92 anos em 2007, tem uma bela história no esporte nacional e deixou importantes legados para a modalidade.

Maria Lenk começou a dar suas braçadas aos dez anos de idade no tradicional Clube de Regatas do Tietê. Na época não havia piscina no clube e as aulas eram feitas no próprio Rio Tietê, outrora límpido e cristalino. O principal motivo para Maria começar a nadar foi uma pneumonia que ela havia contraído na infância. Começou e não parou mais. Nadou até o último dia de sua vida.

Maria Lenk em 2007 - Foto: Satiro Sodré

Maria Lenk em 2007 – Foto: Satiro Sodré

Em 1932, ela se tornou a primeira nadadora sul-americana a disputar uma Olimpíada: em Los Angeles. E também esteve nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, quando chegou até as semifinais dos 200m peito revolucionando o mundo ao nadar a distância no estilo borboleta. O grande ápice de sua carreira aconteceu em 1939, quando bateu os recordes mundiais dos 200m e 400m peito. Maria Lenk era a melhor nadadora do mundo nestas distâncias e era a favorita para ganhar a medalha de ouro na próxima Olimpíada, mas quis o destino que isso jamais acontecesse.

Devido a II Guerra Mundial (1939-1945) as edições olímpicas de 1940 e 1944 jamais aconteceram. Em 1940 Maria Lenk estava no auge da forma física e técnica. Se aqueles Jogos Olímpicos, planejados para acontecer inicialmente em Tóquio, ocorressem poderíamos ver a história coroar Maria Lenk como a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica.

Maria Lenk durante sua juventude - Foto: Reprodução

Maria Lenk durante sua juventude – Foto: Reprodução

Maria nunca deixou o esporte e a natação de lado. Após parar de nadar competitivamente ela foi importante na implementação do curso de educação física no Brasil e da criação da Escola Nacional de Educação Física. Continuou nadando como master, ajudando a implementar esta categoria no Brasil. Em 1988 foi a primeira atleta do Brasil a entrar para o Hall da Fama da Natação e como nadadora master bateu recordes mundiais e conquistou diversos títulos.

Faleceu no dia 16 de abril de 2007, vítima de uma parada cardiorrespiratória logo após se sentir mal durante um treino na piscina do Flamengo, no Rio de Janeiro. Infelizmente não viveu para ver o belo complexo aquático erguido para os Jogos Pan-Americanos daquele ano que leva seu nome, assim como o principal campeonato nacional em uma homenagem póstuma.

Maria Lenk foi a pioneira do nado borboleta - Foto: Reprodução

Maria Lenk foi a pioneira do nado borboleta – Foto: Reprodução

Até hoje, Maria Lenk tem admiração e respeito de toda a comunidade aquática, inclusive por aqueles que não a conheceram pessoalmente ou nem a viram dar suas braçadas em alguma piscina deste mundo. Quando se fala em natação aqui no Brasil, seu nome logo vem a mente graças a sua carreira exemplar e pioneira dentro da piscina e aos legados deixados para futuras gerações. Tudo isso faz de Maria Lenk uma personagem de suma importância para o esporte olímpico brasileiro. Uma mulher forte que não deixou de nadar até o último dia de sua vida.

Por Guilherme Freitas


Que fim levou? – parte 3
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Hoje encerramos a pequena série das três partes sobre como estão as piscinas onde foram disputados os Jogos Olímpicos. Nesta última parte escrevemos sobre os palcos olímpicos de 1984 até 2012. A grande maioria dessas piscinas continua aberta e sediando eventos nacionais e internacionais, além de serem abertas para as populações locais. Para ler a primeira parte da série, clique aqui, e para ler a segunda, clique aqui.

Los Angeles-1984: A piscina do Olympic Swim Stadium esta localizada dentro do campus da University of Southern California. Ela era aberta e tinha oito raias, ao contrário das dez das últimas edições olímpicas. A rede de fast food Mc Donalds foi um dos financiadores da obra. Em 2013 ela foi fechada para reformas e reaberta este ano com nome de Uytengsu Aquatics Center, em homenagem ao ex-aluno da USC Fred Uytengsu que doou US$ 8 milhões para a reforma. A piscina é palco de competições e local de treinamento da equipe USC Trojans.

Seul-1988: Nomeado Jamsil Indoor Swimming Pool este complexo aquático demorou três anos para ser concluído e apresentou poucas inovações tecnológicas em relação as arenas olímpicas anteriores. Ao longo dos anos o local passou por reformas e teve sua capacidade reduzida para 8 mil lugares. Atualmente serve como base para equipes competitivas e recreação para a população local.

A piscina dos Jogos de Barcelona-1992, que funciona até hoje - Foto: florita_squabs

A piscina dos Jogos de Barcelona-1992, que funciona até hoje – Foto: Florita Squabs

Barcelona-1992: Construída em 1970, a Piscines Bernat Picornell é uma das piscinas mais tradicionais da Europa. O local, batizado em homenagem a um dos fundadores da Federação Espanhola de Natação, recebeu pequenos ajustes para sediar os Jogos em 1992. Atualmente o local é aberto para a população de Barcelona e eventualmente sedia campeonatos nacionais na Espanha. No Mundial do ano passado, foi palco das disputadas do polo aquático.

Atlanta-1996: Piscina da edição centenária dos Jogos Olímpicos, a Georgia Tech Aquatic Center esta localizada dentro do campus da universidade de mesmo nome. Até os dias de hoje ela é utilizada pelos alunos da universidade e também para sediar eventos da natação americana. Em 2011 sediou o The Duel in the Pool, quando a seleção americana nadou contra um combinado europeu.

Sidney-2000: Começou a ser construída em 1992 e foi inaugurada em 1994. O plano inicial era de fazer mais uma piscina pública e de recreação na cidade e quando Sidney ganhou o direito de sediar os Jogos, a piscina passou por alguns ajustes para receber o evento. Renomeada como Sydney Olympic Park Aquatic Centre, o local ganhou arquibancadas provisórias para quase 17 mil pessoas. Hoje é uma piscina pública.

O tanque de saltos ornamentais de Atenas está abandonado - Foto: Milos Bicanski/Getty Images

O tanque de saltos ornamentais de Atenas está abandonado – Foto: Milos Bicanski/Getty Images

Atenas-2004: Esta piscina também não foi erguida visando os Jogos, mas depois que Atenas ganhou o direito de sediar a Olimpíada se tornou uma instalação olímpica. Rebatizada como Athens Olympic Aquatic Centre, a piscina era ao ar livre e nunca teve sua cobertura concluída por falta de dinheiro. O complexo aquático funcionou nos anos seguintes, sendo abandonado aos poucos e teve um trágico destino. Hoje o tanque de saltos ornamentais está totalmente vazio e a piscina da natação esta fechada, com água pelo menos, mas completamente abandonada.

Pequim-2008: Uma das construções olímpicas mais arrojadas, tinha o teto revestido de três mil bolhas de plástico translúcidos e ultra-resistente, que a noite ficavam coloridas, dando a sensação de estar debaixo d’água. Por essa característica o Beijing National Aquatics Center ganhou o apelido de Cubo D’Água. Atualmente a piscina ainda funciona, intercalando ora eventos de natação, ora atividades de recreação, se transformando em Parque Aquático.

Londres-2012: Última piscina olímpica, o London Aquatics Centre teve um design bastante futurista, que parecia uma nave espacial graças as arquibancadas provisórias que pareciam duas asas. As arquibancadas foram retiradas após os Jogos e a piscina passou a ter capacidade para pouco mais de 2 mil pessoas, servindo como local para treinamento e também atendo a população londrina. Será sede do Campeonato Europeu de 2016.

O magnífico Cubo D'água  em Pequim - Foto: David Gray/Reuters

O magnífico Cubo D’água em Pequim – Foto: David Gray/Reuters

Pelo que pudemos ver ao longo de deste passeio pela história olímpica, com algumas poucas exceções, boa parte das piscinas estão abertas e em plenas atividades. Sediam competições de alto nível, servem de espaço para treinamento de atletas e o mais importante, são abertas o público em geral como uma ferramenta de lazer ao cidadão comum. Esse é o legado olímpico. Esperamos que o Estádio Olímpico Aquático, que está sendo projetado para os Jogos do Rio-2016, também tenha o mesmo destino de outras instalações. Que fique de legado ao Brasil!

Por Guilherme Freitas


Que fim levou? – parte 2
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Dando sequência a primeira das três partes sobre o que estão as piscinas onde foram disputados os Jogos Olímpicos, chegamos o segundo texto que vai abordar o que aconteceu com os palcos olímpicos de 1948 até 1980. Nesta época, muitas das piscinas continuam existindo e sendo utilizadas pelas populações locais, um claro exemplo do legado olímpico. Para ler a primeira parte da série, clique aqui.

Londres-1948: Pela segunda vez sediando uma Olimpíada, dessa vez os londrinos não construíram uma piscina provisória dentro de um estádio como em 1908. Erguida em 1934 para os Jogos do Império Britânico, antigo nome do Commonwealth Games, a Empire Pool sobreviveu aos bombardeios da II Guerra Mundial e sediou a natação olímpica. A piscina foi demolida no fim dos anos 70 e no local foi construída a moderna Wembley Arena, uma arena multiuso que recebe diversos eventos e show e também foi utilizada nos Jogos de 2012.

Helsinque-1952: A capital finlandesa deveria ter sido sede olímpica em 1940, mas II Guerra Mundial adiou o evento para 1952. Para não ser um elefante branco nesta época, o tanque vazio da Swimming Stadium foi utilizado como base de estoque de alimentos que eram enviados em seguida para soldados que lutavam no front. Construída em um local com ampla área verde, atualmente o local é aberto ao público e funciona como local de recreação durante o verão finlandês.

A piscina de Helsinque fica numa área verde e aberta ao público - Foto: J-P Kärnä

A piscina de Helsinque fica numa área verde e aberta ao público – Foto: J-P Kärnä

Melbourne-1956: Construída especialmente para os Jogos, o Swimming and Diving Stadium só ficou pronto poucas semanas antes da competição. O local foi durante muito tempo exclusivo para prática da natação, mas passou por uma reforma na década de 80 e tornou-se uma arena multiuso. Ainda existe por lá uma piscina de 25 metros que junto com uma academia e sala de ginástica, atendem a população local.

Roma-1960: Uma das piscinas mais famosas do mundo, o Stadio Olimpico de Nuoto está localizado no Foro Olímpico da capital italiana. Na época foi uma das construções mais revolucionárias, com sistema de iluminação subaquática e novos modelos de blocos de partida. Desde então o local recebeu diversos eventos internacionais, como os Campeonatos Mundiais da Fina de 1994 e 2009. É hoje uma das principais piscinas da Europa.

Tóquio-1964: O Yoyogi National Gymnasium foi de fato a primeira piscina multiuso da história. Construido com um design arrojado, o complexo teve uma piscina olímpica temporária instalada apenas para as provas de natação em 1964. Dias depois o tanque aquático dava lugar a uma quadra para sediar os jogos de basquete da Olimpíada. A piscina não existe mais atualmente e o local é uma arena multiuso que sedia eventos esportivos e shows musicais.

O Foro Italico Romano, palco dos Mundiais de 1994 e 2009 -Foto: Reprodução

O Foro Italico Romano, palco dos Mundiais de 1994 e 2009 -Foto: Reprodução

Cidade do México-1968: Erguida para os Jogos Olímpicos, a Alberca Olímpica Francisco Márquez tinha um teto em formato de onda e profundidade menor do que as habituais na época. Após anos abandonada e fechada, a piscina foi reativada em 2009 após uma reforma de quase US$ 2 milhões. Hoje é aberta ao público para atividades de recreação, aulas e eventos competitivos.

Munique-1972: A Olympia Schwimmhalle é até hoje considerada por muitos como uma das melhores da história. Devido a sua grande profundidade e bordas na altura da água, o que evitava ondas, muitos nadadores conseguiram recordes e ótimos tempos pessoais. Projetada inicialmente para ser descoberta, a piscina teve que ter uma cobertura atendo uma exigência do Comitê Olímpico. Ela existe até hoje e teve sua capacidade reduzida. É aberta a população local.

Montreal-1976: Construída com muitas inovações da época, a Olympic Pool fica ao lado do estádio Olímpico. Foi a primeira piscina olímpica com dez raias e contava com um moderno sistema de bombeamento. Atualmente a piscina esta fechada passando por reformas e vai reabrir em 2015 podendo ser novamente utilizada para eventos nacionais e recreação.

Moscou-1980: A piscina do Olimpiysky Sports Complex foi projetada especialmente para os Jogos e assim como a de Montreal, era coberta e apresentava dez raias. Entre a piscina de natação e o tanque de saltos ornamentais havia uma gigante parede de vidro, que possibilitou que os dois eventos acontecessem ao mesmo tempo. É aberta ao público e sedia eventos internacionais, como etapas da Copa do Mundo da Fina.

A piscina de Montreal esta atualmente sendo reformada e reabre em 2015 - Foto:  Tony Hisgett

A piscina de Montreal esta atualmente sendo reformada e reabre em 2015 – Foto: Tony Hisgett

Por Guilherme Freitas


Que fim levou? – parte 1
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Ainda faltam 641 dias para o inicio dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016, pouco menos de dois anos. A natação, um dos esportes mais importantes do programa olímpico, teve seus horários definidos e anunciados esta semana. As eliminatórias começaram as 13h e as finais serão realizadas as 22h. Todas as provas serão disputadas no Estádio Aquático Olímpico, a nova piscina que será erguida dentro do Centro Olímpico da Barra da Tijuca.

As obras deste novo complexo esportivo vão começar no ano que vem. Mas você sabe o que aconteceu com os outros 30 locais que ao longo da história sediaram a natação olímpica? Começamos aqui no blog uma série especial de três artigos contando um pouco mais sobre o que aconteceu com as piscinas das Olimpíadas. Hoje falamos das dez primeiras edições, de 1896 a 1936. Confira abaixo:

Atenas-1896: Na primeira competição olímpica as provas foram disputadas nas águas no Porto de Zea, localizado no subúrbio de Atenas. Naquela época não existiam piscinas e os nadadores tiveram que nadar em águas abertas. Hoje o local é um movimentado porto e conta ainda com uma marina onde são praticados esportes náuticos.

Paris-1900: Um dos maiores cartões postais da cidade luz foi palco das disputas aquáticas desta edição olímpica. O Rio Sena foi o local escolhido para realizar as provas de natação. Naquela Olimpíada os atletas nadaram a favor da corrente e em meio ao trânsito de barcos. Até hoje o local é um dos mais visitados e admirados de Paris, e às vezes acontecem provas de águas abertas por lá.

O Rio Sena foi palco da natação em Paris-1900 - Foto: Reprodução

O Rio Sena foi palco da natação em Paris-1900 – Foto: Reprodução

Saint Louis-1904: Pela primeira vez a natação não foi disputada em águas abertas. A organização dos Jogos construiu um lago artificial dentro do Forest Park, um dos maiores dos Estados Unidos. As largadas eram feitas em uma balsa dentro da água. O parque segue sendo bastante visitado atualmente, mas o lago onde aconteceram as provas não existe mais.

Londres-1908: Primeira vez na história que a competição ocorreu em uma piscina. Ela foi montada de forma temporária dentro do White City Stadium, estádio recém-construído para 70 mil pessoas. A piscina tinha 100 metros de comprimento. Ao longo de décadas o local sediou diversos eventos esportivos, mas foi demolido em 1985 para construção de um novo complexo de prédio da emissora BBC.

Estocolmo-1912: Assim como nas duas primeiras edições, as disputas aconteceram em águas abertas na baía de Djurgårdsbrunnsviken. Esta foi também a primeira vez na história que as mulheres nadaram. O local de nome quase impronunciável é atualmente uma grande baía e onde ocorrem provas de remo e algumas travessias.

Antuérpia-1920: As provas de natação foram disputadas no Stade Nautique d’Antwerp, construído especialmente para esportes aquáticos. Na época atletas reclamaram da água fria e escura da piscina e logo após nadarem tomavam duchas de água quente para se aquecer. O local já não existe mais.

A piscina de Paris-1924 foi reformada e esta assim atualmente - Foto: Reprodução

A piscina de Paris-1924 foi reformada e esta assim atualmente – Foto: Reprodução

Paris-1924: Na segunda Olimpíada disputada em Paris, a natação ocorreu na Piscine des Tourelles, um parque aquático erguido para o evento. A piscina existe até hoje e recebeu o nome de Georges-Vallerey em homenagem ao nadador francês que disputou os Jogos de 1924. Passou por uma ampla reforma ao longo dos anos e atualmente é uma piscina que atende a população parisiense.

Amsterdã-1928: Localizado dentro do Parque Olímpico de Amsterdã, a piscina do Olympic Sports Park Swim Stadium foi construída especialmente para os Jogos Olímpicos. E coloque especialmente nisso, afinal no ano seguinte ela foi demolida.

Los Angeles-1932: O famoso Los Angeles Swimming Stadium foi uma das maiores construções para aqueles Jogos com mais de 10 mil lugares. O local funcionou até 1984 e ficou fechado até 2002, sendo reaberto totalmente modernizado e rebatizado com o nome de John C. Argue Swim Stadium/LA84 Foundation. Hoje é a maior piscina pública de Los Angeles.

Berlim-1936: Considerada uma das mais modernas inovações para os Jogos de Berlim, a Olympiapark Schwimmstadion Berlin chegou a acomodar mais de 20 mil espectadores durante o evento. A piscina era mais funda que as da época, com azulejos de porcelana e sistema de bombeamento. O parque aquático, que hoje é uma piscina pública para atender a população, fica atrás do Estádio Olímpico de futebol.

A piscina de Berlim-1936 hoje em dia - Foto: Andreas Levers

A piscina de Berlim-1936 hoje em dia – Foto: Andreas Levers

Por Guilherme Freitas


Troféu Kim Mollo: uma tradicional competição da natação paulista
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Ocorre esta semana, entre os dias 1º e 3 de maio, uma das competições mais tradicionais da natação paulista. Trata-se do Troféu Kim Mollo, evento que chega a sua 21ª edição e é realizado anualmente na cidade de Mococa. Este campeonato é disputado na piscina curta da Associação Esportiva Mocoquense, mesmo local onde acontece o Troféu Chico Piscina. Porém, esta piscina menor do clube conta com uma curiosidade: ela tem apenas sete e não oito raias.

O Kim Mollo é disputado normalmente no início do mês de maio, antecedendo a temporada de inverno dos campeonatos estaduais. Participam da competição nadadores das categorias petiz I e II, infantil I e II e juvenil I e II das oito regiões da Federação Aquática Paulista. Como o estado de São Paulo tem muitos clubes filiados, a FAP é dividida em oito delegacias regionais. A 1ª tem sede em São Paulo e é composta por clubes da capital. A 2ª engloba clubes da região de Campinas, a 3ª equipes da região de Marília, a 4ª de São José do Rio Preto, a 5ª de Jaboticabal, a 6ª de São José dos Campos e Vale do Paraíba, a 7ª de Santos e litoral e a 8ª do ABC paulista.

Vista aérea do Parque Aquático da Mocoquense - Foto: Reprodução

Vista aérea do Parque Aquático da Mocoquense, local de disputas do Kim Mollo – Foto: Reprodução

Os atletas caem na água apenas uma vez e o melhor tempo (independentemente da bateria em que tenha nadado) é declarado o vencedor da prova. Na quinta-feira, dia 1º, será realizado o congresso técnico. Nos dias 2 e 3 acontecem as disputas dentro d’água. No Kim Mollo são disputadas as seguintes provas: 50m, 100m e 400m livre, 100m costas, 100m peito, 100m borboleta, 200m medley e os revezamentos 4x50m livre de cada categoria.

O campeonato tem esse nome em homenagem a Francisco de Assis Mollo. Conhecido como Kim Mollo, ele foi um famoso entusiasta e treinador de natação do interior paulista, tendo revelado muitos atletas, inclusive, alguns deles chegaram a defender a seleção brasileira. Desde 2000 o título está em posse da 1ª região, equipe que conta com os clubes da capital e já soma 14 títulos consecutivos. A 2ª região venceu o torneio em quatro oportunidades (1994, 1996, 1997 e 1998) e a 3ª região tem dois títulos (1995 e 1999).

Para acompanhar e conhecer mais sobre o evento, acesse o site oficial do evento clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


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