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Heróis do Canal da Mancha participam de bate-bapo em São Paulo
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Amanhã acontece no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, um encontro com grandes nomes das águas abertas do Brasil. Oito dos 33 brasileiros que já conseguiram atravessar a nado o Canal da Mancha segundo a Organização do Canal da Mancha estarão presentes a partir das 18h30 para um bate-papo aberto ao público. Organizada pela Associação 14 Bis, entidade criada recentemente e responsável pela organização da tradicional Maratona Aquática 14 Bis, o evento pretende enaltecer os feitos desses atletas, além de ajudar na divulgação e popularização da modalidade.

Considerada como uma das provas em águas abertas mais difíceis e desafiantes do mundo devido as águas frias que separam a Inglaterra da França e pela força da correnteza que pode fazer a empreitada durar muito mais do que o planejado, a travessia do Canal da Mancha é uma das mais nobres (senão a mais) do planeta, além da enorme concorrência para realizar a prova. No evento os atletas contarão um pouco de suas experiências pessoais. Revelações, curiosidades e técnicas para cumprir o desafio serão compartilhados entre os presentes, uma forma aprender um pouco mais e uma forma de incentivo para quem sonha em um dia atravessar o estreito de 33 km de percurso.

O recordista sul-americano Adherbal de Oliveira – Foto: Desafio 7 Mares/Facebook

Neste bate-bapo estarão presentes oito nadadores: Ana Mesquita, a quinta brasileira a completar o feito e autora do livro A Travessura do Canal da Mancha, Igor de Souza, o único brasileiro a fazer o percurso em ida e volta em 1997, Percival Milani, 9º brasileiro a completar a prova e autor do livro A Travessia do Canal da Mancha, Marta Izo, que concluiu a travessia na modalidade solo em 2006 e em revezamento ida e volta em 2011, Harry Finger, 18º brasileiro a completar a prova, Samir Barel, conquistador da Tríplice Coroa das Águas Abertas, Adherbal de Oliveira, atual recordista sul-americano da travessia e Marcelo Teixeira, último brasileiro a completar o Canal em 2016.

O Sesc Bom Retiro fica localizado na Alameda Nothmann, nº 185, no Bairro do Bom Retiro e próximo a estação da Luz do metrô. O bate-papo acontecerá no Teatro da unidade das 18h30 as 20h.

Por Guilherme Freitas

Entrevista com Igor de Souza
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Igor de Souza é uma referência e um dos maiores nadadores do Brasil nas águas abertas. Tricampeão da tradicional Volta de Manhattan e com outras dezenas de famosas travessias concluídas no currículo, ele tem como maior feito em sua carreira atravessar o Canal da Mancha três vezes. A primeira foi em 1996 quando partiu da Inglaterra e chegou a costa francesa em 11h06min. No ano seguinte ele voltou para as águas gélidas do Canal e tornou-se o primeiro brasileiro a completar o percurso em ida e volta. Um pioneiro que hoje auxilia nadadores a atravessar o Canal e tem em sua agenda compromissos marcados até 2019!

Atualmente diretor do Circuito Maratona Aquática, o mais antigo evento por etapas de águas abertas do país e que tem inscrições para a etapa do Guarujá abertas na SWIM CHANNEL, e gerente de marketing esportivo da Speedo Brasil, Igor contou nesta entrevista um pouco mais sobre sua carreira, os métodos de treinamento para cruzar o Canal da Mancha e outros momentos marcantes de suas braçadas pelo mundo. Leia abaixo.

O nadador Igor de Souza – Foto: Tuca Vieira

SWIM CHANNEL: Conte um pouco sobre sua carreira de nadador. Que clubes você representou quando nadava?

Igor de Souza: Meu primeiro clube foi o Clube Atlético Aramaçan em Santo André. De lá fui para o SERC Santa Maria de São Caetano do Sul e depois para a equipe da Pirelli de Santo André. Também treinei um período na Hebraica e depois no Paineiras do Morumby. Outro local por onde passei foi o IARA Clube de São Bernardo Campo, além de treinar em vários locais fora do país, como EUA, Austrália e Itália.

SC: Qual foi a sua primeira experiência nas águas abertas e porque decidiu nadar apenas essas provas mais longas?

Igor: Minha estreia em provas de águas abertas foi em 1974 aos 11 anos, na Represa Billings. A prova se chamava Travessia São Paulo à Nado e era um dos maiores eventos esportivos de São Paulo, patrocinado pelo Jornal A Gazeta que também organizava a São Silvestre e a Corrida de Ciclismo 9 de Julho. Era uma prova internacional, que tinha como convidados os atuais campeões mundiais dos 1500m livre masculino e 800m livre feminino. A distância era de 1,5 km. A decisão de nadar maratonas aquáticas veio evoluindo, sempre estive entre os melhores nadadores de 1500m livre do país, mas a nível internacional era mero coadjuvante. Nas provas de águas abertas que eram realizadas no Brasil vencia a maioria com certa facilidade. Fui convidado pelo então Diretor de Águas Abertas da CBDA, Sr. Abílio Couto, a participar do Campeonato Mundial da Modalidade que ocorreu na Itália, terminei na quarta colocação. Sempre treinei muito e vi nas maratonas aquáticas um esporte em que eu poderia ir melhor, além de sempre ter gostado de nadar no mar.

Igor atravessou três vezes o Canal da Mancha – Foto: Reprodução/Speedo

SC: Sobre o Canal da Mancha como surgiu a ideia faze-lo ida e volta? Como foi essa preparação para encarar o desafio?

Igor: Quando cruzei o Canal da Mancha pela primeira vez fui com a intenção de estabelecer um novo recorde para a prova, apesar de ter sido o mais rápido do ano, meu tempo foi muito acima do imaginado e descobri que cruzar o canal da mancha é a grande conquista, pois fazer um bom tempo na prova não depende apenas de sua condição física, depende das condições climáticas e de muita sorte. Depois do Canal, fui disputar as outras etapas do circuito mundial e conversando com vários atletas que já haviam cruzado o canal aprendi que buscar um bom tempo de cruze no canal exige fatores que não posso controlar, mas fazer a prova ida e volta, são 90% de condicionamento físico e apenas 10% das condições climáticas. Eu queria me provar, eu precisava saber do meu limite. A preparação basicamente foi a mesma que tive para me preparar para nadar o circuito mundial, inclusive, nadei as etapas do circuito antes do canal, pois dependia de bons resultados no circuito para poder fazer caixa e pagar as despesas da prova do canal. A única diferença dos outros anos de preparação foi minha preocupação de não aguentar o frio ou de “apagar” durante a prova. Para isto fiz alguns trabalhos diferenciados físicos e mentais. Para me manter focado o tempo todo, me aprofundei no taoísmo, uma filosofia chinesa que ajuda na concentração. Trabalhei minha mente para fixar que a prova era ida e volta e não que seriam duas provas, a de ida e depois a de volta, em tudo o que fazia no treino e fora dele tinha na minha cabeça que era ida e volta, por exemplo, iniciava os treinos com 800m, dividia mentalmente em 400m de ida e 400m de volta e assim por diante. Para não “apagar” na prova, pois poderia nadar até pouco mais de 24h, fiz três treinos de 24 horas nadando, no melhor deles nadei 112,8 km, melhor marca do mundo na época. Também nadei algumas vezes sozinho na represa Billings, inciando os treinos por volta das 21h e terminando somente ao amanhecer. Com todo este trabalho me senti muito bem durante toda a prova e muitos me perguntam se foi a prova mais difícil que nadei e digo que não foi, nadei provas menores em que terminei muito mais desgastado. Acho que a razão foi o medo, não tinha medo do canal, não tinha medo de morrer, mas tinha muito receio de não conseguir e por esta razão treinei excessivamente e respeitei muito o canal durante toda a prova.

Igor com Gustavo Borges em evento da Speedo – Foto: Igor Andrade

SC: Outra prova que você ganhou é a Volta de Manhattan. Na sua opinião qual dessas conquistas foi mais especial?

Igor: A prova de Manhattan é uma conquista diferente do Canal da Mancha. No canal sua disputa principal é com você mesmo. Já em Manhattan era como as demais provas do circuito mundial, era uma competição. Manhattan era uma prova de grande domínio de americanos e australianos. Vencê-la te ajuda a inflar o ego, a mostrar que esta tão bem preparado como os melhores do mundo, já o canal te eleva o espírito, te alimenta a autoconfiança e te dá a sensação de gratidão pelo anos de trabalho.

SC: Além das funções de diretor e coordenador técnico você também acompanha nadadores que pretendem travessar o Canal da Mancha. Como está trabalho atualmente? Há atletas visando concluir a prova este ainda ano?

Igor: Há 16 anos levo atletas para o Canal da Mancha, já acompanhei 92 nadadores. E a cada ano vem aumentando a procura por este desafio, já tenho reservas para atletas até 2019. O clima mundial ajudou a tornar o canal um pouco mais acessível. Em 1996 quando cruzei pela primeira vez a temperatura oscilava em torno dos 11ºC, atualmente a média do canal fica em 13,8ºC, são quase 3 graus a mais, mas igualmente muito perigoso, as metodologias de treinamento, suplementação e auxílio médico também evoluíram muito, mas mesmo com tudo isto a média hoje de sucessos no canal não chega a 20%.

SC: O que esta achando do Circuito Maratona Aquática deste ano até o momento? E quais são as expectativas para as próximas etapas?

Igor: Estou surpreso com o volume de atletas praticantes, com a crise que assola o país, imaginava que teríamos uma queda nos participantes e para nossa surpresa vem se mantendo o volume de inscrições. Além da crise econômica, este é um ano complicado para realização de eventos, pois ocorreu as eleições municipais e com ela muda-se todas a máquina administrativa. Então é como começar do zero, mas mesmo assim estamos tendo um numero maior de cidades interessadas do que o número de etapas disponíveis.

Por Guilherme Freitas


Samir Barel atravessa o Canal da Mancha
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O nadador paulista Samir Barel entrou neste fim de semana para um seleto grupo de atletas de águas abertas: o daqueles que conseguiram atravessar a nado o mítico Canal da Mancha. Conhecido por ser um dos desafios mais difíceis da águas abertas, este estreito de água tem cerca de 34 quilômetros e separa a Inglaterra da França. Muitos atletas já tentaram atravessar o canal, mas nem todos conseguiram devido as complicadas situações do percurso, como a poderosa correnteza, as águas geladas e os fortes ventos que atingem a região.

Samir planejava atravessar o Canal da Mancha desde 2013 e vinha se preparando para o desafio há muito tempo. Para encarar essa missão ele fez diversas simulações e também competiu em outras famosas travessias internacionais como a Travessia de Manhattan (onde venceu a prova de 45 km) e as etapas do Grand Prix de águas abertas da Fina, o circuito mundial com provas de mais de 15 km de distância. A preparação deu certo e no último sábado ele conseguiu completar o desafio.

Samir se hidrata durante a travessia - Foto: Nicolas Fenzl

Samir se hidrata durante a travessia – Foto: Nicolas Fenzl

“É realmente uma prova especial, totalmente imprevisível e implacável. Larguei às cinco da manhã, no começo peguei uma temperatura boa no Canal, o dia estava bom, com sol, então acabei dando sorte no clima. Mas no final, a pouco mais de peguei uma correnteza imprevista no qual demorava praticamente dez minutos para nadar um trecho curto de 100 metros, dada a força da corrente. Isso me atrasou bastante, no final acabei nadando 46 km para cruzar esse último trecho. Para mim essa prova representa uma verdadeira uma lição de vida, pessoal e profissional. envolve muita garra e determinação, além de muita disciplina e planejamento durante a preparação, que durou praticamente um ano. Estou muito feliz e agradecido pela força e apoio de todos, isso foi essencial para conclusão do desafio. Senti muito frio, muita dor no quadril, não consegui trabalhar tão bem a perna pela tensão, então nadei literalmente no meu limite. Foi uma prova realmente de muita superação. Fiquei admirado e agora respeito ainda mais essa prova”, conta Samir que tem como técnico uma pessoa que conhece como poucos o Canal da Mancha: Igor de Souza, que é o atual recordista do trajeto de ida e volta do canal.

Com a conquista do Canal da Mancha, Samir agora pretende concluir o famoso Desafio dos sete mares que reúne as travessias mais difíceis das águas abertas que são o Canal de São Jorge entre a Irlanda e a Escócia, o Estreito de Cook na Nova Zelândia, o Canal Moloka’i no Havaí, o Canal de Catalina em Los Angeles, o Estreito de Tsugaru no Japão e o Estrito de Gibraltar entre a Europa e a África, além do Canal da Mancha.

Samir em ação durante a travessia - Foto: Nicolas Fenzl

Samir em ação durante a travessia – Foto: Nicolas Fenzl

Para atravessar o Canal da Mancha é necessário entrar em contato com a organização da travessia e fazer uma reserva de data e alugar um barco com guia. De acordo com dados da própria organização cerca de 280 atletas por ano se inscrevem para desafiar as águas do canal, mas apenas 8% deles consegue concluir o percurso. Agora, Samir Barel faz parte deste seleto grupo.

Por Guilherme Freitas


Travessia do Leme ao Pontal foi treino teste para o Canal da Mancha
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Realizar a tentativa de atravessar o trecho de natação em águas abertas mais famoso do mundo, não é novidade para ninguém.  Mas o que conta é o caminho de preparação que atletas do mundo inteiro elaboram para completar o desafio.

Neste último domingo, o major da aeronáutica Adherbal Oliveira, tornou-se o segundo atleta a nadar do Leme ao Pontal, um dos trechos litorâneos mais belos do planeta.  Adherbal largou às 2 horas da manhã e terminou as 11h23min, totalizando 34 km em 9 horas e 23 minutos.

Adherbal Oliveira e Luiz Lima - Foto: André Lima

Adherbal Oliveira e Luiz Lima – Foto: André Lima

Ao chegar ao Pontal (praia da Macumba) quem estava na areia para cumprimentar o atleta, era simplesmente Luiz Lima, o pioneiro do percurso Leme ao Pontal, e um dos principais nadadores de longa distância da historia nacional.

Adherbal está com 45 anos e demonstrou estar em plenas condições para o Canal da Mancha. Seu técnico, Renato Ribeiro, já havia realizado treinos com 5 horas, 6 horas e 7 horas de duração e estava confiante para o desafio completado neste domingo e não esconde felicidade do planejamento trabalhado ate momento. Ambos comentam que a primeira metade da travessia foi relativamente fácil (do Leme até a Barra da Tijuca) e que na segunda metade a correnteza estava contra e as condições marítimas estavam menos favoráveis, mas nada alarmante.

Adherbal Oliveira durante a travessia - Foto: André Lima

Adherbal Oliveira durante a travessia – Foto: André Lima

O mais interessante foi perceber que cada vez mais a natação assume características de equipe e não somente de uma modalidade individual. Adherbal treina na equipe Navegantes, que tem como base dos treinos no  mar o posto 6 de Copacabana. Durante todo o trajeto, o atleta contou com a torcida de sua equipe e inclusive seus companheiros realizam algumas etapas do percurso nadando lado a lado e ajudando no ritmo de braçadas.

Adherbal alem da equipe Navegantes, conta com patrocínio da MAP consultoria e está com estrutura exemplar para a travessia do Canal da Mancha, que tem como data prevista a primeira semana de setembro deste ano.

Por Patrick Winkler


Nadadora morre ao tentar cruzar o Canal da Mancha
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O Canal da Mancha é um dos maiores desafios (se não o maior) para nadadores de águas abertas de todo o mundo. Este braço de mar liga o sul da Inglaterra ao norte da França. É no Estreito de Dover, ponto mais afunilado do canal com 33 km de distância, que ocorrem as tentativas de travessia a nado. Grandes nomes das águas abertas já tiveram a honra de cruzar as míticas águas do canal, como os brasileiros Abílio Couto e Igor de Souza, por exemplo. Porém, essas águas que podem trazer glória, também podem reservar tragédias.

Imagem de satélite mostrando o Canal da Mancha

Conhecido pelas águas geladas e ventos frios, atravessar o Canal da Mancha requer bastante preparo físico e mental. É comum haverem desistências ou mudanças de data para as tentativas devido aos fatores climáticos. E infelizmente, mortes já foram registradas nessas águas. Em 1988, a experiente nadadora brasileira Renata Agondi faleceu após uma falha na rota de sua travessia. Ela se cansou demais e nadou por muito tempo na água gelada, contraindo uma forte hipotermia. E esta semana o Canal da Mancha registrou mais uma perda para o esporte.

A nadadora Susan Taylor faleceu tentando atravessar o canal

Trata-se da nadadora inglesa Susan Taylor, que faleceu no último domingo tentando cruzar as gélidas águas do canal. Susan, de 34 anos, tentava realizar o feito visando arrecadar fundos para uma instituição beneficente de portadores de diabetes. Ela partiu da costa britânica e quando restavam apenas 1,5 km para ela chegar na França começou a se sentir mal e foi retirada da água pelo barco de apoio que a acompanhava. Equipes de resgate foram chamadas para prestar os primeiros socorros e levaram a atleta de helicóptero até um hospital, mas Susan não resistiu.

A causa da morte ainda não foi divulgada, mas pode ter sido por hipotermia, já que a temperatura da água no momento era de 15º C. Susan já havia disputado outras travessias antes, mas era a primeira vez que desbrava o Canal da Mancha. Para se proteger do frio ela usou gordura de ganso sobre a pele e o maiô. A Channel Swimming Association, entidade responsável pelas travessias no canal, publicou uma carta lamentando o fato e emitindo pesar pela morte de Susan.

Vista das gélidas águas do Canal da Mancha

Mas a tragédia não impediu que o objetivo da travessia fosse alcançado. Após a morte da nadadora aconteceu uma grande mobilização e muitas doações foram feitas para a conta da entidade beneficente que ela tentava ajudar através de suas braçadas. Este foi o último legado deixado por Susan Taylor.

Por Guilherme Freitas


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