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Arquivo : Jogos Olímpicos

Sarah Sjöstrom se aproxima de recorde mundial
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Este mês de abril esta sendo bastante intenso e recheado de competições pelo mundo. Canadá, Austrália, China, Holanda e Suécia realizam ou realizaram eventos nos últimos dias que são válidos como seletivas ou torneios para conseguir índice para o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos em Budapeste. Já tivemos resultados bem expressivos como os 21s55 de Cameron McEvoy nos 50m livre e os 3min42s16 de Sun Yang nos 400m livre. Mas ninguém vem sendo mais implacável neste início de temporada do que Sarah Sjöstrom.

Depois de uma bela temporada em 2016, quando conquistou três medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e melhorou seu recorde mundial nos 100m borboleta, a sueca começou 2017 com tudo. Disputando o Aberto de Estocolmo, a velocista conquistou quatro medalhas de ouro com tempos bem fortes em todas as provas. O melhor desempenho veio nos 50m livre onde Sjöstrom ficou a míseros 10 centésimos de bater o recorde mundial que ainda pertence a alemã Brita Steffen feitos no Mundial de Roma-2009 na era dos trajes tecnológicos.

A sueca ficou a 10 centésimos do recorde mundial – Foto: Gian Mattia D’Alberto/Lapresse

Em Estocolmo Sjöstrom não deu chances a campeão olímpica Pernille Blume e venceu com 23s83, superando também o recorde nacional que era de Therese Alshammar desde 2009. Plume chegou num distante segundo lugar com 24s15. Outro resultado expressivo veio nos 100m livre com novo recorde sueco: 52s54, marca que a coloca também no topo do ranking mundial em 2017 a frente das irmãs Campbell que também já nadaram este ano abaixo dos 53 segundos. Ela ainda venceu os 50m e 100m borboleta com 24s96 e 56s26 respectivamente.

Extremamente veloz e cada vez mais constante, Sjöstrom renovou no começo do ano seu contrato de patrocínio com a Arena até os Jogos de Tóquio-2020. A sueca vive desde 2015 o melhor momento da carreira medalhando nos principais campeonatos internacionais e estabelecendo novos recordes ou marcas pessoais. Sem dúvida um nome para acompanharmos com atenção e ficar de olho daqui a três meses em Budapeste.

Por Guilherme Freitas


Cameron McEvoy: o mais rápido do mundo em 2017
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Os Jogos Olímpicos do Rio-2016 foram ruins para a natação australiana. Considerados como os grandes favoritos para terminarem na frente no quadro de medalhas e com uma nova geração que prometia brilhar na piscina carioca, os aussies tiveram um desempenho bem abaixo do esperado no Olympic Aquatic Stadium. Deixaram o Rio de Janeiro com apenas dez medalhas conquistadas, um número modesto para quem é uma potência mundial da natação e ainda mais diante do desempenho avassalador dos americanos com 33 pódios.

Mas pelo que parece os Jogos Olímpicos já ficaram para trás. Começou ontem, em Brisbane, o Campeonato Australiano de natação que será seletiva do país para o Mundial de Esportes Aquáticos. Até a próxima quinta-feira os principais atletas do país cairão na água em busca não só das vagas para o time que vai a Budapeste-2017, mas também buscando reerguer a natação australiana. E pelos resultados até aqui a missão está sendo cumprida.

Cameron McEvoy começou bem a temporada mais uma vez – Foto: Reprodução

Logo no primeiro dia de competições já tivemos um resultado bastante expressivo. O velocista Cameron McEvoy venceu os 50m livre anotando o tempo mais rápido do mundo em 2017: 21s55. O nadador foi absoluto em toda a prova e não foi ameaçado em momento algum já que o segundo colocado, James Roberts, chegou 36 centésimos depois. McEvoy ainda nadou hoje os 200m livre terminando em quinto lugar com 1min47s60. Ele ainda tem na quarta-feira os 100m livre para disputar. McEvoy busca um destino diferentes das temporadas anteriores quando cravava as melhores marcas no início do ano e depois não conseguia melhorá-lhas nos principais eventos.

Outros bons resultados vieram nas provas femininas. Nos 100m livre as irmãs Campbell fizeram as melhores marcas da temporada 2017. Nas eliminatórias Cate marcou 52s78 e na final Bronte foi mais veloz com 52s85. Destaque também para os 53s12 de Emma McKeon que mostram que o 4x100m livre aussie chegará bem a Budapeste. Já nos 100m costas Emily Seebohm não deu chance as adversárias e com 58s62 fez seu melhor resultado na distância desde o Campeonato Australiano do ano passado. Outros campeões nestes primeiros dias foram Mitchell Larkin nos 200m costas (1min56s66), Emma McKeon nos 100m borboleta (57s27), David Morgan nos 100m borboleta (51s81) e Mack Horton nos 400m livre (3min44s18).

As irmãs Campbell lideram o ranking dos 100m livre em 2017 – Foto: Reprodução/Internet

O Campeonato Australiano pode ser acompanhado ao vivo pelo streaming através do site oficial da Federação Australiana que você pode ver aqui. As finais tem transmissão diária a partir das 19h30 locais (6h30 no horário de Brasília). Os resultados completos de todas as provas podem ser encontrados aqui.

Por Guilherme Freitas


Cesar Cielo, o mentor
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Cesar Cielo e Alberto Silva (foto: Ricardo Bufolin/ECP)

Maio de 2004. Gustavo Borges disputa sua última edição de Troféu Brasil (hoje Troféu Maria Lenk). Conquista sua última medalha, uma prata, no revezamento 4x100m livre, nadando pelo Pinheiros. Meses depois, competiria pela última vez nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Nadando na mesma equipe de Gustavo naquele Troféu, um jovem nadador conquistaria sua primeira medalha na história da competição. Nos anos seguintes, Cesar Cielo subiria muitas vezes ao pódio. Mas aquele revezamento foi simbólico. Foi como uma passagem de bastão, do maior nome da geração anterior para o futuro maior nome da geração seguinte da natação do país.

Por isso, a frase proferida por Cesar, hoje, em entrevista coletiva no Pinheiros para apresentação da equipe do clube para 2017, teve um quê de perplexidade: “estou treinando com o filho do Gustavo!”

Sim, o tempo passa. E Cesar se dá conta disso quando divide a piscina do Pinheiros com Luiz Gustavo Borges, filho do maior medalhista olímpico da natação do país e que mostra talento como velocista. E se lembra daquele Gustavo de 2004, que foi aos Jogos Olímpicos de Atenas menos para disputar medalhas e mais como um mentor e líder de uma jovem equipe na qual despontavam, entre outros, Thiago Pereira, Joanna Maranhão, Kaio Márcio de Almeida e Flavia Delaroli.

Não que nesse retorno de Cesar ao Pinheiros ele não queira brigar por lugares no pódio. Nisso ele não mudou em nada. “Voltei para dar o melhor de mim. Estou treinando muito bem, como não fazia há três ou quatro anos. Quero nadar bem o Troféu Maria Lenk, daqui um mês. Se ainda não for suficiente para eu me classificar para o Mundial de Budapeste, não vou me desesperar. Vou continuar trabalhando. Assinei com o clube por dois anos para ter esse tempo.” E completa: “aqui no Pinheiros a competitividade entre os atletas ajuda bastante. Estou adorando treinar e tomar pau nos treinos do Pedro Spajari e do Gabriel Santos”, disse o único medalhista de ouro olímpico da natação brasileira, referindo-se às duas jovens revelações do clube. E é aí que entra o Cesar dessa nova fase.

“Estou em uma fase de me redescobrir na piscina. Quero ir para o Mundial, mas não me pressiono tanto para isso”, afirmou, em uma declaração impensável há alguns anos. “Na verdade, aqui no Pinheiros quero nadar bem, mas também quero servir como um mentor, com minha experiência. Quero ajudar e ser útil nesse processo rumo aos Jogos Olímpicos de 2020, mesmo se eu não estiver lá.”

O tempo sabático que tirou após não ter se classificado para a Olimpíada do Rio de Janeiro o fez colocar as coisas em perspectiva. Percebeu que, mesmo fora da competição, ainda era um nome relevante. E que poderia contribuir muito para o esporte do país.

“Antes eu vinha para o treino no sábado e queria ir embora logo para casa. Agora sou sócio do clube, venho de sábado e domingo, curto com meu filho e minha esposa. É legal ver as pessoas no clube e saber que sou uma referência. Quero usar isso como retorno para a natação.”

Nadadores olímpicos do Pinheiros e o recém-inaugurado quadro de recordes da piscina (foto: Ricardo Bufolin/ECP)

Hoje, Cesar teve a placa do recorde mundial dos 50m livre, que bateu na piscina do Pinheiros em 2009, reinaugurada. E os nadadores olímpicos do clube, entre os quais João Gomes Júnior, Manuella Lyrio, Guilherme Guido, Larissa Oliveira e Luiz Altamir Melo, participaram da inauguração do quadro de recordes da piscina.

Exatamente na mesma piscina em que, em 2004, em um evento comemorativo, Gustavo Borges fez sua despedida da natação. E em que hoje Cesar treina com o filho do ídolo.

Uma medalha olímpica já estava na mente daquele Cesar Cielo de 2004. Mas não imaginava as voltas que a vida daria e que fariam dele hoje um líder.

Para ele, um feito tão recompensador como subir no alto do pódio.

Por Daniel Takata


Top 10 – Thiago Pereira
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Ontem a noite durante a cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico, Thiago Pereira anunciou oficialmente sua aposentadoria das piscinas sendo aplaudido de pé por todos os presentes ao Teatro Bradesco. Medalhista olímpico, maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos entre todas as modalidades, campeão mundial em piscina curta e dono de mais de 700 medalhas ao longo da carreira, o nadador de 31 anos estava sem clube desde o fim do ano passado e optou por encerrar sua vitoriosa carreira. Sobre seus feitos publicamos um texto especial que você pode ler clicando aqui.

Nesta matéria, um misto de nostalgia e admiração, listamos dez provas simbólicas, históricas e inesquecíveis do nadador ao longo desses anos de glória alcançadas nas piscinas. Aproveite e relembre conosco essas provas:

Thiago surgiu para o mundo em 2004 - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Thiago surgiu para o mundo em 2004 – Foto: Satiro Sodré/SSPress

200m medley – Campeonato Sul-Americano de Maldonado, Uruguai. 2004.

Este foi o cartão de visitas de Thiago Pereira para o mundo. Na 37ª edição do campeonato continental o jovem nadador de 18 anos estabelecia um novo recorde sul-americano para a prova com 2min00s19 e de quebra atingia o índice olímpico para os Jogos de Atenas-2004. Com este resultado Thiago passou a ser apontado pela mídia internacional como uma grande promessa e possível candidato a subir no pódio olímpico meses depois.

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200m medley – Jogos Olímpicos de Atenas, Grécia. 2004.

Esta foi a primeira das seis finais olímpicas que Thiago disputou ao longo da carreira. O fato marcante aqui nem se deve ao quinto lugar conquistado e sim pelo que a prova representou para a história dos 200m medley. Foi a primeira vez que o quarteto Thiago Pereira, Michael Phelps, Ryan Lochte e Laszlo Cseh nadou junto uma final de grande competição internacional. O top four ou quarteto fantástico, como foram apelidados, dominaram por anos as provas de medley sempre protagonizando inesquecíveis duelos.

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200m medley – Campeonato Mundial de piscina curta de Indianápolis, EUA. 2004.

Depois da espetacular temporada em piscina longa, Thiago fez uma campanha histórica em sua primeira participação em Mundiais de curta. Foram quatro medalhas conquistadas no total, sendo uma delas de ouro em sua principal prova: os 200m medley. Com 1min55s78 ele não só bateu o recorde sul-americano como também superou Ryan Lochte pela primeira vez na carreira. A partir desta prova Thiago ratificava que seria um dos melhores nadadores de sua geração.

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400m medley – Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, Brasil. 2007.

A primeira das oito medalhas do Pan do Rio de Janeiro veio nos 400m medley, prova que abria a natação do principal evento para as modalidades esportivas naquele ano. Thiago não deu chance para os adversários e chegou a nadar em determinados momentos muito próximo ao então recorde mundial de Michael Phelps, obtidos no Mundial de Melbourne quatro meses antes. Fechou a prova com 4min14s11, novo recorde sul-americano e que lhe deixava naquele instante entre os cinco melhores colocados no ranking mundial.

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200m medley – Copa do Mundo de piscina curta etapa de Berlim, Alemanha. 2007.

Pela primeira e única vez em sua carreira Thiago conseguiu bater um recorde mundial. Foi na tradicional piscina curta de Berlim durante o circuito da Copa do Mundo da Fina. Dominante, o brasileiro nadou contra o relógio e cravou 1min53s14. Porém, a nova marca mundial durou pouco, já que no mês seguinte o húngaro Cseh nadou 15 centésimos mais rápido no Europeu de curta. Thiago ainda brilhou nesta etapa com resultados fortíssimos nos 100m medley (52s42) e 400m medley (4min00s63) que durante certo tempo também foram recordes de todo o continente americano.

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200m medley – Campeonato Mundial de Roma, Itália, 2009.

Esta é a melhor performance de Thiago Pereira nos 200m medley em todos os tempos, porém, sem ter uma medalha no pescoço. Na grande final, que não tinha Phelps, o brasileiro estava cotadíssimo para finalmente ganhar uma debutar no pódio dos Mundiais de longa. Mas, mesmo fazendo a melhor prova de sua vida ele acabou perdendo a medalha de bronze por apenas 19 centésimos para o americano Eric Shanteau na batida de mão. Para comprovar que este foi seu melhor 200m medley o tempo de 1min55s55 é até hoje recorde sul-americano.

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400m medley – Jogos Olímpicos de Londres, Inglaterra, 2012.

Esta foi a prova da vida de Thiago Pereira. O brasileiro chegava a sua terceira Olimpíada pressionado por nunca ter subido ao pódio nos Jogos ou no Mundial de longa. Para muitos, era sua última oportunidade de finalmente conquistar a tão sonhada medalha num evento de ponta. Nos 400m medley ele teria pela frente os velhos conhecidos Ryan Lochte e Michael Phelps, além dos jovens em ascensão Kosuke Hagino e Chad Le Clos. Em uma prova onde nadou na base do tudo ou nada, fazendo a melhor parcial de peito de todos os tempos até então, conseguindo segurar a pressão de Hagino e Phelps no final, fechando em segundo lugar com 4min08s86, igualando seu recorde sul-americano da era dos trajes tecnológicos e conquistando enfim a tão sonhada medalha de olímpica.

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200m medley – Campeonato Mundial de Barcelona, Espanha, 2013.

Dez anos depois de disputar seu primeiro Mundial de piscina longa, Thiago voltou a Barcelona visando conquistar uma inédita medalha em Mundiais de longa. Com menos pressão devido a prata olímpica, ele nadou mais tranquilo e teve um saldo positivo no evento ganhando duas medalhas de bronze nos 200m e 400m medley. A primeira veio na sua prova preferida, os 200m medley, chegando apenas um centésimo atrás de Kosuke Hagino depois do japonês dar um forte sprint final.

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Thiago Pereira comemora as 30 medalhas - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Thiago Pereira comemora as 30 medalhas – Foto: Satiro Sodre/SSPress

400m medley – Troféu Maria Lenk, São Paulo, Brasil. 2014.

Conquistar 12 títulos nacionais para um nadador é um feito e tanto, agora imagine ganhar 12 vezes a mesma prova em 12 anos seguidos! Algo para poucos e que Thiago Pereira conseguiu nos 400m medley no Troféu Maria Lenk. E no ano seguinte ele conseguiu ampliar a sequência para 13 títulos. Ao vencer a final com 4min15s45 ele de quebra comemorou ainda seu 30º título nacional no principal campeonato da natação brasileira. Mais um recorde para o currículo.

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200m medley – Jogos Pan-Americanos de Toronto, Canadá, 2015.

Já consagrado Thiago nadou os Jogos Pan-Americanos de Toronto de olho em um recorde especial: tornar-se o maior medalhista da história da competição superando o ginasta cubano Eric Lopéz que tinha 22. Thiago igualou o recorde no último dia ao ficar com a medalha de prata nos 200m medley perdendo o ouro na batida de mão para Henrique Rodrigues. Ele ainda ganharia o ouro com o revezamento 4x100m medley e chegaria as 23 medalhas tornando-se de vez o Mr. Pan.

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Por Guilherme Freitas


As idas e vindas de Thiago Pereira
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Thiago Pereira no Pan de 2007 (foto: Satiro Sodré)

Lá se vai Thiago Pereira. O anúncio de sua aposentadoria da natação competitiva, feito hoje no Prêmio Brasil Olímpico, é emblemático. Nunca alguém mereceu tal honraria. Pudera: não é todo dia que o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos sai de cena. E também não é sempre que um nadador medalhista olímpico individual brasileiro anuncia sua retirada – o último havia sido Fernando Scherer. Em março de 2007. Há exatos dez anos.

O anúncio de Thiago surpreendeu a muitos. Mesmo que tenha aparecido pouco nas piscinas desde a Olimpíada do Rio de Janeiro – competiu só uma vez, no Troféu José Finkel -, sua presença sempre pôde ser sentida no mundo da natação. Já há algum tempo ele conquistou aquele status de onipresente que só os grandes nomes possuem, mesmo quando ausentes.

Foi naquele 2007 que ele ficou famoso. Suas oito medalhas e seis ouros no Pan do Rio representaram a melhor performance de um atleta na história do evento – igualou os oito pódios da costa-riquenha Sylvia Poll em 1987 e os seis ouros do americano Frank Heckl de 1971. Mas seis ouros e oito medalhas, nunca ninguém havia conseguido. Foi celebrado por todo o país e viro astro do esporte nacional.

Mas já vinha pavimentando uma trajetória de sucesso. Foi duas vezes medalhista no Pan de 2003, mas foi em 2004 que ingressou entre os grandes – mais precisamente no Campeonato Sul-Americano de 2004, em Maldonado, em que se tornou o 12º nadador mais rápido da história dos 200m medley. No Troféu Brasil, baixou dos dois minutos pela primeira vez na prova, e nos 400m medley bateu o lendário recorde continental de Ricardo Prado, por ocasião da prata olímpica de 1984. Nos Jogos Olímpicos de Atenas, no primeiro embate contra Michael Phelps, Ryan Lochte e Laszlo Cseh, terminou na quinta posição nos 200m medley. Mas deu o troco em Lochte no Mundial de curta no mesmo ano, vencendo a prova. Tinha apenas 18 anos. Um 2004 inesquecível que pavimentou caminho para os anos seguintes.

Thiago Pereira ao lado de Oussama Mellouli e Ryan Lochte: campeão mundial de curta em 2004 (foto: Satiro Sodré)

Em 2005 ficou ausente dos grandes eventos, inclusive do Mundial de esportes aquáticos, por uma lesão. Mas, mesmo ausente, estava presente. A natação brasileira sabia que tinha uma joia para os próximos anos. Expectativa que se confirmou no Pan de 2007. Na Olimpíada de 2008, terminou os 200m e 400m medley novamente atrás de Phelps, Lochte e Cseh. Perdeu o posto de principal nadador do país para Cesar Cielo, vencedor dos 50m livre. E nos anos seguintes continou com a sina: nos Mundiais de 2009 e 2011, terminava sempre atrás dos rivais. Parecia que seu destino era terminar na quarta colocação.

Thiago incomodava-se, mas não se abalava. Sabia que, trabalhando duro, teria sua recompensa. Cesar assumira o papel de protagonista. Mas Thiago estava sempre lá. Jamais ausente, sempre presente. No Pan de 2011, conquistou novamente oito medalhas e seis ouros, enconstando nos recordes de maior medalhista brasileiro e maior medalhista da história do evento.

Mas olhos e mente estavam voltados aos Jogos Olímpicos de 2012. Em seu discurso hoje no Prêmio Brasil Olímpico, Thiago mencionou que na maioria das vezes o atleta não alcança seus sonhos. Certamente se referia aos vários quartos lugares já citados. É extremamente raro um nadador conquistar medalha em sua terceira Olimpíada após ter passado em branco as duas anteriores. Até então, apenas 13 nadadores haviam alcançado o feito.

Contra tudo e contra todos, Thiago chegou lá e coroou sua história de perseverança. Na primeira prova do programa, deu fim ao tabu: medalha de prata nos 400m medley, sua maior conquista, em uma prova primorosa. Ao invés de ser agressivo no início, como era de seu feitio, poupou-se, manteve-se em quinto lugar até os 200 metros e teve a melhor parcial de peito na história da prova. Assumiu a segunda posição e não largou mais. Deixou Michael Phelps fora do pódio. Sua carreira até então já era fantástica e se parasse de nadar antes de Londres, com 18 medalhas em Pans, campeão mundial de curta, campeão da Copa do Mundo (título conquistado em 2010) e recordista mundial (200m medley em piscina curta, em 2007), já estaria entre os maiores da história do país. Mas a medalha olímpica foi a coroação de sua trajetória.

Medalha de prata nos 400m medley nos Jogos Olímpicos de 2012 (foto: Satiro Sodré)

Medalha de prata nos 400m medley nos Jogos Olímpicos de 2012 (foto: Satiro Sodré)

As conquistas não pararam nos anos seguintes, incluindo medalhas em Mundiais de esportes aquáticos que ele nunca havia conseguido. Conquistou três, em 2013 e 2015. E, por justiça, deveria ter sido ouro nos 200m medley neste último, em que terminou na segunda posição atrás de Ryan Lochte, que executou movimento irregular na virada para o nado livre e não foi desclassificado. No Pan do mesmo ano, mais cinco medalhas, totalizando 23 na carreira e superando o ginasta cubano Erick López como o maior medalhista da história do evento – e também o nadador brasileiro Gustavo Borges como o esportista mais laureado do país.

Um ciclo olímpico que iniciou com uma prata nos Jogos de Londres, passou por medalhas inéditas em mundiais e o consagrou como “Mr. Pan”. Com a ausência de Cesar Cielo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ele era “o cara” da equipe, único medalhista olímpico da equipe brasileira. Presente, mais do que nunca. O fecho de ouro deveria vir com um pódio na Olimpíada brasileira. Infelizmente não foi o que aconteceu. A final dos 200m medley não foi tão forte quanto se esperava e com seu tempo usual brigaria pela prata. Mas errou na estratégia, foi muito agressivo no início da prova e sentiu no final. O acerto de 2012 não se repetiu em 2016.

Mas a falta da medalha em 2016 não maculou sua trajetória. Sua clínica de natação vem fazendo sucesso entre os jovens e é uma das mais concorridas do país. Neste ano fez parte de uma comitiva do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que foi a Tóquio, no Japão, para avaliar as estruturas a serem utilizadas pela delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de 2020. Sim, Thiago já trabalha pelo esporte nos bastidores, e não é de hoje. Em 2013 foi eleito vice-presidente da comissão de atletas da Federação Internacional de Natação (Fina). Também faz parte da comissão de atletas do COB e foi escolhido pelos próprios atletas olímpicos do país para a comissão de aletas da Organização Desportiva Pan-Americana (ODEPA).

Thiago Pereira a partir de agora está fora das piscinas. Mas não pensem que ouvirão falar menos o nome dele por causa disso. Seus feitos e conquistas deverão ser lembrados para sempre, e nós da Swim Channel fazemos nossa parte para preservar a memória esportiva da natação brasileira. E, além disso, Thiago deverá continuar nos holofotes como uma das vozes ativas do nosso esporte. Precisamos de um nome como ele para isso.

O momento é de despedida para Thiago. Mas não se preocupem. Ele sempre volta.

Por Daniel Takata


Michael Phelps de olho em Tóquio-2020
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No dia 17 de agosto de 2016 quando Nathan Adrian bateu na parede e concluiu a vitória americana no revezamento 4x100m medley na final olímpica no Rio de Janeiro chegava ao fim oficialmente a carreira de Michael Phelps. Naquele dia ele havia nadado a parcial de borboleta e se despedia do esporte que o transformou no maior atleta olímpico de todos os tempos. Era um adeus com chave, ou melhor, medalha de ouro. A sua 28ª nos Jogos. Uma carreira de sucesso absoluto e que dificilmente será superada algum dia. Naquele mesmo 17 de agosto, Phelps deu sua última entrevista coletiva como um atleta de elite. Dali em diante não o veríamos mais em uma Olimpíada, pelo menos dentro d’água.

Ainda faltam três anos e meio para os Jogos de Tóquio-2020, mas Phelps já começou a traçar seus planos para estar presente na maior competição do planeta. Agora não mais como nadador e nem como técnico, dirigente ou comentarista de TV. Ele pretende aportar no Japão como empresário e quer ver os melhores nadadores do mundo utilizarem acessórios de sua própria marca: a MP. “Isso se tornou uma paixão para mim e estou disposto a gastar muito e energia nessa nova função. Gosto de estar próximo a natação e acredito que poderei trabalhar nesse ramo por muitos anos”, disse o supercampeão olímpico a um jornal francês durante um evento recente em Paris.

Phelps e sua esposa Nicole em evento da MP em Paris – Foto: Lionel Bonaventure/AFP Photo

Em 2014 Phelps anunciou que retornaria as piscinas após uma breve aposentadoria de 20 meses. Ao mesmo tempo começou a atuar em parceria com a AquaSphere e seu técnico Bob Bowman no desenvolvimento de trajes e acessórios para natação competitiva. No começo de 2015 ele lançou oficialmente a MP e seguiu trabalhando juntamente com a AquaSphere na produção de produtos de alto nível utilizando sua experiência e conhecimento. Em seguida surgiram os primeiros produtos da empresa: os jammers e kneeskins Xpresso e a linha de óculos Xceed, ambos utilizados por Phelps no Rio-2016.

Hoje a MP é vendida em diversos países além dos Estados Unidos como Austrália e Brasil. No Rio de Janeiro ele foi a principal vitrine e garoto propaganda da marca durante sua campanha arrebatadora e ajudou a expandir a fama da marca. Outro detalhe é que ele opina bastante durante o trabalho de desenvolvimento dos acessórios. “Não tive esta oportunidade de alguém escutar o que eu tinha a dizer sobre um produto ou uma combinação no passado e agora estou adorando poder passar toda minha experiência de mais de 20 anos piscina. E espero que muitos nadadores utilizem nossos produtos na próxima Olimpíada. Seria um sonho se tornando realidade”, afirmou o agora ex-nadador e empresário. E aguarde que nas próximas semanas a SWIM CHANNEL fará algumas matérias sobre os trajes e acessórios da linha MP.

Por Guilherme Freitas


Manaudou pode retornar um dia a natação? Phelps crê que sim
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A natação é um esporte de idas e vindas. É comum nadadores despontarem ainda muito jovens ao estrelato e decidirem se aposentar das piscinas precocemente. Já cansamos de ver histórias assim. Ian Thorpe e Anthony Ervin  são alguns exemplos de atletas que muito novos já eram grandes campeões e se aposentaram para seguir outros caminhos com menos de 25 anos. O caso mais recente é o de Florent Manaudou.

Campeão olímpico em Londres-2012 aos 21 anos, o gigante francês de 2m de altura anunciou após a última Olimpíada no Rio-2016 sua precoce aposentadoria das piscinas aos 25 anos para concretizar um sonho de juventude: jogar handebol. Atuar no esporte de quadra em alto nível era um desejo antigo do francês que praticou a modalidade durante a adolescência. Hoje ele está treinando com a equipe Aix en Provence e sonha com a possibilidade de estrear profissionalmente na liga francesa.

Manaudou deixou a natação para se dedicar ao handebol – Foto: Anne-Christine Poujoulat/AFP

Por ainda ser jovem (terá 29 anos em Tóquio-2020) e caso não tenha sucesso nas quadras será possível um retorno de Manaudou as piscinas? É uma pergunta difícil de responder, mas Michael Phelps que já passou por esta situação afirmou em entrevista a um jornal francês que o ex-velocista tem potencial para retornar. “Tudo é possível. Nós vimos como ele é talentoso e muito rápido. Se ele decidir voltar a natação de alto nível e fazer os sacrifícios necessários, acredito que ele será capaz”, disse o multicampeão olímpico que se aposentou pela primeira vez aos 27 anos, mas retornou as piscinas apenas 18 meses depois.

Manaudou abriu mão de fazer história nas piscinas. Em 2015, quando foi campeão mundial em Kazan com 21s19, tornou-se o homem mais rápido do mundo a nadar os 50m livre sem auxílio de trajes. Não repetiu o desempenho Rio de Janeiro, mas poderia neste ciclo olímpico tentar se aproximar do recorde mundial de Cesar Cielo. O francês até nadou amistosamente um evento no fim do ano passado, mas sem ambições de competir. Repetirá a trajetória da irmã que se aposentou aos 22 anos para chegar novamente anos depois e chegar as Jogos Olímpicos? Ainda faltam três anos e meio para Tóquio-2020 e quem sabe nesse meio de caminho Florent Manaudou não volte a nadar e confirme as palavras de Phelps.

Por Guilherme Freitas


Ryan Lochte: dez meses de gancho!
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A polêmica história do assalto sofrido no Rio de Janeiro custou caro para Ryan Lochte. Além da perda de patrocinadores e prestígio, o nadador americano também recebeu uma punição da USA Swimming e do Comitê Olímpico Americano por dez meses. Com essa pena Lochte está fora dos próximos dois campeonatos mundiais: de curta em Windsor, que acontece em dezembro, e de longa em Budapeste, marcado para julho do ano que vem. Jimmy Feigen, Gunnar Bentz e Jack Conger, envolvidos na confusão, também foram punidos.

Após o término das provas de natação os quatro nadadores participaram de uma festa e na volta para Vila Olímpica se envolveram em uma confusão com seguranças em um posto de gasolina. Alcoolizados eles acabaram danificando o banheiro do estabelecimento e só saíram do local após deixar dinheiro para pagar pelos danos. O que seria apenas um incidente virou assunto mundial depois que Lochte contou a imprensa americana que havia sofrido um assalto a mão armada e teve uma pistola apontada para sua cabeça. Depois de depoimentos controversos entre os envolvidos a farsa foi descoberta pela polícia.

Ryan Lochte foi punido pela confusão no Rio - Foto: Associated Press

Ryan Lochte foi punido pela confusão no Rio – Foto: Associated Press

A atitude imatura de Lochte acabou lhe custando quatro contratos de patrocínios que, entre eles com Speedo e Ralph Lauren. Teve que conceder várias entrevistas sobre o caso e relutou em confessar que havia mentido, mas mesmo após inúmeros pedidos de desculpas acabou sendo intimado para prestar novo depoimento para a Polícia Rio de Janeiro, também viu sua reputação ser arranhada e foi até motivo de piada em apresentação do humorista Jimmy Fallon em cerimônia do VMA.

Porém, a punição mais dura foi o gancho de dez meses fora das piscinas. Isso irá impedi-lo de competir dentro e fora dos Estados Unidos. O nadador não estará em Windsor no fim do ano para o Mundial de curta e também vai perder a seletiva nacional e o Mundial de longa de Budapeste. Desde 2004 Lochte participa de todos os principais eventos internacionais de natação e já ganhou mais de 80 medalhas nestes eventos. A suspensão também inclui 20 horas de serviço comunitário, corte na ajuda de custo oferecida pela USA Swimming e ausência em eventos oficiais do Comitê Olímpico americano pelo período.

O nadadores Bentz, Conger (foto) e Feigen também foram suspensos - Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O nadadores Bentz, Conger (foto) e Feigen também foram suspensos – Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Feigen, Bentz e Conger também não se safaram de uma punição pelo caso. O trio recebeu uma pena menor: quatro meses, que os deixará fora do Mundial de curta. A ajuda de custo oferecida pela USA Swimming durante este período também foi cortada. Após toda a polêmica que rendeu dias de manchetes em jornais e entrevistas na TV a mentira não passou impune. Agora o quarteto terá que arcar com as consequências e esperamos que a lição tenha sido aprendida.

Por Guilherme Freitas


Swim Channel TV: Ricardo Cintra revela detalhes da conquista de Poliana
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A Swim Channel TV falou com Ricardo Cintra, técnico e marido de Poliana Okimoto. Na entrevista ele conta sobre sua relação com a esposa e atleta, a estratégia para a conquista da medalha de bronze olímpica e os planos para o futuro visando Tóquio-2020. Confira aqui o bate-bapo com Patrick Winkler, editor-chefe da SWIM CHANNEL. Assista ao vídeo abaixo e assine nosso canal no Youtube!

 

 

A equipe Swim Channel na cobertura dos Jogos Rio 2016 é patrocinada pela Mormaii, a maior marca de esportes aquáticos do Brasil


Swim Channel TV: Anthony Ervin conta detalhes do título olímpico
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A Swim Channel TV conversou com Anthony Ervin, bicampeão olímpico dos 50m livre. Nesta entrevista ele revela curiosidades e detalhes de sua vitória no Rio-2016 que lhe deram o título de nadador mais velho a ganhar uma medalha de ouro. Confira aqui o bate-bapo com Patrick Winkler, editor-chefe da SWIM CHANNEL. Assista ao vídeo abaixo e assine nosso canal no Youtube!

A equipe Swim Channel na cobertura dos Jogos Rio 2016 é patrocinada pela Mormaii, a maior marca de esportes aquáticos do Brasil