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Os polêmicos horários olímpicos
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No final do mês passado o Blog do Coach, produzido pelo colunista da edição impressa da SWIM CHANNEL, Alexandre Pussieldi, revelou os prováveis horários das provas de natação dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 após uma reunião entre a Fina (Federação Internacional de Natação), o COI (Comitê Olímpico Internacional) e o Comitê Organizador dos Jogos. As eliminatórias começariam por volta das 13h e as finais a partir das 22h. Caso os horários sejam oficializados preparem-se para críticas e discussões nos bastidores.

E elas já começaram, do outro lado do mundo. Dona de sete medalhas olímpicas, a ex-velocista Libby Trickett reclamou publicamente do programa olímpico e acredita que os horários não são interessantes e vão afetar o desempenho dos nadadores dentro d’água. Posição semelhante teve o presidente do Comitê Olímpico Australiano (AOC), John Coates, que afirmou que irá procurar a Fina e o COI para tentar mudar os horários das provas afim de valorizar o bem-estar dos competidores.

Libby Trickett criticou os horários olímpicos - Foto: Greg Wood/AFP Photo

Libby Trickett criticou os horários olímpicos – Foto: Greg Wood/AFP Photo

Vendo pelo lado do atleta os horários de disputas de fato são muito ruins e mudariam toda a rotina dos nadadores que estão acostumados a levantar cedo, encarar as eliminatórias por volta das 9h da manhã, descansar a tarde e disputar finais no começo da noite. Seguindo o roteiro tradicional eles não precisam nem se preocupar em alterar sua rotina de alimentação e sono, fatores importantíssimos para um nadador de alto nível. Precisam apenas se adaptar ao fuso horário local.

Pelo possível horário olímpico de 2016, os nadadores seriam obrigados a alterar de forma radical sua rotina. A começar pelas disputas das eliminatórias, logo no horário do almoço, que forçaria os atletas a se alimentar bem no meio da tarde. Eles voltariam para a piscina já a noite e após as disputas das finais, entrevistas, antidoping, soltura e jantar, só chegariam a Vila Olímpica para descansar já em plena madrugada, acordando no fim da manhã do dia seguinte. Uma rotina que pode refletir o desempenho dentro da piscina.

Desenho de como ficará o Centro Aquático do Rio 2016 - Foto: Reprodução

Desenho de como ficará o Centro Aquático do Rio 2016 – Foto: Reprodução

O principal motivo para a adoção desses horários “exóticos” seria para favorecer a transmissão de TV da rede americana NBC, que pagou mais de US$ 4 bilhões pelos direitos de transmissão da Olimpíada e gostaria de adequar os eventos esportivos a sua grade de programação. Não seria a primeira vez que isso acontece, já que em Pequim-2008 as finais foram disputadas pela manhã para agradar emissoras americanas.

A divulgação da mídia é de suma importância para a natação conseguir mais espaço e novos fãs, mas é preciso levar em consideração também o ponto de vista dos principais responsáveis pela modalidade: os atletas. Muitos nadadores disputarão mais de uma prova no Rio de Janeiro e precisarão estar totalmente adaptados a essa rotina olímpica durante as disputas. E não seria interessante para ninguém vê-los nadarem mal ou tendo resultados fracos.

Por Guilherme Freitas


Natação brasileira é destaque em Mundial para atletas com síndrome de down
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Em 2014 o esporte aquático brasileiro vem tendo excelentes resultados. Nas águas abertas tivemos os títulos de Ana Marcela Cunha e Allan no Carmo na Copa do Mundo e na natação a medalha de ouro de Matheus Santana nos Jogos Olímpicos da Juventude. Também há a expectativa do Brasil conseguir seu melhor desempenho em Mundiais de piscina curta de sua história. Nas modalidades paralímpicas o resultado também vem sendo positivo.

Na última semana os brasileiros fizeram bonito em Morelia, no México, durante o 7º Campeonato Mundial de Natação para Síndrome de Down. A competição, que é organizada pela Down Syndrome International Swimming Organisation (DSISO), teve a participação de mais de 200 nadadores de 23 países. Com uma delegação de 25 atletas, o Brasil voltou pra casa com 15 medalhas: 11 de ouro e quatro de bronze, que deu ao país o terceiro lugar no quadro geral de medalhas.

O nadador Caique Aimore em ação - Foto: Fernanda Bonadia

O nadador Caíque Aimoré em ação – Foto: Fernanda Bonadia

Os principais destaques da equipe foram Kelly Antunes e Caíque Aimoré que sagraram-se bicampeões mundiais na categoria mosaico. Neste evento existem duas classes: a T21 que reúne os nadadores com a síndrome de down em sua totalidade e a classe mosaico que é para atletas com grau leve da síndrome, também conhecido como mosaicismo.

Kelly ganhou oito medalhas de ouro nos 50m, 100m e 200m peito; 50m e 100m livre, 50m e 100m borboleta e 200m medley. Caíque venceu três provas, os 50m e 100m livre e 50m peito, e faturou outros quatro bronzes nos 50m borboleta, 100m peito, 100m costas e 200m medley. As provas foram disputadas em piscina curta. A próxima edição do Mundial da DSISO será em 2016 na Itália.

Parte da delegação brasileira no Mundial da DSISO - Foto: Divulgação

Parte da delegação brasileira no Mundial da DSISO – Foto: Divulgação

Colaborou Caiubi Aimoré

Por Guilherme Freitas


Jogos Centro-Americanos e do Caribe: a última grande competição na longa
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Começou no último sábado em Veracruz, no México, a 22ª edição dos Jogos Centro-Americanos e do Caribe, uma das competições continentais mais tradicionais do esporte mundial e que é disputada desde 1926 sempre de quatro em quatro anos. O evento contempla 36 modalidades e reúne quase 6 mil atletas de 31 países. Realizadas no Centro Aquático Leyes de Reforma, as provas de natação estão em disputa neste momento. Nos dois primeiros dias de competições, quem vem se destacando é a Venezuela que já ganhou 11 medalhas, sendo quatro de ouro.

Principal nome da natação venezuelana, Andreina Pinto tem grande parcela nas conquistas do país sul-americano. A nadadora de 23 anos já ganhou duas medalhas douradas nestes Jogos Centro-Americanos e do Caribe: nos 200m (2min00s42) e 400m livre (4min11s65). Andreina ainda disputará mais quatro provas individuais (200m e 400m medley, 200m borboleta e 800m livre), além de possíveis revezamentos. Se tiver sucesso pode deixar a competição como a maior medalhista em todas as modalidades.

A nadadora venezuelana Andreina Pinto - Foto: Punto Olímpico

A nadadora venezuelana Andreina Pinto – Foto: Punto Olímpico

Este é o último campeonato internacional de grande porte sendo disputado em piscina longa em 2014. Alguns desses atletas viajarão de Veracruz diretamente para Doha, já que daqui a 15 dias começa o Mundial de piscina curta. Até o momento já tivemos seis novos recordes de campeonato. Um deles foi batido pelo cubano Hanser García nos 100m livre. O velocista, que foi vice-campeão pan-americano em 2011 e finalista olímpico em Londres-2012, venceu a prova nobre com o tempo de 49s00.

Quem também bateu um recorde foi a velocista Arianna Vanderpool-Wallace, de Bahamas, que venceu os 50m livre com 26s46, lembrando que no Jogos do Commonwealth ela fez 24s34, quinto melhor tempo do mundo. Destaque também para o colombiano Omar Pinzón que esta voltando a nadar após cumprir uma suspensão por doping e venceu os 200m medley com novo recorde: 2min02s07. Entre outras provas esperadas estão os 100m borboleta com a participação do venezuelano Albert Subirats e os 50m livre que terá o duelo de García contra o tobaguenho George Bovell.

GARCIA

Hanser García comemora o título nos 100m livre em Veracruz. Foto: Ismael Francisco/Cubadebate

As provas de natação vão até quinta-feira, dia 20 de novembro. Acompanhe os resultados dos no site oficial do evento, clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Nova série de vídeos exclusivos da Swim Channel
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Com o objetivo de popularizar a natação e torná-la presente em todo tipo possível de mídia, a Swim Channel traz hoje mais uma novidade. Presente em rádio, internet, Facebook, Instagram, Twitter, etc, passamos hoje a trabalhar de forma regular uma plataforma fundamental: o YouTube.

Iniciamos hoje uma série de vídeos curtos, com as maiores estrelas da natação brasileira e internacional, falando sobre suas carreiras, curiosidades, perspectivas, dicas e muito mais.

O destaque do vídeo inaugural é o sul-africano Roland Schoeman, campeão olímpico em Atenas 2004. Com exclusividade, ele conta quem foram suas inspirações na natação quando era mais jovem. Confira abaixo e não percam os próximos vídeos.

Por Daniel Takata


A prova nobre
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Os 100m livre é considerado a prova nobre da natação mundial. Disputada desde 1896 nos Jogos Olímpicos (com exceção da edição de 1900) e que já coroou como campeões mundiais e olímpico Duke Kahanamoku, Johnny Weissmuller, Mark Spitz, Matt Biondi, Alexander Popov, Pieter van den Hoogenband, Filippo Magnini e Cesar Cielo. A prova é sempre a mais aguardada pelo público dos grandes eventos internacionais, similar a disputa dos 100m rasos no atletismo.

No Campeonato Mundial de piscina curta, que começa daqui a três semanas em Doha, no Catar, a prova dos 100m livre tem tudo para ser realmente nobre, com a presença de grandes velocistas da atualidade. A prova seria ainda mais nobre caso Vladimir Morozov, atual campeão mundial da distância na piscina curta, disputasse a distância. Ele abriu mão para tentar uma medalha nos 100m medley. Danila Izotov será um dos representantes russos no evento e durante o campeonato nacional, que terminou anteontem, ele cravou a quarta marca mundial da distância na piscina de 25 metros: 46s49. Um tempo que lhe coloca com boas chances de pódio em Doha.

Cesar Cielo é um dos favoritos ao ouro em Doha - Foto: Satiro Sodré

Cesar Cielo tem boas chances também nos 100m livre - Foto: Satiro Sodré

Além dos russos, há outros atletas bem cotados. Um deles é Cesar Cielo, campeão mundial da distância em Dubai-2010. O brasileiro é um dos favoritos e tem o melhor tempo da temporada (46s08). Há alguns meses moldou seus treinamentos para a distância de 25 metros, aperfeiçoando suas saídas e viradas para voltar a ser coroado como campeão mundial na curta. E inovou seu programa de treino, nadando eventos de categoria masters nos Estados Unidos em piscina de 25 metros.

Florent Manaudou é outro que chegará a Doha com a pecha de favorito. O francês, que ano passado quase bateu o recorde mundial na prova com 45s04, chegará forte em Doha (com o terceiro tempo do ano) de olho em uma medalha que falta em seu vitorioso currículo: o ouro no Mundial de curta. Os americanos vêm com uma dupla forte: Jimmy Feigen e Conor Dwyer, ambos medalhistas olímpicos e mundiais. Segundo nadador mais rápido do mundo nos 100m livre na piscina longa, o australiano Cameron McEvoy é outro nome para se prestar atenção. Semana passada, no campeonato australiano de curta, ele cravou a sexta melhor marca mundial: 46s85.

Florent Manaudou (foto: Josep Lago/AFP)

Florent Manaudou busca uma medalha inédita – Foto: Josep Lago/AFP

O polonês Konrad Czerniak, o alemão Steffen Deibler e o australiano Tommaso D'Orsogna também estão no top 10 dos 100m livre na curta e deverão disputar a prova. E ainda tem o sul-africano Chad Le Clos, segundo melhor tempo em 2014. Especialista nas provas de borboleta, mas que pode se arriscar aqui como uma forma de desafiar os grandes velocistas. De fato, os 100m livre no Mundial de Doha será uma prova mais do que nobre.

Por Guilherme Freitas


Maratonas de revezamentos em Doha
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O Campeonato Mundial de piscina curta de Doha começa daqui a 20 dias. Além da presença de grandes nomes da natação internacional, outra coisa também chama a atenção: a grande quantidade de revezamentos a serem disputados, 12 ao todo.

Até o Mundial passado eram nadados apenas os tradicionais revezamentos 4x100m e 4x200m livre e o 4x100m medley em ambos os sexos. Totalizando seis provas em equipe. Com a criação dos eventos mistos na Copa do Mundo do ano passado, a Fina decidiu adicionar as provas do 4x50m livre e 4x50m medley mistos no Mundial de Doha. E para engrossar o programa de provas, encaixou também o já tradicional, mas sempre desprezado, 4x50m livre para ambos os sexos.

Serão cinco dias de disputas na piscina do Hamad Aquatic Centre. Em todas as etapas teremos no mínimo duas provas de revezamento. O alto número de disputas em equipe tem seu lado positivo e negativo. Pelo lado bom, a chance de mais atletas poderem ganhar medalhas e subir ao pódio. Pelo lado negativo, a excessiva quantidade de quedas na água. Tomemos por exemplo as finais do segundo dia do Mundial em Doha.

Com apenas 12 convocados os britânicos poderão nadar vários revezamentos - Foto: Michael Sohn/AP Photo

A equipe britânica campeã europeia – Foto: Michael Sohn/AP Photo

Nesta etapa teremos a disputa de três revezamentos: 4x50m medley masculino, que abre as atividades do dia e o 4x200m livre masculino e 4x50m livre misto, que fecham o programa. Entre essas disputas teremos outras provas de tiro curto como as semifinais dos 50m livre masculino e 50m borboleta feminino e a final dos 50m peito feminino. Não é difícil imaginar que existam atletas que nadem estas provas individuais e sejam escalados para compor os revezamentos, principalmente de seleções que estiverem em Doha com poucos atletas, como o Reino Unido (foto) que terá apenas 12 nadadores, muitos com possibilidades de nadar várias provas. Isso sem falar que pela manhã eles nadam as eliminatórias…

Talvez o ideal seriam espalhar as provas por mais dias de disputas, mas normalmente são reservadas apenas cinco datas para o Mundial de curta e não oito como ocorre no Mundial de longa. O campeonato em Doha terá uma agenda cheia, principalmente para os velocistas que ganharão mais alguns metros para nadar. Essas mudanças servirão também como testes para os futuros Mundiais de piscina longa. E o Brasil, que é muito forte em provas de 50 metros, não terá nenhum revezamento, pois vai priorizar as distâncias olímpicas.


Do céu ao inferno: a história de Daniel Smith
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“Todos merecem uma segunda chance”. Sem dúvida, você já deve ter escutado essa popular expressão. O mundo do esporte é talvez um dos que mais vezes oferecem esta segunda chance. Seja quando um atleta sofre uma grave lesão e volta para se consagrar, como aconteceu como o ex-jogador Ronaldo ou quando um atleta se aposenta e retorna para triunfar novamente, como Michael Jordan. A natação também tem seus casos de segunda chance e esta semana deu a oportunidade para o australiano Daniel Smith.

Smith começou a nadar cedo e aos 15 anos já estava entre os melhores atletas da Austrália em sua faixa etária quando conseguiu um grande feito: ganhou oito medalhas e bateu o recorde de pódios em um mesmo campeonato nacional júnior, superando a marca do grande ídolo nacional Ian Thorpe. A partir daí o nadador, treinado pelo conceituado Dennis Cotterell passou a acumular mais e mais conquistas. Seu destino estava reservado a acumular medalhas e recordes em Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais, mas no meio do caminho ele se perdeu.

Daniel Smith em ação - Foto: Australia Swimming

Daniel Smith em ação – Foto: Australia Swimming

Festas, baladas, más companhias e o uso constante de drogas o fizeram perder o foco nas piscinas. Passou a treinar cada vez menos e quando se deu conta já estava no limbo. Viciado em drogas, abandonou sua casa e família para viver nas ruas. Esteve em reformatórios e foi detido pela polícia várias vezes, chegando a viver como mendigo. Parecia que o jovem promissor teria um trágico fim. Parecia.

Após pensar muito, ele decidiu se tratar. Ficou quase um ano internado para curar a dependência das drogas e resolveu voltar a dar suas braçadas na piscina. Passou a se dedicar mais e mais nos treinamentos e voltou a trabalhar com Cotterell. A recompensa veio este ano. Primeiro em março, quando foi finalista nos 200m livre na seletiva australiana para o Campeonato Pan Pacífico e para o Commonwealth Games. E agora com a convocação oficial para defender a Austrália no Campeonato Mundial de piscina curta de Doha, sua primeira seleção absoluta.

O nadador vem treinando com Dennis Cotterell - Foto: Courrier News

O nadador vem treinando com Dennis Cotterell – Foto: Courier Mail

De grande promessa, passando pelo inferno das drogas ao recomeço. Aos 23 anos, Daniel Smith é uma mostra de que o esporte pode ser uma ótima porta para encontrar o caminho certo da vida. Ele deixou seus fantasmas para trás e agora quer tentar uma vaga na equipe olímpica. Como disse na primeira linha desse texto, todos merecem uma segunda chance.

Por Guilherme Freitas


Turismo e Travessia em Morro de São Paulo
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Ambiente paradisíaco, competidores fortes, em um dos estados que dominam as provas de águas abertas no país. Um pouco da Bahia, para quem quiser fazer turismo e, claro, emendar com a prática esportiva na terra dos atuais campeões mundiais de maratonas aquáticas, Allan do Carmo e Ana Marcela Cunha

Edição do ano passado da travessia - Foto: Divulgação

Edição do ano passado da travessia – Foto: Divulgação

A tendência cada vez maior de unir a competição e o desafio pessoal com belas paisagens e viagens agradáveis promove mais uma etapa no mês de novembro. A Maratour organiza a Travessia de Morro de São Paulo no dia 29 de novembro, um sábado, com duas opções de prova: 800m, para iniciantes e categoria Petiz, e a prova principal de 2500m, com largada em Gamboa e chegada na praia principal.

A expectativa dos organizadores do evento e reunir 150 atletas inscritos na prova, que é uma das etapas do circuito de cenários paradisíacos. Todo ano, a Travessia de Morro de São Paulo fecha o ciclo que tem Rio das Pedras e Itaparica no calendário. A segunda este ano acabou sendo adiada por causa da Copa do Mundo.

Prova é marcada pelas belas paisagens - Foto: Divulgação

Prova é marcada pelas belas paisagens – Foto: Divulgação

Os três primeiros de cada categoria são premiados, e os cinco melhores no geral também recebem um troféu. Os atletas contam com um kit com touca, camiseta, squeeze, além de diversos brindes distribuídos durante o evento.

As inscrições custam 80 reais e se encerram no dia 13 de novembro, quinta-feira. Mais informações no site oficial da travessia.

Por Mayra Siqueira


O fim de uma história de longevidade e perseverança
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O mundo perdeu um ícone esportivo nesta semana. Talvez você nem o conhecesse, é bem verdade – o nome dele não é tão famoso. Mas ele criou um marco que deve demorar a ser batido na natação master mundial.

Jaring Timmerman, até então o mais velho nadador em atividade do planeta, faleceu na última quarta-feira, em sua cidade, em Winnipeg, no Canadá. Seu grande feito foi muito mais do que algum recorde invencível nas piscinas, mas sim um recorde relevante de vida. Chegou aos 105 anos, e criou uma nova categoria na natação master: de 105 a 109 anos. Nunca ninguém foi tão longe praticando o esporte aquático.

Jaring Timmerman, o eterno - Foto: Winninpeg Free Press

Jaring Timmerman, o eterno – Foto: Winninpeg Free Press

Timmerman é o emblema da longevidade e perseverança, e partiu deixando quatro recordes mundiais na sua antiga categoria (100-104 anos). Mas difere dos “vovôs” aquáticos que, insatisfeitos em largar a natação após a vida profissional, acabam se dedicando a ela depois da aposentadoria. Não, o canadense é daqueles que começou tarde. Bem tarde. Aos 78 anos ele iniciou sua vida competitiva de verdade, e desde então arrebatou 23 recordes canadenses, sete entre 85-89 anos, quatro entre 90-94, oito entre 95-99, e além dos quatro da sua última categoria. Tornou-se o primeiro nadador a completar os 100m costas após a os 100 anos de vida.

Derrubando barreiras por toda a terceira idade, Jaring tentou aprender sozinho o nado de peito, que acabou deixando de lado, e seguia os dois treinos semanais graças às caronas de seus três filhos ao local da prática. Lembrado como um simpático velhinho, Timmerman gostava de cumprimentar todas as pessoas com quem cruzava nas ruas ou dividia recintos.

O educado “vovô” era uma referência para a nova geração. Nas piscinas canadenses, jovens de 12 e 13 anos pediam que autografasse suas camisetas. Ele caiu pela última vez na piscina de forma competitiva em janeiro. “Acho que estou ficando velho”, brincou. Nadou os 50m livre batendo isoladamente o recorde mundial com o tempo de 2min52s48, além de 3min09s55 nos 50m costas. Usando sua conhecida braçada dupla, sua filha contou que ele calculou girar os braços 27 vezes. Ele se empolgou e precisou de apenas 26 – e acabou batendo a cabeça na parede para registrar nova marca. Mas o esforço foi demais para um corpo ativo, porém cansado. Jaring inaugurou e, por ora, fechou uma nova categoria da natação master mundial.

Confira aqui um dos últimos registros em vídeo de Jaring Timmerman.

Por Mayra Siqueira


O recorde mais forte da história?
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Nos últimos meses, fomos surpreendidos com dois recordes mundiais inacreditáveis. Tanto que logo foram considerados entre os mais fortes de todos os tempos. O Blog do Coach apontou o tempo de 15min28s36 nos 1500m livre da americana Katie Ledecky, no Pan-Pacífico em agosto, como a maior performance da história. A Swim Brasil levanta a possibilidade da marca de 24s43 da sueca Sarah Sjoström nos 50m borboleta, no início de julho, ser a mais impressionante de todos os tempos.

Afinal, qual recorde é mais forte? E teria havido outro recorde comparável na história da natação?

Quando a americana Mary T. Meagher bateu o recorde mundial dos 200m borboleta em 1981 com 2min05s96, a segunda nadadora mais rápida da história da prova estava quase quatro segundos atrás. Na época, foi tido como um recorde comparável ao obtido por Bob Beamon no salto em distância na Olimpíada de 1968, considerado o recorde mais impressionante de toda a história do esporte, e que até hoje permanece como recorde olímpico.

Mary T. Meagher (foto: Chris Georges/Swimming World)

Mary T. Meagher (foto: Chris Georges/Swimming World)

Em tempos mais recentes, a marca mais impressionante pertence a Michael Phelps. Quando ele nadou os 200m medley para 1min55s94 em 2003, nenhum outro nadador completara a prova abaixo de 1min58s, e menos de oito abaixo de dois minutos.

Atualmente, para comparar desempenhos em provas diferentes, a FINA utiliza uma tabela de pontos, atualizada no início de cada ano. 1000 pontos correspondem ao recorde mundial no dia 1º de janeiro do ano vigente. Pontuações acima de 1000 indicam tempos mais rápidos.

O tempo de Sarah Sjoström nos 50m borboleta obteve uma pontuação de 1080. Um índice fortíssimo. O recorde de Katie Ledecky nos 1500m, por sua vez, alcançou 1027. Por esse critério, a marca da sueca é mais forte de da americana.

Por tomar como tempo base somente o recorde mundial no início do ano, esse sistema de pontuação não leva em conta necessariamente a evolução geral da prova. Outro sistema, o IPS (International Point Score), utilizado em alguns países para cálculo do índice técnico, leva em consideração a média dos tempos dos oito mais rápidos nadadores da história de cada prova. Ou seja, indica o quanto uma nova marca é boa em relação ao panorama histórico da prova, e não somente em relação ao recorde mundial vigente. Um critério mais justo.

Pelo IPS, Sjoström obteria 1056 pontos. Ledecky, por sua vez, teria 1026. Podemos utilizá-lo não só para comparar provas diferentes, como também épocas distintas. Mary T. Meagher obteria 1046 pontos em 1981. Em 2003, Michael Phelps conseguiu 1041.

A marca de Sjoström foi realmente impressionante. Ela melhorou em mais de meio segundo um recorde que vinha da era dos trajes tecnológicos. Para alcançar os mesmos 1056 pontos, os tempos equivalentes nos 100m livre feminino e masculino seriam, respectivamente, 50.73 e 45.38 (os recordes mundiais, que vêm da época dos trajes tecnológicos, são de 52.07 e 46.91)!

Sarah Sjostrom (foto: Quinn Rooney/Getty Images)

Sarah Sjostrom (foto: Quinn Rooney/Getty Images)

Mas pode-se dizer que, em uma prova como o 50m borboleta, no geral, os tempos não são tão rápidos quanto seriam se a prova estivesse no programa olímpico. Em anos olímpicos, pouquíssimos atletas se dedicam a provas de 50m estilos, e é justamente quando muitos deles estão no auge da forma. Países de tradição como Estados Unidos e Japão notoriamente não dão muita importância a essas provas.

Portanto, a pontuação de 1056 de Sjoström talvez fosse um pouco menor se desempenho semelhante fosse obtido em uma prova olímpica. Talvez no nível das obtidas por Meagher e Phelps. O que não se pode negar é que foi fora do padrão: ela teria alcançado o quarto lugar nos 50m livre na Olimpíada de Londres nadando borboleta. Nunca se viu algo semelhante.

Quanto a Ledecky nos 1500m livre, por mais que tenha abaixado seis segundos de seu antigo recorde mundial, precisaria de mais uma boa melhora para chegar ao patamar dos recordes citados. De qualquer forma, depois da marca de Sjoström, é a que alcança maior pontuação este ano. E, pela idade da nadadora e pela evolução que vem mostrado, alguém duvida que ela tenha capacidade de conseguir mais marcas históricas?

Por Daniel Takata

Katie Ledecky (foto: Lluis Gene/AFP/Getty Images)

Katie Ledecky (foto: Lluis Gene/AFP/Getty Images)