Swim Channel

Nadando na altitude de La Loma
Comentários Comente

swimchannel

Tradicionalmente no início de cada temporada alguns nadadores de vários países, inclusive do Brasil, arrumam as malas e embarcam para subir muitos e muitos metros acima do nível do mar. Sierra Nevada (Espanha), Flagstaff (Estados Unidos) e La Loma (México) são alguns dos destinos mais procurados por atletas que buscam estes locais estratégicos e todos estão 2.000m acima do nível do mar. Realizar treinamentos em altitude ajuda na melhora da potência aeróbica e no trabalho anaeróbio, já que há menos oxigênio e a pressão atmosférica no ambiente forçando o nadador a se superar.

Ano passado apresentamos em nosso blog um resumo sobre o famoso Centro de Alto Rendimento de Sierra Nevada, onde na ocasião diversos nadadores brasileiros estavam treinando por lá. Desta vez vamos abordar outro local bastante popular entre os brasileiros: o La Loma Centro Deportivo.

Vista da piscina olímpica de La Loma - Foto: Radio Depportes FM

Vista da piscina olímpica de La Loma – Foto: Radio Depportes FM

Localizado em na cidade e San Luis de Potosí, na região central do México, esse centro de treinamento passou a ser bastante procurado por nadadores de todo o mundo visando trabalhos na altitude. Inaugurado em 2003, o moderno complexo não é exclusivamente dedicado a natação. Mesmo contando com duas piscinas (uma coberta de 50 metros e outra descoberta de 20 metros), o centro atlético recebe constantemente atletas de diversas modalidades olímpicas que utilizam suas instalações como quadras poliesportivas, pista de atletismo, quadras de tênis, campo de futebol e ampla academia de ginástica.

Assim como Sierra Nevada a temperatura local é um pouco fria e nesta época do ano, varia de 5 a 15°C. Outra comparação com Sierra Nevada é a localização. No centro de treinamento espanhol os atletas ficam isolados, já que estão 70 km distantes da cidade de Granada. Em La Loma os visitantes ficam concentrados nos apartamentos dentro do complexo que fica na região metropolitana de San Luis Potosí, sendo mais fácil para fazer passeios pela cidade nos momentos de lazer entre os treinos.

Vista área do La Loma Centro Deportivo – Foto: Reprodução

Vista área do La Loma Centro Deportivo – Foto: Reprodução

No momento a seleção argentina está em La Loma se preparando para o Campeonato Sul-Americano de Assunção, que acontecerá em março. Os argentinos trocam de lugar de Ana Marcela Cunha, Allan do Carmo e Luis Rogério Arapiraca, da seleção brasileira de águas abertas, que encerraram um período de duas semanas de treinamentos na altitude.

Por Guilherme Freitas


Um encontro em prol da natação de base
Comentários Comente

swimchannel

Estão abertas as inscrições para o 11º Encontro Nacional de Técnicos de Natação, evento promovido pela Associação Nacional de Técnicos de Natação e voltada para os profissionais de natação e Educação Física. Trata-se do maior evento do gênero realizado no Brasil que novamente será realizado em São Paulo, no salão de eventos da Academia Competition, próximo a Avenida Paulista, durante os dias 5 e 6 de março. Desta vez o foco do evento será a natação de base.

Após abordar diversos temas ligados a natação de alto rendimento e categorias adultas, o tema desta edição vai ser a natação mirim, a primeira categoria competitiva no Brasil e onde os nadadores dão suas primeiras braçadas. Vendo carências nessa fase aquática, a organização do Encontro resolveu desta vez voltar suas atenções para a natação de base e fortalecer esse pilar da carreira dos nadadores.

No sábado serão realizadas quatro palestras com profissionais da área. A primeira delas será apresentada pela Prof. Sandra Madormo abordando a queda no número de crianças no período de transição da fase de aulas para o treinamento competitivo. E seguida o Prof. Alexandre Indiani apresentará estudos sobre os nadadores mirins do século 20 no Brasil e os mirins do século 21 nos EUA. A Prof. Cláudia Barros falará sobre o desenvolvimento motor e a preparação física para crianças e o Dr. David Szpilman sobre segurança nas piscinas.

O tema deste ano do evento será a natação de base - Foto: Reprodução

O tema deste ano do evento será a natação de base – Foto: Reprodução

Haverá ainda uma apresentação da equipe da Speedo comentando sobre novos conceitos sobre suplementação de atletas, uma homenagem ao ex-técnico da seleção brasileira Prof. Alberto Klar e uma confraternização ao fim do dia para os participantes. No domingo ocorre uma mesa redonda mediada pelo Prof. Moacyr da Rocha Freitas com os profissionais do Encontro e alguns convidados que vão debater, apresentar estudos e ideias sobre a natação mirim no Brasil. A mesa também vai formatar um manual básico para iniciação de treinamento para os pequenos nadadores mirins que pretende disponibilizar futuramente visando melhorias para essa categoria.

Idealizado pelos técnicos Alexandre Indiani e Paulo Scagliarini em 2006, o Encontro Nacional de Técnicos cresceu com o passar dos anos ganhando maior visibilidade e tendo a presença de vários nomes conceituados da natação e educação física desde então. As inscrições para a edição deste ano estão abertas e podem ser feitas no site oficial, onde você encontra mais detalhes de toda a programação. Confira: http://www.encontronatacao.com.br.

Por Guilherme Freitas


História: o Brasil nas Olimpíadas
Comentários 1

swimchannel

Período pós I Guerra Mundial: o planeta ainda era dividido entre a Europa e seus conflitos… e o resto. O centro de praticamente tudo era o Velho Continente, e isso incluía, claro, o esporte. Os Jogos Olímpicos eram sediados praticamente só em solo europeu e americano até o fim do período das guerras. Pela primeira vez, em 2016, eles chegam à América do Sul.

Vimos em outra postagem um pouco da história da natação nas Olimpíadas. Agora, a Swim Channel separou algumas histórias marcantes dos Jogos para os nadadores brasileiros. Confira:

* Impossível falar da história olímpica sul-americana, em especial das piscinas, sem falar nela. E, por isso, ela é item #1: Maria Lenk. A primeira mulher do continente a participar de uma edição dos Jogos, em 1932, quando chegou às semifinais nos 200m peito. Na edição seguinte, em Berlim-1936, ela não brigou por medalhas, mas chamou a atenção com o que seria a inspiração para a criação do nado borboleta, uma nova forma de nadar o estilo de peito.

Maria Lenk, um ícone da natação brasileira

Maria Lenk, um ícone da natação brasileira

*Embora tenha sido recordista mundial de 400m peito, Maria Lenk nunca conquistou uma medalha olímpica. Em seu auge, foi prejudicada pelas guerras mundiais, que impediram a realização dos jogos no período. Seu nome e história se confundem com a natação brasileira. Uma figura imprescindível e eternamente admirável.

*Antes do período olímpico, a natação se tornou esporte pouco antes da virada para o século XX: em 1898, o Clube de Natação do Rio de Janeiro realizou o primeiro Campeonato Brasileiro da modalidade, com a travessia de 1500m entre a Fortaleza de Villegaignon e a praia de Santa Luzia.

*Também nos Jogos de 1932, ao lado de Maria Lenk, os brasileiros Isaac Morais, Manuel Vilar, Benevenuto Nunes e Manoel Silva, fizeram final no revezamento 4×200 livre.

*Após a geração de 30, outro grande nadador do país foi Tetsuo Okamoto, que conquistou a primeira medalha olímpica do Brasil, um bronze nos 1500m em Helsinque-1952, na Finlândia.

Tetsuo Okamoto, o primeiro medalhista olímpico brasileiro - Foto: Arquivo

Tetsuo Okamoto, o primeiro medalhista olímpico brasileiro – Foto: Arquivo

*Na edição seguinte, Roma-1960, Manuel dos Santos também levou um  bronze, nos 100m livre. No ano seguinte, ele se tornou recordista mundial na mesma prova, com 53s6, marca que levou três anos para ser batida.

No pódio olímpico, Manoel dos Santos (direita)

No pódio olímpico, Manoel dos Santos (direita)

*Foram 20 anos de “jejum''. Depois dos dois bronzes, o Brasil viu uma boa geração na década de 70, com 18 medalhas pan-americanas apenas com a dupla Jorge Fernandes e Djan Madruga, e que renderia frutos olímpicos em 1980, em Moscou. Ao lado de Marcus Mattioli e Cyro Delgado, eles trouxeram a terceira medalha brasileira, outro bronze, no revezamento 4x200m livre.

Revezamento medalhista em Moscou-1980

Revezamento medalhista em Moscou-1980

*Na edição seguinte, Ricardo Prado marcou seu nome para a eternidade na natação brasileira: prata na prova em que era recordista mundial, os 400m medley dos Jogos de Los Angeles-1984. Seu tempo foi 4m18s45. A título de comparação, a melhor marca da carreira de Thiago Pereira é 4m08s86, feita três décadas depois e que lhe rendeu a prata em Londres-2012. Pradinho também conquistou sete medalhas em Pans, sendo duas delas de ouro.

Thiago Pereira e Ricardo Prado em 2004, quando o primeiro bateu o recorde do segundo nos 400m medley (foto: Satiro Sodré)

Thiago Pereira e Ricardo Prado em 2004, quando o primeiro bateu o recorde do segundo nos 400m medley (foto: Satiro Sodré)

*Impulsionada por Ricardo Prado, a geração seguinte, e a mais premiada da natação brasileira até o ouro olímpico de Cesar Cielo, criou grandes orgulhos nacionais. Gustavo Borges veio e encantou com sua dedicação, técnica apurada, e mais de 2m de altura. O talento e a dedicação o fizeram conquistar 19 medalhas pan-americanas e quatro medalhas olímpicas.

*Em Barcelona-92, sofreu a maior decepção e uma alegria imensa, tudo junto! Seus 100m livre entraram para a história após um erro de cronômetro. Gustavo sabia que tinha batido à frente do fenômeno Matt Biondi, mas atrás de Alexander Popov. No entanto, o placar mostrou 5º lugar. O chão de Borges caiu. Para logo elevá-lo: na correção, a inédita medalha de prata na carreira e, até hoje, considerada a mais importante.

Gustavo Borges, referência esportiva brasileira (foto: AFP)

Gustavo Borges, referência esportiva brasileira (foto: AFP)

*Da mesma geração, amigo, parceiro de seleção brasileira e de revezamentos vitoriosos, Fernando Scherer formava com Gustavo Borges a dupla prodígio da natação nacional na década de 90. Foram nove medalhas em Pans e dois bronze em Olimpíadas para o “Xuxa''.

*Em Sydney-2000, o timaço brasileiro, composto pela dupla Borges-Scherer, além de Carlos Jaime e Edvaldo Bala Valério, fez história ao voltar a um pódio olímpico em um revezamento. O quarteto levou o bronze com um final de prova avassalador e sempre lembrado do Bala.

4x100m livre e o bronze olímpico nos jogos australianos de 2000

4x100m livre e o bronze olímpico nos jogos australianos de 2000

*Em Atenas-2004, uma nova geração começava a surgir: Thiago Pereira e Joanna Maranhão, jovens integrantes da seleção brasileira, chegam à final em sua estreia olímpica. O tempo da pernambucana nos 400m medley (4m40s00) durou como recorde brasileiro por 11 anos, até 2015. Foi quebrado pela própria nos Jogos Pan-Americanos de Toronto (4m38s07). O revezamento feminino, formado pela Joanna, Paula Baracho, Mariana Brochado e Monique Ferreira, terminou na 7ª colocação – última final olímpica em revezamentos para as brasileiras.

*Em 2008, despontava para o mundo um novo fenômeno das provas curtas, e a maior glória da natação brasileira nos Jogos Olímpicos. Na piscina de Pequim, após um bronze inesperado por ele e pelos adversários nos 100m livre, César Cielo escreveu para sempre o seu nome na história aquática nacional: os tapas no peito, a prova perfeita, o ouro… e o choro no pódio.

Cesar Cielo e as lágrimas de Pequim-2008

Cesar Cielo e as lágrimas de Pequim-2008

*A carreira do paulista de Santa Bárbara d'Oeste continuou em alta com os ouros e recordes mundiais em Roma-2009, Mundial de Longa, nos 50m e 100m livre. Em Londres-2012, a decepção do bronze na sua especialidade, a prova mais rápida da natação. E, para Rio-2016, todas as esperanças dos donos da casa em mais uma volta por cima, por uma companheira para a solitária medalha dourada guardada a sete chaves por Cesão.

Lembra de mais histórias olímpicas da natação? Comente!

Por Mayra Siqueira


As irmãs sírias que foram salvas pela natação
Comentários Comente

swimchannel

No decorrer do ano passado o mundo passou acompanhar através dos noticiários o desespero dos cidadãos civis da Síria, que procuravam fugir do inferno do país que desde 2011 enfrenta uma terrível guerra civil entre partidários e opositores ao governo do presidente Bashar Assad, além das ações terroristas e bárbaras do Estado Islâmico. Muitos desses sírios fugiram para a Europa onde receberam refúgio em dezenas de países. O esporte, uma das bandeiras para a paz e amizade entre povos, ajudou a salvar algumas vidas.

Os casos mais famosos foram de um treinador de futebol que foi agredido por uma repórter húngara e conseguiu emprego num clube espanhol e de um jogador da seleção sub-17 síria que conseguiu uma vaga para treinar em um clube da Alemanha. Mas a natação também pode se orgulhar de ter ajudado a salvar a vida de duas jovens e outras dezenas de pessoas que viajaram com elas rumo a Europa, numa arriscada travessia pelo mar Egeu.

As irmãs Yusra e Sarah Mardini - Foto: Gordon Welters

As irmãs Yusra e Sarah Mardini – Foto: Gordon Welters

A história ganhou destaque entre o fim do ano passado e começo de 2016, fazendo com que as irmãs Yusra e Sarah Mardini ganhassem holofotes. As duas jovens (Yusra tem 17 anos e Sarah tem 20) embarcaram em um barco superlotado para chegar a costa da Grécia, mas no meio do caminho o barco quase afundou devido ao peso. As duas pularam na água e juntas com outros dois homens nadaram por três horas ao lado do barco que atracou em segurança.

Após um tempo elas chegaram a Alemanha onde passaram a viver num campo de refugiados em Berlim e contaram suas histórias. Sven Spannekrebs, técnico do clube Wasserfreunde Spandau 04, ouviu sobre as garotas e as convidou para voltarem a treinar. Hoje apenas a caçula Yusra esta treinando com a equipe de Spannekrebs e tem um sonho que deseja atingir este ano: participar dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, que não seria sua primeira grande competição internacional.

Yusra Mardini disputou duas provas no Mundial de curta de 2012 - Foto: Mirko Seifert

Yusra Mardini disputou duas provas no Mundial de curta de 2012 – Foto: Mirko Seifert

Em 2012, Yusra representou a Síria no Mundial de piscina curta em Istambul. Na ocasião, aos 14 anos, nadou os 200m e 400m livre. Fã de Cesar Cielo, Yusra ganhou uma nova chance e espera poder desfrutá-la para reconstruir sua vida e atingir seus sonhos.

Por Guilherme Freitas


A nova técnica de chegada de Michael Phelps
Comentários Comente

swimchannel

No GP de Austin, há duas semanas, Michael Phelps apresentou uma inovação em suas chegadas nas provas de livre e medley.

Vejam o vídeo abaixo dos 200m medley, em que ele travou uma batalha acirrada com Ryan Lochte. Ao final da prova, nos últimos cinco metros, realmente tem-se a impressão de que ele faz algo que lhe dá mais velocidade e abre uma pequena distância de seu rival.

Assistam e tentem identificar o artifício que ele utilizou.

Pelo ângulo da filmagem, pode não ser fácil visualizar. O fato é que ele se utilizou de uma técnica rara, mas não nova: o nado de crawl com pernada de borboleta.

Depois da prova, ao ser perguntado, primeiro ele brincou: “Ah, o que eu fiz nos últimos dez metros? Essa foi a terceira prova que fiz isso, e finalmente vocês perceberam!'' Depois explicou: “Se você assistir ao vídeo dos 100m livre na Olimpíada de 2000, verá que Michael Klim fez isso, e ele era muito bom nisso. Percebi que é uma coisa boa usar seus pontos fortes, e espero aperfeiçoar isso. É desafiador porque você não pode respirar nos últimos metros. Então quanto mais eu trabalhar nisso, espero que esteja bem aperfeiçoado quando chegar a Omaha (referindo-se à seletiva olímpica americana, em julho).''

Realmente o australiano Michael Klim foi o mais conhecido nadador a utilizar a técnica e chegou a bater o recorde mundial dessa maneira na abertura do revezamento 4x100m livre na Olimpíada de 2000. No entanto, na final dos 100m livre na mesma Olimpíada, o que se viu foi que ele perdeu terreno nos últimos metros e terminou fora do pódio, passando a impressão de que a técnica é ineficiente, quando na verdade ele apenas não conseguiu implementá-la adequadamente naquela ocasião.

Assista ao vídeo abaixo da seletiva olímpica australiana de 2000, e notem a câmera subaquática a partir de 4min39s de vídeo.

O vídeo abaixo, narrado pelo ex-recordista mundial e medalhista olímpico Gary Hall (pai de Gary Hall Jr), dá uma introdução de como a técnica deve ser treinada, deixando clara a necessidade de uma grande coordenação, aumento da frequência de nado e desejável uso da recuperação reta de braços. Demonstram a técnica Lexie Kelly, nadadora americana de águas abertas, e Junya Koga, japonês campeão mundial dos 100m costas em 2009.

No passado Phelps se utilizou de técnicas já existentes e as elevou a um nível jamais visto antes, como as ondulações submersas após viradas em provas de livre. Será interessante ver o que ele poderá tirar de sua mais nova aquisição.

Por Daniel Takata


Um país, um atleta e algumas medalhas
Comentários Comente

swimchannel

Zimbábue, Irlanda, Coreia do Sul, Tunísia, Filipinas, Iugoslávia, Suriname, Eslováquia e Bielorrússia. Um fato bastante curioso coloca estes nove países na mesma categoria quando o assunto é o histórico deles em provas olímpicas de natação e águas abertas. Todas as medalhas conquistadas por essas nações foram obtidas por apenas um único ou uma única atleta. Por razões óbvias, desconsideramos o retrospecto daqueles países que tem apenas uma medalha olímpica em toda sua história.

O Zimbábue é quem soma mais medalhas, ou melhor, Kirsty Coventry. A nadadora que se prepara disputar no Rio de Janeiro sua quarta Olimpíada subiu ao pódio sete vezes, com destaque para seu bicampeonato nos 200m costas em 2004 e 2008. Coventry é a maior atleta do país africano, afinal sem ela o Zimbábue teria apenas uma conquista olímpica com o time feminino de hóquei sobre a grama. Melhor do que isso só o retrospecto de Anthony Nesty. As duas medalhas do primeiro negro a ser campeão olímpico são também as duas únicas conquistas do Suriname.

De olho no Rio-2016, Coventry irá treinar nos Estados Unidos - Foto: Satiro Sodré

Kirsty Coventry, do Zimbábue, sete medalhas olímpicas – Foto: Satiro Sodré/SS Press

Quem também soma quatro pódios com apenas um atleta são Irlanda e Coreia do Sul. Uma campanha arrasadora e polêmica de Michelle Smith em Atlanta-1996, com três ouros e um bronze, rendeu ao país europeu suas quatro medalhas olímpicas na natação. Michelle foi acusada de nadar esses Jogos dopada, algo que nunca foi provado. Em 1998 ela foi banida das piscinas por doping. O país asiático pode aumentar sua conta no Rio-2016 através de Tae Hwan Park que tem no currículo quatro conquistas. O sul-coreano cumpre os últimos meses de uma condenação por doping e chegará ao Rio de Janeiro buscando superar esse trauma. Outro país que pode ampliar sua conta este ano através de seu único medalhista olímpico é a Tunísia. Oussama Mellouli, único nadador campeão em piscina e nas águas abertas, soma três medalhas.

Fechando a lista temos Iugoslávia, Filipinas, Eslováquia e Bielorrússia com duas medalhas cada, conquistada pela mesma pessoa. Os pódios da natação iugoslava, país que deixou de existir em 1992, vieram através de Durdica Bjedov, uma nadadora croata que foi campeã nos 100m peito e vice nos 200m no México-1968. As conquistas filipinas são de Teófilo Yldefonso, duas vezes bronze nos 200m peito em Amsterdã-1928 e Los Angeles-1932. Martina Moravcová conquistou as duas única medalhas eslovacas em Sidney-2000, quando foi prata nos 200m livre e 100m borboleta. Por fim os pódios bielorrussos são de Aliaksandra Herasimenia, vice-campeã olímpica em 2008 e 2012 nos 50m e 100m livre.

Tae Hwan Park, quatro medalhas olímpicas - Foto: Sportal

Tae Hwan Park, quatro medalhas olímpicas – Foto: Sportal

Tomando como base o último ciclo olímpico alguns países podem fazer parte desta lista no Rio de Janeiro. Caso da Lituânia que pode ver Ruta Meilutyte conquistar sua segunda medalha nos 100m peito ou Trinidad Tobago com George Bovell nos 50m livre. E claro, de outros países que tem atletas bem ranqueados em algumas provas como Bahamas (Arianna Vanderpool-Wallace), Egito (Akram Ahmed), Turquia (Viktoria Zeynep Gunes), Cazaquistão (Dmitriy Balandin), Jamaica (Alia Atkinson) e Cingapura (Joseph Schooling) que podem ir ao pódio olímpico pela primeira vez.

Confira abaixo a lista dos países com medalhas conquistadas por um só atletas:

Zimbábue

Kirsty Coventry: sete medalhas (ouro nos 200m costas, prata nos 100m costas e bronze nos 200m medley em Atenas-2004, ouro nos 200m costas e prata nos 200m e 400m medley e 100m costas em Pequim-2008)

Irlanda

Michelle Smith: quatro medalhas (ouro nos 200m e 400m medley e nos 400m livre, bronze nos 200m borboleta em Atlanta-1996)

Oussama Mellouli três medalhas olímpicas - Foto: Andrew Medichini/AP Photo

Oussama Mellouli três medalhas olímpicas – Foto: Andrew Medichini/AP Photo

Coreia do Sul

Tae Hwan Park: quatro medalhas (ouro nos 400m livre e prata nos 200m livre em Pequim-2008, prata nos 200m e 400m livre em Londres-2012)

Tunísia

Oussama Mellouli: três medalhas (ouro nos 1500m livre em Pequim-2008, ouro na maratona aquática de 10 km e bronze nos 1500m livre em Londres-2012)

Iugoslávia

Durdica Bjedov: duas medalhas (ouro nos 100m peito e prata nos 200m peito em México-1968)

Martina Moravcová, duas medalhas olímpicas - Foto: Vladimir Rys/Getty Images

Martina Moravcová, duas medalhas olímpicas – Foto: Vladimir Rys/Getty Images

Suriname

Anthony Nesty: duas medalhas (ouro nos 100m borboleta em Seul-1988 e bronze em Barcelona-1992)

Eslovênia

Martina Moravcová: duas medalhas (prata nos 100m borboleta e 200m livre em Sidney-2000)

Bielorrússia

Aliaksandra Herasimenia: duas medalhas (prata nos 50m e 100m livre em Londres-2012)

Filipinas

Teófilo Yldefonso: duas medalhas (bronze nos 200m peito em Amsterdã-1928 e Los Angeles-1932)

Por Guilherme Freitas


Federico Grabich e a chance de fazer história
Comentários Comente

swimchannel

“Hoje uma medalha segue sendo difícil, mas não é impossível”. Com essas palavras Federico Grabich termina uma boa entrevista que concedeu para o jornal La Capital e que pode ser conferida aqui. O ano de 2015 foi especial para o velocista argentino que sagrou-se campeão pan-americano e medalhista de bronze nos 100m livre, além de obter uma prata nos 200m livre no Pan de Toronto. Aos 25 anos, Grabich vive a melhor fase da carreira. Com índice olímpico para quatro provas (50m, 100m e 200m livre e 100m costas) ele sabe que a concorrência por um lugar no pódio será duríssima. Mas caso a medalha venha ele entrará para a história da natação de seu país encerrando um longo jejum.

Se Grabich conseguir subir ao pódio no Rio terminará a espera de seu país por uma medalha olímpica masculina. Este ano completam-se 88 anos da única conquista da natação masculina argentina. Em 1928, nos Jogos de Amsterdã, Alberto Zorrilla venceu a prova dos 400m livre estabelecendo um novo recorde olímpico com 5min01s6. Com um espetacular fim de prova, tomou a liderança nos últimos 50 metros, Zorrilla superou o sueco Arne Borg o então recordista mundial da prova e escreveu seu nome na história. Além desta medalha, Zorrilla ainda foi finalista nos 100m e 1500m livre.

O argentino Federico Grabich - Foto: AP Photo

O argentino Federico Grabich – Foto: AP Photo

Depois da medalha de Zorrilla alguns nadadores argentinos passaram perto de repetir seu feito. Mario Chávez, Alfredo Yantorno, Carlos Kennedy, Leopoldo Tahier, Roberto Peper, Alfredo Rocca, Horacio White, José Durañona e Juan Garay foram finalistas olímpicos. As mulheres por outro lado conseguiram duas medalhas: uma prata com Jeannette Campbell nos 100m livre nos Jogos de Berlim-1936 e um bronze com Georgina Bardach nos 400m medley em Atenas-2004.

Grabich não é favorito ao pódio, mas esta entre os cotados para disputar a final. Ano passado ele bateu o recorde nacional nos 100m livre com 48s11, marca que cravou abrindo o revezamento argentino no Pan de Toronto. Na final do Mundial em Kazan foi apenas um centésimo mais lento, o suficiente para lhe garantir o bronze. Ele terminou 2015 na quinta posição do ranking mundial, a frente de Nathan Adrian e James Magnussen, atuais campeão e vice olímpicos.

O lendário Alberto Zorrilla - Foto: Reprodução/Internet

O lendário Alberto Zorrilla – Foto: Reprodução/Internet

Se quiser ter uma medalha pendurada em seu pescoço ele precisará melhorar sua performance e nadar na casa dos 47 segundos. Se repetisse o tempo do ano passado na final de Londres-2012, Grabich seria apenas o oitavo colocado. Mas como ele disse, subir ao pódio não é algo impossível de ser atingido. Ele esta no caminho certo e chegará ao Rio-2016 na melhor forma de sua carreira, lutando pelo seu objetivo. E se conquistar a tão sonhada medalha atingirá o feito que apenas um homem argentino conseguiu até hoje.

Por Guilherme Freitas


Lochte nos 400m medley: nada ou não nada no Rio?
Comentários Comente

swimchannel

Depois de bater na trave em Pequim, quando ficou com a medalha de bronze, Ryan Lochte conquistou logo no primeiro dia de provas dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012 a medalha de ouro nos 400m medley superando Thiago Pereira, Kosuke Hagino e Michael Phelps. Na época o americano afirmou que não nadaria mais os 400m medley em grandes competições para se concentrar em outras provas. Ele alegou que esta é uma prova muita cansativa e que gostaria de encarar novos desafios.

Lochte vem cumprindo esta promessa. Ficou ausente dos 400m medley nos principais eventos deste ciclo olímpico (Mundiais de longa em 2013 e 2015, Mundiais de curta em 2012 e 2014 e Pan-Pacífico em 2014) e experimentou uma nova prova, os 100m borboleta, onde ficou em 6º lugar no Mundial de Barcelona, foi prata no Pan-Pacífico e bronze no Mundial de curta de Istambul. Os 400m medley ele só nadou em eventos menores, como em Grand Prix americanos e no Desafio The Duel in the Pool. Porém, o resultado no último GP em Austin deixou no ar a possibilidade de Lochte encarar novamente a prova no Rio de Janeiro.

Ryan Lochte: maior medalhista da história dos mundiais de curta (foto: Daniel Ochoa De Olza/AP)

Ryan Lochte – Foto: Daniel Ochoa De Olza/AP

Desde Londres-2012, Lochte nadou apenas sete vezes os 400m medley. Foram seis na piscina longa e apenas uma vez na curta. O melhor tempo cravado foi no Grand Prix de Santa Clara onde ele fez 4min11s36. Neste fim de semana em Austin o americano venceu a prova com 4min12s66, um bom desempenho que lhe deixaria em 8º lugar no ranking mundial do ano passado e seria suficiente para lhe colocar na final do Mundial de Kazan.

Depois da prova ele desconversou sobre a possibilidade de encarar novamente a distância em um grande evento dizendo que não gosta de nadá-la por ser uma das mais duras e que já não é mais um garoto. Aos 31 anos de idade, Lochte afirma que esta ouvindo mais o seu corpo e buscando não extrapolar em uma grande quantidade de provas que possam comprometer seu desempenho. Além da questão física há os talentosos concorrentes Daiya Seto, Kosuke Hagino e Chase Kalisz, todos mais jovens e com bom retrospecto nas últimas temporadas.

Lochte dá mostras de que esta recuperado da lesão no joelho - Foto de Clive Rose

Lochte nada ou não nada os 400m medley? – Foto de Clive Rose

É bem possível que Lochte avalie muito bem antes de decidir se nada ou não a prova no Rio de Janeiro. Seu foco será nos 200m medley e 200m livre, além dos revezamentos e ele não pretende se desgastar para ficar fora do pódio. Porém, não será surpresa nenhuma caso seu nome apareça no start list dos 400m medley na seletiva americana. Uma atração a mais para os fãs da natação.

Por Guilherme Freitas


A melhor competição da vida de Katie Ledecky
Comentários Comente

swimchannel

Ontem, durante o último dia de finais do Arena Pro Swim Series os holofotes estavam voltados para a penúltima prova do dia: os 800m livre feminino. Mesmo com a presença de Katinka Hoszzu, Sarah Sjostrom, Missy Franklin, Michael Phelps e Ryan Lochte disputando medalhas na piscina texana de Austin, todos estavam interessados em saber se Katie Ledekcy conseguiria quebrar mais um recorde mundial. E ela conseguiu. Com 8min06s68 melhorou seu antigo recorde em 71 centésimos e tornou-se a primeira mulher a romper a marca de 8min07s na história. Em Austin não é exagero dizer que Ledecky fez a melhor competição de sua vida.

Mas como um simples Grand Prix americano pode ter sido mais relevante do que uma Olimpíada ou um Campeonato Mundial? A resposta são os tempos pessoais alcançados por Ledecky. Em Austin ela cravou os melhores tempos de sua vida em três provas: 100m, 200m e 800m livre. Nos 400m livre ficou a pouco mais de um segundo de seu fantástico recorde mundial e os 1500m livre, prova da qual detém o recorde mundial, não foi disputada na categoria feminina.

O fenômeno Katie Ledecky - Foto: Europe Photo Agency

O fenômeno Katie Ledecky – Foto: European Pressphoto Agency

Em Austin Ledecky mostrou sua versatilidade para as provas de nado livre. Que ela é a melhor fundista da atualidade, ninguém discorda, porém, seus resultados nos 100m e 200m livre também foram bastante positivos. Nos 100m nadou para 53s75 e só foi derrotada por Sarah Sjöström. Com esse tempo ficaria no top 10 da prova na temporada passada. Nos 200m livre ela sobrou na prova e venceu com 1min54s43, quase dois segundos de vantagem sobre Sjöström e três sobre Missy Franklin. A americana foi mais de meio segundo mais veloz do que sua performance em Kazan quando ficou com o ouro.

A cereja do bolo foram os 800m livre na última etapa. O tempo já um absurdo por si só, mas fazendo algumas comparações temos a noção de como ele é fortíssimo. Por exemplo, na passagem dos 400 metros Ledecky cravou 4min03s22, tempo que lhe daria a medalha de bronze no último Mundial de Kazan e lhe deixaria em quarto lugar na Olimpíada de Londres na prova dos 400m livre. Já o tempo total de 8min06s68 também foi apenas um segundo e meio mais lento do que a passagem de Connor Jaeger que venceu a prova masculina dos 1500m livre no mesmo Grand Prix de Austin.

Katie Ledecky segue imbatível - Foto: Arizona Republic/USA Today Sports

Katie Ledecky segue imbatível – Foto: Arizona Republic/USA Today Sports

A performance deste fim de semana mostra que Ledecky esta vivendo um momento incrível e parece ainda estar longe de atingir seu ápice nas piscinas. Aos 18 anos de idade ela já coleciona nove medalhas em Mundiais e uma medalha olímpica (todas de ouro), além de 11 recordes mundiais. Até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro ela deverá nadar outras etapas do Grand Prix, além da seletiva americana. Provavelmente continuará baixando seus tempos pessoais e batendo recordes. Não dá nem para imaginar o que ela pode fazer em agosto no Rio-2016. Afinal, parece que Katie Ledecky ainda não foi apresentada a palavra limite.

Por Guilherme Freitas


GP de Austin: um bom teste para Bruno Fratus
Comentários Comente

swimchannel

Começa amanhã na cidade texana de Austin, a segunda etapa do Arena Pro Swim Series 2015/16, o circuito de Grand Prix da natação americana. Será o primeiro desafio do ano para vários nomes da natação internacional e também um bom teste para alguns atletas que neste semestre vão encarar suas seletivas nacionais visando os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O Brasil terá um representante na competição e esse cara tem boas chances de subir no pódio. Trata-se de Bruno Fratus, radicado há alguns anos em Auburn e que terá um teste interessante neste início de temporada.

O brasileiro terminou 2015 em alta. Segundo colocado no ranking mundial dos 50m livre com 21s37, vice-campeão pan-americano em Toronto e medalha de bronze no Mundial de Kazan, Fratus também mostrou muita regularidade na prova mais rápida da natação. Foram 11 vezes nadando a prova na casa dos 21 segundos, sendo três vezes abaixo dos 21s60. Em Austin Fratus vai nadar os 50m e 100m livre. Também terá pela frente alguns dos concorrentes ao pódio olímpico.

Fratus durante os 50m livre - Foto: Satiro Sodré

Bruno Fratus em ação – Foto: Satiro Sodré

O principal adversário será Nathan Adrian, que também cravou 21s37 em 2015 e dividiu o número 2 do ranking mundial com o brasileiro. Adrian, assim como Fratus, também mantém uma constância na prova. Em 2015 foi muito competitivo ao longo do ano e conseguiu nadar sete vezes na casa dos 21 segundos. Em busca de recuperação após uma temporada ruim, os veteranos da natação americana Anthony Ervin e Cullen Jones também nadarão os 50m livre. A dupla encara o GP de Austin como uma forma de recuperação e motivação para o Olympic Trials onde tentaram vaga para mais uma Olimpíada.

Além dos americanos Fratus terá outros adversários internacionais. O sempre perigoso Vladmir Morozov será um deles. Em Kazan, Morozov terminou os 50m livre em quarto lugar apenas um centésimo atrás de Fratus. O russo, conhecido pela intensidade e explosão, também teve um bom retrospecto em 2015 concluindo a prova oito vezes abaixo dos 21 segundos. Destaque também para uma das grandes revelações da temporada passada, o canadense Santo Condorelli, balizado com o sétimo tempo. E fique de olho também em Michael Chadwick, Matt Grevers, Jimmy Feigen, Brad Tandy e o jovem Michael Andrew.

Nathan Adrian vem evoluindo nesta temporada - Foto: Michael Sohn/AP

O americano Nathan Adrian – Foto: Albert Gea/Reuters

Será bastante interessante acompanhar a disputa dos 50m livre neste Grand Prix. Sem a presença de Florent Manaudou, o homem a ser batido na distância, o equilíbrio entre os velocistas promete ser um dos pontos altos em Austin.

Por Guilherme Freitas