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O invencível Chad Le Clos
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Há pouco mais de dois meses, ou mais exatamente 63 dias, Chad Le Clos não sabe o que é perder uma prova em uma competição oficial. Desde a disputa do Commonwealth Games, o atual campeão olímpico dos 200m borboleta sempre que caiu na piscina, saiu dela com uma medalha de ouro pendurada no pescoço junto com seus óculos, a sua marca registrada.

O atual campeão mundial dos 100m e 200m borboleta na piscina longa disputou todas as seis etapas da Copa do Mundo de piscina curta até o momento: Doha, Dubai, Hong Kong, Moscou, Pequim e Tóquio. Nadou nestas etapas 24 vezes e venceu todas elas. Foram seis vitórias nos 50m borboleta, cinco nos 100m borboleta e nos 100m livre, três nos 50m livre e 200m borboleta e mais duas nos 200m medley. Um feito impressionante.

Suas últimas derrotas aconteceram no dia 28 de agosto, no último dia de disputas do Commonwealth Games de Glasgow. Na etapa final da competição o sul-africano ganhou duas medalhas de bronze, uma individual nos 200m medley e outra com o revezamento 4x100m medley. Lembrando que neste evento Le Clos ganhou sete medalhas, sendo duas de ouro.

Chad Le Clos venceu os 100m borboleta em Glasgow - Foto: Getty Images/Mark Kolbe

Chad Le Clos acumula 24 vitórias na Copa do Mundo - Foto: Getty Images/Mark Kolbe

Le Clos pode ampliar sua invencibilidade na etapa deste fim de semana da Copa do Mundo de piscina curta, que será a última da temporada e ocorrerá em Cingapura. O nadador, que também confirmará o título de rei da Copa do Mundo pela terceira vez em sua carreira, pode conseguir o inédito feito de obter 100% de aproveitamento no circuito, que coroará além do talento, sua regularidade.

Conquistando mais algumas medalhas de ouro em Cingapura, Le Clos poderá chegar motivado e com o status de imbatível ao Campeonato Mundial de piscina curta, principal evento da temporada da Fina. E dependendo dos resultados em Doha, ele pode ampliar ainda mais sua série de vitórias e virar o ano com o título de “invicto”.

Por Guilherme Freitas


Katinka Hosszu, a rainha de US$ 1 milhão
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Continue a nadar, nadar, nadar… Cansaço nunca fez parte do vocabulário da húngara Katinka Hosszu, a mais heterodoxa das estrelas da natação mundial hoje em dia. Digo isso porque Katinka não tem as amarras que os grandes nomes do esporte se colocam, para limitar suas participações e quedas n’água com cálculos precisos de tempo de descanso e projetos de treinos. Não que ela não se planeje, é evidente que não é essa a questão, mas ela simplesmente nada tudo o que pode, como pode, e sempre em altíssimo nível porque… gosta. Pode parecer estranho, uma vez que muitos atletas incríveis acabam ganhando a “responsabilidade'', e perdendo o prazer de cair na água quantas vezes for necessário apenas pela graça de competir.

Um milhão de dólares, é o que valeram três anos de viagens para a húngara

Um milhão de dólares, é o que valeram três anos de viagens para a húngara

Mas Katinka é assim. Ela não perde a vontade de desafiar a si mesma, e bater marcas incríveis onde outros atletas consideram de menos relevância. Isso não significa que ela não tenha pretensões maiores para sua carreira, como um inédito ouro olímpico. Apenas significa que ela tem prazer em ser uma máquina. Em ser a Dama de Ferro.

A nova conquista da nadadora húngara é outro recorde: ela se torna a primeira da história a alcançar US$ 1 milhão em premiações de Copas do Mundo, em três anos participando e vencendo. Boa parte dos grandes nadadores fazem seu pé de meia com gordos patrocínios, salários e bonificações de diversas formas. Até por isso nem se dão ao trabalho de encarar a maratona de sete cansativas etapas da Copa do Mundo, com viagens longas e caras, que quebram qualquer rotina de treinamento e vida pessoal. Quase um Campeonato Brasileiro de Futebol, em que sempre se reclama de jogar quarta e domingo.

Mas Katinka não liga. Ela gosta. Afinal, o que são algumas viagens e disputas para quem já encarou seis provas (com cinco medalhas de ouro) em apenas 2h de competição, quase como uma atleta petiz?

Ela vai levar a coroa de Rainha das Copas do Mundo pela terceira vez na próxima semana, quando a etapa de Singapura encerra a maratona de provas pelo planeta. Até o início da etapa de Tóquio (em que a húngara já levou cinco medalhas, diga-se de passagem), ela tinha somado US$ 215.000 em premiações. A conta ainda vai engordar. A premiação é de US$ 1500 para cada primeiro lugar, 1000 para o segundo e 500 para o terceiro, sendo acrescidos mais US$ 10 mil por recorde mundial – o que ela bateu cinco vezes durante o ano.

Outra marca ela já tinha batido antes de Tóquio: a de número de vitórias no evento mundial. Já são mais de 110, sendo que a marca anterior era de Martina Moravcova, com 105 ouros. Das 17 provas que existem na Copa do Mundo, a húngara já venceu 11, só não conseguindo superar as do estilo de peito.

Claro, a dificuldade de se tirar a coroa de Katinka se dá porque nem todos consideram sequer relevante encarar essa maratona. Mas os planos de Hosszu não são pequenos. Seu técnico (e marido) Shane Tusup acredita que uma quebra de recorde mundial (algo que ela já fez nas duas provas de medley) e medalha olímpica no Rio em 2016 é perfeitamente possível.

O triunfo de Katinka é justamente essa cabeça leve e tranquila, de quem faz simplesmente o que ama. É o que a empurra quando a dor atrapalha, o corpo grita, e o cérebro se nega a continuar nas braçadas finais, simplesmente rezando para que sua dona apenas pare e desista de se punir dessa forma. A recompensa de rejeitar a reação natural de seu corpo é o que transformou a esguia atleta em uma verdadeira máquina aquática, prestes a fazer história mais uma vez.

Continue a nadar, nadar, nadar…

Por Mayra Siqueira

 


Lochte: de olho num possível recorde em Doha
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Em Doha, durante o Campeonato Mundial de piscina curta, o supercampeão Ryan Lochte poderá igualar um recorde histórico da competição: vencer pela quinta vez seguida a mesma prova num Mundial de piscina de 25 metros. Uma marca que apenas um nadador conseguiu ao longo de 11 edições disputadas: o britânico James Hickman.

Especialista no nado borboleta, Hickman foi absoluto na disputa dos 200m borboleta durante cinco Campeonatos Mundiais. O britânico venceu essa prova nas edições de Gotemburgo-1997, Hong Kong-1999, Atenas-2000, Moscou-2002 e Indianápolis-2004. Tanto entre homens, como entre mulheres, até hoje ninguém foi tão dominante em uma prova na história do Mundial como ele. Um grande nadador em piscina de 25 metros, Hickman também foi recordista mundial na curta dos 100m e 200m borboleta e no Mundial de Manchester em 2008 atuou no departamento de comunicação do evento. Hoje trabalha como manager de marketing da Speedo Internacional.

Ryan Lochte é uma das estrelas confirmadas para a edição 2013 do Duel in The Pool - Foto: Clive Rose/Getty Images

Lochte pode vencer os 200m medley pela quinta vez - Foto: Clive Rose/Getty Images

Lochte terá a chance de igualar Hickman em uma de suas especialidades: os 200m medley. O americano venceu esta prova nas últimas quatro edições do Mundial: Xangai-2006, Manchester-2008, Dubai-2010 e Istambul-2012. Poderia já ter igualado o recorde, mas em Indianápolis-2004 foi derrotado por Thiago Pereira e acabou com a medalha de prata. Em Doha Lochte é o favorito para levar o ouro e de tabela, igualar o feito de Hickman. Depois a meta será superá-lo no Mundial de Windsor em 2016.

Já o feminino é marcado pelo equilíbrio. Nenhuma nadadora chegou a ganhar a mesma prova mais de três vezes. Porém, quatro nadadoras já ganharam o mesmo evento em três oportunidades. A chinesa Chen Hua ganhou os 800m livre nos Mundiais de Hong Kong-1999, Atenas-2000 e Moscou-2002; a americana Jenny Thompson ganhou a medalha de ouro nos 100m borboleta em Gotemburgo-1997, Hong Kong-1999 e Atenas-2000; a eslovaca Martina Moravcová venceu os 100m medley em Hong Kong-1999, Atenas-2000 e Moscou-2002 e a ucraniana Yana Klochkova triunfou nos 400m medley em Hong Kong-1999, Atenas-2000 e Moscou-2002. Caso nade em Doha, a chinesa Zhao Jing é a única com chances de repetir um trimundial na prova dos 50m costas.

James Hickman tem cinco medalhas de ouro - Foto: Harry How/Getty Images

James Hickman tem cinco medalhas de ouro – Foto: Harry How/Getty Images

Por Guilherme Freitas


Santos recebe a 1ª Clínica da ASCA no Brasil
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Aprimoramento da técnica, da teoria, da prática. A ideia de melhor formação de aprendizes em qualquer área está diretamente ligada à capacitação dos profissionais que ensinam e passam seu conhecimento. Sentindo necessidade de melhorar o nível e movimentar o mercado dos técnicos de natação no Brasil, o ex-nadador Djan Madruga traz para Santos um importante e prestigiado evento internacional: um curso da ASCA, Associação Americana de Técnicos de Natação.

“Voltei a estudar  treinamento de natação em 2010, aos 52 anos, buscando me atualizar com as técnicas de treinamento e gestão americanas. Eu quis compartilhar o conhecimento que adquiri com nossos treinadores, pois percebi que poucos brasileiros compareciam às clínicas internacionais, e isso me incomodava bastante. Agora com a ASCA no Brasil acredito que iniciaremos um círculo virtuoso de amplo compartilhamento de conhecimento'', contou o otimista Djan à Swim Channel.

A ideia é promover um encontro anual como um mega evento, reunindo temas como novas técnicas de treinos, novos acessórios, novos eventos etc.

“Inicialmente, faço uma crítica para a nossa comunidade técnica, que publica muito pouco sobre treinamento de natação. Existe uma grande lacuna que começará a ser preenchida com a vinda da ASCA. Ganharemos  treinadores mais capacitados, com mais conhecimento teórico e prático, e compartilhamento de informação. Essa é a principal contribuição da ASCA, que faz  com que os treinadores troquem seus “segredos” publicamente e que outros os testem'', completou Djan.

Djan Madruga é organizador e será um dos palestrantes da Clínica (foto: arquivo pessoal)

Djan Madruga é organizador e será um dos palestrantes da Clínica (foto: arquivo pessoal)

São quase dez mil associados à ASCA, que é sediada em Fort Lauderdale, na Florida, e que existe desde 1959.

O curso da ASCA em Santos acontecerá paralelamente ao Brasileiro Juvenil, na Unisanta, entre 28 e 30 de novembro, de forma que os treinadores que estiverem no Campeonato consigam estar presente nos dois eventos. Serão seis palestrantes, dois internacionais.  O americano Bob Steele, que é um dos mais conceituados treinadores americanos da velha guarda, dará um curso sobre criatividade e jogos em treinos; Arilson Champam, que mora há 10 anos nos EUA treinando nos setores clube e escola, falará sobre liderança e sobre o programa americano de natação para a mesma faixa etária dos juvenis em Santos. O próprio Djan também dará uma palestra, assim como os treinadores e professores Romulo Noronha, Rogerio Karfunkelstein e Daniel Melo.

O evento tem o apoio da ABTDA- Associação Brasileira de Técnicos de Desportos Aquáticos. Inscrições e mais informações estão no site do evento.

A Swim Channel é patrocinadora da 1ª Clínica da ASCA no Brasil.

Por Mayra Siqueira


Nadadores com síndrome de down disputam Mundial no México
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A cidade mexicana de Morelia será palco da 7ª edição do Campeonato Mundial de Natação para nadadores com Síndrome de Down durante os dias 7 e 15 de novembro. Organizado pela DSISO (Down Syndrome International Swimming Organisation, em português Organização Internacional de Natação para Portadores de Down), o evento terá provas de 25 a 800 metros e é o maior para nadadores com essa deficiência e acontece a cada dois anos.

Assim como acontece nos Jogos Paralímpicos e nos Mundiais Paralímpicos, o Mundial para nadadores com síndrome de down também é separados por classes, de acordo com o grau da deficiência de cada atleta. Neste caso o evento é dividido em duas categorias: T21 e mosaico. A classe T21 reúne os nadadores com a síndrome de down em sua totalidade e a classe mosaico é para os atletas com grau leve da síndrome, também conhecido como mosaicismo. Atletas com síndrome de down podem disputar os Jogos Paralímpicos na categoria S14.

O nadador brasileiro Caíque Aimoré - Foto: Daniele Traverso

O nadador brasileiro Caíque Aimoré – Foto: Daniele Traverso

Até o momento, estão confirmadas as presenças de mais de 200 atletas de 23 países. O Brasil, uma das potências da natação paralímpica mundial, enviará ao México uma equipe de 25 nadadores. Na classe mosaico os destaques são Caíque Aimoré e Kelly da Silva Antunes. Na edição passada do campeonato, disputada em 2012, na cidade italiana de Loano, ambos venceram sete provas e foram os melhores atletas do evento. Já na classe T21 a principal esperança de medalhas para o Brasil é Pedro Fernandes, que também foi ao pódio no Mundial de Loano-2012 ganhando duas medalhas de prata.

A primeira edição do Mundial para nadadores com Síndrome de Down foi disputada em 2002, quando a cidade inglesa de Reading sediou a competição que reuniu sete países. Desde então o evento vem crescendo e ganhando a participação de mais países. O Brasil disputa o Mundial desde 2008 quando o campeonato foi disputado em Albufeira, em Portugal.

Para mais detalhes sobre o campeonato acesse o site oficial clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


‘Somos os melhores do mundo. O difícil agora será manter’
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Ela é movida a desafios. Conquistar o tricampeonato da Copa do Mundo de Águas Abertas pareceu até fácil, já que veio com duas etapas de antecipação, das oito que completam o circuito. Ana Marcela Cunha subiu ao pódio… oito vezes. Foi campeã em cinco, buscando uma marca diferente.

“O desafio que me levou a seguir bem nas competições, apesar de já ter o tri garantido, é que nenhum atleta foi pódio em todas as etapas da Copa do Mundo. Fazer isso foi histórico, e foi o que não me deixou relaxar. Pra conseguir esse feito'', afirmou.

Ana Marcela gosta tanto de bater suas próprias marcas que o sonho de atravessar o Canal da Mancha, só pelo desafio, segue em pauta. Só precisará ser um pouco atrasado. O sorriso jovem de 22 anos mostra que, pra ela, a alegria é apenas nadar – quanto mais quilômetros, melhor. A baiana tem como foco o Mundial de Kazen, em 2015, para conseguir, na sequência, brigar pelo ouro olímpico na prova dos 10km. E até para facilitar a preparação para a distância, ela encarou o desafio da Travessia Capri-Napóles, com 36km. “Depois dessa prova eu precisei de quase duas semanas pra me recuperar 100%. É um desgaste muito grande. Só que depois de nadar 36km, nadar os 10 ficou muito fácil. Depois de passar 6h nadando, você percebe que duas horas é tranquilo. Psicologicamente foi muito bom''.

Focando, inclusive, em se tornar uma campeã olímpica, com grandes rivais pela frente, Ana Marcela deve desistir de disputar os 5km em Kazan. “Pelo que ouvimos, a prova dos 5km será antes dos 10km. Então vou focar na distância olímpica, abrir mão da mais curta, e nadar os 25km com certeza''.

Etapa de Hong Kong encerrou a Copa do Mundo perfeita de Ana Marcela e Allan

Etapa de Hong Kong encerrou a Copa do Mundo perfeita de Ana Marcela e Allan

E Allan do Carmo?

“Foi uma emoção muito grande pra ele e pra mim, porque desde 2006 estamos na mesmo seleção, ele sempre está crescendo, mas nunca conquistou um título tão grande. Mostra que o lado masculino tem vindo forte'', disse Ana Marcela. Mas o amigo foi ainda além ao falar da conterrânea. “Ana Marcela é uma pessoa muito querida. Ela serve como exemplo de superação pra mim. Companheira de muitos anos de seleção, tenho muito a aprender e crescer com ela'', contou Allan à Swim Channel.

Campeão com título inédito, ele puxa uma geração fortíssima com Diogo Vilarinho e Samuel de Bona. “Não à toa, dos seis primeiros da última etapa em Hong Kong, três eram brasileiros. O nível é muito alto e não dá para relaxar. Na seletiva (em dezembro, para o Mundial de 2015) tudo pode acontecer. Não posso ficar na euforia do título''.

Mas Allan garantiu que a disputa entre os brasileiros é bastante sadia: “Virou uma coisa comum pra nós. Estamos sempre viajando juntos, conseguimos separar competitividade de amizade. Sempre nos respeitamos, e é isso que faz a diferença''.

Com a concorrência dentro do próprio país, Allan sabe que não pode bobear. Assim como Ana Marcela, deve abrir mão de nadar os 5km em Kazan, caso garanta a vaga, para focar no 10km e completar a disputa com os 25km.

O feito da dupla deve ser coroado com a premiação de atletas do ano na eleição da FINA. Mas que o Brasil é o novo país das águas abertas, ninguém mais duvida.

“Chegamos no limite. O mais difícil agora é se manter, já que todos querem chegar onde estamos. Somos os melhores do mundo'', finalizou Ana Marcela.

Por Mayra Siqueira


Um possível super 50m livre em Doha
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Restam exatos 42 dias para o início do Campeonato Mundial de piscina curta de Doha, principal evento de natação da Fina e que fechará a temporada 2014. Aos poucos, as principais seleções do mundo vão anunciando suas equipes para disputar a competição. Katinka Hosszu e Chad le Clos, atuais líderes do circuito da Copa do Mundo, são presenças confirmadas no Mundial do Catar. Também chama atenção o número de ótimos velocistas que disputarão os 50m livre masculino.

Campeão mundial e recordista de campeonato em 2010, Cesar Cielo vai atrás do bimundial na piscina curta. O nadador brasileiro tem o melhor tempo do ano (20s68) e durante o Troféu José Finkel houve até a expectativa de quebrar o recorde mundial. O velocista é talvez o grande favorito ao ouro no Mundial e por isso partiu para os Estados Unidos para focar seus treinos na curta com Scott Goodrich, técnico que o acompanhou no Mundial de Barcelona. Mas a vida de Cielo não será fácil em Doha.

No Mundial de curta de 2010, Cielo foi ouro nos 50m e 100m livre - Foto: Satiro Sodré

Cielo espera repetir o ouro no Mundial de 2010 - Foto: Satiro Sodré

O atual campeão mundial na curta, o russo Vladimir Morozov será um de seus adversários. Ele não teve um bom ano, pois nem finalista dos 50m livre no Campeonato Europeu de Berlim foi. Agora tentará compensar esta frustração subindo ao pódio no Mundial de Doha. Outro adversário será um velho conhecido: o francês Florent Manaudou, que em Istambul ganhou a medalha de prata. Se Cielo lidera o ranking mundial na curta, o francês é o mais veloz na longa este ano e chega motivado para tentar roubar outra medalha de Cielo em uma rivalidade que cresce a cada evento internacional.

Além do trio, existem outros grandes velocistas confirmados para o Mundial de Doha. Os Estados Unidos escalaram Cullen Jones e Josh Schneider para disputar a prova, ambos medalhistas nesta prova em Mundiais de curta. O Reino Unido terá o jovem Ben Proud e a Polônia provavelmente terá Konrad Czerniak. Outras duas figurinhas carimbadas nas etapas da Copa do Mundo de piscina curta deverão nadar os 50m livre: os veteranos Roland Schoeman e George Bovell.

Morozov e Manaudou duelam nos 50m livre - Foto: Murad Sezer/Reuters

Morozov e Manaudou são outros dois favoritos ao ouro – Foto: Murad Sezer/Reuters

Em anos pares onde não são disputados Jogos Olímpicos ou Mundiais de piscina longa, o Mundial de curta costuma ser bastante concorrido e disputado por vários atletas de ponta. Em Dubai-2010 isso aconteceu, com uma reunião dos melhores velocistas do mundo. Cielo, Fred Bousquet, Alain Bernard, Luca Dotto, Josh Schneider e Stefan Deibler estavam naquela final. E isso que nomes como Nathan Adrian, Stefan Nystrand, Nicholas Santos e Roland Schoeman pararam nas semifinais.

Boa parte da elite dos velocistas do mundo estará em ação na piscina do Aspire Sports Complex em Doha, no que deve ser uma das melhores finais da história do Mundial de curta.

Por Guilherme Freitas


Brasil cada vez mais o país das águas abertas
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Com a realização da etapa de Hong Kong da Copa do Mundo de Águas Abertas da Fina, a natação brasileira de maratonas aquáticas ratifica o seu status de país das águas abertas. Em 2013 o Brasil venceu por pontos a tradicional Alemanha no Campeonato Mundial de Barcelona e ainda voltou para casa com cinco medalhas no peito. Dessa vez o título mundial veio em dose dupla, ou melhor, em coroas: rei e rainha da Copa do Mundo.

A dupla baiana Ana Marcela Cunha e Allan do Carmo brilhou em 2014 e vencendo o principal circuito mundial de maratonas aquáticas com autoridade. Ana Marcela foi absoluta, vencendo cinco das oito etapas e ganhando seu terceiro título no circuito (havia sido campeã em 2010 e 2012) com duas provas de antecedência. Já Allan teve um ano especial, vencendo suas duas primeiras provas no evento, somando outros três pódios e batendo o alemão Thomaz Lurz na prova decisiva, nada mais, nada menos, do que o melhor atleta da história das águas abertas. O feito da dupla deverá ser coroado com o prêmio de melhor atleta da temporada em eleição realizada pela Fina.

Ana Marcela e Allan do Carmo foram os campeões da Copa do Mundo-2014 - Foto: Satiro Sodré

Ana Marcela e Allan do Carmo foram os campeões da Copa do Mundo-2014 – Foto: Satiro Sodré

Mas o sucesso das águas abertas não se resumiu aos dois campeões da Copa do Mundo. Poliana Okimoto, melhor atleta do mundo em 2013, começou bem a temporada vencendo a primeira etapa e levando dois bronzes nas provas seguintes. Porém, sofreu uma lesão que a deixou alguns meses parada. Voltou com tudo para as duas etapas finais e garantiu mais duas medalhas de prata. Seria vice-campeã do circuito, mas como não cumpriu os 70% exigidos pelo regulamento não pode ficar com o prêmio.

No masculino os jovens Samuel de Bona e Diogo Villarinho são grandes exemplos da evolução dos homens na modalidade. Samuel, que ano passado venceu uma etapa, não foi ao pódio em 2014, mas esteve sempre disputando posição entre os melhores. Já Diogo foi a grande revelação do ano, subindo ao pódio pela primeira vez com duas medalhas de bronze e terminando a temporada em quarto lugar geral, além de nadar sempre no pelotão da frente contra atletas muito mais experientes.

A seleção brasileira de águas abertas, cada vez mais a melhor do mundo - Foto: Satiro Sodré

A seleção brasileira de águas abertas, cada vez mais a melhor do mundo – Foto: Satiro Sodré

Não é mais nenhuma surpresa ver uma bandeira do Brasil tremulando no pódio ou uma touca verde-amarela liderando um pelotão. Na Copa do Mundo foram 20 medalhas conquistadas pelos brasileiros, sendo oito de ouro. Agora as atenções e treinos se voltam para os principais eventos de 2015: o Campeonato Mundial de Kazan e os Jogos Pan-Americanos de Toronto. Antes disso, porém, haverá em dezembro a seletiva para a maratona masculina de 10 km do Mundial de Kazan. No feminino Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha já estão garantidas.

Por Guilherme Freitas


O último dos moicanos
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Nos últimos grandes eventos internacionais desta temporada foram estabelecidos novos recordes mundiais. Na piscina longa tivemos Katie Ledecky superando as marcas nos 400m e 1500m livre no Pan Pacífico e Adam Peaty nos 50m peito durante o Campeonato Europeu. E na piscina curta a dama de ferro Katinka Hosszu bateu três marcas nas provas de medley durante as etapas de Dubai e Doha da Copa do Mundo.

Olhando a tabela de recordes mundiais, tanto na piscina longa, quanto na curta, praticamente todos foram estabelecidos durante a era dos trajes tecnológicos (entre 2008 e 2009) ou posteriormente este período (desde 2010) quando os nadadores tiveram que se adaptar a nadar sem a revolucionária e polêmica tecnologia. Apenas um recorde mundial não foi obtido neste período: o dos 1500m livre masculino na piscina curta.

No dia 7 de agosto de 2001 o australiano Grant Hackett se ajeitava na raia 4 da piscina do Miami Aquatic Centre em Perth para nadar sua prova preferida no Campeonato Australiano de piscina curta. O nadador imprimiu um ritmo alucinante durante todo o percurso e nos últimos 100 metros acelerou ainda mais. Conclui a prova, mas não parou. Continuou nadando até ser alertado por um árbitro de que já havia vencido.

Hackett em seus tempos áureos - Foto: Reprodução

Hackett em seus tempos áureos – Foto: Reprodução

“Não estava contando as chegadas e não consegui ouvir o sino por causa do barulho na piscina. Além disso, meus óculos estavam embaçados. Para não arriscar pensei que era melhor ter a certeza e continuar nadando”, afirmou Hackett após se tornar o homem mais rápido da história a concluir os 1500m livre na piscina de 25 metros em 14min10s10. Na época, uma reportagem da revista Swimming World afirmava que Hackett poderia ter sido ainda mais veloz, se aproximando dos 14 minutos cravados, porque desacelerou para fazer a virada e bateu na parede com os pés.

Em 2001 Hackett vivia a melhor fase da sua carreira. Vinha do título olímpico no ano anterior e semanas antes desta performance em Perth batera o recorde mundial nos 1500m livre na piscina longa durante o Campeonato Mundial de Fukuoka, onde foi campeão nos 1500m e vice nos 400m e 800m livre.

Infelizmente não conseguimos um vídeo desta espetacular performance para publicar aqui, mas deixamos abaixo as parciais que Hackett registrou nesta prova naquele dia 7 de agosto de 2001. E destaque para fortíssimo fim de prova de 55s98! Definitivamente, um monstro das piscinas e que no mês passado voltou aos treinos.

O nadador australiano Grant Hackett - Foto: Ezra Shaw/Getty Images

O nadador australiano Grant Hackett – Foto: Ezra Shaw/Getty Images

Confira abaixo as parciais:
100m: 53s60 (53s60)
200m: 1min49s96 (56s36)
300m: 2min46s46 (56s50)
400m: 3min43s19 (56s73)
500m: 4min40s13 (56s94)
600m: 5min37s00 (56s87)
700m: 6min34s11 (57s11)
800m: 7min31s36 (57s25)
900m: 8min28s45 (57s09)
1000m: 9min25s73 (57s28)
1100m: 10min22s90 (57s17)
1200m: 11min20s05 (57s15)
1300m: 12min17s11 (57s06)
1400m: 13min14s12 (57s01)
1500m: 14min10s10 (55s98)

Por Guilherme Freitas


Um dos mais belos desafios do litoral
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A independência e imprevisibilidade. São coisas que geralmente parecem tentadoras para quem gosta de desafios. O mundo do esporte também pode ser carregado destes fatores. E, para os amantes das maratonas aquáticas, podem agregar mais um item na lista: a experiência.

Ihabela

Ihabela

A travessia do canal de Ilhabela, com 3.800 metros, alia o desafio e a experiência, colocando cada atleta frente a frente com o estímulo de superar e completar uma prova diante também de um belo e receptivo ambiente. A prova será realizada nos dias 22 e 23 de novembro.

“Um dos objetivos é levar e entregar para o atleta tudo isso, mas há um segundo objetivo que é fortalecer este tipo de prova em nosso país e tornar esta travessia uma prova icônica, desejada e que chegue aos atletas de outros estados e países'', defendeu João Castro, um dos organizadores da prova.

Uma maratona aquática envolve também a superação das adversidades da natureza, como correntes, ventos e ondulações, exigindo uma leitura correta das variáveis que irão definir o sucesso do atleta. João garante: a organização vai trabalhar de maneira inédita no Brasil em estrutura de segurança de água, para assegurar a tranquilidade, mas o resto é com cada nadador.

A agencia Ecooutdoor é especializada em organização de eventos esportivos, e já tem em mente duas edições da travessia do canal de Ilhabela. Espera uma participação de cerca de 300 pessoas no evento deste ano, ambicionando chegar aos mil atletas para 2015. A prova por sua quilometragem ganhou naturalmente um reforço que é atender atletas que já participaram ou principalmente aqueles que vão fazer seu primeiro IronMan, maior prova de Triathlon no Brasil e que tem na natação a distancia de 3.800 metros.

O evento, em si, terá 3 dias. Na sexta-feira os atletas chegam na Ilhabela, para a ambientação. No sábado haverá a entrega dos kits, chip, jantar de massas e congresso técnico obrigatório, além da praia onde a arena estará montada, que ficará à disposição de todos. E, enfim, no terceiro dia, a competição. A partir das 8h da manhã, todos os atletas embarcarão em escunas, e depois serão deixados no ponto de largada.

A travessia de Ilhabela é organizada pela Ecooutdoor e pela Swim Channel. Mais informações no site do evento.

Por Mayra Siqueira