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Vem ai um meeting em prol da natação universitária
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Acontece no dia 25 de outubro, na piscina da AAAPB em São Paulo (também conhecida popularmente como a piscina da Escola Paulista de Medicina), a primeira edição do Meeting Universitário de Natação, um evento que pretende desenvolver a natação universitária brasileira e promover um maior intercâmbio entre equipes de variados cursos e instituições. Atualmente, a natação universitária no Brasil conta com campeonatos intercursos, como Economíadas, Intermed, entre outros, além dos Jogos Universitários Brasileiros (Jubs).

Este inovador evento é fruto do empenho de profissionais que querem alavancar a natação universitária no país e dar mais oportunidades para que nadadores e estudantes possam competir com maior frequência. “Nossa meta é que este meeting se firme como um dos principais eventos do calendário nacional. Iremos realizar uma competição por semestre e esperamos que ele atinja o maior número de faculdades e universidades”, afirma Felipe Freitas, técnico de equipes universitárias e um dos idealizadores da competição que deverá receber cerca de 150 nadadores de mais de 20 instituições.

O complexo da AAAPB com destaque para a piscina do evento - Foto: AAAPB/Reprodução

O complexo da AAAPB com destaque para a piscina do evento – Foto: AAAPB/Reprodução

O evento também terá duas inovações em competições universitárias. Uma delas será a inclusão das provas de revezamentos mistos e a outra uma premiação individual aos melhores índices técnicos no masculino e feminino, de acordo com a tabela de pontos da Fina. A competição será realizada em apenas uma etapa e terá as seguintes provas: 50m livre 50m costas, 50m peito, 50m borboleta, 100m medley e 200m livre, além dos revezamentos 4x50m livre e 4x50m medley misto.

As inscrições já estão abertas e poderão ser realizadas individualmente ou pelas atléticas. O valor será de R$ 20,00 por atleta e dá direito ao nadador competir em quantas provas ele quiser, incluindo os revezamentos. Para mais informações é possível contatar a organização do evento através do e-mail meeting.natacao@hotmail.com ou pela página oficial do Meeting Universitário no Facebook, clicando aqui.

O meeting universitário espera reunir 150 nadadores - Foto: Reprodução

O meeting universitário espera reunir 150 nadadores – Foto: Reprodução

Por Guilherme Freitas


O duelo China vs Japão no Jogos da Ásia
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Começa no próximo domingo em Incheon as provas de natação da 17ª edição dos Jogos da Ásia, um dos maiores eventos esportivos do mundo. Serão quase 10 mil atletas de 45 países do continente disputando as dezenas de modalidades esportivas. Os Jogos, que sempre movimentam milhões de dólares, são praticamente uma mini-Olímpiada pelo seu tamanho e fórmula de disputa. A natação é um dos maiores destaques dos Jogos e tem o grande astro local: Tae Hwan Park. Nas piscinas também estará em jogo a hegemonia continental. De um lado a China e do outro o Japão.

Na última edição dos Jogos da Ásia, realizada na cidade chinesa de Guangzhou em 2010, os dois monopolizaram o quadro de medalhas da competição. Das 114 medalhas entregues, 93 delas ficaram com atletas destes dois países. E detalhe, em todas as provas disputadas haviam nadadores da China ou do Japão no pódio. Os chineses foram superiores ganhando 54 medalhas, 24 delas de ouro, contra 39 dos japoneses, destas apenas nove douradas. O país que mais se aproximou das duas potências foi a Coreia do Sul com 13 pódios, boa parte deles conquistados por Tae Hwan Park.

O chinês Sun Yang é uma das atrações dos Jogos da Ásia - Foto: US Presswire

O chinês Sun Yang é uma das atrações dos Jogos da Ásia – Foto: US Presswire

A China chega a Incheon com força máxima. Os chineses pouparam seus principais atletas ao enviar uma equipe B para o Campeonato Pan Pacífico. Enquanto os reservas encaravam as disputas em Gold Coast, os campeões olímpicos Sun Yang, Ye Shiwen e Liuyang Jiao treinavam duro de olho na competição continental. Yang terá todo os holofotes voltados para si, afinal a competição em Incheon será sua primeira participação internacional após o conturbado e polêmico período após o Mundial de Barcelona, com confusões dentro e fora das piscinas.

Por outro lado, o Japão não poupou seus principais atletas do Pan Pacífico e os nadadores encararam a competição na Austrália como um aquecimento de luxo visando os Jogos da Ásia. E o saldo foi até positivo com 19 medalhas conquistadas. Com uma equipe renovada e ao mesmo tempo experiente, os japoneses chegam a Incheon almejando ter um desempenho melhor contra os chineses em relação a última edição dos Jogos. Pelo os resultados obtidos por Kosuke Hagino e Ryosuke Irie no último campeonato japonês e no Pan Pacífico os torcedores nipônicos podem ficar bem animados.

Os japoneses Daiya Seto e Kosuke Hagino chegam confiantes a Incheon - Foto: Reprodução

Os japoneses Daiya Seto e Kosuke Hagino chegam confiantes a Incheon – Foto: Reprodução

Ao todo, 61 nadadores chineses foram inscritos no evento contra 38 do Japão. Os dois países fatalmente dominarão o quadro de medalhas mais uma vez. Uma rivalidade que promete ser um bom tira-teima para o Campeonato Mundial de Kazan-2015 e para os Jogos Olímpicos do Rio-2016.

Por Guilherme Freitas


Swim Channel lança edição#19
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Lançada a nova edição da SWIM CHANNEL! A edição 19 traz em sua capa a nova estrela da natação brasileira: Matheus Santana! Campeão olímpico e recordista mundial júnior é o entrevistado desta edição onde conta um pouco mais sobre como é sua rotina de treinamentos na Unisanta, em Santos, e também sobre seus objetivos para o futuro, como os Jogos Olímpicos do Rio e integrar o revezamento 4x100m livre do Brasil. A edição também traz bastante uma matéria especial sobre a travessia Caraguá-Ilhabela, o uso de palmar, natação durante a gestação, entre outros. A capa é assinada pelo nosso diretor de arte, Klaus Bernhoeft e a imagem é do fotógrafo Wander Roberto/Inovafoto/COB. Confiram os destaque da edição:

Capa da edição #19

Capa da edição #19

Matheus Santana: Confira uma entrevista exclusiva com a maior revelação da natação brasileira dos últimos anos. O campeão olímpico e recordista mundial júnior fala sobre sua carreira, conquistas e planos para o futuro. Por Daniel Takata.

Travessia Caraguá-Ilhabela: Fique por dentro dessa prova desafiadora disputada em revezamento no litoral norte paulista. Por Guilherme Freitas

Palmar: Afinal, esse acessório é indicado para correção da braçada ou para ganho de força? Descubra! Por Marcelo Tomazini.

João Havelange: Confira a trajetória de um dos maiores nadadores brasileiros de sua época até sua carreira como dirigente esportivo. Por Daniel Takata.

Treinamento com palmar - Foto: Satiro Sodré

Treinamento com palmar – Foto: Satiro Sodré

Nutrient Time: Saiba como a alimentação pode ajudar na fadiga muscular durante a travessia. Por Daniel Cady.

Natação na gestação: A gravidez não é problema para continuar nadando. Veja aqui os benefícios que a natação traz as gestantes. Por Dra. tathiana Parmigiano.

Fabiola Molina 10 anos: A marca criada pela ex-nadadora da seleção brasileira completa uma década de sucesso e apresenta uma nova coleção. Por Mayra Siqueira.

Swim Shop: Apresentamos os melhores modelos de palmar para você usar durante seus treinamentos. Por Guilherme Freitas.

A ex-nadadora Flavia Delaroli durante a gravidez - Foto: Carolina Moncorvo/Swim Brasil

A ex-nadadora Flavia Delaroli durante a gravidez – Foto: Carolina Moncorvo/Swim Brasil

A largada nas águas abertas: Sem dúvida, um dos momentos mais eletrizantes e intensos de toda a prova. Por Luiz Lima.

Entupidos de natação: Os últimos meses foram uma verdadeira overdose de natação com eventos espelhados pelo mundo. Por Alexandre Pussieldi.

Let's Swim: Confira um treino específico para você melhorar seu desempenho nos 100m borboleta. Por Leandro Okuda.

Os exemplares cestão sendo distribuídos esta semana aos assinantes e bancas de jornal. Para fazer a sua assinatura acesse o site: swimchannel.com.br

A marca Fabiola Molina completa dez anos - Foto: Fabiola Molina/Reprodução

A marca Fabiola Molina completa dez anos – Foto: Fabiola Molina/Reprodução

Por Guilherme Freitas


Desafio Piraquê Raia Rápida: Brasil campeão
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Como esperado, o III Desafio Piraquê Raia Rápida, realizado ontem no Rio de Janeiro, foi ainda melhor do que no ano passado. Com a presença de campeões olímpicos (o americano Anthony Ervin e os sul-africanos Roland Schoeman e Cameron van der Burgh), campeões mundiais (os brasileiros Felipe França e Nicholas Santos e o sul-africano Gerhard Zandberg, além dos outros três já citados), um campeão olímpico da juventude (Matheus Santana) e outros tantos com grandes conquistas, o evento foi um sucesso. O evento, que tem apoio da SWIM CHANNEL, foi transmitido ao vivo pela Rede Globo dentro do Esporte Espetacular. A cereja do bolo foi a vitória brasileira, a primeira em três anos de competição.

A seguir, um resumo do que de mais importante aconteceu.

Piscina do Botafogo ao amanhecer no dia do evento (foto: Pedro Monteiro)

Piscina do Botafogo ao amanhecer no dia do evento (foto: Pedro Monteiro)

- O tempo, que no ano passado não ajudou (nublado e chuva fina), desta vez foi perfeito. Sem uma nuvem no céu, os cinegrafistas puderam explorar ao máximo a beleza da piscina do Botafogo. Com 26 câmeras, meia dúzia a mais do que no ano passado, a Rede Globo também investiu nos equipamentos com super slow, que produzem aquelas imagens em câmera lenta que até o mais indiferente fica hipotizado em frente à televisão. Câmeras sub-aquáticas e nos blocos de partida deixaram a transmissão com nível de Olimpíada e Campeonato Mundial.

- O sul-africano Gerhard Zandberg nunca teve uma das melhores reações ao tiro de partida em provas de costas, devido a falta de agilidade pela sua estatura (tem 2,04m), mas nesse Raia Rápida sua saída estava ainda mais lenta que o usual. Parte pode ser explicado pelo fato dele não estar treinando muito (divide seu tempo com a função de técnico de natação) e seu reflexo não está apurado, e outra parte para evitar um escorregão na saída na lisa placa da Colorado utilizada na competição. Placa que inclusive gerou muitas reclamações: o australiano Daniel Arnamnart e o americano David Plummer escorregaram na primeira e na segunda baterias dos 50m costas, respectivamente, e acabaram eliminados. Mesmo com a saída lenta, Zandberg derrotou o brasileiro Guilherme Guido na bateria final (25s00 x 25s12).

Gerhard Zandberg e Guilherme Guido. Notem o alto tempo de reação do sul-africano (foto: Zequinha Santos)

Gerhard Zandberg e Guilherme Guido. Notem o alto tempo de reação do sul-africano (foto: Zequinha Santos)

- Cameron van der Burgh, campeão olímpico dos 100m peito, teve sua mala extraviada e precisou competir com o equipamento emprestado do compatriota Giulio Zorzi. Pode ter atrapalhado um pouco, mas mesmo se estivesse com suas vestimentas provavelmente não seria páreo para Felipe França, que com 27s21 colocou meio segundo no sul-africano. Apesar de van der Burgh ter todos os títulos possíveis nos 50m peito, França também tem e não perde do rival na prova desde 2010: vitórias no Mundial de Curta de 2010, Mundial de Longa de 2011 e Raia Rápida 2014.

- O americano Eugene Godsoe destacou que foi no Raia Rápida de 2012, em que ele também nadou os 50m borboleta, que ele viu que essa poderia ser uma boa prova para ele. Resolveu investir e o resultado foi a medalha de prata no Mundial do ano passado, a maior conquista de sua carreira. Na edição de ontem, pelo segundo ano consecutivo, foi derrotado por Nicholas Santos, que teve o melhor resultado da competição: 22s97, o terceiro melhor tempo do mundo no ano, melhor inclusive que o vencedor do Campeonato Mundial do ano passado.

- Após a competição, o americano Anthony Ervin admitiu que tem uma das piores saídas entre os nadadores de elite dos 50m livre. Isso ficou evidente no duelo final contra o sul-africano Roland Schoeman, que para piorar tem uma das melhores saídas do mundo. Na largada, deixou o americano meio corpo atrás. Mas o nado de Ervin compensou a deficiência na saída e ele fez uma prova de recuperação incrível, vencendo com 21s91 contra 22s19. A parte nadada de sua prova é uma das melhores do mundo, e seu melhor tempo de 21s42, no ano passado, o coloca entre os melhores velocistas da atualidade ao lado do francês Florent Manaudou e dos brasileiros Cesar Cielo e Bruno Fratus.

O sul-africano Roland Schoeman (foto: Satiro Sodré)

O sul-africano Roland Schoeman (foto: Satiro Sodré)

- Antes do evento, Felipe França dizia que esperava aproveitar sua habilidade e impulsão na saída para tirar vantagem contra os adversários na troca do revezamento 4x50m medley. Ele relembrou o que fez nos Jogos Pan-Americanos de 2011, quando no revezamento medley tirou uma distância incrível do nadador americano (veja aqui o vídeo, na marca de 3min40s). Foi o que fez novamente: pulou um pouco atrás da África do Sul e dos Estados Unidos, mas tirou a vantagem na saída e continuou abrindo frente, sem se importar se do seu lado estava o campeão olímpico Cameron van der Burgh. Sua parcial: um impressionante 26s76, mesmo depois de ter nadado três vezes.

- Nos 50m livre, o tempo do americano Anthony Ervin foi 9 décimos mais rápido que o de Matheus Santana. Quando o brasileiro pulou para fechar o revezamento, estava 8 décimos à frente. Por isso a lógica apontava para uma vitória dos Estados Unidos. Ainda mais quando Ervin colou no brasileiro já aos 25 metros. Mas o esporte subverte a lógica, Matheus cresceu e Ervin não conseguiu mais terreno no final da prova. Apesar da fortíssima parcial do americano (21s31) e da ínfima diferença no final (1min37s68 x 1min37s75), não ficou aquela impressão de que se a prova tivesse mais cinco metros os Estados Unidos venceriam, e sim que o brasileiro poderia manter a liderança.

- O tempo do revezamento foi anunciado ao microfone como nova marca mundial, mas não é recorde mundial. Simplesmente porque a FINA não reconhece a prova oficialmente (apesar de fazê-lo em piscina de 25 metros). A marca brasileira fica registrada como “world best'', ou seja, uma espécie de recorde mundial não oficial. Apesar disso, existe o recorde sul-americano da prova, e este será devidamente registrado.

- A vitória foi muito comemorada pela torcida e também pela organização na beira da piscina, que apesar de sempre receber os nadadores estrangeiros muito bem e de sempre criar um vínculo com eles, são brasileiros acima de tudo.

- Matheus Santana começou a frequentar as seleções brasileiras adultas este ano. Neste Raia Rápida, se mostrou totalmente à vontade no meio dos veteranos Guilherme Guido, Felipe França e Nicholas Santos, que o acolheram da melhor forma possível em todos os eventos que fizeram parte nos últimos dias e na concentração no hotel. Apesar de ter sido muito assediado pela imprensa, atendeu a todos sempre com um sorriso no rosto, e mesmo já sendo uma das estrelas da natação brasileira, não foram poucas as pessoas que destacaram ao menos algum episódio de demonstração de humildade extrema do nadador durante os últimos dias.

Matheus Santana (foto: Satiro Sodré)

Matheus Santana (foto: Satiro Sodré)

- Um encontro de gerações muito interessante aconteceu. De um lado, o presente da natação brasileira na piscina, com Guilherme Guido, Felipe França, Matheus Santana. De outro, vários ex-nadadores prestigiando o evento, seja trabalhando ou assistindo, com destaque para grandes nomes da década de 90: Gustavo Borges, Luiz Lima, Alexandre Massura, Fernando Saez, Milene Comini, Teófilo Ferreira, Pedro Monteiro. Por vezes dava para se sentir em plena Olimpíada de Atlanta/1996! Nicholas Santos, que nadou seu primeiro Campeonato Mundial em 2001, chegou a frequentar várias competições com esse pessoal, o que valoriza ainda mais o fato de conseguir se adaptar a diferentes gerações e se manter entre os melhores do mundo.

- Após o evento, alguns dos nadadores estrangeiros foram dar uma volta na praia do Leme. Não foram poucas as pessoas que os reconheceram. “Olha lá os caras do Raia Rápida'', era o que se ouvia. E eles nem estavam com os uniformes com os quais se apresentaram na transmissão. Nadadores não estão acostumados com esse tipo de assédio, mas uma transmissão ao vivo na Rede Globo faz a diferença. Este ano, é a única competição de natação de piscina transmitida ao vivo na emissora, e a maior audiência do esporte em 2014.

- Com o evento ganhando cada vez mais em emoção e visibilidade, muitos nadadores querem participar. A estrela australiana James Magnussen foi um dos que procuraram a organização para fazer parte este ano, mas teve que cancelar sua vinda por problema de contusão. Muitas grandes nadadoras pressionam os organizadores para uma versão feminina – a campeã mundial Therese Alshammar, da Suécia, é uma delas. Os nadadores da África do Sul, país estreante na competição, já avisaram que vieram para ficar, e que no ano que vem esperam conseguir trazer ninguém menos que o colega Chad le Clos, campeão olímpico dos 200m borboleta.

Por Daniel Takata

Equipe brasileira campeão (foto: Satiro Sodré)

Equipe brasileira campeã (foto: Satiro Sodré)


Anápolis sediará mais uma edição do Interfederativo Júnior
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Foi divulgado na semana passada o balizamento da 15ª edição do Campeonato Brasileiro Interfederativo Júnior, a Copa Cidade de Anápolis. O evento, criado em 2000, será disputado entre os dias 18 a 20 de setembro, sendo realizado desde 2002 na cidade goiana de Anápolis, na piscina da UniEvangélica (as duas primeiras edições aconteceram em Goiânia). Assim como a competição em Mococa, quem cai na água são as seleções estaduais de cada federação aquática.

A competição foi criada para ser uma versão júnior do tradicional Troféu Chico Piscina, envolvendo as seleções estaduais das federações filiadas a CBDA. A seleção paulista (FAP) é a maior vencedora com dez títulos e em 2014 busca seu quarto triunfo seguido. A seleção do Rio de Janeiro (FARJ) venceu as três primeiras edições e a seleção de Minas Gerais (FAM) ganhou um título em 2009. Este ano a competição esta esvaziada e estão confirmadas as presenças de 132 atletas de apenas nove federações, sendo a seleção mineira a grande ausência. A competição tem ao todo 64 provas, entre provas de 50m e 400m, nas categorias júnior 1 e júnior 2.

Vista da piscina da Uni Evangélica - Foto: site da Prefeitura de Anápolis

Vista da piscina da Uni Evangélica – Foto: site da Prefeitura de Anápolis

Muitos atletas que no futuro viriam a conquistar medalhas em eventos internacionais nadaram e se destacaram no evento. A lista é grande: Cesar Cielo, Bruno Fratus, Leonardo de Deus, Daynara de Paula, Felipe Lima, Tales Cerdeira, Henrique Rodrigues e por ai vai. Cielo, inclusive, detém até hoje dois recordes na competição na categoria júnior 1: nos 50m borboleta (24s31) e nos 50m livre (22s32). Uma curiosidade é que assim como no último Troféu José Finkel, o nadador Thiago Simon também já teve um desempenho de 100% de aproveitamento neste campeonato. Foi na edição de 2007 quando ganhou cinco medalhas de ouro.

Este ano a seleção paulista é mais uma vez a favorita para vencer a competição. Entre os nadadores que disputarão o Interfederativo estão alguns com passagens recentes pelas seleções brasileiras de base, casos de Bruna Primati e Andreas Mickosz que estiveram nos Jogos Olímpicos da Juventude e Felipe Monni, Pedro Spajari e Jackson Cândido que integraram a seleção brasileira no último Mundial Júnior de Dubai, no ano passado.

Confira o balizamento da competição clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Desafio Piraquê Raia Rápida: tudo pronto
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A piscina já está pronta, as câmeras estão a postos, o sistema está testado e os atletas estão preparados e motivados. O palco e os artistas estão em ponto de bala para o III Desafio Piraquê Raia Rápida.

Ontem, os 16 atletas dos quatro países participantes – África do Sul, Austrália, Brasil e Estados Unidos – foram ao Complexo Esportivo da Rocinha para ação social, parte da programação do evento. Os atletas não escondiam a empolgação em participar. Nicholas Santos chegou na correria após uma gravação, almoçou na pressa e apesar do cansaço fez de tudo para estar com os colegas. Compartilharam bons momentos com a criançada, que não escondiam a empolgação por estar com seus ídolos. Alguns jovens nadadores mostraram muito talento e impressionaram até mesmo Sérgio Onha Marques, treinador de Felipe França, que acompanha a delegação brasileira. Um dia para ser lembrado por todos.

Matheus Santana e os australianos Daniel Arnamnart e James Stacey na ação social (foto: Satiro Sodré)

Matheus Santana e os australianos Daniel Arnamnart e James Stacey na ação social (foto: Satiro Sodré)

À noite, aconteceu o congresso técnico, com a direção técnica explicando e tirando todas as dúvidas em relação ao formato da competição e à transmissão de televisão. Um congresso técnico diferente, com a participação de todos os atletas, em um clima descontraído e com uma homenagem ao australiano Daniel Arnamnart, que ajudou muito a organização a superar os problemas com sua seleção (Christian Sprenger e James Magnussen tiveram que desistir por causa de lesões e tiveram que ser substituídos de última hora), e que inclusive faz aniversário amanhã, no dia da competição.

Piscina do Botafogo pronta para a competição (foto: Alessandro Koizumi)

Piscina do Botafogo pronta para a competição (foto: Alessandro Koizumi)

Hoje de manhã, aconteceu o último treino na piscina do Botafogo, aberto para a imprensa. Todos os atletas brasileiros foram entrevistados, com Matheus Santana entrando ao vivo para o RJTV, jornal regional da Rede Globo. Uma ótima oportunidade para a natação na mídia, com o ápice sendo amanhã, com mais de uma hora ao vivo no Esporte Espetacular a partir das 10h da manhã. O tempo estava belíssimo, e a previsão é que assim se mantenha amanhã.

Atletas no último treino antesd do evento (foto: Alessandro Koizumi)

Atletas no último treino antesd do evento (foto: Alessandro Koizumi)

O clima entre os atletas é o melhor possível, e é uma rara oportunidade para eles compartilharem tantos momentos com colegas de outros países, em almoços e jantares, passeios e treinos. Como Felipe França destacou na entrevista coletiva na quinta-feira, é uma ótima oportunidade de conviver mais proximamente com atletas de culturas diferentes e aprender com eles.

Mas também, é claro, há o clima competitivo. O gigante sul-africano Gerhard Zandberg não tem dúvidas de que seu país é o favorito, pois todos são medalhistas individuais em mundiais. Roland Schoeman, campeão olímpico em 2004, disse que a África do Sul fará um papel muito melhor que a França vinha fazendo nos anos anteriores. O americano Anthony Ervin disse que está muito bem para suportar o formato da competição. Os australianos confiam na capacidade de nadar provas de 200 metros para aguentar as seguidas caídas n'água

O sul-africano Roland Schoeman (foto: Satiro Sodré)

O sul-africano Roland Schoeman (foto: Satiro Sodré)

E os brasileiros, bem, os brasileiros vêm mostrando uma confiança e motivação de chamar a atenção. Quem vê parece que estão indo disputar um Campeonato Mundial. Matheus Santana, apesar da juventude, não se intimida nem um pouco em nadar contra campeões olímpicos e mundiais como Schoeman e Ervin. Apesar da força das outras equipes, não dá para negar que os brasileiros estão com uma energia diferente e uma equipe muito unida, essencial em uma competição com um formato como esse. Um grande chance de trazer o título pela primeira vez para o país.

Para relembrar: transmissão ao vivo a partir das 10h da manhã, no Esporte Espetacular, com narração de Alex Escobar e comentários de Gustavo Borges.

Por Daniel Takata

Equipe brasileira: Nicholas Santos, Matheus Santana, Guilherme Guido e Felipe França (foto: Satiro Sodré)

Equipe brasileira: Nicholas Santos, Matheus Santana, Guilherme Guido e Felipe França (foto: Satiro Sodré)


Como foi a coletiva de imprensa do Desafio Piraquê Raia Rápida
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Aconteceu hoje, ao lado da piscina do Botafogo, no Mourisco Mar, a coletiva de imprensa da terceira edição do Desafio Piraquê Raia Rápida. Conduzida pelos diretores do evento, Patrick Winkler e Pedro Monteiro, os capitães das equipes foram apresentados e deram suas impressões do evento. Depois os jornalistas fizeram pergunta aos nadadores presentes (ainda a chegar no Brasil estão o sul-africano Cameron van der Burgh, o americano David Plummer e o australiano Kurt Herzog). Acompanhe abaixo a transcrição.

Apresentação dos capitães

Nicholas Santos (Brasil): É um prazer participar novamente desse evento, que foi muito bacana no ano passado, apesar da chuva. Esse ano o tempo está bem melhor, a piscina com os blocos novos está bem bacana, e as equipes estão mais fortes. Gostaria de desejar boa sorte a todos os participantes. Acho que o Brasil está mais forte do que no ano passado, temos boas condições de vencer.

Roland Schoeman (África do Sul): É minha primeira vez aqui no Rio. Peço desculpas por falar em inglês, não sei falar muito bem português. Agradeço pelo convite, é um evento fantástico. Dá para ver pela reação da mídia porque o Brasil é um país tão forte na natação. É uma grande oportunidade de estar no Rio antes da Olimpíada e desfrutar o ambiente. Nós não vamos desapontar como os franceses (se referindo à equipe francesa que ficou na quarta posição nas edições de 2012 e 2013). Estou empolgado também para conhecer as mulheres brasileiras! Sou grande amigo do Nicholas e quem sabe eu encontre uma esposa aqui e vire meio brasileiro! Brincadeiras à parte, fico feliz que o evento não seja somente para jovens nadadores, mas também para veteranos como eu e o nicholas.

Daniel Arnamnart (Austrália): É bom estar de volta. É minha terceira vez aqui e vamos defender o título. Desta vez temos um time bem jovem, mas com especialistas em provas de 200 metros, que pode ser fundamental no quesito resistência no formato do evento. É uma boa oportunidade de estar no Rio, está bem quente aqui, ao contrário da Austrália. Eu bem que gostaria de ficar o dia inteiro na praia me bronzeando!

Anthony Ervin (Estados Unidos): Eu já sabia do evento antes de vir, o pessoal lá nos Estados Unidos gosta bastante e eu estava ansioso para poder nadar. O primeiro contato que tive com o evento foi quando cheguei aqui (no Botafogo) e vi o encontro da montanha com o mar, é muito bonito! Vocês têm muita sorte de ter isso. Sendo minha primeira vez aqui, quero explorar essa terra linda e espero estar aqui daqui dois anos para os Jogos Olímpicos. Eu e o time americano teremos o melhor desempenho possível e queremos vencer a competição.

Os capitães das equipes e os diretores do evento (foto: Satiro Sodré)

Os capitães das equipes e os diretores do evento (foto: Satiro Sodré)

Perguntas dos jornalistas

Pergunta: Nicholas, como traça um panorama desse evento?

Nicholas: No ano passado eu já tinha a estratégia em mente. Na primeira vez que caí na água, fiz uns 23.7 e me assustei porque todo mundo chegou junto, terminei em terceiro. E você tem que dosar na estratégia, para poupar energia. A segunda bateria foi 10 minutos depois, fui mais forte e repeti o mesmo tempo. Pensei, “vou ter que acelerar mais na próxima senão vou perder.'' O intervalo foi mais extenso, então duelei com o Eugnene (Godsoe) e consegui vencer com 23.2, um tempo muito bom para mim, já que não tinha raspado, só passei a máquina. Para o revezamento tem um tempo bom de descanso, não acumula tanto, mas na prova individual os nadadores têm que tomar cuidado para não se desgastar para as etapas seguintes.

Pergunta: Esse evento é por equipes, mas também se trata de uma junção de individualidades. Como avalia as individualidades do time do Brasil?

Nicholas: O Felipe França e o Guilherme Guido são atletas experientes. O Guido é medalhista mundial e piscina curta, o França é campeão mundial dos 50m peito na piscina longa. O Matheus é bem jovem e vem derrubando recordes. Tem 48.2 nos 100m livre e 22.1 nos 50m, e isso mostra como o Brasil está forte na competição. Mas todo mundo tem que colocar na cabeça a estratégia para chegar bem e disputar a primeira colocação. Vou até passar para eles o que fiz no ano passado e que deu certo.

Pergunta: Matheus, você já competiu depois de Nanquim? O que mudou? O assédio aumentou?

Matheus Santana (Brasil): Depois de Nanquim nadei o Troféu José Finkel. Nadei um dia depois de voltar de viagem, não fui muito bem, estavam meio cansado. O que mudou foram algumas entrevistas. O assédio não mudou muito, o que aumentou foram alguns seguidores em redes sociais. Espero nadar bem aqui e ajudar o time.

Pergunta: Como se sente sendo tão jovem e nadando ao lado de Ervin, Schoeman, Nicholas?

Matheus: É difícil de explicar. Vi esses caras competindo pela televisão, e poder nadar ao lado deles é muito bacana. Quando paro para pensar que eu via esses caras disputando uma final olímpica e agora nadar uma competição contra eles é bem legal.

Equipe brasileira: Nicholas Santos, Guilherme Guido, Felipe França e Matheus Santana (foto: Satiro Sodré)

Equipe brasileira: Nicholas Santos, Guilherme Guido, Felipe França e Matheus Santana (foto: Satiro Sodré)

Pergunta: Roland, você pretende estar na próxima Olimpíada com 36 anos? Velocista realmente fica melhor conforme o tempo passa?

Schoeman: Definitivamente espero estar no Rio em 2016. Nenhum sul-africano esteve em cinco Olimpíadas e esse é meu objetivo. Em relação a velocista ficar melhor com o tempo, não sei dizer. Por muito tempo, a carreira dos nadadores ia até 21, 22 anos. Hoje, nadadores como Nicholas, Ervin, eu, George Bovell, ficamos mais profissionais, melhoramos a dieta, o condicionamento físico, então é difícil comparar. Sinto que continuo melhorando, acredito que os outros caras também, o céu é o limite.

Pergunta: Ervin, você nadou o Swim Stars em Cingapura há uma semana, e teve dificuldades com provas consecutivas. Como avalia a experiência, já que no Raia Rápida o formato também prevê provas consecutivas?

Ervin: O formato é similar, mas não exatamente comparável. Em Cingapura comecei nadando os 100m livre. Dez minutos depois, nadei os 50m livre. Para caras velhos como eu, não é o tipo de formato muito legal. Talvez se eu tivesse sido mais esperto como o ancião aqui (se referindo a Roland Schoeman), teria desistido dos 100m e nadado só os 50m! (risos)

Pergunta: Matheus, todo mundo está com grande expectativa e orgulhoso de te ver nesse grupo. Temos três nadadores medalhistas em mundiais e vão entregar o revezamento para você provavelmente na frente. Você está preparado para encarar essa e terminar na frente?

Matheus: Estou totalmente preparado. Nado bem os 100m, mas nado bem os 50m também. Voltei a treinar agora depois de Nanquim, e se entregarem na frente para mim vai ser difícil a gente perder essa prova.

Pergunta: Roland, tem algum planejamento para se preparar aqui no Rio para os Jogos Olímpicos?

Schoeman: Por enquanto sem planos. Mas estava conversando com Anthony (Ervin) e acho que é importante deixar um legado. Sendo provavelmente minha última Olimpíada, eu, e Anthony também, gostaria de voltar depois para o Rio para encontrar alguma maneira de ajudar no desenvolvimento da natação no país, um projeto social ou algo do tipo.

Pergunta: Daniel Arnamnart, vocês tiveram uma preparação diferente do ano passado para tentar manter o título?

Arnamnart: Estávamos com uma equipe bem forte, mas infelizmente Christian Sprenger e James Magnussen não puderam vir por causa de lesões. Como eu já mencionei, nossa equipe está acostumada com provas de 200 metros. É minha terceira vez aqui e tenho tentado passar dicas sobre estratégia, e acho que o maior desafio é sobreviver à primeira rodada. Uma vez que consigamos isso, com nossa resistência, podemos ir até o fim.

Pergunta: França, como essa competição pode te ajudar na preparação para o Mundial de Doha?

Felipe França (Brasil): Eu, em conjunto com meu técnico Sérgio, decidi não tirar férias após o Finkel, onde obtive bons resultados, para participar do evento. Creio que me ajudará não somente na parte técnica, do nado, mas também na parte psicológica. Vai ser muito bom conviver esses dias com esses atletas de fora, como por exemplo o Cameron van der Burgh, ver o que eles fazem, aprender com eles. Tudo isso vai servir para eu aprender mais, adquiririr mais experiência e fazer uso em Doha e em minha carreira.

Pergunta: Guido, pelo fato de vocês acabarem de sair do Finkel, descansados e polidos, acha que é uma vantagem?

Guilherme Guido (Brasil): Ter um campeonato próximo realmente é uma vantagem, mas a maioria dos nadadores também vêm de campeonatos. Alguns aqui nadaram o Swim Stars em Cingapura, outros o Pan-Pacífico, então esse pessoal também vem bem e todo mundo vai brigar de igual para igual. Nesse ponto não tem vantagem para ninguém. Quem conseguir fazer mais tiros a 100% e tiver uma estratégia melhor é quem vai levar as provas e o revezamento.

Por Daniel Takata


Novos rumos: está 2016 logo ali
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A tendência da natação brasileira nos últimos anos estava sendo a inversa da história: a repatriação de nadadores que buscaram alternativas de treinamentos e melhor estrutura no exterior. Agora a situação parece estar se invertendo novamente. Cada qual por seu motivo específico, os atletas voltam a buscar no exterior oportunidades para cumprir seu planejamento para os Jogos Olímpicos de 2016.

Cesar Cielo revelou durante o Troféu José Finkel que vai passar mais um período nos Estados Unidos, outra vez para treinar com Scott Goodrich, seu técnico depois que deixou ele trabalho com Albertinho Silva após o bronze em Londres-2012. A conversa com a CBDA ajudou a definir a preparação do paulista para o Mundial de curta de dezembro, prioridade para o velocista na temporada de 2014.

“A grande diferença para os atletas mais maduros é que eles possam concluir seu próprio programa de trabalho. O Cielo chegou a me dizer queMinas Gerais é difícil pra ele, que não consegue ir ao supermercado ou ter uma vida normal. Ele preciso de concentração, e está indo buscar isso'', revelou Ricardo de Moura, supervisor técnico da confederação.

Cesar Cielo já tem uma antiga relação com as piscinas americanas

Cesar Cielo já tem uma antiga relação com as piscinas americanas

Já Thiago Pereira não dará continuidade ao seu trabalho com Albertinho por uma escolha do próprio treinador de deixar as bordas da piscina para se dedicar mais à CBDA. No momento sem um caminho definido, o carioca vai para os Estados Unidos, inicialmente para se aconselhar e buscar alternativas para traçar seu novo rumo com o americano Jon Urbancheck, que treinou Gustavo Borges no país.

“Com certeza ele vai me ajudar a encontrar alguém. A decisão é importante, pois preciso decidir meu trabalho nos dois anos finais para a Rio-2016, que são os anos mais importantes da minha vida. Tenho o apoio do COB, CBDA e do meu clube. Eles me ajudarão em tudo que eu precisar'', disse Thiago Pereira.

O foco de Thiago foi o Pan Pacífico, que acabou ajudando a revelar, no Troféu José Finkel no mês seguinte, que o atleta não estava completamente sanado de uma lesão que o incomoda há bastante tempo. O momento é de recuperação física plena para o nadador do SESI-SP, que já teve um desgaste muito grande no último ciclo olímpico.

Sem técnico, Thiago buscará alternativas também nos Estados Unidos - Foto: Satiro Sodré

Sem técnico, Thiago buscará alternativas também nos Estados Unidos – Foto: Satiro Sodré

“Com os campeonatos de 2014, que é um ano sem Mundial (de piscina longa), tivemos uma visão mais parecida do que teremos em 2016. E foi acima de nossas expectativas'', complementou Ricardo.

A CBDA promete ter um planejamento detalhado e completo de todos os esportes aquáticos para 2016 pronto ao final do mês de setembro. Os atletas de ponta da seleção brasileira estão tendo liberdade para buscar as melhores alternativas dentro dos seus objetivos. Nicholas Santos, que tenta o índice olímpico nos 100m borboleta, seguirá treinando com Albertinho Silva, mas em janeiro também irá para os Estados Unidos trabalhar com Brett Hawke, antigo técnico de Cielo e atual comandante de Bruno Fratus. O mesmo para Felipe Lima, deve se juntar à equipe do australiano em Auburn.

Os ventos (e águas) estão mudando para os nadadores brasileiros.

Por Mayra Siqueira


Desafio Piraquê Raia Rápida: melhor a cada ano
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O Desafio Piraquê Raia Rápida nasceu em 2012, no ano dos Jogos Olímpicos de Londres, visando atrair olhares de todo o mundo para a natação em direção à Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Para isso, a meta dos organizadores era mesclar formato atrativo, grandes nomes e exposição na mídia.

Estamos em 2014, o evento vai para sua terceira edição e já é um sucesso de público e crítica. Apesar de não ser uma competição oficial da FINA, não são poucos os nadadores que querem disputá-la. No ano passado, a sueca Therese Alshammar, campeã mundial, declarou publicamente em uma rede social que não vê a hora de criarem a versão feminina para ser convidada.

A competição, que conta com o apoio da SWIM CHANNEL e tem no editor chefe Patrick Winlker seu diretor técnico, acontecerá no próximo domingo, 14 de setembro, na piscina do Botafogo, o famoso Mourisco, às margens da Baía de Guananbara no Rio de Janeiro. Quatro equipes com quatro dos mais velozes nadadores do mundo começam a chegar na cidade carioca a partir de hoje: África do Sul, Austrália, Brasil e Estados Unidos.

Coletiva de imprensa da edição de 2013 (foto: Satiro Sodré)

Coletiva de imprensa da edição de 2013 (foto: Satiro Sodré)

As provas serão televisionadas ao vivo pela Rede Globo, dentro do Esporte Espetacular, com comentários de Gustavo Borges. O sistema de disputa, que no final apontará um país vencedor, é simples. Cada país contará com um nadador em cada uma das provas de 50 metros (borboleta, costas, peito e livre). Na primeira rodada, os quatro nadam. O último colocado é eliminado e recebe um ponto. Na rodada seguinte, voltam os três melhores. Novamente, o último é eliminado e recebe dois pontos. Na rodada final, um duelo entre os dois melhores aponta o vencedor do estilo. São quatro pontos para o vencedor, e três para o vice. Ao final das provas individuais, é disputado um revezamento 4x50m medley com as quatro equipes, com pontuação dobrada (oito pontos para o vencedor, seis para o segundo e assim por diante). O país que somar mais pontos é o vencedor do evento.

As equipes

A Austrália, equipe com melhor aproveitamento nas duas primeiras edições do Raia Rápida (vice em 2012 e campeã em 2013), desta vez está desfalcada. Matt Targett, presente nas duas edições e vice-campeão mundial dos 50m borboleta em 2009 e 2011, se aposentou. Christian Sprenger, presente no ano passado, campeão mundial dos 100m peito em 2013, está lesionado. James Magnussen, que nadou na edição de 2012, atual bicampeão mundial dos 100m livre, tinha presença confirmada, mas uma lesão nas costas o impediu de vir. O único remanescente é Daniel Arnamnart, nadador olímpico, no nado costas. James Stacey e Kurt Herzog substituem Sprenger e Magnussen. Jayden Hadler, que também fez parte da seleção olímpica em 2012, nada o borboleta.

Toucas que serão utilizadas pelas equipes (foto: Patrick Winkler)

Toucas que serão utilizadas pelas equipes (foto: Patrick Winkler)

Quanto aos outros países, o line-up chega a ser inacreditável. A África do Sul vem com uma equipe totalmente estrelada, os Estados Unidos, campeões em 2012, conseguiram reforçar ainda mais a equipe e o Brasil vem com o time mais forte que já contou nas edições da competição. Dos 12 nadadores desses países, nada menos que 10 são medalhistas individuais em campeonatos mundiais. E um dos dois que não são é o atual recordista mundial junior e campeão olímpico da juventude.

Este é o brasileiro Matheus Santana, a atual sensação da natação do país. Se juntam a ele Guilherme Guido, ex-recordista dos 50m costas do Campeonato Mundial e bronze nos 100m costas no Mundial de Curta de 2012; Felipe França, campeão mundial dos 50m peito tanto em longa (2011) quanto em curta (2010) e ex-recordista mundial da prova; e Nicholas Santos, atual campeão mundial dos 50m borboleta em piscina curta e líder do ranking mundial da prova em piscina longa em 2013.

A África do Sul traz Gerhard Zandberg, campeão mundial dos 50m costas em 2007 e bronze em 2003, 2009 e 2011; Cameron van der Burgh, campeão olímpico dos 100m peito em 2011 e campeão mundial dos 50m peito em 2009 e 2013; Giulio Zorzi, bronze nos 50m peito no Mundial de 2013; e Roland Schoeman, campeão mundial dos 50m livre em 2005 e 50m borboleta em 2005 e 2007, campeão olímpico do revezamento 4x100m livre, vice nos 100m livre e bronze nos 50m livre em 2004.

O sul-africano Cameron van der Burgh, atual campeão olímpico dos 100m peito (foto: Reuters)

O sul-africano Cameron van der Burgh, atual campeão olímpico dos 100m peito (foto: Reuters)

Os Estados Unidos também tem uma equipe impressionante. David Plummer é o atual vice-campeão mundial dos 50m costas; Mike Alexandrov é o atual bicampeão mundial do revezamento 4x100m medley em piscina curta e vice-campeão mundial universitário dos 100m peito em 2013; Eugene Godsoe é o atual vice-campeão mundial dos 50m borboleta; e Anthony Ervin foi campeão olímpico dos 50m livre em 2000 e campeão mundial dos 50m e 100m livre em 2001.

50m costas

Plummer tem um ligeiro favoritismo, pois, além de ter velocidade, tem um final de prova muito bom nos 100 metros, o que lhe dá endurance para eventuais três caídas n'água de 50m costas. Arnamnart, apesar de ter o pior tempo dos quatro competidores, tem experiência na disputa e sabe perfeitamente o que vai encarar, ao contrário dos outros três. Guido está veloz, teve um excelente Troféu José Finkel e sabendo administrar o cansaço é a nossa aposta para chegar ao duelo final contra Plummer. Zandberg, apesar da categoria e da experiência, já tem mais de 30 anos e ficou alguns meses sem treinar no ano passado, quando quase se aposentou. É veloz, mas Guido tem mais condições de aguentar três tiros de 50 metros.

50m peito

Stacey está um patamar abaixo dos adversários e se não ocorrer surpresas deve ser o primeiro eliminado. Entre os quatro, Alexandrov é o que mais costuma nadar os 200m peito e tem resistência para aguentar seguidas caídas n'água. Mas todos querem ver um duelo final entre Felipe França e Cameron van der Burgh, rivais de longa data: em 2009, o brasileiro bateu o recorde mundial dos 50m peito, mas o sul-africano tomou para si no Campeonato Mundial daquele ano e deixou França com a prata. No Mundial de curta de 2010 e no Mundial de 2011, o troco: ouro para o brasileiro, com o sul-africano em degraus mais baixos no pódio. França está em excelente forma e vem de um Troféu José Finkel exuberante, além de uma prata no Pan-Pacífico. Van der Burgh fez seu melhor tempo sem trajes esse ano em piscina longa. Enfrentou problemas de contusão, mas chega forte. Um duelo imprevisível e imperdível.

50m borboleta

Hadler não prima pela velocidade, mas nada bem provas de 100m e 200m e pode surpreender se sobreviver ao primeiro duelo, com o objetivo de se aproveitar de sua resistência nas rodadas seguintes. Zorzi é uma incógnita: especialista no peito, terá que nadar borbo devido a presença de Van der Burgh. Os favoritos são mesmo Godsoe e Nicholas, que no ano passado também fizeram o duelo final. Apesar da idade (33 anos), Nicholas segurou bem e fez um tempo expressivo em 2013, derrotando o americano que vinha de uma medalha de prata no Mundial de Barcelona.

Nicholas Santos, vencedor dos 50m borboleta em 2013 (foto: Satiro Sodré)

Nicholas Santos, vencedor dos 50m borboleta em 2013 (foto: Satiro Sodré)

50m livre

Herzog, indicado pelo próprio James Magnussen para substitui-lo, jamais nadou abaixo de 23 segundos e será uma surpresa caso consiga até mesmo passar pela primeira rodada. Entre os competidores, Ervin é o que vem sendo o mais veloz, mas, com idade acima de 30 anos, resta saber se conseguirá manter o fôlego em três rodadas de alta intensidade. O mesmo vale para Schoeman, que tem uma das melhores saídas de bloco do mundo. Matheus Santana, de somente 18 anos, obviamente ainda não tem a explosão e a massa muscular que adquirirá naturalmente com o tempo, mas prima por um final de prova de 100m livre primoroso. Ou seja, tem mais condições de suportar o cansaço da competição. Será um interessante duelo de estratégias.

Revezamento 4x50m medley

Aqui, tudo dependerá do que terá acontecido nas provas individuais. Quem nadar mais vezes chegará mais cansado. No ano passado, a França teve todos seus nadadores eliminados na primeira rodada das provas individuais e quase venceu o revezamento, pois seus atletas chegaram mais descansados que os dos outros times. No papel, considerando a soma dos melhores tempos de 2014 dos nadadores, os Estados Unidos levam ligeira vantagem (1:37.93), seguidos de Brasil (1:38.07) e África do Sul (1:38.72). Mas aqui a velocidade não é tudo, e sim a capacidade de manter um alto nível minutos após ter nadado as provas de 50 metros. Por isso, é totalmente imprevisível. E como será a prova que decidirá o troféu, a emoção permanecerá até o fim.

Por Daniel Takata

Piscina do Mourisco/Botafogo, com sua visão privilegiada do Rio de Janeiro (foto: Satiro Sodré)

Piscina do Mourisco/Botafogo, com sua visão privilegiada do Rio de Janeiro (foto: Satiro Sodré)


Inspirada por Ayrton Senna, Ana Marcela faz história
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Ana Marcela Cunha conquistou ontem um resultado histórico para as águas abertas do Brasil. A nadadora venceu a tradicional e concorridíssima travessia Capri-Napoli e bateu o recorde da prova ao nadar os 36 km da maratona em 6h24min45s, quase sete minutos mais veloz que a antiga marca da italiana Martina Grimaldi. Considerada como uma das mais desafiadores do mundo, a Travessia Capri-Napoli liga a bela ilha de Capri com a costa da cidade de Nápoles e tem mais de 60 anos de história. Além disso, esta prova faz parte do calendário do Grand Prix da Fina. Para vencer, Ana Marcela tentou nadar o máximo do tempo possível no pelotão dos homens.

“Estou exausta, mas absurdamente feliz pelo resultado. É sensacional você acreditar em um sonho e conseguir alcançá-lo. Esta prova é muito desgastante e um desafio para poucos. Tive que impor um ritmo forte para poder acompanhar os homens sem perder o pelotão de frente. O mar não estava fácil e água muito salgada. Mas felizmente deu tudo certo e a homenagem a Ayrton Senna se completa com vitória e recorde, do jeito que ela gostava”, disse a nadadora, que nadou com uma touca inspirada no capacete do tricampeão mundial de Fórmula 1 após vencer a prova.

Ana Marcela com a touce inspirada em Ayrton Senna - Foto: Arquivo pessoal

Ana Marcela com a touce inspirada em Ayrton Senna – Foto: Arquivo pessoal

Esta foi a primeira vez que um(a) nadador(a) brasileiro(a) venceu esta tradicional prova. Grandes nomes das águas abertas do país como Abílio Couto, Igor de Souza e Renata Agondi haviam dado suas braçadas nas águas italianas, porém, jamais haviam vencido esta prova. A vitória com recorde na Itália também coroa o melhor momento da carreira da nadadora baiana.

Desde 2013 ela acumula conquistas e resultados expressivos. No Mundial de Barcelona foi vice-campeã nos 10 km e terceira colocada nos 5 km, subiu ao pódio em provas da Copa do Mundo e foi campeã do Circuito Brasileiro de águas abertas. Este ano já conquistou matematicamente o tricampeonato na Copa do Mundo de 10 km da Fina e lidera o circuito brasileiro. Com o triunfo em Capri-Nápoles, ela adiciona mais uma vitória no circuito Grand Prix da Fina, que contempla travessias com mais de 15 km de distância. Em 2012 ela venceu, com recorde, a prova de 32 km no Lac Saint Jean, no Canadá. No masculino Matheus Evangelista terminou na sétima colocação e Samir Barel em 12º lugar.

A brasileira vive o melhor momento da carreira - Foto: Satiro Sodré

A brasileira vive o melhor momento da carreira – Foto: Satiro Sodré

A vitória de Ana Marcela não foi o único fato de comemoração das águas abertas do Brasil neste fim de semana. No Lago Balaton, na Hungria, a seleção brasileira júnior do país caiu na água para disputar a segunda edição do Mundial júnior da modalidade. E voltará para casa com uma medalha de bronze no peito. Na prova de revezamento da categoria (16 a 18 anos) o trio Viviane Jungblut, Yagoh Watanabe e Marcus Silva completou os 3 km na terceira colocação com o tempo de 34min26s4.

Uma conquista história e um grande resultado para a nova geração. Cada vez mais o Brasil vai fazendo jus ao título de “país das águas abertas”.

Os jovens medalhistas do Brasil no Mundial Júnior - Foto: CBDA/Reprodução

Os jovens medalhistas do Brasil no Mundial Júnior – Foto: CBDA/Reprodução

Por Guilherme Freitas