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Phelps x Le Clos: os 100m borboleta de 2014
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A revanche vai ter que esperar um pouco. Possivelmente não ficará para este ano o reencontro entre Chad Le Clos e Michael Phelps mas, enquanto isso, o aquecimento e preparo dos nadadores segue em processo.

Aos poucos, as asinhas de Phelps estão sendo colocadas para fora, desde a sua decisão de pegar a sunga de volta do cabide e passar a treinar visando os Jogos Olímpicos de 2016. Há algumas semanas, o norte-americano multicampeão mostrou a sua evolução na prova dos 100m borboleta, cravando o até então segundo melhor tempo do ano no Grand Slam de Athens: 51s67. Tranquilidade, sua natural fluência de nado, e a velocidade que estava faltando para o atleta que ficou mais de um ano fora da natação competitiva, desde a decisão pela aposentadoria após os Jogos de Londres. Até mesmo deixar Ryan Lotche para trás foi fácil.

Em 2014, Phelps tinha tido performances apenas razoáveis para o seu nível na prova: 52s13, cravado duas vezes, e 52s11. “Já estava cansado de bater na casa dos 52s1, agora estou feliz'', foi o que disse depois de finalmente voltar a casa dos 51 segundos.

O título perdido em 2012 para o sul-africano Chad Le Clos, nos 200m borboleta não foi esquecido. Talvez aquela não seja uma prova que faz parte dos planos de Phelps para o Rio de Janeiro, mas na metragem mais curta o duelo se acirra uma vez mais.

Chad Le Clos venceu os 100m borboleta em Glasgow - Foto: Getty Images/Mark Kolbe

Chad Le Clos venceu os 100m borboleta em Glasgow – Foto: Getty Images/Mark Kolbe

Le Clos foi o nadador mais eficiente do Commomwealth Games de Glasgow, que teve as provas de natação encerradas na última terça-feira. Levou duas medalhas de ouro nas provas de 100m e 200m borboleta, se consolidando como o grande nome do estilo mundial no momento, uma prata (revezamento 4x100m livre) e quatro bronzes (50m borboleta, 200 medley, 4x200m livre e 4×100 medley).

Porém, o grande destaque foi a sua prova dos 100m. Com 51s29, o sul-africano de 22 anos voltou ao topo do ranking mundial em 2014, desbancando o russo Viacheslav Prudnikov, que havia feito 51s60 no Campeonato Russo. Le Clos ainda deixou a piscina reclamando que queria ter nadado abaixo dos 51 segundos.  Em 2013, ele venceu o Mundial de Barcelona com o tempo de 51s06, e tinha como objetivo quebrar a nova barreira para mergulhar ainda mais na pequena elite mundial do borboleta.

Na passagem, Le Clos virou em terceiro, com 24s32, atrás de Jason Dunford e Joe Schooling. Uma parcial 15 centésimos acima da que precisou para conquistar o ouro em Barcelona. A volta para 26s97 claramente mostrou espaços para melhora, já que sua prova teve pequenas falhas e uma excessiva preocupação em manter os adversários a uma distância confortável, deixada de lado nas agressivas braçadas finais.

Ched Le Clos e Phelps em Londres 2012 - Foto: Getty Images/Adam Pretty

Ched Le Clos e Phelps em Londres 2012 – Foto: Getty Images/Adam Pretty

O reencontro ainda não está definido. Nem Chad Le Clos confirmou se irá disputar o Pan Pacífico no próximo mês, e nem Phelps sabe se passará pelas seletivas norte-americanas, que serão também em Agosto. Mas eles não têm pressa. O duelo de titãs pode ser em um palco ainda mais grandioso, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Por Mayra Siqueira


Entrevista com Davi Ferreira, técnico do Plymouth Leander
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Ex-nadador e posteriormente técnico. Visando aprender e ter novos desafios ele resolveu ir para outro país que lhe oferecia mais estrutura e a oportunidade de crescer profissionalmente. Poderia ser uma trajetória seguida por um técnico brasileiro, mas não é. Estamos falando de Davi Ferreira, português radicado há seis anos na Inglaterra e que desde janeiro vem trabalhando no Plymouth Leander, um dos clubes de natação mais tradicionais do Reino Unido e que recentemente venceu a National Arena League, similar a um campeonato nacional.

Davi é o responsável pela base do clube, que mescla o sistema de educação e esporte. Atualmente treina nadadores de até 13 anos e os prepara para integrar a equipe adulta seguindo a filosofia do Plymouth. Essa foi a trajetória que a multicampeã Ruta Meilutyte seguiu, começando na base do clube até atingir grandes feitos. E é nas mãos de Davi que podem passar futuras Rutas. Em conversa com a SWIM CHANNEL, ele conta um pouco mais sobre sua carreira, o sistema do Plymouth Leander e também sobre o que conhece da natação brasileira. Confira.

SWIM CHANNEL: Você esta na Inglaterra há seis anos. Como foi sua trajetória até chegar ao Plymouth Leander?
Davi Ferreira: Fui nadador e posteriormente me tornei técnico. Comecei minha carreira em Portugal, mas procurando evoluir resolvi ir para outros centros com mais infraestrutura. É comum por aqui existir uma espécie de sessão de classificados em jornais e sites especializados que informam sobre vagas para técnicos em clubes o que facilita a procura de diversos profissionais. Dessa forma cheguei a Inglaterra para trabalhar no Rushmoor Royals Swimming Club, um clube de natação ao sul do país, como treinador assistente. Fiquei lá por três anos e depois tive outras experiências como diretor técnico de um clube, onde aprendi muito, porém, meu foco é trabalhar com natação competitiva. E após um tempo surgiu a chance de vir para o Plymouth Leander.

O técnico português Davi Ferreira - Foto: Reprodução

O técnico português Davi Ferreira – Foto: Reprodução

SC: Falando sobre o Plymouth Leander conte-nos mais sobre como é a estrutura oferecida pela instituição. Além de um clube ele é uma escola também certo?
DF: Sim, aqui temos um serviço que mescla educação com esporte. Trabalhamos com atletas de diferentes faixas etárias, desde os sete até a idade adulta. Aqui o que facilita muito as coisas é que a direção do clube oferece um sponsorship, uma espécie de bolsa de estudos para o Plymouth College (uma das escolas privadas mais tradicionais da Inglaterra) e também espaços para os estudantes/atletas morarem. Com isso eles estudam, treinam e tem acompanhamento integral. É uma rotina que ajuda e facilita o trabalho e a concentração deles para se dedicar aos estudos e aos treinos.

SC: Dentro do Plymouth Leander qual é a sua função?
DF: Com a equipe principal do clube atuo como assistente-técnico do John Rudd, nosso head coach. Porém, ao mesmo tempo sou diretor técnico da equipe de base do clube, que concentra atletas mais jovens e que estão em formação competitiva.

SC: E como é trabalhar com um técnico bastante conceituado como John Rudd?
DF: Não há pessoa melhor para aprender do que com ele. É um técnico muito competente e com grande conhecimento técnico. Tive a oportunidade de vir atuar com ele aqui e estou aproveitando bastante.

A equipe principal do Plymouth Leander - Foto: Facebook da equipe

A equipe principal do Plymouth Leander – Foto: Facebook da equipe

SC: Há contato dos atletas de sua equipe com os nadadores da equipe adulta, como Ruta Meilutyte e Ben Proud, por exemplo?
DF: Sim, alguns treinos são bastante integrados e com contato maior entre os nadadores. As vezes os treinos ocorrem lado a lado na mesma piscina, a minha equipe mais jovem com as do John Rudd. Uma parte da minha equipe também esta fazendo um período de transição, pois estão mais velhos e passarão a treinar com o time principal.

SC: Antes de ir a Inglaterra você pensou em algum momento trabalhar aqui no Brasil?
DF: Não porque não tinha muito conhecimento da estrutura da natação brasileira. Conheço apenas o Brasil a nível internacional e seus atletas de elite que disputam os principais campeonatos. Infelizmente não conheço muito sobre a natação do Brasil. Mas é uma área que gostaria de conhecer e aprender um pouco mais.

SC: Como curiosidade, algum nadador brasileiro ou português já te procurou para treinar na Inglaterra?
DF: Certa vez tive contato com pais de um nadador brasileiro que queriam mais detalhes sobre a estrutura do Plymouth. Como eu falava português fiz uma espécie de ponte de contato com John, que é quem trata de assuntos mais ligados a equipe de performance. Fora isso não tive mais contatos com nenhum atleta brasileiro ou português com interesse em vir para cá.

Por Guilherme Freitas


Australianos dominam Commonwealth Games
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Muitos recordes de campeonato, alguns nacionais, e até um mundial: o Commonwealth Games mostrou porque é um evento interessante para o calendário de alguns dos principais polos da natação mundial até aqui. Na piscina do Tollcross Internacional Centre, em Glasgow, os australianos são os principais destaques por enquanto, findado o quarto dia de disputas aquáticas.

Magnussen ficou distante do seu melhor em 2014

Magnussen ficou distante do seu melhor em 2014 – Foto: Getty Images

O duelo na clássica prova dos 100m livre masculino era um dos mais aguardados, e, embora não tenha tido marcas expressivas, reafirmou a liderança aussie na distância. James Magnussen venceu com 48s11, meio segundo acima do melhor tempo da temporada, que o próprio cravou no BHP Billiton Aquatic Super Series no início do ano, com 47s59. A prata ficou com seu conterrâneo Cameron McEvoy, com 48s34 (contra seus 47.65 no Campeonato Australiano) e o bronze foi para o também australiano Tomasso D’Orsogna.

Um dos principais destaques veio na realidade logo no primeiro dia, na quinta-feira. As australianas deixaram muito para trás as adversárias, e também a marca mundial nos 4x100m livre. Um bom tempo já era esperado, pelas atletas em questão, mas as parciais foram significativas, com destaque para as irmãs Campbell. Bronte abriu para 53s15, e Cate fechou para 52s16. No meio, Melanie Schlanger nadou para 52s76 e Emma McKeon para 52s91. Novo recorde mundial de 3min30s98, derrubando os 3m31s72 das Holanda, feito em 2008. A Inglaterra chegou cinco segundos atrás, e o Canadá outros cinco segundos depois das britânicas. Os 4x200m, para selar a campanha, também foram vencidos pelas nadadoras aussies.

Revezamento australiano bateu recorde mundial dos 4x100m livre - Foto: ATP

Revezamento australiano bateu recorde mundial dos 4x100m livre – Foto: ATP

No masculino, os australianos venceram, mas com tempo de 3min13s44, dois segundos acima da marca feita no Mundial de Barcelona, em que terminaram em quarto lugar.

Já na velocidade, o destaque ficou por conta da inglesa Fran Halsall, que bateu a campeã mundial Cate Campbell da Austrália nos 50m livre, com 23s96. Este tempo é agora o melhor da história sem trajes tecnológicos, superando os 23s98 que Sarah Sjoestroem marcou há algumas semanas no Campeonato Sueco – e é o 3º melhor tempo no geral. Halsall repetiu a cor da medalha nos 50m borboleta, com recorde de campeonato e britânico também, com 25s20. É a segunda melhor marca do ano, só fica fora de competição com os fortíssimos 24s43 que Sjostroem fez esse ano, que foi recorde mundial.

Outra inglesa em grandes disputas é Siobhan O’Connor, que batalhou, e, apenas na sua quinta medalha, conseguiu o ouro: nos 200m medley. Com 2min08s21, ela fez a melhor marca do ano na prova, para coroar suas conquistas até aqui, com três pratas, nos 200m livre, 100m borboleta e revezamento 4x100m livre, e um bronze nos 4x200m livre.

Algumas outras marcas chegaram ao topo do ranking do ano: o canadense Ryan Cochrane desbancou o australiano David McKeon nos 400m livre com 3min43s46. Irmã de David, Emma teve mais sorte, e derrotou O’Connor nos 200m livre com 1min55s57 com o seu melhor tempo da carreira. No masculino, Thomas Fraser Holmes desbancou o tempo coreano Tae Hwan Park da última semana e cravou o melhor do ano, 1min45s08. A dobradinha australiana saiu com a prata de Cameron McEvoy.

Nos 50m borboleta, coube a um jovem de 19 anos superar a marca de Cesar Cielo em 2014: Ben Proud fez 22s93, passando os 23s01 do brasileiro no Maria Lenk. O sul-africano Roland Schoeman ficou com a prata, com 23s13, seguido pelo conterrâneo Chad Le Clos, com 23s36.

Le Clos, inclusive, levou o seu primeiro ouro conquistando os 200m borboleta, com novo recorde de campeonato em 1m55s07, mas acima de sua melhor marca do ano.

A primeira medalha de ouro da Escócia em sua casa no Commonwealth Games veio justamente na natação, com Hannah Milley, nos 400m medley.

Por Mayra Siqueira


A caminho do título
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Ana Marcela Cunha venceu a quarta etapa da Copa do Mundo de Águas Abertas da Fina, disputada na última quinta-feira em Lac. St-Jean, na cidade canadense de Roberval. Com sua segunda vitória na temporada, ela passou a liderar o circuito e se firmar como a grande favorita para conquistar mais uma vez o título da Copa do Mundo. Como em 2014 não teremos um Campeonato Mundial, Ana Marcela elegeu este circuito como sua grande prioridade para a temporada.

E ela vem cumprindo a risca essa meta. Até agora foram disputadas quatro etapas e Ana Marcela subiu ao pódio em todas elas. Venceu as duas últimas em Setúbal e Lac. St-Jean, foi prata em Viedma e bronze em Cancun. Ao todo, soma 74 pontos e abriu vantagem para as demais concorrentes. Uma de suas adversárias é Poliana Okimoto, vice-líder do circuito com 56 pontos. Porém, a campeã mundial dos 10 km não nadará mais nenhuma etapa da temporada para se recuperar de uma lesão. Sem Poliana, quem mais e aproxima de Ana Marcela é a italiana Martina Grimaldi com 44 pontos.

Ana Marcela Cunha ainda tem chance de conquistar o título - Foto: Satiro Sodré

Ana Marcela Cunha lidera a temporada 2014 da Copa do Mundo - Foto: Satiro Sodré

Não é exagero afirmar que após esta etapa Ana Marcela ficou mais perto do título da temporada, mesmo que ainda estejamos na metade do circuito. Além da boa vantagem acumulada até aqui, ela vem nadando muito bem também. A prova de Lac. St-Jean foi um claro exemplo, pois a nadadora se manteve entre as líderes durante praticamente todo o percurso. O título da Copa da Mundo não seria algo inédito para a nadadora brasileira. Ela já venceu o circuito duas vezes (em 2010 e 2012) e ano passado só perdeu o título porque não disputou uma etapa.

Se no feminino parece que não teremos muitas emoções envolvendo os líderes, no masculino teremos bastantes emoções. Apenas 14 pontos separam o líder Christian Reichert do 4º colocado Thomaz Lurz: 54 a 40. Entre eles estão Allan do Carmo e Andreas Waschburger, com 47 e 43 pontos respectivamente. E em quatro provas a serem disputadas muita coisa pode acontecer.

As próximas duas etapas da Copa do Mundo também serão disputadas no Canadá: em Lac. Magog, dia 31 de julho e em Lac. Megantic, dia 9 de agosto.

Por Guilherme Freitas


A cara da seleção master brasileira
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“Acho que aquela mosquinha azul me mordeu de novo''. Uma das maiores celebridades da natação master brasileira – e mundial -, Marcus Mattioli representa aquele velho roteiro que muitos conhecem: de nadadores que fizeram da piscina a sua vida por muitos anos, mas que, com o cansaço da rotina e a pressão, acabaram encerrando uma carreira vencedora… por algum tempo. De alguma forma, a saudade bateu, e recolocou o medalhista olímpico e pan-americano no esporte, agora, aos 53 anos, como master. Uma decisão bastante acertada.

“Desde que decidi voltar, em 2006, eu perdi os 30kg que ganhei e bati 52 recordes mundiais, e não quero parar tão cedo. Hoje minha maior terapia é nadar, e quando eu não nado, fico agoniado. O que segura minha cabeça é a natação, é um bem incomensurável que ela traz'', declarou o multicampeão à Swim Channel.

Nas suas contas, são 26 medalhas em Mundiais - Foto: Arquivo Pessoal

Nas suas contas, são 26 medalhas em Mundiais – Foto: Arquivo Pessoal

Mattioli foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, no revezamento 4x200m livre, ao lado de Djan Madruga, Jorge Fernandes e Cyro Delgado. Entre indas e vindas, deixou passar outras duas Olimpíadas  sem disputar, e desistiu de vez da natação em 1989. Quando seu filho mais velho, Rafael, começou a nadar e competir pelo Minas Tênis Clube, Mattioli percebeu que não seria simples manter a vida sedentária na tarefa de pai de atleta.

“Eu ficava muito nervoso vendo ele nadar. Já com 16 anos sem praticar esportes, eu estava vendo a hora que iria enfartar. Foi na mesma época que o Pradinho (Ricardo Prado) operou e colocou seis pontes de safena. Aí eu pensei: 'se ele precisou disso, eu vou precisar de umas dez!' Acabei tentando corrida, mas tive uma lesão logo na primeira tentativa, da qual nunca me recuperei, e não consegui mais correr.''

Mattiolli no Campeonato Brasileiro de 1977 - Foto: Arquivo Pessoal

Mattioli no Campeonato Brasileiro de 1977 – Foto: Arquivo Pessoal

Mattioli então voltou intensamente aos treinos de natação, inclusive raia a raia com seu filho, e com Thiago Pereira, na época nadador do Minas TC. “Cheguei a disputar um Campeonato Brasileiro ao lado do meu filho, nos 200m borboleta. Foi a maior emoção da minha vida, e fomos muito aplaudidos''.

O resultado da dedicação? Hoje, nas contas dele, são 26 medalhas de Mundiais master, sendo 22 de ouro, 52 recordes mundiais batidos, além de ter sido eleito duas vezes o melhor nadador master do ano pela conceituada revista Swimming World, em 2007 e 2011. Feito que, até então, entre os brasileiros, somente Maria Lenk havia conseguido.

O segredo, segundo ele, é a paixão pelo que faz e a dedicação nos treinos. Raramente ele treina muito mais que 4 mil metros. “Tive um talento muito grande para nadar, mas meu maior talento sempre foi para treinar. Não é nenhum sacrifício treinar forte, muito pelo contrário. Não sinto falta de um técnico ou equipe. Dificilmente eu faço um treino do qual eu não saio cansado, exausto. Uma hora depois eu fico depredado, fico acabado pelo resto do dia. A intensidade, mais que metragem, faz a diferença para mim.''

Mattioli encabeça um grupo de brasileiros que vai a Montreal dentro de uma semana, para disputar o Mundial Master, que conta com mais de 9 mil inscritos, entre nadadores de 25 a 97 anos nesta edição. Ele tem os melhores tempos em todas as seis provas individuais que irá disputar: 200m, 400m, e 800m livre, 100m e 200m borboleta, além da travessia. “Em algumas provas eu lidero com alguma folga, em outras é diferença de milésimos. A disputa vai ser muito grande, com alguns nomes novos e outros com quem já travo braçadas há um bom tempo. Mas tive uma boa preparação, nadei muito bem nas últimas competições, estou com boa expectativa. Quem sabe bater outro recorde mundial?'' Pode contabilizar: a coleção de medalhas vai aumentar.

Por Mayra Siqueira


Open de Portugal encerra temporada 2013/2014
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Teve início ontem com as séries mais lentas dos 1500m livre o Open de Portugal, campeonato nacional que reúne nadadores da categoria juvenil até o absoluto. A competição, que encerra a temporada 2013/2014 da natação portuguesa, está sendo disputada em Jamor e terá um número expressivo de participantes: 832 atletas, número que supera com folga diversos eventos no Brasil. Apenas para efeito de comparação, a última edição do Troféu Maria Lenk em abril reuniu apenas 351.

Entre esses participantes estão nadadores de vários países com objetivos distintos. A Suécia levou seus principais atletas para o evento, pois passou dez dias na cidade de Rio Maior realizando treinamentos visando o Campeonato Europeu de Berlim que começa em agosto. Irlanda, Itália, Reino Unido, Espanha, Brasil e França também terão representantes na piscina de Jamor.

A jovem nadadora portuguesa Victoria-Kaminskaya - Foto: Clube Pimpões

A jovem nadadora portuguesa Victoria Kaminskaya – Foto: Clube Pimpões

Para os anfitriões, o Open também terá a sua importância. O evento será preparatório para o Campeonato Europeu e conta com a participação de três dos seis convocados para o campeonato continental: Victoria Kaminskaya que nadará os 100m e 200m peito e 200m e 400m medley; Pedro Oliveira que disputará os 50m, 100m e 200m costas e os 200m borboleta e Nuno Quintanilha que encara sete provas, 50m, 100m e 200m borboleta, 100m e 200m peito e 200m e 400m medley.

Entre as estrelas estrangeiras o grande destaque é Sarah Sjöström. A sueca chega a Portugal depois uma espetacular performance no Campeonato Sueco no início deste mês, quando bateu o recorde mundial dos 50m borboleta (24s43) e ainda cravou as melhores marcas da temporada nos 50m livre (23s98), 200m livre (1min55s04) e 100m borboleta (56s50). No Open de Portugal Sarah disputará cinco provas: 50m e 100m borboleta e 50m, 100m e 200m livre.

A sueca Sarah Sjöström é o maior nome do Open de Portugal - Foto: Gian Mattia D'Alberto

A sueca Sarah Sjöström é o maior nome do Open de Portugal – Foto: Gian Mattia D'Alberto

Outro destaque internacional do Open de Portugal é o brasileiro Felipe Lima, que foi medalha de bronze nos 100m peito no último Campeonato Mundial de Barcelona-2013. Como não vai disputar o Campeonato Pan-Pacífico, Felipe resolveu viajar para a Europa para disputar alguns eventos por lá. Na semana passada nadou o Campeonato Espanhol e venceu os 50m e 100m peito. Em Portugal o brasileiro pretende melhorar suas marcas nestas duas distâncias antes começar sua preparação para o Troféu José Finkel que será seletiva para o Mundial de piscina curta de Doha.

A competição pode ser acompanhada em tempo real através do site oficial do evento. Análises e comentários podem ser encontrados no Blog Beba Água, de Nuno Vicente, correspondente da SWIM CHANNEL em Portugal.

Por Guilherme Freitas


Miguel Valente: esperança para o fundo?
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De Djan Madruga a Luiz Lima, e algumas décadas de distância, poucas novidades encheram os olhos na natação de fundo brasileira. Dominada por estrangeiros sul-americanos nos últimos tempos, as provas de 1500m parecem ter ganhado um rosto novo, de esperança. É isso, ao menos, que ele espera.

Miguel Valente venceu os 1500m no Maria Lenk pela primeira vez - Foto: Satiro Sodré

Miguel Valente venceu os 1500m no Maria Lenk pela primeira vez – Foto: Satiro Sodré

Miguel Valente, de 21 anos, foi um dos grandes nomes, e surpresas, do Maria Lenk 2014. O nadador do Minas Tênis Clube venceu pela primeira vez o torneio absoluto em São Paulo, na prova mais longa em piscina, além de ter sido medalha de prata nos 400m, em grande e acirrada disputa com Leo de Deus. Conquistas expressivas, especialmente para quem, no ano passado, ficou perto de pendurar a sunga para se dedicar aos estudos.

“Comecei a faculdade e fiquei na dúvida sobre continuar ou não. Pensei que teria que valer a pena, e me dei um ultimato: ou esse ano eu consegueria uma boa melhora, ou pararia de nadar. Até tranquei um semestre do curso. E foi quando melhorei de 4min00s pra 3min53s.'', afirmou Miguel à Swim Channel.

Tempo que ele derrubou para 3min51s36 no Maria Lenk, ficando a dois segundos do índice para o Pan Pacífico. Feito que também conseguiu nos 1500m, na qual baixou sua marca em duas competições seguidas. No torneio absoluto, nadou para 15min28s, e, um mês depois, cravou 15min16s no Campeonato Brasileiro Junior e Sênior. A apenas um segundo do índice do torneio que acontecerá na Austrália no próximo mês. Quase nada para uma prova tão longa.

A virada no curso da carreira de Miguel Valente faz com que o próprio nadador transborde confiança para os colegas de equipe. Hoje o Minas TC tem os melhores fundistas do país, o que aumenta a competitividade entre os nadadores.

“Acho muito legal pensar que eu sou a esperança para o fundo brasileiro. Comigo também estão vindo outras pessoas. Alguns que treinam comigo viram que é possível nadar na casa dos 3min50s nos 400m livre, e você acaba motivando quem está em volta também. Meus principais adversários estão aqui. É como se cada treino virasse uma competição, e vamos melhorando com isso.''

Fã do chinês Sun Yang, Miguel se inspira na natação oriental para seus incansáveis treinamentos, que envolvem dez sessões por semana, de seis a sete mil metros cada, além de musculação e preparação física.

“Não sou muito alto ou forte (tem 1m76), e me lembro no Mundial Junior que fui em 2011. Havia um japonês que devia ter 1m60, e nadava na casa dos 3min50s de 400m. Até hoje ele é uma inspiração pra mim. Tudo é possível com dedicação. Não é só talento.''

Por isso, os próximos passos de Miguel estão bastante definidos, a curto e longo prazo. Ele foi convocado para a sua primeira seleção absoluta, para a disputa do Campeonato Sul-Americano, no início de outubro. Primeiro, ele pretende buscar no Troféu José Finkel, que será em setembro, o índice para o Mundial de Curta de dezembro. “Seria meu primeiro grande evento internacional, um encaminhamento pra uma possível Olimpíada''. Assim esperamos.

Por Mayra Siqueira


O que o Pan Pacífico reserva
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Olimpíadas e Mundiais a cada quatro anos, alternados. A matemática não preenchia com propriedade o calendário de alguns dos principais polos da natação mundial. Por isso, há quase 30 anos, foi criado um evento justamente com a intenção de reunir os grandes nomes do esporte em um desafio de alto nível em piscina longa (50m). Tudo começou envolvendo países que não tinham a sorte de disputar um Campeonato Europeu, mas que eram potências mundiais: Austrália, Estados Unidos, China e Japão se uniram para a criação do Pan Pacífico, que recebeu o nome por reunir as nações banhadas pelo oceano de mesmo nome. Mas a participação de convidados sempre foi bem-vinda, desde Tóquio, em 1985, que contou com outras oito seleções. E foi o que aconteceu com o Brasil, desde a primeira edição.

Piscina do Pan Pacífico, em Gold Coast - Foto: Swimming Australia

Piscina do Pan Pacífico, em Gold Coast – Foto: Swimming Australia

Ricardo Prado foi o brasileiro estreante no pódio do evento, com duas medalhas no Japão, nos 400m medley e bronze nos 200m borboleta. Ele já vinha em grande fase, quando havia sido medalhista nos Jogos Olímpicos do ano anterior, em Los Angeles. Desde 1985, os brasileiros conquistaram 12 medalhas no torneio (três de ouro, duas de prata e sete de bronze). A partir de 2002, o campeonato recebeu o reconhecimento devido, e entrou no calendário oficial da CBDA. Na última edição, em 2010, César Cielo e Felipe França deixaram recordes de campeonato gravados, como desafios a serem batidos nesta edição: nos 50m borboleta e nos 50m peito, respectivamente. Os norte-americanos dominam as melhores marcas no masculino e feminino, seguidos pelos australianos. A mais antiga no masculino pertence ao ídolo do país sede Ian Thorpe nos 400m livre, de 1999, edição em Sidney, e no feminino, Janet Evans, norte-americana, mantém as marcas dos 400m e 800 livre desde 1989, no torneio sediado em Tóquio. Kosuke Kitajima detém as únicas marcas japonesas, nos 100m e 200 peito.

Daqui a um mês, entre 25 e 28 de agosto, Gold Coast, na Austrália, cidade paradisíaca e de movimentado turismo, vai ser o palco do badalado campeonato.

O Brasil leva um grupo considerável para a costa australiana: são 19 atletas que atingiram o índice para o campeonato, 13 homens e seis mulheres. O destaque nacional será Thiago Pereira, já que Cesar Cielo, apesar de ter os índices nos 50m e nos 100m livre, optou por priorizar o Mundial de Piscina Curta, em dezembro. Melhor para Bruno Fratus, quarto colocado nos Jogos de Londres, em 2012, que chega como um dos favoritos ao título nos 50m livre, com o segundo melhor tempo da temporada na prova.

Thiago Pereira ainda não definiu todas as provas que nadará na Austrália - Foto: Satiro Sodré

Thiago Pereira ainda não definiu todas as provas que nadará na Austrália – Foto: Satiro Sodré

Thiago não revelou quais provas irá nadar além dos 200m medley, que em todos os testes que fez em 2014, focou o torneio de agosto como principal. A disputa promete ser interessante entre o brasileiro e Michael Phelps e Ryan Lochte nas provas de medley e borboleta. O maior medalhista olímpico de todos os tempos, inclusive, possui nada menos que 13 títulos do torneio, e um total de 16 medalhas.

É uma competição de enorme relevância no preparo dos principais atletas mundiais para o ciclo olímpico seguinte. Desde a primeira disputa, inclusive, já foram registrados 23 recordes mundiais. Muitos batidos por Thorpe, em 1999, e Phelps, em 2006.

Por Mayra Siqueira


Tae Hwan Park, a maior estrela dos Jogos da Ásia? Talvez
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Em setembro serão realizados na cidade sul-coreana de Incheon os Jogos da Ásia, competição que é uma espécie de Olimpíada do continente asiático e que reúne cerca de 10 mil atletas de dezenas de modalidades. Na natação estará em jogo a soberania continental. De um lado a China com suas estrelas como Sun Yang, Ye Shiwen e Jiao Liuyang. Do outro lado o Japão, que conta com Kosuke Hagino, Takeshi Matsuda e Ryosuke Irie, além de uma equipe de jovens valores. Porém, o melhor nadador dos Jogos da Ásia poderá ser um atleta local e não um chinês ou japonês.

Considerado um dos maiores esportistas da Coreia do Sul, Tae Hwan Park está cotadíssimo para fazer uma ótima competição em Incheon. Na última semana ele foi o grande nome do campeonato sul-coreano de natação. Foram seis medalhas de ouro (100m, 200m e 400m livre, 200m e 400m medley e 4x200m livre), todas com novo recorde de campeonato. Nos 200m medley, prova que não é sua especialidade, superou o recorde nacional com 2min00s31. Seu resultado mais expressivo aconteceu nos 200m livre: 1min45s25, melhor marca do ano.

O nadador sul-coreano Tae Hwan Park em ação - Foto: Ezra Shaw/Getty Images

O nadador sul-coreano Tae Hwan Park em ação – Foto: Ezra Shaw/Getty Images

Com a missão cumprida no campeonato nacional o foco do sul-coreano passa a ser os Jogos da Ásia. E curiosamente, foi em uma edição dos Jogos que ele despontou para o cenário internacional. Na edição de Doha, em 2006, aos 17 anos, Park subiu ao pódio sete vezes e passou a integrar a elite da natação mundial. A partir daí vieram mais conquistas como um bicampeonato mundial nos 400m livre e quatro medalhas olímpicas, uma delas de ouro também nos 400m livre em Pequim-2008.

Park chegará a Incheon como a estrela máxima do esporte sul-coreano e vai atrair os holofotes da mídia local. E pelos resultados alcançados no campeonato sul-coreano na semana passada, está sim cotado para ser o melhor nadador dos Jogos da Ásia, ofuscando a rivalidade entre China e Japão pelo topo da natação asiática. Quem sabe não repita a performance de 2006 quando foi o melhor nadador dos Jogos? E de quebra ainda poderemos ter um espetacular 200m livre, com Park, Yang e Hagino em ação.

Por Guilherme Freitas


Commonwealth Games começa na semana que vem
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Na próxima semana tem início na cidade escocesa de Glasgow, a 20ª edição do Commonwealth Games. O evento, que no passado era aberto apenas por membros da comunidade britânica, hoje é disputado por 71 países que fazem parte da Commonwealth of Nations (Comunidade de Nações em português), uma organização intergovernamental. Para saber um pouco mais sobre a história dessa tradicional competição clique aqui e leia uma matéria publicada em abril, aqui no Blog da SWIM CHANNEL.

A natação é uma das modalidades do Commonwealth Games e vai ser disputado no moderno Tollcross International Swimming Centre, que foi o palco da seletiva escocesa para o evento. Tida como a grande favorita para acumular medalhas, a Austrália vai com força total para a competição e convocou 59 nadadores. No momento eles estão fazendo um trainning camp na cidade de Manchester. Lá existe um moderno centro aquático que também foi palco de preparação dos aussies antes dos Jogos Olímpicos de Londres.

As irmãs australianas Cate e Bronte Campbell - Foto: Quinn Rooney/Getty Images

As irmãs australianas Cate e Bronte Campbell – Foto: Quinn Rooney/Getty Images

James Magnussen e Cameron McEvoy são os grandes nomes do time australiano. Após um acirrado duelo entre eles no Campeonato Australiano, que foi disputado em abril, a dupla chega a Glasgow muito motivada em continuar reinando na disputa dos 100m livre, afinal, eles lideram o ranking mundial e foram os únicos a nadar a prova abaixo dos 48 segundos em 2014. No time feminino as irmãs Bronte e Cate Campbell são o principal destaque, já que também estão entre as melhores velocistas do mundo. Emily Seebohm e Belinda Hocking, respectivamente líderes do ranking mundial nos 100m e 200m costas também disputam o evento. A única baixa do time australiano é o velocista Eamon Sullivan, que anunciou esta semana sua aposentadoria das piscinas por recomendação médica após nova lesão.

Diferente dos Jogos Olímpicos, os nadadores britânicos não competem juntos sob a bandeira do Reino Unido. No Commonwealth Games cada atleta representa o seu país, no caso Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Os ingleses convocaram 40 nadadores para a competição e apostam nos velocistas Francesca Halsall, medalha de bronze nos 50m livre no Mundial de Barcelona-2013 e Liam Tancock, bicampeão mundial dos 50m costas em 2009 e 2011. Anfitriões, os escoceses esperam poder subir ao pódio para felicidade de seus torcedores. As grandes esperanças são Michael Jamieson, medalha de prata nos 200m peito em Londres-2012, e Hannah Miley, finalista olímpica em Londres e prata nos 400m medley no Mundial de Xangai-2011.

O vice-campeão olímpico Michael Jamieson treinou um tempo no Brasil com Albertinho- Foto: Flávio Peréz

O vice-campeão olímpico Michael Jamieson treinou um tempo no Brasil com Albertinho- Foto: Flávio Peréz

Quem também chega forte a Glasgow é a África do Sul. O time tem dois dos melhores nadadores do mundo na atualidade: o versátil Chad Le Clos e o peitista Cameron van der Burgh, além do veterano Roland Schoeman. Outras estrelas que estarão em ação no evento são o canadense Ryan Cochrane, o trinitário-tobaguense George Bovell, a jamaicana Alia Atkinson e o queniano Jason Dunford.

O Commonwealth Games será mais um evento para muitos desses nadadores que ainda terão pela frente outros desafios nesta temporada como o Campeonato Pan-Pacífico de Gold Coast, o Campeonato Europeu de Berlim e o Campeonato Mundial de piscina curta de Doha. Então que comece o show em Glasgow!

Por Guilherme Freitas