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Katinka Hosszu e Copa do Mundo: combinação perfeita
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Falou em Copa do Mundo de piscina curta, falou em Katinka Hosszu. O nome da húngara vem logo a cabeça quando se fala do circuito mundial da Fina na piscina de 25 metros. Terminadas as primeiras duas etapas do circuito, disputadas em Doha e Dubai, a húngara é de longe a melhor atleta do evento até aqui. Nestas duas pernas da Copa, a Dama de Ferro foi absoluta. Conquistou 20 medalhas, sendo 15 delas de ouro, e bateu cinco recordes mundiais.

Além disso, continua ganhando bastante dinheiro com as premiações que conquista. Nadadora mais bem paga da atualidade, Katinka engordou um pouco mais sua já “gordinha” conta bancária. Apenas nas etapas de Doha e Dubai, a húngara embolsou US$ 126 mil. Foram US$ 26 mil pelos pódios conquistados, US$ 50 mil por ter sido a melhor atleta deste primeiro giro da Copa do Mundo e mais US$ 50 mil pelos recordes mundiais que bateu. E tudo indica que com as demais etapas esse número só vai aumentar.

Katinka com um dos cheques que ganhou por bater recordes mundiais -Foto: Qatar Swimming

Katinka com um dos cheques que ganhou por bater recordes mundiais – Foto: Qatar Swimming

Falando em recordes mundiais, com as cinco novas marcas alcançadas na Copa do Mundo este ano, Katinka chega a 11 marcas mundiais batidas em sua carreira, todas em provas de medley: cinco nos 100m medley, quatro nos 200m medley e dois nos 400m medley. E curiosamente todas alcançadas na piscina curta e em etapas da Copa do Mundo. Katinka jamais bateu um recorde mundial na piscina longa.

Todos esses feitos mostram que a nadadora conseguiu se adaptar de forma fantástica ao formato da competição. A Copa do Mundo é disputada em apenas dois dias em cada uma das sedes. São 38 provas (contando eventos masculino e feminino) e Katinka costuma nadar entre nove e dez provas por etapa. O pouco tempo para descanso e recuperação entre as provas é uma das maiores dificuldade que os nadadores encontram, mas a húngara parece já ter acostumado seu corpo para encarar essas verdadeiras maratonas.

...e comemorando recordes mundiais

Ela não cansa de nadar, faturar, comemorar… – Foto: Fina/Divulgação

Desde 2012, quando venceu pela primeira vez o título de rainha da Copa do Mundo, Katinka já soma 130 medalhas conquistadas (71 delas de ouro) e 11 recordes mundiais. Parece que a Copa do Mundo foi feita sob medida para Katinka, que continua atualizando suas conquistas no circuito mundial da Fina sem descanso.

Por Guilherme Freitas


O foco agora é piscina curta
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Começa na próxima segunda a 43ª edição do Troféu José Finkel, o Campeonato Brasileiro Absoluto e um dos eventos mais tradicionais do país. Este ano a competição ocorre no Itaguará Country Clube, em Guaratinguetá, e voltará a ser disputada na piscina de 25 metros por uma razão especial: será a seletiva única do Brasil para o Campeonato Mundial de piscina curta, que vai acontecer em Doha, no Catar, durante os dias 3 e 7 de dezembro.

Os nadadores brasileiros estão vindo de um longo ciclo de treinamento e competições voltadas para a piscina longa. Começou praticamente em 2011 com a preparação para o Mundial de Xangai. Em seguida vieram os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, os Jogos Olímpicos de Londres, o Mundial de Barcelona e o Campeonato Pan Pacífico. Entre todos esses eventos aconteceu o Mundial de curta em Istambul, no fim de 2012, mas nem todos os nadadores brasileiros disputaram a competição ou focaram seus treinamentos específicos para este evento.

Vista da piscina de Guaratinguetá, local do Finkel-2014 - Foto: Federação Aquática Paulista

Vista da piscina de Guaratinguetá, local do Finkel – Foto: Federação Aquática Paulista

Como 2014 é um ano atípico, sem a disputa de Mundiais de piscina longa ou Jogos Olímpicos, alguns nadadores deverão dar uma pausa nos treinos em longa para se dedicar ao Mundial de curta nos próximos meses. Cesar Cielo é o maior exemplo. O velocista abriu mão de nadar o Pan Pacífico para focar seus treinos até o final do ano na piscina curta. Cielo planeja repetir o desempenho do Mundial de curta de Dubai-2010 e voltar a ser campeão mundial na piscina curta. Para isso ele quer aperfeiçoar seus fundamentos, principalmente nas viradas que são fundamentais.

Uma ótima oportunidade para ir se acostumando aos eventos na piscina de 25 metros é a tradicional Copa do Mundo em piscina curta da Fina, que coincidentemente começou nesta última semana em Doha, na mesma piscina do Mundial em dezembro e terá sua segunda etapa sendo disputada a partir de domingo em Dubai, também no Oriente Médio. É bem provável que atletas brasileiros disputem as próximas etapas do circuito como uma forma de poder competir em alto nível e já ir se preparando para Doha-2014.

No Mundial de curta de 2010, Cielo foi ouro nos 50m e 100m livre - Foto: Satiro Sodré

No Mundial de curta de 2010, Cielo foi ouro nos 50m e 100m livre – Foto: Satiro Sodré

Não é segredo para ninguém que o foco principal dos nadadores brasileiros são os Jogos Olímpicos em 2016, mas sem dúvida conquistar medalhas e disputar finais em um Mundial de curta também será um excelente resultado na preparação de quem busca representar o país nas Olimpíada do Rio de Janeiro.

Por Guilherme Freitas


Duelo aberto: Samuel de Bona x Allan do Carmo
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Um clássico ganha esse nome quando se repete várias vezes, sempre com emoção e grande disputa em cada resultado. Então talvez seja correto dizer que o duelo Allan do Carmo x Samuel de Bona já se tornou um clássico das águas abertas no Brasil.

Os dois maiores nadadores de maratonas do país não cansam de se encontrar nos circuitos e torneios internacionais. Alternam resultados conforme as características de cada um, dividem pódio constantemente. Mas não poderiam deixar de ser amigos.

“É uma disputa muito saudável que a gente vem tendo há muitos anos, desde que nos conhecemos na seleção, lá em 2010, quando o Samuel entrou para a seleção brasileira. Lembro que no primeiro ano que disputamos os 5km no Mundial do Canadá ele venceu. E desde então a gente faz várias provas juntos, na batida de mão, braçada a braçada. É sempre um nível técnico muito forte”, disse Allan.

No ano passado, Allan do Carmo, 26 anos, terminou o circuito de Copa do Mundo de águas abertas à frente de Samuel: em terceiro lugar, contra quinto do gaúcho de 23 anos. Este ano, lidera o ranking, com o amigo em sexto.

Porém, 2013 foi o ano da vida de Samuel: além do sexto lugar na prova de 5km no Mundial de Barcelona, o melhor colocado brasileiro no torneio, levou o bronze na prova de mesma quilometragem por equipes, ao lado de Poliana Okimoto, e, claro, de Allan. Em dezembro, novamente ao lado da paulista, conquistou o título de Rei e Rainha do Mar.

FINA MUNDIAL BARCELONA/Maratonas Aquaticas

Allan do Carmo e Samuel de Bona já dividiram pódio ao lado de Poliana Okimoto em Barcelona – Foto: Satiro Sodre

O Rio de Janeiro é palco novamente do próximo encontro entre os dois, no mesmo torneio. As provas serão de 1km e 3km no Rei e Rainha do Mar, neste domingo, o que daria certa vantagem para o gaúcho, que é um pouco mais “veloz”, se é que  isso pode ser dito de um maratonista. “São duas provas, uma mais rápida, que é mais a característica do Samuel. Mas eu estarei lá para dar um certo trabalho para ele nessas provas”, completou o baiano.

A rivalidade saudável não é novidade na natação. Na própria geração atual da natação podemos ver o quanto os duelos recentes do jovem Bruno Fratus e do veterano Cesar Cielo movimentam a prova de maior velocidade das piscinas. Hoje os dois brasileiros estão em segundo e terceiro no ranking mundial do 50m livre, e são expectativa de dobradinha no pódio desde a época de Londres-2012.

Se voltarmos ainda mais no tempo, outra rivalidade bastante saudável é ainda maior referência para a natação brasileira. Quem não se lembra dos duelos entre Gustavo Borges e Fernando Scherer? Um extremamente veloz, irreverente, e simpático. O outro mais concentrado, sério, e focado. Ambos incrivelmente vitoriosos, e precursores que puxaram e lideraram toda uma geração aquática no país. Será que a dupla das maratonas está prestes de fazer da sua rivalidade um clássico para a história?

Poliana Okimoto e Samuel de Bona: Rainha e Rei do Mar (foto: Satiro Sodré)

Poliana Okimoto e Samuel de Bona: Rainha e Rei do Mar (foto: Satiro Sodré)

“Nadar com o Allan é sempre complicado, porque ele é um dos atletas mais inteligentes que eu já enfrentei. Nunca é uma disputa fácil. Somos muito amigos fora da água, mas dentro dela somos adversários que se respeitam, mas que seguem sendo adversários. Com ele não existe prova fraca, e pra ganhar tenho que sempre dar tudo de mim. O bom dessa rivalidade é isso, ele sempre exige o meu melhor”, disse Samuel.

Hoje as águas abertas vão aos poucos ganhando espaço no Brasil. Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha se encontram e reencontram sempre nas disputas, e trouxeram à tona o esforço e o reconhecimento para as maratonas aquáticas entre os brasileiros. Que assim seja para a dupla Samuel e Allan do Carmo.

Por Mayra Siqueira


Reencontros: o depoimento de Djan Madruga sobre o Mundial Master
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Um dos maiores nadadores que o Brasil já teve, Djan Madruga é mais um ex-olímpico que nunca abandonou de verdade as piscinas. Entre vários brasileiros, esteve em Montreal, no Canadá, para disputar o Mundial Master de natação, trazendo na mala 5 medalhas de ouro e um recorde de campeonato.

Uma grande contribuição para a campanha brasileira, que teve no total 52 medalhas de ouro e 12 recordes batidos, entre os Mundiais e de competição.

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Até pela proximidade, a participação dos americanos foi bastante intensa, e eles foram os grandes vencedores em números de medalhas: 167 ouros atravessaram a fronteira. E, apesar de nadarem em casa, os canadenses ficaram praticamente empatados com os brasileiros, levaram 53 medalhas de ouro. Não restam dúvidas: o Brasil se torna cada vez mais o país da natação master.

Acompanhe o relato emocionante de Djan Madruga à Swim Channel sobre o que é o espírito da natação master.

Pensei em contar algo marcante nesse evento, e sem dúvida para mim foi retornar ao local onde aconteceu  minha primeira Olimpíada em 1976, ou seja exatos 38 anos depois, e reencontrar um amigo e ídolo que não via há décadas, Jim Montgomery. Com isso fiz uma conexão daquele evento em 1976 com este.

Naquela Olímpíada eu fui muito feliz ao conseguir resultados expressivos, como o recorde olímpico dos 400m livre nas eliminatórias, me tornando o  primeiro atleta a nadar abaixo de 4 minutos em Jogos Olímpicos. À noite  fiquei em quarto na final, um resultado inesperado para um brasileiro na época. Graças a esse resultado, e como eu só tinha 17 anos, fui muito recrutado pelas  grandes universidades americanas para competir o NCAA no ano seguinte. Mas meu coração estava com Indiana University, que já tinha visitado e cujo treinador era “Doc Counsilman”, o melhor técnico do mundo, que havia treinado Mark Spitz  ( O Michael Phelps do século XX) e  não por acaso era também o técnico chefe da equipe olímpica americana em Montreal. Lá, o Doc me  convidou para assistir com ele a final olímpica dos 100m livre, me dizendo que eu iria presenciar um fato inesquecível. Fui meio sem graça por ser o único brasileiro no meio da  equipe  americana, mas realmente foi espetacular ver o gigante de 1,91m Jim Montgomery vencer e  baixar a barreira dos 50 segundos pela  primeira vez no mundo, e logo numa final Olímpica. Lembro vividamente que o Doc, na passagem dos 50m, começou a falar e repetir sem parar “Oh my God, oh my God, oh my God!”, e olhava para um cronometrozinho, como não acreditando no que o seu atleta estava  fazendo. Tempo final de 49s99! A piscina veio abaixo com todos batendo palmas em pé. Não preciso nem dizer que fui parar em Indiana para treinar com o Doc, e de tabela fiquei amigo de Jim que se tornou um dos meus ídolos na natação.

E foi com enorme prazer que reencontrei o gigante Jim em Montreal nesse Mundial Master e fui logo perguntando a ele o que iria nadar. Ele disse que os 50m livre, a prova com recorde de 140 inscritos na competição, a ser realizada em 145 séries previstas para durar 3h. Eu avidamente fui ver os resultados esperando um novo recorde mundial master da fera. Porém, apenas um modesto 30s59 que lhe rendeu o 42º lugar. Mas a explicação está no espírito do máster. Jimbo, como costumávamos chamá-lo, estava ali mais focado num grupo de nadadores do Dallas Aquatic Masters, equipe que ele treina, e não estava ligando para resultados particulares. Fica a lição para aqueles que vão para uma competição de masters achando que só vale a pena se ganhar medalha. Jim Montgmorey, tricampeão olímpico, humildemente provou que não é preciso. Basta participar.

Djan e Jim no Parc Jean Drapeau (Foto: Arquivo Pessoal)

Djan e Jim no Parc Jean Drapeau (Foto: Arquivo Pessoal)


Uma nobre atitude de campeão
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No último sábado, dia 23 de agosto, foi disputado no lago Ohrid, na Macedônia, a sexta etapa do Grand Prix de águas abertas da Fina, o circuito da Federação Internacional para provas com mais de 15 km de distância. Disputando sua primeira travessia em solo europeu, o brasileiro Samir Barel estava bastante confiante para a maratona que tem 33 km de extensão. “No lago Ohrid, o que pode dificultar são os ventos e ondas formadas, mas deve ser uma etapa bastante tranquila em termos de temperatura e condições climáticas. Será uma estreia e tanto”, disse o nadador antes de embarcar para o continente.

Samir chegava a Macedônia com bons resultados conquistados na temporada. Ocupava a 17ª posição no ranking mundial, havia vencido a tradicional e dificílima Travessia de Manhattan em Nova York e sido medalha de bronze no Campeonato Mundial Master de Montreal. O brasileiro nadava muito bem e conseguiu permanecer no pelotão principal durante boa parte do percurso, mas com cerca de 4h30min de prova algo chamou sua atenção e ele diminuiu seu ritmo.

O nadador Samir Barel em ação - Foto: Talita Saab

O nadador Samir Barel em ação – Foto: Talita Saab

Era a nadadora espanhola Esther Nuñez Morera, que estava passando mal e sofria com náuseas. Samir então resolveu deixar a travessia de lado e procurou ajudar a atleta. Ele passou a acompanhá-la e motivá-la até o fim da prova. “Conversei com ela e propus que fossemos juntos até o final. Fomos num ritmo bem lento, mas como não havia ninguém próximo para alcançarmos e ninguém que pudesse nos alcançar vindo de trás, acabamos conseguindo cruzar a linha de chegada'', conta o nadador brasileiro.

Extremamente exausta, Esther revelou que estava com medo de perder a consciência durante a prova, mas que não queria abandonar a disputa. Ela conseguiu terminar a prova feminina na quarta colocação e disse “não ter palavras para agradecer o nobre gesto de Samir”.

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Samir com a nadadora espanhola Esther Nuñez Morera – Foto: Arquivo pessoal do atleta

O brasileiro, que agora disputará a tradicional travessia Capri-Nápoli e última do Grand Prix 2014, disse que ficou satisfeito e feliz por ter ajudado uma companheira. “Espírito esportivo muitas vezes é mais gratificante que qualquer título'', definiu o nadador brasileiro que mesmo terminando a prova masculina na 13ª colocação deixou a Macedônia como um grande campeão.

Por Guilherme Freitas


Nadando sem sair de casa
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Devido ao crescimento das cidades brasileiras e ao aumento da frota de veículos, sair de casa para nadar pode ser um desafio e um grande teste de paciência. Com certeza você, nadador, já perdeu as contas de quantas vezes ficou preso no trânsito enquanto seguia para sua academia ou clube para dar suas braçadas, isso quando você não chegou atrasado ao compromisso.

O tempo gasto no congestionamento muitas vezes pode prejudicar a rotina de atletas e, por isso, alguns estão aderindo à prática de natação dentro de seus próprios condomínios. Literalmente, estão nadando sem sair de casa. Hoje em dia, lançamentos imobiliários oferecem cada vez mais opções de lazer e as piscinas são itens essenciais para esse tipo de mercado.

Existem no país milhares de prédios e condomínios fechados que já contam em suas dependências com piscinas no comprimento semiolímpico com mais de duas raias, ideais para treinamento. Se nadar em condomínios antigamente era algo complicado, pois era preciso disputar espaço com jovens e crianças que iam às piscinas apenas para se divertir, esse problema parece ter sido resolvido.

A inovadora piscina de 50 metros do L23 - Foto: Atmosfera/Reprodução

A inovadora piscina de 50 metros do L23 – Foto: Atmosfera/Reprodução

Atualmente, ao mesmo tempo em que oferecem piscinas de recreação para jovens, as empresas imobiliárias passaram a construir também piscinas exclusivas com 25 metros de comprimento, ideais para aqueles que querem dar suas braçadas sossegados.

Graças a essa comodidade, muitos moradores optam por treinar dentro de suas próprias residências, seguindo alguma planilha de treinamento ou contratando um professor/técnico particular que os auxilie durante a atividade dentro da água.

Existem condomínios que já têm vínculos com assessorias esportivas, oferecendo desde aprendizagem de natação até treinamento. Em São Paulo, por exemplo, algumas assessorias já são especializadas em natação (embora não restritas a apenas uma modalidade), como a assessoria Somewhereswim, que atende o bairro do Morumbi, e a Teamtrainning, que atende em Moema, dois dos maiores bairros da capital paulista.

Piscinas em condomínios estão sendo cada vez mais comuns - Foto: Divulgaçaõ

Piscinas em condomínios estão sendo cada vez mais comuns – Foto: Divulgaçaõ

TENDÊNCIA CADA VEZ MAIOR
No passado, prédios e condomínios com piscinas semiolímpicas eram luxos que existiam apenas nas grandes capitais e metrópoles do país. Com o desenvolvimento de outras regiões, cidades de porte médio também passaram a contar com esse tipo de estrutura. Oferecem cada vez mais novas opções para nadadores que não querem perder muito tempo durante deslocamento ou preferem o conforto de poder treinar dentro de seus condomínios.

Essa opção de lazer dentro de casa já começa a despertar novas ideias no mercado: lançar condomínios e prédios com piscinas olímpicas de 50 metros de comprimento. Algo que parecia impensável anos atrás, mas que já existe aqui no Brasil. Um desses casos pioneiros é o Latitude 23, condomínio da empresa Atmosfera lançado em Ubatuba bem em frente à Praia do Itaguá.

A construção de piscinas em distâncias oficiais, 25m e 50m, será cada vez mais aplicada em novos projetos residenciais, facilitando a vida de nadadores e trazendo mais comodidade e qualidade de vida. Uma prova do espaço que a natação vem ganhando no cotidiano de pessoas que moram em grande e médias cidades.

Por Guilherme Freitas


Com Fratus, Brasil fecha Pan Pacífico com ouro
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O Brasil fechou sua participação no Campeonato Pan Pacífico com chave de ouro. Ou melhor, com medalha de ouro. Bruno Fratus conquistou a quarta e última medalha do país na competição em Gold Coast. Depois de integrar o revezamento 4x100m livre que ganhou ontem o bronze, o velocista triunfou em sua especialidade: os 50m livre. E mais, com 21s44 anotou o melhor tempo de sua vida na prova.

Nas eliminatórias, Fratus segurou seu ritmo e fez 22s10, que lhe deu o terceiro melhor tempo. Na final ele não aliviou em nada. Largou muito bem e foi crescendo no decorrer da prova, abrindo vantagem e chegando muito forte nos metros finais. Fratus não foi ameaçado em momento algum pelos americanos Anthony Ervin e Nathan Adrian, vencendo com autoridade. Com 21s44 ele permanecia na vice-liderança do ranking mundial da prova. Porém, na final do Campeonato Europeu de Berlim o francês Florent Manaudou venceu a prova com 21s32 e passou a ser o mais veloz nos 50m livre este ano.

Fratus comemora sua vitória nos 50m livre - Foto: Satiro Sodré

Fratus comemora sua vitória nos 50m livre – Foto: Satiro Sodré

“A prova foi boa e estou satisfeito porque vai tocar o hino, que é o mais importante. Queria fazer um tempo ainda melhor, mas o frio da noite aqui, em torno de 10 graus, e com ventinho contra, não ajuda. Vencer aqui é bem legal, basta ver a empolgação do público que lotou a arquibancada”, disse o nadador ao site da CBDA.

Em abril deste ano Fratus havia feito o melhor tempo de sua vida nos 50m livre, na final do Troféu Maria Lenk. Nadou para 21s45. Curiosamente, naquele dia as condições do ambiente eram semelhantes as de Gold Coast. Era uma noite fria e com vento gelado numa piscina aberta (no Ibirapuera em São Paulo). Pode ser que em uma piscina fechada e melhor climatizada, como era a dos Jogos Olímpicos de Londres, ele possa ser ainda mais veloz.

Fratus durante os 50m livre - Foto: Satiro Sodré

Fratus durante os 50m livre – Foto: Satiro Sodré

O resultado só confirma a hegemonia do Brasil nos 50m livre. O país tem dois dos melhores velocistas da atualidade que têm tudo para nadarem ainda mais rápido. São ótimas as expectativas para os futuros da seleção brasileira até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro nos cinquentinha.

RESUMO DO PAN PACÍFICO
A seleção brasileira volta da Austrália com bons resultados. Foram quatro medalhas conquistadas (além do ouro de Fratus, prata com Leonardo de Deus nos 200m borboleta, prata de Felipe França nos 100m peito e bronze com o revezamento masculino 4x100m livre), 30 finais individuais (18 em finais A e 12 em finais B) e nadadores conseguindo cravar seus melhores tempos pessoais em algumas provas.

Por Guilherme Freitas


Revezamento 4x100m livre no caminho do sonho olímpico
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O revezamento brasileiro 4x100m livre conquistou hoje a terceira medalha do país no Campeonato Pan Pacífico de Gold Coast. A cor foi diferente das ganhas anteriormente por Leonardo de Deus e Felipe França. Desta vez veio o bronze. O time brasileiro lutou até o fim pela vitória contra a Austrália e os Estados Unidos, estando boa parte da prova na segunda colocação e por muito pouco não conseguiu superar os dois adversários. Por fim, com 3min13s59 garantiu um lugar no pódio.

João de Lucca abriu o revezamento, piorando um pouco seu tempo em relação a final dos 100m livre de ontem. Na prova individual ele marcou 48s97 e hoje completou o percurso em 49s05. A seguir vieram Marcelo Chierighini (47s91 de parcial), Bruno Fratus (48s00) e Nicolas Oliveira (48s63). O resultado foi bom, pois deixa o Brasil na sexta colocação do ranking mundial entre todos os países que já competiram com revezamentos 4x100m livre este ano (e não na soma dos tempos individuais de cada atleta nos 100m livre).

Marcelo Chierighini fez a melhor parcial do Brasil - Foto: Satiro Sodré

Marcelo Chierighini fez a melhor parcial do Brasil – Foto: Satiro Sodré

Um fator positivo é que todos os quatro conseguiram nadar bem: dois na casa dos 48 segundos, um nos 47 segundos alto e um nos 49 segundos baixo, mostrando que o revezamento brasileiro pode sim disputar medalhas no próximo Campeonato Mundial em Kazan e nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Isso que Cesar Cielo e Matheus Santana, os dois melhores brasileiros ranqueados nos 100m livre nesta temporada, não estão disputando o Pan Pacífico.

Com a dupla em ação a tendência é que o tempo seja ainda mais baixo e próximo dos 3min11s. Matheus Santana, por exemplo, disputou duas provas de revezamento nos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanquim. Fechou o 4x100m livre misto com 47s73 e o 4x100m medley misto com 48s24. No Troféu Maria Lenk, Cielo também teve bons desempenhos fechando os revezamentos do Minas TC. Fez 48s56 no 4x100m livre e 48s36 no 4x100m medley.

O revezamento confere o resultado no placar - Foto: Satiro Sodré

O revezamento confere o resultado no placar – Foto: Satiro Sodré

Além dos americanos e dos australianos, que fizeram 3min12s80 e 3min13s36 respectivamente neste Pan Pacífico, França, Rússia e Itália estão à frente do Brasil no ranking. Os franceses venceram a prova no Campeonato Europeu com 3min11s64, os russos foram prata com 3min12s67 e os italianos bronze com 3min12s78. E todos os cinco com pelo menos um atleta nadando na casa dos 47 segundos.

O revezamento brasileiro é sim candidato a subir no pódio novamente em Mundiais ou Olimpíadas. Será essencial poder reunir o revezamento titular em futuros eventos para evitar erros, ajustando a sincronização e deixando a equipe cada vez mais consistente. O 4x100m livre esta no caminho certo.

A equipe no pódio com a medalha de bronze - Foto: Satiro Sodré

A equipe no pódio com a medalha de bronze – Foto: Satiro Sodré

Alguns dados:
Os cinco melhores nadadores brasileiros no 4x100m livre em 2014
1. Cesar Cielo – 48s13
2. Matheus Santana – 48s25
3. João de Lucca – 48s67
4. Marcelo Chierighini – 48s68
5. Nicolas Nilo – 48s69
Bruno Fratus fez 48s00 lançado

Top 6 do revezamento 4x100m livre em 2014
1. França – 3min11s64
2. Rússia – 3min12s67
3. Itália – 3min12s78
4. Austrália – 3min12s80
5. Estados Unidos – 3min13s36
6. Brasil – 3min13s59

Por Guilherme Freitas


Matheus Santana: campeão olímpico júnior e novo recorde mundial
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“Quero fazer 47s nos Jogos Olímpicos da Juventude”. Matheus Santana disse isso depois de deixar a piscina com um novo recorde mundial junior no 100m livre, no Brasileiro Sênio de Inverno. Era o sexto tempo do mundo: 48s35, feito por um nadador de 18 anos.

Ele fala e age como um jovem tranquilo, que não sofre maior pressão que tirar boas notas na escola e passar de ano. Ou talvez com preocupações como ser aprovado no vestibular ao final do ano. Difícil crer que, nas costas do atleta que há pouco tempo alcançou a maioridade, está o peso de ser um dos principais nomes para a futura geração olímpica brasileira. Para alguns, levando até mesmo a alcunha de “Novo Cielo”.

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Matheus Santana fez história em Nanquim – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Carioca, integrante da equipe de natação do Unisanta, Matheus não demonstra a tensão da responsabilidade que já assumiu para si com a pouca idade. Levou duas medalhas de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude, no revezamento 4x100m livre misto, e no 50m livre, com 22s43. Considerava-se satisfeitíssimo. Mas ele sabia, com toda a sua tranquilidade e confiança peculiar, que ele estava ali para algo mais.

Nas eliminatórias, conseguiu se poupar e nadar para 49s30, sua quinta melhor marca até então. Raia 4, o líder da decisão. Novamente um novo duelo contra o chinês Hexin Yu, vencedor da prova mais rápida da natação. O chinês largou melhor e começou com tudo, mas Matheus o alcançou ainda na virada e depois fez o que se tornou sua característica: voltou muito forte e deixou seus adversários para trás. Encerrou o 100m livre com a marca 48s25, melhorando em dez centésimos seu recorde mundial júnior. Um resultado expressivo, que lhe coloca na quinta colocação no ranking mundial. Depois de duas pratas, veio o ouro.

O brasileiro vai se aproximando dos 47 segundos - Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

O brasileiro vai se aproximando dos 47 segundos – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Depois de ficar fora do Mundial Júnior do ano passado por ter descoberto que tem diabetes, Matheus mostrou o quanto já sabe lidar com o problema, e começou o ano de 2014 batendo 49s baixo. Num duelo eletrizante com ninguém menos que Cesar Cielo, baixou para a casa dos 48s no Troféu Maria Lenk. Derrubou ainda mais sua marca no Brasileiro de Inverno, pouco depois, batendo dois recordes mundiais juniores quase que consecutivamente. No revezamento que disputou na China já tinha nadado para a casa dos 47s. Técnica, força, final de prova, juventude, muitos sonhos, mas, acima de tudo, a serenidade.

Até onde Matheus Santana pode chegar nessa grande fase que vive? O quanto o segundo mais bem rankeado nadador brasileiro no 100m livre pode contribuir para um revezamento 4×100 livre arrasador no Rio-2016? Cielo, Bruno Fratus, Marcelo Chierighini como colegas.

O brasileiro não aguentou a emoção do hino nacional - Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

O brasileiro não aguentou a emoção do hino nacional – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/COB

Só com o tempo, e seu tradicional esforço e trabalho. Enquanto isso, Matheus dorme com os 46s91 de Cielo em seus sonhos.

Os Jogos Olímpicos da Juventude é um evento transmitido pelo canal Sportv e tem como comentarista Daniel Takata – redator Swim Channel.

Por Mayra Siqueira


Nicolas Oliveira no caminho certo
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Pela primeira vez depois de cinco anos o brasileiro Nicolas Oliveira volta a figurar entre os vinte melhores do mundo em sua principal prova. E isso é dizer muito de um nadador que teve tantos percalços na vida e na carreira – e que quase desistiu do esporte depois de se decepcionar em Londres. O quadro volta a ficar favorável para “Nilo”, que fez a sua melhor marca na era sem trajes nesta quinta-feira, em Gold Coast, Austrália, no Pan Pacífico. Nadando para 1min46s98, o brasileiro ficou na sexta colocação do torneio, e agora está com o 18º tempo do mundo. O melhor de Nilo na história foi em 2009, no ano “mágico” da natação mundial. Chegou a nadar para 1min46s90 com o traje tecnológico, no Troféu Maria Lenk daquele ano.

Em Gold Coast, a prova foi vencida pelo australiano Thomas Fraser-Holmes, com 1min45s98, único a nadar abaixo de 1min46s, batendo o japonês Kosuke Hagino por apenas dez centésimos, enquanto o bronze foi para seu conterrâneo, Cameron McEvoy, com 1min46s36. Os americanos ficaram fora do pódio: Conor Dwyer em quarto, e Ryan Lochte em quinto.

Nicolas Oliveira terminou em sexto lugar no Pan Pacífico

Nicolas Oliveira terminou em sexto lugar no Pan Pacífico

Nicolas Oliveira teve uma prova bastante equilibrada, mantendo as passagens a cada 50m na casa dos 27 segundos. Suas parciais foram de 24s73, 51s77, 1min19s37, fechando os últimos 50m para 27s61, um pouco pior que o também brasileiro João de Lucca (27s47).

O resultado é extremamente semelhante com o que o nadador de 27 anos fez no Mundial do ano passado, em Barcelona, quando nadou para 1min46s99. No Troféu Maria Lenk deste ano ele nadou para 1min47s45. A melhora para o Pan Pacífico dá esperanças não só por medalha para os Jogos Pan-americanos do ano que vem e até, quem sabe, para o Rio-2016 na prova individual, mas também para o revezamento 4x200m. Não apenas por causa do bom desempenho de Nicolas na metragem, mas por outro nome brasileiro que acabou na final B na Austrália.

João de Lucca fez a sua melhor marca na piscina longa, quebrando pela primeira vez a casa dos 1min48s, com o tempo final de 1min47s98. Mas, apesar de ter sido o melhor tempo do brasileiro na prova em piscina olímpica, as expectativas eram grandes em cima do atleta de 24 anos. Em março deste ano, João igualou um feito conquistado por Gustavo Borges em 1995, vencendo dois títulos do NCAA, o campeonato universitário norte-americano, nas provas de 100 e 200 jardas. Se convertido o seu tempo para metros, por mais que não seja uma conversão confiável, deveria ser suficiente talvez para vencer a prova, ou ao menos nadar também na casa dos 1min46s.

Ainda assim, a evolução de João de Lucca na prova é interessante: ele derrubou sua marca de 1min49s em 2013 para um segundo abaixo no Maria Lenk deste ano, e agora superou seu próprio tempo. Se seguir neste ritmo, o desempenho de João pode ser extremamente importante para o Brasil na disputa do revezamento. Embora a CBDA tenha divulgado que a seleção não terá o 4x200m nem feminino, nem masculino, no Pan Pacífico, o plano deve ser ainda mais a longo prazo. Com Nicolas, João de Lucca e Thiago Pereira empolgado com o 200m, a parceria pode voltar a trazer bons frutos para a natação brasileira no revezamento nos Jogos Olímpicos.

Por Mayra Siqueira