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Maria Lenk definirá a seleção para o Mundial Júnior
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Faltam 12 dias para o Troféu Maria Lenk, a principal competição nacional do calendário brasileiro. Os holofotes do evento estarão sob os atletas que procuraram garantir suas vagas no Campeonato Mundial de Kazan e nos Jogos Pan-Amricanos de Toronto, porém, também estarão em jogo vagas para outra competição de nível internacional: o Campeonato Mundial Júnior de Cingapura, que acontecerá em agosto.

Até o momento sete nadadores já têm índice para a competição. O maior destaque é Brandonn Pierry de Almeida, que recentemente defendeu a seleção principal em competições no exterior e tem boas chances de subir ao pódio em Cingapura. Aos 18 anos de idade ele já tem no currículo uma participação em Mundiais Juniors. Em 2013 esteve com a equipe que nadou em Dubai e ficou em 9º lugar nos 400m medley. Brandonn já tem índices nos 400m e 1500m livre, 400m medley e 200m costas.

Brandonn Pierry já tem quatro índices para o Mundial Júnior - Foto: Satiro Sodré

Brandonn Pierry já tem quatro índices para o Mundial Júnior – Foto: Satiro Sodré

Os outros seis nadadores com índice até o momento são Felipe Ribeiro de Souza (50m e 100m livre), Nathan Bighetti (200m costas), Vinicius Lanza (100m borboleta), Pedro Henrique Spajari (100m livre), Giovanny Neves Lima (200m borboleta) e Gabriele Roncatto, a única representante feminina, com quatro índices nos 100m, 200m e 400m livre e 200m medley. Como alguns atletas ficaram próximos do índice no Torneio Open do ano passado, a tendência é que no Maria Lenk novos nomes sejam adicionados a lista.

O Mundial Júnior foi disputado pela primeira vez em 2006 na cidade do Rio de Janeiro. Na época não havia garantias de que o evento ser realizado novamente, mas com o sucesso do campeonato a Fina o adicionou a seu calendário internacional. A competição também passou a ser uma vitrine internacional para futuros destaques da natação mundial. Nomes como Tyler Clary, Mireia Belmonte, Kosuke Hagino, Bront Campbell e Etiene Medeiros, todos medalhistas anos depois em Jogos Olímpicos ou Campeonatos Mundiais, passaram da condição de promessa para a de realidade.

O Brasil esteve presente em todos os Campeonatos Mundiais Júnior e já ganhou nove medalhas nas primeiras quatro edições. O Mundial Júnior deste ano será disputado em Cingapura, no OCBC Aquatic Centre, durante os dias 25 e 30 de agosto.

Por Guilherme Freitas


O adeus e o passo à frente de Missy
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Acabou a era de amadorismo, de risadas leves e esporte como pura diversão. Não que no nível profissional a já campeã olímpica Missy Franklin não vá poder distribuir os sorrisos e as gargalhadas de costume, mas agora parece que a coisa se tornou “séria''. Com o encerramento – com chave de ouro – do NCAA, o campeonato escolar norte-americano, ela completou o seu ciclo como atleta universitária, e passará a poder ter um contrato profissional, patrocinadores e carreira direcionada.

Missy Franklin encerra com chave de ouro a sua participação universitária na NCAA

Missy Franklin encerra com chave de ouro a sua participação universitária na NCAA

Missy leva a natação como um prazer. Um hobby cansativo, talvez, mas que lhe dá como frutos amizades, relações e conquistas que fazem com que ela tenha o riso fácil. Dois anos atrás ela explicava a decisão de manter seu status amador, para iniciar seus estudos na Universidade da Califórnia: “Tenho apenas 17 anos e não me sinto pronta para encarar a natação como meu trabalho. A equipe é muito importante para mim e gostei muito de ter terminado meu último ano na high school nadando com meus amigos''. Relações, social, espírito de time. O número de vezes que Missy usou as palavras “team'' (equipe, em inglês) e “my girls'' (“minhas garotas'') para se referir às companheiras que integraram o grupo campeão do NCAA, é incontável. Uma vida de carreira solitária, focada na relação treinador-atleta na borda da piscina talvez nunca seja o caminho para a jovem estrela de 19 anos. Para um esporte tão solitário e individualista, nada faz a nadadora sorrir – de dentro para fora – como um time, um revezamento, um sentimento de união e pertencimento.

Atletas da Cal pulam na piscina para celebrar o título: um time - Foto: Reprodução Instagram

Atletas da Cal pulam na piscina para celebrar o título: um time – Foto: Reprodução Instagram

Com talento e charme combinados, a norte-americana de Pasadena deve ter grande facilidade para conseguir cotas gordas e sustentáveis de patrocínio nos próximos dias. Não seria impressionante se já houvesse uma pequena fila de interessados na porta da casa de seus pais, que administram e cuidam de sua carreira. Do lanche com toddynho na bolsa térmica, até a presença imprescindível do ursinho de pelúcia que vai com ela a todas as competições e pódios. Sua mãe é sua grande amiga. Seu pai, um exemplo de pessoa para ela. Estes aspectos mostram quem é Missy Franklin. Uma garota que ama o que faz acima de tudo, e preza o seu próprio bem estar. Mesmo que às custas de rejeitar ajuda financeira externa pelos últimos dois anos, com cinco medalhas olímpicas na parede de casa.

Com roteiro perfeito para um filme hollywoodiano, Franklin foi eleita o destaque do campeonato que foi encerrado neste fim de semana, com vitórias em suas três provas individuais – 200 medley, costas e livre, com direito a recorde americano no último, se tornando a primeira mulher a quebrar a barreira dos 1m50s, e mais três pódios de revezamento, dois ouros, uma prata e um bronze. E o impulso de sua presença no título dos Golden Bears é simples: conquistou 206 dos 513 pontos da equipe no fim de semana. Ao receber o prêmio de destaque individual, lágrimas. Na entrevista coletiva, mais um pouco de choro. No salto em grupo dentro da piscina, alguns centímetros a mais de água  graças à sua emoção fora de controle. “Nem sinto que eu doei alguma coisa, porque eu ganhei tanto! Não poderia esperar um final melhor'', disse Missy, no encerramento.

O timing de sua profissionalização é perfeito: ela consegue somar o melhor das duas partes, com dois anos de atleta universitária e praticamente dois anos para se preparar como “adulta'' para os Jogos do Rio-2016. A começar por Kazan, no Mundial da Rússia, o momento ideal para que se possa ver outra vez sua atuação em piscina longa, e em metros, já que o NCAA é disputado em jardas. Ela passou por uma lesão na última temporada que prejudicou seu desempenho nos principais torneios internacionais, como o Pan Pacífico.

Missy ainda não anunciou se vai continuar treinando na Cal com sua técnica Tery McKeever ou se retornará ao Colorado Starz com seu antigo coach Todd Smitz. Além de muitos ouros olímpicos para o ano que vem, a nadadora tem uma outra “pequena'' pretensão para a carreira:  tornar-se a mais premiada medalhista olímpica da história. Ela já tem cinco, e precisa superar, somente em seu país, as colegas nadadoras Jenny Thompson, Dara Torres e Natalie Coughlin, todas com 12 medalhas. Entre as atletas de todos os esportes, a mais premiada é a ex-ginasta russa Larissa Latynina, 18 medalhas em três Olimpíadas.

Um desafio e tanto, que Missy, como o próprio apelido sugere, tentará carregar com a jovialidade e simplicidade de sempre.

Por Mayra Siqueira

 


Bons resultados dos hermanos em Mar del Plata
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No fim da última semana aconteceu no tradicional Natatorio Alberto Zorrilla em Mar del Plata, o Campeonato Argentino de Natação que também foi a primeira seletiva oficial para o Campeonato Mundial de Kazan e os Jogos Pan-Americanos de Toronto. A competição, disputada em três dias, reuniu a elite da natação argentina e registrou dois novos recorde nacionais. Mais do que isso, o evento confirmou a evolução da modalidade que desde a última temporada vem apresentando bons resultados.

O grande nome dessa seletiva foi Federico Grabich. Aos 24 anos ele vem atravessando o melhor momento da carreira. Em 2014 o nadador bateu o recorde argentino nos 200m livre na piscina curta e no Campeonato Sul-Americano, também disputado em Mar Del Plata, foi o maior medalhista do evento com dez pódios. Na seletiva do último fim de semana Grabich bateu seu próprio recorde nacional nos 200m livre ao nadar para 1min47s78. O tempo também é o terceiro da história da América do Sul. Outro bom resultado do velocista veio nos 100m livre com 49s07, sua melhor marca pessoal e atualmente quarto melhor tempo de 2015.

No Sul-Americano de 2014, Grabich ganhou dez medalhas - Foto: Reprodução

No Sul-Americano de 2014, Grabich ganhou dez medalhas – Foto: Reprodução

A jovem Andrea Berrino foi a outra atleta que superou uma marca nacional. Com 1min01s04 ela é agora a nova recordista argentina nos 100m costas. Andrea, que também é a recordista nos 200m costas, é um nome conhecido no Brasil por já ter defendido a Unisanta em competições brasileiras. Outro recorde nacional que por muito pouco não caiu foi nos 100m borboleta. Santiago Grassi venceu a prova com 52s94, um centésimo acima do recorde de Jose Meolans estabelecido na piscina do Julio de Lamare no Troféu Brasil de 2003.

Os argentinos definirão suas seleções para o Mundial de Kazan e o Pan-Americano de Toronto no Troféu Maria Lenk, competição que será disputada no Parque Aquático do Fluminense, no Rio de Janeiro, entre os dias 6 e 11 de abril. Os atletas argentinos estarão em ação representando clubes brasileiros ou nadando em observação para obter índices para os eventos internacionais.

Andrea Berrino superou o recorde nacional nos 100m costas - Foto: Reprodução

Andrea Berrino superou o recorde nacional nos 100m costas – Foto: Reprodução

Após anos de poucos resultados expressivos a nível internacional e a perda da posição de segundo melhor país da América do Sul para a Venezuela, a Argentina começa a dar mostras de melhora técnica e recuperação para futuras competições. No Maria Lenk a expectativa dos nossos hermanos é de conseguir melhorar esses resultados da seletiva de Mar del Plata.

Por Guilherme Freitas


O fim da geração ‘menor de idade’ de Londres
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Na última quinta-feira, quando soprava dezoito velinhas sobre seu bolo de aniversário, Ruta Meilutyte colocava fim a uma era de “novinhas'' aquáticas. Se ela e outras companheiras surpreenderam o mundo nos Jogos Olímpicos de 2012 desbancando veteranas, agora elas são as experientes e rivais a serem batidas para o esperado evento do Rio no próximo ano.

Aos 15 anos, a lituana venceu os 100m peito e se tornou a segunda atleta mais jovem da natação a conquistar um ouro olímpico – perdeu para a japonesa Kyoko Iwasaki, que venceu os 200m peito da Olimpíada de Barcelona em 1992 aos 14 anos.

No mesmo evento, a chinesa Ye Shiwen já havia assombrado o planeta ao vencer os 400m medley com um arrasador final de prova. Aos 16. Entre as americanas, a já bem conhecida “Phelps de saias'', Missy Franklin, abocanhou aos 17 anos cinco medalhas olímpicas, sendo quatro de ouro, na sua primeira participação nos Jogos.

Sem óculos, de maiô simples, e tamanho infantil: Kyoko Iwasaki foi campeã olímpica aos 14 anos - Foto: Reprodução YouTube

Sem óculos, de maiô simples, e tamanho infantil: Kyoko Iwasaki foi campeã olímpica aos 14 anos – Foto: Reprodução YouTube

Dois dias antes do aniversário de Ruta encerrar a geração “menor de idade'' de Londres, Katie Ledecky, a mais jovem integrante da seleção norte-americana e medalhista de ouro dos 800m livre em Londres, também recebeu os parabéns e completou 18 anos.

Hoje experientes no cenário mundial, confira o que fizeram de 2012 pra cá – e o que esperar dos já não tão novos fenômenos da natação:

Missy Franfklin – 19 anos (completa 20 em maio)

Missy Franklin é referência da natação feminina norte-americana

Missy Franklin é referência da natação feminina norte-americana

Talvez mais famosa que sua conterrânea Ledecky, Missy já tinha mais atenção da mídia em 2012 – até por ser dois anos mais velha. Mas os primeiros passos foram parecidos. A jovem de Pasadena, Califórnia, ficou popular depois do vídeo ao som do hit “Call Me Maybe'', com a seleção norte-americana, que tornou-se um viral na época. Parece quase um pecado atribuir popularidade para uma estrela esportiva por um desempenho em um vídeo amador, mas a verdade é que a simpatia de Missy fez o mundo vê-la com olhares nem sempre dispensados a atletas fenomenais, mas pouco carismáticos, como Michael Phelps.

Franklin debutou internacionalmente na seletiva americana de 2008, aos 13 anos. Nada de muito espetacular, mas em 2010 ela conseguiu vaga no time para o Pan Pacífico, quando sua carreira realmente deslanchou. Em Londres, desnecessário dizer: tornou-se uma estrela feminina das piscinas, selando seu bom momento em Barcelona-2013, com seis ouros em sete provas (200m livre, 100m e 200m costas, 400m medley e 4x100m medley e livre, e 4×200 livre, além de um quarto lugar no 100m livre).

Assim como optou Ledecky, Missy escolheu permanecer amadora (isso é, rejeitando qualquer tipo de contrato de patrocínio) até este ano, para poder disputar o NCAA, o fortíssimo campeonato norte-americano universitário.

Com uma lesão nas costas, Franklin teve uma temporada abaixo da média em 2014. Ainda assim bateu a terceira melhor marca da história americana no 100m costas no campeonato nacional, vencendo também os 200m do estilo e 100m livre, e terminando com a prata nos 200m livre, atrás de Katie. No Pan Pacífico, nadou quatro provas individuais e três revezamentos, e levou apenas um bronze sozinha, nos 100m costas, além de ouro no 4x200m livre e prata nos 4×100 livre e medley.

Ye Shiwen – 19 anos

Ye Shiwen, dona do fim de prova mais impressionante de todos os tempos nos 400m medley - Foto: Martin Bureau/AFP

Ye Shiwen, dona do fim de prova mais impressionante de todos os tempos nos 400m medley – Foto: Martin Bureau/AFP

Ela venceu os 400m em Londres com um fim de prova mais rápido que o campeão masculino da prova, Ryan Lochte. “Só'' isso. Levantou suspeitas – e acusações – de uso de doping para justificar seu desempenho espantoso. Negou veementemente. E seguiu com poucos holofotes por parte do mundo aquático ocidental desde então.

Ye Shiwen foi escolhida ao final de 2014 a nadadora asiática do ano pelo portal especializado Swim Swam, com a explicação de que, realmente, não teve assim uma temporada espetacular, mas ainda está muito à frente das principais nadadoras asiáticas. Venceu os 200m e 400m medley nos Jogos Asiáticos, e com uma distância considerável de suas rivais, se mantendo no top 10 do mundo do ano nas provas. A menos de um segundo da líder Katinka Hosszu nos 200m, em quarto lugar na lista e, ainda mais expressivo, líder nos 400m com os 4m30s84 que bateu no Campeonato Chinês, tempo feito com uma dor de estômago que a tirou da prova mais curta na ocasião. Relevantes marcas internacionais.

Katie Ledecky – 18 anos

Katie Ledecky é hoje a maior nadadora americana, aos olhos do especialistas - Foto: Lluis Gene/AFP/Getty Images

Katie Ledecky é hoje a maior nadadora americana, aos olhos do especialistas – Foto: Lluis Gene/AFP/Getty Images

Três recordes mundiais nas três provas de fundo da natação. A nona nadadora na história, mas a primeira desde Janet Evans (1988-2006), a conquistar o feito.

Ledecky está destinada a grandes conquistas desde o início de sua adolescência, assim veem os que tiveram contato com a jovem nas primeiras braçadas. Até as seletivas pré-olímpicas de 2012, Katie não havia disputado uma grande competição. Pode-se considerar, sim, que era uma quase desconhecida do mundo quando pisou no parque aquático londrino, três anos atrás. O foco estava na dona da casa, recordista mundial e favorita, Rebecca Adlington. Que viu seu reinado cair com a batida de mão da menina de 15 anos, seis segundos à sua frente. E 21 segundos abaixo do que a americana fazia um ano antes.

Isso é apenas uma “reprise'' do que foi o surgimento de Ladecky no cenário internacional. Mas o que a atleta é, e o seu gigante potencial, apareceriam de verdade para o mundo nas duas temporadas subsequentes. Antes de ter permissão de dirigir em seu país, ela já somava dois recordes mundiais, quatro títulos mundiais e o ouro olímpico. No Pan Pacífico do ano passado, foram cinco vitórias: 200m, 400m, 800m, 1500m e 4x200m livre. A primeira atleta a conquistar quatro provas individuais no evento.

Do alto de sua precoce maturidade, Katie prega o que todo veterano, eventualmente, aprende: “Quando você está atrás do bloco, você põe em prática o que você treinou. É claro que você sabe o que você vai fazer em cada prova''. Parece simples, mas muitos demoram a aprender. E a pequena joia é guardada com todo o cuidado pela comissão técnica  norte-americana.

Ruta Meilutyte – 18 anos

Lágrimas e sorriso infantil: a 'menina' Ruta Meilutite, é, aos olhos do seu treinador e rivais, uma mulher formada

Lágrimas e sorriso infantil: a 'menina' Ruta Meilutite, é, aos olhos do seu treinador e rivais, uma mulher formada

Ela nada com adultas, com mente equivalente. Apesar da idade, o sucesso precoce fez com que a jovial lituana que fez história em Londres aprendesse a pensar como suas concorrentes. Talvez ironicamente, ela se sente melhor entre as mais velhas. Quando pisava em um evento junior, até então de sua categoria, Ruta era uma estrela. Autógrafos, fotos, rostos virando em sua direção, olhas furtivos e ansiosos no balizamento. Mas entre os profissionais, ela é apenas mais uma.

Meilutyte abocanhou desde Londres todos os títulos mais relevantes possíveis no cenário internacional, nos 50m e 100m peito: foi campeã mundial de longa e de curta – no absoluto e na categoria junior-, campeã europeia nas duas piscinas, campeã dos Jogos Olímpicos da Juventude, e campeã europeia junior. Ainda possui os recordes mundiais de 50m na longa e 100m peito nas duas piscinas (dividindo o de curta com a jamaicana Alia Atkinson).

A maturidade se vê na forma como ela encara a “pressão''. Quer vencer os 100m peito no Rio novamente por uma questão de orgulho – orgulho de manter seu título, e para repetir o orgulho de seus conterrâneos com mais uma expressiva marca para o pequeno país. “A pressão existe porque todos ali querem me ver nadar bem outra vez. Não tem como ver como algo negativo''.

***

A atleta mais jovem a conquistar um ouro na história dos Jogos Olímpicos foi a americana Marjorie Gestring dos Saltos Ornamentais, que venceu Berlim, em 1936, aos 13 anos. Entre outros eventos internacionais, a nadadora mais jovem a conquistar uma medalha foi a dinamarquesa Inge Sorensen, bronze nos 200m peito com apenas 12 anos.

Por Mayra Siqueira


Vai começar o NCAA 2015
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A Divisão I do NCAA, o campeonato universitário dos Estados Unidos, vai começar. Na verdade a divisão principal do NCAA é disputada em dois locais diferentes. Primeiro, como já o ditado, vem as damas. De hoje até sábado as mulheres disputam o seu campeonato na piscina do Greensboro Aquatic Center, na Carolina do Norte. Na semana seguinte, entre os dias 26 e 28 de março, os homens caem na piscina do Campus Recreation & Wellness Center, em Iowa. As provas de natação são disputadas na distância de jardas e após o término das etapas acontecem disputas de saltos ornamentais. Em 2014 as equipes vencedoras foram Geórgia no feminino e Califórnia no masculino.

O maior destaque da competição feminina é Missy Franklin, que disputará o NCAA pela última vez em sua carreira. Ano passado ela anunciou que a se tornará uma atleta profissional e devido às regras da competição, que proíbem a participação de nadadores remunerados, Missy não poderá mais representar a Universidade da Califórnia. Além da campeã olímpica o evento conta a participação de outras atletas da seleção americana, como Simone Manuel e Elizabeth Beisel que estiveram no Mundial de Barcelona em 2013.

Missy Franklin faz sua despedida da CAL -Foto: Tim Binning/The Swim Pictures

Missy Franklin faz sua despedida da CAL -Foto: Tim Binning/The Swim Pictures

A competição masculina só começa na outra semana e o vice-campeão mundial dos 400m medley Chase Kalisz é o destaque. No Mundial de Barcelona ele foi uma das maiores surpresas da competição, pois derrotou dois medalhistas olímpicos nesta prova, o brasileiro Thiago Pereira e o japonês Kosuke Hagino. Outros nadadores conhecidos internacionalmente são o venezuelano Cristian Quintero, medalhista pan-americano em Guadalajara-2011, e Joseph Schooling, de Cingapura, medalhista no último Commonweath Games de Glagscow-2014.

O Brasil estará presente nas duas competições. No feminino apenas uma atleta cai na água: Giuliana Giglioti, que nada pela Universidade de Utah. No masculino serão quatro atletas: Arthur Mendes Júnior (Auburn), Pedro Coutinho (Louisville), Alexandre Fernandes (Universidade de Utah) e Henrique Handa Machado (UNLV). Em toda a história do NCAA o Brasil já ganhou 60 medalhas de ouro, com destaque para Gustavo Borges e Cesar Cielo, que subiram dez vezes no pódio cada um.

Chase Kalisz é o destaque do NCAA masculino - Foto: Mike Lewis/Ola Vista Photography

Chase Kalisz é o destaque do NCAA masculino – Foto: Mike Lewis/Ola Vista Photography

A Divisão II do NCAA foi disputada em Indianápolis entre os dias 10 e 14 de março. Thiago Sickert foi um dos destaques ao conquistar seis medalhas, sendo duas de ouro nos 100 e 200 livre.  A Divisão III começou ontem no Texas, e vai até sábado. Nas divisões inferiores os eventos de ambos os sexos são disputados de forma conjunta.

Os resultados em tempo real do NCAA feminino Divisão I podem ser acompanhados através deste site: http://www.swmeets.com/Realtime/NCAA/2015/

Por Guilherme Freitas


Desbravando os mares pelo meio ambiente
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Realizar três desafios nadando em prol do meio ambiente. Foi isso que o nadador Ricardo Serravalle começou a fazer no último sábado, dia 14 de março. O atleta baiano concluiu o trajeto de ida e volta da tradicional travessia Mar Grande x Salvador. O mar colaborou para a realização do evento, já que as águas estavam bem tranquilas e o nadador não encontrou muitas dificuldades. Foram aproximadamente 24 km de braçadas e pernadas em 6h29min. Essa travessia faz parte do Projeto pela Preservação dos Oceanos e da Baía de Todos os Santos, onde o nadador visa, através da natação, chamar atenção para uma maior conscientização ambiental.

O desafio ainda terá outras duas paradas. Em julho, ele nadará durante 24h ininterruptas na piscina do Clube Adelba. Ele conhece muito bem o local, pois é lá que ele treina com a equipe do Centro Aquático Edvaldo Valério. Por fim em outubro, ele pretende realizar a Travessia dos Três Faróis em Salvador, uma prova charmosa que passa por três famosos faróis da capital baiana (Itapuã, da Barra e da Ponta de Humaitá) totalizando 33 km de prova.

O nadador Ricardo Serravalle - Foto: Raphael Martins

O nadador Ricardo Serravalle – Foto: Raphael Martins

Todos esses desafios, além do viés ambiental, servem para Serravalle treinar para a inédita Travessia a Nado entre a Praia do Porto da Barra em Salvador e a ilha de Morro de São Paulo em Cairú. O evento vai acontecer em dezembro e a prova terá de 59 a 84 km dependendo da maré. Ele ainda não conta com patrocinadores e esta fazendo todas essas ações em prol de uma causa nobre. “Mais que um desafio pessoal esta travessia visa levar a população uma maior conscientização sobre a importância da preservação dos Oceanos e de nossa Baía de Todos os Santos, sede da Amazônia Azul”, afirma o atleta em seu site oficial.

Serravalle é um grande exemplo de superação. Em 2009 ele sofreu três AVC isquêmicos devido a um problema congênito em seu coração. Passou por uma cirurgia para implante de prótese cardíaca e ano seguinte sofreu um grave acidente em sua perna esquerda. Mas ele não desistiu e após mais um tempo parado voltou a praticar esportes. Em 2013 realizou um grande sonho ao completar o triatlo Ironman Brasil em Florianópolis (SC). Ele é formado em Administração, com doutorado em Ciências Humanas e pretende em breve lançar um livro onde contará as histórias de superação de sua vida.

Serravalle em ação durante o percurso Mar Grande/Salvador - Foto: Arquivo Pessoal

Serravalle em ação durante o percurso Mar Grande x Salvador – Foto: Arquivo Pessoal

Mais detalhes sobre os desafios de Ricardo Serravalle podem ser encontrados no site oficial do projeto aqui ou na página do Facebook, aqui.

Por Guilherme Freitas


Uma lenda retorna as piscinas
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Nos últimos anos aconteceram muitas idas e vindas no mundo da natação competitiva. Campeões olímpicos como Michael Phelps e Ian Thorpe anunciaram que retornariam as piscinas após breves aposentadorias. Thorpe voltou, foi um fiasco e já parou de novo. Phelps retornou muito bem e garantiu vaga na equipe que disputará o Mundial de Kazan, porém, problemas disciplinares o tiraram até o momento da competição. No Brasil também tivemos o caso de Joanna Maranhão que anunciou o término da carreira em 2013, mas voltou no fim do ano passado nadando em grande estilo. No último fim de semana houve uma volta que ter o mesmo desfecho de Joanna.

Bicampeão olímpico e tetracampeão mundial nos 1500m livre, além de outras dezenas de medalhas em provas de fundo nas principais competições internacionais, Grant Hackett esta de volta ao mundo da natação. Após falhar na tentativa do tri olímpico em Pequim-2008, o australiano anunciou sua aposentadoria. Durante o período fora das piscinas ele foi apresentador e comentarista de um canal de TV e também passou por alguns momentos delicados como uma internação para tratar o vício em remédios e um conturbado divórcio que foi destaque nos veículos de mídia do país.

Grant Hackett um dos maiores fundistas da história - Foto: Diulgação

Grant Hackett é um dos maiores fundistas da história – Foto: Divulgação

Assim como Phelps, ele sentia falta dos treinamentos e das competições. Precisava voltar e traçou planos para retornar ao seu habitat natural. Coincidência ou não, foi justamente o retorno do americano que o motivou. “Encontrei com Michael no Pan Pacífico de Gold Coast e ele me disse: 'Você tem nadar de novo'. Foi a primeira vez que eu senti que queria voltar a nadar”, disse Hackett ao jornal The Australian. Aos 34 anos de idade ele voltou no último fim de semana. Disputou o Queensland Long Course Qualifying Meet, uma competição regional que é utilizada para nadadores do país conseguirem índices para o Campeonato Nacional. Hackett nadou três provas e conseguiu os índices. Venceu o 400m livre com 3min55s68 e foi prata nos 200m livre com 1min50s68 e nos 100m livre com 51s38.

Seu grande objetivo é nadar muito bem em abril durante o Campeonato Australiano. Expectativa para o ouro nos 1500m livre? Nada disso. Seu plano é mais “curto'', os 200m livre. Ele quer conseguir uma vaga no time australiano que vai disputar em agosto o Campeonato Mundial de Kazan. Caso não consiga se classificar para a prova individual quer integrar o revezamento. É o primeiro passo para Hackett ir se preparando para disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, este sim a grande meta a ser atingida. Se vai parar depois disso? Só o tempo dirá.

Aos 34 anos ele retorna as piscinas em 2015 - Foto: Lyndon Mechielsen

Aos 34 anos ele retorna as piscinas em 2015 – Foto: Lyndon Mechielsen

Por Guilherme Freitas


Budapeste, a cidade aquática
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O Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de 2017 já tem sua nova sede definida. Trata-se de Budapeste, na Hungria, que foi anunciada hoje como palco da competição mais importante do calendário da Fina (Federação Internacional de Natação). Dessa forma, a capital húngara assume o posto da mexicana Guadalajara, que anunciou mês passado a desistência em sediar o evento. Com essa competição para organizar Budapeste se torna a “cidade aquática” dos próximos anos.

Localizada na região central da Hungria e com quase 2 milhões de habitantes, Budapeste está no mapa das disputas internacionais dentro d’água. A cidade terá cinco eventos de porte mundial para organizar: os Campeonatos Mundiais de Esportes Aquáticos de 2017 e 2021, os Campeonatos Mundiais Masters de 2017 e 2021 e o Campeonato Mundial Júnior de natação em 2019.

Autoridades húngaras apresentam a nova piscina - Foto: Federação Húngara de Natação

Autoridades húngaras apresentam a nova piscina – Foto: Federação Húngara de Natação

Budapeste é uma cidade com tradição esportiva, principalmente aquática. A cidade já foi palco de quatro edições do Campeonato Europeu de Esportes Aquáticos (1926, 1954, 2006 e 2010), além de finais de campeonatos e ligas européias de pólo aquático.

Além disso, a Hungria conta hoje com grandes estrelas da natação mundial como Katinka Hoszzu, a Dama de Ferro, eleita pela Fina a melhor nadadora do mundo ano passado e Daniel Gyurta, campeão olímpico dos 200m peito e nascido na cidade. Em esportes aquáticos o país também tem muita tradição. Foram 66 medalhas conquistadas em Jogos Olímpicos, 73 em Campeonatos Mundiais e 243 em Campeonatos Europeus.

As competições dos cinco eventos em 2017 e 2021 serão disputadas em três piscinas da cidade com destaque ao moderno Palace of Pools, complexo que está em fase de construção e deve estar totalmente pronto ano que vem. E a realização desses eventos de grande porte podem credenciar a cidade húngara a entrar em futuras disputas olímpicas a partir de 2024.

Budapeste é a cidade natal de Daniel Gyurta - Foto: Tim Wimborne/Reuters

Budapeste é a cidade natal de Daniel Gyurta – Foto: Tim Wimborne/Reuters

Por Guilherme Freitas


Phelps: o dilema do justo e do injusto
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Falar de Michael Phelps é ter assunto, interesse, audiência. Por linhas tortas, ele se tornou pauta de muitas conversas e curiosidades do mundo da natação desde que se consagrou o melhor nadador de todos os tempos. Marcado por polêmicas e curiosidades sobre seus passos ao retornar às competições, com conquistas expressivas, marcas no ranking mundial, problemas com álcool e direção, seleção norte-americana… indefinições.

Phelps: punições e benefícios em questão na seleção

Phelps: punições e benefícios em questão na seleção

Desde que a reportagem do canal americano ESPN divulgou os rumores e conversas para o “perdão'' do nadador, mais especulações entraram em cena. Ele havia sido punido com seis meses de suspensão e um corte da seleção dos Estados Unidos que vai ao Mundial de Kazan em julho deste ano, após ser pego em setembro de 2014 pela segunda vez dirigindo alcoolizado, em alta velocidade – sob a ameaça de prisão caso o problema se repetisse.

Entram em cena dois debates importantes: Phelps, por ser O Michael Phelps, de 22 medalhas olímpicas, 18 de ouro, pode receber esse perdão e ter a oportunidade de ter sua punição ignorada, ou reconsiderada? Seria justo até mesmo com seus colegas e concorrentes internos de provas? Talvez não. Mas então entramos no argumento oposto. Phelps já foi castigado. Judicialmente foi punido com leis de seu país, nas esferas civil e criminal, entrou em um programa de reabilitação para acabar com quaisquer problemas remanescentes com álcool. Moralmente foi afetado. Seria justo, além dos seis meses de afastamento da seleção nacional (suspensão que acaba em abril), ser excluído da maior competição do ciclo olímpico antes do principal evento poliesportivo do planeta? O que seria mais justo ou injusto, afinal?

Talvez o perdão só esteja em pauta por se tratar de Michael Phelps. Talvez a punição só tenha sido tão severa por se tratar de Michael Phelps.

Seus colegas de seleção preferem ter a figura quase mística de milagres aquáticos ao lado em um revezamento, sem dúvidas. Vencer, e manter a bandeira norte-americana em evidência. E quem foi chamado para substituí-lo no time nacional não quer cogitar perder essa vaga honrosa por um beneficiamento a uma celebridade. Phelps se classificou para as provas de 100m livre, 100m borboleta e 200 medley para a competição da Rússia, garantindo também sua posição nos três revezamentos. Ryan Lochte, nos 100m livre, Tim Phillps no 100m borboleta e Tyler Clary nos 200m medley: estes seriam os afortunados a conquistar as vagas.

A decisão final ainda não foi anunciada. Phelps atendeu semanalmente às reuniões do grupo de ajuda em que se inseriu, treinou todos os dias – de domingo a domingo, como nos seus velhos tempos -, pediu desculpas formalmente à USA Swimming e aos seus fãs e público em geral. Anunciou um noivado recentemente, e tentou mostrar, de todas as formas, que pretende seguir “na linha'' e provar que pode ser um espelho dentro e fora das piscinas para os seus tantos admiradores pelo mundo. Fez o que era esperado dele, em uma punição muito mais política e exemplar que educadora.

Tyler Clary afirmou que pode ceder sua vaga a Phelps nos 200m medley sem problemas

Tyler Clary afirmou que pode ceder sua vaga a Phelps nos 200m medley sem problemas

Talvez o aval demore para sair tempo suficiente para que Phelps seja visto em ação outra vez. O terreno está sendo preparado para que não haja espaço suficiente para questionamentos e revolta. De forma emblemática, ele vai competir outra vez na segunda semana de abril, em Mesa, no Arizona. Mesmo local em que o mundo viu seu retorno às piscinas após o anúncio de aposentadoria, no ano passado.

Que a justiça, seja qual for neste caso, seja feita.

Por Mayra Siqueira


Camille Muffat (1989 – 2015)
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Em julho de 2014, a nadadora francesa Camille Muffat surpreendia o mundo ao revelar que estava deixando as piscinas. “Simplesmente parei de nadar” foi sua declaração ao jornal francês L’Équipe que anunciou em primeira mão o fim da carreira competitiva de Camille. Ontem, dia 9 de março de 2015, o mundo mais uma vez se surpreendia com Camille. E pela última vez. A ex-nadadora francesa morria tragicamente em um acidente aéreo em Villa Castelli, na Argentina.

Camille estava no país sul-americano participando das gravações de um reality show chamado Dropped, que tem uma forma similar ao consagrado Survivor. Participavam juntamente com ela do reality várias estrelas do esporte francês. Camille foi uma das dez vítimas fatais do acidente aéreo entre dois helicópteros que transportavam alguns participantes e a equipe de produção do canal de TV. Ainda não se sabe como aconteceu a tragédia, mas as primeiras informações indicam que os dois helicópteros colidiram no ar e caíram.

Camille Muffat foi campeã olímpica em Londres - Foto: Agência France Press

Camille Muffat foi campeã olímpica em Londres – Foto: Agência France Press

A morte de Camille causou comoção na comunidade aquática mundial. Seus companheiros de seleção francesa Florent Manaudou, Fred Bousquet e Yannick Agnel utilizaram seus perfis no Twitter para expressar suas condolências pela tragédia. Outras nadadoras como Jeanette Ottesen e Femke Heemskerk também postaram homenagens em memória da campeã olímpica. Além de Camille outros dois atletas franceses morreram no acidente: Florence Arthaud e Alexis Vastine. O ex-nadador Alain Bernard também participa do reality show, mas não estava a bordo de nenhum dos helicópteros.

A natação e o esporte perderam nesse acidente em Villa Castelli uma de suas melhores nadadoras dos últimos tempos. Campeã olímpica em Londres-2012 nos 400m livre, Camille teve uma carreira curta, porém, recheada de grandes resultados. Além do ouro em Londres, ela ainda foi vice-campeã olímpica nos 200m livre e integrou o revezamento francês 4x200m livre que foi bronze na mesma edição dos Jogos. Ganhou também quatro medalhas em Mundiais de piscina longa, duas medalhas em Mundiais de curta e nove medalhas em Campeonatos Europeus. Também foi recordista mundial dos 400m livre na piscina curta e eleita em 2012 a melhor atleta feminina do esporte francês pelo jornal L’Équipe.

Descanse em paz Camile.

Por Guilherme Freitas