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A primeira piscina olímpica
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Há duas semanas o palco da natação dos Jogos Olímpicos deste ano foi apresentado ao público, aos atletas e ao mundo. O moderno Estádio Olímpico Aquático, localizado dentro do Parque Olímpico do Rio-2016 impressionou pela beleza, arquitetura e infraestrutura. Sem dúvida será uma das arenas que serão lembradas eternamente quando falarmos de natação olímpica no futuro. Mas você sabe qual foi a primeira piscina construída para a realização de uma edição olímpica? Depois de três disputas em águas abertas (em 1896 no mar, em 1900 em um rio e em 1904 em um lago), a organização dos Jogos de Londres-1908 resolveu construir uma piscina temporária para a disputa olímpica.

Os moldes da piscina dos Jogos de 1908 são surreais em comparação aos dias de hoje. A piscina de 100 metros de comprimento foi montada dentro do White City Stadium, porém, não foi o estádio que teve que ser adaptado (como aconteceu com a Kazan Arena no Mundial de Esportes Aquáticos do ano passado. A piscina foi colocada num canto do estádio, entre o gramado e as arquibancadas (veja na imagem abaixo). Algo impensável para os dias atuais já que parte do público não conseguiria assistir as provas devido a distância física e também prejudicaria os patrocinadores que perderiam visibilidade com placas de publicidade afastadas do campo de visão.

Público acompanha as provas de natação em 1908 - Foto: Getty Images

Público acompanha as provas de natação em 1908 – Foto: Getty Images

Grande potência na época dos Jogos, o Império Britânico detinha colônias na Ásia, África e América do mundo, o Reino Unido resolveu não economizar nos gastos para os Jogos. A começar pelo estádio White City onde estava sediada a piscina. Com capacidade para 68 mil pessoas (atingia 110 mil com acentos temporários) o local, construído na zona leste de Londres, custou 60 mil libras (algo em torno de 6,5 milhões de libra ou aproximadamente R$ 33 milhões atualmente) e ainda sediou outras modalidades como atletismo, futebol, hóquei na grama, saltos ornamentais, polo aquático e ciclismo.

Nesta Olimpíada aconteceram apenas seis provas, todas no masculino: 100m, 400m e 1500m livre, 100m costas, 200m peito e revezamento 4x200m livre. Os nadadores britânicos foram os grandes vencedores ao ganharem sete medalhas, sendo quatro de ouro. O atleta da casa, Henry Taylor foi o principal nome da Olimpíada ao conquistar três medalhas de ouro.

Nadadores largam para prova em 1908 - Foto: British Olympic Association

Nadadores largam para prova em 1908 – Foto: British Olympic Association

Um dos grandes templos do esporte britânico, o Whity City Stadium sobreviveu ao longo do século XX. Nele foram realizadas outros grandes eventos como os Jogos do Império Britânico em 1934, corridas de motocross e partidas de futebol do time do Queens Park Rangers. Em 1985 aconteceu a demolição do estádio e no local foi construído um novo complexo de prédios da emissora de TV BBC.

Por Guilherme Freitas


Estreia abençoada
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O ditado diz que a primeira vez a gente nunca esquece. Sem dúvida ficará sempre na memória de um atleta uma vitória logo na estrear de um evento. É o que deve estar passando na cabeça de Leonardo de Deus neste momento. Pela primeira vez em sua carreira ele encarou uma prova de águas abertas. E venceu.

E não foi uma disputa qualquer. Ele triunfou na prova Challenge, que teve percurso de 4 km, na etapa de Ubatuba do Desafio Rei e Rainha do Mar. Além da longa distância percorrida, seus adversários foram nada mais, nada menos do que Diogo Villarinho, Victor Colonese, Marcos Campos, Matheus Evangelista e Samir Barel, todos com vasta experiência em eventos internacionais de águas abertas com a seleção brasileira.

Leonardo de Deus faz a festa em Ubatuba - Foto: Arquivo pessoal do atleta

Leonardo de Deus faz a festa em Ubatuba – Foto: Arquivo pessoal do atleta

Com o tempo de 44min53s Leo foi o primeiro a cruzar a linha de chegada na Praia do Perequê-Açu e comemorou bastante a inédita conquista. Através de suas redes sociais, o nadador agradeceu os fãs pelo apoio e afirmou que gostou da nova experiência. Já classificado para nadar os 200m borboleta e os 200m costas nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, Leo focará agora sua preparação olímpica onde tem esperanças de subir ao pódio nos 200m borboleta. Medalhista de prata na prova por equipes no Campeonato Mundial de Kazan no ano passado, Diogo Villarinho chegou em segundo lugar com 45min34s. Victor Colonese completou o pódio com 45min38s.

Na prova feminina do Challenge tivemos uma das dobradinhas mais frequentes dos últimos anos. Já classificadas para o Rio-2016, Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha mais uma vez se sobressaíram ante as demais competidoras. Poliana chegou na frente ao concluir o percurso em 48min51s e Ana Marcela chegou logo depois em 48min40s. As duas tiveram a companhia de outra atleta da seleção brasileira, Betina Lorscheitter, que levou o bronze com 49min06s.

Ana Marcela e Poliana Okimoto fizeram três dobradinhas em Ubatuba - Foto: Satiro Sodre/SSPress.

Ana Marcela e Poliana Okimoto fizeram três dobradinhas em Ubatuba – Foto: Satiro Sodre/SSPress.

No Sprint, que teve percurso de 1 km, e no Classic, com 2 km de travessia, a ordem da dobradinha foi a inversa. Vitória de Ana Marcela sobre Poliana Okimoto, com Betina Lorscheitter na terceira colocação. No masculino quem venceu as duas provas foi Diogo Villarinho, seguido por Fernando Ponte e Victor Colonese.

Esta também foi a primeira vez do Desafio Rei e Rainha do Mar no litoral paulista. Uma prova que ficará marcada por resultados inéditos e inesquecíveis. E esperamos que seja a primeira de muitas! Confira os resultados completos da etapa clicando aqui.

Por Guilherme Freitas


Ilhabela encerra temporada 2015/16 do Circuito Mares
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No próximo dia 1º de maio chega ao fim o Circuito Mares 2015/16, evento de águas abertas que é disputado em quatro etapas e teve início em São Sebastião do ano passado em setembro. Após a realização das etapas de Caraguatatuba e Ubatuba, o circuito conhecerá os grandes campeões desta temporada na Praia do Perequê, em Ilhabela. Nesta etapa, além da premiação geral da temporada, os melhores atletas receberão premiações em suas respectivas categorias.

O Circuito Mares foi criado em 2014 com o propósito de unir esporte com a natureza, seguindo o conceito de ecoturismo. Organizado pela Interativa Esportes, o evento proporciona uma oportunidade diferente para os nadadores de águas abertas, que além de disputarem suas provas também podem fazer atividades em contato com a natureza.

Ilhabela vai receber a última etapa do Circuito Mares - Foto: Organização do evento

Ilhabela vai receber a última etapa do Circuito Mares – Foto: Organização do evento

Serão ao todo quatro provas com distâncias diferentes em Ilhabela. A mais curta, chamada de Start, terá 500m de percurso, sendo indicada para iniciantes em provas de águas abertas e que encerrará o programa de provas. Há ainda a prova Short, com 1 km de percurso e a Marathon que tem 2,5 km. Ambas são indicados para atletas acostumados a encarar essas distâncias. Por fim há a categoria Challenge, que tem a distância olímpica de  10 km e que será disputada apenas pelos nadadores mais experientes.

Além das águas abertas a organização da prova também realizará eventos de Aquathlon, com natação e corrida com percurso total de 6 km: 1 km de natação e mais 5 km de corrida que podem ser disputados de forma individual ou em revezamento por equipe. A programação do evento terá pela ordem a largada das provas de Challenge, Aquathlon, Marathon, Short e Start. As atividades começam a partir das 7h30. Para mais detalhes sobre o evento e inscrições, acesse o site oficial do evento clicando aqui.

Por Guilherme Freitas

 


Seleção paralímpica faz bonito no evento-teste
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Dias depois do término do Troféu Maria Lenk, que definiu o time olímpico do Brasil para os Jogos Olímpicos do Rio-2016, foi realizado na mesma piscina do Estádio Olímpico Nacional o Open Internacional Caixa Loterias de Natação, competição válida pelo circuito nacional e que também foi evento-teste para os Jogos Paralímpicos que acontecem entre os dias 7 e 18 de setembro. Em ação, os principais nomes da natação paraolímpica brasileira e alguns estrangeiros.

Dentro da piscina os resultados foram bons para o Brasil. O país terminou a competição com 66 medalhas, sendo 14 de ouro, 22 de prata e 30 de bronze. André Brasil e Daniel Dias, os principais nomes da natação paraolímpica nacional, também conseguiram se destacar. André teve 100% de aproveitamento no Rio de Janeiro, ganhando todas as provas que disputou. Em entrevista ao fim do evento ele disse que agora o objetivo é conseguir bons resultados no Campeonato Europeu Paralímpico que acontecerá em Portugal, no mês de maio.

Já Daniel Dias nadou apenas três provas, pouca coisa em relação ao que esta acostumado a disputar em grandes eventos, medalhando em todas elas. Vencedor do Prêmio Laureus 2016 como melhor atleta paraolímpico, Daniel afirmou que não quis se cansar muito pois o objetivo maior será a competição em Portugal.

Andre Brasil (foto: divulgação)

Andre Brasil (foto: divulgação)

Assim como no Troféu Maria Lenk, o evento serviu também como teste para a principal competição da temporada. Além dos nadadores poderem conferir a piscina e a água, também foi testada a estrutura e acessibilidade do parque aquático já que atletas paraolímpicos, dependendo do grau de suas deficiências, necessitam de detalhes técnicos que visam também atender as exigências do Comitê Paralímpico Internacional.

A seleção brasileira terá 32 nadadores nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, que será a delegação mais numerosa do país na história do evento. A meta será superar o desempenho de Pequim-2008 quando 19 medalhas foram conquistadas, a melhor campanha do Brasil nos Jogos. Desempenho que o técnico Leonardo Tomasello acredita ser capaz de conseguir. “Nós estamos indo para a competição com a maior delegação, as chances de medalhas portanto são maiores e o fato de nadar em casa, com o calor da torcida, ginásio lotado pode nos levar a buscar a maior participação da natação paralímpica na história dos jogos”.

Por Guilherme Freitas


As lições de Cielo
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O único campeão olímpico da história da natação brasileira está fora da disputa da Olimpíada em seu país natal. Uma Olimpíada que ele ajudou a trazer para o país, em 2009.

A expressão acima é forte e carrega grande simbolismo. E, por isso mesmo, é emblemática.

A comoção foi grande no meio aquático após Cesar Cielo ter terminado os 50m livre na terceira posição ontem, no Troféu Maria Lenk, e ter perdido a vaga olímpica para Bruno Fratus e Ítalo Duarte.

Nas redes sociais, inúmeras homenagens foram feitas. Muitas vindas inclusive de companheiros de seleção de vários anos. O que ajuda a explicar o alcance que o nadador, mesmo fora dos Jogos do Rio de Janeiro, tem. E continuará tendo.

Com seu tempo de ontem, 21s91, mesmo distante de suas melhores marcas, ele teria conseguido classificação em qualquer outra seletiva do mundo entre as que já ocorreram, como as fortes australiana, francesa, japonesa e britânica.

Cesar Cielo (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Cesar Cielo (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Mas, por mais contraditório que pareça, sua glória no passado foi seu martírio no presente.

O ouro olímpico conquistado em 2008 e as conquistas subsequentes motivaram uma geração que aparecia e que, empolgadas com aquele feito, sonhavam em alcançar o patamar do ídolo.

Resultado: o Brasil, hoje, é um dos países mais fortes em provas de velocidade na natação. Bruno Fratus e Ítalo Duarte fazem parte da geração citada. São, por assim dizer, filhos do ouro olímpico de Cesar Cielo.

E foi assim que Cielo foi privado da disputa da Olimpíada de 2016.

Grande foi a repercussão, mas é preciso que se diga que essa não foi a primeira nem a última história de frustração de um atleta que fica fora de uma Olimpíada. Nesse mesmo Troféu Maria Lenk, vimos outros casos.

Minutos após a prova masculina, na disputa dos 50m livre feminino, Lorrane Ferreira saiu da água aos prantos, ao ter perdido a vaga olímpica por apenas três centésimos. Inconsolável e arrasada.

A frustração de Cielo não é maior que a de Lorrane ou que a de muitos outros.

E é aí que ele deixa mais uma lição e exemplo para todos nós.

Cesar Cielo (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Cesar Cielo (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Em 2008, o terceiro lugar nos 100m livre na Olimpíada de Pequim foi o impulso e a motivação necessários para Cesar Cielo virar Cesar Cielo e conquistar o ouro nos 50m livre.

Em 2012, a terceira posição olímpica nos 50m livre foi frustante, mas dali ele juntou os cacos para dar a volta por cima e vencer o Mundial de 2013.

Agora, mais um terceiro lugar se encontra em seu caminho. Não podemos prever quais serão suas consequências na vida e na carreira de Cielo.

Mas, como já demonstrou antes, ele tem forças necessárias para fazer disso um combustível para os próximos passos, sejam eles fora ou dentro da piscina.

Ontem, Cielo mostrou que não é diferente de Lorrane Ferreira ou de muitos outros. Ao louvar Bruno Fratus e Ítalo Duarte, deixou claro que sabe que a derrota faz parte da vida. O herói e ídolo mostrou seu lado humano após um dos maiores reveses da carreira.

Assim como sua vitória em 2008 inspirou hordas de nadadores brasileiros, sua derrota de ontem também deve servir de exemplo de tudo que o esporte, e a vida, se trata. Pois mostrou que, apesar do ouro olímpico, é igual a todos os outros.

Por isso, o momento é de reverência.

A Cesar o que é de Cielo.

Por Daniel Takata


Quem disse que os 1500m livre não tem emoção?
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O último dia do Troféu Maria Lenk foi sem dúvida nenhuma o mais tenso de todo o evento. Todas as atenções se voltaram para os 50m livre masculino e a tentativa de Cesar Cielo em alcançar o índice olímpico. A queda de energia que atrasou o início da competição em mais de uma hora só aumentou o frenesi em relação aos cinquentinha.  Após aprova mais rápida da natação, que confirmou Bruno Fratus e Ítalo Duarte nos Jogos, parecia que não havia nada mais importante no programa. Mas engana-se quem achou que o dia acabou ai.

Depois dos 50m livre e 200m costas feminino e dos 100m borboleta masculino vieram os 1500m livre masculino, a prova mais longa da natação. E pelo fato de ser uma prova extensa onde a estratégia é na maioria das vezes mais importante do que a técnica ou a explosão, é comum ouvir comentários como que este é o momento certo para ir ao banheiro ou comer um lanche. Quem seguiu esse “conselho” se deu mal, porque perdeu uma das melhores provas de 1500m livre dos últimos anos.

Miguel Valente comemora o índice olímpico - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Miguel Valente comemora o índice olímpico – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Atual campeão mundial júnior desta prova, Brandonn Almeida era o grande favorito para vencer e fazer o índice olímpico. O nadador do Corinthians adotou sua tradicional estratégia de começar devagar e ir crescendo aos poucos. Miguel Valente, que nadava duas raias ao lado de Brandonn, adotava a estratégia oposta. Começou muito forte e foi abrindo muito em relação aos demais nadadores. Na altura dos 750 metros, metade da prova, a disputa se resumia a apenas Miguel e Brandonn. Não pela vitória, mas pelo índice olímpico de 15min14s77. Miguel mantinha o forte ritmo que imprimia desde o início e Brandonn vinha crescendo para esperar a hora H de lançar seu forte final de prova.

Nos últimos 100 metros ambos foram com tudo em busca do índice. Enquanto Miguel lançava suas últimas forças para segurar a liderança, Brandonn apertava o botão do “turbo” e mais uma vez mostrava seu fortíssimo fim de prova (fechou com impressionantes 57s73). Restando pouquíssimos metros ambos ficaram praticamente lado a lado, levando a torcida no Estádio Olímpico Nacional a ficar de pé e fazer muito barulho. No fim vitória de Miguel com 14min14s40 contra 14min14s58 de Brandonn. Índice olímpico para os dois e bastante comemorado pelo público. Uma prova eletrizante, emocionante e decidida na batida de mão.

Brandonn Almeida durante os 1500m livre - Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Brandonn Almeida durante os 1500m livre – Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Depois de 16 anos o Brasil voltará a ter representantes na prova mais longa da natação mundial em Jogos Olímpicos. A última vez havia sido com Luiz Lima em Sidney-2000. E será também a primeira vez desde Seul-1988, quando Cristiano Michelena e David Castro nadaram, que serão dois atletas nos 1500m livre. Uma mostra de que o fundo brasileiro está em processo de evolução.

Assista abaixo a eletrizante final dos 1500m livre do Troféu Maria Lenk:

Por Guilherme Freitas


Ligeirinho olímpico: o sonho de Ítalo Duarte
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A manchete na maioria dos portais de natação e noticiários esportivos deu enfoque para a ausência de Cesar Cielo nas Olimpíadas do Rio. Claro, o fato é impactante o suficiente. Mas pouco se prestou atenção em quem assumirá a responsabilidade de representar o país na prova em que tradicionalmente o Brasil ganhou destaque no cenário do esporte em todo o mundo.

Ítalo Duarte: 21s82 para conseguir voltar ao Rio em agosto - Foto: SSPress

Ítalo Duarte: 21s82 para conseguir voltar ao Rio em agosto – Foto: SSPress

Quem é Ítalo Manzine Duarte? Nascido em 1992, o nadador viu suas intensas e potentes braçadas o levarem não só ao pódio do Troféu Maria Lenk, mas ao posto de representante número 2 da seleção dona da casa dos Jogos. E em grande, explosiva e ascendente evolução.

Para os amigos, o apelido é sugestivo: Ligeiro, ou Ligeirinho. Natural de Belo Horizonte, começou a nadar em uma pequena cidade mineira, em Paraguaçu, antes de investir alto no esporte. Como lembra o Coach Alex Pussieldi, Ítalo se federou pelo Mackezie Esporte Clube em 21 de agosto de 2008, cinco dias depois de Cielo conquistar o primeiro ouro olímpico da história da natação brasileira, justamente em sua especialidade, os 50m livre. Na época, o mineiro tinha 16 anos – uma carreira que começou relativamente tardia perto de outros grandes atletas nacionais.

Em três anos, sagrou-se campeão brasileiro júnior e encerrou a temporada como quarto no ranking brasileiro da prova. Ítalo chegou a tentar manter sua evolução em São Paulo, no Esporte Clube Pinheiros, onde não se adaptou e acabou retornando à sua terra natal: ao Minas Tênis Clube, com Scott Volkers, e com a oportunidade de defender um revezamento e subir ao mesmo pódio que o atleta que tanto admira, e baixar gradualmente sua melhor marca pessoal.

E, sua página no Facebook, a foto como orgulho ao lado do ídolo - Foto: Arquivo Pessoal

E, sua página no Facebook, a foto como orgulho ao lado do ídolo – Foto: Arquivo Pessoal

O índice olímpico e a provisória segunda vaga do Brasil vieram na final do Open, no ano passado: 22s08. Mas ele sabia que ainda teria uma dura batalha a travar. Na ocasião, Cielo não nadou. Mas, nas águas da piscina que receberá os maiores do planeta, ele confirmou o seu ingresso no Olimpo dos nadadores. E, embora poucos tenham notado o tamanho de seu sorriso após a conquista, ofuscado pelas lágrimas do ídolo, o coração mineiro da nova promessa brasileira dormiu mais leve depois desta quarta-feira. Que todos agora saibam quem é Ítalo.

Por Mayra Siqueira


Dois mil atletas nadam a Volta do Parcel
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Aconteceu no último domingo, dia 17 de abril, mais uma edição da tradicional Travessia da Volta do Parcel, disputada nas águas da Praia de Juquehy, em São Sebastião. O evento também foi o pontapé inicial para o Circuito Aqua 2016, que terá até dezembro outras três etapas em Brasília, Rio de Janeiro e Barra do Sahy. Segundo a organização do evento aproximadamente 2000 nadadores caíram na água para encarar os 1,5 km de travessia.

A prova masculina foi vencida por Bruno Yamamoto, nadador experiente de águas abertas e que já havia vencido edições passadas da Volta do Parcel. O pódio ainda teve dois xarás. Paulo Augusto Silva ficou em segundo lugar, seguido por Paulo Victor Nazário que terminou na terceira posição.

Medalhas da Volta do Parcel - Foto: Adam Tavares

Medalhas da Volta do Parcel – Foto: Adam Tavares

No feminino a vitória foi de um sobrenome famoso das águas abertas: Van Rouwendaal. Mas não se trata da campeã europeia e medalhista em Mundiais e sim de sua irmã Denise que disputou sua primeira prova de águas abertas no Brasil e debutou com a medalha de ouro. Em segundo lugar chegou Ana Karolina Oliveira e o terceiro lugar no pódio foi para Mayra Siqueira, jornalista da SWIM CHANNEL.

A próxima edição do Circuito Aqua acontece dia 28 de agosto no Lago Paranoá, em Brasília. Para ver o resultado completo do evento clique aqui.

Por Guilherme Freitas

 


Sinfonia Inacabada
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O compositor austríaco Franz Schubert compôs, em 1822, sua Sinfonia nº 8. A obra ficou para a posteridade com o nome de Inacabada, por ter somente dois movimentos, ao invés dos tradicionais quatro. Apesar do nome, a obra foi concebida desta maneira e não é incompleta. Mas, pela sua estrutura, deixa um gosto de quero mais.

Pois Sinfonia Inacabada seria uma descrição apropriada para o quinto dia de finais do Troféu Maria Lenk, última seletiva olímpica da natação para o Rio 2016. Pois as provas deixaram esse sabor de quero mais, por diferentes motivos.

Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Larissa Oliveira (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Os resultados dos 100m livre feminino foram promissores. A começar pelo recorde sul-americano de Larissa Oliveira com 54s03, fundamentos excelentes de saída e virada e ótima divisão de prova. Em grande fase, recupera de Etiene Medeiros o recorde que um dia já foi seu, assim como fez nos 200m livre. Etiene, com 54s50, não melhora seu tempo, mas já mostrou que tem capacidade para melhorar. Daynara de Paula, que na eliminatória fez 55s02, melhor marca pessoal, completa o revezamento 4x100m livre com Manuella Lyrio (55s20 no Open).

E é aí que fica o gosto de quero mais: a expectativa de melhora no revezamento é grande. Com o tempo do Pan-Americano do ano passado, a equipe seria finalista no Mundial. Agora, a equipe está ainda mais rápida. Uma final olímpica, repetindo o feito do time feminino olímpico liderado por Piedade Coutinho no longínquo ano de 1948, é uma possibilidade real.

Os 200m medley masculino causaram empolgação com o desenrolar da prova, mas uma sensação incompleta. O duelo anunciado entre Thiago Pereira, prata no mundial de 2015, e Henrique Rodrigues, atual campeão pan-americano, aconteceu, e de maneira acirrada. Com grande alternância de liderança, os dois geraram expectativa quando viraram para os 150m empatados, e provocaram uma explosão no público ao também terminarem em um improvável empate, com 1min57s91.

E essa foi a frustração. O tempo ficou aquém das expectativas. Se ambos querem lutar por medalhas no Rio, não podem nem sonhar em nadar acima de 1min56s. Eles planejavam chegar na marca hoje. Não aconteceu.

Henrique Rodrigues e Thiago Pereira (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Henrique Rodrigues e Thiago Pereira (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Nos 200m costas masculino, expectativa para índices, mas Leonardo de Deus, com 1min57s57, foi o único a garantir a vaga olímpica, em uma prova na qual já tinha índice. Concorrentes como Fabio Santi e Fernando Ernesto dos Santos não acompanharam a segunda metade de prova de Leonardo, e o Brasil terá somente um nadador na prova na Olimpíada.

Nos 200m peito feminino, não havia nenhuma expectativa de índice, ao menos para nadadoras brasileiras. Quem tinha a possibilidade era a argentina Julia Sebastian, que com o recorde sul-americano de 2min27s06 do Sul-Americano há três semanas havia ficado a um décimo do índice. Ela bem que tentou, mas com 2min28s12 não chegou perto. Pamela Souza foi a melhor brasileira (atrás de quatro estrangeiras) com 2min31s75.

Amanhã, dia cheio, com provas acirradas como 50m livre e 100m borboleta masculino. E que tem tudo para não lembrar uma sinfonia inacabada.

Por Daniel Takata


Pintando o quatro
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No quarto dia de competições do Troféu Maria Lenk, última seletiva olímpica da natação do Brasil, no Centro Aquático do Parque Olímpico no Rio de Janeiro, são quatro os nomes adicionais confirmados na seleção olímpica brasileira de natação.

Os dois que carimbaram passaporte hoje nos 100m livre, Marcelo Chierighini (prova indiviual e revezamento) e Matheus Santana (revezamento), se juntaram aos outros dois, Nicolas Oliveira (prova individual e revezamento) e João de Lucca (revezamento), que já estavam garantidos em outras provas, para formarem o quarteto do 4x100m livre que tentará se livrar de alguns incômodos quartos lugares (olimpíada de 1996 e mundiais de 2009 e 2015) para subir no pódio.

Marcelo Chierighini (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Marcelo Chierighini (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Chierighini, com 48s20 na eliminatória e 48s23 na final, completa quatro vezes nadando na casa do 48s2 (tem melhor tempo de 48s11).

Nicolas, com 48s30 na eliminatória e 48s54 na final, irá para sua quarta competição de nível mundial em piscina longa para representar o Brasil nos 100m livre (se juntando a Olimpíada de 2012 e aos mundiais de 2007 e 2009).

Os outros dois nomes vieram nos 200m peito.

Após um 2015 para esquecer, o semifinalista olímpico de 2012 Tales Cerdeira fez seu quarto melhor tempo da vida sem trajes, com 2min10s99 na eliminatória da prova. Foi talvez a maior surpresa do dia, não pela sua capacidade, que já demonstrou muitas vezes, mas por não ter tido um grande ciclo olímpico, às voltas com tempos ruins e contusões. Quatro anos após a inesquecível semifinal de 2012, ele brilha na hora certa.

Tales Cerdeira (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Tales Cerdeira (foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Thiago Simon, ouro pan-americano, não fez índice hoje, mas garantiu vaga em sua primeira Olimpíada com o índice feito no Open, em dezembro último (2min11s29).

Ironicamente, nenhum dos dois foi o vencedor na final, honraria que coube a Thiago Pereira (2min11s86).

E teve Joanna Maranhão nos 200m borboleta, em sua quarta prova na competição, ficando longe do índice e de seu melhor tempo com 2min11s75. Foi superada pela chinesa Shuang Li (2min11s46) e demonstra sinais de cansaço, após um ótimo início de competição com os 400m medley e pioras de tempo nas demais provas.

Mas ela já está garantida em sua quarta Olimpíada, com índices nas provas de quatro estilos.

Como se vê, os nadadores olímpicos brasileiros hoje pintaram o quatro!

Por Daniel Takata