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Comparando laranja com laranja

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14/08/2015 12h21

Ao término do Campeonato Mundial de Kazan, a cobertura jornalística demonstrou resultados não satisfatórios no que se refere a performance da seleção brasileira de natação. Diversos pontos foram levantados: o país não ganhou medalha de ouro, Cesar Cielo abandonou o evento, atleta brasileiro ainda valoriza os Jogos Pan-Americanos. Pior do que isso, grande maioria de internautas também julgam como fracasso o resultado do Brasil em Kazan e na programação para os Jogos do Rio de Janeiro 2016.

Sendo sincero, eu li e escutei grandes absurdos na ultima semana, artigos que beiravam ignorância. Para uma análise critica, antes de mais nada, é necessário analisar todas as medalhas conquistadas nas piscinas de Kazan. O quadro de medalhas nunca esteve tão diversificado e não existe uma hegemonia suprema, confira:

Ryan Lochte, a única medalha de ouro no masculino dos EUA - Foto: Divulgação

Ryan Lochte, a única medalha de ouro no masculino dos EUA – Foto: Divulgação

Estados Unidos: o time norte-americanos fez uma apresentação vergonhosa. No masculino, apenas uma única medalha de ouro individual, a do veterano Ryan Lochte nos 200m medley.  Para piorar, no revezamento 4x100m livre, sequer classificaram para a final. No feminino, a situação não foi melhor e infelizmente vivenciamos a queda de rendimento da sempre simpática Missy Franklin. O que salvou os EUA literalmente, foram os resultados individuais de Katie Ledecky que conquistou cinco medalhas de ouro.

Resumo da cobertura jornalista dos norte-americanos: Estados Unidos vencem o quadro de medalhas, a performance não foi a esperada, mas Katie Ledecky faz historia em Kazan e ainda Michael Phelps em Campeonato Norte-americano escabele as três melhores marcas do mundo nas provas de 100m e 200m borboleta e 200m medley.

Mack Horton, a decepção australiana em Kazan - Foto: Reprodução

Mack Horton, a decepção australiana em Kazan – Foto: Reprodução

Austrália: O país teve uma apresentação medíocre da maior estrela do último ano: Mack Horton. O nadador de longa distância chegou a ser cotado como favorito a medalha de ouro nos 400m, 800m e 1500m livre e no evento acabou chegando apenas a uma única final. Para piorar, o revezamento 4x100m livre , considerado melhor do mundo, não chegou entre os 12 primeiros colocados, ou seja, não conseguiu sequer a vaga olímpica. Inadmissível.

Resumo da cobertura jornalística dos australianos: Emily Seebohm é a nova rainha mundial dos 100m e 200m costas, destronando Missy Franklin. O jovem Mitchell Larkin, vence os 100m e 200m costas no masculino e é favorito para os Jogos do Rio de Janeiro em 2016.

Daiya Seto (foto: Murad Sezer/Reuters)

Daiya Seto, a única medalha do masculino do Japão em Kazan – Foto: Murad Sezer/Reuters

Japão: considerado por muitos como um exemplo a ser seguido. A natação japonesa foi vergonhosa, entre os homens. Das 48 medalhas em disputa na piscinas , conquistaram apenas uma: ouro nos 400m medley com Daiya Seto. Mesmo com a ausência de Kosuke Hagino, a performance japonesa foi deprimente.

Eu não falo japonês, mas converso em inglês com alguns nadadores do sol nascente. Resumo da cobertura jornalística dos japoneses: Daiya Seto supera mal rendimento e torna-se bicampeão mundial dos 400m medley, Kanoko Watanabe, mantem a tradição japonês no nado peito e vence os 200 metros.

Nicholas, Fratus, Thiago e Etiene, os medalhistas em Kazan - Fotos: Satiro Sodré/SS Press

Nicholas, Fratus, Thiago e Etiene, os medalhistas em Kazan – Fotos: Satiro Sodré/SS Press

Brasil: nossos nadadores fizeram uma apresentação espetacular no Pan-Americano de Toronto. Todos sabem disso e em apenas um semana de intervalo, tiveram que representar o país em Kazan. Não importa a periodização, mesmo sendo focada no mundial da Fina, é quase desumano sair de um evento de cinco dias de eliminatórias e finais em Toronto, viajar para casa e depois viajar para a Rússia para mais oito dias de competição. A jornada pesou nos ombros dos nadadores. Mesmo assim, o Brasil foi bem. Comparando novamente laranja com laranja. Sabemos a qualidade de Leonardo de Deus, Felipe França, João de Lucca e Etiene Medeiros e era nítido que não mantiveram o rendimento. Basta comparar os tempos de Toronto com Kazan e teríamos os resultados desejados. Mesmo assim o Brasileiro precisa ser positivo.

Cobertura de mídia desejada para o Brasil

Thiago Pereira: após se tornar o maio vencedor da historia em Jogos Pan-Americanos, aos 30 anos de idade, o veterano conquista sua melhor posição em campeonatos mundiais em toda sua carreira. Prata na sua melhor prova, os 200m medley.

Bruno Fratus: depois de uma "bola na trave" no revezamento 4x100m livre, o velocista conquista sua primeira medalha em campeonato mundial e mantem a tradição brasileira em provas de velocidade. Bronze nos 50m livre.

Nicholas Santos: o veterano de 35 anos faz historia em Kazan ao se tornar o nadador mais velho a conquistar uma medalha em campeonatos mundiais. O atleta é exemplo na longevidade da natação em alta performance.

Etiene Medeiros: a nadadora passa a ser a primeira medalhista em campeonato mundial na natação nacional. Superando seu próprio recorde sul-americano, para conquistar a honrada medalha de prata.

Minha mensagem é para paramos de sermos negativos. Basta! Precisamos olhar e valorizar os pontos positivos. Não estou falando para "maquiar" qualquer resultado, mas quem entende de natação sabe que fizemos uma apresentação respeitável em 2015 e que as lideranças do Head Coach masculino Alberto Pinto e do Head Coach feminino Fernando Vanzella, são dignas de admiração e respeito.

Ao analisar os três países mais estáveis no mundo na natação (EUA, Japão e Austrália) e comparar laranja com laranja, identificamos que seus resultados são uma "onda senoidal". O Brasil teve uma apresentação admirável em 2015 e está prestes a fazer o que pode oferecer: seu melhor resultado na natação numa edição de Jogos Olímpicos.

Por Patrick Winkler

Sobre o Autor

Daniel Takata
Redator da Revista Swim Channel. Tem colaborado com os principais veículos impressos e eletrônicos sobre natação e vem comentando competições no SporTV.

Guilherme Freitas
Jornalista da Revista Swim Channel e correspondente internacional de imprensa da FINA (Federação internacional de Natação), formado pela FMU e pós-graduado em Globalização pela Escola de Sociologia e Política.

Patrick Winkler
Editor- Chefe da Revista Swim Channel, Colunista da Radio Bradesco Esportes FM. Graduado em administração de empresas na Universidade Mackenzie, e pós-graduado em Gestão do Esporte pelo Instituto Trevisan.

Mayra Siqueira
Repórter da Revista Swim Channel e jornalista esportiva da Rádio CBN. É correspondente da FINA (Federação internacional de Natação) no Brasil e é colunista de natação para o Blog Esporte Fino, da Carta Capital.

Sobre o Blog

A Swim Channel é uma editora formada por nadadores que escreve exclusivamente sobre natação sendo eleita a melhor revista do segmento no mundo inteiro no ano de 2012. Através deste Blog, consegue fomentar noticias diárias aumentando o alcance do conteúdo editorial. Acompanhe entrevistas com atletas e personalidades, cobertura dos principais eventos, análises das diversas áreas relacionadas a nossa modalidade.

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