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O Mundial não poderia ter começado melhor

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21/07/2019 12h50

Abriram-se as cortinas do espetáculo. Começou a natação no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos em Gwangju. E começou quente, com recordes mundiais, surpresas e confusão. Mas primeiro vamos falar da prova mais esperada para natação brasileria: o revezamento 4x100m livre masculino.

Sem a presença de Gabriel Santos, que foi suspenso por oito meses após um teste positivo de doping, o Brasil teve que mudar sua estratégia. Na eliminatória o reserva Andre Calvelo nadou e foi bem. Para final entrou Bruno Fratus, um atleta mais experiente. Normalmente é Gabriel quem abre a disputa, mas sem o velocista coube a Marcelo Cheirighini ser o primeiro nadador do time. Depois Pedro Spajari, Bruno Fratus e Breno Correia fechando.

Pedro Spajari – Foto: Satiro Sodré

O time esteve em alguns momentos na terceira colocação da fortíssima final, mas terminou apenas em sexto lugar com 3min11s99. Mesmo com Bruno e Breno nadando na casa de 47 segundos, não foi o suficiente para ir ao pódio. Com ótimo parcial de 47s06, Kyle Chalmers desequilibrou na reta fina e deu o bronze a Austrália que na última piscina bateu Brasil, Itália e Reino Unido na briga pelo bronze.

Com uma atuação impecável, os americanos venceram a disputa e faturaram a medalha de ouro com novo recorde de campeonato: 3min09s06. Um time bem equilibrado, que teve Caeleb Dressel abrindo muito bem com 47s63 e um parcial destruidor de Zach Apple com 46s86. A realidade para o Brasil é que para ir ao pódio olímpico ano que vem todos precisarão nadar na casa dos 47 segundos, como fizeram os russos que terminaram com a prata nadando para 3min09s97. Essa é a chave para ganhar uma medalha olímpica.

 

Adam Peaty – Foto: Kim Hong-Ji/Reuters

Recorde mundial

Adam Peaty é uma lenda. O inglês é uma máquina de quebrar recordes e parece que ainda não atingiu seu limite. E isso é assustador. Na semifinal dos 100m peito venceu sua série com incríveis 56s88, tornando-se o primeiro homem a romper a barreira dos 57 segundos. Justo ele, que é o único a romper a casa dos 57 segundos. O que será que podemos esperar amanhã na final? João Gomes Júnior foi o representante do Brasil na prova, mas não conseguiu avançar para a final, piorando seu tempo e marcando 59s32.

 

Horton se nega a subir ao pódio – Foto: AFP Photo

Treta

A final dos 400m livre formou o primeiro pódio do Mundial de Gwangju. E foi Sun Yang, com mais uma bela performance o grande campeão com 3min42s44, faturando seu tetracampeonato mundial na distância. O chinês vibrou muito para o ódio de seu inimigo declarado Mack Horton, que terminou mais uma vez com a medalha de prata com 3min43s17. No pódio eles não se olharam e não se cumprimentaram. Horton não sorriu em nenhum momento e se recusou a posar para fotos ao lado do chinês. Foi uma forma de protestar contra o rival, que mais uma vez se meteu em uma confusão sobre doping recentemente. Uma briga que parece estar longe de ser apaziguada. Gabrielle Detti terminou com o bronze com 3min43s23.

 

O pódio dos 400m livre – Foto: Reprodução

A surpresa do dia

Katie Ledecky não é mais imbatível nos 400m livre. A americana que jamais havia perdido essa prova em um Mundial, conheceu o gosto da medalha de prata. Ao longo de toda a final foi pressionada pela jovem Ariarne Titmus. A australiana não se intimidou com a supercampeã na raia ao lado e nadou em seu limite forçando o tempo todo e superando a americana na reta final com novo recorde da Oceania: 3min58s76. Ledecky, que certamente se sairá melhor nos 800m e 1500m livre, terminou com 3min59s97. Detalhe que o tempo foi mais de três segundos acima de seu recorde mundial. Na briga pelo bronze Leah Smith conquistou mais uma medalha em Mundiais com 4min01s29.

 

Nicholas Santos – Foto: Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br

Nicholas na final

O velocista conseguiu se classificar para a final dos 50m borboleta e amanhã vai em busca de sua terceira medalha em Mundiais nesta prova. Nicholas Santos, que nas eliminatórias havia nadado mal, melhorou na semifinal e segurou no finalzinho para marcar 22s77. Na final terá um duro adversário: Caeleb Dressel, que veio para Gwangju determinando em ser melhor do que foi em Budapeste. O americano bateu o recorde de campeonato com 22s57 e será o rival mais perigoso de Nicholas que tentará a façanha de ser campeão mundial aos 39 anos de idade.

 

O revezamento australiano – Foto: Mark Schiefelbein

Austrália bate recorde

Na final do revezamento 4x100m livre feminino a Austrália sofreu por um momento, mas no fim retomou a liderança e venceu mais uma vez esta prova e com nova marca de campeonato: 3min30s21. Novamente um parcial destruidor de Cate Campbell: 51s45, o diferencial para dar as aussies sua segunda medalha de ouro e liderança provisória no quadro de medalhas neste Mundial. Os Estados Unidos ficaram com a prata, graças a parcial de Simone Manuel com 51s92, nadando para 3min31s02. Esse fim de prova de Simone foi essencial para derrotar as canadenses que terminaram e terceiro lugar com 3min31s78.

 

Katinka Hosszu – Foto: Reprodução

Supremacia mantida

Sarah Sjöström e Katinka Hosszu não tiveram dificuldades em suas semifinais e amanhã provavelmente garantirão mais medalhas de ouro a suas coleções. A sueca nadou fácil e liderou a semifinal dos 100m borboleta com 56s29 e tudo leva a crer que vai faturar mais um título mundial nesta distância onde é dominante desde 2013. Já a Dama de Ferro nadou fácil, fácil para 2min07s17 nos 200m medley e deve passear mais uma vez amanhã. Sua briga não será contra outra nadadora e sim com o relógio. O recorde mundial, estabelecido por ela no Mundial de Kazan-2015, está na mira.

 

Fernando Scheffer – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Logo mais acontece o segundo dia de eliminatórias do Mundial com as provas de 200m livre masculino, 100m costas masculino e feminino, 1500m livre feminino e 100m peito feminino. As provas tem início a partir das 22h com transmissão do Sportv. Os resultados deste primeiro dia de finais já estão disponíveis no site da Omega Timing. Clique aqui para conferir.

Sobre o Autor

Daniel Takata
Redator da Revista Swim Channel. Tem colaborado com os principais veículos impressos e eletrônicos sobre natação e vem comentando competições no SporTV.

Guilherme Freitas
Jornalista da Revista Swim Channel e correspondente internacional de imprensa da FINA (Federação internacional de Natação), formado pela FMU e pós-graduado em Globalização pela Escola de Sociologia e Política.

Patrick Winkler
Editor- Chefe da Revista Swim Channel, Colunista da Radio Bradesco Esportes FM. Graduado em administração de empresas na Universidade Mackenzie, e pós-graduado em Gestão do Esporte pelo Instituto Trevisan.

Mayra Siqueira
Repórter da Revista Swim Channel e jornalista esportiva da Rádio CBN. É correspondente da FINA (Federação internacional de Natação) no Brasil e é colunista de natação para o Blog Esporte Fino, da Carta Capital.

Sobre o Blog

A Swim Channel é uma editora formada por nadadores que escreve exclusivamente sobre natação sendo eleita a melhor revista do segmento no mundo inteiro no ano de 2012. Através deste Blog, consegue fomentar noticias diárias aumentando o alcance do conteúdo editorial. Acompanhe entrevistas com atletas e personalidades, cobertura dos principais eventos, análises das diversas áreas relacionadas a nossa modalidade.